Escondida no coração
Por Amanda Catarina
BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.
Capítulo 25
Não fosse a espantosa rapidez com que a vice-capitã Nemu Kurotsuchi havia chegado ao local, Byakuya teria ficado muito mais indignado com o descaso do capitão dela. Engolindo objeções, ele se achegou outra vez à inconsciente Soifon, ergueu-lhe o tronco para alcançar sua echarpe embolada no chão, pendurou esta no ombro e depois tomou a capitã nos braços.
Enquanto isso, e após ter sedado o hollow, Nemu usava um aparelho similar a um scaner de mão, com o qual, provavelmente, analisava o nível de reiatsu e a forma estrutural da criatura. O kidou de contenção que Byakuya usara, ainda envolvia o hollow agora num estado vegetativo. Vendo-a tão concentrada na tarefa, foi impossível até mesmo para ele não estranhar o fato de Nemu aindanão o ter questionado acerca do estado da capitã Soifon; e não dava indícios de que o faria.
– O capitão pode deixar isso por minha conta - ela lhe falou, curvada sobre o hollow.
– Irei contigo até a Equipe Doze - retrucou autoritário.
– Como quiser, capitão - ela replicou num tom impassível.
Ambas as portas que os levaram aquele quadrante da floresta estavam abertas de modo que de um lado - o que os três estavam - via-se uma clareira rodeada de árvores enormes, entre as duas portas, uma passagem escura de uns dois metros, e do outro lado, via-se um céu límpido e uma faixa de mato verde vivo. O mais incrível era que aqueles poucos metros captados pelos olhos, na realidade, se estendiam por uma distância de quase oitenta quilômetros, porém Byakuya só descobriria isso tempos depois, e apenas pela comparação das coordenadas, porque tão logo cruzaram as portas e pisaram no matagal - ele, carregando Soifon e Nemu, o hollow -, as portas e a passagem encolheram numa impressionante deformação e logo se consumiram.
Sem exteriorizar o menor sinal de espanto ante o ocorrido, Nemu se apressou em usar um shunpo e foi imediatamente seguida por Byakuya da mesma forma. Após uma boa sucessão desses saltos, chegaram à sede da Equipe Doze. Caminhando sempre atrás dela, Byakuya corria a vista pelo salão principal da sede, quando sentiu Soifon se remexer em seus braços.
Baixou os olhos a ela, porém antes que tivesse a total confirmação de que ela recobrava a consciência, a aproximação de um oficial desviou sua atenção.
– A sala de dissecação já está pronta, vice-capitã - anunciou o recém-chegado.
– Muito obrigada pela presteza, Akon.
– Deixe isso comigo - devolveu ele, referindo-se ao hollow e logo livrando a superior da carga.
Voltando-se ao nobre, Nemu falou:
– O senhor pode esperar aqui, capitão Kuchiki.
Ela já ia se retirando, mas ele a chamou:
– Espere. Eu preciso falar com seu capitão; esse hollow não deverá ser simplesmente dissecado.
– Mas são essas as minhas ordens.
– Não me faça perder tempo com explicações, vice-capitã. Traga Kurotsuchi aqui imediatamente.
– Não creio que o mestre Mayuri irá querer ouvi-lo, capitão Kuchiki.
– Pois então eu terei que obrigá-lo - devolveu em tom de ameaça.
Antes que Nemu retrucasse, outra voz feminina se fez ouvir:
– Me coloca no chão, capitão Kuchiki - pediu Soifon, um tanto atordoada ainda.
Byakuya a olhou por um instante, talvez à espera de algum questionamento, mas como ela se mantivesse em silêncio, ele a soltou sem muitos cuidados e tornou a fitar a vice-capitã com declarada hostilidade. Nemu entreabriu os lábios, mas não chegou a dizer nada, dessa vez devido à chegada de outra pessoa ali.
– Mas que balburdia é essa aqui? - bradou Mayuri com tamanho descontentamento impregnado na voz que mais parecia ter chego à arena de um circo.
– Que bom que apareceu, Kurotsuchi - respondeu Byakuya. – Vamos, deixe de se fazer de desentendido, não disponho de tempo para suas insolências.
