Nota da autora: Falta de tempo define o longo e tenebroso inverno em que vocês ficaram sem um capítulo. Mas isso vai mudar. Prometo. Agora que acabei a tradução de IDL, as coisas irão melhorar. Semana que vem vocês terão novo capítulo, ou antes, se chegar aos 15 reviews ;)

Setembro, dia 12. Mais um ano.

Espero que gostem deste e que possam comentar. Agradeço a quem está me incentivando até agora ;) Este é mais um dos capítulos inéditos e entra numa pequena fase de separ... ops.

UM CAMINHO PARA DOIS

CAPÍTULO 25

Caminho de volta a Nagoya – parte I

Nozomu Rin cantarolava suavemente em frente ao espelho enquanto terminava de prender o cabelo num rabo de cavalo numa tentativa de fazer um penteado que a deixasse mais séria.

Sorriu quando ficou satisfeita com o resultado. Infelizmente aquilo duraria mais alguns instantes antes de o namorado ver e roubar a presilha para deixar o cabelo solto. Mas fazia aquilo apenas para evitar o incômodo de ter os fios caindo no rosto ou que eles ficassem úmidos de suor durante a caminhada até o Jardim das Magnólias, ponto que marcara para encontrar Sesshoumaru.

Por isso ela pegou os livros que precisava levar à universidade, um casaco para se proteger dos primeiros ventos frios do outono e rumou à porta, parando a centímetros dela para notar que, no gancho da parede, só estava o lugar da bolsa dela.

Deu um suspiro. Muito bem, onde ela estava? Já havia esquecido tantas vezes a maldita que, se pudesse, juraria que havia adquirido vida própria e começava a brincar de esconde-esconde com a dona.

Olhou em cima de mesas, embaixo de almofadas, por baixo de cadeiras, em cima da cama. Nada. Até no pequeno armário do banheiro vasculhou e não a viu.

Parou de procurar ao escutar uma leve batida, tão suave que ela pensou que fosse alguém no apartamento ao lado.

Incerta se era mesmo com ela, abriu a porta e deu de cara com Sesshoumaru apoiando os braços na batente.

Ficaram se encarando, um de frente ao outro, como se nunca tivessem se visto antes.

-Você prendeu o cabelo de novo, Rin. – ele falou suavemente, num leve tom acusatório.

-Eu... – ela começou, sem saber ao certo o que falar. Ele não deveria estar ali, os dois deveriam se encontrar no Jardim das Magnólias em poucos instantes.

Por fim, desistiu e franziu a testa, tentando fazer a carranca mais maligna possível para ele – o que fez parecer com uma cara de menininha birrenta de um pouco mais de dez anos.

-Você sabe o que isso provoca entre nós. – ele falou por fim, ignorando a expressão dela.

A garota tentou forçar a carranca estreitando os olhos, e não comentou mais nada. Ela queria realmente parecer muito, muito ameaçadora.

Depois deu um grito e girou nos calcanhares para correr quando ele estendeu os longos dedos tendo como alvo a cabeça dela, ou melhor, o ponto em que os cabelos estavam seguros por uma presilha dourada.

Sesshoumaru, mais rápido, agarrou-a pela cintura e enterrou a mão direita nos cabelos, soltando-o e sentindo os dedos deslizares pelos fios. Rin deu outro grito de protesto, girando o corpo no agarro dele e encarando-o novamente.

-Eu ia soltar meu cabelo antes de nos encontrarmos, Sesshoumaru! – ela explicou levemente irritada – Por que não avisou que viria me buscar aqui?

Já ele pareceu ignorar a irritação dela e deslizou novamente os dedos da mão direita pelos fios, a esquerda subindo da cintura até a nuca para massagear o local. Viu-a fechar os olhos, suspirar e tentar suprimir um sorriso. Por fim, ele aproximou o rosto do ouvido dela.

-Eu não avisei porque você esqueceu sua bolsa no carro ontem. – falou num tom calmo, aguentando a vontade de tomar o lóbulo da orelha dela entre os dentes – E também não vi sentido em encontrá-la por lá quando eu poderia vê-la aqui.

Rin afastou o rosto e franziu de novo a testa.

