Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Shukaku interrompeu seu banho de sangue quando a segunda badalada alcançou seu ouvidos. Quando veio a terceira e última ele olhou ao redor e viu os militares se entreolharem confusos.

Alguém caiu, mas quem?

Gaara dentro de si observava sonolento tudo ao seu redor. Junto ao Ichibi estranhara as badaladas. Foi quando um fogo de artifício subiu solitário em direção ao céu e estourou. Era branco como a neve e mais belo que qualquer outro. A cor pura brilhou no céu alaranjado por causa do fogo e da fumaça e o monstro recuou um passo.

Shukaku virou-se e olhou para o centro de Suna. A luz com um milhão de tentáculos já não estava mais lá. Hinata havia caído. Ela havia caído.

Hinata havia sido derrotada.

Hinata havia caído.

Hinata havia

Caído

Hinata

Havia

...

Caído

Gaara perdeu totalmente a consciência nesse instante. Shukaku soltou um rugido alto e dolorido. Lançou-se na direção na qual Hinata deveria estar e não hesitou em dilacerar todo e qualquer um que entrasse em seu caminho na direção dela, não se importando se era aliado ou inimigo. O medo o cegara. Equanto corria buscava com os olhos qualquer resquício de luz em meio ao caos, mas não conseguia ver nada. Ele podia enxergar a alma brilhante de inúmeras crianças escondidas nos bunkers, mas a luz natural da alma da Sabaku de cabelos negros havia parado de brilhar como um farol.

Hinata não estava mais lá.

Chegou na praça e buscou entre os corpos e escombros em uma frenesi nunca antes sentida. Arfou e tentou se concentrar. Não era possível que ao menos um pequeno rastro do chakra dela não tivesse ficado para trás. Fechou o olhos e se aquietou. Quando os abriu de novo quase urrou de alegria.

Quatro quilômetros a nordeste de Sunagakure no Sato um chakra franco porém composto por um misto de branco e lilás era arrastado em altas velocidade por manchas negras. Estava fazendo uma curva. Sem pensar duas vezes, ele se lançou naquela direção e começou a persegui-los.

Os sons da batalha já não o alcançavam.

Já não podia discernir os soldados de Suna dos inimigos.

Já não ligava para Suna e todos os deveres do garoto que o guardava dentro de si.

Tudo que importava era ela. Estavam afastando-a de si. Estavam roubando-a de si. Estavam levando-a para longe.

Ah!, ele não permitiria. Não mesmo!


Ela sorriu para ele. Uma criança repousava tranquila em seus braços. Ele se sentou na cama e a ouviu ranger com o peso extra.

- Ele é pequeno. – estatou sem saber ao certo o que dizer.

Um mês atrás essa criança havia nascido. Há um mês ele a vigiava em silêcio da janela sem ousar se aproximar por que via o quão exausta ela estava. Essa era a primeira vez que conversavam desde o dia do parto.

Ela riu.

- É uma criança humana. Filhotes terrestres são especialmente frágeis.

Ele concordou. Caíram novamente no silêncio.

- Shukaku-kun, posso lhe contar algo?

- Hn? – encorajou sem tirar os olhos da criança.

- Se... Se fosse possível que eu partisse como devo, mas em algum ponto voltasse para você... O que faria?

Ele a fitou com uma emoção estranha demais, intensa demais, brilhando nos olhos dourados.

- Eu ficaria ao seu lado.

- Por quanto tempo?

- Até o dia que você partisse novamente e então voltasse novamente e outra vez partisse.

Ela desviou o olhar. Seus olhos agora fixos no filho.

- Eu... Encontrei um modo de ficar ao seu lado, mas alguns sacrifícios serão necessários.

Silêncio.

O som da areia arranhando a janela anunciava uma ventania vinda do deserto.

Shukaku fitou-a longamente. A face dela era séria e a bela anja reajustava com carinho o filho. Ele podia sentir o caos emocionar dentro de si se mover como um tufão tentando destruir sua razão. Apesar dos sacrifícios, fossem eles quais fossem, ele iria tê-la. Poderia viver, ainda que por curtos períodos, ao lado dela ao invés de vê-la partir e ter a certeza de que nunca mais a veria. Cerrou os olhos e pensou.

Pensou em quando se tornara o Ichibi. Em quando aquela cauda se formou em si e ele desesperou-se tentando se livrar daquela coisa. Lembrou-se que era seu centésimo aniversário e todos comemoravam quando aquela coisa começou a sair de si, derrubando-o no chão na frente de seus irmãos gritando de dor e medo. Naquele dia fora atirado no mundo dos humanos e condenado a viver lá por cem anos celestiais, ou seja, um milênio humano. Havia se sentido impotente, assustado e perdido na sua nova realidade, no seu exílio, quando atirado no deserto.

Sentira-se solitário e amaldiçoado.

E agora ela propunha ficar ao seu lado durante seu martírio.

Sua nova sina seria vê-la partir e rezar a todos os kamis que a enviassem de volta para os seus braços.

- Qual o preço?

Ela sorriu tristemente e o encarou.

- Me encontre nos portões ao cair do sol amanhã. Não entre no clã durante todo esse período. Se enterre na areia e de lá não saia, não importa o que aconteça. Por favor.

- O que... ?

Ela puxou a testa dele para perto de si e beijou suavemente a pele áspera.

- Até amanhã! – a voz dela saiu num sussurro débil.

Ele apertou os lábios, segurou o queixo dela e apoiou sua testa na dela.

- Até.


Demorei, né? Sorry! Muita coisa pra fazer e assistir.

uchiha himitsu, Jan 29, gostou? Deu um trabalho fdp pra escrever tudo. São quatro anos jogando xadrez ( e perdendo consecutivamente do meu amigo Tiesco que era muuuuito bom pros meus niveis mundanos) pra aprender uns movimentos. Siiim, e o ataque era esperado, mas foi tão do nada que é incrível eles terem se organizado tão rápido. A Hina-chan vai ser devolvida pro Gaara-kun... Daqui uns 5 ou 15 capítulos talvez? Tchauzinho!

BarbaraGava, que violência! A culpa não é minha se as historias contadas em capitulos são assim, fazem isso a mais de dois seculos e Joaquim Manoel soube muito bem criar umas regras, até Stephen King fez essa merda nos capítulos quando escreveu A Espera de um Milagre! relaaaxa! Não é 'se' ela morrer, é quando. Adorei a parte da purpurina! Ainda não matei ela! Beijos.