N.A.: Finalmente, com um pouco de atraso, saiu. Mais capítulos saindo do forno, quando eu souber quando será a próxima att, eu aviso aqui! Abraços à todos que ainda leem Alvitre! Até!
Capítulo 25: O Ato de Confiar
"Diga-me, Senhor Gilbert, porque quer o dispositivo?" A vampira Pearl perguntou polidamente ao homem sentado à sua frente. O Grill àquela hora da noite sempre estava vazio, então não haveria problemas de bisbilhoteiros tentando ouvir o que os dois tratavam no momento.
"O porquê de eu querer não te diz respeito," O Gilbert falou, usando as mentiras para formar seus argumentos. "o que é de seu interesse, é como eu posso ajudar você, se você me ajudar primeiro."
"Então, hipotéticamente falando, se eu entregar o dispositivo à você, o que você faria por mim?" ela entrou no jogo para tentar descobrir as intenções daquele homem enganador.
"Eu sou bem relacionado nessa cidade, o conselho que cuida de Mystic Falls escolheu ouvir à mim antes de qualquer pessoa para tomadas de decisões, eu tenho em mãos o poder de escolher quem pode morar aqui e quem não pode. E eu sei que você só quer viver uma vida normal depois de tanto sofrimento, então eu posso ajudar." Ele soava quase convincente.
Se a vampira não tivesse algumas centenas de anos a mais de malícia do que John Gilbert, ela acreditaria em cada palavra que ele havia recitado. Ela só precisava ouvir mais uma mentira antes de confirmar o fato de que não confiava naquele homem enganador. "O dispositivo nunca funcionou em todos esses anos, então o que fará com ele?"
"Tem um valor sentimental."John respondeu quase que imediatamente, passando os dedos longos sobre seus lábios, num claro sinal de insegurança.
Pearl sorriu brandamente com a extenção que aquilo tomava, mentira atrás de mentira. "Entendo, de fato, é uma peça bastante interessante, Johnathan era genial demais para época em que viveu."
"Oh, sim, eu li alguns dos diários dele," John respondeu ao comentário abertamente. "coisas muito complexas..." ele continuou. "Ele mencionou você algumas vezes."
A atenção de Pearl se voltou completamente para John, esquecendo-se completamente dos garçons que passavam de vez em quando perto da mesa onde estavam. Ela não queria acreditar naquelas palavras, mas pensar na mínima possibilidade de que Johnathan sentiu por ela o mesmo carinho que ela sentiu por ele era muito reconfortante. Ela ficou em silêncio, dando sala para John continuar.
"Você foi o único arrependimento dele. Ele amava você, e se odiou eternamente pelo que ele fez com você."
Pearl ouviu as palavras com dor nostágica, mas não deixou transparecer em seu rosto o sentimento de náufrago que seu coração passava no momento. "Em seus últimos dias, ele escreveu como ele sentia sua falta. Você foi a única mulher que ele amou." John soou convincente o suficiente para fazer Pearl sentir o peso daquelas palavras.
Ela quebrou o contato de olhos com o homem, virando-se de lado e lembrando-se do rosto de seu amado, aquele rosto que lhe passava segurança e ao mesmo tempo, fazia-a se sentir numa louca aventura. Seus olhos arderam com lágrimas com a possibilidade daquelas palavras serem verdadeiras, confirmando um amor abruptamente interrompido. Mas quando perdida em pensamentos e sentimentos, ela ouviu a risada de escárnio de John quebrando o silêncio que ela estava tão bem acostumada.
"Deus do céu... vampiros,- vocês são tão emotivos." John riu deliberadamente. "Johnathan Gilbert odiava você, o único arrependimento que ele teve foi o de não ter te matado com as próprias mãos." Ele terminou desacreditado de quão fácil era enganar aquelas criaturas.
Pearl ouviu as palavras friamente, se punindo mentalmente por ter acreditado por somente um segundo naquele homem. Desde quando ela precisava de palavras de conforto? Desde quando o amor por um homem era necessário para ela se sentir mulher e segura? "Oh, eu vejo." Ela sorriu forçadamente. "Você gosta de joguinhos, então adorar esse que eu vou te ensinar, Sr. Gilbert."
John perdeu as curvas de sarcasmo de seu rosto quase instanteneamente, e ouviu atentamente às palavras da vampira.
"O dispositivo? Está com Damon."