-E por que não veio deixar aqui ainda ontem?

Um sorriso cínico apareceu no rosto dele.

-Queria que eu aparecesse de novo aqui? Achei que tivesse dito que precisava dormir.

A garota estreitou ainda mais os olhos. Realmente ele estava brincando com ela. Soltando-se dele, pegou a bolsa caída no chão.

-Obrigada... eu acho, então. – ela abriu a bolsa e encontrou o celular dentro - Só eu mesmo pra não dar por falta dessas coisas e...

Sesshoumaru viu quando ela franziu de novo a testa, aquele "v" se formando entre as sobrancelhas.

-Algo errado?

-Meu primo... – ela soltou novamente a bolsa no chão, que caiu aos pés dela e espalhou coisas no espaço entre os dois, e as mãos mexiam nas teclas do aparelho – E meu irmão... Eles me ligaram mais de 20 vezes só ontem.

E mandaram outras dezenas de mensagens, constatou minutos depois. O que será que havia acontecido?

-Tem alguma coisa errada. – ela começou a ler as mensagens e escutou as mensagens de voz, e um misto de emoções passou pelo semblante dela. Num momento Sesshoumaru pensou que ela fosse chorar.

-Meu pai se acidentou! – ela falou nervosa, as mãos segurando trêmula o celular – Eu preciso ligar pra eles!

Sesshoumaru a observava enquanto tomava um lugar próximo a ela no sofá. Ele a viu ligar para o irmão, com quem choramingou pedindo desculpas por não atender os telefonemas, depois para o primo, que aparentemente tentou tranquilizá-la depois da discussão com o irmão, e finalmente ela ligou para uma pessoa que ele não fazia ideia de quem era, mas que não perguntaria naquele tenso momento para não deixá-la mais nervosa. Por fim, cerca de vinte minutos depois, ela foi ao quarto e voltou de lá com um laptop.

-Eu preciso ir pra casa. – ela explicou num tom de choro, sentando ao lado dele para pousar a máquina em cima das pernas e ligá-la – Meu irmão está muito nervoso, ele só conseguiu explicar que meu pai se acidentou quando consertava uma das calhas entupidas.

-Ir para casa... – ele repetiu no que podia soar indiferente quando não era nem um pouco. Ela iria para Nagoya e ele ficaria em Tokyo – E quando vai ser isso?

-Agora. – ela digitava rápido e ele, do ângulo onde estava, a viu abrir a página da companhia de trem-bala do Japão e procurar os horários dos trens entre a capital e Nagoya – Eu preciso ir, meu irmão não sabe cuidar dessas coisas sozinho quando tá nervoso.

-Você também está. – ele atestou suavemente, e ele a viu morder o lábio inferior numa incerteza – Mas numa situação dessas é normal.

Pelo menos ele achava que aquilo era normal. Ele mesmo nunca se permitiria perder o controle.

Rin ficou calada, voltando o olhar para ele. Depois ela colocou o laptop no chão, e atirou-se nos braços dele. Ele deslizou a mão esquerda no cabelo dela, deslizando os dedos novamente pelos fios, e com a outra massageada a parte inferior da costa dela.

-Quanto tempo vai ficar lá? – ele perguntou para quebrar o silêncio.

-Eu volto quando meu pai estiver melhor.

Aquela não era uma boa resposta, mesmo assim, ele resolveu deixar de lado. Ele não tinha mais pais para ter que cuidar ou conversar, e o avô, apesar da idade, tinha ainda uma saúde excelente e não morreria tão cedo. Infelizmente.

-Quer que eu vá com você? – ele perguntou de súbito.

Rin ergueu o rosto. Foi só então que ele percebeu que as primeiras lágrimas já haviam escorrido.

-Sua primeira viagem pelo Japão pra ir ver meu pai nessa situação? – ela fungou – Acho que não vai ser bom.

O rapaz ponderou a respeito. Sim, ela tinha razão. Sem contar que a família não sabia a respeito do relacionamento deles. Ainda.

Havia sido decisão de Rin revelar esse detalhe num outro momento para eles. Ele entendeu que era por conta do irmão dela, e que seria muito melhor se os dois fossem visitar a família Nozomu e dizer que estavam juntos... mas ela tinha razão: aquela situação não era a melhor para viajarem.

