Hospital - Quarto da Olivia
06 de novembro
02:00 a.m.
"Liv..." ele pensou em argumentar, mas pelo o olhar dela percebeu que era melhor sair, pelo menos por enquanto.
Logo que achou o celular viu 29 chamadas não atendidas do Dr. Phill. Retornou imediatamente, ele era o único, no meio de toda essa bagunça, em quem ela podia confiar. Precisava dele ali. Urgentemente.
Enquanto aguardava Dr. Phill chegar ao hospital, Olivia chamou o médico responsável por sua cirurgia.
"Doutor, como minha filha está? Quando poderei vê-la e segurá-la? Ela nasceu perfeita? Houve algum dano em razão do tiro?" logo que o médico entrou no quarto foi bombardeado de perguntas.
"Olá Olivia, sua filha está muito bem, apesar de ter nascido um pouco antes da hora, ela está bem e saudável. Por precaução, e apenas por isso, a manterei na incubadora por pelo menos uma semana. Você poderá vê-la quando quiser e amamentará em torno de dez vezes ao dia, sempre que necessário. Como alternativa a incubadora, durante o dia, se você preferir, podemos trazer sua filha e colocá-la com você, utilizando o método canguru. Esse método é eficiente tanto para você quanto para sua filha." O médico explicou com calma, confortando Olivia.
"Quero minha filha o máximo de tempo comigo. Se esse método é eficaz, com certeza prefiro! Quando você a trará? Agora?" disse Olivia sorrindo, ansiosa para ter sua filha em seus braços.
"Calma mamãe, antes preciso saber como você está se sentindo, checar seus sinais, afinal você chegou aqui inconsciente, e além disso foi necessário anestesia-la para seguir com o procedimento cirúrgico." O médico disse percebendo a ansiedade e inquietude de Olivia.
"Eu estou bem, um pouco de dor nos pontos, mas nada demais." ela respondeu rapidamente.
"Posso checar?" o médico pediu permissão antes de abaixar o lençol que a cobria.
"Sim." Olivia concordou.
Delicadamente o médico checou os pontos da cesárea, depois os pontos do braço.
"Está tudo certo. Saiba que você teve sorte, o tiro pegou de raspão em seu braço, fizemos apenas um curativo. Quanto aos pontos do outro braço e os da cesárea, procure não fazer muito esforço. E no corpo, sente alguma dormência ainda?" perguntou por precaução.
"Não mais." Olivia respondeu séria.
"Que bom. Vou pedir para prepararem sua filha antes de trazê-la para cá. Até mais Olivia." O médico se despediu saindo do quarto em seguida.
Olivia ainda estava olhando os pontos com curiosidade quando Dr. Phill chegou.
"Liv, o que aconteceu? Fiquei muito preocupado com o tanto de sangue que havia em seu apartamento." Phill disse emocionado ao vê-la bem.
"Que bom ver um rosto conhecido. Obrigada por ter vindo." Olivia disse o abraçando. "Eu estou bem, não se preocupe. Ontem tive alguns flashes de memória... puxe uma poltrona que a história é longa." Oliva completou rindo, afinal mesmo sem lembrar-se de quase nada, o que ela viveu em um dia, valia por uma vida.
Saguão do hospital
06 de novembro
01:30 a.m.
Elliot saiu do quarto de Olivia confuso. O fato de Olivia não se lembrar de nada, inclusive dele, era muito surreal, ainda mais tanto tempo depois. Procurou não ficar pensando novamente as coisas horríveis que havia pensado antes. Preferiria encarar isso junto com Olivia.
Única coisa que gritava na cabeça de Elliot era que precisava tirá-la dali. Se Thomas estava junto a Anne com certeza não desistiriam assim e ficar ali com Olivia sem memória era vulnerável demais.
"Cragen, como vai?" disse Elliot ao telefone.
"Por enquanto Eric não disse nada, apenas pediu um advogado." Cragen respondeu pensando ser esse o interesse dele.
"Preciso de um favor urgente!" Elliot disse ansioso.
"O que aconteceu? Está tudo bem?" o Cap. perguntou preocupado com o tom de Elliot.
"Não posso responder agora, mas vai ficar tudo bem. Preciso que você consiga uma vaga na UTI neonatal e um quarto no melhor hospital de Manhattan, o mais rápido possível." ele respondeu sendo o mais objetivo possível.
