Capítulo XXIV – Se vai para Vegas, tem que casar!

Chegar em casa depois de um plantão de 30 horas é simplesmente delicioso. Eu tenho esperança de que eu me acostume com o tempo a essa carga horária absurda, porque não é legal ficar se sentindo um zumbi.

Eis que você termina o seu curso lindo e maravilhoso de medicina e pensa: ora, vou viver, me segure quem puder!, mas na verdade descobre que seres maléficos já criaram novas formas de acabarem com sua vida — também chamadas de residências¹ entre os íntimos.

Só para esclarecer alguns pontos: ainda moro com os meus irmãos, apesar de ultimamente o Hideo passar vários meses em Sapporo, e Shippou também sumir ocasionalmente para Naha. Ou seja, sem Hideo para controlar essa bagaça, quem manda aqui é o Nagi, e ele deixa a geladeira sem comida quando alguém faz algo que o desagrade. O problema é que até respirar é motivo para desagradá-lo às vezes, e passamos semanas indo comer em restaurantes.

Segundo: eu estava fazendo residência no Hospital Hokkaido, apesar de o Aiiku ter me dado preferência para especialização. Sim, depois de ser uma escrava, o presidente me disse "nós sempre pressionamos nossos estagiários com mais potencial para termos certeza da sua competência, será um prazer tê-la de volta para a residência". Fiquei puta (e nem foi no bom sentido), mas ao mesmo tempo um pouco aliviada por saber que a culpa de eu estar sendo explorada não era de Sesshoumaru. Aliás, essa coisa de "estagiário sendo escravo" era realmente um aspecto comum do Aiiku, como os veteranos me confirmaram algum tempo depois — aparentemente, sobreviver ao estágio era salvo-conduto para uma seita misteriosa de ex-alunos traumatizados.

Ainda assim, eu preferi ir para o Hokkaido. Sesshoumaru ficou muito irritado, mas no final eu fiz o que queria. E ainda o obrigo ocasionalmente a fazer doações para o hospital (aliás, não apenas ele, como Hideo e Shippou). E, por obrigá-lo, leia-se: usar o cartão de crédito dele para tal fim.

Aliás, antes que perguntem, o infeliz nunca foi ver minha mãe. Hoje em dia ela me olha com pena, achando que eu havia mentido sobre ter um noivo apenas para não parecer uma encalhada. Ela se esqueceu que foi ela quem realmente começou com essa história dos infernos?!

Enfim, entrei em casa e dei de cara com a linda imagem de Hideo com Ren nos braços. Apesar de estar cansada, eu dei um grito e saí para tirá-lo do colo do meu irmão e abraçá-lo e enchê-lo de carinho. Simplesmente não há definição de amor profunda o suficiente para explicar o que sinto por ele.

— Hoje é seu dia de cuidar dele? — perguntei para Hideo, que revirou os olhos.

— Tive que trabalhar daqui. Cadê o pai dessa criança? Por que eu sou obrigado a cuidar dela, quando eu tenho que dominar o mundo? — Ele se sentou pesadamente numa poltrona. Sentei-me no tapete, colocando Ren entre minhas pernas.

— O pai dele está trabalhando para me fazer feliz. — falei, beijando Ren mais uma vez — Falando nele… — disse, erguendo os olhos ao ouvir a porta bater e o dito cujo entrar na sala, pisando duro — Oi, Raiden, conseguiu o que pedi?

Ele me olhou de cara feia, jogando um saco de morangos ao meu lado e se inclinando para pegar o filho. Se vocês achavam que ele podia ser superprotetor comigo, então vocês não imaginam o demônio que ele vira se alguém olha torto para o bebê dele. Acho que a única pessoa que importa tanto no mundo para ele é a esposa, Arnya.

Ela é a principal espiã de Hideo, em caso de dúvidas. Semana passada o meu irmão deu a ela a missão de espionar um empresário americano e ela ficou muito irada. Disse que iria, mas que Hideo cuidaria do filho dela já ele não tinha escrúpulos de mandar uma mulher com um bebê pequeno ir trabalhar do outro lado do mundo.

