Ginny descansou nos braços de Harry até que ele finalmente se mexeu.
— Mostre-me como se acendem as luzes, — disse ele, — então eu vou encontrar uma maneira de me dirigir a seus pais. Mas preciso saber o significado deste outro mistério primeiro.
Ela concordou e se levantou. Ela o levou até a porta e apontou para o interruptor da luz.
— Para apagá-las, você empurra para baixo. Para acendê-las, você empurra para cima.
Ele chegou hesitante e tocou a alavanca do interruptor. Quando ele o encontrou frio ao toque, ele empurrou-o para baixo e mergulhou na escuridão. Houve uma longa pausa antes que ele falasse.
— Ginny?
— Sim, Harry.
— Eu fiz isso?
— Sim, Harry, você fez.
Ele grunhiu, porém, era um grunhido de temor se é que ela tinha ouvido algum. De repente as luzes voltaram, e Harry ofegou. Ginny vislumbrou num rápido instante um amplo sorriso em seu rosto antes do quarto mergulhar na escuridão outra vez. Ele ligou e desligou a luz uma meia dúzia de vezes antes de Ginny lhe implorar para parar.
Ele a tomou entre seus braços e a abraçou com firmeza.
— Talvez eu encontre, depois de tudo, seu tempo ao meu gosto.
— Acredito que sim, meu senhor. — disse ela sorrindo. — Vamos ligar para os meus pais, e então vou mostrar a você mais alguns milagres.
Ginny levou o telefone para a cama e se sentou, observando-o. Se ela ligasse para sua mãe, provavelmente iria desmaiar. Ainda pior, o choque poderia causar a seu pai um ataque cardíaco. De todos os seus irmãos, ela estava mais próxima de Rony e Carlinhos. Não tinha idéia de onde localizar Carlinhos. Seus endereços se alteravam tanto quanto suas namoradas. Rony ainda estaria em Nova Iorque, e era, de longe, o mais sangue-frio do grupo.
— Quanto tempo tem que olhá-lo até que comece a funcionar? — perguntou Harry.
Ela levantou o olhar para encontrar Harry fitando energicamente o telefone, como se estivesse disposto a saltar em cima e fazer alguma coisa. Ela riu ao se dar conta que tinha ficado olhando para ele da mesma maneira.
— Eu só estava pensando. Desculpe. Na verdade, quando você o levanta, ele começa a trabalhar sozinho.
Ela levantou o telefone e o levou a sua orelha. Uma vez que ouviu o tom, ela aproximou o receptor à orelha de Harry.
— Que barulho. — disse Harry, enrugando o nariz.
Ela o colocou em seu próprio ouvido e teve que concordar com ele. O sinal do telefone não era o melhor som para o ouvido.
— É um pouco alto. — concordou ela. — Agora, o que acontece é que eu falo por aqui e minha voz vai descer por este cabo, — ela indicou o cordão negro que serpenteava através do chão até a parede. — até chegar à casa de meus pais. Eles vão pegar um telefone como Este e vão falar comigo.
— Nay. — a expressão de Harry era de descrença.
— É um pouco mais complicado que isso, mas essa é a idéia básica. Embora eu ache que não ligaremos para os meus pais. Ligaremos para Rony. É mais provável que ele reaja com calma.
— Ligar? Como você vai ligar para ele? Ele está perto?
— É como se descreve quando vamos falar ao telefone. Ele está na América.
— Ah... — disse Harry sabiamente. — Muito bem, então. Ligue para ele. E vamos esperar que nós não perturbemos o seu jantar. Sua esposa provavelmente ficará extremamente descontente com a gente.
— Ele não é casado, Harry. A única coisa que podemos incomodar é a análise de seus movimentos sobre uma pobre debutante. Não pergunte. — disse ela, levantando a mão para deter a inevitável pergunta. — E, além disso, a hora é diferente na América. Ainda é de tarde lá.
Ela viu como seu marido digeria aquilo, em seguida sacudia a cabeça, como se fosse muito esforço lidar com isso. Ela o entendia completamente. Os fusos horários eram muita matemática para ela enfrentar no momento.
Ela ligou para a operadora internacional e pediu uma chamada para o irmão que não via em quase quatro meses. O telefone soou, facilmente, uma dúzia de vezes antes de Rony entrar em linha, soando só parcialmente acordado. Talvez ele estivesse tirando um cochilo de tarde.