-Mas... – ela mordeu o lábio inferior – Se por acaso eu tiver que estender minha estadia lá... você...

-Quer que eu vá?

Rin confirmou com a cabeça.

-Eu só fico com medo por você, porque nunca viajou antes... Você não sabe pegar nem um ônibus.

O comentário fez com que ele estreitasse os olhos.

-Você acha que é difícil eu pegar um trem na estação?

-Tenho medo que você se perca entre a plataforma e o vagão.

Sesshoumaru estreitou ainda mais os olhos e a namorada riu, afundando o rosto no peito dele.

Ficaram naquela posição por alguns minutos, até ela se soltar dele e voltar a pegar o laptop para continuar a pesquisa.

-Meu irmão disse que ele vai fazer uma cirurgia no final da tarde, quero estar lá antes disso.

-E quais são os horários?

-Bem... – ela olhou o relógio no computador e ponderou um instante – Se eu arrumar em meia hora algumas coisas pra levar, posso pegar o trem das dez e meia.

Sesshoumaru olhou o relógio no pulso. Ainda nem havia dado oito horas.

-Eu levo você até a estação.

-Hmmm... – ela forçou um sorriso triste e o voltou a abraçá-lo forte. Deu um longo suspiro, como se fosse falar algo, mas permaneceu em silêncio.

-Você quer falar alguma coisa, Rin?

Em tão pouco tempo juntos, parecia que Sesshoumaru já a conhecia mais que o irmão dela. Ele sabia que ela sempre hesitava daquele jeito quando queria falar alguma coisa.

-Eu estou preocupada com as provas... Se meu pai não se recuperar antes, acho que voltarei pra fazer as provas e voltar no mesmo dia para lá.

-Parece uma boa... solução. – ele retribuiu o abraço da melhor forma possível, com ela sentada ao lado dele no sofá e esticando os braços o máximo possível para contornar a cintura dele. No entanto, a mente dele apenas processava a informação de que ela poderia voltar apenas por algumas horas à capital e que aquilo seria o único tempo que teriam para se verem – Eu posso estudar com você, se quiser.

Rin ergueu o rosto e fez um esforço para dar um suave beijo nos lábios dele.

-Vou arrumar minha mala. Pode me ajudar numa coisa?

-No quê?

-A escolher os livros que acha que eu devo levar. Eu não posso levar muitos, porque...

-Seu primo vai fazer você trazer mais um armário de lá – ele completou por ela.

A lembrança a fez arregalar os olhos. Havia esquecido o primo que a queria transformar numa garota com compulsão por roupas e sapatos.

-É, eu sei. – ela deu um suspiro – Você pode fazer isso por mim, por favor?

-Mas é claro. – ele levantou-se primeiro e estendeu a mão educadamente para que ela aceitasse a ajuda dele para erguer-se.

Ambos caminharam juntos até o quarto dela, até Sesshoumaru parar na entrada e olhá-la com expectativa.

-O que houve? – ela perguntou, erguendo uma sobrancelha assim como ele faria.

-Não tem problema eu entrar no seu quarto?

-Não... – ela pronunciou a palavra lentamente, como se ainda estivesse tentando entender o que ele queria dizer – Não tem.

Com a resposta, Sesshoumaru colocou o pé direito, inalando profundamente.

O cheiro dela.

Colocou o outro pé.

O cheiro de Rin está em todos os cantos.

Flores... e algo doce.

Rin notou com estranheza a expressão no rosto do namorado. Ele tinha os olhos fechados e parecia concentrado em alguma coisa. Uma bela hora para divagar mesmo, já que ela estava com muita pressa e queria sair da cidade o mais rápido possível.

Ignorando-o, foi até a cama, abaixou-se e puxou uma pequena mala debaixo do móvel. Colocou-a em cima do lençol e olhou de novo Sesshoumaru. Ele agora olhava os cantos do ambiente, notando com certeza a pilha de livros e roupas que ela fazia. O armário estava lotado de vestidos que tentava usar pelo menos uma vez, e como eram muitos ela não dava conta nem de vestir, nem de guardá-los apropriadamente. Ela chegou a fazer um banco com as roupas para apoiar os livros – que também não eram poucos.

