-Pelo visto o senhor teve uma melhora surpreendente.

-E tudo graças ao senhor.

-...

Já fazia algum tempo desde que estavam nessa terapia, e Harley não poderia dizer que era de todo ruim, se seu pai estava melhorando, era uma boa coisa não era?

...A única coisa bizarra era o fato de o psicólogo ser gentil, mas não da maneira como ele é normalmente (ou pelo menos ela achava que era, já que só encontrou com ele 2 vezes fora dessa terapia).

-Bom... Ao meu ver o senhor está pronto para ser liberado. –Disse Dohko, tirando Harley de seus pensamentos. – Mas é claro, isso depende mais da sua opinião.

-Hum...

-O senhor se sente preparado?

-...Creio que sim. –Respondeu o homem com hesitação, mas soando um pouco mais confiante no final. –Afinal, não fiz todas essas sessões para me acovardar não é?

-Gostei da resposta. –Disse Dohko de forma aprovadora. –Bom, desejo sucesso na sua nova vida Senhor Benatar.

-Muito obrigado. –Agradeceu. –Vamos Harley?

-... Só vou ficar mais um pouco.

-Hum...

-Não se preocupe, ela não vai me atrapalhar em nada. –Garantiu o psicólogo.

-Ok então, eu te espero lá embaixo.

-...Não precisa, eu vou sozinha para casa depois.

-...Ok, então.

-Click-

-Muito bem senhorita Harley, o que a senhorita deseja falar? –Perguntou Dohko levantando-se da cadeira.

-00-

Giana estava andando de um lado para o outro na frente do escritório enquanto olhava para um papelzinho em suas mãos.

"Lembrete: Agradecer ao F... Máscara da Morte pelo presente"

Ah sim... Ela tinha escrito o bilhete depois de receber o skate e colocado em cima da sua mesa, para lembrá-la de agradecer.

...Mas toda a vez que chegava em frente ao escritório do investigador se sentia mortificada e sem vontade nenhuma de subir e agradecer.

-Olá Giana.

A garota deu um pulo, dando um 180 graus e dando de cara com o investigador, que a olhava com aquele mesmo sorrisinho superior de sempre.

-Bem, o que você veio fazer aqui?

-Nada.

-Nada?Gozado, eu vejo você na frente do meu escritório todo o dia, andando de um lado para o outro. –Devolveu o investigador arqueando uma sobrancelha.

-...

-O que é isso?Uma carta de amor para mim? –Perguntou Máscara da Morte pegando o papel de Giana sob os protestos da mesma. –" Lembrete: Agradecer ao F... Máscara da Morte pelo presente", oh... Que bonitinho, não sabia que você sabia agradecer.

-Me devolve a droga do papel! –Disse a garota furiosa quando finalmente pegou o papel e o fez em picadinhos. –Ei!Aonde você vai?

-Estou voltando para o escritório. –Respondeu. –Meu único assunto com você é que me agradecesse e me referisse pelo meu nome, como isso já foi cumprido então não tenho nenhum motivo para continuar conversando com você.

...Como assim, "nenhum motivo"?

-Como assim?!Ei não me ignora não! –Berrou Giana furiosa enquanto segurava com força a gravata dele, puxando-o para ficar na altura de seus olhos.

-Eu já terminei o que tinha que fazer em sua vida. –Respondeu ele de forma calma enquanto tirava as mãos da garota de sua gravata e a arrumava. –Não há nada mais que nos ligue.

Quando ele fechou a porta atrás de si Giana ficou parada, encarando-a com a expressão perdida.

-... Não. –Sussurrou.

Ela não acreditava nisso, apesar de ela não pensar nisso com frequência sabia em seu íntimo que o arrogante homem teve um grande impacto em sua vida, não achava que uma ligação como essa se dissolvesse com tanta facilidade.

... Eles já se conheciam mesmo antes de se falar, quando ela ainda estava em coma, e se cruzaram novamente então não é para que tudo termine quando ainda precisa continuar.

-00-

-Qual desses filmes você acha que seria bom para eu interpretar?

-Hum... Acho que esse aqui. –Respondeu Lorena enquanto olhava para o enredo. -... Pelo menos eu consigo visualizar você nesse papel.

-Muito bem, confio em sua percepção. –Retrucou Kanon guardando os outros panfletos. –Vou me candidatar ainda hoje para a vaga.

-...

