25 O Castigo – parte I
"Como ele pode pensar assim? O que ele pensa? Suspeita que eu ... e Hermione ...? Afinal de contas, pensar isso seria doente! Foi por isso que ele mudou comigo?" – Harry pensava, percorrendo os corredores de Hogwarts. - "E, além disso já estou atrasado, que maravilha!"
Em dez minutos teria detenção com Snape. Mas ao invés de já estar lá, teve que ouvir as suspeitas de Rony especulando sobre o porquê dele e Hermione estarem se comportando de maneira estranha recentemente. Weasley o deixou cheio de raiva com suas acusações, no fim nem ao menos pensou que tudo aquilo poderia ser apenas um grande mal-entendido. A voz acusatória ressoava na mente de Harry:
"Então, por qual razão estava tão estranha hoje de manhã? E por que ela ficou vermelha quando olhou para você? E por que você a está evitando? Ela cora quando olha para você, o que aconteceu entre vocês dois? Admita, como você pode escoder de mim? Eu sou seu amigo ... "
Harry finalmente perdeu a paciência e gritou com ele:
"Você é um idiota!"
Qualquer um perderia a paciência se não tivesse a oportunidade de dizer qualquer coisa em sua defesa. Ron, não aceitava o fato de que ele poderia ser diferente. Por fim, Harry não resistiu e saiu, batendo a porta. Ele agora estava com tanta raiva e tremor, que queria destruir alguma coisa.
Ele não precisou nem se preocupar muito em bater na porta, entrou no escritório de Snape e quando ele se viu em sua sala, caminhou em direção a uma cadeira sem dizer uma palavra, sentou-se fitando um olhar agitado nas chamas. Severus nem sequer moveu o livro que estava lendo. Ele levandou uma sobrancelha como que para encerrar uma questão mental e olhou para Harry, vendo sua expressão feroz, resignou-se a pergutar:
- O que foi, Potter? - Ele perguntou, colocando o livro sobre a mesa.
- Nada - resmungou Harry. - Eu me sinto ótimo.
- Tão ótimo, que se apertar os dedos mais um pouco vai abrir buracos na palma da mão - o homem bufou.
Harry olhou para o punho cerrado, que atingia sua palma, e rapidamente os prendeu entre os joelhos.
- Eu só ... algumas pessoas às vezes se comportam como se seus cérebros tivessem vazado pelos ouvidos!- exclamou.
- Na minha opinião, mais frequentemente do que "às vezes" – o Mestre de Poções respondeu calmamente. Harry olhou para ele pelo canto do olho.
- Ok, eu tive uma discussão com Ron e Hermione - grunhiu. – Por causa de toda aquela nossa "conversa" ontem durante a aula. Hermione percebeu que eu estava fazendo alguma coisa debaixo da mesa, olhou para ver e viu ... você sabe o quê. E agora ela me tem como um completo pervertido, que se masturba em público sob o a mesa. Agora anda me evitando o tempo todo, como se esperasse que eu me masturbe a cada passo. E Ron ... notou o comportamento estranho e começou a suspeitar de Merlin sabe lá o quê! Ele acha que temos um romance, ou algo assim. Simplificando, sou um pervertido, que maravilhoso! - Terminou, batendo com o punho no braço da cadeira.
Harry viu que Snape escondia a boca com a mão. Ele poderia jurar que era para esconder um sorriso que certamente estendera-se torto naquele rosto. Na verdade, era caso para rir!
- Bem ... - Disse o homem depois de um momento. - Para a senhorita Granger deve ter sido uma vista realmente chocante. Eu duvido que Weasley tenha alguma ideia sobre essas coisas. - Harry sentiu seus lábios tremerem. Não, ele deveria estar com raiva! Ele não podia rir! - Uma vez que isso nunca aconteceu, nunca viu nada igual, então reagiu assim, pervertendo sua opinião sobre você. Devia se considerar com sorte por ela não ter ido até a Chefe da sua Casa para relatar que seu melhor amigo tem um pênis. - Com estas palavras, Harry não conseguiu reter o riso. - Este é um exemplo típico de estudante hipócrita. Se isso foi o motivo da briga, você realmente precisa procurar amigos mais tolerantes, Potter.
Harry acenou com a cabeça, sorrindo com gratidão. Ele imediatamente se sentiu melhor. Uma pequena parte de sua mente, considerou que na boca de Snape a palavra "pênis" era tão malditamente ... sexy.
- Você está certo, isso não é motivo para briga. Conversarei com eles amanhã e vamos certamente chegar a um acordo - disse ele calmamente.
- E agora - continuou o homem - se você já tiver dito tudo sobre seus amigos, você pode finalmente passar para o prosseguimento do que iniciamos aqui na última detenção?
Harry não conseguia parar a contração súbita do estômago. Severus sempre seguiu rapidamente para o ponto em que ...
- De onde continuamos hoje? - Ele perguntou, sorrindo lascivamente.
O homem olhou para ele com expressão impenetrável no rosto, e depois ergueu uma sobrancelha e torceu os lábios fazendo uma careta zombeteira, e explicou:
- Quero dizer, a sua penalidade por ter ousado opor-se a mim durante a aula. Escrever 300 vezes: "Não vou interferir nos assuntos dos outros, e eu falarei respeitosamente ao professor." Você pensou que eu iria perdoá-lo, Potter? - Seus olhos se estreitaram quando ele se inclinou para frente. - Um fim de semana limpando os banheiros da escola inteira.
Harry piscou, surpreso.
O quê? Mas ... depois de tudo o que tinha que fazer ... Depois do que Severus disse ...
- M-mas ... - Ele começou, mas o homem o interrompeu:
- Vai me desafiar?
