Capítulo 25

A Missa

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Os dias se passaram, lentos e tranquilos. A notícia de que a Cardeal Sforza havia recolhido um órfão para criar havia percorrido todo o Vaticano, como um incêndio. Todos já sabiam e, como não poderia deixar de ser, questionavam a origem dessa criança. Felizmente, mantinham tais ideias para si, sem ousar pronunciar contra a castidade de uma Cardeal, irmã de Sua Santidade. Poderiam pensar o quanto quisessem, desde que não falassem nada, assim queria Catherina, enquanto passava seus dias inebriada com todos os pequenos prazeres que vêm com a maternidade. Neste dia em especial, uma manhã de domingo, passeava pelos jardins do Vaticano, acompanhada pelo Padre Tress, que empurrava o carrinho de bebê. Ainda faltava algum tempo para a missa dominical, então decidiu passá-lo ao ar livre com sua criança, sabia que era algo saudável para bebês. Pediu ao servo que estendesse uma larga toalha sobre o gramado e pegou o filho nos braços, sentando-se logo em seguida. Colocou a criança no chão, dando-lhe espaço para engatinhar, enquanto tirava brinquedos da cesta do carrinho e os colocava próximo ao filho. Ficou ali, encantada assistindo ao pequeno se divertir ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Estava andando pelo palácio sem um rumo certo, até passar por uma das janelas e ver a movimentação no jardim. Olhou novamente e viu que eram o Padre Tress, o filho e a irmã brincando, então foi para lá. Aproximou-se da toalha e sentou-se ao lado da irmã para conversar, enquanto observava meio derretido à criança.

- Não sabia que estaria aqui.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Assistiu o irmão se aproximar com um sorriso, mas logo o escondeu, devido à necessidade de manter as aparências. Aprumou-se no chão, ajeitando o vestido, então via o Cardeal sentar-se ao seu lado e observar a criança. Respondeu com alegria ─

- Devia saber. A missa vai começar daqui a pouco, decidi trazer Flavius para tomar sol

◦⊰─ Depois acrescentou, em baixo tom, passando os olhos rapidamente ao redor. Ninguém deveria ouvir sua conversa ─

- Pedi para um amigo fazer alguns testes. O exame de maternidade veio positivo

FRANCESCO DI MEDICI:

Sabia que qualquer um que olhasse aquela cena iria achar muito estranha, Francesco e Catherina sentados juntos no jardim, brincando com a criança, mas não se importou com isso. Sabia que ninguém iria comentar, eram apenas irmãos aos olhos de todos.

- Exatamente por isso achei que não estaria aqui, e sim esperando no quarto.

Moveu-se na toalha para ficar mais perto do filho, pegou um dos brinquedos que faziam barulho e apertou, para chamar a atenção dele enquanto ouvia a outra parte. Olhou para a irmã mais aliviado, feliz por ser mesmo o filho deles, e respondeu baixo, sem completar a frase para não correr nenhum risco.

-Isso é ótimo, agora temos certeza.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Sorriu, um pouco boba ao ver o irmão brincando com o filho. Era uma cena tão inusitada que acabava por ser uma graça, enchendo a mulher de alegria. Queria abraçá-lo e beijá-lo naquele exato momento, só não o fazendo por estarem cercados de outros eclesiásticos. Viu a criança entretida pegando o brinquedo das mãos do pai e riu, passando a mão de leve pelos finos cabelos do bebê. Ainda tinha mais uma notícia para dar, e esta não era tão boa ─

- Ninguém saberá, foi feito em sigilo. Mas um dos exames também acusou outra coisa

FRANCESCO DI MEDICI:

Riu ao ter o brinquedo tirado das mãos, apertando-o outra vez, agora nas mãos do filho, para fazer barulho novamente. Pegou outro objeto e mostrou, para voltar a brincar. Olhou para a irmã meio preocupado pelo tom que tinha usado ao falar.

-Outra coisa?

CATHERINA SFORZA:

- Ele cresceu demais. Mal tem três semanas e já se desenvolveu como mais de seis meses

◦⊰─ Disse ainda sorridente, tentando disfarçar a tristeza para quem estivesse olhando. Suspirou e terminou de falar em um tom sombrio ─

- A nanomachine está agindo

FRANCESCO DI MEDICI:

Era claro que tinha reparado que o filho estava crescendo muito rápido, só não comentava. Ainda não queria acreditar que seu menino era um vampiro.

- E o que devemos fazer?

CATHERINA SFORZA:

- Nada

◦⊰─ Respondeu com tranquilidade, como sendo a atitude mais normal a se tomar. De fato, não havia o que fazer, exceto criar bem seu filho ─

- Só esperar e rezar para que isso não se volte contra nós

FRANCESCO DI MEDICI:

Estava meio perdido quanto ao que poderia fazer, mas, se ela estava dizendo que não poderiam fazer nada, de fato o jeito seria apenas rezar e protege-lo se alguém descobrisse.

- Contra você não vai acontecer, talvez só com quem ele não goste.

CATHERINA SFORZA:

- Espero

◦⊰─ Desejava, do fundo de seu coração que, no mínimo isto se tornasse realidade. Não suportaria um filho que se rebelasse ou, ainda pior, a odiasse, especialmente depois de tantas mentiras a circundar seu nascimento. Balançou a cabeça brevemente, como se isso pudesse afastar tais pensamentos tristes. Voltou-se para o irmão, tendo uma súbita ideia e disse, como criando um contexto ─

- Eu preciso passar em minha sala antes da missa, poderia cuidar de Flavius até eu retornar?

FRANCESCO DI MEDICI:

- E o que eu faço se ele chorar?

Não entendeu o porquê da irmã ter que ir até a sala, mas não iria questionar. Estava preocupado em ficar sozinho com a criança e ter algum problema, não saberia o que fazer.

- É melhor ficar aqui, Catherina.

CATHERINA SFORZA:

- Saberá como agir. O Padre Tress o ajudará se precisar

◦⊰─ Disse levantando-se com a ajuda do robô e fazendo-lhe um sinal com a cabeça, de que deveria permanecer para cumprir suas ordens. Queria apenas encontrar algum pretexto, se afastar, deixar o irmão sozinho com seu filho, ainda que por apenas alguns momentos. Sentia que lhe devia isso, não o dera muito tempo com a criança até então, não pudera dar, e agora parecia propício ─

- Estarei de volta rapidamente

FRANCESCO DI MEDICI:

Não gostou muito da ideia de ficar sozinho por medo de fazer alguma coisa errada, mas era bom ficar com seu filho. Puxou todos os brinquedos para perto dele, queria chamar a atenção para distraí-lo e brincar mais.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Notando que o irmão não mais insistiria em sua presença, afastou-se rapidamente, olhando a todo o momento para trás, certificando-se de que estariam bem. Parou a certa distância, apenas para admirar a cena. Ele poderia negar, ter dúvidas quanto à capacidade, porém, ela estava segura: Seria um maravilhoso pai. Deu continuidade à caminhada e foi dar uma volta até sua sala, apenas para fazer tempo ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Pegou o filho, que ainda brincava com o mesmo objeto, e o colocou no colo. Depois, começou a montar todo um exército com os brinquedos em perfeito alinhamento, como se fosse real. Quando acabou de arrumar todos, voltou o filho para o chão, entre suas pernas, para perto dos bonecos, explicando bem baixo como deveria fazer para derrotar todos.

-Vamos, tem que derrubar todos assim...

Emoveu os braços do filho com cuidado, mas como ele deveria fazer, realmente achando que estava entendendo tudo.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Viu de longe Tress com o carrinho de bebê e não entendeu nada ao ver o Cardeal di Medici, mas não a Cardeal Sforza, ao lado da criança. Aproximou-se e assistiu à brincadeira, interrompendo-a. ▬ ┼

- Acha que é adequado ensinar isso a ele?