— Rony? É Ginny.
— Ah, oi, Ginny, — Rony murmurou sonolento. Então, sua exclamação veio claramente pelo telefone. — Santo Deus, Ginny, é realmente você?
Ela riu de seu tom atordoado. Oh, era tão bom escutar sua voz!
— Sou eu, Rony.
Houve uma forte queda, que soava vagamente como se tudo o que estava em sua mesinha de cabeceira estivesse ido ao chão e, logo se escutou várias maldições, então Rony estava outra vez na linha.
— Querida, me diga que não estou sonhando!
— Não, você não está sonhando. — disse ela, segurando o telefone com as duas mãos e sorrindo para Harry. Ele sorriu de volta. — Como estão mamãe e papai?
— Frenéticos. Eles vasculharam toda a Costa Leste procurando por você. A propósito, onde diabos você está? O som está muito longe. — ele soltou outra exclamação e começou a falar tão rapidamente que ela mal podia entendê-lo. — Você foi seqüestrada? Diga-me onde está, e eu vou estar ai no próximo avião. Eles machucaram você? Você precisa desligar? Precisa de dinheiro?
Ela riu alegremente.
— Rony, estou morrendo de saudades de você. Tinha me esquecido como é agradável ter meu irmão mais velho preocupando comigo.
— Maldição, Ginny, onde diabos vocêestá?
Ela fez uma careta.
— Escócia.
— E como diabos é que chegou até aí?
— Você não acreditaria em mim se eu lhe dissesse. Além disso, não é o tipo de coisa que se pode falar por telefone. Quando você pode vir?
— Eu quero mais detalhes, Ginny.
Sempre o advogado.
— Bem, você não pode tê-los.
— Hum, eu não gosto de como isto soa.
— Não me importo. Ah, e estou casada.
— Com quem? — gritou. — O rei da Inglaterra?
Ela riu e colocou a mão sobre o telefone.
— Ele quer saber se eu me casei com o rei da Inglaterra.
Harry bufou.
— Diga-lhe que seu objetivo era maior do que isso.
— Um homem muito mais fino do que qualquer rei, Rony. — disse Ginny com um sorriso. — E você pode conhecê-lo se estiver disposto a me emprestar algum dinheiro.
— Não há problema. Me dê seu endereço.
Ginny lhe deu a direção de um dos folhetos de viagem de Roddy e então suspirou.
— Talvez devesse ligar para papai e mamãe e prepará-los. Eu odiaria fazer papai ter um ataque cardíaco.
— Eu vou ligar para ele e então darei o seu endereço. E vou enviar o dinheiro a qualquer banco que esteja o mais próximo de seu hotel.
— Obrigado, Rony. Você é um amor.
— Senti saudades suas, Ginny. — disse ele. Após outra pausa. — Está certa de que se encontra bem?
— Nunca estive melhor.
— Bem, pelo menos soa assim. Vou estar ai com mamãe e papai tão logo seja possível conseguir um vôo.
— Sério? — perguntou. — Você vai vir também?
— Para dizer a verdade, amanhã é meu primeiro dia de férias. Eu ia fazer reservas no St. Croix, mas não tenho feito nada ainda. Ficar ensopado pela chuva na Escócia soa muito mais divertido do que descansar em uma praia de água cristalina observando às mulheres de biquíni o dia todo.
— Nossa, obrigado Rony. — disse ela, com uma risada. — Aprecio o sacrifício.
— Sim, bem, não me agradeça ainda. Carlinhos estava dormindo no meu sofá faz uma semana, portanto, terei que levá-lo como parte do pacote. Não me atrevo a deixá-lo para trás. Não restaria nada do meu apartamento, do contrário.
— Ele perdeu outra namorada?
— E o seu trabalho, tudo em um dia, pode acreditar. Você pode pajeá-lo durante algum tempo.
Ginny sorriu.
— Tenho saudades dele o suficiente para suportá-lo por um tempo. Traga ele junto. E obrigado por vir. Vou precisar de alguma ajuda legal.
Rony fez uma pausa.
— Eu não gosto de como isso soa.
— Não é nada sério. Basta chegar aqui.