Harry balançou a cabeça, sentindo uma onda gelada percorrer seu corpo deixando-o todo arrepiado.
"Eu vou cuidar de você ..."
Estas palavras de ontem ecooaram em sua cabeça tornando-o mais ansioso pelo encontro, agora elas pareciam memórias distantes e opacas.
Severus acenou com a varinha e colocou diante de Harry um pergaminho, um tinteiro e uma pena de escrever.
- Mas antes que você comece ... – O homem se levantou e puxou de dentro de uma gaveta um pedaço de pergaminho e a pena que Harry lhe deu no aniversário. Ele foi até o grifinória, e jogou o pergaminho sobre a mesa, então sentou-se na cadeira e resmungou:
- O que é isso, Potter?
Quando Harry olhou para o papel, seus olhos se arregalaram. As anotações escritas eram completamente ilegíveis em diversos lugares, em vários pontos apareciam a palavra "Harry". Por um momento ele olhou para o pergaminho, incapaz de acreditar no que via.
- Eu também pensei em você, Severus - respondeu, sorrindo.
Os olhos do homem estreitaram-se perigosamente.
- É uma de suas piadas estúpidas, Potter?
- Não, eu só pensei que talvez você devesse se acostumar um pouco com meu nome. Então eu comprei uma pena mágica, que eu modifiquei, de tal forma que escrevesse meu nome toda vez que você pensasse em mim. Bom saber que você o fez, Severus.
O homem fechou os olhos como se estivesse tentando se dominar, e não amaldiçoar Harry. Depois de um momento, olhou para ele e disse friamente:
- Da próxima vez, pense com cuidado antes que você venha com a ideia de me dar um presente tão estúpido. Eu nunca recebi nada tão inútil!
O rosto de Harry, de repente tornou-se triste. Rapidamente desviou o olhar e mordeu os lábios, tentando controlar o ardor desagradável em seu coração.
- Eu só queria te fazer uma surpresa - ele murmurou. - Eu não sabia que você ficaria tão bravo. Eu queria apenas ... - Ele parou abruptamente, em seguida, rapidamente levantou-se da sua cadeira. - Esqueça isso - ele disse suavemente e pegou sua pena, mas o homem não o deixou levar, ele agarrou-a primeiro.
- Volte para o seu lugar - ele rosnou.
Harry, espantado, caiu para trás em sua cadeira. Ele viu que Snape colocava a pena no bolso interno do casaco. Ele queria dizer algo, mas concluiu que qualquer comentário apenas estimularia um surto de maldade por parte de Severus, por isso se absteve. Ele sorriu um pouco e abaixou a cabeça rapidamente para escondê-lo.
- Você tem mais alguma surpresa na manga, Potter? - Rosnou Snape.
- Eee ... - Harry lambeu os lábios e sorriu maliciosamente. - Talvez - disse ele misteriosamente. - Você sabe, eu sou muito bom nisso. Eu me lembro de um verão com meu primo trouxa. Ele estava em uma dieta e sempre à noite, ia assaltar a geladeira, então eu pedi para Ron me enviar doces com travessuras Waesley. Quando Dudley novamente se esgueirou até a cozinha, havia uma surpresinha esperando por ele. - Ele sorriu.- Todo o seu rosto ficou coberto por bolhas purulentas, correu pela sala de jantar gritando como um -me por uma semana no quarto. Eles achavam que a culpa era minha... - parou por um momento revendo a memória. - Mas eu encarei a parte boa da situação. Pelo menos eu não teria que ver a cara feia dele até o final do verão. E quanto eles finalmente me soltaram, Dudley pareceu muito desapontado ao ver-me de bom humor. Aposto quantos galeões você quiser que ele tinha a esperança de me ver assustado e arrependido. Mas eu estava ali, rindo dele. - Ele riu com a menção de seu primo, correndo pela casa e gritando que Harry havia enlouquecido.
Severus olhou para ele sem dizer uma palavra.
- Fascinante - finalmente disse com um sorriso de escárnio. - Quem teria pensado que o Menino Que Sobreviveu gosta de assediar primos inocentes.
- Dudley certamente não é inocente. Ele, juntamente com seus amigos estúpidos adoram atormentar os outros. E sempre que ele saia para passear, se divertia fazendo idiotices, e me perseguia. Gasta a maioria do tempo trancado no quarto com o celular, tudo depende do seu humor - disse Harry casualmente.
O homem olhou para ele com curiosidade.
- Por que você não revidava?
- Eu sempre acreditei que fingindo que ele não existia, seria melhor. - Em seus lábios pálidos estendeu-se um sorriso, que, no entanto, não atingiu os olhos.
Entre as sobrancelhas de Severus, apareceram rugas e seus olhos se estreitaram. No ar pairava o silêncio constrangedor. Harry lamentou o que ele disse. Ele queria desfazer o silêncio irritante o mais rápido. Ele abriu a boca, mas Snape antecipou-se. Ele limpou a garganta e disse:
- Se você tiver acabado de contar a história incrível de sua vida, pode começar seu trabalho.
Harry fez uma careta.
- Eu pensei que talvez você estivesse um pouco curioso ... você sabe ... em saber algo de mim. Não quer saber nada sobre mim? Eu realmente gostaria de saber como você foi na sua juventude, o que gostava de fazer, como você aprendeu a...
Severus olhou para ele.
- Quer dizer, a gostar de atormentar meus alunos, aprendi isso muito bem. Ainda tem dúvidas, Potter?