FRANCESCO DI MEDICI:

- Isso!

Comemorou todo orgulhoso ao ver o filho derrubar os bonecos, pegou-o no colo e jogou, sem muita força, para cima, para depois pega-lo novamente, sorrindo e comemorando, até ouvir a voz de Abel. Fechou a cara na hora. Colocou novamente a criança na toalha, para voltar a brincar, enquanto respondia baixo, para ninguém mais ouvir.

- É muito adequado ensinar isso ao meu filho.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Ignorou o comentário e continuou falando discretamente. ▬ ┼

- A Cardeal Sforza está ciente disso? Onde está ela?

FRANCESCO DI MEDICI:

Nem se deu ao trabalho de olhar o Padre, estava entretido demais cuidando e brincando com o filho, alinhando os bonecos para que derrubasse todos novamente. Mesmo que sua vontade fosse de não responder a Abel, sabia que teria problemas com a irmã, então disse, enquanto arrumava os brinquedos.

-Foi até a sala dela, já era para ter voltado.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Não gostou do descaso do Cardeal, continuou. ▬ ┼

- Ela sabe que você está com a criança? Isso pode levantar suspeitas desnecessárias

FRANCESCO DI MEDICI:

- É claro que sabe, Abel. Foi ela quem deixou Flavius comigo para buscar algo na sala.

Não estava gostando de ser atrapalhado na brincadeira com seu filho, mas tentaria ser paciente, pela criança e pela irmã. Continuou colocando os bonecos enfileirados perfeitamente, para depois o filho derrubar tudo outra vez.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Ficava vendo a brincadeira, uma vez atrás da outra, aborrecendo-se. ▬ ┼

- Ainda assim, não deveria estar com ele, é suspeito

FRANCESCO DI MEDICI:

Econtinuaria brincando e montando pacientemente os bonecos para o filho derrubar, faria isso enquanto ele achasse graça, sem se preocupar com a opinião de Abel.

-Sou apenas um bom irmão cuidando do filho adotado da irmã enquanto está ocupada.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Aproveitou a oportunidade para trazer à tona outro assunto, que não deixaria esquecer facilmente. ▬ ┼

- Está se passando, Eminência. Há rumores, como deve saber, que só ficam piores quando o rosto de sua irmã aparece machucado sem motivo

FRANCESCO DI MEDICI:

Até achou que demorou para Abel resolver falar sobre o rosto de sua irmã. Não era algo que gostaria de falar outra vez, mas responderia para que entendesse.

- Foi um acidente, já conversei com Catherina sobre isso e nos resolvemos na mesma hora. Nem ela deu tanta importância quanto você.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Enfureceu-se com tanta passividade, só não perdendo a calma devido a estarem em local público. ▬ ┼

- O que você fez com ela?

FRANCESCO DI MEDICI:

- Acho que não gostaria de saber

Avisou. E mesmo se gostasse, não iria expor a irmã dessa forma. Já estava dando explicações demais para o Padre.

- Mas, como já falei, foi um acidente. Não tem sentido machuca-la.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Repetiu a pergunta, ficando ainda mais transtornado. Não suportava a ideia da Cardeal Sforza estar sofrendo qualquer tipo de abuso ou perversão, e ainda aceitando isso. ▬ ┼

- O que você fez com ela?

FRANCESCO DI MEDICI:

Já tinha respondido, não iria falar outra vez, então o ignorou completamente e voltou à atenção para o filho, que brincava com os bonecos sem se preocupar com nada.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Sem poder insistir muito mais, ouviu os sinos soarem no ar, anunciando a convocação de todos para a missa dominical. ▬ ┼

- Escapou, dessa vez

┼ ▬ O ameaçou, se afastando para entrar na Igreja, olhando de longe. ▬ ┼

FRANCESCO DI MEDICI:

Não se deu o trabalho de responder, até tinha ficado feliz por ouvir os sinos, assim se livraria de Abel. Mesmo sabendo que deveria fazer a missa, continuou sentado com o filho no jardim, brincando com os bonecos e tentando fazer graça com eles, algo para o menino rir, enquanto esperava a irmã retornar.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Acompanhara todo o espetáculo de longe, de uma janela no andar superior do prédio. Conferindo a hora, como os sinos estavam para ser tocados, voltou para os jardins. Encontrou o irmão ainda com o filho e brincou pelo fato de ainda estar ali ─

- Vai se atrasar assim

FRANCESCO DI MEDICI:

Segurou o filho no colo e levantou-se, para então parar à frente dela. Entregou a criança, junto com o brinquedo e sorriu, meio bobo, por ter passado um tempo sozinho com o filho, mesmo que Abel tenha aparecido para atrapalhar. Como não tinha visto a irmã na janela, resolveu contar.

- Abel esteve aqui. Queria saber se você tinha ciência que eu estava com Flavius e o que eu havia feito para machucar seu rosto.

CATHERINA SFORZA:

- Eu sei, eu vi

◦⊰─ Respondeu como se a intromissão de Abel não fosse algo importante, até porque, além de já esperada, havia assistido tudo à distância. Pegou o filho no colo, beijou-o, e depois o colocou deitado no carrinho. Balançou a cabeça afirmativamente para o Padre Tress, que começou a arrumar os pertences do bebê para levá-lo de volta ao quarto, enquanto os Cardeais deveriam ir para a missa. Começou a se encaminhar para a Igreja, quando comentou, sorridente, longe dos ouvidos de todos ─

- A propósito, uma graça de sua parte estar ensinando sobre ataques ao bebê

FRANCESCO DI MEDICI:

- Achei que fosse até sua sala.

Comentou, enquanto dava inicio a caminhada junto à irmã, em direção a Igreja, para a missa, assim que viu o Padre Tress indo para o quarto com seu filho. Sorriu discreto, meio sem jeito, ao ouvir a irmã comentar sobre a brincadeira, agora tinha certeza que ela estava o olhando o tempo todo.

- Tem que aprender desde pequeno.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Não comentou a fato de não ter ido até a sala, deixaria passar. Já tinha deixado claro o bastante o que estivera fazendo. Continuou andando, acenando ou cumprimentando de longe as pessoas pelas quais passavam, enquanto se dirigiam para a primeira fileira da Catedral, reservada aos Cardeais. Quando chegaram já à frente, antes de sentar, sussurrou ao irmão ─

- Que tal depois brincar de guerra comigo?

FRANCESCO DI MEDICI:

Continuou caminhando ao lado dela até chegar à Igreja. Foi com a irmã para a primeira fileira e esperou que sentasse, antes, ouviu o pedido e sorriu discreto, tentando esconder a malícia, pelo tanto de gente ao redor. Sentou-se ao lado dela para responder, esperando todos chegarem e poder dar início a missa. Sussurrou.

-
Seria interessante invadir Milão.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Ouviu a resposta sem conseguir esconder um sorriso levemente malicioso. Esforçou-se para ficar séria novamente e, olhando em direção ao altar, para não estar de frente para o irmão, respondeu à ameaça em baixo tom ─

- Pois Milão estará aguardando para ser invadida por Toscana

FRANCESCO DI MEDICI:

Olhou para os lados rapidamente, com a desculpa de ver se todos estavam lá, ao ouvir a irmã ser tão clara. Estava preocupado em ter alguém prestando atenção na conversa dos dois, mesmo que ela não o olhasse. Tentou se manter sério, mas sua vontade era leva-la dali parar brincar de guerra da forma deles.

