Ela é uma tortura.
Jon tentava não pensar na sua 'irmãzinha' enquanto andava pelos corredores da Fortaleza Vermelha em direção ao salão onde eles jantavam. Eles, pensou frustrado pois seria uma longa e perturbadora noite. Viserys iria provocá-lo como sempre, usando Arya como objeto para ofendê-lo e o seu pai irá mantê-la ao lado dele. O problema de tudo aquilo era que Jon ficava em fúria ao perceber que havia dois homens, tirando o próprio Príncipe, que tinham um desejo explícito pela lobinha.
Tudo é uma questão de desejo.
Era revoltante mas ele tinha que conviver com isso. De vez em quando ele pensava em fazer a mesma loucura o que o seu pai fez com a sua mãe... mas é infantilidade demais e Jon não foi criado para fugir dos seus problemas, fugir das pessoas que queriam aprisioná-la.
Mas se bem que algum dia eu poderia sair... com ela. Poderia falar que iria para Bravos e desaparecer.
Deixe de idiotice, o seu pai morre por você.
Fatores e mais fatores frustrantes, então pensar nisso acabava se tornando sua principal tortura.
Sua imaginação voou até o espartilho e as costas nua dela, fazendo com que seu membro esteja duro o suficiente para incomodá-lo. E ela sabe que a desejo, pensou curioso pois Arya não é do tipo de menina de ocultar os seus pensamentos dele, será se ela me deseja ou apenas quer fingir que isso não acontece?
A imaginação do jovem Príncipe gostava de matá-lo. Ter a perspectiva de encontrá-la nua, esperando-o na cama... não se empolgue, ela não fará isso. Arya era cautelosa, com a ajuda de Jaqen para ensiná-la o que significa a palavra 'cautela', e não faria nada do tipo. Mas Jon gostava de se imaginar dentro dela, logo arrependia.
Como agora.
Eu tive a chance, mais uma vez, de tirar o vestido dela e enfiar o meu membro nela... mas não o fiz, não sou nenhum estuprador e seria vergonhoso. Mas não tem como negar que eu ficaria muito feliz em gozar dentro dela... mesmo com os riscos. Muitos riscos, por sinal.
As costas nuas de Arya o deixou em um estado cruel.
Balançou a cabeça, não seria adequado pensar naquilo... enquanto jantavam. Pensaria depois, seria mais uma noite usando a mão e pensando nela.
(...)
O silêncio que precede a briga.
Jon escutara essa frase quando viajava pelas Cidades Livres com Arya, era comum escutar vários conselhos pois, afinal, a situação deles não era assim tão... normal. Um dragão atrás deles era realmente desconcertante para qualquer habitante de qualquer lugar.
Mas aquela frase o marcara... assim como agora.
O silêncio que estava na mesa era palpável e o Príncipe estava um pouco hesitante de quebrar aquela tensão. Arya não estava para brincadeiras, Jon percebeu que ela analisava o brilho das facas com aquele olhar de loba em tocaia. O seu pai não estava muito bem naquela hora, tinha uma aparência exausta e Jon sabia que as intrigas estavam cada vez mais intensas e complexas.
Jardim de Cima está mandando muitas cartas para o Norte.
Era claro que os Targaryen seriam traídos... o problema era especificar quando.
O Príncipe nunca confiou nos Tyrell, desde a primeira vez os vira dançar percebeu que não eram dignos de sua confiança.
No final das contas, o seu pai estava exausto de tudo e todos.
Viserys... ah, Viserys... me aguarde.
O pernil assado estava com uma aparência deliciosa, mas tudo que Jon pensava era o que aconteceria após aquele jantar silenciosamente hostil. Ficou pensando se o seu pai estava percebendo no que os Targaryen restantes eram mais inimigos do que familiares.
- Parece cansado, meu irmão.
Arya voltou o olhar de loba em tocaia para o irmão mais novo do Rei. Jon analisou-a... era tão bonita para ser tão agressiva, isso causava uma espécie de tristeza nele. Nunca quis que ela se sentisse tão ameaçada, na verdade Jon se sentia um fracassado por não tê-la protegido de tudo e todos a ponto de deixá-la confortável.
