N/A: Primeiro de tudo obrigada a Brubru pela betagem.
Dessa vez voltei mais rápido, né?
Bom, vamos lá eu sei que não respondi as reviews do capítulo anterior, mas eu vou responder, é porque simplesmente fiquei possuída pelo ritmo ragatanga, quer dizer, por Edward e Bellinha de DQA e escrevi o capítulo inteiro hoje. Então não tinha teaser pra mandar no capítulo anterior e depois de uma votação no twitter o pessoal preferiu que eu postasse logo e fosse respondendo as reviews acumuladas aos poucos. Então sosseguem a pererequinha e o piupiuzinho (tem algum? Se tiver, perdão, piupiuzão, sei como vocês homens são sensíveis com essas coisas) que vou responder as reviews.
Ai esse finalzinho de fic é sempre mais doido pra escrever, acho que é aquela coisa que você começa a entrar em negação que tem que se despedir dos personagens hahaha.
Bom, respondendo a pergunta do capítulo anterior, ao fechar meus olhos eu me vi rindo num bar, com uma pint na mão e eu estava usando uma jaqueta preta lindaaaaa que eu não possuo hahaha.
Vamos ao capítulo ;) Vejo vocês lá embaixo.
Capítulo 24
Ela sentia o vento forte batendo no rosto. Passou a língua pelos lábios, tentando os umedecer. Seus olhos piscavam incontrolavelmente e seu coração estava batendo erraticamente.
- Izzy, vamos embora. - Tyler pediu.
Bella não parecia ouvir o amigo que estava pálido só de olhar a altura que estavam. Suas pernas tremiam, mas era normal. Abriu os braços e respirou fundo. Era o momento, não tinha como voltar atrás.
- Preparada? - o homem que estava ao seu lado questionou.
- Sim. - respondeu fechando os olhos e jogando o corpo para frente.
Como se fosse por instinto, ela abriu a boca para gritar, mas tudo que sentiu foi o ar invadindo sua garganta. A adrenalina corria em suas veias e podia jurar que nada nessa vida fez com que seu coração disparasse dessa forma. Saltar 40 metros de bungee jump nunca foi um sonho de Bella, mas ao ver um pessoal falando sobre um local onde estavam praticando o esporte radical, a curiosidade foi plantada na mente de Bella e então ela pensou "Por que não?".
Seu corpo sacolejava, mesmo tendo a cintura e o tronco presos. Quando finalmente conseguiu parar, seu corpo apenas balançava de um lado para o outro no ar e como se fosse um efeito colateral de todo aquele nervosismo, ela começou a rir. Era um riso alto e gostoso, que acabou contagiando o rapaz que puxava a menina de volta para o solo e retirava o equipamento de segurança.
- Gostou? - ele questionou. - Normalmente iniciantes ficam um pouco tontos depois do primeiro pulo.
- Foi incrível. - respondeu animada, ainda com um sorriso estampado no rosto. - Estou me sentindo ótima!
- Pena que seu amigo desistiu. - o rapaz falou apontando para Tyler que estava sendo auxiliado por um membro da equipe. Sua boca estava pálida, assim como seu rosto.
- Frouxo... - Bella murmurou indo até o amigo.
- Ei, antes de você ir... - o rapaz chamou um pouco sem graça. - Será que tem como você me dar seu telefone? Sei que é um pouco precipitado, mas é que... seu sorriso chamou minha atenção.
- Hmmm... - a morena cogitou. - Fico lisonjeada, de verdade, mas não acho que seja um bom momento.
- Só para a gente conversar...
- Mas você quer meu telefone pra ficar batendo papo ou porque você está interessado em mim? Por sinal, qual seu nome?
- Joshua ou Josh, se você preferir. E para ambos, embora, se posso ser sincero, tenho vontade de conversar com você porque queria sair contigo e tal...
- Então você não quer meu número só para conversar, você quer meu número para tentar me persuadir a sair contigo.
- É, pensando por essa perspectiva... - respondeu sem graça.
- Relaxa, você parece ser um cara gente boa, mas se me permite usar do mesmo tipo de sinceridade que você, o homem pelo qual eu sou apaixonada vai casar dentro de duas semanas e embora eu pudesse aceitar o seu convite para tentar me distrair e não pensar nele, eu creio que a presença de qualquer homem, nesse momento, faria justamente o contrário, entende? Complicado, eu sei. De qualquer forma, obrigada pelo convite.