"O quê?" ele perguntou espontaneamente.
"Eu dei à Damon." Ela repetiu calmamente, contente ao ouvir o tom de desespero na voz do homem que acabara de lhe causar dor. "Porque não vai pedir à ele? Eu acho que Damon vai ficar muito feliz com a sua visita. Eu fiquei sabendo que ele é quase parte da família, ele e o irmão dele, Stefan."
"Sua vaca estúpida." A voz dele não passava de um sussuro.
"A única coisa estúpida aqui é a sua atitude," Pearl respondeu com classe, levantando-se devagar. "e ela acabou de esgotar suas possibilidades." Ela pegou seu casaco e se vestiu sem pressa.
"Você se arrependerá por isso." As curvas de insatisfação no rosto do de John podiam ser vistas de quilômetros de distância.
"Vá se danar, Sr. Gilbert."
A vampira se virou e saiu do recinto sem perder a postura elegante por um só minuto, mas sabendo que o seu próximo passo seria sair daquela cidade para sempre, se ainda tivesse o desejo de viver.
Stefan abriu as cortinas para deixar a luz matinal entrar em seu quarto e aquecer sua pele que parecia não encontrar o sol há décadas. Ele fechou os olhos contra a claridade e sentiu todo seu corpo se aquecer; ele estava em casa. Estava em casa, no entando não se sentia dessa forma. O novo sangue que corria em seu corpo não saciava sua necessidade de libertação. A noite o chamava e ele gostava daquele chamado. Ele sentia uma parte dele que dizia para desligar todos os sentimentos, e ele relutava a cada segundo, dizendo não. Não, porque havia um motivo maior para mantê-lo no mundo dos humanos. O motivo era a pessoa com que ele mais se importava nesse mundo, Elena.
Sua Elena que o fazia ter vontade de continuar nessa vida de fachada. Sua Elena, que não era tão mais sua, ele se corrigiu mentalmente. A cada passo que ele deu em diração às sombras, foi um passo que ele se afastou dela, e um passo que Elena se aproximou de Damon. Era uma cadeia inevitável, ele concluiu, tentando não culpar o irmão ou Elena pelos acontecimentos; pessoas se afastam, pessoas se aproximam, era o sentido da vida.
Mas o sentido da vida doía, de fato, e a realização de quão próximos estavam seu irmão e sua namorada era mais doloroso que a mente e o coração aguentariam. A forma com que ela se movia aos movimentos dele, o jeito que um sorriso dele fazia com que os lábios dela se curvassem sutilmente, a maneira como seus rostos se iluminavam quando se viam; e o pior de tudo, se era possível ficar pior, era a tentativa de disfarce quando os três estavam no mesmo recinto, como se Stefan não conseguisse cortar a tensão com uma faca.
Sentir Elena escapando entre os dedos levava Stefan a querer desistir de tudo que sentia para evitar a dor futura, mas toda vez que estava prestes a se entregar, ele sentia o frio do metal contra seu peito, o frio da morte de alguém que ele poderia ter amado, então toda a dor se instalava de novo, confortavelmente em seu peito, exatamente ali, no lugar a qual pertencia.
Ele inspirou calmamente, sentindo o ar empoeirado do recinto adentrar suas narinas e lentamente soltou o ar, na esperança de que algumas de suas preocupações fossem junto. Stefan não deveria ficar pensando nisso, pois sem provações, suas especulações não levariam a nada. Dessa forma, ele vestiu a primeira camiseta que encontrou jogada em cima da cama e decidiu ir se alimentar.
Ao descer as escadas, Stefan passou ao lado da sala e encontrou Damon olhando para o pequeno dispositivo que ele havia mencionado brevemente na noite passada. Stefan parou por alguns segundos, "Ainda sem sorte?" o Salvatore mais novo perguntou.
"Nah, ainda não descobri para o que isso serve." Fechando o objeto em uma das mãos, Damon bebeu de um copo de uísque que pousava no braço do sofá e continuou, agora olhando para o irmão. "Mas pedi a Elena para vasculhar nos diários da família dela, afinal, isso é uma invenção Gilbert." Ele voltou a abrir a mão para olhar o pequeno e curioso artefato.
Stefan franziu o cenho. "Quando falou com Elena?"
Damon desviou seu olhar do pequeno objeto e olhou para o irmão. "Ontem, ela veio aqui, mas você estava dormindo." Damon falou, sorrindo mentalmente.