— Tudo bem. Espera um segundo, e eu vou ligar pra mamãe.
Dentro de instantes, Ginny escutou a voz de sua mãe. E do nada apareceram lágrimas que ela não podia parar. Chorou tanto enquanto falava que ela mal podia respirar. Harry colocou o braço ao redor de seus ombros para confortá-la. Finalmente sua mão acariciando seu cabelo ajudou-a a recuperar a compostura e o controle. E quando o recuperou, seu pai começou a vociferar perguntas. Em voz muito alta.
— Como diabos vocêfez para chegar à Escócia, sem dinheiro e sem um passaporte? — ele gritou.
Ginny afastou o telefone para longe do ouvido.
— Papai, seria melhor não discutir isso por telefone.
— E o que é isso que eu ouvi sobre você estar casada? — ele berrou. — Ginny Molly Weasley, o que em nome do Céu você estava pensando?
Ginny fez uma careta. Seu pai era uma espécie de cruzamento entre Ward Cleaver1 e Bubba Weasley2. Tinha jogado futebol no colégio e tinha uma tendência a treinar a sua família como tivesse treinado a uma equipe. Ele era, provavelmente, a criatura mais improvável para ter escolhido ser um pediatra, mas as crianças, absolutamente, adoravam sua vontade para abandonar seu estetoscópio e lutar com todos eles na sala de espera. Em um plano mais pessoal, ela sabia que seus gritos eram nada mais que uma fachada, mas a fazia sobressaltar-se da mesma forma.
— Pai, por favor, apenas seja paciente. Conhecerá Harry quando vier, e então, explicaremos tudo. Mas você tem que vir com a mente aberta.
— Por quê? — ele exigiu. — Rony me disse que você precisava de ajuda legal. Ele é um criminoso?
Ginny riu, apesar de si mesma.
— Papai, você vai ficar tão contente com meu marido, que seus botões vão arrebentar. Ele é apenas o tipo de genro que você sempre quis.
Harry a puxou para seu colo.
— Diga-lhe que não sou nenhum covarde. — disse ele ansioso.
— Papai, ele pediu para lhe dizer que ele não é nenhum covarde. Na verdade, acho que ele seria um grande jogador de futebol.
Seu pai grunhiu, só um pouco satisfeito.
— Ele provavelmente poderia derrubar todos os cinco meninos de uma só vez.
Arthur Weasley grunhiu novamente.
— Bem, eu vou ligar no celular e pedir um par de passagens. Não desligue antes de eu voltar, Molly. Acho que quero conhecer um pouco a este homem de Ginny antes das coisas irem muito mais longe.
— Claro, querido. — disse Molly afetadamente. Uma vez que a extensão deixou de fazer ruído, ela bombardeou Ginny com perguntas. — Querida, como você o conheceu? Quantos anos ele tem? Como ele se parece? Quanto tempo faz que está casada? Podemos esperar netos para breve?
Ginny se recostou na cama e riu pela quantidade de perguntas de sua mãe.
— Eu darei todos os detalhes quando você estiver aqui, mãe.
— Pelo menos me diga como ele parece.
Ginny olhou para Harry que estava sentado ao lado da cama, sorrindo para ela.
— Bem, ele é mais alto do que o papai, mas mais magro. Tem cabelos escuros e olhos verde escuro e um lindo sorriso.
Harry chamejou seu sorriso mais bonito, só para provar a verdade de suas palavras.
— Ele é muito doce, a menos que esteja resmungando de mim, então ele é mais irracional e teimoso.
— Isso me soa familiar. — disse Molly secamente. — Deixe-me falar com ele, querida.
Ginny colocou a mão sobre o receptor e olhou para Harry.
— Ela quer falar com você.
Harry empalideceu.
— Ela quer?
— Ela quer. É uma coisa simples, meu Laird, certamente algo com que deve se preocupar muito pouco. Apenas ignore seus americanismos e você ficará bem. Seu inglês é maravilhoso.
Harry endireitou os ombros para trás.
— Claro, vou falar com ela imediatamente.
Ginny entregou o telefone para Harry, e ele o levou a sua orelha, hesitante.
— Aye? — Disse ele, inseguro. Então a mãe dela deve ter respondido, porque um olhar de completa admiração cruzou seu rosto.