O homem não falou mais nada, apenas viu a menina de pele branca e cabelos castanhos correr em direção ao amigo que estava praticamente estendido no gramado.
- Tyler, se você vai vomitar, vomita logo porque eu não vou pagar o mico de ter você vomitando em pleno metrô. Você sabe que essa época do ano é cheio de turistas por aqui.
- Obrigado pelo apoio moral.
- Obrigada você, né? Não deve ter tirado uma foto sequer do meu pulo. Te trouxe aqui para nada. - bufou.
- Shhh, fica quietinha que eu tô suando frio e você reclamando no meu ouvido não me ajuda.
- Quer água? - ela questionou sentando ao lado dele no gramado.
- Não, o cara tirou minha pressão e em seguida me deu um pouco de sal para por embaixo da língua. Daqui a pouco vou me sentir melhor. - respondeu respirando fundo.
A morena, vendo que o amigo ainda ia precisar de mais uns minutos para se recuperar, se deitou na grama ao lado dele e ficou observando o céu.
- Como foi a queda? - questionou.
- Incrível. Você deveria deixar de ser fresco... Foi... libertador, sei lá. - sorriu. - Me senti assim poucas vezes na vida.
- Como você está, Izzy? - perguntou olhando a amiga, mas apenas virando os olhos, não queria se mover muito pois tinha medo de ficar enjoado e sabia que Bella iria tagarelar até a morte caso ele vomitasse em cima dela.
- Estou bem. Sei lá, estou lidando. É sobre ele que você está perguntando, não é?
- Sim, porque falta pouco para... você sabe.
- Eu sei. - ficou calada.
- Desculpa tocar no assunto. Você não tem falado muito sobre isso nos últimos dias e eu estou preocupado contigo.
- Não tem porque se preocupar, Tyler, mas obrigada. Eu estou aprendendo a ficar sem ele, mas não estou me policiando, acho que vai ser só pior, sabe? Se eu colocar na minha mente que não posso pensar nele e tal. Então eu ajo normalmente. Tem dias que eu penso nele só na hora de dormir, sabia? Tem bastante coisa na minha cabeça. Estou tentando ver outro emprego, mas na nossa área. Cansei do bar e tá um saco ficar lá sem Alice, não tenho mais paciência de ouvir Patrick falando no meu ouvido...
- Ela está bem?
- Sim. Se recuperando aos poucos. Acho que é esse momento que estamos todos passando, sabe? Ele, Alice, eu... todos precisamos nos recuperar, algumas feridas demoram mais que outras para cicatrizar.
- Gay.
- Vai se foder. - xingou.
- Se você quiser, a gente pode marcar algo no dia, o que acha? - perguntou.
- Não. Eu me conheço, vou querer ficar sozinha, mas obrigada. Obrigada mesmo, Tyler.
- Ao dispor... Só não inventa de pular de bungee jump de novo e me levar junto, por favor. De resto, tá beleza.
- Ok. - concordou dando uma risada.
Edward foi marcado para duas entrevistas na semana anterior. Uma parecia promissora, mas ao chegar no local descobriu que na verdade deveria lavar pratos ao invés de lidar diretamente com a comida. A segunda ele abandonou assim que estava chegando ao local, mas não por medo. A vaga era para trabalhar na cozinha de uma rede de fast food e ele, sinceramente, se aplicou a vaga no calor do momento. Não achava que era uma vaga terrível, afinal de contas dava para tentar alugar um pequeno apartamento próximo ao Bronx com o salário que ele ganharia, mas sentia que era como se estivesse traindo a si mesmo. Ele sabia que aquele não era o tipo de comida que apreciava preparar. Agora que descobrira finalmente o que gostava, Edward estava convicto em persuadir seu sonho.
- O que houve? - Lauren questionou observando que Edward tinha a mente distante.
- Nada. - respondeu.
- Será que minha barriga vai marcar no vestido? - Lauren perguntou tentando prender a atenção do noivo.
- Não sei.
- O que aconteceu, Edward?
- Eu acabei de acordar. - respondeu olhando, pela primeira vez no dia, nos olhos da mulher com quem estava dividindo a cama.
- Mentiroso. - riu. - Você está acordado tem um tempão!
- Não. Eu acordei agora.