Frustração... mas ela logo terá fim.
Rhaegar Targaryen assentiu levemente, tomando um gole um de vinho sem muita pressa. Seus olhos violeta estavam fixos em Viserys, era mais que óbvio que o pai de Jon não sabia do que havia acontecido.
- Inimigos invisíveis, Viserys – respondeu sobriamente.
Arya verificava qualquer ato de vulnerabilidade em Viserys.
Tenho que trancá-la em algum canto.
- Tenho escutado um boato peculiar – começou o irmão do Rei, fazendo com que Jon ficasse alerta a qualquer tipo de informação. Viserys pode ser tudo, menos traidor do próprio sangue – Onde está o corpo de Jaime Lannister?
- Os Tyrell o queimou, infelizmente – lamentou o Rei, balançando a cabeça... ele está lembrando da minha mãe... – Do que se trata esse boato?
- Quando estava passando por Rochedo Casterly vi um navio Tyrell indo em direção ao Norte, sei que as Ilhas de Ferro sempre são evitadas pelos marinheiros sulistas... não há nada por lá – respondeu enquanto tomava um longo gole do vinho. Pelo menos Viserys serve pra algo útil... – Loras Tyrell embarcou com trajes de camponês. Conheço um Tyrell quando vejo um.
Sei que sei, Viserys. Não é de hoje que ele e Loras sentem uma... deixe pra lá, Jon.
O seu pai ergueu uma sobrancelha visivelmente alerta.
Tyrell. Papai sabe que eles não são confiáveis.
- Sim, mas qual o boato?
- Cersei Lannister está casada com um nortenho e Jaime Lannister se tornou criado dos Baratheon, mas os Stark não sabem disto – respondeu obedientemente, mas sempre o faz com uma dose de arrogância... e apenas diante do Rei, o único humano que ele respeita.
Arya olhou para Jon como se quisesse pedir permissão para agredir o Dragão Covarde.
- Você não gosta do Norte, porque quer ajudá-los? – perguntou um Jon que tentava conter o desprezo que sentia por aquele Targaryen. Desprezo de ambas partes. – Diga-me, quanto os Martell te pagaram para disseminar esta informação?
Esconda o jogo e finja que não sabe de nada, Jon.
Viserys sorriu arrogantemente, realmente achando que Jon era um desinformado ignorante.
- Os Martell comem na mão do meu irmão, seu tolo.
O Rei revirou os olhos impacientemente.
- Tudo que eu menos quero é ver discórdia debaixo do meu teto, Viserys e Jon – chamou a atenção dos dois imediatamente, suspirando logo após – Viserys, vamos até a sala do Pequeno Conselho e me conte exatamente o que escutou.
Viserys assentiu e ambos se levantaram, deixando Jon e Arya a sós...
...mas tem necessidade do meu pai acariciar a nuca dela antes de se afastar?
A raiva e o ciúme dele se misturaram naquela hora, não se importava mais de ver o seu pai trocando segredos com Viserys, o que dava uma espécie de fúria insandecida é ver que Arya ainda aceitava tais carinhos. Mas o que ela pode fazer de fato, Jon?
Realmente espera que ela negue os carinhos dele?
Meu pai é o Rei. Como competir com isso?!
Notou que um seio dela parecia escorregar mais para fora do que o normal, gerando aquela típica reação desconfortável entre as pernas do coitado do Príncipe, ainda tinha que lidar com suas reações corporais enquanto sua mente se fodia ao pensar que ela era a sua irmã.
- Não pense que não vi quando você pensou em matar Viserys em um impulso inconsequente – falou calmamente, dando uma piscadela para ela... que sorriu ternamente. Jon sentia um prazer imenso em vê-la sorrir enquanto ficava desconcertada – Mas sei que não o faria.
Ela ergueu uma sobrancelhas enquanto tomava um gole de vinho.
- Não na frente do nosso pai, sim – concordou forçada, não tinha como discordar daquilo. Jon pensou amargurado em como ela gostava de passar uma imagem tranquila quando o pai 'deles' estava por perto, talvez por medo de afastá-lo...? – Acha que é verdade o que o desgraçado do Viserys falou?