Devia ver a cara de desolação do meu irmão quando ela empurrou o bebê nos braços dele e saiu da sala pisando firme. Depois disso, Hideo criou um cronograma, onde cada um de nós cuidaria de Ren por um dia até a Arnya voltar. Sabe… Essa coisa de chefe delegar funções é irritante. Principalmente quando eu não sou a chefe.

Até eu fui vítima do processo, e tive que levar Ren comigo semana passada para a visita a qual Sesshoumaru me obrigou a ir com ele. Apesar de que foi engraçado empurrar o Ren nos braços do Sesshoumaru para ir comprar café, e, ao voltar, encontrá-lo conversando friamente com os executivos… com um bebê no colo.

Acho que eu nunca ri tanto.

Os homens haviam encarado Sesshoumaru como se ele tivesse virado um alienígena. Eu também nunca imaginei ver aquela cena... Achei que Sesshoumaru iria dar o bebê para Kazuki ou Ryuuji, mas olhei em volta e não encontrei qualquer um dos dois. O que ele faria, afinal? Colocar Ren nos braços de um dos executivos com o qual estava negociando? Sem falar que ele parecia bastante natural, como se estivesse segurando alguma bolsa, em vez de um bebê que ria enquanto babava na gravata dele.

Nossa, valeu a pena receber o olhar de ódio de Sesshoumaru quando me aproximei só para ver essa cena.

Lembrar disso me fez dar risada, enquanto Raiden questionava Hideo se o filho já tinha sido devidamente alimentado e banhado. Foi engraçado ver Hideo descrever com detalhes o que tinha dado para alimentar o bebê e questionar com petulância a Raiden se já não era hora de dar alimentos sólidos para Ren.

Ainda estava rindo quando recebi uma mensagem de Sesshoumaru, dizendo que eu deveria ir imediatamente encontrá-lo (sim, de Sesshoumaru, depois que eu passei três meses ignorando qualquer solicitação do Kazuki, ele passou a entrar em contato pelo número dele, embora eu desconfie que ele apenas entregue o celular para o assistente). Respondi a mensagem com um "Preciso dormir, vou amanhã", e me despedi de Ren para ir vegetar na minha cama.


Dmitri foi me buscar em casa na manhã seguinte. Então eu não tinha escolha, a não ser ir ver o Sesshoumaru antes de ir para a Gintan, a indústria de serviços de telefonia de Hideo na qual eu trabalho duas vezes por semana como assistente do Presidente. Depois que meu irmão achou que eu estava apta a administrar, ele me deixou responsável por resolver assuntos emergenciais quando ele viajar. Da primeira vez eu achei que iria ter um AVC, mas, depois de um ano de tratamento de choque, eu acabei ficando mais confiante — não que eu tenha lidado com alguma crise, só fiz o que estava na caderneta.

Dmitri estacionou em frente à Mansão Cadela (é assim que o Daiki chama a casa de Sesshoumaru) e eu desci. Dmitri me lançou um olhar avaliativo e eu bati continência para ele. Não vou mentir que tem algo nele que me deixa nervosa, mas eu o acho interessante, por causa da mudez seletiva.

Entrei no escritório de Sesshoumaru exclamando um:

— O que é que você quer?!

— Sua mãe não te deu educação, imagino. — ele respondeu acidamente. Parei alguns segundos ao perceber que ele estava usando calça jeans e camisa social branca. Apenas. É muito estranho ver Sesshoumaru vestindo algo casual, mesmo depois de dois anos em que ele me faz engolir sua presença irritante.

— Nossa, fala a pessoa mais educada que eu conheço. — respondi, sentando-me em cima da mesa dele, ciente de que ele odeia que eu faça isso. Sei disso porque toda vez que faço, ele olha para a Bakusaiga presa na parede, decidindo se vale à pena sujá-la com o meu sangue. — E como você sabe que eu tenho mãe? Você se recusa a conhecê-la.

— Pensei ter deixado claro como é inútil ir visitar qualquer pessoa.

— Então posso trazê-la aqui? — perguntei com um sorriso.

— Não. — E sentou na cadeira, jogando uma revista na minha direção. Droga, sabia que tinha algo errado. Olhei a foto dele segurando Ren na capa da revista e procurei a matéria correspondente segurando o riso.