Pela firmeza do olhar de Edward, Lauren engoliu a seco. Ele significava muito mais do que literalmente abrir os olhos e acordar depois de uma noite de sono. Se permitiu sonhar e ter esperança de atingir seus objetivos. E, ah, não tinha nada que desse mais ignição para a coragem do que a esperança. Infelizmente, para Lauren, ela estava exatamente ali, estampada na face de Edward.
- É bom aproveitar para dormir mais agora. – ela brincou desconversando. – O bebê com certeza vai manter a gente acordado a noite inteira depois do nascimento.
- Nunca imaginei que o seu lado materno fosse aflorar dessa forma. – comentou.
- Muito menos eu. Acho que é a certeza de saber que tem um pedaço nosso crescendo aqui dentro. – tocou a barriga.
- Eu tenho um compromisso agora no começo da tarde, vou fazer uma omelete reforçada para me manter alimentado até a hora do almoço.
- Para onde você vai?
- É um compromisso.
- Compromisso com o quê? – questionou.
- Uma entrevista de emprego, Lauren. – cedeu.
- O quê? Como assim uma entrevista de emprego? – perguntou pasma. – Você estava procurando emprego pelas minhas costas?
- Pelo amor de Deus, Lauren... Não é como se... – ele ia falar "Não era como se eu tivesse te traindo", mas ele estava. Estava traindo ela antes mesmo de sair com Bella. As pessoas têm a falsa convicção que trair significa transar com outra pessoa. Para Edward, a traição começou quando ele se relacionou durante anos com uma mulher que ele nunca amou, nunca se apaixonou.
- O quê? Não acredito, os milhões que eu ganho não são necessários para você? Pelo amor de Deus, Edward, o que você vai fazer? Não me diz que vai trabalhar de faxineiro ou algo do tipo, porque eu não vou conseguir conviver com a vergonha.
- Lauren, pelo amor de Deus, juro que não quero ter essa conversa agora. Se eu sou um bosta, vou fazer a entrevista só para escutar o cara me dizer isso, ok? Pronto, agora deixa eu tomar um banho, fazer minha omelete e seguir com o meu dia. Você vai trabalhar? Quer que eu cozinhe algo para você?
- Quero que você fique em casa comigo. Não estou me sentindo bem.
- Sem essa para cima de mim, Lauren. Sabe o que me impediria de sair de casa hoje? – questionou retoricamente. – Nada.
- Deixa de bobeira, Edward. Sério, para que se magoar com essas coisas? Já falei que não me incomodo em te sustentar. Qualquer coisa você pode ficar lá na empresa... Hein?
- Lauren... Não. Vamos evitar isso, ok? Nós dois não merecemos isso, essa dependência. Deixa eu seguir com meu dia, ok? – disse encerrando o assunto e indo em direção ao banheiro.
Lauren ficou calada, encarando a porta que ele fechou. Seus olhos involuntariamente encheram de lágrimas. Era a primeira batalha que ela perdia e, também pela primeira vez, ficou com medo de perder a guerra.
Bella caminhava para seu prédio após deixar Tyler em casa. Estava distraída, mas não distraída o suficiente para não olhar para o outro lado da rua e perceber Edward. Ele estava saindo do prédio em que morava, bem arrumado e com uma folha de papel na mão. A morena ficou momentaneamente nervosa, mas depois desviou o olhar e seguiu para a portaria do próprio prédio. Ficou aliviada por Edward não ter a seguido.
O homem de sedutores olhos verdes teve que se conter, se deveria ser sincero, queria mais do que nunca, naquele momento, falar com ela, mas eles tinham prometido que iam seguir adiante, arrumar a bagunça de suas vidas. Então, ele deixou que ela entrasse no prédio e seguiu para o local que estava indicado no papel que segurava nas mãos. A vaga que havia visto era no Soho, para ser assistente de cozinha. O salário era moderado, mas era um restaurante focado na culinária francesa que Edward tanto adorava.
- Rose? - Edward questionou.
- Sim. O que houve? Alguma resposta de alguma entrevista? - perguntou ansiosa.
- Calma, irmã. Estou indo para uma entrevista agora. Aquela que te falei anteontem.
- Vai dar tudo certo! Já fiz até uma prece! - falou confiante.
- Rose, vou precisar do seu apoio. - pediu enigmaticamente. - Posso passar aí hoje para jantar?
- Claro. O que aconteceu?
- A gente conversa mais tarde. Me deseja boa sorte.
- Toda sorte do mundo para você, irmão.
- Obrigado.