Jon assentiu, demonstrando a sua preocupação com aquelas informações.
- Não confio nos Tyrell, são Lannister disfarçados de flores e frutas – respondeu já com uma opinião formada mas sem saber muito o que fazer, traição é um assunto que tio Ned me mantém ignorante na Fortaleza Vermelha – Mas preocupo com o efeito de uma possível traição.
Arya assentiu, movimentando o vestido inconscientemente e fazendo com que o pobre Príncipe quase enxergasse o mamilo esquerdo da pequena loba. Seu membro pulsou, deixando-o envergonhado pois estava na frente dela.
É diferente quando ela não está me encarando... como uma loba.
O problema era que aquilo mexia com o coração do Lobo-Dragão.
Jon também se preocupava com uma traição que pudesse atingir a sua lobinha.
- Sei das consequências.
Não, Arya. Você não sabe das consequências.
- Espero que sim, então tente ser mais cautelosa nos próximos tempos... – Jon se levantou da cadeira, largando a taça de vinho pela metade... tenho que ficar sóbrio... - ...o Inverno já chegou.
Ela se levantou rapidamente, alcançando-o e caminhando ao seu lado. Era sempre uma tortura para o Príncipe, aquele cheiro de orvalho e terra recém-molhada o fazia lembrar de quando eles cavalgavam enquanto o dia amanhecia.
Bons tempos... só a enxergava como minha irmã. Deuses! Porque sou tão Targaryen?
Era revoltante, mas Jon não tinha saída. Protegeria-a até de si mesmo.
- Você vai comigo para Winterfell? – perguntou com aqueles olhos pidões que ele não conseguia resistir – Fui informada que não irei sozinha pois o Rei quer visitar a Rainha Loba.
Medo.
Jon tinha medo viajar até o Norte, era como se seus antepassados estivessem expulsando-o daquela região. Se sentia um completo estranho mesmo sendo filho de Lyanna, a Rosa do Norte.
- Não a deixarei ir só, vai que você gosta de lá e me abandone – respondeu rindo de sua frase, mas, como sempre, com um pé atrás. Realmente tenho medo de perdê-la para eles. Arya sorriu divertidamente em troca, pegando na mão dele enquanto subia as imponentes escadas da Fortaleza Vermelha.
Quente.
O toque dela era especial.
- Não, você pode arrumar uma substituta pra mim e... bem, eu a mataria – falou com um sorriso, aparentemente parecia estar achando tudo divertido. Jon tinha outro nome pra isso: vinho. Ela não tinha o costume de tomar vinho e sempre conseguia ficar mais 'alta' quando tomava.
Era divertido vê-la se comportando como uma menina da idade dela, cheia de alegria e vergonha.
Mas ainda prefiro a Arya que mata primeiro e pergunta depois.
- Uma outra irmã? – ele perguntou rindo, agora se desvencilando da mão dela... é perigoso, Jon...
Ela corou levemente e, graças ao archote que estava logo em cima deles, Jon pôde constatar que era uma raridade vê-la assim, logo hesitou. O que a fazia hesitar, sempre o hesitava.
- Não, uma esposa.
Ele engoliu em seco, os olhos dela estavam levemente vulneráveis e todo o clima do momento estava tomando conta do Príncipe Lobo-Dragão. De certa forma, ele sempre soube que Arya pertencia exclusivamente à ele e, definitivamente, vê-la com outro homem causaria sua fúria de macho alfa, bem territorialista. Só a perspectiva disso o fez respirar fundo, contendo-se.
Contenha-se, pelos deuses...
- Você tem um noivo te esperando no Norte – porque eu falei isso? Raciocinando melhor, era como se o próprio Jon estivesse arrumando desculpas para convencê-la de que ficar perto dele só traria problemas à ela. E ao meu pai... – Uma família bem estruturada e que tem muito poder, não pode ficar comigo o resto de sua vida. Nossas vidas foram planejadas antes de nascermos, eu serei o Rei e você será uma esposa dedicada.
