CAPÍTULO XXXIV

Enquanto isso na área vip…

– Você teve muita sorte Lauren! - O tom de Kate deixou claro seu desagrado, havia se doído por Bella. - Porque se fosse comigo, eu teria acabado com você! Vem amor, vamos dançar! - estendeu a mão para o marido que prontamente a aceitou, saindo em direção a pista.

– Qual é o seu problema Lauren? - Alice exigiu ao se colocar de pé, estava com a loira atravessada na garganta por sua ousadia.

– Alice! - Jasper a repreendeu.

– Qual o seu problema garota? O que foi que deu em você? Por acaso te incomoda a felicidade dele? Porque não sei se notou, mas Edward está feliz! Bella o faz feliz, estão juntos, são namorados, será que não consegue respeitar isso?

– Eu não fiz por mal! - disse em sua defesa, um beicinho se formou em seus lábios. - Nós sempre nos tratamos desta forma e juro que não vi algum em …

– Se atirar encima dele? Não me tome por idiota Lauren, e desfaça esse beicinho, porque comigo não cola! - esbravejou. - Sei melhor do que ninguém que você e Edward tiveram lá seus momentos, mas as coisas são diferentes agora!

– E porque seriam? Só porque está namorando? Isso não significa que…

– Acredita mesmo que Bella permitirá que se atire nele toda a vez que o vir?

– Ed e eu somos amigos há muitos anos, ele mal a conhece!

– Ele a ama!

– Ora Alice, não vamos exagerar, Ed pode até gostar dela, mas amor? Qual é?

– Meu irmão está completamente apaixonado por Bella… - Emmett interveio. - A ama de verdade, como jamais pensei ver algum dia!

– A agrade ou não, Edward e Bella estão juntos! - Alice voltou a afirmar. - Te aconselho a baixar tua bola, porque digo e repito, Bella não vai engolir calada você dar em cima do namorado dela descaradamente, estamos entendidas?

– Alice! - Jasper voltou a repreendê-la.

– Ah! E só mais uma coisa! Bella é a mulher que o Ed e escolheu, para compartilhar a vida, a casa e sua cama, aceita que dói menos minha cara! - disse antes de sair, levando o noivo consigo.

– Vem Rose, vamos dar uma volta! - Emmett fez o mesmo, outros os seguiram, somente Félix permaneceu com Lauren que estava estranhamente calada, tinha as mãos aferradas a grade.

– O que foi aquilo Lauren? Tudo bem que você e o Ed tiveram lá seus momentos, mas porque resolveu do nada dar em cima dele, não acha que exagerou?

– Não é justo Félix!

– O que? O cara se apaixonar?

– Isso é coisa da Alice! - desdenhou.

– Engano seu, ela tem razão no que diz, Edward está completamente apaixonado por Bella, a ama de verdade, assim como ela o ama!

– Não pode ser! O Ed sempre foi focado em sua carreira, completamente avesso a compromisso! - falou como se fosse óbvio, sua raiva era latente.

– Isso foi antes de conhecê-la! Bella mexeu com Edward de um modo que nenhuma outra conseguiu! O cara é louco por ela!

– Veremos!

– O que foi? Finalmente resolveu assumir que sempre foi a fim dele? Assim do nada? - Lauren lançou um olhar mordaz ao amigo. - Não me olhe assim loirinha, ficou claro como água!

– Não se meta Félix!

– Tudo bem! - ergueu as mãos em rendição. - Mas Alice está certa, aceita que dói menos!

– Eu estive ao lado dele por anos… Praticamente crescemos juntos e do nada aparece essa…

– Meça suas palavras Lauren! - exigiu sério. - E pra ser sincero com você, eu o entendo perfeitamente! Aquela garota é diferente de tudo que conhecemos, diria que é quase impossível não se apaixonar por ela, porque Isabella Cullen é única em tantos sentidos, e acho muito, mas muito difícil você superar isso!

– Qual é o seu problema Félix? Também caiu de amores por ela? Está apaixonado pela namorada do seu amigo?

– Ela o escolheu e apesar de achá-la uma mulher interessantíssima, estou feliz por eles, o Ed precisa de uma mulher como Bella ao seu lado, ela faz bem a ele em todos os sentidos!

– Você é um idiota!

– E você está sendo o que? - novamente a loira lhe lançou um olhar mordaz. - Ele nunca te viu com outros olhos Lauren, vocês viviam aos beijos e amassos por ai, mas o Ed sempre te viu como uma amiga, nada mais do que isso! Acha mesmo que agora que tem tudo com o que sempre desejou permitira que destrua? Acorda menina! - sem mais saiu, deixando a loira enfurecida, porque lá no fundo sabia que Félix falava a verdade, seu sonho de menina nunca esteve mais distante. Olhou para a pista e cerrou as mãos em punho ao ver o casal dançando entre beijos e sorrisos.

– Inferno! Maldita garota! Era pra ele ser meu… Só meu!

Aos poucos o pessoal voltava para a área vip, assim como Edward e Bella, o papo era do mais diversificado e tanto Edward, quanto Bella, agradeceram mentalmente pelo fato de ninguém tecer comentários sobre o que houve, pelo menos diante deles.

– Eu e Alice conversamos muito e enfim acertamos a data do casamento! - Jasper anunciou com um imenso sorriso.

– Oh meu Deus, isso é incrível! - Bella disse feliz pelo irmão e a amiga. - E pra quando é?

– Quero me casar na primavera, então será em maio, provavelmente na primeira quinzena!

– Jura? Meu aniversário é em maio! No dia treze!

– Que coincidência! - ouviu Kate dizer.

– É verdade, eu não sabia, algum problema pra você as datas serem próximas? - havia preocupação no tom de Alice.

– Claro que não, você vai se casar mulher! - comemorou indo até a amiga, a abraçou forte, fazendo o mesmo com o irmão. - Estou muito feliz por vocês dois! - es estava sendo sincera.

– Obrigada… - Alice agradeceu. - E de antemão gostaria de convidá-la para ser a minha madrinha! - a proposta pegou a jovem de surpresa.

– Eu? Tem certeza disso?