A matéria era longa, o que era de se esperar, já que qualquer podre de Sesshoumaru seria motivo para uma revista inteira, se necessário. Li rapidamente, identificando aquelas balelas midiáticas de sempre, e, é claro, a básica teoria da conspiração sobre Sesshoumaru e eu termos nos casados secretamente e já termos uma linda criança para exibir para o mundo.

— Você ficou bem na foto.

— Você não está sendo engraçada.

— O que quer que eu faça? — perguntei, dando de ombros e cruzando as pernas lentamente, numa atitude completamente arrogante que deixaria ele louco para me dar uma surra. E não seria no sentido pervertido. E não que eu queira que seja nesse sentido.

— Você vive me constrangendo deliberadamente. Em algum momento vou querer que você se redima do que faz. Talvez comece isso imediatamente. — Nossa, como ele está falante hoje. Estou até ficando arrepiada.

— Me redimir como?! — perguntei — Me processe, então.

— Não faz sentindo lhe processar. Meus advogados acham que seria ruim para a minha imagem. — Ele estreitou os olhos para mim — Mas estou quase disposto a correr o risco.

Arregalei os olhos.

— Você pensou na possibilidade?! — Ele não respondeu. O.k., sim, ele pensou. — Eu sou sua noiva!

— Sei disso. Quem propôs?

— Então como pode ter pensado na possibilidade de me processar?

— Nunca disse que pensei.

— Está na cara que pensou.

— Mandei o pré-nupcial para os advogados do seu irmão. — ele disse, abrindo uma gaveta. — Ele me mandou de volta com um bilhete. Leia.

Normalmente não seria necessário ordenar que qualquer pessoa lesse, mas Sesshoumaru sempre age como se eu fosse uma estúpida e que só teria certeza de que li se falasse em voz alta. Eu devia fazer ele engolir isso.

— Você está fugindo do assunto? — perguntei, pegando o maço de documentos e me concentrando no papel-adesivo amarelo colado na capa — "Não vai haver casamento. Pare de tentar desvirginar minha irmã, seu safado. Ela vai fazer pós-graduação na Arábia Saudita, volta daqui a quinze anos. Arranje outra idiota para colocar como parte desse acordo pré-nupcial. Com carinho, Hideo."

Engraçado pensar que um dia cheguei a imaginar que o Hideo era melhor que o Daiki. Quase ouço o universo rir da minha ingenuidade. Mas espera… Ele me chamou de idiota?! Por que se precisa de "outra", a atual sou eu!

Ergui os olhos para Sesshoumaru, que me encarava. Ele queria uma explicação. Agora.

— Não tenho culpa disso aqui não! — falei — Isso é coisa do Daiki e do Hideo. Eles disseram que preferem que eu morra a me ver casada com você.

— Você não vai a lugar algum. — ele disse — Até porque suas notas são horríveis, acabei de receber seu histórico.

— Por que diabos você tem meu histórico?! — exclamei, enquanto ele pegava um envelope e tirava o meu histórico dele. Tentei tirar das mãos dele, mas ele foi mais rápido e me lançou um olhar ameaçador. — Quem lhe deu isso?

— O reitor da sua faculdade.

— Isso é confidencial!

— Para quem? — Rangi os dentes enquanto ele balançava a cabeça em reprovação — Você tirou 8,5 em Fisiologia Avançada. Pensei que você se gabasse de ser um gênio.

— Primeiro: essa não é uma nota baixa. Segundo: eu estava viciada em Warcraft nessa época. — Eu contava nos dedos enquanto falava — E terceiro: sim, eu sou um gênio, e você é um invejoso!

— O casamento está marcado para daqui três meses. Se seus irmãos conseguirem tirá-la do país, você será responsabilizada.

— Responsabilizada como? — perguntei.

— Não queira descobrir. — ele disse, e então fez um gesto com a mão para que eu me retirasse.

— O quê? Está me mandando embora?! — Levantei da mesa — Sou como uma prostituta agora. — resmunguei, andando para a saída.

— Uma prostituta sairia mais barato. — ele comentou.

Filho de uma puta. Peguei um dos livros dele no caminho e saí rasgando as páginas até sair da Mansão Cadela. Quando ele finalmente notar, ele provavelmente vai mandar o Ryuuji com todas as páginas rasgadas e um pote de cola para que eu conserte o livro.

