24.

Dois anos depois

Joan colocou os brincos e olhou-se no espelho. Um vestido preto, discreto, mas que valorizava um pouco suas curvas. Passou o batom e ficou satisfeita. Clark entrou no quarto e a abraçou pelas costas e beijou seu pescoço.

- Hum, adoro o seu cheiro, o seu gosto... – ele falou, baixinho, no ouvido dela, provocando-lhe um arrepio.

- Eu adoro você também... – ela sorriu e se virou para beijá-lo. – Mas nós temos uma premiação pra ir. – lembrou.

- Verdade. – ele assentiu. – Hoje, Joan Lane receberá o seu prêmio pullitzer com todo o merecimento.

- A gente não sabe se eu vou ganhar. – ela calçou as luvas. – Mas eu adoraria! – ela exclamou e eles riram. – Mas não vou criar expectativas. Não muitas.

Clark achou graça e a beijou.

- Vai ganhar sim, porque não tem melhor repórter nem em Metropolis, nem no mundo. – ele afirmou.

- Não vale, você não tem uma opinião imparcial. – ela lhe deu um beijinho. – Mas eu adoro mesmo assim.

Clark ouviu um pedido de socorro.

- Ahn... Joan, eu tenho que...

- Vai. A gente se encontra lá. – ela disse, compreensiva.

Clark saiu voando já como Superman. Joan deu um suspiro e pensou que estar com Clark era o mesmo que namorar um médico.

Superman salvou o dia com a ajuda da Mulher-Maravilha.

- Você não tinha uma premiação pra ir? – Diana perguntou.

- E ainda tenho.

- Estou torcendo pela Joan. – disse Diana, sincera. – Eu às vezes me envergonho de tê-la julgado só por não possuir poderes... Acho que tive que aprender minha própria lição pra ver as coisas por outro ângulo, só não tive tempo, você sabe... de viver mais... – ela baixou a cabeça lembrando de Steve Trevor.

- Talvez um dia ele reapareça, Diana.

- O avião sumiu, buscaram por meses e nada, já foram até interrompidas... Talvez... talvez tenha sido o destino dele...

- Nunca perca a esperança. Eu cheguei aqui sem nenhuma, mas vi que sempre há um jeito enquanto há vida. – ele sorriu, consolando-a. – Agora preciso ir.

Superman saiu voando e Diana apenas deu um suspiro, olhando para o relógio de Steve que sempre carregava consigo.

Clark conseguiu chegar a tempo na cerimônia e viu Joan ganhar o pullitzer. Membros do Planeta Diário como Perry White e sua esposa Alice, Ron Trouppe, Steve Lombard, Cat Grant e Jimmy Olsen, tirando fotos, estavam presentes. Lucy abraçou a irmã.

- Que orgulho, maninha! A melhor repórter do mundo finalmente reconhecida!

- Obrigada, Lucy. E o General não pode vir, não é? – Joan falou do pai.

- Ah... Ele está liderando as tropas no Afeganistão... – Lucy explicou, mesmo com pena da irmã. – Sabe como ele é dedicado. Mas estava torcendo por você.

- Hum, talvez. – Joan duvidou. Ela sorriu ao ver Clark. – Vai pra minha estante! – mostrou o prêmio.

- Tenho certeza que já tem um lugar especialmente preparado para isso. – Clark adivinhou e lhe deu um beijo. Foram tiradas fotos.

- Joan e Clark são o meu casal preferido, não pude resistir. – justificou Jimmy e Lucy achou graça.

-x-

Lex Luthor saiu da prisão para cumprir o resto da pena em regime aberto com prisão domiciliar. Poderia voltar a comandar a LCM e recomeçar sua vida. Acontece que para ele, não havia mais uma vida que valia a pena ser recomeçada. Sem Tess, sem ter conseguido vencer seu maior inimigo, a vida de Lex era vazia.

Entrou na mansão Luthor e viu os móveis cobertos por lençóis brancos. A casa que um dia oi símbolo do poder da família, agora parecia um mausoléu. Iria vendê-la e se mudar para um apartamento. Haviam lembranças demais ali.

Lex pegou um porta-retrato com a foto de Tess e por um minuto, pensou como teria sido a vida com ela se tivesse deixado sua obsessão de lado e ido embora para viver o único amor que teve na vida. Mordeu o lábio com força e soltou o porta retrato, que caiu no chão, estilhaçando o vidro.

Era tudo culpa de Lionel e Clark Luthor. Lionel já estava morto e por causa da morte do pai fora condenado, por sorte o dinheiro ainda comprava muitas coisas, inclusive juízes. Mas Clark ainda estava vivo. Jurou para si mesmo que o destruiria, levasse o tempo que levasse.

Mas a sua primeira meta era a LCM. Já estava na hora dela se tornar a LexCorp.

-x-

- Lex foi solto?! É um absurdo! – Joan falava com Chloe pelo telefone. – As pessoas estão cegas, burras ou o que?! Ele matou Lionel Luthor e Lana Lang!

- A Justiça entendeu que Tess e Lana se mataram. E como não havia câmeras de segurança na sala onde aconteceram as mortes...

- Certeza que Lex mandou queimar as provas do crime! Ai, que ódio! Você vai ver, Chloe, não vai demorar muito pra ele voltar a cantar de galo, mas eu corto as asas dele de novo!

