Capítulo 26 (Return to present)

- JÁ SABEMOS! - Diana entrou pela tenda a dentro – Já sabemos que é a Ella.

- Nós também – Inês disse trazendo nas mãos uma página rasgada de um livro de curso – Elleine Noir, aluna do sétimo ano de Slytherin.

- Ela é amiga dos meus pais eles estiveram juntos...

- Isso mesmo. - Harry disse – Vamos voltar por favor, já causamos muitas confusões.

- Mas podíamos ficar mais um pouco. - Sofia disse – Podemos tentar saber mais...

- Mais o quê? - Hermione disse – Tu sabes bem que o passado e o presente são apenas paradoxos. Se nós aqui estivemos mais tempo do que o que devemos alteramos irremediavelmente o presente, e se esse presente se alterar o passado vai mudar porque nós não vamos estar na mesma situação e vamos desaparecer... E então tudo corre novamente mal.

- Perdi-me na parte do paradoxo! - Draco comentou – Como assim... nós não existimos?

- É... mais ou menos... incorrermos o risco de deixar-mos de existir e caímos numa dimensão entre o tempo e o espaço... percebeste?

- Não mas também não parece que queira perceber. Vamos então para casa?

- Sim. Arrumem tudo, não pode ficar nem um vestígio!

Sofia concordou e começou a arrumar juntamente com os outros, ela sabia que Hermione tinha razão, não se pode alterar o passado ou teremos graves consequências no futuro.

- Mas... Era só mais uma horas, quem esteve aqui quase um dia mais umas hora não será nada!

- Será sim! - Hermione argumentou – E tu sabes bem.

Todos acabaram-se por concordar. Arrumar tudo e desfizeram os feitiços que tinham feito, apenas Inês estava a olhar para o Castelo, praticamente igual e que lhe dava uma dor tão forte. Era o pai, o pai que nunca viu mas que sempre amou. Era o pai dela, era algo que ela sempre desejará.

- Inês vamos partir!

Ela suspirou. Fechou os olhos e sentiu algumas lágrimas queimaram-lhe os olhos, mas engoliu em seco. Juntou-se aos amigos e quando as mãos tocaram o gira-tempo rodando-o em direcção a um presente que não queria viver, tudo tinha deixado de fazer sentido.

Tudo estava apertado, várias voltas e...

- AI! - Rigel aterra no chão duro de pedra e com Hermione a cair-lhe em cima.

- Desculpa Rigel! - Ela disse levantando-se rapidamente.

- Não faz mal – Ele disse

Levantaram-se rapidamente, os restantes olhavam em volta ainda meios azuados.

- Não acredito! - Inês dizia – O gira-tempo!

- O que aconteceu ao gira-tempo mana?

- Partiu! - Inês dizia – O meu gira-tempo partiu. - Inês tirou a varinha do manto e pronunciou – Reparo!

O vidro do relógio restaurou-se magicamente mas o gira-tempo continuava sem funcionar.

- E agora?

- Agora, agora vou envia-lo para Macau, lá eles consertam isto. Não me posso arriscar a manda-lo arranjar aqui, poderiam descobrir ou tirar-mo.

- É melhor mesmo. - Diana advertiu. - Mas enfim, em casa. Que hora são mesmo?

Rigel olhou para o relógio que estava pendurado numa das paredes.

- Nove.

- A tempo e hora – Disse Draco. - Vamos descer, temos de saber o que aconteceu a essa Elleine Noir, e o que lhe aconteceu?

- Não é preciso irmos muito longe. - Rigel disse – Podíamos falar com a tia Alexa, ela deve saber alguma coisa.

- Nem pensar! - Diana disse – Ela pode até nem perceber que nós sabemos de alguma coisa, mas pode contar a mãe e depois é que estamos metidos em grandes sarilhos!

- É. Melhor mesmo é nem arriscar-mos!

- Não é preciso. - Draco parecia ter tido uma ideia mesmo luminosa. - Não saíam daqui. Volto em menos de nada.

Ele saiu dali bastante depressa, os restantes pareciam não ter percebido nada, mas em breve Draco daria uma grande ajuda a toda a investigação.

Entretanto em Grimmauld Place.

- Bella? - Sirius chamou por ela, a casa completamente vazia, possivelmente Bellatrix estaria a tratar de Alya.

- Sirius, shiu! - Ela disse baixinho – Demorei imenso tempo para que a Alya adormecesse.