Ele seguiu calmo, nem parecia aquele rapaz que há um mês tinha passado por uma terrível entrevista em um dos bancos mais importantes do país. Edward queria aquele emprego, mas dessa vez não era somente pela necessidade. Queria aprender e, surpreendentemente, ensinar. Sabia muito bem que possuía conhecimento na área da culinária e aquilo o deixava entusiasmado ao invés de apavorá-lo.
No caminho para o pequeno restaurante onde havia marcado a entrevista, abriu o diário que Bella havia o dado de presente de aniversário de 30 anos e releu algumas coisas que escreveu. Era meio louco, mas ele entendia absolutamente tudo que estava rabiscado por lá. Algumas vezes eram palavras aleatórias, outras vezes uma necessidade de desabafar com alguém ou um desejo quase que incontrolável de conversar com Bella. Para se sentir mais leve, ele escrevia lá. Eram recados para ela, palavras de motivação para si mesmo. Ali ele achou um conforto e uma forma de tentar se compreender e fugir da carapuça auto imposta de homem fútil e ambicioso que não se preocupava com nada, porque afinal de contas, ele se preocupava e muito. Já sentiu vergonha de si mesmo e pensou não ter valor algum, mas as coisas estavam mudando e cada página daquele caderno mostrava isso. Era um segredo entre o menino inconsequente e inseguro do passado e o homem que aprendia a viver em sua própria pele e corria atrás de seus sonhos. Entre Edward e ele mesmo.
Ao chegar no local, Edward não precisou nem esperar. Seu contato com Bernard foi imediato e se sentiu aliviado quando viu o carismático sorriso que o dono do restaurante o ofereceu. O lugar era sofisticado, tinha uma decoração bem clean. Edward sabia que restaurantes assim só abriam vagas para ajudantes uma vez na vida e outra na morte. Sabia da dificuldade que seria, principalmente por não ter experiência anterior na área, arrumar uma vaga no local, mas estava decidido a tentar. O máximo que poderia acontecer era não conseguir o emprego.
- Boa tarde, Senhor Cullen. – o homem o cumprimentou.
- Boa tarde, Senhor Dupont. E pode me chamar de Edward.
- Então sem formalidades, me chame de Bernard. Vi sua candidatura para a vaga no nosso site e achei curioso porque você foi o único candidato que nunca teve experiência prática na cozinha.
- Perdão, Senh— Bernard, mas não é porque não tenho nenhuma experiência escrita no meu currículo, que isso signifique que eu não tenha prática na cozinha. – Edward respondeu de imediato e depois quis se bater por falar isso. O homem devia pensar que ele era um abusado. Porém, para a sorte de Edward, Bernard deu uma gargalhada e achou a audácia do rapaz divertida. Sabia que um cozinheiro se sentiria ofendido pela maneira que ele ousou dizer que não deveria ter experiência na cozinha.
- Me fale então o que te motivou, primeiro de tudo. Por que Edward Cullen deveria ser ajudante do meu restaurante?
- Porque eu demorei 30 anos da minha vida para perceber o que eu realmente gostaria de fazer. – respondeu com um riso sem graça. – Nunca achei que tinha muito talento para algo, mas sabe o que me acompanha desde pequeno? A culinária. Desde novinho eu ficava parado ao lado da bancada vendo minha mãe fazendo bolo de limão e querendo saber os ingredientes e apreciando o gosto de tudo, querendo fazer umas misturas que surpreendentemente ficavam com gosto saboroso. Cozinhei a vida toda por prazer, por ser algo que me acalmava e não posso negar que eu amo ver a expressão de alguém comendo algo que eu preparei. Basicamente, eu poderia responder a sua pergunta com a clichê, porém verdadeira resposta que eu me permiti acreditar em mim e no meu sonho.
Bernard ficou intrigado com a resposta de Edward, mas de uma forma positiva. Edward fugia do padrão que vinha aparecendo em seu restaurante e aquilo agradava o robusto homem de pele negra e olhos cor de mel. Os dois então trocaram opinião sobre a culinária francesa, especialidade do restaurante. Edward falou da experiência que teve vivendo na França. Contou sobre seus pratos favoritos, como gostava de prepará-los e algumas modificações que havia feito.
O dono do restaurante ficou interessado, isso era evidente, não conseguia esconder sua empolgação. Porém ouvir uma pessoa falando como se prepara uma comida e prová-la são coisas totalmente diferentes.
- Edward, eu tenho que ser sincero e falar que gostei muito de você, mas...