– Além de minha cunhada, é minha amiga, e quero você ao meu lado, me ajudando a realizar o sonho de me tornar uma Cullen!

– Apesar de não entender nadica de nada sobre casamentos, será uma honra estar ao seu lado Alice!

Obviamente Jasper convidou Edward e Emmett para ser seus padrinhos, assim como Garrett, Petter. Kate, Charlotte e Rosálie seriam damas de honra ao lado de Bella. O restante da noite não se falou de outra coisa a não ser o casamento de Alice e Jasper.

– Juro que por essa eu não esperava… - Bella disse no carro, estavam a caminho do apartamento de Edward. - Sabia disso?

– Não, nenhum dos dois me disseram nada! Fiquei tão surpreso quanto você!

– Estou feliz por eles, é visto e notório o quanto se amam.

– Você não tem ideia do quanto! Eu os apresentei, está lembrada?

– Sim, Alice me contou algumas dezenas de vezes essa história! - falou divertida. - Pelo visto estarei bem ocupada até o início das aulas, afinal se trata nada mais, nada menos do que o casamento de Mary Alice Brandon e Jasper Whitlock Cullen!

– Tem razão! - Edward concordou sorrindo. - É bom porque quando for o nosso saberá exatamente o que fazer, quem sabe não seremos os próximos? - Bella o olhou surpresa. - O que? Não me olhe assim, venho pensando muito no assunto!

– Que assunto?

– Casamento, obviamente!

– Você? O senhor avesso a compromisso? - Edward estreitou o olhar e a risada de Bella preencheu o carro. - Estou brincando seu bobo, então quer dizer que anda pensando em casamento?

– Digamos que seja algo que venho amadurecendo!

– Hmm… E será que eu poderia saber com quem andou amadurecendo esta ideia?

– Ah! - deu de ombros entrando na brincadeira. - Conheci uma garota!

– E ela é bonita?

– Oh sim, é linda! Muito, mas muito gostosa, na verdade é deliciosa!

– Edward! - a ignorou prosseguindo.

– Meio desastrada e desatenta, tem um gênio e tanto! É teimosa e esquentadinha, mas, ainda assim, eu a amo! - a jovem estreitou o olhar, mas não conteve o riso ao ouvir a gargalhada deliciosa dele. - Essa garota mudou a minha vida e sim, eu pretendo me casar com ela. - o coração de Bella batia tão forte e acelerado que por um momento pensou que saltaria se abrisse a boca.

Finalmente haviam chegado ao apartamento, subiram entre beijos cada vez mais urgentes e assim que as portas do elevador se fecharam, Edward a imprensou contra a mesma, tomando sua boca em um beijo voraz, urgente.

– Você fica muito gostosa com esse vestido… - disse entre beijos que distribuía por sua pele. - Mas fica ainda mais sem ele! - rapidamente encontrou o fecho do mesmo deslizando o zíper com uma agilidade surpreendente.

– Edward… - ouviu seu nome sair entre gemidos de prazer, aquilo soava como música aos seus ouvidos. Suas mãos passeavam por todo o corpo dela, onde seus lábios não tocavam, suas mãos estavam lá. - Edward… - Me toma de uma vez! - Bella pediu entre arfadas, precisava senti-lo dentro de si, ou enlouqueceria.

– Quer que eu te tome, Bella? E como quer que eu o faça? Me diz. - pediu sem parar de beijar a pele, de lhe acariciar os seios e apalpar sua bunda.

– Do jeito que quiser… Como desejar… Sou toda sua Edward, completamente sua! - seu olhar encontrou o dele, luxúria e desejo exalavam daqueles lindos olhos verdes, Edward a ergueu e Bella o enlaçou com suas pernas. Subiu com ela em direção ao quarto e uma vez lá dentro fez exatamente o que havia pedido, mostrando a jovem diferentes formas de se amar, uma mais intensa e excitante que a outra até estarem completamente saciados.

– Nunca notou que ela é apaixonada por você? - Bella perguntou quebrando o silêncio agradável que preenchia o quarto, o cheiro de sexo ainda pairava no ar, seu coração batia acelerado devido à intensidade do orgasmo que atingira.

– Do que é que você está falando? - perguntou surpreso.

– De quem mais Edward? Daquela sua amiga atirada, a Lauren! - falou como se fosse óbvio.

– Lauren não é e nunca foi apaixonada por mim! - afirmou ao sentar-se, recostando na cabeceira da cama, o lençol lhe cobria estrategicamente as partes. - Ainda estou tentando entender o que é que deu naquela maluca pra agir da forma que agiu! - sua namorada o encarava com uma sobrancelha arqueada.

– Quer mesmo que eu acredite nisso? - Edward bufou revirando os olhos.

– Tá, como disse a você anteriormente, tivemos lá nossos momentos, mas…

– Oh sim, eu me lembro muito bem, o ponto é, realmente nunca notou que aquela mulher é apaixonada por você?

– Pra ser sincero com você, não! Sempre achei que fosse tesão, sei lá! Confesso que sempre rolou uma atração entre nós e costumávamos dizer que se não encontrássemos alguém, se nunca nos apaixonássemos, ficaríamos juntos! Faríamos companhia um ao outro até ficarmos velhinhos! Era uma brincadeira que fazíamos desde crianças… - se apressou em dizer ao notar um brilho diferente nos olhos de Bella. - Nunca fiquei com alguém a ponto de me envolver seriamente e até onde sei, Lauren também não!

– Está justificando o fato dela dar em cima de você descaradamente diante de todos?

– Não! Não é isso amor! Nós não nos vemos e sequer nos falamos há um bom tempo, sei lá, talvez Lauren esteja confundindo as coisas, eu realmente não sei dizer.

– Acredita mesmo nisso? Vocês transaram Edward, está lembrado?

– Já disse que foi um erro, aquilo jamais deveria ter acontecido! Éramos amigos e eu prezava e prezo muito a amizade que tínhamos pra deixar uma coisa como sexo estragar tudo! - bufou revirando os olhos. - Havíamos bebido demais e…

– Ta… Ta… Ta… Não precisa repetir! O que estou querendo dizer é que você pode não ter se apaixonado, mas ela pode, concorda?