Harry suspirou. Se Snape não queria revelar nada sobre ele, então ouviria o que Harry tinha a dizer. No fim das contas, conforme Luna disse, são um par ... Eles têm que se conhecer melhor. Ignorando o olhar impaciente do homem, ele olhou para o fogo e disse:
- Eu gosto de jogar xadrez, ou Snap explosivo. Eu amo cerveja amanteigada. Muito mais do que ... - Ele tentou lembrar o nome do álcool, que recentemente Severus ofereceu-lhe. - ... do Martini. Você pode prepará-la para mim, às vezes, a cerveja amanteigada. Com canela. Notei que você prefere... bebidas alcoólicas mais fortes, certo? Por exemplo, aquela em tom âmbar ...
- Uísqui - Severus sugeriu, como se ele já não suportasse mais a conversa incerta do grifinória. – Chama-se Uísqui.
- Sério? Eu tenho que tentar isso algum dia. Eu me pergunto como seria seu gosto.
-Desista. É forte demais para sua cabeça fraca. Além disso, duvido que você experimente.
- E o que é aquela verde?
Severus franziu a testa, como se ele se perguntasse a que "verde" se referia.
- O absinto?
- Um nome bonito. - Harry sorriu. - Aposto que ela tem um bom gosto.
- O absinto é uma mistura de várias ervas, incluindo um absinto fortemente alucinógeno. Duvido que você seria capaz de beber um gole sequer.
- Mas você bebe? - Harry perguntou. - Então, não é tão ruim.
- Eu não bebo isso. É apenas ... Além disso, por que eu deveria explicar para você, Potter? Eu não vou deixar você nem mesmo tocá-lo.
- E pode deixar-me tocar ... outra coisa? - Harry perguntou, seus olhos brilhavam de excitação.
Severus revirou os olhos, mas Harry não poderia deixar de notar um leve sorriso, que ele tentou esconder.
- O que mais? – disse imaginativo. - Oh, eu também gosto de jogar Quadribol. Pena que demoram para marcar jogos. Então, francamente, eu nunca vi você voar em uma vassoura ...
- Eu acho que nunca vai ver - Severus murmurou, franzindo a testa.
- Pena ... Porque seria realmente fantástico. Não imagina o que se sente quando se mergulha atrás do pomo. Sinto-me tão... livre, como se nada pudesse acontecer comigo. Tenho a certeza de que poderei fazer tudo para pegá-lo, naquele momento nada pode me parar... eu sei que vou conseguir. E quanto o alcanço, quando meus dedos apertam-se em volta dele, e o sinto vibrar tentando escapar... Eu sinto uma explosão dentro de mim. Como se tudo ao redor, absolutamente tudo desaparecesse e deixasse apenas o... calor. E eu sei que ele já pertence a mim, que não fujirá, que ninguém poderá arrebatá-lo de mim. Não me preocupo com as pessoas, aplausos, vivas... Poderia muito bem estar lá sozinho. No final de tudo, depois de toda a luta, depois de toda a perseguição, de todo o cansaço e esforço incrível... o mais importante... é que no final... eu consegui. - Seus olhos brilhavam quando falava, olhando para o fogo, que não via, pois atravessava-o com seus pensamentos. Ele tinha a impressão de que ele estava em campo, o vento chicoteando no rosto e a bola pequena de ouro esvoaçando nas suas mãos. – E saiba que ... tudo isso não é nada comparado com o que eu sinto ... quando estou com você - terminou. Ele não sabia por que ele disse isso. Mas ele tinha que dizer. Como se as palavras fluíssem diretamente para fora da boca contra sua vontade. - E, às vezes, quando passo muito tempo sem ver você... Eu sinto como se o pomo se afastasse de mim, me jogando para longe ... e eu não pudesse pegá-lo. Apesar do muito que eu quero. E então eu sinto tanta falta ... - Gaguejou, percebendo que começava a murmurar. Não era um assunto muito seguro. Ele tinha que encontrar algo mais neutro. Ele limpou a garganta e se forçando a não olhar para Severus, ele continuou. - Você provavelmente pensa da mesma forma, em relação a execução de uma poção particularmente difícil? Quando, depois de muitos esforços, finalmente tem sucesso...você também sente esse estouro de alegria... não sente?- Terminou e silenciosamente olhou para o homem.
- A satisfação, em vez de alegria - disse Severus. - Porque com a poção não há perseguição. Aqui há contagens de cada movimento, cada gota. A chave é o foco, precisão. Esperando o momento certo. Isso lembra mais... a caça. Tudo tem que acontecer no momento certo e na proporção adequada. Porque você sabe que um movimento errado pode acabar em desastre. Esta é uma arte de paciência e requer um tempo extraordinário. Voar em uma vassoura atrás de uma bola dourada não requer nada além de habilidade.
- Não é verdade – Harry disse indignado. - Esta é uma tarefa que necessita de paciência extraordinária. Além disso, não é o caso. O importante é o sentimento que vem quando se termina. É impossível que quando você conclua um trabalho sobre uma poção muito complicada, que levou vários meses, onde cada erro pode acabar muito mal... Não sinta nenhuma alegria.
Severus olhou para ele por um bom tempo antes de responder:
- Tudo depende do tipo e da finalidade da poção. Quando eu termino de preparar outro remédio para Pomfrey, é difícil sentir algo além da satisfação tediosa.
- E quanto tempo realmente leva para preparar a poção mais difícil?
- Um tempo muito longo, Potter. Tenho certeza que tempo suficiente para pegar o pomo de ouro milhares de vezes.
Os olhos de Harry se arregalaram.
- Sério? Tanto tempo? Mais tempo que o soro da verdade?
- Muito mais tempo.
Harry pensou por um momento. Ele lembrou do que viu no laboratório secreto de Snape. Gostaria de saber se era uma dessas poções ...?
- A... - Gaguejou. – E você está fazendo uma dessas poções difíceis?