- O exército de Toscana deveria mudar a estratégia e atacar Milão agora.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Continuou olhando para frente, como muito entretida com o altar. Sabia que o irmão estaria tomando as precauções para ser discreto, assim como que os demais presentes estavam ocupados demais em ser cordiais, e obter vantagens uns dos outros. Riu com o comentário dele. Pelo visto, conseguira deixá-lo ainda mais alterado, desejoso de sair dali naquele momento, do que imaginara. Aproveitar-se-ia disso para provocá-lo, sabia que não poderiam faltar à missa ─

- Mais as invasões ao palácio de Milão terão que esperar o momento correto para a guerra

FRANCESCO DI MEDICI:

Moveu-se inquieto no banco, tentando encontrar uma forma de deixar a calça mais larga, para não deixar ninguém perceber a excitação. A irmã sabia como provoca-lo, então, mesmo que tentasse, não conseguiria se controlar. Respirou fundo e avisou, antes de se levantar para dar início a missa.

- Vou começar isso logo, quero participar o quanto antes dessa guerra.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Sorriu brevemente, lançando um olhar significativo para o irmão, enquanto o ouvia falar. Estava prometendo mais e mais, por toda a missa. Sabia que não deveria fazer isso, que era um golpe muito baixo, porém, vê-lo sendo bom pai e marido, isso a excitava de uma forma que seu único desejo era fazer sexo loucamente ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Sabia que aquele olhar iria causar alguns problemas e desatenção nele, mas gostava. Era bom ver o quanto estavam diferentes, mais carinhosos um com o outro, assim como as provocações eram mais abertas. Avisou aos ministros que daria início e então se encaminhou junto deles para o altar. Posicionou-se atrás do púlpito rapidamente, para ter certeza que ninguém iria perceber o volume nas calças, e deu início com o sinal da cruz.

- In nomine patris, et filii, et spiritus sancti

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Assistiu ao irmão se afastar, enquanto se posicionava melhor. Escolhera sentar no canto propositalmente, pois assim ficaria mais perto do púlpito, quase de frente para o irmão mais velho, uma vez que o centro era reservado a Sua Santidade. Teria que tomar muito cuidado, pois havia várias pessoas assistindo à missa, mas isso não lhe era empecilho. A dificuldade fazia aumentar a vontade. Fez o sinal da cruz ao ouvir as palavras de abertura, fazendo depois a Santa Cruz, passando o polegar na testa, peito, e se demorando nos lábios. Arrastou o dedo lentamente, passando a língua por ele de leve, sem tirar os olhos de Francesco ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Tentou manter os olhos em algum ponto longe da irmã, por saber que seria provocado, mas era impossível. Estava a sua frente e seus olhos acabavam indo diretamente para ela. Demorou um pouco para dar continuidade, perdendo completamente o foco ao ver a irmã deslizar a língua pelo polegar, mas conseguiu voltar à missa. A irmã havia começado cedo.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Percebeu que ele estava prestando atenção nela, assim como que o deixara desconcentrado. Tinha que reduzir as provocações ou as atitudes dele acabariam denunciando os dois. Abaixou os olhos um pouco, reunindo as mãos para rezar. Mas logo erguia o olhar mais uma vez, apenas para o irmão mais velho, com todo tipo de pensamento pecaminoso, enviando-os como ondas pelo ar ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Viu que teria que se controlar ou teriam problemas, alguém poderia perceber. Então também abaixou os olhos para rezar e assim ficou por um tempo, o quanto aguentou sentir ser observado. Levantou o rosto para retribuir ao olhar e conseguia perceber, só pela forma como ela o mirava, que a última coisa que a irmã estava fazendo era rezando. Ficou um tempo assim, até ter que dar continuidade a missa.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Abaixou o olhar mais uma vez, tendo que morder o lábio inferior para conter o riso. Havia tempo que não fazia algo tão divertido, desde que fora para uma reunião do Conselho dos Cardeais sem calcinha, apenas para provocá-lo e impedir o uso da Inquisição sobre a competência AX. Agora não agia por motivos tão egoístas, porém, um erro, e o desastre seria ainda maior. Esperou que o irmão mais velho retomasse o sermão para parar de rezar. Não ergueu o rosto, mas cruzou as pernas e passou uma mão pela coxa com certa força, apertando-a, fazendo ressaltar o decalque de sua liga, além do volume das pernas. Uma atitude que, para olhos desatentos, não estaria mais do que arrumando o vestido ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Não estava conseguindo muito bem dividir a atenção entre sua tarefa e a irmã. Ela o estava provocando com simples movimentos que, para ele, queriam dizer e mostrar muito mais do que um arrumar de vestido. Continuou com o sermão tentando não gaguejar, desviando o olhar a qualquer outra pessoa para seguir.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Enquanto ouvia as palavras da pregação, tinha certeza de já estar com seu lugar garantido no inferno. Logo, não faria mal pecar mais um pouco, não estava provocando mal a ninguém. Ou quase ninguém. Olhou para o irmão mais velho outra vez, encarando-o até ter certeza que ele soubesse que o olhava. Depois, abaixou os olhos para seu corpete. Os seios inchados devido à lactação se sobressaiam na peça, quase saltando para fora, em total contraste com sua cintura fina. Arrumou as costas, deixando-a ainda mais reta, e inclinou-se sutilmente para a frente, colocando o polegar dentro do corpete e puxando-o para cima, como se fosse para arrumá-lo, mas, na verdade, movendo os seios com isso, destacando-os ainda mais nesse movimento. Olhou de volta para Francesco, queria ter certeza que ele havia notado ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Não conseguiu disfarçar muito bem o olhar malicioso que lançou para a irmã ao ver como o estava provocando. De fato, tinha feito algo para tanto fogo, provocações e palavras tão claras. Precisava descobrir para repetir sempre. Ao final, rezou para que ninguém reparasse, além da irmã, nas suas calças. Pegou a hóstia e fez o procedimento com todos os presentes, até chegar à irmã. Olhou-a de cima e tocou os lábios, para que abrisse a boca e pudesse continuar, como foi com os outros.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ De joelhos diante do irmão, esperou pacientemente até a sua vez de receber a hóstia. Tendo os lábios tocados, esfregou-os rapidamente e abriu a boca, apenas o suficiente, sem tirar os olhos do irmão. Pôs a ponta da língua para fora, deixando que tocasse de leve nos dedos que seguravam a hóstia, e então colocou-a para dentro, fechando a boca. Permaneceu com os olhos fixos no irmão por mais alguns segundos, então se levantou para sair da Igreja com os outros clérigos ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Prestou atenção em tudo, ela ajoelhada a sua frente, a forma como abriu a boca, a língua nos dedos e o olhar que também manteve fixo no dela. Sentiu um arrepio correr seu corpo ao perceber a língua da irmã nos dedos, ela estava passando dos limites com as provocações, ele já estava quase perdendo a linha e a puxando ali mesmo. Encerrou a missa meio transtornado, não conseguindo se concentrar mais em nada. Deixaria a irmã ir para depois encontra-la. Enquanto isso esperaria na Catedral, na tentativa de se acalmar.

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Ficara quieto durante toda a missa, mas não deixou passar nada despercebido. Não sabia se proposital, mas viu cada um dos movimentos da Cardeal Sforza. Ela era mesmo uma bela mulher, e deixara isso claro a qualquer um com olhos. Aproximou-se dela no caminho de volta para os jardins, estendendo o braço para acompanhá-la ╚╗

Bom dia, querida

CATHERINA SFORZA:

- Cardeal Borgia

◦⊰─ Cumprimentou o colega, nada contente. Não desejava companhia em seu caminho até a sala, esperava encontrar-se com Francesco. Porém, a intromissão de outro Cardeal, um eclesiástico superior, mudava em muito seus planos. Perguntava-se se ele teria reparado alguma coisa, porém, não haveria como saber. Aceitou o braço que lhe era oferecido com um sorriso, ainda que não agradasse a forma como ele a tratava. Continuou com a conversa para saber o que ele queria ─

- O que o trás até mim?