"Ela falou o que queria?" Stefan insistiu.
Damon somente balançou a cabeça negativamente, lembrando do beijo que ele e sua amada dividiram no dia anterior. Ele tinha que vê-la ainda hoje; a vontade de estar junto à ela aumentava gradativamente.
Stefan notou como Damon estava diferente e até estranho depois que voltou da viagem até sua terra natal, mas decidiu não comentar nada, afinal, o que ele diria? Ele continuou seu caminho até à cela e lá encontrou o freezer de sangue que já tão bem conhecia. Abriu-o e pegou uma bolsa de sangue em mãos, sentindo aquele cheiro dilatar todo o seu corpo. Ele se controlou, repelindo a vontade de soltar a fera que morava dentro dele, e devagar começou a beber o sangue. Stefan bebeu e bebeu e bebeu até nada ser deixado dentro da bolsa e mais uma vez, respirou fundo e se controlou. Talvez, quem sabe, ele conseguisse fazer isso afinal de contas.
O vampiro refez o caminho até seu quarto à procura de seu celular, assim que o avistou encima de sua cama, vasculhou entre os últimos números discados e discou.
"Alô?" Elena atendeu seu celular corriqueiramente.
"Elena? Damon disse que veio me procurar ontem."
A moça gaguejou ao ouvir o nome de Damon na boca de Stefan. "Ah-h, bem, eu fui sim, mas você estava dormindo."
"Queria algo importante?"
Elena se acalmou devagar. "Só ver você."
Stefan sorriu com aquelas palavras, que apesar de ele querer que fossem verdadeiras, já não tinha tanta certeza. "Eu estou bem, só cansado da viagem."
"Oh, tudo bem então. Eu passo aí mais tarde. Agora estou na casa da Bonnie." Elena olhou para a amiga, que assistia à cena atentamente.
Antes de Elena desligar, Stefan a chamou mais uma vez. "E Elena?"
"Sim?"
"Teve algum progresso em descobrir sobre o dispositivo?"
"Ah, nenhum progresso, mas vou procurar mais."
Os dois desligaram o celular e Bonnie arqueou as duas sobrancelhas em questionamento. "Progresso em quê?"
Elena sorriu com a careta da amiga. "Mais uma coisa que eu não contei à você." Ela olhou para a amiga que estava sentada ao seu lado no sofá e começou a explicar sobre o misterioso dispositivo. "Há um artefato inventado por Johnatan Gilbert, e é muito parecido com aquela bússula que apontava para vampiros, mas não sabemos para o que realmente serve." Ela colocou uma mecha de cabelos atrás da orelha. "Está com Damon agora e ele está tentando descobrir o que significa, mas não teve sucesso. Ele acha que tem alguma relação com John, meu pai, querer dizimar os vampiros da cidade."
"Ainda não acredito que John Gilbert é seu pai." Bonnie pensou em voz alta.
"Nem me fale." Elena concordou sem perceber. "Não sei se vou conseguir um dia olhar para ele como uma figura paterna." Ela confessou.
"Tente não pensar muito sobre isso." Bonnie aconselhou amigavelmente.
"Estou tentando..." a moça sorriu tristemente.
"Elena," a pequena bruxa se ajeitou no sofá "todos os problemas vão embora eventualmente, não se preocupe."
"Não é o que está parecendo."
"Por que diz isso?" Bonnie não entendia porque Elena estava tão emburrada com a vida.
"Bem, primeiro eu descubro que John Gilbert, um homem que eu sempre odiei é meu pai, depois eu descubro que ele tem um plano para dizimar todos os vampiros da cidade, inclusive, Stefan e Damon, e ainda..." Elena parou por alguns segundos, poderando se deveria continuar ou não.
"E ainda, o quê?" A amiga perguntou.
Elena olhou para Bonnie, encontrando dois olhos vigilantes olhando de volta para si; a bruxa, que também era sua amiga, se tornara uma de suas maiores protetoras e confidentes. Elena não podia esconder nada dela, não tinha a capacidade para fazer isso.
"Stefan..." Ela começou. "ele não voltou o mesmo."
"Você também não."
Elena olhou imediatamente para a amiga, esperando uma resposta mais completa, mas não obteve nenhuma. "Eu sei... acho que essa viagem também me mudou."