Lorena ficou surpresa quando viu Kanon a esperando perto da saída da escola, e ainda mais quando ele perguntou se ela conhecia algum bom café para comer.

-Algum motivo em especial por não nos encontrarmos em sua casa como sempre? –Perguntou Lorena.

-Não.

-... Tem alguma coisa haver com o fato de eu me distrair com os seus cachorros toda a vez?

-...Talvez um pouco.

-... Quanto a isso, me desc...

-Não precisa se desculpar. –Interrompeu Kanon. – Eu aceitei os termos do contrato quando disse que ia me aproximar de você não é?

-... Por que você quer se aproximar de mim?

Era uma coisa que ele não entendia, e nem em que contexto ele queria dizer "se aproximar", não tinha a impressão que ele falava romanticamente, já que ele nunca tentou fazer nada do gênero(pelo menos ao seu ver, e olha que ela pode ser um pouco paranoica por causa da sua desconfiança).

O que ele ganharia com isso?

-Um falecido amigo disse que coincidências são oportunidades. –Respondeu Kanon com seriedade. –Ainda mais quando são encontros marcantes.

-Encontro marcante?Eu não acho que o nosso encontro foi algo tão especial, na verdade, eu acho que os dois acabaram saindo irritados.

-Pelo menos para mim foi. –Disse o ator rolando os olhos. –Ainda mais na galeria, ou naquele acidente de carro, sendo que a França é enorme.

-...Pff... Você acredita em destino? –Perguntou Lorena com um pouco de ironia.

-Não, destino é algo muito restrito, eu prefiro chamar de "coincidências".

-Ok, certo, mas você ainda não respondeu a minha pergunta.

-Eu não sei dizer... Apenas acho que essas chances eram para te conhecer.

-Frase bem clichê não?

-Um pouco. –Concordou ele com um sorriso. – Mas falando seriamente, pela minha experiência, pessoas que causam uma grande impressão para mim sempre tem um impacto na minha vida, e até agora... Até agora todos foram positivos.

-Pfff... Mesmo com um começo tão conturbado quanto o nosso?Mesmo o modo bizarro de eu tratar você?

-Você sabe como tratar bem, o problema é que você só faz isso com os animais. –Frisou o ator. –Honestamente, se você me tratasse feito um cachorro acho que terias uma interação normal como qualquer um.

-Pfff... Te tratar como um cachorro? –Repetiu Lorena caindo na gargalhada.

-Isso só funciona no seu caso. –Continuou ele também rindo da própria piada. –Se fosse outra pessoa eu não deixaria.

Os dois riram mais um pouco, Lorena, quando parou, pareceu contemplar de forma pensativa as palavras do rapaz, e de forma inconsciente estendeu a mão e pronunciou:

-Dá a patinha?

Kanon olhou a de forma estranha e com uma sobrancelha arqueada, Lorena, quando percebeu o que estava fazendo enrubesceu ligeiramente de vergonha e fez menção de retirar a sua mão, quando uma mão cobriu a sua.

A garota ficou meio que estado de choque, observando a pesada mão sobre a sua, não sabendo exatamente como reagir.

-Viu?Você é bem mais sociável.

-Hu-Hum... Descul...

-Eu já disse. –Interrompeu. –Você não precisa pedir desculpas e eu não me importo de ser tratado como um cachorro se for você.

Lorena desvencilhou a sua mão da dele, apertando-a contra si de uma forma nervosa, enquanto seu rosto corava feito fogo.

Era incrível como, apesar de montar barreiras a sua volta, o rapaz a sua frente conseguia quebrar a todas.

-00-

-... Por que você estava fingindo durante toda a consulta? –Perguntou a garota cruzando os braços.

-Fingindo o que?

-Ser bonzinho.

-Do jeito que você fala até parece que eu sou uma pessoa ruim.

-Não é a isso que eu me refiro. –Disse ela rolando os olhos. –Estou dizendo por que você não usa a sua "personalidade normal".

-Normal?

-É!Não se faça de desentendido!Você usa essa personalidade apesar de não ter nenhum problema em usar a sua normal!

-Hum... A senhorita não está fazendo sentido algum.

-O que eu quero dizer... –Começou Harley bufando e perdendo a paciência . –A sua personalidade normal é... Ugh, gent... legal, por que você sente a necessidade de fingir que é outra personalidade quando a sua normal dá conta do recado?

-Ah, é isso?Bem, senhorita Harley, existem pessoas diferentes no mundo, e existe um jeito especial de abordar cada uma. –Explicou o psicólogo. –Eu só agi daquela forma porque era conveniente para o seu pai.