Se bem que é mais fácil eu voltar aqui e derramar a cola na cadeira dele. Satisfeita com a ideia, entrei no carro e deixei Dmitri me levar para o trabalho.


Eu estava caminhando pelo shopping quando parei para observar uma vitrine.

A camisa social preta com gola e punhos brancos me chamou atenção. Admito que achei que ficaria linda em Sesshoumaru, e, por conta disso, entrei na loja e a comprei. Não era difícil de saber o tamanho dele, uma vez que ele e Hideo possuíam o mesmo porte físico.

E, é claro, utilizei o cartão do meu noivo para pagar a camisa; afinal, estou lhe fazendo um favor ao comprar uma camisa moderna e linda, já que as dele seguem uma tendência de velho e esnobe. Saí da loja após dar o endereço para entregar a roupa.

Dali fui encontrar Kenjiro e Ruri, que me esperavam na praça de alimentação. Arusa estava em lua de mel — estava com fogo naquelas partes, se casou algumas semanas depois de nossa formatura, e estava na Tailândia há três meses.

— Vi você naquela loja de grife masculina. — disse Kenjiro, com um sorriso maldoso — Comprando roupa pro noivo de novo?

— Eu tenho que mantê-lo bem vestido, já que ele anda comigo. Sou uma garota de classe.

— E aquela briga que vocês tiveram por que ele disse só usar roupas feitas por encomenda?

— Encomendadas na Era Edo, você quer dizer. — brinquei — Ele acaba usando mesmo assim. É só ver o preço da camisa na nota e ele se convence de que ela está à altura dele.

Kenjiro começou a rir.

— Não posso dizer que não gosto do seu noivo. — Kenjiro comentou, enquanto Ruri olhava para nós meio desconfiada.

Ela está assim desde que Yuri contou para ela quem ele era de verdade e quem era a família Tsubasa. Sim, Yuri estava apaixonado o suficiente para revelar o maior segredo da raça, correndo o rico de ser morto pelo Hideo. Claro que não falou sobre eu ser uma hanyou ou algo assim, mas acho que por dedução ela sabe quem eu sou de verdade. Ou ao menos chega perto.

Assim, toda vez que eu falava sobre qualquer assunto que estivesse relacionado à minha "natureza" — como era o caso do meu noivo — ela ficava quieta e pensativa. Eu posso ao menos agradecer que, excetuando esses momentos, Ruri ainda continue sendo a mesma linda de sempre.

— Está gostando da residência no Hokkaido? — Ruri perguntou.

— Estou. — respondi, com expressão satisfeita — Não vou mentir que estou tendo momentos difíceis, mas acho que quando se lida com câncer, você tem que ser forte, porque uma hora ou outra vai se deparar com algo doloroso.

— Realmente é isso que quer? Se especializar em pediatria? — Kenjiro perguntou. Acenei afirmativamente. — E depois? Oncologia? — acenei mais uma vez, com uma careta. Ele sorriu e balançou a cabeça algumas vezes, antes de suspirar. — Bom... Tenho que falar algo para vocês. Sei que é meio tarde para isso, mas acho que vou fazer outro curso.

Ruri e eu cuspimos a Coca-Cola que tomávamos.

— O quê?! — exclamei.

— Mas você acabou de se formar… — disse Ruri, com expressão confusa.

— Eu sei… Ainda vai ser na mesma área; estou pensando seriamente em fazer Biomedicina. — Ele pareceu confuso por um segundo — Acho que eu devia ter desistido no começo e feito o que eu queria...

Pisquei algumas vezes, sem saber o que responder. Então apenas comentei algo genérico como ele pensar com cuidado antes de tomar qualquer decisão. Depois disso fizemos várias piadas sobre o tempo que Asura estava levando para voltar. E rimos muito. E nos sentimos culpados por isso. Mas continuávamos rindo quando uma piada nova aparecia.


Hoje era dia da Tomoyo cozinhar. Dia de Tomoyo na cozinha era dia de festa. Por que quando os homens dessa casa se dispõem a alimentar nossas barrigas, sempre acabamos comendo carvão, com suco de caixinha ou saquê, e papa de arroz. O único que realmente sabe cozinhar é o Nagi. Mas ninguém é louco de comer algo que ele faça.