– Se este for o caso? Se Lauren estiver mesmo apaixonada? Só tenho a lamentar, porque o meu coração já tem dona… - sorriu a puxando pra si. - E ela me tem completamente!

– Folgo muito em saber!

– Quanto a Lauren? Acredito na hipótese de que tenha ficado enciumada por eu ter finalmente encontrado alguém, sei lá! - deu de ombros.

– E isso não soa estranho pra você? Afinal, você eram somente amigos, certo?

– Sim, mas apesar de ser uma garota incrível, Lauren sempre foi muito mimada e digamos que um tanto possessiva.

– Oh Deus, mais uma? - dramatizou, o provocando.

– Engraçadinha!

– Eu falei sério Edward, não vou permitir que aquela mulher se entreponha entre nós, já não basta ter que lidar com Tanya e aquela ruiva sebosa, detestável! Não vou engolir calada as investidas da loira atirada, contra você!

– Prometo ter uma conversa com ela e deixar as coisas bem claras, sinceramente espero que jamais volte a acontecer, desculpe!

– Desta vez a culpa não foi sua, agora o que acha de me dar um beijo… - pediu passando uma das pernas sobre ele, sentando-se em seu colo, de frente para Edward. - E esquecemos que aquela loira irritante existe! - ele sorriu infiltrando sua mão pelos longos cabelos encontrando sua nuca, a segurando firme.

– Uma excelente ideia! - disse antes de beijá-la com paixão.

Na noite seguinte…

Isabella estava um tanto apreensiva, não queria ter o desprazer de cruzar com Tanya, mas sabia que seria inevitável. Rosálie já não a preocupava mais, desde o jantar que havia mudado, ainda tinha aquele nariz em pé, mas as insinuações e provocações cessaram completamente. Alice insistia em dizer que Emm finalmente havia a colocado em seu lugar, segundo a amiga, tiveram uma discussão pesada.

Mas a jovem sabia que com Tanya as coisas seriam deferentes, a vadia não perderia a oportunidade de destilar seu veneno, na realidade, o que a preocupava era o avô! Não queria expô-lo a novas discussões, sabia o quanto aquilo o afetava, e a outra parecia não se importar com aquilo.

– Oh meus queridos, que bom que chegaram! - Esme os saudou, a mulher estava em êxtase com o casamento de Jasper e Alice.

Emmett e Rosálie também estavam lá, assim como Jasper e Alice, seu avô Eric e Tanya, com um sorriso sínico e aquele ar arrogante e superior. O casal cumprimentou a todos, Bella se limitou a um simples aceno ao cumprimentar Rosálie assim como fez Edward, mas a presença de Tanya foi simplesmente ignorada, uma coisa era ter que aturá-la, outra era ser hipócrita!

– E ai? Ansiosos para a viagem? - Eric perguntou chamando a neta para junto de si.

– Já está tudo pronto, confesso que estou um tanto nervosa, nem acredito que vou conhecer a Europa! - Tanya revirou os olhos o que não passou despercebido por Carlisle, Esme e principalmente Edward.

– Você vai adorar, tenho certeza! - disse estalando um beijo terno na testa da jovem.

– Espero que volte bem-disposta, porque teremos muito trabalho pela frente! Tenho tanta coisa pra fazer e você como a minha madrinha vai me ajudar, não é?

– Claro! Pode contar comigo!

– Isso é bom, assim quando chegar o de vocês dois, saberá exatamente o que fazer! - Esme havia repetido as exatas palavras do filho.

– Hump! Até parece que isso vai acontecer! - Tanya desdenhou, sendo ignorada por Bella e Edward, Esme lhe lançou um olhar cortante o qual simplesmente ignorou. - Ou talvez aconteça, afinal, que melhor forma de assegurar que a fortuna Cullen permaneça na família, não é mesmo?

– O que está insinuando? - Carlisle exigiu incomodado.

– Que agora compreendo todo o interesse dele em sua filha!

– Olha aqui Tanya, eu…

– Já basta! - Eric exigiu um tanto exaltado. - Meu neto jamais se prestaria a isso! - afirmou convicto. - Mesmo porque a fortuna particular de Edward quase se equipara a nossa? Agora se não é capaz de permanecer no mesmo local que minha neta sem destilar seu veneno, sugiro que se recolha aos seus aposentos e nos poupe de suas provocações e insinuações desagradáveis, Tanya!

– Mas, titio, eu…

– Vá! - Tanya estreitou o olhar, bateu o pé e saiu esbravejando algo ininteligível. - Me desculpe por isso querida! Está cada vez mais difícil conviver com seus desmandos!

– Não se preocupe vovô, o que ela diz entra por um ouvido e sai pelo outro!- o velho Cullen sorriu jogando seu braço sobre o ombro da neta.

– Gostaria de poder fazer o mesmo! Pode me emprestar sua namorada por um instante? - perguntou ao neto.

– Me devolvendo depois! - brincou piscando para a jovem.

– Vem comigo filha, tem algo que quero lhe dar já faz um tempo!

– E o que é? - perguntou curiosa.

– Me acompanhe e saberá! - Bella assentiu o acompanhando, seu avô a levou até a biblioteca. - Sente-se filha, pediu indicando a cadeira, ele seguiu para a enorme mesa abrindo uma das gavetas, a jovem viu o avô pegar um estojo aveludado, um estojo de joias.

– Mas, o que… O que é isso? - perguntou quando o avô lhe estendeu o mesmo.

– É oficialmente uma Cullen! - falou como se fosse obvio. - Não sei se notou, mas todos nós usamos uma joia com o brasão da família. Carl e eu usamos o anel… - mostrou o mesmo a neta. - Os garotos optaram por um bracelete, e quando Esme se tornou uma Cullen, meu filho mandou fazer um bracelete para ela, Rosálie recebeu um colar de Emmett.

– Sim, eu notei vovô.

– Pois então, eu gostaria que ficasse com isto, pertenceu a sua avó Anne, ele foi de minha mãe, que fez questão de entregar a minha esposa!