E ela quase não tinha tempo para arrumar o próprio minúsculo lar... Sesshoumaru com certeza estava chocado por descobrir esse lado desleixado de quem considerava ser uma namorada organizada e certinha.

Mas a mente dele processava outras coisas... o cheiro de flores e de doces.

Algo com canela.

-Não precisa reparar tanto assim a bagunça. – ouviu-a falar.

A voz o trouxe de volta à situação: Rin estava perto da cama, com a mala aberta, olhando tanto para ele quanto para aquele monte de roupas no chão que apoiava outro monte de livros.

E ele nunca tivera uma ideia daquelas antes.

-Eu não estava pensando nisso. – ele compreendeu o verdadeiro sentido das palavras dela e um passo para ficar bem no meio do pequeno quarto – Você quer ainda minha ajuda com os livros?

-Sim, por favor. – ela uniu as mãos numa súplica – Meus livros estão ali... – apontou um canto – Ali... – apontou para outro lado – E tem também...

Parou e mordeu o lábio inferior. Havia livros por todos os cantos e Sesshoumaru percebeu aquilo. Fazendo um sinal com a mão para despreocupá-la, ele dirigiu-se ao genial banco feito de roupas dobradas e pegou alguns dos livros para ler os títulos.

Sentando-se sobre os joelhos, ele separou dois volumes e preparou-se para colocar os outros de volta ao lugar, mas a mão congelou no ar.

No chão, atrás do banco improvisado, havia não uma, mas duas calcinhas de Rin.

Sesshoumaru decidiu ser educado e ignorar aquilo. Se ele olhasse com atenção em outros cantos, veria muitas outras. Inclusive embaixo da cama, ao lado de onde normalmente a mala ficava guardada.

Limpando a garganta, ele aproximou-se dela e indicou os dois volumes que separara.

-Acredito que seja melhor levar esses.

-Obrigada... – ela teve o cuidado de acomodar os livros com certa decência na mala – Eu nem lembrava que os tinha... onde eles estavam?

-No seu banco feito de roupas. – ele respondeu de vez. Ela olhou apreensiva o "móvel" e Sesshoumaru notou as feições dela perderem a cor.

Olhou na mesma direção e viu que ela finalmente percebeu que havia duas peças íntimas jogadas não muito discretamente ali.

Ficaram em silêncio até Rin limpar a garganta.

-Acho que acabou a ajuda aqui.

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha, mas nada comentou. Simplesmente deu meia-volta e dirigiu-se à porta, parando perto da batente.

-Você não acha melhor vistoriar o sofá antes de eu sentar? Receio encontrar algumas... coisas suas por lá.

Rin corou absurdamente e passou rápido por ele, indo em direção à sala.


Na estação central de Tokyo, um casal de namorados procurava uma plataforma com o trem que levaria um deles à outra cidade.

Somente um deles. E ainda sem previsão de retorno, o que deixava o outro em um estado de dúvidas.

E Sesshoumaru detestava dúvidas. E de finalmente perceber que sentia coisas que antes não tinha ideia que havia dentro de si.

Percebeu que detestava que Rin tivesse que viajar para a cidade natal sem ele. Ou a mera ideia que tivesse que fazer isso durante o relacionamento. Era a primeira vez, mas apenas pensar que ela teria que fazer isso quase sempre o deixava incomodado.

Mas, é claro, ela não percebeu isso e ele não se atreveu a comentar.

Os dois pararam em frente a um aparelho que Sesshoumaru via apenas em filmes ou em reportagens de televisão quando os metrôs entravam em greve no país, mas, muito francamente, ele não sabia muito bem o que era. Rin tirou um pedaço de papel impresso da bolsa e ia movê-lo em frente ao sensor, mas parou ao notar a expressão de dúvida do namorado.

-Por que você precisa disso? – Sesshoumaru perguntou com a ignorância mais sincera. Ele olhava o visor como se fosse o aparelho mais estranho do mundo

-Eu preciso passar a passagem aqui. – ela passou o código em frente ao visor e apareceu rapidamente os dados da compradora e da viagem – Não acredito que não sabe pra quê serve isso

-Eu nunca saí de Tokyo. – ele falou no tom mais sincero dele.