Os lábios delas ficaram curvados como se estivessem sinalizando que Jon havia despertado a raiva que dormia dentro dela. Ele sabia disto... sei até demais... mas não posso me dar o luxo de te acompanhar, irmãzinha.
- Não quero este futuro pra mim – argumentou abraçando-o, deixando-o desconcertado com a demonstração de afeto dela. Não queria retribuir o abraço mas algo dentro dele fez com que pensasse que poderia ser a última vez que eles ficariam sós... com essa liberdade. Ela estará longe daqui em uma semana... – Eu nasci pra comandar, não pra ser comandada. Nasci pra guerra, para o combate, para... enfim, não quer conhecer a sua mãe?
Jon engoliu em seco.
Não.
A verdade era que ele tinha medo de qualquer informação deturpasse o jeito que o seu pai sempre contou sobre a Rainha Loba. Poderia estragar muitas coisas em Jon, principalmente se a sua mãe tiver uma estátua nas criptas de Winterfell.
Uma estátua... será se Arya é tão parecida com ela?
Todos falam...
Afagando o longo e volumoso cabelo dela, bagunçado como sempre, pegou-se imaginando... certas situações.
Tortura, Jon Targaryen.
- A gente sempre soube que teríamos que nos separar precocemente, Arya – continuou a insistência para que ela o deixasse, era ridículo este tipo de atitude MAS extremamente necessário. Assim ela fica longe do meu pai também... isso o consola de forma tal que até se esquecia de quanto estava obstinado em não deixá-la ser o prêmio do Rei. Não, meu pai não ficará com ela... – Você é uma Stark, eu sou um Targaryen. Temos caminhos diferente, lugares diferentes no mundo.
Não. Não temos lugar no mundo.
- Jon... – ela o encarou diretamente, sem mesmo titubear um segundo... o que fez o coração do nosso querido e inseguro Príncipe disparar de ansiedade e... desejo - ...o Rei pode intervir.
Uma tristeza o invadiu.
Ela está renunciando a família dela? Isso está errado, por mais que doa... está errado.
- Arya, seu lugar não é aqui – cortou-a friamente, saindo do abraço apertado que ela estava lhe dando. Para Jon, era mais que uma tortura vê-la junto a si, ele checava se a vida dela estava funcionando normalmente, se ela precisava de algo especial ou se queria companhia. Cheguei em um ponto que não posso mais evitar a sensação de que quanto mais próximos ficarmos, maior será a dor da despedida... e isso gerava um complexo mecanismo de defesa no pobre Príncipe.
O olhar surpreso pela rejeição do abraço quase o matou.
Parabéns, Jon.
Está se orgulhando?
- Irmãozinho... – ela estava sem fala, parecia que algo sufocava sua voz e a impedia de transmitir verbalmente os pensamentos tão confusos da pequena loba. Jon se sentia apodrecendo por dentro, como se a Primavera estivesse deixando de existir em seu ser. Tenho que enfrentar... não posso ficar assim, como desejá-la sem enlouquecer? Todos os dias... sim, todos os dias me vejo humilhado por não poder demonstrar a intensidade dos meus atos. Não, Jon... você nunca poderá fazer isso. Não com ela. - ...eu fiz algo ruim?
Ela está vulnerável e insegura.
Arya só mostrava essa face com ele, ela tinha uma característica peculiar que a fazia ser mansa como uma gata nas discussões com Jon, Ned e o Rei. Mas especialmente com o primeiro deles, ela se desmontava facilmente.
E, como sempre, ele se culpava por causá-la um sofrimento que poderia ser só dele.
- Não, eu...
- Prometo não fazer de novo! – insistiu ingenuamente, por mais que ela saiba onde foi criada, nunca conseguiu assimilar os 'problemas femininos' como as outras jovens... – Independente do que seja.
Arya não tem a mínima noção do que está acontecendo.
Uma voz cruel encheu a cabeça do melancólico Jon.
"Ela te ama... como um irmão."