- Ai, Jo, infelizmente o dinheiro de Lex ainda tem muito poder e influência... Também estou chateada, mas quem sabe um dia a justiça não se faça verdadeiramente?

- Hunf, espero! – Joan bufou e depois resolveu mudar de assunto. – Ei, e o dia da pizza na Liga ainda está de pé? Manda o Bruce parar de ser antissocial e participar dessa vez!

- Você sabe como o Morcego é... – Chloe deu uma risadinha. – Mas Oliver está super empolgado.

- Ah, claro, ainda mais que a gata dele está organizando tudo, não é, dona Chlo? – brincou Joan. – Como vai esse namoro?

- Não é bem namoro... Já te disse que somos amigos com benefícios... Até porque não acho que Ollie superou a Dinah...

- Pois eu acho que sim! – exclamou Joan. – Qual é, já se vão dois anos! Dinah até casou!

- E se separou.

- Detalhes. – Joan rolou os olhos. – O fato que Ollie e Dinah são amigos e só! Arqueiro Verde e Canário Negro são companheiros de luta na Liga assim como todos os outros! Eu acho que você deveria investir, até porque ele é lindo e gostoso!
- Jo! – Chloe exclamou e as duas riram. – Você sabe que eu não quero mais me envolver seriamente com ninguém depois que perdi meu noivo...

- Chlo, eu sei que foi difícil pra você, mas já faz dez anos. Você precisa seguir em frente. Claro que você não é obrigada a namorar alguém, mas você precisa deixar o teu noivo partir. Ele não desejaria que você fosse feliz?

Chloe ficou pensativa.

- Claro que sim. – ela concordou. – Eu acho que... só tenho medo...

- É natural.- disse Joan, compreensiva. – Mas quem sabe se você se der uma chance... Não pelo Ollie, mas por você.

- É, eu vou pensar nisso... – Chloe suspirou. – Bem, o dia da pizza está de pé sim! E nem que eu tenha que arrancar o Bruce da bat-caverna, ele vai! – ela prometeu e as duas riram.

-x-

Clark voltou da Terra 1 e mostrou uma foto de um garotinho de olhos azuis para Joan, que estava sentada à mesa, digitando uma matéria para o Planeta Diário.

- Quem é esse? Espero que você não tenha filhos por aí, Clark Kent! – ela exclamou.

- Claro que não. – ele afirmou. – É o meu sobrinho. John. É a cara do CL.

- Ah é mesmo! – Joan olhou para a foto. – Uma graçinha, Lois deve estar super feliz. Aliás, devo uma visita à ela. Como está sua mãe?

- Bem. Mas você não vai acreditar... Eu mesmo fiquei passado quando soube...

- O que? Aconteceu alguma coisa séria com ela? – Joan perguntou, preocupada.

- Não. Ela... ela arranjou um namorado. – Clark contou e Joan achou graça da expressão de Clark. – E é o Perry White.

Joan riu tanto que sua barriga doeu. Ela bebeu um pouco d'água pra se acalmar.

- Ai, Clark, a sua cara está hilária! Quer dizer que a dona Martha Kent agora tem um namoradinho? E o Chefe! Isso eu queria ver!

- Sei lá, eu acho meio estranho...

- Porque, Clark? Martha é uma mulher muito bonita, que tem uma vida toda pela frente e é natural que ela viva novos amores...

- Mas ela é minha mãe! – ele protestou.

- E isso a torna menos mulher? – Joan cruzou os braços.

- Não, quer dizer, sim, quer dizer, não sei! – ele falou, confuso. – Eu não penso nela como mulher e sim como minha mãe. – ele fez bico.

- Ai, meu Deus. – Joan rolou os olhos. – Ela vai continuar sendo sua mãe com ou sem namorado.

- Hum, eu sei. – ele olhou para as próprias mãos. – Mas é estranho minha mãe namorar. E pior que ele estão morando juntos! Ela até vendeu a fazenda!

- Mas Clark o que a sua mãe faria na fazenda sozinha, me fala? Clark e Lois moram em Metropolis com o John, sua mãe é senadora, claro que pra ela continuar mantendo aquela fazenda é inviável, pensa bem!

- É, acho que sim... Eu só tenho que me acostumar com a ideia...

- Vamos pensar em coisa melhor? Vamos pensar no dia da pizza na Liga? – ela bateu palmas e ele sorriu. Ela desligou o PC. – Aliás, hoje vou te convidar para ir comer comida japonesa comigo no restaurante do novo namorado da Lucy. Estou morrendo de fome.

- Você está sempre com fome.

- Não posso fazer nada se estou em fase de crescimento. – ela piscou, sapeca e lhe deu um beijo.

Joan se arrumou, vestiu o sobretudo e olhou para a cidade toda iluminada.

- Metropolis fica linda à noite, apesar desse frio todo, não é? – ela comentou. – Clark, você vai demorar muito? É pra hoje, meu estômago está dando o alerta vermelho! – ela brincou.

- Já vou, Jo! – ele pegou uma caixa de veludo branco e abriu. Dentro havia uma aliança. – Essa noite vai ser especial.

- Todas as noites com você são especiais.

Clark guardou a caixinha no sobretudo, abraçou Joan, trocaram um beijo apaixonado e os dois saíram de mãos dadas por Metropolis.

FIM.