- Ai, esse mas... – riu sem graça.
- Não é um "mas" negativo, acredite. O que quero dizer, é que gostaria que você voltasse aqui novamente para preparar algo para mim. Considere como a segunda fase da entrevista, ok? Quero que você prepare uma entrada, prato principal e sobremesa. Podemos marcar a segunda fase para daqui duas semanas? – questionou. – Dia 10, o que me diz?
- Hmmm... – respondeu. Dia 10 de agosto era um dia antes do aniversário de Lauren, ou mais precisamente, era um dia antes da grande data que estava escrita em dourado nos convites do casamento de Lauren e Edward. – É claro. Sem dúvidas. Eu realmente quero essa vaga.
Bella estava jogada no chão do apartamento com Anthony e Marie. Ela ria dos sons que eles faziam e de si mesma com uma voz fina falando com os animais. Eles eram adoráveis. Colocou os bichinhos de volta em sua casinha e tirou a calça jeans apertada, ficando apenas de calcinha arrumando a casa. Ligou o som e colocou no volume mais alto. Como se não tivesse nada mais importante para fazer, começou a dançar e falou um alto "Adoro!" quando uma música de Britney Spears começou a tocar no rádio.
- Strongeeeeeeerrrrrr than yesterdayyy – gritava junto com a música chacoalhando os quadris enquanto varria o chão e fazia o cabo de vassoura de microfone.
Ela se sentia mais leve, mais otimista. Achava que o ditado de que "Quem canta seus males espanta" não poderia ser mais preciso. Ela ria de si mesma, se divertia sozinha. Talvez tenha sido essa a maior lição que ela aprendeu nos últimos meses: se divertir. Não que Bella achasse que sua vida era chata ou patética – ok, talvez ela achasse um pouco -, mas ela aproveitou os últimos meses como jamais aproveitou seus 21 anos de vida. As pessoas deveriam ser responsáveis, prezar pelo futuro e tudo mais, mas seria incrivelmente tedioso passar por tudo isso sem um pouquinho de diversão.
Prosseguiu com a limpeza do apartamento e se surpreendeu ao encontrar um papel que havia usado de rascunho para fazer a listinha de coisas que nunca fez na vida. Tanta coisa já havia sido realizada. Como podia a vida mudar tanto assim? Como ela pode mudar tanto assim? Talvez fosse isso que chamassem de amadurecimento, não sabia muito bem como nomear.
- Talvez eu esteja virando uma mulher... – falou para si mesma e olhou seu reflexo no espelho. Estava descabelada, a blusa suada e sua calcinha era estampada com milhões de Puccas. – Virando...ainda não concluí o processo por completo.
E nem queria. Gostava de sua calcinha de bichinhos – ou como Alice designava: calcinha de mulher que não faz sexo. Talvez se tornar uma mulher significava isso, aprender a lidar com as situações e com suas vontades. Aprender a se aceitar. Bella sabia muito bem que podia colocar um vestido e chamar atenção de homens. Sabia que não importava a cor ou o tipo de calcinha que usava, o desejo do homem com quem decidiria dividir sua cama iria além de qualquer coisa do gênero. Entendia que às vezes não tinha ânimo para sair, mas ficar em casa todo dia observando a vida alheia se tornara deveras patético vendo pela perspectiva que tem hoje. Percebeu que embora nunca tivesse tido seu coração partido antes de se relacionar com Edward, criava escudos para afastar qualquer tipo de homem que surgia em seu caminho porque talvez fosse ali que morava sua insegurança. Sabia que Edward fora o responsável por ajudá-la a cumprir inúmeras coisas naquela lista, mas jamais tiraria o próprio crédito de ter dado o passo inicial.
Amassou o papel e jogou no lixo. Normalmente pensaria em guardar de recordação, mas certamente não precisaria de uma listinha para se lembrar de tudo que vivera.
Observando o apartamento, se deu por satisfeita. Estava limpo e arrumadinho, do jeito que ela gostava. Ainda tinha TOC com essas coisas e não tinha vontade alguma de mudar isso.
Sentindo uma nostalgia repentina de seu outro lar, pegou o celular e ligou para a mãe, querendo ouvir uma voz familiar, um conforto.
- Alô? – Charlie atendeu.
- Oi pai, cadê a mamãe? – questionou.
- Oi, Bellinha, eu estou bem, obrigado por se preocupar com seu velho e não só com a sua mãe.