– Quanta arrogância... Você acha mesmo que só porque é nobre pode vir aqui e ir... - pirraçava Mayuri até ser abruptamente interrompido por Soifon, que havia se postado ao lado de Byakuya.
– A situação é séria, capitão Kurotsuchi! - vociferou ela. – Você deve cooperar.
Olhando-os com desdém e irreverência, Mayuri retrucou:
– Ah, então aquilo é o tal espécime de que falou, capitão Seis? - e apontou na direção em que Akon ainda estava. – O que há de tão interessante nele?
– Se esse hollow lhe terá alguma serventia pouco me importa - retrucou Byakuya –, tudo que preciso é que descubra como o poder dele funciona e o meio de reverter seus efeitos.
– E se eu me recusar? - provocou Mayuri.
– Ora, seu... - esbravejava Soifon, mas Byakuya colocou um braço na frente dela para que se calasse, então ele mesmo respondeu:
– Se você se recusar, só irá corroborar minha tese de que este seu centro de pesquisas não passa de um desperdício de recursos. E como boa parte desses recursos vem...
– Já chega! - berrou Mayuri. – Você deve estar mesmo muito desesperado para ter a pachorra de me dizer uma coisa dessas... Muito bem, pode voltar pra sua equipe; dentro de duas horas estará recebendo suas respostas.
– Prefiro esperar aqui.
Dando as costas aos dois e deixando o salão, Mayuri finalizou dizendo:
– Pois faça como quiser.
Sem mais nada dizerem aos dois que ali ficavam, Nemu e Akon seguiram seu capitão.
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Já fazia alguns minutos que o hollow tinha sido levado a qualquer uma daquelas estranhas salas, sem alternativa a não ser aguardar, Byakuya se escorou em uma das paredes do salão e cruzou os braços. Soifon ficou por perto. Ela ainda não tinha lhe dirigido a palavra e ele rogava para que continuasse assim. Foi então que ambos ouviram o bip de um comunicador.
Muito quieto, o nobre observou a capitã procurando no bolso interno de seu hakama o aparelho e, como não o encontrou, ela logo se voltou a ele com uma expressão interrogativa. Porém, ao invés de se explicar, ele mesmo pegou o aparelho e atendeu a chamada.
"Soifon?" Ele ouviu do outro lado da linha. "Encontrou o Byakuya?"
– Aqui é Byakuya - respondeu seco. – O que quer, Yoruichi?
"Byakuya? Hn, pode ser com você mesmo... Não, espera... mas cadê a Soifon?"
– Está aqui - disse, reparando na expressão ansiosa da aliada, que numa vã tentativa de ouvir alguma coisa, se aproximou mais dele.
"Estão juntos?"
– Sim.
"Entendi. Bem, eu só queria avisar que já me confirmaram que a suposta nobre Haruka Shihouin é nada além de uma personagem fictícia criada pelo poder do hollow; resumindo: ela não existe. Então, mais do que nunca, precisam achar o hollow, do contrário, jamais conseguiremos provar que Suzumi é a verdadeira culpada."
– O hollow já foi capturado - contou ele. – Estamos no Centro de Desenvolvimento aguardando a ação do capitão Kurotsuchi.
"Ho... acharam ele rápido. Fizeram uma boa dupla, hein! Então assim que terminarem aí, venham para a mansão de Suzumi, estou montando guarda aqui. Rukia e Ichigo estão comigo. Suzumi não tem como escapar."
– Não aja como se estivesse no comando - retrucou amargo.
"Mas eu estou, Byakuya guri." Ela não poupou sarcasmo. "Sigo na espera. Até!" E encerrou a ligação. Instantes depois, ele simplesmente estendeu o aparelho à capitã e não deu qualquer satisfação.
Sem fazer caso do dispositivo, Soifon indagou alto e exaltadíssima:
– O que ela falou?
Após um curto suspiro, ele respondeu:
– Que nos espera na residência de Suzumi.
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Passado um tempo, na sala de dissecação, Mayuri meditava na análise há pouco formulada por Nemu feita com base naquilo que ela havia extraído da memória do hollow.