FRANCESCO DI MEDICI:

Depois de todos terem saído da igreja, encaminhou-se para a sala da irmã esperando encontra-la ali, já que não poderiam mais no quarto. Porém, no caminho, viu de longe Catherina conversar com outro Cardeal. Não entendeu exatamente o que estava se passando, então continuou a andar como se não tivesse visto nada, até perceber que estavam de braços dados. Respirou fundo e se aproximou ainda mais, porém, não em direção a eles, apenas fazendo um caminho no qual ela pudesse perceber que ele tinha visto e, pela cara, não tinha gostado nada.

ANTONIO BORGIA:

Imagino que não tenha gostado da missa. Estava muito inquieta

╔╝ Foi sutil em suas palavras, mesmo que usasse um tom confiante. Queria que ela suspeitasse, sem ter certeza. Cobriu os dedos da Cardeal Sforza com a mão livre enquanto a guiava

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Olhou para frente, não gostando nada de estar perdendo tempo com o Cardeal Borgia. Nesse instante, notou que o irmão a observava de longe, em total reprovação. Não agradava ser tratada desta forma, não o devia explicações sobre seus afazeres, uma vez que não estava fazendo nada de reprovável. Decidiu provocá-lo. Em vez de rumar para dentro do palácio, guiou o colega pelos jardins, para ganhar tempo. Ao ouvir o comentário, teve certeza que sabia de algo e, como não podia definir quanto, optou por agir com cautela ─

- Impressão sua, Cardeal Borgia

FRANCESCO DI MEDICI:

Oproblema não era a irmã estar falando com outro Cardeal, e sim a forma como estavam. Não gostava de correr riscos, mas também não iria se aproximar depois de ser claramente provocado. Percebeu que ela puxou e outro eclesiástico só depois de ter visto que ele estava olhando. Então deixaria para ver até onde a Duquesa iria com a brincadeira dela.

ANTONIO BORGIA:

Certo, querida, certo

╔╝ Disse em tom de brincadeira. Não comentou a mudança de rumo, continuou levando-a pelos gramados. Trocou de assunto

Como tem sido com o pequeno? Crianças devem dar bastante trabalho

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Sabia que ele não a levara a sério, estava claro em no tom de voz. Ficou agradecida com a mudança de assunto, ainda que pudessem advir perguntas maliciosas. Respondeu com naturalidade, olhando ocasionalmente para os lados, sob o pretexto de admirar as flores ─

- Sim, dão bastante trabalho, porém a recompensa é satisfatória. Pretende ter filhos algum dia, Cardeal Borgia?

FRANCESCO DI MEDICI:

Continuou olhando de longe todos os movimentos dos dois, não estava gostando daquilo. Por mais que soubesse dos sentimentos da irmã, não estava ouvindo a conversa e nem sabia do que se tratava, então tentava manter a calma e não achar que pudesse ser algo relacionado a tentar conquista-la.

ANTONIO BORGIA:

Não sei, não consigo me ver casando. Teria que ser uma mulher excepcional para me prender

╔╝ Respondeu lançando um olhar misterioso para a Cardeal Sforza. Depois brincou

Pretendemos ter filhos, querida?

CATHERINA SFORZA:

- Antonio!

◦⊰─ Reclamou sentindo o rosto corar violentamente, tamanha a sua vergonha por uma aproximação tão direta. Soltou as mãos do braço do Cardeal nesse mesmo instante, parando de andar. Ele estava começando a ser verdadeiramente desagradável, o Borgia que ela lembrava. O repreendeu com rispidez ─

- Não diga coisas assim

FRANCESCO DI MEDICI:

Percebeu que tinha algo errado com a conversa dos dois, a irmã não costumava ficar daquela forma com outras pessoas. Seguiu em passos rápidos na direção dos dois, até se aproximar o bastante para ver que estava corada. Não gostou daquilo e chegou até a se preocupar.

-Algum problema, minha irmã?

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Não esperava uma reação tão negativa vinda da Cardeal Sforza, mas achou até bonitinha. Seu problema maior foi o Cardeal di Medici ter se aproximado. Não eram exatamente colegas, no meio dos Cardeais, e sabia como era uma pessoa difícil, especialmente agora que assumira uma postura estranhamente protetora com a irmã. Sorriu cinicamente e tentou sair deste problema de forma tranquila, pois Medici não era alguém a se enfrentar desnecessariamente

Ora, Francesco. Quer se juntar à nossa caminhada?

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Assustou-se ao ver o irmão ir tão rapidamente ao seu auxílio. Por um lado, estava agradecida, pois isso certamente a livraria do inconveniente Cardeal Borgia. Porém, levantaria mais suspeitas, se Antonio já as tinha, além de provar que o irmão não a achava capaz de lidar com a situação sozinha. Tratou arrumar a situação, não queria um embate por motivo tão ínfimo. Agora, precisava manter o outro por perto. Voltou-se para o irmão ─

- Não foi nada, meu irmão. Nada

FRANCESCO DI MEDICI:

- Não, obrigado.

→ Disse para o Cardeal Borgia quanto a caminhada. Não pretendia ficar mais muito tempo ali, e nem deixar a irmã. Voltou-se agora para Catherina com um tom de falsa reprovação, precisaria encontrar alguma boa desculpa para ter aparecido tão rápido e não levantar suspeitas.

- Tinha uma reunião marcada comigo após a Missa.

ANTONIO BORGIA:

Como quiserem. Se me dão licença

╔╝ Disse com um sorriso falso. Pegou a mão de Catherina e a beijou demoradamente, olhando-a nos olhos enquanto isso. Depois se afastou em direção ao palácio

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Não gostou do beijo, porém, nada podia fazer, exceto recebê-lo com toda sua educação. Depois, quando o Cardeal Borgia já estava longe, pode respirar mais aliviada, ainda que suas preocupações estivessem longe de acabar. Olhou para o irmão e nada disse, apenas seu olhar já lançava repreensão suficiente ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Não se importou com o olhar de reprovação, pois o retribuiu exatamente da mesma forma, quando o Cardeal Borgia se afastou, sem dizer uma única palavra. Sua vontade era ter acabado com ele assim que a tocou, mas não podia. Agora estava sentindo o peso de uma relação escondida. Virou-se e foi em direção ao palácio sem esperar a irmã, não gostava quando esse tipo de coisa acontecia, muito menos quando ela o provocava e depois reprovava por cumprir seu papel de marido e tentar cuidar dela de alguma forma.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Também foi para o palácio, mais precisamente para sua sala. Encontrou-se com o Padre Tress, já parado à porta, informando ter deixado seu filho com as noviças, dormindo. Entrou na sala e deu ordens para deixar apenas seu irmão passar. Estava furiosa, o que ficava claro ao andar de um lado para o outro, sem parar. A forma como a olhou foi completamente desmotivada. Ele atrapalhara seus planos, ela tinha o direito de estar com raiva, não o contrário ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Depois de um tempo foi para a sala da irmã, assim como o esperado. Passou pelo Padre Tress e entrou, fechando a porta às costas. Ficou olhando Catherina andar de um lado para o outro, claramente irritada, até mais do que o normal. Ao mesmo tempo em que queria saber o que estava acontecendo, queria agarra-la e não deixar que falasse nada, para os dois apenas cumprirem o que tinham dito um ao outro antes da missa. Mas, sabia que a irmã não deixaria isso para lá, então foi se aproximando lentamente dela, para que desse tempo de falar tudo o que tinha vontade.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Notou a presença do irmão ao ver a porta sendo aberta, porém, não relaxou, continuou andando, escolhendo bem as palavras. Depois de respirar fundo, conseguiu finalmente falar o que tanto a aborrecia, rápido, impedindo pudesse interrompê-la ─

- Não devia ter feito aquilo. Eu era plenamente capaz de lidar com a situação. E Borgia... Ele suspeita de alguma coisa

FRANCESCO DI MEDICI:

- Eu sei que era capaz.