– Sendo assim, porque não o entregou a Esme, quando papai se casou?

– Porque eu sonhava entregá-lo a minha neta, e quando seu pai se casou soube que isso jamais aconteceria, por isso o guardei. Não que Esme não fosse merecedora, mas é que…

– Compreendo!

– Sua avó costumava usá-lo o tempo todo, não o tirava do pescoço, aceite-o é seu Isabella! - a jovem soltou um longo suspiro, abriu a caixa lentamente, seu coração deu um sobressalto, era a joia mais linda que já tinha visto. Um camafeu madre pérola bem delicado com o brasão dos Cullen, sua moldura em ouro envelhecido continha seis pequeninas pedras vermelhas.

– Oh meu Deus! É lindo vovô! Jamais vi algo tão… O que são essas pedrinhas, rubis? - Eric sorriu meneando a cabeça.

– Não minha querida, é uma pedra chamada esmeralda escarlate! Muito rara e difícil de se encontrar, como você! Me permite? - Bella assentiu prendendo os cabelos, estava visivelmente emocionada, o pingente estava em uma corrente também de ouro envelhecido, extremamente delicada. - Ficou lindo em você, como ficava em sua avó!

– Prometo cuidar dele com muito carinho!

– Você é uma jovem admirável! E meu neto é um rapaz de muita sorte!

– Tsc, vovô! Assim vai me deixar sem graça! - disse levemente corada.

– Venha, vamos jantar, não sei você, mas estou faminto! - brincou.

– Eu também! - ambos riram saindo em seguida, entraram na sala abraçados e rindo.

– Oh meu Deus! - Esme soltou não contendo a surpresa, afinal o sogro não havia dito que presentearia a neta com o brasão dos Cullen.

– O que eu perdi?- Emmett perguntou sem entender a surpresa da mãe.

– Este é … O colar da mamãe! - Bella ouviu o pai dizer ao se aproximar. - A muitos anos que não o via. - Excelente escolha papai, ele não poderia estar em melhores mãos!

– Do que estão falando? - Alice perguntou tentando entender do que falavam.

– Do colar que está em nossa família há pouco mais de um século, pertenceu a minha mãe, que o deu Anne, quando nos casamos. Ela costumava a dizer que o entregaria a nossa neta quando chegasse o momento certo… - o homem estava visivelmente emocionado.

– Nada mais justo que minha filha, Isabella o receba, é raro e único, como ela! - piscou para a filha que sorriu tímida.

– Papai tem razão, é lindo, como você! - Edward disse a envolvendo em seus braços.

– É uma imensa honra recebê-lo! Agora sou uma Cullen!

– Sim meu amor, você é!

O jantar foi bem descontraído, e os assuntos a mesa foi dos mais variados, depois da sobremesa voltaram a sala, Edward falou com o pai sobre o hospital, acertando alguns detalhes finais. Também falou sobre Lauren e a situação desagradável na qual o colocou.

– Quando voltar terei que falar com ela, acha mesmo que vai ficar dessa vez?

– Ao que parece sim, Johan a quer por perto, o porque, não tenho ideia! - ouviu seu pai dizer.

– Droga! Bella não está nada contente com isso! Só espero que Lauren não me traga problemas!

– Converse com ela, esclareça as coisas e se insistir, daremos um jeito!

– Certo!- seguiram em direção a sala onde o restante se encontravam. - Acho melhor irmos, já está ficando tarde e o nosso voo sai cedo! Vamos amor? - disse ao se aproximar de Bella que conversava empolgada com Alice e Esme, Rosálie estava com elas, ao que parecia falavam sobre o casamento.

– Sim, nosso voo sai cedo!

– Tenham uma excelente viagem, aproveite bastante amiga! - Alice a abraçou apertado.

– Estou tão ansiosa que sinto aquele friozinho no estômago.

– Estará em excelentes mãos… - Jasper falou ao se despedir do casal. - Edward conhece muitos lugares interessantes.

O casal se despediu de todos e seguiram para o apartamento, durante todo o caminho de volta Bella falou sobre a surpresa que o avô lhe fizera e no quanto havia gostado do colar.

– Ele é realmente lindo!

– Vovô disse que são esmeraldas escarlate, pedras muito raras e difícil de se encontrar!

– Como você!

– Foi o que o vovô disse!

– E ele tem toda a razão! - levou sua mão aos lábios, depositando um beijo nela, piscando para a jovem em seguida.

Uma vez no apartamento, tomaram um banho juntinhos, se amando no processo, foram pra cama e se entregaram ao cansaço. Bella despertou pela manhã ao sentir os lábios de Edward em sua pele.

– Acorda dorminhoca! Precisamos nos aprontar.

– Já está na hora? - perguntou sonolenta.

– Na realidade, o despertador tocou tem alguns minutos, mas você nem sequer se mexeu! - brincou divertido.

– Oh meu Deus, nós perderemos a hora, por minha culpa! Me desculpe eu…

– Se acalma amor! Está tudo bem, já liguei para a empresa de táxi, virão nos pegar em cerca de quarenta minutos.

– Ótimo! Assim dá tempo de tomarmos um café, estou faminta!

– Eu também! - Edward estalou um beijo em seus lábios, enquanto Bella desceu para preparar o café da manhã, ele tomou seu banho. Em seguida Bella tomou um banho rápido, vestindo roupa simples, afinal a viagem seria longa!

Edward também usava jeans e tênis, assim como um boné que o deixou com um ar mais despojado. Isabella sorriu ao ver o namorado, definitivamente aquele homem ficava bem vestindo qualquer coisa!

-Tenha uma boa vagem senhorita Bella! - Benjamim desejou sorridente, ele os ajudava com as malas.

– Obrigado Benjamim!

– Até breve senhor Cullen!

– Até! - foi o que Edward disse com cara de poucos amigos. - Esse moleque é mesmo muito abusado! - resmungou ao abrir a porta do carro.

– Não é não! Benjamim é muito educado e prestativo!

– Sei!

– Ora, pare de implicar com o garoto! - Bella o repreendeu ao entrar no carro.