– Que poder interessante... - ele divagou num tom lascivo. – Eu poderia usá-lo para fazer de mim o novo capitão-comandante e do arrogante do Byakuya meu lacaio...
Indiferente ao comentário, Nemu indagou:
– Mestre Mayuri, devo usar o soro ou a coleira para controlar o espécime?
Abandonando seu devaneio, o cientista respondeu calmamente:
– Por hora nenhum dos dois. Desperte-o, quero falar com ele.
– Sim, mestre Mayuri.
Após um forte choque nas sinapses, o hollow soltou um grito agonizante e abriu os olhos. Minimamente recuperado, percebeu que se achava estirado numa mesa gelada e que três largas amarras mantinham seu corpo firmemente preso.
– Olhe bem, infeliz, esse será o lugar de sua morte - provocou Mayuri – mas, antes de seu doloroso e amargo fim, diga-me como chegou à Soul Society? E há quanto tempo?
– Pouco me importa o que fará comigo, não direi nada!
Suspirando, Mayuri se voltou sua vice-capitã e disse:
– Já tem sua resposta, Nemu.
– Sim, mestre Mayuri - disse e pouco depois injetou um líquido azulado no hollow.
O capitão cientista contemplou com absoluto enfado o hollow se debater, urrar, espumar e, por fim, se aquietar subjugado.
– Que demora - ele reclamou.
– Minhas imprestáveis desculpas, mestre Mayuri, é que se trata de um Vasto Lorde.
Bufando, ele se aproximou mais e baixou seu rosto maquiado até ficar bem próximo da máscara branca do hollow.
– Como chegou à Soul Society? - indagou e, pouco depois, se endireitou.
Num tom falho e sofrível, contra a própria vontade, o hollow respondeu:
– Graças a um portal diferente que um dos aliados de Sousuke Aizen deixou ativo no Hueco Mundo, vinte anos atrás.
Nemu comentou simploriamente:
– Esse portal devia ser uma garganta.
– Óbvio - Mayuri rebateu seco. – Que mania você tem de dizer coisas óbvias, Nemu - e encarando de novo o hollow, ele exigiu: – Diga, infeliz, como essa rapariga que vimos na sua cabeça conseguiu ocultar sua reiatsu por tanto tempo?
– Ela dispunha... de aparatos roubados dos shinigami da família Shihouin. E eu também... mantinha meu poder oculto.
– A troco de que ele?
– De poder estar ao lado dela.
– Que raio de resposta é essa? - esbravejou o cientista. – Seja objetivo!
Um sangue negro escorreu da máscara melancólica, tanto da região da boca, quanto da dos olhos. Mudoh lutava tenazmente para conter as palavras, mas era literalmente impossível:
– Eu fazia tudo que Suzumi me ordenava... A mando dela manipulei vidas, reescrevendo histórias; matei nobres de baixa linhagem para que ela... se apossasse de seus bens; provi os meios para que obtivesse... aparatos tecnológicos e místicos que nenhum outro nobre dissociado dos shinigami poderia; tecemos intrigas entre famílias... - cuspia as palavras, mas Mayuri se sobrepôs.
– Basta! Nada disso me interessa, diga logo como essa miserável conseguia controlá-lo?
A injúria do cientista a sua amada foi como uma chicotada em Mudoh.
– Ela não me controlava - falou se contorcendo. – Fiz tudo por amor, porque eu a amo.
Mayuri deu um sobressalto e balançou levemente a cabeça em sinal de zanga.
– Nemu, que merda de soro foi esse que você injetou nesse infeliz?
– Soro da verdade, mestre Mayuri.
– Nemu, embora seja inadmissível - ele começou num tom contido –, não duvido que você tenha errado na dose - e erguendo o tom, vociferou: –, já que um hollow dizendo amar alguém, não tem por onde!
– Mas eu lhe asseguro que injetei soro da verdade, mestre Mayuri.
– Ah, que se dane... Não sei porque estou perdendo meu tempo com essa palhaçada - e foi saindo de lado. – Resolvam isso, eu tenho mais o que fazer.
– Sim, senhor.