Quando a Tomoyo cozinha, eu trato de encher o bucho, sim, o pecado da gula faz de mim seu templo. Portanto, quando deitei em minha cama aquela noite, logo caí no sono, como aqueles filhotes que comem até mal poderem se aguentar com olhos abertos.

Meu sono estava tão pesado que o toque que eu escutava foi absorvido pelo pelo meu sonho, e assim foi por algum tempo até que meu subconsciente percebesse que aquele som era algo distante no mundo real.

Resmunguei enquanto apanhava o celular sobre a mesa de cabeceira. Atendi a ligação ainda com os olhos fechados, e levei alguns pares de segundos para que, por fim, eu conseguisse entender o que aquela voz masculina estava falando.

Kagome? Está me ouvindo? Kagome?

— Oi? Quem é?

Não reconhece mais a doce e linda voz da raposa mais sexy do universo?

— O que você quer?

Aceito um x-burguer, mas não foi para isso que lhe liguei.

— Tchau...

Espera! Realmente preciso falar com você... É importante.

— Sei... Tchau, Shippou.

Ka-chan... por favor, estou falando sério. Posso ir aí lhe buscar?

Finalmente estava conseguindo pensar direito. Ele havia pedido para vir aqui me busca de madrugada? O Shippou nunca pediria algo assim, havia algo de errado com ele.

— Tá... eu vou me trocar, te espero no portão.

Certo.

Levantei da cama me perguntando o que ele poderia querer comigo... Olhei o relógio... às três da manhã. Ele não era louco o suficiente para me tirar da casa às três da manhã, ainda mais sabendo que meus irmãos são o cúmulo de proteção. E a voz dele não estava jocosa como de costume. Maldito, comecei a ficar realmente preocupada.

Quando entrei em seu carro, vinte minutos depois da ligação, seguimos para sua casa – um apartamento luxuoso no cento de Tóquio, já que Shippou alega amar coberturas.

— Vai me contar o que houve?

— Sim, mas primeiro vamos para casa, não quero falar sobre isso enquanto dirijo. — Certo, ele está com uma feição séria, realmente aconteceu alguma coisa. — Trouxe uma companhia dessa vez, direto de Naha.

— Qual companhia?

— Você verá quando chegar. — Ele coçou a bochecha com indicador e me encarou quando parou no sinal vermelho. — É alguém que prometi trazer, mas como se trata de uma garotinha muito rara, era muito complicado sair por aí com ela.

Forcei minha memória tentando lembrar de quem ele poderia estar falando. Acho que o sono ainda está presente em mim, pois simplesmente não consigo pensar em ninguém que se encaixe em tal descrição. O jeito foi esperar chegar no prédio e ir com Shippou até o apartamento em que ele residia com "seus homens" — sim ele chamava assim os youkais que o acompanhavam nas viagens e que vieram morar com ele em Tóquio.

Entrando em sua casa, me senti uma tola por não ter notado antes que ele estava falando de Kirara.

Sim, a Kirara!

Ela estava linda, exatamente como me lembrava. E acredito que ela se recorda de mim, pois veio ao meu encontro, saltando em meus braços. Senti os meus olhos arderem, aquele sentimento de nostalgia, de esperar Sangô aparecer para me cumprimentar. Senti meu coração apertado. Era estranho se sentir triste e feliz ao mesmo tempo.

Lembro quando Shippou me revelou que Kirara estava com ele e que por todos estes anos eles têm sido fieis companheiros. Mas por ela ser uma espécie muito rara de youkai, ele prefere não levá-la em viagens, e a deixa em segurança em seu território. Por essa razão, mesmo sabendo que ela estava viva e bem, apenas hoje pude tê-la em meus braços.

Shippou repousou a mão sobre meu ombro e me conduziu até o sofá na sala de estar, sentei com Kirara ainda em meu colo e alisei seus pelos. Ficamos em silêncio por um longo tempo, até o Senhor do Sul tossir chamando minha atenção para ele.

— É mesmo, estava me esquecendo. O que queria conversar comigo? — falei.