Finalmente haviam chegado ao aeroporto internacional de O'Hare, as malas foram devidamente colocadas em um carrinho, e a medida que se aproximava o momento do embarque, Isabella sentia aquele frio no estômago se intensificar. Fizeram o checkin, em seguida foram para a sala de espera da companhia aérea, afinal se tratava de uma viagem de primeira classe!

– Suas mãos estão geladas amor, sente-se bem?

– Sim é que… Acho que estou um pouco ansiosa e um tiquinho nervosa.

– É por causa do voo?

– Vai ser bem logo, não é?

– Tem medo de voar? Mas não houve problemas quando fomos para Forks!

– Não tem comparação, vamos atravessar o oceano e… Isso não te deixa nervoso? - Edward sorriu meneando a cabeça. - Posso saber porque tá rindo?

– Desculpe! - pediu comprimindo os lábios. - Fica tranquila, amor, voar ainda é o meio mais seguro de viajar.

– Assim espero! Não se preocupe, não vou dar piti, ou coisa do tipo! Estou ansiosa pra chegar em Paris!

– Quanto a isso… - Bella o encarou arqueando uma sobrancelha. - Iremos para a Itália primeiro.

– Não vamos mais a Paris? - Edward sorriu ao ver o biquinho se formar nos lábios dela ao ouvi-lo dizer aquilo.

– Claro que iremos, mas como é um lugar bem especial pra você, achei melhor deixarmos por último, o que acha?

– Tudo bem! E pra onde pretende me levar na Itália?

– Á diversos lugares, sei que vai amar!

– Se estiver comigo, não tenha dúvidas!

O voo foi anunciado e o casal seguiu para o embarque, destino? Itália!

Durante o voo de Chicago a Florença, Bella e Edward fizeram planos, ele contou que ficariam hospedados no Villa Cora, e que o hotel havia sido recomendado por Eric.

– Conhece Florença?

– Um pouco! Estive de passagem na última viagem que fiz a Europa!

– Costuma viajar muito, não é? - estavam devidamente acomodados na primeira classe.

– Bastante!

– E você conhece muitos lugares?

– Talvez não tanto quanto gostaria! Podemos aprender muito de um país e sua cultura, é algo que eu realmente curto fazer, pena que não tenho tanto tempo disponível! - lamentou.

– Mesmo assim conhece muitos lugares!

– Um pouco, meu pai foi um importante diplomata, me lembro de viajar muito quando pequeno.

– Um diplomata? - perguntou surpresa, tanto pelo fato do namorado falar do pai biológico, quanto ele ter sido um diplomata.

– Sim, me lembro de termos vivido um tempo aqui na Itália, eu deveria ter uns cinco ou seis anos, por ai!

– Aqui em Florença mesmo?

– Em Roma! Entre um compromisso e outro, minha mãe costumava me levar para passear e conhecer outras cidades.

– O que sua mãe fazia?

– Antes de se tornar a esposa do diplomata Masen? - o tom de Edward foi irônico e Isabella se perguntava o porque? - Ela era uma artista, uma pianista famosa, principalmente no circuito europeu.

– Então vem dai seu gosto pela música clássica? Afinal você também toca!

– Ela quem me ensinou, desde muito pequeno, fiquei um bom tempo sem tocar, só voltei a ter aulas por insistência de Esme, que adora me ouvir tocar.

– Apesar do belíssimo piano em seu apartamento, nunca vi você tocar!

– Verdade! É que… Tocar é algo muito íntimo, algo que curto fazer sozinho.

– Mas você mesmo disse que Esme adora vê-lo tocar.

– Porque só notava sua presença quando terminava.

– Tá explicado! Gostaria de vê-lo ou ouvi-lo tocar, deve ser fascinante! - Edward sorriu meneando a cabeça.

– Não é pra tanto! Como disse, é algo que faço pra relaxar, mas prometo tocar só pra você!

– Jura?

– Lhe dou a minha palavra, amor! - levou a mão de Bella aos lábios depositando um beijo nela, e outro em seus lábios.

O voo levou cerca de nove horas e meia, dez horas, o casal fez suas refeições e acabaram adormecendo, despertaram quando estavam prestes a pousar. Fizeram o checkin in e Edward fez questão de locar um carro, para poder se locomover a vontade.

– Você fala italiano? Porque nunca me disse que falava outras línguas? - Edward sorriu meneando a cabeça.

– Falo italiano, francês, espanhol e arranho no português. - (de Portugal)

– Hump! Metido! - a gargalhada de Edward ecoou no carro, quando sua namorada lhe deu de língua.

– Não sou metido, como disse, meu pai foi um diplomata, está lembrada? Minha mãe fazia questão de que eu aprendesse.

– Mesmo tão pequeno?

– Segundo ela era importante… - deu de ombros. - Mas não sou o único que fala outras línguas, vovô, minha mãe, o papai, Jazz e Emm também falam.

– Ótimo! Sou a única Cullen que mal fala o inglês! - Edward revirou os olhos.

– Não seja exagerada, deve saber algo de espanhol ou francês, afinal fazem parte da grade curricular de um bom colégio!

– Digamos que… - mordeu os lábios, parecia hesitante. - Espanhol nunca foi o meu forte, e graças ao bom Deus, francês não fazia parte do currículo escolar!

– Não gosta de francês? Mon amour? - pronunciou fazendo biquinho.

– Não é isso, é que… Droga! Não tem ideia do quanto era torturante as aulas com a professora Sanches, a mulher parecia o diabo encarnado! - novamente Edward riu. - Que bom que divirto você! - disparou irônica.

– Não tem ideia do quanto amor! - estalou um beijo em seus lábios. - Se quiser posso te ensinar! Não falo fluentemente, mas me viro muito bem!

– Jura?- os olhos de Bella brilharam ainda mais. - Eu adoraria! - Edward piscou e a jovem abriu um lindo sorriso.

Momentos depois…

– E então, o que achou?- Edward perguntou assim que dispensou o carregador, com uma gorjeta.

– É maravilhoso, olha par tudo isso… - disse ainda encantada com o requinte do quarto. - Caramba, isso deve custar uma fortuna!