Resolveu não olhar mais para a face dela, não encará-la diretamente. Em uma semana ela estará longe e finalmente ele vai poder se concentrar em outras coisas, como governar um reino no futuro. Poderia se casar, ter filhos, poder, ouro... iria reerguer os Targaryen novamente, o problema era que ele queria que Arya estivesse ao seu lado... independente da posição ocupada. Ela nunca foi nenhum doce de menina, tranquila e leve como uma brisa de verão. Arya Stark sempre foi uma tempestade fria em uma manhã gélida de um Inverno sulista, sempre causando problemas e divertindo-o com suas inconveniências. Gostava de como ela cheirava semelhante aos carvalhos na aurora, o cheiro sutil de terra molhada e... há algo a mais. O jeito que ela empunhava a Agulha, cortava a pele dos homens como se fosse um fino tecido a ser costurado, sim, sua pequena Arya costurava muito bem. Era vingativa, hostil e tinha sangue frio... seria uma ótima... Rainha.
Ela tinha todos os atributos que uma Rainha Targaryen tinha que ter.
Liderança, firmeza, destreza, inteligência, rápido raciocínio e um jogo de cintura ensinado por um Targaryen no poder.
Sim, ela seria uma ótima Rainha Targaryen.
Mas aquela voz o visitou novamente.
"Ela não é pra você."
Jon deu as costas à ela, sua vida iria começar a desmoronar a partir daquele instante.
- Você provavelmente não ficará em Winterfell por muito tempo.
Arya deu a volta no corpo de Jon para encará-lo fixamente, já este último não correspondeu o olhar da lobinha.
O ar espantado lhe dava um contorno desesperado e Jon não gostava de vê-la assim, perdida.
- Me explique, Jon.
Um tom de voz endurecido e com raiva contida, porque eu pensei que ela iria ficar apenas triste comigo?
Irá ficar puta de raiva também.
- Você pertence ao meu pai – ela arregalou os olhos com a fala direta dele, eles nunca falaram explicitamente sobre essas coisas, casamentos e Targaryen são duas palavras delicadas para irmãos. Mesmo assim, machucado por dentro, Jon conseguiu manter a frieza – Tem que recompensá-lo por todos esses anos de proteção, poderia ajudá-lo a ver a vida com uma perspectiva melhor e eu sei que você sabe que tem esse efeito nele. O que me pergunto é: porque hesita se entregar à ele? Meu pai tem tudo, de dragões a lobos-gigantes! Ele intercederá por você novamente, fará tudo que quiser e ainda ostentará uma coroa de Rainha. Meu pai gosta de você pelo que você se tornou, todos sabem que minha mãe era doce, graciosa e... enfim, não a conheci. Mas é o que todos dizem. Fique com o meu pai.
Com o cenho franzido e as mãos fechadas em um punho, ela o olhou praticamente fervendo de raiva.
Atingi o ponto fraco dela. Lyanna e Arya. Agora é só esperar, Jon.
- Porque está falando isso? – perguntou lentamente, como se estivesse fazendo força para não espancá-lo – O que eu fiz para você me falar essas coisas?
Ela está desconversando...
Isso atraiu bastante a atenção de Jon, afinal, porque ela não estava dando a devida importância para o Rei?
Arya é diferente.
Diferente de todas as outras.
- Conversei longamento com meu pai hoje... – mentira... – ...e percebi que o melhor a se fazer é deixar ele te ter como esposa para que a nossa família prospere. Você é jovem, bonita e inteligente. Dará muitos filhos e a minha dinastia será salva.
Antes de Jon pensar qualquer coisa, sentiu um tapa arder em sua bochecha esquerda... mas não revidou. Sabia que estava sendo grosseiro com ela, acho que já era esperado vê-la com tanta raiva a ponto de bater nele. O problema era que o Príncipe pensou que aquilo não atingiria-o... muito pelo contrário.
"Quanta ingenuidade, Jon".
Aquela voz o deixava fora do eixo.
De repente se sentiu um Aerys da vida.
- Não vou fazer nada do que é esperado que eu faça! – exclamou impacientemente, respirando fundo para não usar a Agulha nele. Os dedos finos dela estavam pousados no cabo da espada fina e mortal que Jon havia lhe dado há alguns anos. Olhar para aquele artefato o fez sentir como se quisesse voltar no tempo em que eles só se preocupavam com os treinos e as viagens para especializar o estilo de luta deles. Não faz muito tempo... – Não vou agradar ao meus pais, minha mãe, você e muito menos todo esses interesse de me deixarem prenha! Não quero o Rei, ele é o meu pai de criação e gosto dele assim!