A expressão do olhar de Severus se alterou. De repente, surgiu-lhe um brilho incrível.
- Sim - ele disse calmamente.
Um frio perfurou Harry. Ele sentiu como se a sala fosse varrida por um vento frio, mas nenhuma corrente de ar entrara lá. Ele ficou surpreso com a reação, a expressão da face do homem o levou a fazer mais uma pergunta:
- Ann. .. quanto tempo você deverá deixá-la fervendo ainda?
O brilho nos olhos de Severus por um momento embotou-se, e uma sombra cruzou seu rosto. Ele virou a cabeça em direção à lareira. Parecia que ele buscava uma resposta. Finalmente, após vários momentos de silêncio tenso, ele respondeu:
- O tempo que for necessário.
Harry franziu o cenho. Foi uma resposta estranha ... Ele queria perguntar algo mais, mas leu no rosto do Mestre de Poções que o assunto havia sido encerrado. De repente, o ambiente tornou-se desconfortavelmente frio. Ele não sabia a razão de tal sensação, mas ele realmente não queria continuar a sentir aquilo. Ele respirou fundo e tentou recuperar o sorriso despreocupado no rosto. Sua mente trabalhou freneticamente à procura de algo mais neutro e seguro.
- Pode falar-me do seu relacionamento com as outras pessoas? Você sabe, sobre as coisas triviais do dia. Com quem você se sente bem, ou gosta de falar. Sobre o que acontenceu com você em dado dia, se pensou " estes são mais alguns idiotas cabeça de passarinho que aceitam como primeiranistas nesta escola?"
Severus deu-lhe um olhar longo e inescrutável.
- Eu não gosto de ninguém, Potter. E também, ninguém gosta de mim, com quem eu falaria? De qualquer forma, acho que nesta escola não só os primeiranistas são idiotas.
- Eu gosto de você - disse Harry rapidamente. - Então você pode falar comigo sobre tudo - ele sorriu.
- Sério? Até mesmo sobre o uso experimental dos leocócitos de sangue de dragão com ácido do estômago de vaca?
Os lábios de Harry reagiram indo para uma resposta leiga da questão, mas no último momento ele conseguiu detê-los e, em vez de responder: "O quê?", disse:
- Claro. Assim que você me der algum tempo para ler vários livros sobre leucócitos do sangue de dragão, ácido de estômago de vaca e o uso em poções. – ele perdeu a luta contra o sorriso que se estendeu em sua boca.
As sobrancelhas do Mestre de Poções, subiram ligeiramente. Parecia que ele queria dizer algo, mas fechou a boca e apenas balançou a cabeça.
- E assim, voltemos ao assunto... - Harry disse de repente - .. Costumo conversar com Ron. Não dá para falar com Hermione sobre qualquer outra coisa que não os estudos. Mas Ron é legal. Apesar de tudo. Recentemente me contou que suspeita que Melissa Bulstrode e Cormac McLaggen estão se encontrando às escondida. Viu quando os dois foram para a estufa da Professora Sprout, e depois de algum tempo saíram correndo, gritando, tentando arrancar de si tentáculos verdes pegajosos. Ela saiu de lá só com metade do vestido. Aparentemente, as plantas resolveram unir os dois num amistoso ... abraço - riu e olhou para Snape, que parecia não achar graça. Parecia alguém que não fazia ideia do que se estava falando e que passava por um doloroso castigo. - Bem, há também Luna. Ela realmente é muito legal quando você a conhece melhor. Eu realmente tive essa oportunidade ... ela foi minha namorada. Apenas fingiu para me ajudar. Espero que você não se importe ... – O rosto de Snape parecia ser uma máscara de pedra. Uma pedra que irradiava uma grande fadiga.- Oh, às vezes eu falo muito com Gina. Ela também é muito legal. Apenas um pouco... - Parou de repente, vendo algo atravessar os olhos de Severus. O brilho mandou clara mensaguem de que algo muito perigoso se daria se Harry não fechasse a boca, pois Severus iria interpretá-lo muito errado. Ele mordeu a língua, percebendo com quem e sobre quem ele iria falar. Rapidamente mudou de assunto. – E sobre o que aprendo ... uma vez pensei que minha matéria preferida era Defesa. Eu sempre esperava ansiosamente por essa aula. Gostava de História da Magia também, porque se podia sempre tirar um cochilo. Binns coloca toda uma sala para dormir em poucos minutos. Mas agora ... - Ele sorriu -... Agora o meu assunto favorito é Poções. Você sabe, eu acho que é realmente fascinante.
Nos olhos de Snape surgiram e vibraram tons de diversão.
- Sério? - Perguntou o homem, e os cantos de sua boca se contraíram um pouco.
Harry se inclinou para frente e continuou:
- Sim. E você sabe por quê? Eu não sei como eu não conseguia ver antes. Todos esses ingredientes que percorrem em minhas mãos ... eu os toco, acaricio entre meus dedos, os amasso, aperto, ou extraio seus sucos...- Snape cerrou a boca mordendo o lábio. - ... É realmente muito interessante. Depois, há o caldeirão, que merece muita atenção, verificando o ponto certo de ebulição, para não explodir... – Severus desabotoou um botão da gola do casaco e Harry sorriu para si mesmo. Ele ficou surpreso por descobrir que poderia falar sobre esse assunto de forma tão ambígua. - Mas isso não é tudo. Snape é quem nos ensina, e apesar de quase todos os alunos o temerem, eu o acho excelenete em sua profissão. – Harry sentiu fluxos de rubor em seu rosto.