"O que? Pra quem? Preciso saber o que está acontecendo, dados dos pacientes e motivo." Cragen disse ficando ainda mais preocupado.
"Não posso dizer por enquanto, mas é uma policial. Assim que você conseguir as vagas me avise que solicito a transferência aqui em Jersey. Por favor Cragen, eu imploro." Elliot pediu sério, tentando não dar margem a perguntas. Sabia que se contasse que era Olivia, Cragen acharia que ele estava louco.
"Ok. Só me garanta que não é nada ilegal o que vou fazer por você." falou Cragen por precaução.
"Não é nada ilegal Cap., fique tranquilo. Muito obrigado!" Elliot disse animado.
"Assim que conseguir ligo para você. Até mais." ele disse com um sorriso, deligando o celular em seguida. Pela empolgação de Elliot era algo realmente muito importante, e apesar de estar preocupado com a situação, Cragen confiava plenamente nele.
Hospital - Quarto de Olívia
06 de novembro
03:00 a.m.
Olivia havia contado tudo que havia acontecido ao Dr. Phill, desde os resquícios de memória até Thomas atirando.
"Quando eu cheguei no seu apartamento não havia mais ninguém, apenas uma poça de sangue... provavelmente a polícia está lá agora." disse Phill tentando acalmar Olivia, sabia que ela estava se sentindo culpada.
"Fico aliviada em saber que não a matei!" falou Olivia com um sorriso leve no rosto.
"E esse homem que te acompanhou, traz alguma lembrança, recordação à você? Qualquer coisa, por menor que seja é importante." Dr. Phill perguntou interessado.
"Quando ele me chamou, a voz soou familiar, por isso olhei... apesar de não lembrar quem ele é, nem de onde, sei que o conheço... sinto algo bom ao olhar nos olhos dele..." ela respondeu séria com o olhar profundo.
"Como quando encontrou Thomas pela primeira vez?" perguntou Phill forçando.
"Não. Quando vi Thomas pela primeira vez não senti nada bom, nenhuma recordação, nada me soou familiar... só lembro de sentir medo, mas achei normal na época pela amnésia..." disse Olivia sentindo-se culpada por não ter confiado em sua intuição.
"Você quer que eu converse com esse homem?" ele perguntou tentando passar confiança e estabilidade a Olivia.
"Você é profissional, sabe distinguir quem mente de quem fala a verdade melhor do que eu..." ela respondeu reticente. No fundo queria muito que Phill conversasse com Elliot, afinal ele foi a única pessoa que de fato a ajudou todo esse tempo e em quem ela podia confiar.
"Mas errei em não adverti-la sobre Thomas." ele disse com a expressão triste.
"Erramos." falou Olivia segurando a mão de Phill, não queria que ele se culpasse por nada.
Eles continuaram conversando por mais de uma hora, quando enfim duas enfermeira entraram no quarto com a bebê em uma cama esterilizada, coberta.
"Meu Deus..." Olivia disse emocionada ao ver sua filha pela primeira vez.
"Viemos juntá-la a você." e enfermeira disse segurando alguns panos na mão.
Olivia ergueu as mãos pedindo sua filha, precisava ver que ela era de verdade, que estava inteira e bem.
"Oii amor... sou eu... sua mãe..." disse sorrindo, chorando, acariciando o rostinho de sua filha.
"O senhor pode nos dar licença?" uma das enfermeiras peguntou ao Dr. Phill. Quanto menos gente no quarto, mais seguro era para a bebê.
"Claro. Até mais, Liv." ele disse encantado com a cena, saindo em seguida do quarto.
Olivia nem ouviu Dr. Phill se despedir, estava em outra dimensão onde só existiam elas duas.
"Podemos?" uma das enfermeira perguntou tocando no braço de Olivia, na intenção de segurar a bebê.
"Como funciona esse método canguru?" Olivia perguntou curiosa.
"Precisamos tirar a sua camisola, posicionamos a bebê no seu peito e enrolamos esse pano, mantendo ela firme em você. Esse contato com a mãe acalma e fortalece a criança, principalmente em casos como esse." a enfermeira informou, em seguida executando.
Depois de enrolada com sua filha, Olivia vestiu uma camisola aberta na frente e se encostou na cabeceira da cama.
Logo as enfermeiras saíram.
A vontade com que a pequena mamava deixava Olivia radiante. A sensação de ser mãe era a melhor coisa que já havia acontecido em sua vida.
