Disclaimer: Eu não possuo nada. Isto é apenas uma tradução da mui excelente estória de Lirenel, baseada na grande obra de J. R. R. Tolkien. Nenhum tipo de ganho material está sendo feito com esta estória.
NA: Este é um capítulo curto. Basicamente, este capítulo é "A Pira de Denethor" sob o ponto de vista de Faramir. "Mas Faramir estava inconsciente neste capítulo!" você diz? Sim, então este não é um ponto de vista normal. Meio que um sonho refletindo a realidade.
NT: "" são falas. '' são pensamentos. Em itálico é em Sindarin.
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Capítulo 25
Faramir sentiu o cheiro de óleo. O cheiro o puxou de volta do caos que assombrava sua mente. 'Óleo. Algo vai queimar. Mais fogo virá.' Seus olhos se abriram, não em corpo, mas na alma. Ele 'via' a sala em que estava, as pessoas, todas coloridas em preto ouro e vermelho. Faramir se encontrou recostado na pedra fria. Cobertores sobre ele, o calor sufocante.
Além de uma porta soava o clamor de vozes. Uma figura escura, com a face dourada, marchou até a porta gritando, "Façam como eu ordeno! Matem este renegado, ou eu devo fazê-lo eu mesmo?" Os olhos da figura ardiam em chamas, a loucura da morte e destruição.
A figura escura abriu a porta e uma luz branca iluminou a sala. Medo e admiração corriam por Faramir e ele ansiava por escapar deste pesadelo, mas seu corpo não o obedecia. Vozes falavam distantes e incompreensíveis. Elas falavam de morte e vida, de loucura e maldade. "Onde está Faramir?" gritou uma voz forte.
Outra voz respondeu e Faramir tremeu ante ao discurso enlouquecido, sabendo-o ser da figura escura. "Ele está ainda aí, já está queimando. Sua carne já esta queimando. Mas logo tudo será queimado. O Oeste falhou. Deve acabar em um grande fogo e tudo será queimado. Cinzas! Cinzas e fumaça espalhadas ao vento!"
'Queimando? Eu estou queimando? Sim, eu sinto o óleo, o fogo. Mas morto? Não, eu ainda não morri. E nem desejo morrer!' A luz branca cresceu, um sol brilhando em meio à noite. Uma nova figura, branca, veio em direção a ele e o levantou de sua cama fria. Mas a figura escura a seguiu, seus olhos brilhando. Faramir foi tomado pelo terror. 'Não me deixe queimar! Salve-me desta loucura! Pai me ajude!' "Pai."
A figura escura se voltou. O fogo em seus olhos cedeu e foi substituído por uma luz clara. Faramir via apenas tristeza e sofrimento. Fagulhas azuis caiam dos olhos brancos. De novo ele falou suave desta vez, gentil, carinhoso. "Não tirem meu filho de mim! Ele chama por mim!"
'Pai! Pai, o que você está fazendo?' Raiva, terror e desespero invadiram a já turbulenta mente de Faramir.
"Ele não acordará de novo, a batalha contra a morte é inútil. Porque desejaríamos viver mais? Porque não deveríamos morrer lado a lado?"
'Eu acordarei. Eu vejo tudo que está acontecendo! Deixe-me viver!' Faramir se sentiu sendo movido e deitado novamente. Denethor o seguiu tremendo. A figura branca falou.
"Venha, nós somos necessários. Ainda há muito que você pode fazer."
Os olhos de Denethor se acenderam escarlates e ele voltou para a mesa onde Faramir descansava momentos antes. De suas roupas ele removeu algo. Um orbe ardendo em ouro, vermelho, laranja e amarelo. Denethor ardia em uma chama negra, sóbrio, uma chama de sombras. Vozes falaram, mas Faramir não ouviu nenhuma palavra. Denethor e a figura branca irradiavam luz, negro contra branco. Faramir discerniu palavras enfim. As palavras de seu pai. "Eu teria as coisas como foram em todos os dias de minha vida e nos dias de meus antepassados: governar esta cidade em paz, e passar este lugar para meu filho depois de mim. Um filho que seria seu próprio senhor, e não pupilo de magos ou filho de elfos. Mas se o destino me nega isso, então eu não terei nada! Nem vida diminuída, nem amor pela metade e nem honra reduzida."
'Amor pela metade? Eu lhe dei todo o meu amor e você o atirou para longe. Você atirou meu coração fora e deixou que os elfos recolhessem os pedaços. E, mesmo que Elrond seja meu Ada, você é o meu pai! Porque não vê isso?'
A figura branca falou, mas Faramir não o ouviu, sua atenção estava em Denethor. Sombras se espalhavam pelo regente, envolvendo-o por inteiro, um frenesi de ira e ódio. Mas Faramir viu algo mais brilhando no coração de Denethor, uma pequena faísca de luz. Antes que ele descobrisse o que era, mais figuras apareceram, uma da cor da luz do dia e as outras de um amarelo doentio. Estas carregavam tochas carmesins, uma das quais Denethor agarrou e jogou na mesa, que explodiu em uma pira. Para o horror de Faramir, seu pai pulou na pira e deitou-se em meio às chamas, o orbe brilhando em suas mãos; Ele viu a figura branca fechando a porta, separando-o de Denethor.
'Não! Abram a porta, salvem-no! Vocês não podem deixá-lo morrer! Pai! PAI!' Faramir ouviu um grito terrível e soube que tudo estava acabado. Seu pai estava morto. Pesar encheu sua alma e ele escorregou para a escuridão de seu sono febril.