– Não importa! - Bella viu o namorado dar de ombros. - Vovô tinha razão, é um belíssimo hotel!

– Ele parece ser bem afastado do grande centro.

– Por isso o escolhi! Tudo que eu quero é tranquilidade, pra curtir você! - a puxou pra si, envolvendo-a em seus braços, buscou sua boca, a tomando em um beijo apaixonado. O beijo foi ganhando intensidade a medida que o desejo tomava conta de ambos, e entre beijos e carícias se despiram entregando-se a paixão e ao desejo que os consumia.

Depois de um banho o qual compartilharam, o casal desceu para conhecer as dependências do hotel, ambos apreciaram um delicioso jantar no belíssimo restaurante do hotel.

A todo o momento Edward soltava frases ou palavras em italiano, ensinando a Bella seu significado e aos poucos a jovem pegava uma coisa aqui, outra ali. No restaurante achou melhor deixar que o namorado fizesse o pedido, afinal, não fazia ideia do que dizia o cardápio.

Pacientemente Edward explicou a ela e aquele gesto atencioso só aumentou a admiração que a jovem sentia por ele, assim como o amor. Depois do jantar optaram por se recolher cedo, afinal, tinham planos para a manhã seguinte.

– Hmm… - Bella gemeu baixinho ao sentir os lábios de Edward em suas costas, sentiu a pele arrepiar-se.

– Buongiorno amore mio! - Edward sussurrou-lhe ao ouvido em italiano.

– Buongiorno! - respondeu sonolenta, encolhendo-se, sentindo a pele arrepiar.

– Tem ideia do quanto isso foi sexy?

– Foi? - havia descrença no tom de Bella.

– Troppo! Che ne dite di fare l'amore con me?

– Essa eu não entendi!

– O que acha de fazer amor comigo?

– Uma excelente ideia, caro mio! - no momento seguinte os lábios de Edward estavam nos dela, ele somente lhe afastou os joelhos com o seu e a penetrou em uma estocada firme. Isabella não conteve um gemido alto, tamanho prazer que sentiu. Amaram-se sem pressa, de forma intensa e imensamente prazerosa.

– O que acha de tomarmos um belo café da manhã para repormos nossas forças… - brincou sacudindo as sobrancelhas, estavam se trocando, depois de um belo e excitante banho. - Depois vou te levar para um passeio por Florença, o que acha?

– Perfeito!

Depois do café da manhã, Edward a levou para o centro, Bella ficou encantada ao conhecer o Palácio Vecchio, localizado na praça senhorita, capital da Toscana. Passearam pela ponte Vecchio, uma bela ponte em arco estilo medieval cheia de lojas, a fonte de Netuno entre outros lugares. Ao anoitecer voltaram para o hotel, onde se prepararam para o jantar e depois voltaram para a suíte onde se amaram noite a dentro.

No dia seguinte saíram bem cedo de carro para a região dos campos, passearam pelas estradinhas, os belíssimos campos de girassóis, os belos vales e suas encostas. Sem contar os vilarejos, onde almoçaram em uma genuína cantina italiana.

A estadia do casal havia chegado ao fim em Florença, estavam a caminho de Veneza que ficava aproximadamente a duas horas e meia de carro. Se hospedaram no The Gritti Palace e depois de um romântico passeio de gôndola pelos estreitos canais de Veneza, voltaram para o hotel, no dia seguinte visitaram vários lugares, o museu, a basílica, entre outros pontos turísticos bem interessantes.

– Foi aqui em Veneza que nasceu Giacomo Girolamo Casanova! Dizem que ele interrompeu sua carreira militar e eclesiástica para se tornar um escritor e aventureiro!

– Está falando do famoso Casanova?

– Este mesmo, o colecionador de mulheres! Depois de conseguir uma fuga épica das masmorras do palácio Ducal de Veneza, com sua aura mágica e envolvente, e sua vida de debochado, libertino, escroque, percorria bordéis. Reza a lenda que teve relações com mais de 60 meretrizes, isso sem contar as distintas damas da sociedade que se deixar levar por seu charme e sedução natural!

– Uau! E como sabe tudo isso?

– Li em um livro uma certa vez! - disse dando de ombros.

– Gosta mesmo de livros não?

– São a minha paixão!

– Pensei que eu fosse sua paixão! - brincou descontraído.

– Não só a minha paixão, como o meu amor! - Edward a puxou pra si, tomando seus lábios em um beijo intenso e apaixonado.

De Veneza foram para Verona, a viagem de carrou levou cerca de uma hora e o casal se divertiu bastante, parando para tirar fotos.

– Oh meu Deus! Mal posso crer que estou em Verona, palco do mais famoso romance, um dos meus preferidos!

– Gosta de Romeu e Julieta? Não acha meio trágico?

– Um pouco, mas é sem dúvida um dos mais lindos que já li.

Edward a levou para conhecer o balcão de Julieta entre outros lugares magníficos., hospedaram-se em um hotel aconchegante. Optaram por jantar na suíte mesmo e em seguida entregaram-se a paixão e ao desejo.

– Está gostando? - Edward perguntou lhe acariciando o braço, haviam acabado de fazer amor, Bella tinha a cabeça apoiada em seu peito.

– Eu estou amando, nunca pensei que um dia fosse sair de Washington, quem dirá vir a Itália! É tudo incrível… - se remexeu, apoiando o queixo sobre as mãos, apoiadas no peito dele, para poder olhá-lo melhor.

– Conhecia Verona também?

– Só de passagem!

– Estava com sua mãe? Quero dizer, sua mãe biológica? - ele somente assentiu. - O que houve Edward? Porque tem tanta dificuldade em falar deles? - viu o namorado puxar uma respiração profunda, encarando aquele lindo par de olhos castanhos. Havia chegado a hora, se pretendia mesmo torná-la sua esposa, precisava contar a ela. - Se não quiser falar sobre isso, vou entender, quando estiver…

– Não, tudo bem!

– Sinto que te aborrece tocar neste assunto.