- Eu sou o seu irmão mais velho e deve me obedecer! – lá se vai a paciência de Jon... é difícil me concentrar em fazê-la me odiar enquanto fico aliviado por ela não gostar do meu pai... 'daquele jeito'... – Deve e vai me obedecer, Arya. Todos temos um papel no mundo, arranje um para si.
A mão dela era pesada e sua bochecha ainda ardia. Os olhos dela praticamente esfaquevam todo o corpo dele, a raiva era palpável e o sofrimento de Jon por vê-la daquele jeito, principalmente em relação ao próprio Príncipe, fazia-o desabar internamente. Ele queria chorar, mas não lhe era permitido. Não era permitido um herdeiro do Trono de Ferro demonstrar vulnerabilidades, e Arya era a sua maior vulnerabilidade, o seu ponto fraco certeiro.
E era exatamente por isso que não poderia se descuidar, qualquer traição iria resultar na morte dela... em primeiro lugar.
A lobinha parou, respirou fundo e fechou os olhos. Parecia estar tentando se recompor daquela situação, claro que ele sabia que se não fosse o próprio, já teria sido esfaqueado cruelmente por ela.
Arya sabe meus pontos fracos também.
Alguns segundos passaram silenciosamente. Ele não sabia dizer se estava feliz com aquilo, ela havia parado de falar mas talvez... ela me batendo, eu sei que tudo está normal. O problema era que ela não estava batendo, e sim pensando o que deveria fazer.
Ela é impulsiva.
Porque não me bate novamente?
- Você está querendo me afastar, não é? – perguntou encarando-o firmemente, como sempre. Jon engoliu em seco, odiava quando ela arrancava a verdade de dentro dele sem ao menos examiná-lo por mais do que alguns minutos. "Eu te falei, Jon SNOW"...vozinha desgraçada! – Diga-me, o que fiz para você ter uma reação desta? Não é do seu feitio fazer birra.
Constrangedor, eu sei... mas como não fazer birra quando tenho o Targaryen, e Rei, mais importante como competidor agressivo?
- Você vai até o meu pai e aceitará tudo que ele propôr: casamento, coroa, filhos, poder, etc.
Seja evasivo, Jon.
Ela ergueu uma sobrancelha, não era idiota.
- Porque eu faria isso? – perguntou desafiadoramente – Qual é o seu interesse nisso?
- Nenhum – mentiu imediatamente. O seu coração batia acelerado e sentia que era melhor matar cinquenta homens do que encará-la em uma conversa formal. – Você não voltaria para os Baratheon, não é o que quer?
Olhos cinzentos decididos, astutos e... não, não pense nisso.
- Você quer me afastar de si, mas mesmo assim quer que eu fique aqui? – perguntou astutamente, assim como... sempre.
Raciocinando daquela forma, ele se sentia um idiota.
Sou um idiota, mas um idiota com noção de mundo.
- Arya, nossa conversa acabou. – então ele se virou e saiu andando até o seu quarto, deixando-a só no corredor.
Algo doeu dentro dele.
Porque ela não veio atrás de mim?
Ela sempre vem...
Será se ela... quer o meu pai?
Jon estava, definitivamente, perdido em seus próprios pensamentos... quando sentiu alguém se aproximando sorrateiramente, e não era a sua pequena loba. Uma brisa passou perto dele e aí sim ele teve a certeza do que estava acontecendo. No escuro do corredor, o Príncipe desembanhou sua espada Garralonga em tempo de interromper o golpe do outro homem e um som metálico ecoou pela Fortaleza Vermelha.
Era um homem forte, mas não tão rápido. As investidas eram brutas mas a pontaria estava falhando, definitivamente não era um oponente de guerra. E sim um oponente de justas. Jon conhecia cavaleiros assim, todos eles loucos para lutar uma guerra e ganhar mais experiência... só que era verdes demais para guerras, então se contentavam com justas.