-Hmm. – foi o único comentário dela. Apenas aquilo implicava que ele nunca pisou numa estação de trem antes de conhecê-la.

Ficaram em silêncio de novo. Ambos entraram na plataforma e pararam em frente ao único trem que havia ali e que aguardava o horário para partir.

Sesshoumaru esperou ao lado dela perto da plataforma, segurando a mão dela com a direita enquanto que a outra segurava a alça da maleta que ele ajudou a arrumar.

Disfarçou um sorriso quando se lembrou do embaraço dela por causa da roupa íntima que ele encontrara no quarto dela. E no banheiro. E embaixo do sofá da sala. E quando precisou arrumar a mala na frente dele.

Rin prometeu depois disso nunca mais ser tão relapsa com a organização do apartamento.

-Está levando seu celular? – ele perguntou de súbito.

A garota apenas assentiu. Com o péssimo hábito que tinha de esquecer onde colocava as coisas, era capaz mesmo de lembrar que deixara o celular em Tokyo apenas quando já estivesse em casa, com a família.

-Eu mando uma mensagem quando chegar lá. – ela assegurou.

Sesshoumaru também assentiu.

-Eu ligo pra você todos os dias.

De novo, ele moveu a cabeça confirmando.

-E tentarei voltar o mais rápido que puder.

Desta vez, ele não moveu a cabeça. Muito menos fez uma réplica.

Faltando apenas cinco minutos para as dez e meia da manhã, o trem Tokyo-Nagoya apareceu na plataforma onde estavam. Alguns outros passageiros já aguardavam também, em pé ou sentados confortavelmente, e prepararam-se para entrar organizando-se em fila.

Rin foi uma das últimas pessoas dela para prolongar o contato com a mão do namorado por mais alguns minutos. Ele também fizera questão de aproveitar.

-Espero que possa mesmo voltar o mais rápido que puder. – ele comentou casualmente, fazendo com que ela virasse o rosto.

Notando a expressão calma dele, Rin ficou surpresa de ver a quantidade de sentimentos que uma simples frase como aquela, pronunciada por Sesshoumaru, poderia atestar.

-Você também pode me ligar, sabe? – ela comentou, já sentindo-se animada. Talvez alguns dias fora não fossem tão ruins – Eu vou sentir sua falta. Mesmo quando tenta puxar meu cabelo.

-Eu não puxo o seu cabelo. – ele enfatizou a negação, controlando o tom falsamente irritado – Eu pego sua presilha e tento fazê-la mudar de ideia e nunca mais usá-las.

Rin abafou o riso e percebeu que se aproximava mais e mais da porta. Mais duas pessoas e ela...

-Vou convencer Jakotsu a me dar presilhas em vez de roupas.

Sesshoumaru bufou, fingindo indignação.

-Passagens, por favor. – um funcionário pediu.

-Só uma. – Rin informou, indicando com a cabeça o rapaz perto dela e que ainda a segurava com a outra mão – Ele só está me acompanhando.

O homem segurou o ticket dela, viu as informações sobre a compradora num tablet e deu passagem para que a passageira subisse.

Era aquele o momento. Sesshoumaru soltou a mão de Rin, entregou-lhe a mala de rodinhas e ela se virou. Deu um breve e casto beijo nos lábios dela, e a viu subir no trem. Dentro, ainda observou quando a namorada andou pelo vagão à procura do assento e acomodou-se próximo a uma janela. De lá, ela acenou para ele e vice-versa.

O rapaz sentiu, minutos depois, o celular vibrar no bolso do casaco social. Pegando o aparelho, viu que era uma mensagem de Rin.

Já estou com saudades. Sentindo minha falta também?

O trem indicou a partida. Os vagões começaram a mover. Um alerta de segurança foi emitido: demais pessoas deveriam ficar atrás da faixa de segurança, longe dos trilhos.

A resposta de Sesshoumaru chegou ao celular dela cerca de um minuto depois que o trem começou a acelerar.

Bastante. Volte logo.

Rin deu um sorriso e encostou a cabeça na poltrona.