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Sentada na varanda do mesmo jardim em que fora abordada pelos agentes da Onmitsukidou, Suzumi mirava fixamente o semblante da morena que se anunciara sob o nome de Yoruichi, a qual se achava escorada no tronco da frondosa árvore de seu jardim; os três homens que com ela vieram estavam dois a seu lado e o último próximo à porta que conduzia ao interior da casa.
"Claro que é a mesma pessoa que estava no armazém naquele dia..." pensava ela "...mas eu tenho a impressão de já conhecê-la de outro lugar. Se temos o mesmo sobrenome, devemos ser parentes; mas isso não importa. Eu tenho certeza que hipnotizei essa mulher, ela e uma outra que estava lá também. Droga, não deviam suspeitar de mim! O que saiu errado? Será que essa história de portal é mesmo verdade? Mas tem que ser, é a única explicação. Seja como for, preciso tomar muito cuidado com o que falo, qualquer deslize será fatal. "
Mordendo os lábios e retesando o corpo, ela baixou a fronte, prosseguiu com as ponderações:
"Tenho que chegar até Mudoh, já não importa essa vingança contra o desgraçado do Kuchiki, preciso modificar mais minha história, muito mais."
Decidida, ela se colocou de pé e se aproximou da morena.
– Minha senhora - falou e curvou-se reverentemente –, essa sua serva está mui extenuada em virtude desse calor. Rogo que conceda que eu me recolha aos meus aposentos.
– Tudo bem, senhorita. Mas meus homens ficarão de prontidão na porta do quarto.
– Sim, senhora.
Então Suzumi se retirou, sendo seguida por dois dos ninjas. Caminhando devagar pelo longo corredor, ela já tinha um plano esquematizado e tudo de que precisava estava em seu quarto: iria hipnotizar aqueles dois homens, deixar uma gigai em seu lugar, pegar sua capa de ocultamento, correr ao local onde havia escondido Mudoh e usar o poder dele novamente.
Assim, sem suspeitar que outros além daqueles que sua visão enxergava estivessem vigiando, ela sorriu discretamente consigo, convicta de que muito em breve estaria totalmente a salvo.
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Rukia pressionou o fone em seu ouvido, ao escutar Yoruichi lhe chamando por aquele pequeno rádio.
– Na escuta, senhora Yoruichi, pode falar - disse num tom bem baixo e, após ter escutado a breve instrução de vigiar a nobre de perto, respondeu: – Sim!
Fazendo um gesto a Ichigo, a pequena indicou a casa e, puxando o capuz da capa que vestia para cima da cabeça, fez com que sua imagem desaparecesse sob o manto. Entendendo a deixa, Ichigo procedeu da mesma forma.
Pouco depois, eles alcançaram a nobre e os dois ninjas que a escoltavam. O interior da casa estava mergulhado em silêncio, pelo que tiveram que redobrar a cautela no caminhar, para que não fossem percebidos. Seguiam cada qual rente a uma das paredes do corredor - Rukia à direita, Ichigo à esquerda -, e, como não enxergavam um ao outro, vez por outra, resvalavam as mãos para saberem exatamente a posição em que cada um estava.
A uma meia-distância, eles viram a nobre parar diante de uma porta bem larga e escutaram razoavelmente bem ela dizer aos dois homens:
– Vocês não irão deter nada que saia ou que entre nesse quarto.
– Não iremos - os dois repetiram em uníssono, como zumbis.
Rukia estranhou aquilo e, bem intrigada, observou a nobre adentrar o quarto e fechar a porta. Aproximando-se então de Ichigo, puxou-o pelo pescoço e falou no ouvido dele:
– Não vai ter como entrar lá sem que nos percebam. Vamos procurar uma janela.
– OK.
Passado um tempo, empoleirados num mesmo galho daquela árvore do jardim, espreitavam a nobre pela estreita janela do quarto.
Alheia a presença dos dois, Suzumi desencaixou algumas ripas do assoalho e tirou de lá uma caixa média. Ocultou esta sob o futon no centro do quarto e rumou apressada ao biombo próximo. Despiu-se do vistoso kimono e logo reapareceu com uma veste similar a roupa dos ninjas.