Continuou a andar lentamente até chegar bem próximo da irmã. Abaixou-se e a beijou brevemente nos lábios, não queria brigar. O Cardeal Borgia ainda não era uma ameaça plena, tentaria ignora-lo ao máximo para não ter esse tipo de desentendimento com a irmã, sempre por culpa dele.

- Mas esse é o meu dever de irmão, cuidar de você. E ele não deve desconfiar de nada, só gostou do que talvez tenha visto na missa.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Contra palavras e gestos assim, não tinha argumentos. Esperava que fossem brigar, gritar, ou qualquer outra coisa, menos se entender de forma tão rápida. Ficou feliz pela confiança que lhe era depositada, assim como pelo beijo. Tocou-o de leve no rosto e se afastou aos poucos, tomando distância ─

- Então, ainda temos uma guerra a travar, ou Toscana decidiu render-se a Milão?

FRANCESCO DI MEDICI:

- Toscana jamais se renderia.

Passou as mãos pelas pernas da irmã e a segurou pelas coxas, puxando para o colo sem dificuldade devido ao peso. Andou pela sala até senta-la na mesa, aproveitando para puxar o vestido para cima, se posicionando entre as pernas dela. Aproximou-se mais do ouvido da irmã e sussurrou enquanto a tocava com as pontas dos dedos por baixo do vestido em sua intimidade, por cima da calcinha.

- Só ficou com mais vontade de invadir Milão.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Foram vários movimentos e todos rápidos. Logo estava sentada sobre sua mesa, o lugar em que tudo começou. O vestido levantado, os dedos de seu irmão sobre sua intimidade, prontos para adentrar em seu corpo a qualquer momento. Os sussurros a fizeram estremecer, quase como se nunca tivesse havido qualquer mal entendido. Respondeu também em baixo tom, provocando-o ─

- Se conseguir penetrar as barreiras do castelo de Milão

FRANCESCO DI MEDICI:

Deslizou as mãos para cima, iria por partes. Soltou o laço do corpete e todos os fios, até deixa-lo cair entre os corpos. Empurrou-o sobre a mesa, e agora partiria para o vestido. Terminou de puxa-lo para cima, até tirar, e deu o mesmo destino que o corpete. Voltou as mãos para a calcinha dela, puxando as beiradas enquanto continuava a sussurrar.

-Parte dessas barreiras foram destruídas, só falta uma para a invasão completa.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Deixou que lhe tirasse as roupas, caindo uma a uma sobre a mesa. Realmente, todas as barreiras haviam sido transpassadas, faltando apenas a última. Sorriu com a provocação, fechando um pouco as pernas apenas para criar alguma resistência ─

- E seu exército é forte o bastante para invadir as minhas defesas?

FRANCESCO DI MEDICI:

Passou os lábios pelo pescoço dela lentamente e a mordeu de leve ali. Depois beijou o mesmo lugar, enquanto fazia que ia rasgar a calcinha. Tirou os sapatos e foi com a irmã para cima da mesa, com os joelhos entre as pernas dela, empurrando-a pouco para ir mais para trás e poder se deitar.

- Devo te mostrar.

Rasgou a calcinha, como sempre, em um puxão. Deixou-a ali, com as pernas abertas para ele, enquanto tirava o cinto, abria a calça e a abaixava, para então penetra-la com certa força. Abaixou-se apoiado nas mãos e na mesa, assim que começou a se mover, e perguntou mais uma vez em sussurro.

- Ainda tem dúvidas?

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Soltou um gemido baixo, quase como um ganido, ao ser mordida no pescoço, mas se conteve, evitando qualquer outra reação. Ficou esperando que rasgasse sua calcinha, enquanto isso, a tirasse, ou a empurrasse para o lado, qualquer coisa, pois o irmão era imprevisível, mas que acabasse com sua espera. Chegou para trás ao vê-lo subir na mesa, não conseguia lembrar a última vez que haviam se deitado ali. Teve a calcinha puxada, dando um gritinho com o susto pelo movimento brusco. E, finalmente, foi invadida com toda a força de um aríete toscano. Com um gemido longo e alto, Milão estava dominada ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Ouviu o gemido longo, agoraa Duquesa era sua. Tinha invadido com toda a vontade do tempo que esperou, movendo-se forte, indo fundo dentro da irmã por cada provocação que tinha recebido. Também não estava lembrado da ultima vez que se deitaram juntos em uma mesa, achava bom reviver onde tudo havia começado.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Agora, tomada com toda aquela violência, era capaz de lembrar. A única vez que haviam se deitado sobre uma mesa, sobre aquela mesma mesa, havia sido há muito, muito tempo. Foi quando perdera sua virgindade, todos os seus sonhos e esperanças, mal sabendo e ganharia muito mais em troca ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Moveu-se mais rápido, prendendo as mãos na mesa, próximas aos ombros da irmã, para que não se movimentasse com a força das investidas. Mudaria a visão que a irmã tinha daquela mesa em relação a eles. Sabia que ali tinha sido o palco de sua primeira vez, e que não havia sido o mais atencioso. Porém agora eram diferentes um com o outro. Eram quase marido e mulher.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Envolveu o pescoço do irmão com ambos os braços e puxou-o mais para perto, para que deitasse sobre si. Enquanto isso, deslizava com seus dedos pelas costas, arranhando o tecido como se fosse rasgá-lo. Ele era o seu homem, que iria possuí-la ali, mas agora, por total espontânea vontade ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Deitou-se sobre a irmã assim que foi puxado e a beijou no rosto, continuando a mover-se entre as pernas dela, em investidas ritmadas de vai e vem. Soltou o ar mais forte ao senti-la correr as unhas pelas costas, pelo tecido de sua camisa, era bom ver a diferença dos acontecimentos no mesmo lugar.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Era agradável se lembrar de todos os pequenos detalhes, revivê-los de forma tão diferente. Antes percorrera as costas do irmão com as unhas para feri-lo, machucá-lo e talvez fazê-lo parar em seu torpor animalesco e violento. Agora, queria tão somente o próprio prazer em proporcionar aquela dor, também o deleite de seu irmão. Os gestos eram os mesmos, mas os significados, profundamente distintos ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Manteve os movimentos do quadril rápidos e com força sobre a irmã, como tinha sido na primeira vez deles ali. Faria a irmã se lembrar de como tinha acontecido. Agora seria verdadeiramente bom desde o começo para ela, além de todo o sentimento que um tinha pelo outro.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Segurou-o com força contra o próprio corpo enquanto ele investia. O queria junto dela, diferente da primeira vez, que sentira nojo e desejara distância, ainda que tivesse aproveitado. Agora não se imaginava sem ele, fosse da forma afetiva ou sexual ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Passou as mãos por baixo da irmã e a abraçou, ainda apoiando-se nos braços, segurando-a mais firme contra si. Encostou o rosto no dela para ouvi-la gemer mais de perto, mantendo os corpos o mais colado possível. Era bom saber que ela o queria, gostava das atitudes da irmã, a forma como conseguia demonstrar tudo sem dizer nada.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Sendo envolvida pelos braços do irmão, fez semelhante, deslizando uma das mãos pelos cabelos e segurando a cabeça dele ao lado da própria. Aproximou os lábios do ouvido do irmão para que pudesse ouvir exatamente cada som que produzia, suspiro, cada vez que arfasse. Era como estar sem ar e somente ele, com suas investidas, pudesse fazê-la respirar de novo ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Moveu-se com ainda mais vontade, indo fundo dentro dela, ao ouvir todas as reações que conseguia causar de tão perto. Arrepiou-se ao sentir as mãos pelos cabelos, não tinha costume já que era algo que a irmã sempre fizesse. Abaixou só um pouco a cabeça, até conseguir tocar os lábios no ombro, beijando-a, para depois morder sem força ali, só para segurar, enquanto continuava o que fazia.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Gemeu ao sentir os dentes se fecharem no ombro, apertando ainda mais o irmão contra si. Retraiu o corpo em um ato involuntário, fazendo força para fechar as pernas de forma defensiva. Mas era impossível, ao menos enquanto ele estivesse ali, invadindo sua fortaleza ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Estavam muito juntos para não perceber que a irmã retraíra o corpo, mas não parou. Continuou a mover-se com gosto a cada gemido que ouvia, tão próximo de seu ouvido. Percebeu que a irmã estava tentando fechar as pernas, virou o rosto para sussurrar outra vez e brincou, provocando.