– Não é que eu me aborreça, é que… Mesmo depois de tantos anos, ainda é difícil para mim tocar neste assunto, aconteceram coisas que… É que quando garoto julgava ter os pais perfeitos e, no entanto! - Bella franziu o cenho confusa.

– Não se dava com eles?

– Nem de longe meu pai era afetuoso como Carlisle, mas sei que lá do modo dele, me amava, já minha mãe era muito carinhosa e atenciosa, tanto comigo quanto com minha irmã.

– E qual era o nome da sua irmã?

– Catherine, mas a chamávamos de Cathy, se tivesse sobrevivido ao acidente, hoje teria uns vinte e quatro anos. - disse ao lhe acariciar a face. A jovem estava encantada, finalmente ele estava se abrindo, contando a ela algo que muito poucos sabiam.

– Catherine morreu no mesmo acidente que matou seus pais?

– Sim! - respondeu simplesmente, puxando novamente uma respiração profunda. - Depois de uma terrível discussão entre eles, minha mãe pegou Cathy e saiu com o carro, meu pai saiu atrás dela, estava transtornado. Não sei exatamente como aconteceu, mas pelo que a perícia constatou, os carros estavam em alta velocidade e acabaram se chocando, ambos saíram da estrada o carro do meu pai se chocou com uma árvore e … - Edward engoliu saliva. - Ao que parece morreu na hora.

– E o outro carro?

– Rolou ribanceira abaixo e explodiu.

– Oh meu Deus! Eu… Eu sinto muito Edward! - Isabella se ergueu e o abraçou forte, abraço o qual Edward retribuiu afundado o rosto na curvatura de seu pescoço.

– Eu estava prestes a completar dez anos, fiquei perdido! Confesso que não sei o que teria sido de mim se não fosse por Esme e Carlisle, eu não tinha tios ou avós… Nenhum parente próximo, compreende? - Isabella somente assentiu. - Meu pai era muito amigo de Carlisle e de Eric, minha mãe e Esme também eram amigas, com a morte dos meus pais os Cullen se tornaram meus tutores legais e logo em seguida me adotaram como filho deles, foi assim que me tornei um Cullen!

– Você disse que tinha dez anos, então isso foi há dezoito anos.

– Carlisle e Esme haviam se casado há pouco tempo, não hesitaram em me adotar e sou muito grato a eles pôr o terem feito!

– Entendo, você disse que seus pais discutiam antes de sair, sabe o porque?

– Meu pai, Anthony Masen, era um homem dedicado ao trabalho e sua carreira, era filho único e dono de uma fortuna considerável! Conheceu minha mãe em Londres, Elizabeth Allen, ela era britânica e segundo Esme, uma mulher linda e muito talentosa. Era uma artista, uma pianista famosa por seu talento, tanto quanto por sua beleza encantadora.

– Como ela era?

– Alta, esguia, possuía longos cabelos acobreados e olhos verdes…

– Como os seus?

– Sim! Dizem que me pareço muito com ela fisicamente, mas minha mãe, Esme! Ela costuma dizer que tenho o porte do meu pai, assim como sua altivez e o gênio é claro. - Isabella sorriu diante a careta que havia feito. - Enfim… Se apaixonaram, casaram-se, e um tempo depois eu nasci. Minha mãe dizia que eles se amavam muito, mas meus pais agiam completamente diferentes deles. - Bella franziu o cenho. - Não me lembro de haver aquela troca de olhar, aqueles gestos de carinho e cumplicidade.

– Entendo!

– Ainda mais depois que Cathy nasceu.

– Como assim!

– Por mais de uma vez os surpreendi discutindo, eu era bem pequeno, mas ainda me lembro bem. Como diplomata, meu pai viajava constantemente, e não era sempre que minha mãe o acompanhava. Quando engravidou de Cathy, as discussões cessaram, vivamos em paz outra vez.

– Era tão ruim assim?

– Era terrível, porque eu os amava, apesar de…

– Apesar do que, Edward?

– Meu pai não era do tipo que demonstrava seus sentimentos, compreende? Talvez tenha sido pela educação severa que recebera do meu avô, Edward Anthony Masen.

– Tem o nome de seu avô?

– Sim, não cheguei a conhecê-lo, nem minha avó, eles morreram antes dos meus pais se casarem.

– Ele era severo com você?

– Somente em relação aos estudos, me lembro de ouvi-lo dizer que um dia eu seria um homem importante.

– E você o é! - Edward sorriu lhe acariciando a face.

– Era desejo dele que eu me tornasse um político! Eu tinha apenas oito anos e meu pai insistia em dizer que um dia seria o presidente deste país.

– Uau!

– É, uau! - novamente Edward puxou uma respiração profunda, encarando aquele par de olhos castanhos que tanto amava. - Mas, como eu disse, as coisas mudaram quando Cathy nasceu.

– E você sabe o que houve?

– Os gritos e discussões voltaram, as vezes podia ouvi-los do meu quarto!

– Mas porque discutiam tanto, você sabe?

– Soube no dia em que morreram!

– O que? Como assim?

– Os surpreendi discutindo, estavam na biblioteca, era uma discussão bem pesada. Eu já tinha quase dez anos e entendia melhor as coisas. Ele dizia coisas horríveis sobre ela, gritava ensandecido, com uma pasta na mão, sacudindo alguns papéis.

– Não viram você?

– Eu estava escondido! Ouvi em silêncio, meus pais se ofenderem mutuamente.

– Mas qual o motivo de ambos agirem assim?

– Traição! Ele dizia ter provas de sua traição, insistia em perguntar quem era o pai de Cathy!

– Oh meu Deus!

– Ela chorava enquanto o acusava de também ter tido seus casos, mas quando a chamou de vagabunda, vi minha mãe virar uma bofetada nele, que revidou fazendo com que minha mãe fosse ao chão tamanha força que usou, naquele momento me desesperei e corri pra junto dela chorando, implorando pra que parassem com aquilo.

– E ele parou? - Isabella notou que Edward tinha os olhos marejados, havia tanta dor em seu olhar, naquele momento parecia um garotinho e sua vontade era de aninhá-lo em seus braços.