— Lady Weasley? — ele perguntou. Esperou. — Aye, é um prazer falar com você também. — disse ele.
Agora, isto sim era uma imagem para os livros de história: um Laird escocês com seu traje completo, uma espada repousando ao seu lado sobre a cama, um enorme anel de água-marinha em sua mão onde se refletia as luzes dos abajures sobre sua cabeça, conversando ao telefone, como se tivesse feito isso durante toda sua vida. Ginny sentiu uma profunda sensação de alívio fluir de si. Ver Harry relaxado durante o jantar tinha sido ótimo, mas poderia ter sido um acaso feliz. Ver como ele encantava a sua mãe por telefone era a prova inegável de que podia aceitar algo que ele nunca teria imaginado em seus mais loucos pesadelos e ajustar-se a isso, sem problemas. E Harry certamente parecia ter se adaptando sem problemas. Não era apenas um ato de conversação envolvendo sua mãe, ele estava examinando o telefone, como se ao olhar para ele, pudesse descobrir onde poderia Molly Weasley estar escondida dentro dele.
Então ele empalideceu de repente e afastou o telefone.
— Ela foi embora para buscar seu pai.
— Boa sorte. — disse Ginny alegremente. Ver Harry com um olhar de ansiedade era algo que ela nunca tinha visto antes.
— Sir Weasley? — Harry ouviu durante vários minutos. — Eu sei, meu senhor. — disse rapidamente. — E eu quis lhe pedir sua mão, antes de me casar com ela, mas era impossível. — ele fez uma careta e Ginny só podia imaginar o que seu pai estava dizendo a ele. — Eu sei. — disse ele de novo e, então ouviu um pouco mais. — Aye, eu também sei disso. — ele cobriu o telefone como tinha a visto fazer e sussurrou. — Ginny, não consigo entender metade do que ele está falando. Muitas palavras que não conheço.
— Consiga que se cale ou ele continuará a noite toda.
Seu Laird respirou fundo e falou no bocal.
— Sir Weasley… meu senhor… Lord Weasley! — terminou à meia exaltação. Isso devia ter surtido efeito, porque um olhar de satisfação apareceu em seu rosto. — Não posso responder a todas suas perguntas agora. Tudo o que posso lhe dizer é que amo a sua filha mais que a minha própria vida. E que eu gostaria de ter a sua bênção. — ele esperou. — Se quiser me desafiar, eu vou entender. Mas considere o seguinte: se lutarmos, um de nós perderá, e posso garantir que não serei eu. Pode tomar mais tempo e pensar se quer ou não que Ginny passe por essa situação. — e com isso entregou o telefone de volta para Ginny.
Ginny o aproximou da orelha. Havia silêncio do outro lado.
— Papai?
— Santo Deus! — gritou Arthur. — Ginny Molly , de onde diabos vocêtirou este tipo? Seu inglês é praticamente ininteligível! E o que é esse desafio do qual me falou? Ele vai atirar em mim quando eu descer do avião?
— Ele preferiria cortar você com uma espada, tenho certeza.
— Bem, lhe diga que não estou prestes a lutar… uma o quê?
— Papai, confia em mim. Agora, quando você vai vir?
Seu pai resmungou, obviamente, descontente com a sua mudança de assunto.
— O nosso avião sai em duas horas. Rony se reunirá a nós em Nova Iorque, e depois viajaremos no primeiro avião que pudermos conseguir. — fez uma pausa. — Querida, você está bem?
— Papai, eu não poderia estar melhor. — disse ela.
Ele suspirou.
— Se você diz que sim. Só posso assumir que está segura. Pela forma como fala esse homem, não estou muito certo.
— Ele me ama, papai. Ele nunca me machucaria.
— Vou levar em conta a sua palavra. — ele pausou. — Você não sabe como estávamos assustados.
— Eu sei, pai, e sinto muito. Eu amo você.
— E eu também a você. Verei você em breve.
Ela desligou o telefone e olhou para Harry.
— Ele não é tão mau.
Harry balançou a cabeça.
— Eu teria sentido a mesma coisa se a minha pequena moça tivesse voltado para casa casada e não me dissesse. Ele é pai, e te ama. Mas vou lutar com ele por você, se é assim que ele deseja.