O homem abriu a boca de espanto, mas logo se dominou. Recostou-se na sua cadeira, empurrando-lhe o tempo todo seu olhar intenso. Harry pigarreou embaraçado, tentando mudar rapidamente o assunto, mas no mesmo momento ele ouviu a voz suave de Snape:
- O que tanto você gosta em sua aulas de Poções, Potter? - Ele perguntou, e em seu rosto apareceu um maravilhoso sorriso torto. Harry arregalou os olhos, incapaz de acreditar que Severus dava a entender que queria continuar com aquele joguinho. Como ele poderia responder a essa pergunta? O quanto ele gosta? Não poderia descrever ...
Ele sentiu que seu coração começava a bater mais rápido. Freneticamente à procura de uma resposta, mas nada lhe veio à mente. E o pior era que Snape parecia muito interessado na resposta. Harry olhou para baixo e olhou para o joelho. Ele começou a imaginar que Snape não estava ali. Havia outra pessoa na frente dele. Luna, por exemplo. Ela lhe fez esta pergunta. O que diria?
Ele voltou-se para dentro de si, lembrando de cada aula de Poções. Todos os sentimentos que pareciam queimar nas cores mais diversas entrelaçando entre si. Cada momento em que sua mente estava flutuando, e o coração assumiu o controle do corpo. Ele fechou os olhos. Ele viu a classe. Ele o viu.
- Tanta coisa ... – começou com voz ligeiramente trêmula - ...quando meu professor se senta em sua mesa, verificando trabalhos, eu não consigo parar de olhá-lo e esqueço do meu caldeirão. Eu sei que eu não deveria desviar a atenção do trabalho, eu sei que tenho plena capacidade de produzir uma poção. Mas eu não posso me desviar dos olhos dele. Tanto é assim... que os mantenho até que me olhe. E quando o faz, neste momento eu esqueço todos na sala de aula. Sinto que há apenas nós. Sinto apenas o meu desejo. Tanto é assim que... quado me volto para a execução da minha poção, não sei em que ponto parei, não sei qual igrediente tenho em mãos, nem qual eu adicionei antes, eu esqueço completamente a minha capacidade de produzir uma poção. Eu só consigo voltar a olhar para ele...- Ele abriu os olhos e respirou fundo. Não era assim tão estúpido? Será que ele conseguiu transmitir o que sentia? - É isso - ele terminou suavemente, como se quisesse incluir todas as suas emoções nessa palavra.
Em seguida, ele se atreveu a olhar para Severus e quase engasgou. O homem estava sentado imóvel, olhando para ele com um olhar de espanto no rosto e um incrível ... calor em seus olhos. Harry percebeu que ele prendeu a respiração e seu coração saltou. O que ele viu nas íris negras de Severus era algo quase como... a sensibilidade. Suas características duras estavam amolecidas. Nos lábios cerrados podia-se notar ... um sorriso. Não de escánio, não zombaria. Um sorriso real. Leve e quente, que fez tudo acontecer tão de repente ... impossivelmente belo.
Harry piscou algumas vezes, como se estivesse tentando se convencer de que o que ele via, não era uma ilusão.
- Nesse caso, você deve ter muito cuidado, Potter - Severus finalmente disse. - Se você está tão apaixonado por seu professor, então você poderá... desandar.
Harry sentiu que havia corado.
- Correrei o risco - ele disse baixinho, olhando diretamente nos olhos de Severus. Parecia que, por uma fração de segundo, tudo parou. Harry não sabia qual deles desviou o olhar primeiro. Ele apenas se dava conta do fato de que sua boca havia se movido novamente de modo espontêneo demais e involuntário, como se a todo custo quisesse preencher o silêncio e se livrar dessa tensão estranha.
- De qualquer forma, bem como em qualquer outra matéria. Eu não sou tão bom quanto Hermione. Não absorvo o conhecimento tão rapidamente e tenho problemas de concentração, mas quando realmente quero, eu consguigo alguma coisa. Como na elaboração do meu último trabalho de Poções... eu empreguei muito tempo na elaboração dele. Mas é claro que eu tive que cometer um erro e estragar tudo. Parece que não faço nada perfeito. - Ele suspirou. - Talvez da próxima vez ... - Interrompeu-se, vendo Snape levantar-se de sua cadeira e ir até o armário. Tirou um pedaço de pergaminho e colocou-o sobre a mesa, e voltou a sentar em sua cadeira. Harry olhou para o pergaminho, e seus olhos se arregalaram dramaticamente. Diante dele estava ... seu ensaio. O trabalho que deveria estar apodrecendo no fundo de um cesto. Todos os vincos foram suavizados, e abaixo era bem visível um comentário: "acima das expectativas".
Somente após um momento ele percebeu que tinha a boca aberta. Ele olhou para Snape com descrença. A face do homem não se abalou.
- Você o leu ... - Na sua boca correu um sorriso alegre. - Oh, Severus ... realmente acha que foi tão bom? Estou muito feliz.
Snape franziu a testa, claramente irritado.
- Se este sorriso estúpido não desaparecer imediatamente de seu rosto, irei restaurar a avaliação anterior do seu trabalho, Potter.
Harry rapidamente escondeu o sorriso, mas não conseguiu abafar a chama da alegria, que dançava em seu estômago. Abruptamente se levantou da cadeira e circulou a mesa, e então se ajoelhou na frente de Severus, esticou seus braços e envolveu-lhe a cintura abraçando-o e apertando o rosto em seu peito.
- Obrigado - disse ele calmamente, sorrindo para si mesmo. Ele ouviu a respiração estranhamente superficial do homem e as batidas do seu coração. Ele sentiu a frieza de seu corpo. Sentia tanta falta... Seu manto estava imbuído de um perfume de ervas amargas. Provavelmente resultado do contato com fervura de algumas poções. Mas isso não era novidade, ele sempre fervia alguma poção ... Ele apertou-lhe com mais força, empurrando seu rosto aninhado-o no tecido preto e áspero. Envolvendo-se na escuridão dele. Tranquilo e agradável. E também - apesar de tudo - caloroso...