Viserys.
Eu sabia que havia algo errado no ar.
Um pequeno broche brilhou com a luz da tocha, estava dependurado na espada do homem.
Um sol...
Viserys!
Sem piedade, Jon enfiou a lâmina na entranhas do homem, arrancando-lhe um gemido de dor intensa. Tirou o capuz negro dele e assim percebeu, tanto pela pele queimada de sol quanto os olhos cor violeta-escuro. Um Martell ou um Dayne, disso Jon tinha certeza. Seus pensamentos foram até sua pequena loba, fazendo com que ele corresse de uma forma que nunca correu. A Fortaleza Vermelha estava silenciosa, traiçoeiramente silenciosa, e Jon sabia que iriam atrás de Arya.
Eu simplesmente sei.
Viu duas figuras ao chão, ambas com sangue correndo pelo chão do corredor. Duas enormes poças de sangue com uma pequena figura entre elas. Um deles não tinha mais a cabeça grudada ao corpo e Jon conseguiu ver, para o seu alíbio, que sua lobinha segurava duas facas de guerra, uma em cada mão. Correu até ela e verificou se ela estava machucada, atraindo um olhar alarmado da mesma.
- Machucada? – perguntou urgentemente, checando se o corpo dela estava bem.
Balançando a cabeça, ela guardou as facas debaixo do vestido.
- Não era muitos rápidos, foi fácil... – respondeu respirando fundo, ele estava querendo abraçá-la... mas como posso fazê-lo sem algum inconveniente sobre a nossa discussão anterior? - ...não sou Rhaenys.
Jon arqueou suas sobrancelhas, não conseguiu negar que aqueles pensamentos não estavam passando em si.
Aegon e Rhaenys.
- Quem você acha...? – que nos atacou, irmãzinha? Era muito bom ter cuidado com as palavras que se pronuncia na Fortaleza Vermelha. Disso ambos sabiam.
Arya deu de ombros.
- Viserys, Tyrell, Martell, Baratheon e... Targaryen? – sim, estamos com espadas ocultas prontas para nos apunhalar... – Mas não acredito que atacaram o Rei.
Jon também não acreditava nisso, era mais que básico. Viserys nunca trairia o irmão mais velho, mas em compensação poderia matá-los sem pensar duas vezes. Jon e Arya eram a 'vergonha' dos Targaryen, segundo Viserys.
- Então o que acredita? – perguntou curioso, Jon simplesmente sabia, novamente, que ela estava retendo informações. Que sabe mais do que eu penso... é sempre assim... – O que suas habilidades com Jaqen te mostraram hoje?
Ela suspirou e Jon teve vontade de tocar a mão dela, sabia que ela não estava tremendo. Ele apenas queria o contato, o toque dela.
Não é hora, seu idiota.
- Aegon Targaryen está vivo, e Daenerys fará o favor de trazê-lo até aqui – respondeu diretamente, era um boato que Jon já tinha escutado mas procurara ficar calado. Sabia que nesse meio de Targaryen's escondidos havia muita sujeira, era algo que o próprio pai sempre o aconselhou a se manter afastado. Boatos são boatos, até mesmo o meu pai se certificou disto na época que surgiu esse dragão filibusteiro – Mato primeiro ou espero que eles nos matem? Pelo que vi, Aegon e Viserys partilham do mesmo objetivo.
N/A: Aqui estou eu! Me desculpem pela demora, nada pior do que um relacionamento que resolve dar errado NOVAMENTE. Estou cansada dessa gente que habita o mundo, cada vez que eu confio em alguém... essa pessoa me dá um tiro pelas costas. Religião. Quase senti R'hllor naquele povo que disse que eu não servia para o filho. Já é a segunda vez que isso ocorre, então vou dedicar minha vida apenas a escrita, estudo e leitura u.u cansei de todo mundo, católicos, evangélicos, espíritas, MÓRMONS... estou revoltada. Mas é só, espero que tenham gostado deste capítulo, fiquei pensando num jeito de fazer uma traição bem traída, assim como fizeram comigo. Beijos e não deixem de comentar!