"Não foi a viagem." Bonnie tentava guiar Elena para a resposta que ela não queria ver.
"Olhe, Elena, eu sei que Stefan passou por muitas provações enquanto ele esteve fora, e que isso pode ter mexido com a personalidade dele, mas você tem que entender que você também não é mais a mesma." Bonnie explicou calmamente. "Seus olhos estão diferentes, seus movimentos, - é como se você estivesse esperando por algo que eu não faço idéia do que possa ser. O que aconteceu com você que te deixou tão diferente?"
Elena respirou fundo, sabendo sobre o que Bonnie se referia. Era tudo muito claro para ela."Damon."
"Oh.. eu sabia." Bonnie passou a mão pelos cabelos. "Eu sabia que ele estava envolvido nisso. O que aconteceu?"
Elena respirou fundo tentando explicar o que exatamente havia acontecido. "Eu-eu, nós- nós abrimos um tipo de canal... onde a gente consegue se comunicar sem precisarmos conversar verbalmente."
"Vocês conversam mentalmente?" A bruxa pareceu perplexa. "Oh, deus, e o que mais aconteceu?" ela sabia que havia coisas que a amiga estava omitindo.
"Nós nos beijamos." Elena não tinha nenhuma linha de remorso em seu rosto.
"Vocês se beijaram?"
"Sim."
"Eu não acredito nisso!" Bonnie não conseguia entender como Elena estava tão calma ao dizer aquelas palavras. "Elena, e Stefan?"
"Stefan não sabe."
"Você vai contar à ele? Vocês ainda estão juntos, de fato?" Bonnie parecia perder mais o controle a cada segundo.
"Bonnie, por favor, não torne isso mais difícil do que já é." Elena implorou. "Eu não sei o que vou fazer com relação à Stefan e Damon. Pelo menos não agora." Ela tentou esclarecer. "Mas isso não vai fazer diferença nenhuma se eu não conseguir tirar essa idéia idiota da cabeça de John." Ela falou.
"É, você tem razão." A amiga se acalmou. "Por que ele quer matar os dois?" Bonnie ainda não entendia.
"Ele disse algo como se a minha família fosse encarregada na 'limpeza da cidade." Elena enfatizou. "Ele é doentio. Eu tenho que descobrir porque ele quer aquele dispositivo, e para que ele serve."
O celular de Elena apitou, mostrando que uma mensagem havia chegado. Ela leu rapidamente e se voltou para a amiga novamente. "Eu tenho que ir, Stefan está me chamando para a mansão." Elena se levantou agilmente e vestiu seu casaco. "Nos falamos mais tarde, Bonnie."
"Tudo bem, eu ligo." A bruxinha levou a amiga até a porta de sua casa, pensando no que ia fazer logo em seguida: procurar o significado daquela ligação entre sua amiga e Damon.
Elena entrou na mansão planejando se dirigir para o quarto de Stefan, mas quando passou pela sala de estar, encontrou uma pequena platéia no aguardo. Stefan, Damon e Alaric, todos sentados, com expressões preocupadas.
"Elena, que bom que está aqui." Stefan se aproximou a passou um braço protetor pela cintura dela.
Com o movimento, Elena olhou para Damon e o procurou mentalmente; ele estava lá, como sempre, mas decidiu não falar nada para não perder o foco. "Algum problema?" ela perguntou com o cenho franzido.
"Sim, Elena." Alaric se levantou do sofá e olhou para sua aluna. "Isobel está em Mystic Falls."
Elena sentiu um pouco de seu ar escapar e sua respiração perder o controle.
Fique calma. Ela ouviu uma voz sussurrar em sua mente, e devagar fechou os olhos, se acalmou e voltou a abri-los. "Como sabe disso?"
"Ela me procurou." Alaric respondeu, percebendo que a notícia tivera um impacto negativo, assim como ele imaginava.
"O que ela quer?" Elena se perdeu nas dúvidas por alguns segundos.
"Ela quer ver você." O professor explicou. "Quer que eu arranje um encontro entre vocês duas."
"Você não precisa ir se não quiser." Damon falou em voz alta, mas como se somente estivessem os dois na sala.
"Na verdade," Alaric continuou, "Isobel deixou bem claro que se Elena não fosse, ela começaria a matar pessoas da cidade."
Os olhos de Elena percorreram todos da sala. "Acho que não tenho escolha."