- Ela é mesmo linda. - Sirius abraçou Bellatrix por trás enquanto observavam a filha mais nova remexer-se no berço. Com quase quatro meses Alya já tinham alguma feições definidas. Cabelos caiam em pequenos caracóis tal e qual como os da irmã mas num tom avelã enquanto os olhos mantinham o tom azul-escuro, quase violeta.

É... Sirius eles são absolutamente lindos, todos eles. - Bellatrix aconchegou-se mais a ele – Se tivéssemos feitos as escolhas certas na primeira vez nada disto teria acontecido, nós teríamos cuidado deles desde do princípio, as vezes ponho-me a pensar, já imaginaste se a Diana ou o Rigel tivessem reagido connosco com a Sofia reagiu com os pais dela? E o pior de tudo é que ela têm toda a razão. O que ela sente qualquer um de nós iria sentir e iria fazer o que ela fez ou pior. Tu sabes disso, certo?

- Claro que sei. - Sirius olhou distraído pela janela – Mas agora está tudo bem, a Sofia perdoou os pais e a Diana e o Rigel vão ficar sempre connosco, tal com a Alya.

- É. Nada me vai tirar os meus filhos – Bellatrix estava tão decidida que até tinha a sua certa graça.

- Exactamente. - Sirius completou – Vamos descer Bella e deixar a Alya dormir...

Eles saíram e ao fecharem a porta atrás deles, Bellatrix deu uma última olhadela a filha e sorriu.

Draco abriu a porta da sala das necessidades de rompante trazendo um enorme e pesado livro nas mãos.

Poisou-o na mesa e uma enorme camada de pó saiu dele.

Inês passou a mão na capa onde se pode ler.

"Turma de aluno formado de Slytherin – 1976 à 1980"

Abriu o livro sem qualquer cuidado abrindo-o até a página 198. Lá estava ela. Elleine Noir, uma rapariga com um enorme sorriso, cabelos castanhos pela cintura e olhos verdes água.

- Era bonita. - Ron comentou.

- Draco onde arranjaste isso? - Inês perguntou.

- Existe um para cada ano num armário na sala comum dos Slytherin. Este é do ano de 1976, ano de formatura dele até ao ano de 1980.

- Deixem ler – Diana disse – Elleine Violet Noir, uma das mais brilhantes alunas do seu ano, ganhou duas condecorações por prestar serviços a escola. Blá blá blá. Isto não é muito, deixa ver a foto de grupo.

Lá estavam eles, dos Slyhterin. Podia ver-se Ella ao lado da Bellatrix, mas a frente Snape, Malfoy entre outro.

- Bem já é uma ajuda, será que se perguntar-mos ao Hagrid ele saberá o que lhe aconteceu? Ela parece ter sido bastante famosa por aqui. - Draco disse.

- Mas amanhã trata-mos disso, ou mesmo nas férias. Amanhã irei a Biblioteca de manhã para ver se encontrou algo sobre esta Ella. - Hermione declarou – Entretanto vou subindo. Ron ajudas-me com isto?

Ron acenou e começaram a levar alguns livros para cima. E um por um foram saindo devagar até que na sala restaram apenas Inês e Rigel. Ele pode perfeitamente perceber que a prima não estava nada bem.

- Inês, vêm comigo! - Ele disse, pegou no manto da invisibilidade e pôs por cima deles, sem que Inês tivesse tempo de perguntar alguma coisa.

Desceram até ao campo e quando já estava a uma distância confortável Rigel tirou o manto, andaram pelos campos sem proferir uma palavra, não valia a pena, Inês tinha uma tristeza tão grande, ver os pais ali, ver o pai vivo e não o poder abraçar nem dizer que o amava doía tanto, mas mesmo tanto. Rigel conseguia ver isso. Mas não encontrava palavras que confortassem a prima, era tão difícil, ele sabia o que era crescer na incerteza, mas sabia também que a sua situação não era nem um pouco parecida com a da prima, ela nunca tinha visto o pai e ele tinha sido assassinado pelo próprio Voldemort.

- Inês, não chores, por favor. - Rigel disse quando pararam num clareira próxima da casa dos barcos. Sentados nas pedras frios, Inês chorava sem parar e ele não pode evitar, abraçou-a fortemente enquanto a prima chorava copiosas lágrimas.

- Dói tanto Rigel, tanto mas tanto – Ela dizia por entre soluços.

Estiveram assim algum tempo. Rigel apenas abraçava a prima, pouco a pouco as lágrimas pararam.