- Então a Duquesa de Milão se rende ao Duque de Toscana?

CATHERINA SFORZA:

- Jamais!

◦⊰─ Respondeu com a voz alterada, ainda se retraindo sob o irmão. Não aceitaria se entregar assim tão fácil, ainda que fosse a vontade de seu corpo ceder inteiramente ao desejo. Aguentaria o máximo possível, até não ter mais defesas contra a invasão ─

- Milão jamais se renderá!

FRANCESCO DI MEDICI:

- Milão está em desvantagem.

Sussurrou e investiu forte contra a irmã ao ouvir a resposta, como se fosse algum tipo de punição. Agora seria assim, enquanto não ouvisse claramente que ela se renderia, iria avançar com mais força, rápido e fundo a cada resposta errada, até provoca-la a finalizar e se entregar. Mesmo que com certa dificuldade em falar, continuou.

- Toscana já invadiu.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Gritou com prazer ao ser penetrada fortemente, em punição por sua resposta. Algo lhe dizia que isto era apenas o começo, porém, rendição não era algo simples para uma Sforza. Não se rendiam, assim como só se curvavam para fazer sexo. Catherina não era diferente, e responderia às provocações, esperando para ver até onde o irmão iria com a brincadeira ─

- Ainda que invadida, não se renderá

FRANCESCO DI MEDICI:

Manteve a força da investida anterior e acelerou os movimentos dentro dela, como outra punição pela resposta que não queria ouvir. Não iria exagerar, não queria machuca-la outra vez, mas estava disposto a terminar a brincadeira. Sabia que a irmã não costumava se render assim tão facilmente, mas tentaria. Agora queria ouvir.

- A Duquesa irá se render.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Novamente um grito longo, mas em nada doloroso. Era de prazer, com as estocadas rápidas e profundas, que, ao final, nada tinham de punitivas. Sabia que a resposta o desagradara, mas iria continuar até vê-lo no limite, ou finalizarem. Respondeu mais uma vez num sussurro baixo, passando os lábios pela orelha do irmão ─

- Nunca

FRANCESCO DI MEDICI:

Sabia que não eram exatamente punições, mas gostava de acreditar que fossem. Como uma forma de fazer a irmã se redimir pelas respostas que ele não queria ouvir. Ao ouvi-la, investiu o mais fundo que conseguiu, juntando as três formas de invadi-la e usando todas de uma vez. Agora queria a rendição da irmã, e não iria parar até conseguir.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Levou um dedo à boca e mordeu-o com força, tentando aliviar todas as sensações que percorriam seu corpo. Precisava de um escape para a força, agilidade, profundidade, em suma, todo o prazer que o irmão estava lhe proporcionando e tendo com ela. Se continuasse assim, não resistiria por mais muito tempo ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Como já era de costume, todas as vezes que a irmã tentava abafar os gemidos. Soltou-a do abraço e levou a mão até a dela, puxando e prendendo na mesa para parar de morder. Continuou a movimentar-se da mesma forma, sabia que era o jeito como a irmã gostava, ele também. Tanto gostava que sabia não aguentar esperar mais muito tempo.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Entrou o mais rápido que pôde pelo corredor. Precisava impedir uma catástrofe. Bateu na porta da sala da Cardeal Sforza de forma polida, esperando que abrisse. ▬ ┼

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ No que teve a mão puxada e presa contra a mesa, para evitar que abafasse os gemidos, entrelaçou os dedos com o irmão. Jogou a cabeça para trás de leve, mordendo o lábio inferior como alternativa. Precisava de ar, pois tudo que conseguia fazer era gemer mais e mais. Nesse momento, ouviu as batidas à porta. Seu sangue congelou e o corpo parou de mover-se, tomada pelo pavor ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Entrelaçou os dedos com os da irmã da mesma forma e os apertou com cuidado. Logo depois ouviu as batidas na porta e se assustou, olhando na mesma direção. Não parou quando sentiu a irmã parar,sabia que estavam trancados e, mesmo se não estivessem, iriam continuar. Era muito bom para parar agora. Abaixou-se mais e a beijou novamente, sussurrando em seguida, tentando acalma-la e desafia-la a continuar.

- Ninguém vai entrar. Devemos ir até o final dessa guerra, ou prefere desistir?

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Não obtendo respostas e podendo escutar os sons sexuais do outro lado da porta, bateu mais uma vez, agora com mais força e vigor. Precisava que eles abrissem a qualquer custo. ▬ ┼

CATHERINA SFORZA:

- Jamais

◦⊰─ Com essas palavras, rendeu-se novamente às emoções, entregando seu corpo completamente ao irmão. Não iriam demorar muito, só mais um pouco. De uma forma estranha, saber que alguém poderia ouvi-los era extremamente excitante ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Sorriu malicioso ao ouvir as palavras da irmã, sabia que não iria desistir. Já estava quase alcançando seu máximo daquela forma, com todos os movimentos contínuos, gemidos e a sensação excitante de que alguém estava ouvindo tudo, então continuou, mantendo o jeito de investir. Sabia que a irmã também não iria aguentar por muito tempo, então falou, provocando-a novamente.

- A Duquesa deve render-se agora.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Estava entrando em desespero, olhando para os lados a todo o momento. Logo ele iria chegar e ninguém podia saber. Bateu com mais força, já cogitando arrombar a porta, se necessário. ▬ ┼

CATHERINA SFORZA:

- Eu me rendo... Eu me rendo!

◦⊰─ Disse entre gemidos, enquanto alcançava o máximo de seu prazer com diversos orgasmos, seguidos por prolongados gritinhos. Agarrou-se mais ao corpo do irmão, com os braços e as pernas, deixando-se tremer, excitada. Abafou os sons mordendo o lábio inferior, mas era impossível, devido à intensidade do prazer provocado pelos espasmos. Depois da guerra, da fortaleza de Milão invadida, vinha a rendição ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Ouviu a irmã se render entre gemidos e acabou por finalizar junto dela, alcançando seu prazer máximo enquanto se movia sem muito controle, ejaculando mais do que o normal dentro dela pelo tempo de espera e o quanto foi provocado. Abraçou-a mais apertado contra o corpo, respirando rápido, cansado. A guerra estava ganha, tinha a invasão e a rendição da Duquesa.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Ouviu os sons mais altos de dentro da sala, ficando constrangido com esse tipo de comportamento. Era um novo motivo para bater com força, quase derrubando a porta, só não o fazendo por ser impedido pelo Padre Tress. ▬ ┼

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Não havia tempo para descansar. Empurrou o irmão de leve sobre seu corpo, afastando-o de si, e pôs-se de pé rapidamente. Tratou de correr pela sala, catando as peças de roupa e vestindo-se, rezando para que não tivessem feito muito barulho, assim como para que não fosse nada tão urgente ou tão importante quanto parecia. A guerra estava ganha e, recolhidos os espólios, estava encerrada ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Afastou-se da irmã assim que foi empurrado, sabia que precisava saber quem era. Desceu da mesa e subiu a calça, acertando as roupas para não ter problemas se fosse alguém realmente importante. Depois de pronto, foi até a irmã para ajuda-la com o corpete, queria que ficasse perfeito para ninguém desconfiar. Olhou-a de frente, queria ter certeza que estava tudo certo. Puxou-a pelo braço, antes de se afastar, e a beijou apaixonadamente nos lábios, para depois se distanciar e ir abrir a porta para quem estivesse do lado de fora.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Quando a porta foi aberta, nem se deu o trabalho de olhar para o Cardeal di Medici, apenas foi correndo anunciar para a Cardeal Sforza. ▬ ┼

- Ele está vindo

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Viu de longe, ao dobrar o corredor, Abel correr e entrar na sala de Catherina. Ficou ainda mais curioso e acelerou o passo, em todo caso, já estava rumando para lá mesmo. Aproveitou a porta estar aberta e foi entrando com seu sorriso de sempre

Ora, estou perdendo alguma coisa?