- Ah, pai! – ela riu. – Você sabe que eu me preocupo com o senhor, eu te amo, não me venha com essa voz choramingada. Como estão as coisas por aí?
- Aqui em casa tudo bem, mas na vizinhança...
- Qual a fofoca?
- Que isso, minha filha, longe de mim fazer fofoca... – comentou. – Mas estão comentando por aí que o Michael, sabe quem é né?
- O filho da professora Margareth?
- Esse mesmo! – falou empolgado e Bella teve que se controlar para não começar a rir. – Terminou o noivado e agora decidiu virar padre!
- Mentira.
- Eu lá vou mentir, filha?
- Desculpa, foi apenas minha forma de expressar meu choque.
- Pois é, o menino que sempre correu atrás de um rabo de saia agora quer virar padre. Deve tá querendo levar alguma freira pro caminho da perdição.
- Não duvido nada. – comentou com uma risada.
- E você, hein? Como você está, filha? Melhor do que aquela vez que nos vimos?
- Sim, pai. Estou melhorando, não estou 100%, mas estou bem.
- Você quer falar com sua mãe, né? Papo de mulher e essas coisas que seu pai não deve querer saber...
- Mais ou menos por aí... – riu.
- Ok. Te amo, princesinha.
- Também, pai.
- Isabella? O que aconteceu? – Renée atendeu preocupada.
- Nada, mãe. Que afobação. – riu. – Tudo bom?
- Tudo sim, meu amor. Desculpa, Charlie me entregou o telefone apressado falando que era você que até achei que era alguma coisa grave. Como você está?
- Estou bem. Melhor. Queria conversar sobre aquilo que a gente falou da última vez.
- Sobre o rapaz?
- Sim. Ele vai casar dentro de duas semanas. – contou. – Eu estou lidando até bem, sabe? Mas uma parte de mim está magoada, uma parte bem grande. A outra parte está feliz pelo que a gente viveu. E a outra parte...
- Que tem?
- A outra parte é uma mulher completamente dissimulada que entra no meio da igreja gritando para interromper aquela porcaria de casamento porque o homem é meu. – ela riu.
- Pelo amor de Deus, filha... – Renée riu.
- Eu sei, eu sei. Acredite, se eu tivesse coragem, ainda teria meu orgulho e ele jamais deixaria eu me submeter a isso. Até porque Edward podia me ter, mas a escolha dele não foi essa. Odeio quando eu faço isso, sabe? Coloco a culpa nele involuntariamente. Fico pensando que ele não me escolheu... Eu me sinto numa eterna contradição. Acho que por fora eu estou lidando bem com isso, mas às vezes me dá uns surtos sabe? Onde eu sinto muita vontade de chorar porque queria ele do meu lado.
- Eu entendo, meu amor. É natural, mas pensa naquilo que a gente tinha conversado, às vezes as coisas não acontecem do jeito que planejamos. Vocês dois têm muito do que viver da vida e para aprender também.
- E se ele for o amor da minha vida? É ridículo, mas eu fico pensando nessas coisas, sabe? Quando eu estou me sentindo um lixo eu coloco uma música triste, choro como se não houvesse amanhã e fico pensando que eu perdi o grande amor da minha vida.
- Bella, ele não está morto, não vamos ser melodramáticas. – brincou. – A gente se recupera aos poucos, querida. Hoje vai ser assim, amanhã tomara que tudo esteja melhor. A recuperação é assim, é algo que torcemos para ser progressivo. Não fique se culpando por sentir vontade de chorar ou de rir. Não conte os dias para o casamento, apenas siga sua vida.
- Eu seria estúpida de aceitar voltar com ele caso ele aparecesse aqui na minha porta dizendo que terminou tudo com a Lauren?
- Meu amor, não posso responder isso para você. Essa resposta, a única pessoa que tem é você, porque quem convive com as suas escolhas é justamente você, entende? A mamãe está aqui para ouvir, aconselhar, mas tem decisões que só cabem a você, ao seu coração e sua mente.
- Eu sei. – bufou. – Acho que eu sei o que faria.
- Já é um começo.
- Você não quer saber o que eu faria?
- Meu bem, não importa a sua escolha. Eu estou aqui para te apoiar.
- Obrigada. Eu queria tanto falar com você sobre isso. Meus amigos podem me ajudar, mas sei lá...