Por algum tempo houve silêncio. Depois de um tempo, no entanto, através da respiração suave e quente e os batimentos cardíacos, perfurou a voz fria de Severus:
- Eu dei-lhe um trabalho, Potter. Esqueceu-se dele?
Harry murmurou desconsoladamente. Ele levantou o rosto quente e olhou direto para observá-lo com os olhos apertados.
- E você sabe ... que terei um jogo em breve? Isto significa que não poderemos foder durante muito tempo. Não seria aconselhável, porque eu não poderia sentar numa vassoura...- No ar pairava um pedido tácito.
Severus ergueu uma sobrancelha.
- Nesse caso, serei forçado a suspender suas detenções nesse período, Sr. Potter.
Sentiu-se atingido por um raio!
- Muito engraçado - ele murmurou. - Mas sempre poderemos conversar.
Snape deu-lhe um olhar zombeteiro, mas Harry ignorou.
- Você pode ir ao jogo para me ver? - Ele perguntou esperançosamente.
- Eu estarei absolutamente ocupado a essa altura.
- Que pena - rosnou Harry, mais e mais resignado. Mas, ao mesmo tempo lhe veio um pensamento. - Ou talvez seja melhor, porque se você for, eu não conseguiria me concentrar em pegar o pomo, e provavelmente perderíamos.
Snape olhou para ele pensativo.
- Então é possível que ainda pense nisso.
Harry escondeu um sorriso, mais uma vez pressionando o rosto no revestimento áspero.
- Agora você pode voltar para o seu lugar, Potter, e, finalmente, fazer a sua tarefa, sabe o que você deve fazer? – ouviu a voz áspera de Severus acima de sua cabeça. Harry fez uma careta. É claro que preferia estar perto dele e abraçá-lo, e não sentar e reescrever uma sentença 300 vezes. Tinha que ficar ainda um pouco... embora só mais um pouco. Ele se ergueu. Ficou olhando por um momento para o homem, então algo se apoderou dele e o fez lançar os braços no pescoço de Snape e delicadamente beijar sua bochecha.
Inalando profundamente nos pulmões o odor característico de ervas e musk, então suspirou e se afastou. Não olhou para o rosto do homem quando ele se virou para voltar ao seu assento. Ele se sentiu coberto por seu olhar intenso.
Ele pegou a pena e olhou para o pergaminho aberto diante dele. Ele não conseguia se concentrar em escrever sequer uma palavra. Seus pensamentos ainda giravam em torno de Severus. Ele levantou a cabeça e viu o homem segurando um livro. Harry forçou os olhos para ler o título:
Usos da Magia Negra em ...
Snape afastou o livro de modo que Harry não teve tempo ler o restante. Seu coração bateu mais rápido. Ele lembrou os volumes que viu no Departamento de Livros Proibidos, e que cada um acabou por ser completamente inútil. Mas Severus ... Ele deve saber o que vale a pena ler. Talvez ele poderia até mesmo ajudá-lo ... Harry tinha tantas perguntas. A quem perguntaria? Para Tonks? Ela imediatamente iria querer que Harry detalhesse as razões para querer estudar Artes das Trevas. Ele sabia que Snape já tinha recusado ensinar uma vez, mas talvez se conduzisse habilmente a conversa ... poderia aprender alguma coisa que o ajudasse.
- É um livro sobre Magia Negra? - Ele perguntou, interrompendo o silêncio prevalecente na sala. Severus olhou por cima do livro.
- Não é o que está escrito, Potter? - Bufou. Harry sabia que a paciência de Severus estava pelo fim, mas tinha que aprender alguma coisa!
- Eu ouvi ... isto é, Moody nos falou sobre as Maldições Imperduáveis no quarto disse que para jogá-las, você realmente tem que querer. E que nenhum de nós seria capaz de fazê-lo. Ele se referia somente ao fato de que eram Imperdoáveis, ou o mesmo se dá para todas as maldições?
Harry viu o interesse no rosto do homem. Como se no final surgisse um assunto que merecesse sua atenção. Severus por um momento olhou para ele pensativo, e depois descansou o livro, cruzou as mãos e disse:
- Magia Negra é regida pelas mesmas leis que qualquer outro tipo de magia. Para conjurar qualquer magia, mesmo tão simples como o Lumos, você tem que querer e focar seus pensamentos. Nesse aspecto, eles não se diferem. - Harry reparou que quando Severus falava, seu rosto mudou. Ele parecia estar totalmente absorvido no que ele dizia. - Maldição é geralmente extremamente difícil, é uma magia complexa e, portanto, exige um foco muito maior. Assim como, por exemplo, o Feitiço do Patrono. Para lançar, você tem que ter realmente um forte desejo de lançá-lo. A única diferença entre eles é devido à natureza do feitiço. Quando você lança uma maldição, cujo objetivo é ferir alguém, você tem que fazer-se uma pergunta fundamental: você realmente quer ferir alguém? Se você não for capaz de fazê-lo, você nunca será capaz de jogá-la corretamente. Então, como você pode ver, não é sobre quaisquer requisitos específicos, mas apenas sobre sua alma. Ou seja, se você quiser, poderá fazer mal a alguém.
- Então é verdade ... - Harry parecia estar perdido em pensamentos. - Para lançar um feitiço, você deve ter a alma cheia de maldade?
Severus franziu o cenho.
- Por que você acha isso?
Harry corou.