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Quando estava finalmente pronta, o corpete arrumado, o cabelo sem fios eriçados, e toda sua roupa alinhada, foi beijada pelo irmão, mas não havia tempo para retribuir devidamente e correu para sentar-se à mesa. Dali mesmo, colocou seus bens no devido lugar, ajeitando para que não parecesse ter sido usada a superfície com propósitos além do trabalho. Vendo Abel entrar como uma flecha, assustou-se se perguntando qual o motivo para tanto alvoroço. No entanto, teve sua dúvida respondida da forma mais violenta possível, com a entrada sem anúncio do Cardeal Borgia. Ficou lívida como pedra em sua cadeira, incapaz até mesmo de responder de imediato, tomada pelo pavor de ter sido descoberta ─

FRANCESCO DI MEDICI:

- Não está perdendo nada.

Respondeu do seu jeito estúpido de sempre. Não gostou de ver o Cardeal Borgia entrando assim na sala de sua irmã, e gostaria muito de saber o que ele queria com ela. Saiu de perto da porta e foi para o lado da irmã, agindo com naturalidade. Nem tinha se passado pela sua cabeça que o colega poderia ter escutado algo.

- Como já tinha comentado no jardim, estávamos em reunião.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Vendo o Cardeal Borgia entrar, foi para o outro lado de sua chefa relatar a situação entre sussurros. ▬ ┼

- Encontrei-o no corredor a caminho daqui. Tentei ganhar tempo e então peguei um atalho. Tudo deu certo, as portas se abriram antes dele chegar ao corredor

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Não esperava encontrar ainda o Cardeal di Medici na sala. Recebendo uma resposta tão evasiva, ficou intrigado. Estreitou o olhar e se aproximou mais da mesa, andando tranquilamente

Já tem tempo isso, achei que tivessem acabado

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Ouviu atentamente às palavras do subordinado, sentindo-se muito mais tranquila, ainda que significassem dizer que Abel havia ouvido do outro lado da porta. Porém, este agora era o menor de seus problemas. Se o Cardeal Borgia não tinha escutado os sons, não sabia o que estava se passando, então seria mais fácil mentir. Fez um gesto para que Abel se retirasse e respondeu a Antonio polidamente ─

- Encerramos a reunião neste momento. O que deseja tratar comigo?

FRANCESCO DI MEDICI:

Não teve tempo de responder, mas não se importou. Já não gostava do Cardeal Borgia e deixar de respondê-lo era um favor. Continuou ao lado da irmã, feliz por não ter sido mandado embora junto com Abel. Não queria deixa-la sozinha com ele, então apenas esperou, em silêncio, a resposta que também estava querendo saber.

ABEL NIGHTROAD:

┼ ▬ Fez uma breve reverência a cada um dos Cardeais e saiu da sala, deixando a situação a encargo da chefa. Ela provocara isto, agora deveria resolver. ▬ ┼

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Ouvindo a pergunta, lançou um olhar significativo ao Cardeal di Medici, esperando que fosse mandado embora. Como no final sabia que isso não seria feito, expressou-se em palavras

Poderíamos conversar de forma mais reservada? Em minha sala, talvez?

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Não mandaria o irmão sair, assim como não deixaria a sala. Porém, diferente do que seria normal, não o faria por querer proteção, ou para evitar uma abordagem indecente do Cardeal Borgia. Não levantaria de sua cadeira por motivos muito mais importantes naquele momento. Mordeu o lábio inferior de leve, discretamente, enquanto cruzava as pernas, claramente incomodada. Olhou rapidamente para baixo, para o chão sob seus pés e, constatando o que procurava, tornou a prumar-se mais uma vez e responder com confiança ─

- Não, aqui em minha sala está bom. A não ser que prefira outro momento

FRANCESCO DI MEDICI:

Tentou manter a calma, como se fosse algo normal ir até a sala dela para conversar. Mesmo que em seus pensamentos já tivesse matado o Cardeal Borgia algumas vezes, deixaria passar. Estava feliz com as atitudes da irmã e preferia fingir que não havia nenhum interesse sexual da parte de Antonio. Percebeu a irmã movimentar-se inquieta na cadeira e a olhou, depois mirou discretamente o chão, tentando entender o que estava acontecendo.

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Percebeu a inquietação da Cardeal, mas fingiu não notar. Sorriu com a resposta negativa e continuou ╚╗

Não, querida, aqui e agora está ótimo então. Vim apenas ver como estava, depois de nosso pequeno desentendimento no jardim

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Conteve-se, refreando a vontade de olhar para o irmão. Precisava de ajuda para tirar Antonio de sua sala, pois ele já estava começando a ser inconveniente mais uma vez. Passou a mão por baixo de sua mesa, tirando um pedaço de papel e uma caneta bem pequena, o suficiente para escrever discretamente e passar para o irmão. Disse com forçada tranquilidade ─

- Sim, aquilo não foi nada que abalasse nossos laços, caro Cardeal Borgia

◦⊰─ Enquanto respondia, sua mão corria com grafia rápida e os dizeres"Não posso me levantar, faça-o sair". Depois, jogou o papel no chão, aos pés do irmão para que o pegasse ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Abaixou-se, mesmo sem ter um bom motivo, para ler o bilhete. Daria a desculpa que teria derrubado algo se perguntassem. Mesmo depois de ler, não entendeu exatamente o porquê dela não poder se levantar. Isso nunca tinha acontecido. Pisou no papel para que não fosse visto e, como num estalo, avisou.

- Minha irmã, não abordamos um tópico.

Como não queria que o Cardeal Borgia ouvisse, abaixou-se até poder sussurrar no ouvido da irmã, preocupado, falando mais baixo que os sussurros normais para ter certeza que não se escutaria nada.

- O que aconteceu?

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Achou estranho toda aquela movimentação, certamente estavam tramando algo, não era normal. Descobriria o que estava acontecendo, pois apenas ficava intrigado ╚╗

Que bom, querida. Odiaria ter que encerrar nossas caminhadas

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Tendo o irmão achado uma boa desculpa para se aproximar, aproveitou-se para respondê-lo em baixo tom, evitando até mesmo mover os lábios. Não poderia deixar que o Cardeal Borgia percebesse qualquer coisa, especialmente quando estava em uma situação tão crítica. Disse brevemente, esperando que entendesse ─

- Está escorrendo

◦⊰─ Afastou o rosto do irmão com um olhar significativo. Não sabia o motivo de ter acontecido desta vez, talvez fosse por ter se movimentado rápido demais, ou pela quantidade de fluido produzida. Porém, a questão é que estava escorrendo por suas pernas, podia sentir as meias molhadas, e vira gotas no chão. Provavelmente as botas também estariam sujas. Não podia arriscar se levantar para qualquer lugar que não fosse seu quarto e trocar de roupas. Voltou-se mais uma vez para o Cardeal Borgia como se nada estivesse acontecendo, sendo excessivamente cordial para tentar despistá-lo ─

- Sim, ainda poderemos caminhar juntos em outros dias, não mais hoje

FRANCESCO DI MEDICI:

Quase não conseguiu esconder a cara de surpresa. Não sabia se ria, pela forma como a irmã tinha contado e todo seu desespero, ou se tentava ajudar. Resolveu ajuda-la. Saiu do lado dela e foi para perto do outro Cardeal. Não gostava muito dele, então seria um prazer tirá-lo dali.