Quando finalmente Inês se afastou ligeiramente dele, os olhos de ambos estava pesados e Rigel sentiu algo que nunca havia sentido antes, um aperto forte no peito e parecia que estava a ver a prima como uma mulher pela primeira vez. Inês era realmente linda, cabelos loiros levemente encaracolados nas pontas, olhos azuis tão fundo que qualquer um se podia perder nele. Tudo em Inês pela primeira vez parecia belo ao olhos de Rigel.

E ela percebeu a intensidade do olhar dele. Ela queria mas sabia que era errado, afinal eles tinham sido criados como irmãos e aquilo não fazia sentido, aquele era o Rigel, com que ela podia sempre brincar sem problemas, em que ela podia confiar tudo sem qualquer reservas, mas aquele também o Rigel que naquele momento fazia o seu coração bater depressa.

Ele passou a mão nos cabelos dela, no rosto dela, nos lábios dela. E quando não aguentou mais pressionou os seus lábios contra os dela que imediatamente se abriram num convite mudo. E ela só podia imaginar que aquilo que dizia de Rigel não era nada comparado com o que ela estava a sentir. Ele beijava melhor que qualquer rapaz que ela tivesse alguma beijado. As mãos dele passeavam livremente pelo seu corpo enquanto ela tocava todo o seu peito definido.

Afastaram-se ligeiramente e sabiam que o que estava a fazer poderiam ser o maior erro de todos mas naquele momento já não tinham qualquer controlo. Podia ser um erro mas teriam tempo para lidar com isso na manhã seguinte. Rigel beijou-a novamente e a última coisa racional que Inês se lembra de ter feito foi seguirem para dentro da casa dos barcos...

Na manhã seguinte, Inês acordou vestindo apenas a camisa do uniforme de Rigel, o sol ainda mal tinha aparecido e o céu estava tingido de cor-de-rosa e azul, numa mistura perfeita. Olhou para Rigel que ainda dormia profundamente e com um enorme sorriso no rosto. Ela sorriu mesmo sabendo que ao passarem a noite juntos tinham cometido um erro que lhes poderia sair bem caro.

- Rigel. Acorda. - Inês chamou docemente, ele não abriu os olhos mas esboçou um sorriso lindo e antes que Inês pudesse ter reacção ele abraçou-a fortemente e rodou o corpo para cima dela.

- És linda. - Ele comentou e beijou-a. Ela não podia dizer nada nem mesmo o que tinha planeado. Ela tinha estava vulnerável na noite anterior e o beijo entre eles tinha sido um pequeno passo para um abismo que ela nunca pensou que pudesse ter sido tão bom, tão reconfortante.

- Temos de falar Rigel. - Ela dizia entre beijos e toques – A sério Rigel, isto entre nós...

Ele parou para ouvi-la, muito a contra-gosto mas que remédio tinha. - Eu... - Inês começou sem saber bem o que dizer – Eu não sei, mas acho que nós estávamos vulneráveis e bem... aconteceu, mas nós, isto é um erro.

Rigel mal podia acreditar, aquela não era a sua Inês, não podia ser.

- Então para ti foi apenas sexo? - Ele disse insipidamente – Podias ter dito logo. Pensei que fosses diferente Inês, pensei que a noite anterior te tivesse feito perceber algo, eu gosto de ti.

- Como gostas de todas as outras Rigel, com quem dormes! Ou achas que não sei que! Eu quero ter uma vida descansada e tu por acaso achas que os nossos pais alguma vez ficariam felizes com isto entre nós.

- Isto o quê? Afinal isto foi apenas sexo? Não foi o que disseste?

- Sim... eu... mas...

- Mas o que? - Rigel vestia-se rapidamente – Não confias em mim. Eu sei disso, não vale a pena negar. - Ele dizia, mas ela agora chorava novamente e ele deu-se conta que tinha sido um pouco duro nas palavras e sentou-se novamente ao pé dela.

- Inês eu gosto de ti. E eu sei que sentes algo por mim. Eu sei. Então porque não te entregas? Porque não confias em mim...

Ela olhou bem no fundo os olhos dele mas as palavras teimavam em não sair...

NÃO ME MATEM! PLEASE! Eu sei que demorei imenso para postar isto, eu sei e lamento imenso mas foi mesmo impossível entre exames, férias (poucas por sinal) e também tive imenso tempo sem inspiração.

Mas já tenho quase o próximo capítulo pronto. E assim que estiver irei logo posta-lo.

A fic está mesmo quase no fim e já tem continuação.

Beijinhos e espero que gostem, especialmente a Sol e a Andrea.

SofiaBellatrixBlack