– Não! - sua voz saiu tão baixa quanto um sussurro. - Me afastou dela com um empurrão, a segurou pelo braços a sacudindo enquanto gritava que ela não passava de uma vadia, uma vagabunda da pior espécie. Eu gritava e implorava para soltá-la, mas meu pai simplesmente não me ouvia, foi quando minha mãe pediu pra que eu saísse de lá, pra que fosse para o meu quarto!

– E você foi? - ele assentiu positivamente.

– Corri apavorado, mas não fui para o meu quarto, me escondi tapando os ouvidos, pedindo a Deus pra que parassem.

– Deve ter sido horrível presenciar tal coisa.

– Foi apavorante!

– Posso imaginar!

– Por muitos anos tive dificuldade em ficar só, os gritos ecoavam em minha mente me atormentando, tinha pesadelos e acordava aos gritos. Certo tempo depois, ouvi minha mãe me chamar com desespero, mas não sai do meu esconderijo, não queria vê-los, não queria ver nenhum dos dois.

– É compreensível, você era somente um menino, Edward!

– Pude ouvir o choro assutado de Cathy… - disse com o olhar perdido. - Os gritos do meu pai assim como os da minha mãe, o som de um carro saindo com tudo seguido de outro… - lágrimas escorriam pelo belo rosto. - Depois daquilo nunca mais os vi, nenhum deles! - o de Bella não estava diferente.

– Eu… Eu nem sei o que lhe dizer Edward? Jamais poderia imaginar que você tivesse passado por algo assim, sinto tanto meu amor, eu sinto muito mesmo! - o aninhou em seus braços, por um tempo Edward chorou com a cabeça sobre seu colo, enquanto Bella lhe acariciava os cabelos.

– Quando me tornei um Cullen… - disse depois de um tempo em silêncio. - Eu era um garoto introvertido, que se culpava por tudo, pelo que havia acontecido a eles, por não ter levado Cathy comigo, se o tivesse feito, ela estaria viva e…

– Ou sua mãe poderia ter te encontrado e o levado junto! - a jovem sacudiu a cabeça espantado aquele pensamento. - Você não tinha como saber, a culpa não foi sua Edward, por Deus, você era apenas um menino!

– Agora sei disso, mas por muito tempo isso me atormentou, assim como o que descobri depois da morte deles.

– Como assim?

– Meu pai era um diplomata muito importante, consequentemente o que houve foi abafado e a versão oficial foi que morreram em um terrível acidente, os três juntos, que havia sido uma fatalidade!

– Entendo, acobertaram o que realmente aconteceu.

– Tem mais!

– Mais?

– O vovô possuía documentos importantes…

– O vovô? Mas o que ele tinha haver com isso?

– Ele era muito amigo do meu pai, assim como Carlisle… - Bella somente assentiu. - Meu pai havia colocado um investigador na cola da minha mãe quando suspeitou de sua infidelidade.

– Então era mesmo verdade?

– Sim! Segundo o relatório, teve diversos amantes, se lembra de quando falei das viagens que fazíamos?

– Oh meus Deus! Não me diga que…

– Depois dos passeios, costumava me deixar aos cuidados de uma babá no hotel e saia por horas.

– Oh meu Deus! - foi o que Bella conseguiu dizer.

– Quando soube, meu pai ficou transtornado, ensandecido, foi Carlisle e o vovô que o impediram de fazer uma loucura! Minha mãe quis fugir dele quando foi confrontada e ele a seguiu, queria saber a verdade de seus próprios lábios, queria saber se Cathy era sua filha ou não, mas ao que parece, morreu sem saber a resposta.

– E ela era mesmo filha de outro?

– Não, Cathy era uma Masen como eu! Exames foram feitos e o resultado foi positivo. O ciúme o cegou completamente, Carlisle me disse uma vez, que meu pai era muito passional e que ele a amava acima de tudo.

– Entendo!

– Eu os amava, mas como lhe disse uma vez, eram completamente diferentes de Carlisle e Esme. Admiro o amor e o respeito mutuo que sentem um pelo outro, e por mim… Eu os amo muito, se cheguei onde cheguei hoje, é graças a eles.

– Não deve ter sido nada fácil, ter passado por tudo que passou, de repente se vir sozinho… Lamento muito que tenha passado por tudo isso.

– Desculpe não ter dito nada antes, é que…

– Eu é que peço desculpas Edward… - Bella o cortou. - Pelas coisas horríveis que disse a você, eu realmente não fazia ideia de que havia passado por tudo isso.

– Meus pais me ajudaram a lidar com tudo, assim como o vovô, e confesso que com a chegada de Emm e Jazz, houve uma melhora considerável em meu comportamento. Mas foi minhas conversas com Jasper que me ajudaram a superar de certa forma tudo que houve.

– Compreendo!

– Sempre tive dificuldade de me envolver seria mente com alguém, jamais me permiti me envolver a ponto de se tornar algo, digamos que mais sério! Sempre pensei não ser capaz de me prender a alguém a este ponto, manter um relacionamento exigia muito mais do que pensava ser capaz de oferecer, até encontrar você! Eu te amo Bella! E não sabe o quanto me sinto bem em ter falado com você sobre isso, ter tirado esse peso aqui de dentro, não poderia deixar isso entre nós.

– Quero que saiba que saber de tudo o que houve com você, só me faz admirá-lo ainda mais, respeitá-lo ainda mais e amá-lo imensamente mais! - as palavras de Alice faziam todo sentido agora:

Mas com o Ed, você não precisa se preocupar, você o tem, compreende?

Sempre vi as mulheres fazer o possível e o impossível para chamar sua atenção, foi assim desde a época do colégio, mas foram muito poucas as que conseguiram e quando o fizeram, foi por um breve período, no entanto, você o tinha no momento em que a viu naquele jantar.

Uma coisa eu posso afirmar, Edward jamais a trairia, Bella!

– O que? O que foi? Porque está me olhando assim? - Bella nada disse, buscou a boca de Edward a tomando em um beijo urgente, intenso. Cheio de desejo, paixão e acima de tudo, amor. Não demorou para estarem se amando novamente, entregando-se completamente aquele sentimento arrebatador que os tomava.