- Como viu, ainda temos assuntos a tratar. Então, por favor.

Como não tinha fechado a porta, apenas moveu a cabeça em direção à saída, para que entendesse e se retirasse.

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Fez-se de desentendido. Aquela sala era da Cardeal Sforza, só sairia se por ela fosse convidado a tal. Olhou para o Cardeal Medici com um sorriso desagradável, não o queria ali e era recíproco, mas o toleraria por Catherina. Voltou-se a ela como se nada mais tivesse ouvido ╚╗

Quando poderemos então?

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Observou satisfeita ao irmão interceder em seu favor, porém falhar. Cabia então a ela retirar aquele homem de sua sala. Muito à contra-gosto, respondeu a única coisa que o faria se retirar, sem dar margens à novas conversas ─

- Em breve, Cardeal Borgia. Venha me ver em outro momento

FRANCESCO DI MEDICI:

Não gostou nem um pouco do que ouviu dela, muito menos ter sido ignorado por ele, porém, abriu um sorriso largo, vitorioso, e nada discreto ao ouvir a irmã pedir para que se retirasse. Até se posicionou ao lado da porta para fecha-la assim que o Cardeal Borgia saísse.

ANTONIO BORGIA:

╔╝ Não havendo mais como insistir sem parecer inconveniente, sorriu e foi para o lado da Cardeal Sforza, pegando-a pela mão e beijando. Aproveitou para olhar rapidamente o chão, saber o que tanto havia, porém, nada notou. Despediu-se com um aceno e ainda falou enquanto saia da sala ╚╗

Virei mesmo, querida

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Ao vê-lo se aproximar, cobriu as gotas no chão com os pés, para escondê-las. Deixou que beijasse a mão e, quando ele estava fora da sala, relaxou. Encostou-se na cadeira e fechou os olhos. Nunca chegara tão perto de ser descoberta. Precisavam ter mais cuidado, estavam sendo muito imprudentes ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Faltou pouco para não avançar no Cardeal Borgia. Não tinha necessidade alguma de beija-la a mão. Não tinha de se aproximar ou de olhar para ela, na verdade. Assim que ele saiu, bateu a porta e a trancou sem fazer barulho, voltando-se para a irmã como quem segurava o riso.

- "Está escorrendo", minha irmã?

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Ficou enfurecida, ao mesmo tempo extremamente constrangida com o comentário do irmão, o que ficava claro pelo olhar que lançava. Ainda que se sentisse corar, levantou-se finalmente da cadeira, encaminhando-se para a porta. Tinha, afinal, que ir para seu quarto ─

FRANCESCO DI MEDICI:

Quando viu a irmã passar por ele, puxou e abraçou por cima dos braços, para não se soltar até ficar calma. Jamais a deixaria sair da sala tão cedo, o Cardeal Borgia provavelmente ainda estava por perto, além de querer ficar mais tempo com ela.

- Não vai sair agora, ele ainda deve estar aqui.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Tentou soltar-se com certa violência, impaciente para lidar com as provocações do irmão. Contara a ele algo tão vergonhoso por precisar da ajuda, jamais o teria feito em outras circunstâncias, e esperava apoio. Preferia ter que enfrentar o Cardeal Borgia no corredor do que ele sendo cínico. Respondeu ─

- Sim, está escorrendo, e por isso mesmo eu tenho que sair

FRANCESCO DI MEDICI:

Não deixou a irmã escapar dos braços, não correria o risco de se encontrar com o Cardeal Borgia. Parou com as provocações e soltou uma mão dela para pegar de dentro de um dos bolsos o lenço. Entregou para a irmã, era melhor limpar com aquilo do que se arriscar que alguém percebesse no caminho até o quarto.

- Limpe aqui, só estamos nós dois. É arriscado ir assim até seu quarto.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Parou de mover-se, ficando mais comportada, em respeito ao fato dele estar sendo agradável agora. Pegou o lenço, mas não o usou. Sabia que não era o suficiente, precisava se trocar, toda a roupa estava suja, das meias às botas e o vestido. Encostou a cabeça no peito do irmão, cansada, e comentou novamente ─

- Eu preciso sair

FRANCESCO DI MEDICI:

Beijou os cabelos da irmã assim que ela se encostou no peito dele, apertando-a mais no abraço. Talvez não fosse o suficiente, mas iria insistir até achar que o Cardeal Borgia já estava bem longe.

- Vai pingar no chão até você chegar no quarto.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Sentiu os beijos, sorrindo discretamente. Gostava quando ele era carinhoso, ainda que não o fosse muitas vezes. Sentia-se cuidada e protegida. Porém, ainda assim, era uma questão de necessidade e continuaria a insistir para deixar a sala ─

- Já está. O Cardeal Borgia deve ter se afastado o suficiente. Deixe-me ir até meu quarto

FRANCESCO DI MEDICI:

Não tinha mais como rebater. Com certeza o Cardeal Borgia já estava longe, mas não queria deixar a irmã se afastar, e nem correr o risco de alguém perceber que tinha algo escorrendo dela. Afrouxou o abraço para que ela se soltasse sem dificuldade, mesmo que fosse contra sua vontade.

- Certo, mas cuidado. E deveria tentar se limpar antes de ir.

CATHERINA SFORZA:

◦⊰─ Sem dizer mais nada, lançou um último olhar e abriu a porta da sala. Acompanhada de seu fiel servo, rumou para o quarto, para um demorado banho e roupas limpas. Porém, ainda que parecesse em paz, um único pensamento inundava sua mente: O que pretendia o Cardeal Borgia ─

N.A.: Então, capítulo novo, finalmente. Agradeçam aos professores que não dão aula. E vamos aos comentários. Eu gostei muito de fazer esse capítulo. Eu acho que eu estava a fim de sacaniar Francesco nesse dia. Mas foi muito, MUITO fofinho ele com Flavius no jardim, foi uma das cenas mais fofas que eu já vi nessa fic. Tipo, eu vomito arco-íris só de lembrar. Ele é aquele cara grandão, forte, militarista, violento, que dá medo em todo mundo, mas é todo besta como pai. E Catherina nem gosta... Ser bom pai é afrodisíaco! Ela nem sacaniou ele, imagina! Eu fiquei com pena dele nessa missa, deve ter sido bem difícil de se concentrar. E vemos agora um novo personagem, Antonio Borgia. Ele entra, claro, para encher o saco dos dois irmãos, nada muito diferente do mangá, visto que nem Cath nem Fran gostam dele por ser assim... Nem aí pra nada. E ele realmente parece dar em cima da Cath, ou parece dar. Francesco também nem é ciumento, fica divertido de usar. O legal é que, por Antonio ser Cardeal, Francesco não pode simplesmente passar por ele como faz com Abel. Ele é um risco muito maior, é uma ameaça real finalmente surgindo. E essa ideia do final do "escorrendo", não lembro de onde veio, mas me fez rir muito. Ficava pensando, "como eles transam, ele goza dentro, e nunca escorre?". Ai veio essa ideia. E, no final, mesmo com todas as coisas, toda a brincadeira, foi bonitinho e tudo acabou de forma estável. Foi um jogo divertido, lembro que o fiz quando tinha que estudar pra final... Enfim. Às respostas. Sim, Fran é a coisinha mais fofa do mundo, quando quer. Não tenha raiva dele! Eu, por vezes, acho certas cenas absurdas, porém, quando paro e penso, nada que o amor não possa mudar nas pessoas (ficou tão poético que quase vomitei). Eu ri horrores lendo você chamar ele de "Checo", eu acho isso muito cruel! E sim, ele mereceu um filho vampiro, depois de tudo que ele fez, foi bem feito. Agora, até o próximo capítulo!