- Eu ... Eu li em algum lugar.
Por um tempo o olhar do homem o examinou cuidadosamente.
- É por isso que são incapazes de parar o roubo dos livros do departamento proibido...
- Eu não estava roubando! – as palavras escaparam da boca de Harry.
- ... Então, pelo menos, tente pegar aqueles que tenham algum valor científico, e não os de feiticeiros tolos que viveram centenas de anos atrás e não eram capazes de distinguir seu reflexo no espelho do de um inimigo. Há muitos livros de Magia Negra escritos honestamente.
- Por exemplo, quais? - Perguntou Harry rapidamente.
Severus olhou para ele com escárnio.
- Tentando ser astuto, Potter?
Harry mordeu o lábio. Não havia sentido em tentar essa abordagem com Severus.
- Bem, como eu saberei quais livros são bons? Ninguém me diz isso não é? - disse Harry firmemente, com um foco claro na primeira palavra.
- Desde que o ensino de Defesa Contra as Artes das Trevas caiu nas mãos incompetentes daquela desajeitada Auror cor de rosa, as coisa pioraram. Na sala de aula em vez de ensinar Magia Negra de verdade, ensina apenas a se defender contra diabinhos ridículos.
- Não é verdade! - Harry estava indignado. - Tonks é mil vezes melhor do que Umbridge. Talvez não tão boa quanto Moody e Lupin, mas acho que é uma professora muito boa. Recentemente nos contou sobre as maldições mais perigosas que Voldemort pode usar e que não estão incluídas nos nossos livros e nem na lista de Imperduáveis. Nós também aprendemos um monte de magias defensivas.
Severus bufou suavemente, e depois inclinou-se na cadeira, os olhos estreitaram-se perigosamente.
- Magias defensivas? Não me faça rir, Potter. Ao invés de prepará-lo para a guerra, estão ensinando a repelir ataques e se esconder por trás das costas dos outros. Não irá derrotar o Senhor das Trevas com um Expelliarmus ou se escondendo atrás de um feitiço escudo. A ação correta é lançar primeiro a maldição, que pode muito mais facilmente atordoar o adversário, e o tempo para tal é muito curto. Mas, claro, Dumbledore rapidamente sufocaria essa ideia com sua própria barba, diz que isso vai "envenenar" suas "almas inocentes". Mas assim, vocês nunca terão chance contra o Lorde das Trevas e suas hostes.
- Bem, por que você não quer me ensinar? Se você acha que devo ser capaz de lançar uma maldição, por que você não treina os alunos que querem aprender isso?- Harry perguntou, empurrando um duro olhar para o homem.
- Porque seu diretor amado não vai permitir isso, Potter.
- Ele também não permite que você foda alunos, e ainda assim o faz - disse Harry, antes que ele pudesse morder a língua. Os olhos de Severus brilharam perigosamente.
- Cuidado com a língua, Potter - rosnou com raiva. Harry respirou fundo, tentando não prestar atenção ao homem jogando raios pelos olhos e continuou, mas com muito mais calma:
- Nós podemos fazer isso em segredo. No ano passado, juntamente com vários estudantes, foi criado um grupo que chamamos de "Armada de Dumbledore". Nós praticamos na Sala Preciasa e... foi eficiente- fez uma pausa, vendo o olhar zombeteiro que Snape estava martelando em seu rumo. - O quê? - Ele perguntou.
- É algo novo. O Menino Que Sobreviveu quer manter um segredo longe de seu amado diretor, quer contaminar sua alma inocente com as Artes das Trevas, mesmo que isso ameace-o com a expulsão da escola e uma possível cela em Azkaban.
- Desde quando você colocou suas mãos sobre mim, eu não posso ser considerado tão inocente ... Então, qual é a diferença? - Harry respondeu, olhando diretamente nos olhos de Severus. Snape franziu a testa, mas não comentou sobre aquilo. Harry ficou olhando enquanto ele era avaliado. O menino queria fugir de seus olhos, mas não o fez. Iria suportar o olhar do homem a qualquer custo. Após vários minutos de silêncio tenso, Severus se recostou na cadeira e disse baixinho, olhando para o fogo:
- Vou pensar nisso.
Não era uma promessa, apenas uma possibilidade em aberto, mas Harry ainda tinha a impressão de que ganhou a conversa. Com mal contido sorriso alegre, que corria em seus lábios. Ele limpou a garganta e disse:
- Enfim, a minha alma não é tão inocente. No ano passado eu joguei Cruciatus em Bellatrix. Quero dizer, talvez não... saiu como deveria. Mas eu cheguei muito perto. Hesitei. Eu queria, mas algo me fez parar.
Severus olhou para ele por um olho.
- Acha que agora você vai ser capaz de fazer isso? - Ele perguntou ironicamente.
Harry mordeu o lábio.
- Eu não sou mais a mesma pessoa que era anos atrás - ele disse calmamente, depois olhou para o homem. - Você me mudou. - Severus bufou e olhou para o fogo novamente. - Eu sei que agora vou ter sucesso. Afinal, você disse que é só querer realmente ... machucar alguém. - Ele olhou para suas mãos. Por um momento ele teve a impressão de que ele viu vestígios de sangue sobre elas, mas ele sabia que era apenas uma ilusão. - E eu realmente quero. - Ele sentiu os olhos de Severus, mas não levantou a cabeça. Ele cerrou os punhos e as imagens rapidamente romperam em sua mente tentando quebrar sua cabeça. E então um súbito pensamento o atingiu. – Agora quero... mas então me pergunto... – levantou os olhos e olhou nos olhos do Mestre de Poções - Quando você está com Voldemort, e quando ele lhe diz para fazer todas essas ... coisas ... Quero dizer, jogar várias maldições ... Você disse que para jogá-las, você realmente tem que querer. Você faz por que quer...? - Interrompeu-se, vendo um súbito clarão nos olhos do homem.