-... Eu não acho que se aplica a mim.

-Por que você não precisa da minha ajuda.

-...Então por que você me fez vir a essas terapias.

-Por que seu pai pediu e porque era ele que precisava.

-...

-Você tem muitos pontos a serem trabalhados, mas você tem uma força de vontade forte. –Respondeu Dohko. –Além do mais, você tem coração, não abandonou seu pai.

-...

-Bom, acho que esse é o fim.

-?O que?

-Agora que as sessões acabaram e tudo está bem não há mais necessidade nenhuma de nos encontrarmos.

-Pfff... Certo, do jeito que parece que nos esbarramos por coincidência por aí.

-Isso só acontecia porque eu era necessário para causar uma mudança em sua vida. –Respondeu Dohko. –Agora que já terminei, não há necessidade.

-Sério mesmo?Você acredita nessa palhaçada de destino?

-Foi à senhorita mesma que disse que nós nos esbarramos demais. –Falou. – Mas acho que seria impossível nós nos encontrarmos novamente.

-E isso por que...?

-Daqui a uma semana eu estou indo para o Brasil, e vou ficar um tempo por lá.

-00-

-Ok, estou perto de descobrir algo. –Respondeu Máscara da Morte desligando o telefone.

-TRIM TRIM-

-Cara, eu mal acabei de botar o telefone no gancho. –Resmungou.-Escritório de investigação.

-EI! –Gritou Giana do outro lado da linha.

-PUTA MERDA GAROTA, QUER ME DEIXAR SURDO?

-Você já é surdo! –Retrucou. –... E um idiota, retardado, mal amado, cretino, um .PUTA...

-Oh... Que lisonjeador.

-Eu não terminei! –Continuou ela. - ... E um desgraçado que precisa de semancol.

-Hum... Não sabia que você conhecia essa palavra, ainda mais considerando que você tem uma mentalidade infantil.

-... Eu posso ter perdido muito tempo da minha vida enquanto estive em coma. –Respondeu Giana rangendo os dentes. –Mas não sou burra, posso não conseguir lembrar-se da maioria das coisas, mas sou capaz de me lembrar das mais importantes.

-... Tipo?

-No momento em que acordei só tinha aos meus pais. –Respondeu Giana. – No presente só conheço aos meus pais e a você.

-...

-Então não se atreva a falar que a nossa ligação é banal seu desgraçado, você não sabe como é se sentir perdido e desorientado!Não sabe como é ter somente uma âncora com o presente para não se sentir totalmente deslocada! – Continuou ela, apesar de sua voz estar tremendo. -... Obrigado.

-Hum?

-Obrigado pelo presente Máscara da Morte! –Respondeu ela com todo o fôlego. –Eu... Queria ter agradecido antes, mas... Eu não sei, por algum motivo qualquer eu não o fiz.

-...Muito bem, você venceu.

-Hum?

-Eu tenho um tempo livre. –Respondeu Máscara. - ...Talvez o seu lado esteja resolvido, mas quem sabe se não é eu que precisa se resolver?

-000-

To sem ideia para comentar, além de dizer que meu masoquismo não tem limites e estou planejando atualizar 4 fanfics de ficha ao mesmo tempo, engolindo a sanidade que nunca tive para início de conversa :D

...Curiosidade curiosa, mas como a fanfic já tem uma quantidade considerável de capítulos eu tenho curiosidade em saber qual é o TOP 5 de vocês para:

1-Personagens

2-Casais

... Não são obrigados a responder é claro, mas eu acho interessante de saber.

Agora as reviews:

Jules Heartilly: Eu acho muito hilário a relação entre o Shura e a Nadja, a Nadja não tem noção mas acaba dando o primeiro passo, e o Shura que tem noção não dá nenhum pfff

Eu tenho uma dificuldade do cão para escrever sobre a Danka e o Deba, o Deba é o melhor amigo dos amigos HAHAHA, qualquer um cai na friendship zone e é difícil de sair de lá ^^'*gota*

Nossa... Percebi o seu desgosto pelo Leon, ainda bem que ele não vai estar tão insuportável aqui e vai continuar a trabalhar como cupido de todos XD

Notte di Luce: É o Admon, o cara que muda a vida das pessoas mesmo depois de morto XD, eu acho escrever o Shura e a Nadja um mar de fofura(sem ser diabético), é super levinho e descontraído XD.