Foi quando ele fez uma cara de choro, apenas me deixando ainda mais preocupada:

— Eu me divorciei de novo!

— Como?

— E ainda tive que deixar com ela o que ganhei em Vegas, porque o juiz mandou!

Pisquei algumas vezes, respirei fundo. Alisei os pelos de Kirara e comecei a me perguntar se havia escutado direito, quando voltei a encarar o meu Shippou, soube exatamente que havia acontecido... Essa raposa velha foi para Las Vegas e se casou com uma striper! De novo!

— Por que você se casou em Las Vegas?

— Ir em Vegas sem se casar não é ir para Vegas.

— Você me acordou às três da manhã para me falar que se casou em Vegas?!

— Não, eu acordei para falar que me divorciei em Vegas. Estou triste, deprimido, preciso de uma amiga para me cantar uma bela canção.

— Kirara, você ainda luta? — Ela soltou um miado e olhou para Shippou, fiquei tentada em pedir que se transformasse e mordesse aquela bunda magrela dele. — Eu vou embora!

— Não! Eu preciso de carinho!

— O carinho que vou te dar vai ser sádico!

— Eu aceito! Se for sem roupa principalmente!

— Me larga.

— Não, eu quero carinho, estou deprimido, perdi minha mulher.

— Quantos dias ficou casado?

— Quatro horas.

— Você nem conseguiu ficar o dia todo casado?! Seu traste do inferno!

— Ai. Não grita comigo. Você sabe que sou sensível.

— Vou é esfolar sua pele, ai você vai ver que é ser sensível!

— Ka-chan.

Maldita cara de choro, sempre que ele faz essa cara de choro, eu lembro dele pequeno e indefeso, ai... o que acontece? A idiota aqui cede!

Conclusão, fiquei tomando sorvete enquanto ele contava como havia ganhado o novo divórcio e como o juiz de Vegas havia ficado... qual foi o termo que ele usou mesmo? ... Ah, sim, emputecido com ele por ter tentado suborná-lo para ficar com o prêmio do hotel.

Maldita raposa velha que me preocupa à toa!


Notas:

¹A residência médica é uma modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização. Funcionando em instituições de saúde como hospitais-escola, os pós-graduandos realizam atividades profissionais sob a orientação de médicos especialistas. [Wikipédia]


Oi, pessoas, Ladie aqui! Como estão? Sentiram nossa falta? Hem? Hem?

Sei que um monte de gente nos amaldiçoou por causa do último capítulo! UAHUAHUAHA Aliás, foi engraçado ver as reviews de vocês putos perguntando que porcaria tava acontecendo. Pois é... PEGADINHA DO MALANDRO! (apanha até a morte)

Tá, tá, a gente riu muito daqui. Principalmente porque a gente sabia que todo mundo tava pensando "O que essas doidas fizeram com a história?!". Pois é. Não que a gente realmente não tenha ferrado tudo, mas pelo menos não ferramos tanto!

Nós nunca íamos pular a parte mais bonitinha, que ia ser a o Sesshoumaru de quatro pela Kagome (Ou a Kagome de quatro para o Sesshoumaru... Se é que vocês me entendem XD)

Sim, nós pulamos na história outra vez, e vamos explicar os motivos: nós precisávamos chegar nesse ponto da história para poder continuar a desenolver o relacionamento deles. Era extremamente necessário que nos aproximássemos do casamento deles, e isso seria impossível enquanto ela estivesse estudando. E esse é o motivo para o lapso de tempo que demos na história.

Não se preocupem, este é o último. Não vamos fazer nenhum grande pulo de agora em diante. Podem respirar fundo.

Com isso, estamos iniciando a terceira fase da história (Senhor do Norte está dividida em quatro partes no nosso planejamento atual). O que significa TCHAN TCHAN TCHAN que chegamos na metade da história! (É, eu sei que muita gente aí deu aquele suspiro, pensando se tem força mental para nos suportar por mais tempo).

Bom, como prometido, aqui está o capítulo, e o próximo virá dia 15.

Dependendo da nossa produção até lá, talvez tenha capítulo novamente no dia 24. Mas isso vamos deixar para confirmar depois! S2

Não esqueçam de nos xingar na review! Amamos vocês, bla bla bla, me liguem! Bjs!