Não era um brilho agradável. Lembrava uma luz gelada. A sugestão de verde.
A compreensão disso o chicoteava.
Os lábios de Severus enrolaram num sorriso obscuro.
- Você está surpreso, Potter?
Harry prendeu a respiração, sentindo em seu rosto uma marca quente. Seu estômago torceu. Diante de seus olhos brilhou um retrato de Severus, de pé em um círculo, cercado por altas figuras escuras, com os rostos escondidos atrás de máscaras. Brilhando como uma porcelana branca. Snape lançando Crucio, olhando turvamente um corpo se contorcendo no solo. A mão segurando uma varinha com firmeza, com os olhos escondidos atrás de uma máscara, insensível, desprovido de compaixão ou remorso. Ele piscou várias vezes, tentando superar a imagem e a sensação de que seu coração batia mais rápido e mais rápido. Ele olhou com descrença para o homem sentado a sua frente e sacudiu a cabeça.
- É impossível.
- Por que não? - Severus perguntou ironicamente.
- É que ... isso significa que você ... você gosta? Você disse que você realmente tem que querer. Você realmente ...? - Parou, quando Snape inclinou-se para ele e piscou.
- O que eu gosto, o que eu preciso, e o que eu quero, são coisas completamente diferentes, Potter.
Harry franziu a testa, tentando entender.
- Mas você ...?
- A mente humana é uma ferramenta muito interessante. Você pode usá-la à vontade, é apenas uma base para construir um castelo. Quando a construção é concluída, pode ser capaz de fazer qualquer coisa. Você pode forçar a sua mente para uma coisa, que, em teoria, você nunca seria capaz de fazer. Por exemplo, matar um homem. Ou ligar-se a ele emocionalmente. Ou odiá-lo. Este é o controle. Algo que você nunca seria capaz de dominar, apesar de seus esforços. Não consegue nem por um momento fechar sua mente, pode-se ler sua mente como a um livro aberto. Eu faço isso quase todo o tempo.
Harry se lembrou o grande esforço que lhe custou os exercícios das aulas de Oclumência no ano anterior com Snape. Lembrou-se do gosto de amargura, quando, apesar de muitas tentativas, ele não conseguia expulsar Severus, que, sem qualquer resistência penetrava sua mente.
Um pensamento súbto e incrontolável passou pela mente de Harry:
Bem, de modo geral, isso pouco mudou. Só que agora ele penetra sem resistência em algum outro lugar ...
- Isto quer dizer que, sempre, em qualquer momento, você está sobe auto-controle? - Ele perguntou, olhando para Severus em descrença e profunda admiração. - É realmente ... surpreendente - ele murmurou.
O homem parecia estar surpreso com o que viu nos olhos de Harry. Provavelmente esperava qualquer coisa como medo ou desagrado, mas certamente não ... uma espécie de reverência.
Harry estava realmente impressionado. Não imaginava uma vida assim. Estar no controle, sempre concentrado ... não ser capaz de se soltar, ser natural nem mesmo por um momento de respiração. Ele não conseguia nem se concentrar na aula, e muito menos para ... manter-se frio ... em situações tensas ... Mas Severus não conseguia se controlar o tempo ...
- Um momento - disse ele, quando o homem se inclinou para trás e olhou para o fogo novamente. - Mas você não consegue se dominar sempre. Se descontrolou na última aula. Você ficou com raiva. Lembro-me disso. E sempre... sempre que fazemos... bom, nem sempre se controla.
Snape sorriu o seu sorriso mais sarcástico.
- Não entendeu nada do que eu disse a você, Potter.
Harry franziu o cenho. Como não entendeu? Ele entendeu perfeitamente!
- Mas ...
- Essa conversa foi um total desperdício de tempo. E você está ficando sem tempo para executar sua tarefa! Se você acha que vai conseguir evitar a detenção, você já se encontra muito além do horizonte da estupidez! - Severus resmungou, pegando o livro com um título muito longo e complicado, que colocara sobre a mesa logo após a chegada de Harry. - Então, aconselho você finalmente a começar a trabalhar, se você não quiser receber uma punição muito mais dolorosa! - Após estas palavras, enfiou o olhar no livro.
O estômago de Harry encolheu com a menção. Ele baixou os olhos e olhou para o pergaminho aberto diante dele. Ele sabia que a conversa chegara ao fim e não iria poder tirar mais nenhuma palavra de Severus.
CDN
Alma Frenz:
Ana Scully Rickman, acho que um dos pontos fracos do Severus é a curiosidade,é só atiçar a curiosidade dele que você consegue agarrá-lo de jeito, realmente foi muito engraçada a troca de mensagens entre eles através da pedra. A Hermione não precisava ficar com nojo do Harry, coitado do menino!
Gehenna, o cap. 21 foi quente mesmo, quero saber o que você dirá dos outros, eles estão de derreter! E Harry às vezes perde noção do perigo mesmo, gosta de cutucar serpentes com o dedo do pé.
Sobre o 25 parte II - Acho que na parte II do capítulo 25, vocês irão sentir muita raiva do Snape, por isso, preparem uma imensa jarra de suco de maracujá com muito açúcar, o sangue de vocês irá borbulhar e terão vontade de esganar Severus. Lembrem do exercício de respiração para restabelecer a calma, contem até 10 e respirem profundamente. Snape deixa a gente de boca aberta, viu? Quando a gente pensa que ele já fez tudo, ele aparece com mais uma maldade... quero saber da opinião de você, beijos!