Ginny colocou os braços em volta do seu pescoço e o segurou firmemente.
— Ele não vai chegar a isso, Harry. Ele vai gostar muito de você.
— Porque eu cuido de você tão bem?
— Sim. Ele vai gostar muito de saber que existe, realmente, um homem que eu não controlo.
— Ah, mas você me controla. Mais do que imagina.
— E mais do que até você próprio admite, sem dúvida.
— Claro.
Ginny bocejou.
— Estou exausta, Harry. Vamos nos preparar para dormir. Acredito que você gostará do banheiro.
— Banheiro?
— É, um muito luxuoso banheiro.
Ela o levou para o banheiro e ligou a luz. O cômodo tinha uma profunda banheira, uma privada, um bidê e um lavabo. E um pequeno espelho. Harry ignorou tudo e foi direto para o espelho. Olhou seu reflexo e chegou a tocá-lo. Ele olhou para trás, para ela, maravilhado.
— Isto é muito mais claro do que o nosso.
Ela encolheu os ombros.
— Prefiro o seu. — uma bandeja de prata polida do século XIV era muito menos agressiva do que um espelho do século XX. — Essa não é a surpresa. — ela sorriu. Ela caminhou até onde ele estava, em frente ao lavabo. Ela apontou as torneiras. — "F" é de frio e "Q" de quente. Ele a olhou, perplexo.
— Água. — ela esclareceu. Ela abriu a água fria e ele saltou. Ele colocou sua mão sob a torneira e depois riu. Então colocou suas mãos em concha e provou a água. Ela a fechou. — Você abre a quente. — ela persuadiu.
Ele virou a torneira cautelosamente e, em seguida, colocou sua mão sob a água. Olhou-a, incrédulo.
— Quem ferve isto?
— Há uma máquina que faz isso.
— E posso ter essa água sempre que eu quiser apenas girando esta manivela?
Ela assentiu.
— Och, mais que bela idéia! — exclamou ele. Olhou para trás dele, na banheira. Olhou para Ginny com as sobrancelhas levantadas, e ela encolheu os ombros com um pequeno sorriso. Ele abriu a torneira de água quente e disse com deleite. — Se Sirius pudesse ver isto… — ele se deteve, sorrindo. Observou como a água caía escorria para o ralo, e logo procurou alguma coisa para detê-la. Encontrou a tampa de borracha e a colocou no buraco. Quando tinha enchido a banheira um pouco, ele tirou a tampa e observou como a água escorria para fora. Ele brincou um pouco mais com as torneiras até que se deu conta que podia abrir as duas ao mesmo tempo. Ele ajustou a temperatura da água e então olhou para ela, com os olhos brilhantes.
— Um banho, Lady Potter?
— Posso dormir nisto.
— Eu vou cuidar de você. — ele olhou para a privada atrás dela. — E o que, por todos os Santos, é isso?
— A privada. — ela deu descarga, e ele observou, maravilhado, como a água desaparecia e voltava a aparecer. Ele quis usá-lo e então ele mesmo deu descarga. Se a água corrente o tinha encantado, isto o tinha deixado absolutamente louco. Ela teve que tampar sua boca para sufocar sua risada.
— As pessoas estão dormindo, seu urso berrador!
Ele removeu sua mão e disse com um amplo sorriso.
— Não posso evitá-lo. Sirius desmaiaria se pudesse ver isso. — olhou para baixo. — Mas é um desperdício de água.
— Então, cabe a você para descobrir como melhorá-lo.
Ele começou a separá-lo por partes, mas ela o deteve.
— Amanhã, Harry. Vamos tomar nosso banho e depois vamos para a cama. Estou esgotada.
Tomaram banho juntos, e ela quase adormeceu enquanto se deitava no amplo peito de seu marido. Não havia, realmente, espaço suficiente para que os dois coubessem naquela pequena banheira, mas eles se ajeitaram. Ginny apenas despertou quando seu marido a levou para a cama e a cobriu.
Sua família e seu marido, ambos no mesmo século.
A vida não podia melhorar mais do que isso.
1 Ward Cleaver: Personagem de ficção televisiva, que representa o estereotipo do pai de família norte-americano.
2 Buba Smith: Conhecido jogador de futebol americano, devido a ter se transformado em ator.