- Mamãe é mais legal que eles, né? Pode admitir. – brincou. – Amadureça suas ideias e não se importe se vão pensar que é besteira ou não, tá? Acho que você já aprendeu que o que vale é o que você sente, afinal, se não soubesse disso, não tinha nem se envolvido com o rapaz, né?
- É... – refletiu. – Obrigada, mãe. Vou seguir com meu dia. Vem me visitar um fim de semana com o papai.
- Assim que você estiver pronta para nos receber, pode ter certeza que irei. Qualquer coisa me ligue, viu? Não precisa hesitar, principalmente no dia. Tá?
- Ok.
Elas se despediram e Bella ficou encarando o teto. Respirou fundo e deixou que sua mente absorvesse toda aquela conversa. Ficou imaginando situações sem fim em sua mente, imaginando diversas reações para cada uma delas, mas depois parou de bobeira. Não adiantava nada querer prever o que poderia acontecer. Decidiu que a melhor coisa que poderia fazer era se arrumar para o trabalho e aproveitar o dia para pedir demissão. Patrick fazia tanto desdém de seu trabalho, que com certeza arrumaria alguém melhor para a substituir.
Edward estava sentado no Central Park com uma caneta na mão e seu caderno apoiado na perna.
27 de julho.
Hoje eu acordei diferente. Acordei cheio de esperança como nos outros dias, mas sei lá... foi diferente. Eu não senti medo, hoje nada me assustou... E sabe o que eu pensei? Não tem coisa pior do que uma pessoa sem medo. Sabe por quê? Ela não teme.
Não sei se a entrevista que eu fiz irá dar certo, embora esteja realmente empolgado, Bernard parece ser um cara legal e compartilhamos um amor pela culinária francesa que poucos compreenderiam. Não sei... Eu estou prestes a fazer algo realmente bom da minha vida. Eu sinto. Deus, por que eu esperei tanto?
Agora. Meu momento é agora.
Bella estava sentada no escritório com Patrick. Ele parecia impaciente e aquilo só fazia com que Bella ficasse mais irritada. Deveria ganhar um lugar no céu por ter aguentado um chefe tão chato durante tanto tempo.
- O que você quer, Isabella? Está perdendo hora do atendimento aos clientes. Sabe que a menina nova ainda se confunde.
- Eu estou me demitindo. Só vou trabalhar até o fim da semana. – falou.
- O quê? – questionou totalmente despreparado.
- Eu me demito. Não quero mais trabalhar aqui, Patrick. Estou cansada de sempre levar patadas e sinceramente não é algo que eu quero fazer pelo resto da minha vida. Vou começar a procurar um estágio na minha área e eu guardei dinheiro suficiente pra conseguir me manter pelos próximos meses sem cometer extravagâncias. – justificou.
- Mas você não pode se demitir assim!
- Claro que posso e é isso que eu estou fazendo. Era só isso que eu queria falar. – finalizou levantando da cadeira.
- Isabella, volta aqui!
- Desculpa, tenho clientes para atender. – respondeu fechando a porta do escritório.
Rosalie estava preocupada. Havia marcado o jantar com Edward, mas o relógio se aproximava das 21h30 e ele não aparecia. Seu coração se acalmou somente 10 minutos depois, quando a campainha tocou. Porém, ao ver o rosto de Edward, era como se ele tivesse novamente palpitando com preocupação.
- Meu Deus, o que aconteceu? – falou olhando para o irmão e ao redor dele.
- Eu preciso da sua ajuda. – ofereceu um sorriso triste.
- Sempre, irmão. – respondeu o abraçando.
N/A: "CARACA BERRY TU TÁ MALUCA, CONTINUA ISSO AIIII!". Juro que já imagino algumas leitoras mandando uma dessa hahaha. Bom, ai que gostinho de final que estamos chegando. DQA tem mais o capítulo 25, 26, 27, 28 e epílogo. Todas dá a mão pra autora que vai chorar baldes.
A pergunta da semana é: Qual foi a última fofoca que você ouviu?
Vou ser breve porque amanhã eu trabalho e não há cóccix fraturado (sim, pra quem não viu no twitter eu consegui a proeza de fraturar o cóccix) que vá me deixar em casa porque não aguento mais ficar de repouso!
Então é isso pessoal, até o próximo e muito obrigada mesmo pelo carinho que vocês sempre têm ao comentar aqui em DQA e pelos elogios que recebi ao longo do caminho (olha eu já pegando lencinho, tô muito fim de fic mesmo HAHAHA).
Beijoca e até!