– O que ela está tramando? - murmurou Rukia.
Notando, só nesse instante, a janela aberta, a nobre se aproximou e logo a fechou por completo. Rukia praguejou em pensamento e, pensando rápido, cochichou com o parceiro:
– Ela vai fazer alguma coisa, vamos voltar pra porta do quarto.
Minutos depois, os dois chegavam novamente aos arredores do quarto de Suzumi, mas, de repente, Rukia sentiu as vistas escurecerem por um instante. Remexeu a cabeça incomodada, mas logo o incômodo passou. Sem nada ter percebido, Ichigo continuava na aproximação, mas se deteve ao ouvir a voz de Rukia:
– Mas que lugar é esse? - exclamou ela, sem mais nem menos.
Alarmado, ele olhou na direção em que ela devia estar e depois para os ninjas. Estranhou que eles continuassem estáticos, como se nada tivessem escutado - o que ele julgou inexplicável, pois a voz dela soara alta -, mas se aproveitando do fato, puxou Rukia para si pela mão.
– O que deu em você? - sussurrou no ouvido dela.
– Não sei - respondeu num murmúrio –, apaguei por um instante.
Estavam praticamente abraçados, quando viram a porta do quarto se abrindo, contudo, não enxergaram ninguém lá. O rapaz continuou olhando na direção da porta, mas Rukia percebendo passadas invisíveis no assoalho, logo deduziu que alguém saia dali com uma capa de ocultamento.
Desvencilhando-se depressa de Ichigo, Rukia correu para deter quem quer que fosse. Certeira, ela arrancou o capuz da pessoa, que reagiu com um grito estridente e assustado. Tirando o próprio capuz e estreitando os olhos nas costas da pessoa de silhueta esguia e um tanto mais alta, Rukia contemplou os fios longos, amarrados por uma fita, de um cabelo tão negro quanto o seu. Puxou com força a pessoa pelo braço, então ficaram cara a cara.
– Rukia? - exclamou a pessoa. – Como chegou aqui sua moleca?
Fitando os olhos verdes e o semblante ainda mais pálido da mulher a sua frente, Rukia retrucou num tom baixo e de reconhecimento:
– Você... É você... - então vociferou a plenos pulmões: – Foi você que me fez esquecer do meu irmão e que me falou aquelas mentiras sobre ele!
Balançando a cabeça em negativa, a nobre tentou desesperadamente se soltar, mas o aperto da shinigami em seu pulso era tão eficaz quanto uma algema.
Absolutamente consumida pela fúria, Rukia trocou a mão com que segurava a nobre, sacou Sode no Shirayuki e bradou possessa:
– Vou acabar com sua raça, sua miserável!
Saindo do estado de espanto, Ichigo reagiu velozmente e segurou a pequena pelos ombros, antes que ela cometesse uma loucura.
– Pára com isso, Rukia!
– Me larga, Ichigo! Me larga!
Vendo-se livre, Suzumi saiu correndo tão rápido quanto pôde.
– Ela tá fugindo! - Rukia berrava em desatino. – Me solta! Me solta, Ichigo!
– Yoruichi está lá! - ele gritou. – Você quase pôs tudo a perder agora!
Sem escutá-lo e debatendo-se furiosamente, Rukia só pensava em se soltar, mas Ichigo a ergueu do chão e, como se fosse uma boneca de pano, lançou-a no ombro, depois, saiu correndo em direção ao jardim.
Uma vez fora da casa, Rukia não precisou mais pedir que ele a soltasse. Postaram-se à varanda e tão logo ela se recompôs, soltou uma exclamação desconcertada ao se deparar com seu irmão e a capitã Soifon. Ichigo também ficou petrificado diante do quadro: Yoruichi mantinha a nobre presa pelos pulsos, unidos atrás do corpo, e ela gritava histericamente:
– Não podem fazer isso comigo! Não podem! Seus miseráveis! Eu sou uma nobre! Exijo que me soltem!
Rukia deu um passo adiante, seu sangue fervia e a revolta que sentia era insuportável.
– Não gaste saliva, Suzumi - recomendou Yoruichi. – Guarde para seu julgamento - e voltando-se a Soifon, ela perguntou: – E quanto ao hollow?