Saguão do hospital
06 de novembro
03:25 a.m.
Assim que Elliot desligou o celular esperou um tempo, tomou café, decidindo em seguida tentar falar com Olivia novamente, mas quando estava chegando no quarto trombou com Dr. Phill saindo.
"Você que acompanhou Olivia até aqui?" perguntou Dr. Phill.
"Sim. Quem é você?" Elliot disse estranhando a situação.
"Dr. Phill, psicólogo e amigo de Olivia." se apresentou estendendo a mão.
"Amigo... eu sou Elliot Stabler." ele disse debochando do homem, em seguida estendendo a mão.
"Podemos conversar no saguão? Ela está com as enfermeiras agora." Phill falou conduzindo ambos a outro lugar.
"Como vocês se conheceram?" perguntou Elliot curioso com essa 'amizade' dos dois.
"Fui eu quem encontrou Olivia... acompanhei sua evolução e acabamos nos tornando amigos." - Phill respondeu calmo, percebeu que o homem a sua frente estava com ciúmes. - "Como você pode perceber ela perdeu a memória. Você a conhece de onde?"ele completou ficando sério.
"Eu sou ex-parceiro dela... trabalhamos juntos por mais de doze anos na polícia de New York..." Elliot disse com um sorriso melancólico. Queria poder dizer que Olivia era a mulher da vida dele, ou que eram namorados, mas nada disso era real, eram apenas sonhos e vontades.
"Nossa, quanta diferença!" Phill soltou involuntariamente comparando mentalmente com a história de Thomas.
"Do que você está falando?" Elliot questionou irritado.
"Desculpe, pensei alto... Olivia policial, é bem diferente do que Thomas disse e do que acreditávamos." respondeu Phill sendo o mais sincero possível.
"Aquele filho da puta... Olivia esteve com ele? Você tem ideia de quem ele realmente é?" Elliot se exaltou com a hipótese de sua Liv ter passado todos esse meses com Thomas.
"Na realidade eles moraram juntos todo esse tempo, segundo Thomas eles era casados, e como a própria polícia confirmou as identidades e documentos, acreditamos." ele respondeu assustado com a mudança repentina na expressão do homem a sua frente. A respiração ofegante, as pupilas dilatadas e a vermelhidão no rosto, indicavam sérias alterações emocionais.
"O QUE? Thomas e Olivia morando juntos?" Elliot gritou descontrolado.
Sítio
06 de novembro
00:15 a.m.
Não importava o tanto de força que ele fizesse para se soltar da maca, nada surtia efeito. Anne com o olhar ainda vidrado se afastou, dando espaço para o médico.
"Pode castrar!" ela disse excitada, dando a autorização necessária para o médico começar o procedimento cirúrgico.
Durante todo o procedimento Thomas chorou feito uma criança. A anestesia foi local, o que não adiantou muito.
Anne em nenhum instante demonstrou arrependimento ou pena dele, ao contrário, ria como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo.
O médico já havia ido embora. Anne pediu que os homens se retirassem. Assim que fechou a porta, se aproximou de Thomas, e jogando um pouco de álcool no rosto dele, o acordou.
"Calma... o médico já foi embora, somos só nós dois agora." ela disse sorrindo, acariciando delicadamente o rosto dele.
"V- você é doente! Vadia! Eu vou..." ele disse transtornado tentando se soltar.
"Vai o que? Me estuprar? Ops... não pode mais!" ela disse com a mão na boca demonstrando espanto de forma debochada.
"Filha da puta! Vou te matar!" ele gritou voltando a chorar.
"Realmente uma pena não poder mais me divertir com você... até que era gostoso. Enfim, vamos direto ao assunto. Eu sei que um dos seus sonhos era ser pai um dia, mesmo sendo esse mal caráter que você é, sempre teve um sentimento a mais por crianças, de cuidar... agora sem seu instrumento reprodutor ativo, não existe mais essa possibilidade." - Anne começou a falar analisando as reações de Thomas.
"Olivia estava grávida, e como bem sabemos ninguém sabia quem era de fato o pai da filha que ela esperava, até porque todos se aproveitaram, inclusive você! Ou seja, existe a possibilidade de a filha de Olivia, ser sua filha também..." Anne completou começando a jogar com os sentimentos de Thomas, que de inquieto, passou a ter um novo brilho no olhar.
N/A: REVIEWS!