– Há essa altura deve estar sendo dissecado pela corja do Kurotsuchi - respondeu a capitã.
– Que? - sobressaltou-se Suzumi, debatendo-se com mais força. – Vocês mataram meu bichinho? Desgraçados! Ordinários! Vou destruir todos vocês!
Sem conseguir mais se conter, Rukia se aproximou da nobre histérica. Cerrou um dos punhos e ia com certeza socá-la, porém teve o pulso segurado por alguém.
– Sei o quanto deve ser difícil pra você, mas não deve fazer isso - orientou Byakuya.
Erguendo os olhos ao irmão, Rukia foi capaz de captar o quanto ele próprio devia estar se contendo. Seus olhos graúdos marejaram na mesma hora, baixou a fronte e soltou-se com certa rispidez, afastando-se logo em seguida.
– Pensava mesmo em me agredir, sua molequinha sem vergonha? - Suzumi provocou.
Rukia virou a cabeça para o lado oposto ao que ela estava, invocando todas suas forças para não ceder à provocação. Assim, não viu Soifon injetando qualquer coisa na nobre.
– O que está fazendo, sua shiniga-... - foram as últimas palavras da nobre antes de desmaiar.
Rukia olhou com espanto para a capitã, que se justificou dizendo:
– Iremos alegar que ela foi sedada por resistir à prisão.
Tendo aprovado a medida, Yoruichi alcançou a nobre, que se esparramara pela grama, jogou-a no ombro e, voltando-se na direção da pequena, falou:
– Rukia, seu irmão e a Soifon encontraram o hollow e conseguiram concertar as coisas. Não se preocupe, Suzumi não tem mais qualquer escapatória - e virando na direção de seu irmão, indagou: – Você tem alguma objeção de que ela fique detida na Equipe Dois até o julgamento, Byakuya?
– Não, nenhuma.
– Muito bem, então vamos levá-la, Soifon.
– Sim, senhora...
Indiferente à movimentação que se seguiu, Rukia veio se assentar num dos degraus da varanda da casa, cabisbaixa e extenuada. Ichigo ficou perto dela, porém em pé e escorado no cercado que circundava a entrada. Byakuya estava logo a sua frente.
– Assim que aquela mulher for condenada - começou o nobre, naquele tom sério e impassível que ela conhecia tão bem –, minha promessa estará cumprida e a honra de Rukia terá sido lavada. Então, trataremos daquele nosso acordo, Kurosaki.
Erguendo o rosto, Rukia encarou o irmão, tentando trazer à memória a que exatamente ele se referia, mas, antes de alcançar o intento, desviou o olhar para Ichigo por conta de sua resposta:
– Deixa disso, Byakuya... Não acha que a sua irmã já sofreu demais por um dia? E até parece que ela irá se sentir melhor se eu te matar.
Compreendendo então do que eles falavam, Rukia tornou a abaixar a cabeça e ajuntou:
– Claro que não...
– Por hora, ainda há muito o que fazer - foi a curta resposta de Byakuya, antes de desaparecer de lá.
Inspirando fundo, Rukia entendeu que parte do problema estava resolvida, porém a que restava e a mais complicada - sua relação com o irmão - não seria sanada tão facilmente.
Continua...
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Galera, eu não esperava que esse capítulo fosse ficar tão grande... bem, isso afetou um pouco minhas contas,mas é certo que a fic não chegará a trinta capítulos... Foi culpa do Mayurim e sua corja (como disse a Soifon). Amo todos eles! E descobrimos alguém mais obcecado por trabalho do que Byakuya e Soifon: Nemu!
Tenho me surpreendido com os comentários relacionados à combinação ByaSoi, hehehe. Estão curtindo, é? Legal! Também acho que combinem, mas depois do novo trauma que Byakuya viveu aqui, penso que ele ficará outros 50 anos sem pensar em mulher. Isso sim que é desperdício de recursos... Er, péssima hora pra eu inventar de fazer uma nota grande...
Enfim, agradeço de coração todos que tem acompanhado! É isso aí, até breve, pessoal!
