Capítulo 25 - POV Edward

Enquanto dirigia à 200km/h, em direção à Forks, tive a impressão de já ter estado lá.

Dei de ombros. Minha memória não era muito confiável a esse ponto. Estava plenamente satisfeito com o sangue que tinha sugado dos caras em Phoenix, antes de vir. Já tinha passado um dia, e eu só tinha parado pra abastecer. Decidi que quando chegasse na cidade, só iria passear. Conhecer a cidade, ver os pontos mais prováveis pra uma próxima refeição, e onde eu iria ficar. Estava tranquilo e não queria me irritar. E vou te contar, humanos me irritavam às vezes.

Como uma vez, ainda em Chicago, que um cara teve a cara de pau de escapar de alguma forma muito rápida, e percebeu que eu era um vampiro. Em vez de correr, o panaca ficou me fazendo perguntas idiotas e me ameaçando com uma cruz prateada. Irritou, porque eu estava com muita sede na hora. Mas depois eu até ri. Que cara idiota! No geral, a maioria dos humanos são... imagine só: pensar que podem matar um vampiro simplesmente com uma estaca de madeira, ou algum objeto de prata, ou qualquer coisa estúpida dessas. É de rir. Mitos humanos só servem pra fazê-los pensar que são os maiores na cadeia alimentar. Tola ilusão.

Pelos meus cálculos, eu já estava chegando. O céu já assumia uma cobertura de nuvens que me indicava que Forks estava bem perto. A música do meu carro me ajudava a relaxar. Era uma música que inclusive eu pensava já ter ouvido muitas vezes antes, também tentando relaxar ou algo assim. Novamente, ignorei. Como já disse, minha memória não estava exatamente confiável. Achei uma boa coisa essa de relaxar antes de chegar na cidade. Podiam ter muitos idiotas lá e eu podia acabar me descontrolando.

Olhei o relógio, que marcava duas da tarde. Dois minutos depois, estava vendo uma placa que dizia: "Bem vindo a Forks".

Entrei e segui algumas placas até o centro da cidade. Saí do carro - não havia sol, então nada com que me preocupar - e andei um pouco, até chegar num restaurante. Entrei, por curiosidade, e imediatamente ouvi um pensamento dirigido a mim:

Esse cara aqui?; e outro, feminino: Sem ela? Nossa, será que ele finalmente acabou com ela?.

Quem era "ela"? E porque aquelas duas pessoas estavam pensando aquilo? Olhei em direção aos pensamentos e descobri uma menina loira, acompanhando um cara muito metido, também loiro. Ao lado deles tinha um nerd de óculos, que parecia acompanhar uma garota morena alta, também de óculos. Eles me olharam e acenaram. A garota loira deu um sorrisinho meio histérico demais pro meu gosto e eu decidi cair fora. Sem acenar de volta, balancei a cabeça, meio confuso por essas quatro pessoas aparentemente me conhecerem, e saí do restaurante.

Depois que entrei no carro, refleti. Será que eu realmente já tinha estado aqui? E por tanto tempo que aqueles quatro humanos me conheciam? Sem tentar procurar mais respostas, porque isso fazia minha cabeça meio que doer, liguei o carro e comecei a dirigir.

Passei por várias ruas até que descobri que não era uma cidade muito grande. Assim como seus habitantes, era uma pequena e insignificante cidade. Bufei. Será que eu também teria dias horrivelmente tediosos aqui? E esse não parecia ser exatamente o tipo de cidade onde existem muitos assassinos impunes e soltos.

Mudei um pouco de idéia quando ouvi um tipo de pensamento odioso conhecido perto de uma lojinha discreta, no fim da rua em que eu estava. Estacionei e fui lá salvar a pobre moça. O cara começou cedo! Ainda era de tarde!

Depois de me alimentar a contra-gosto, já que eu ainda estava satisfeito dos caras de Phoenix, voltei a passear. Achei um hotelzinho tímido e resolvi ficar por lá.

Fiz o check-in e todo o blá blá blá da entrada e entrei. Meio minuto depois de entrar no quarto, percebi que não aguentaria ficar ali. O prédio parecia que ia desabar a qualquer momento. Não que eu estivesse com medo. Quer dizer, se desabasse comigo dentro, eu sairia dali sem um arranhão fácil, fácil. Mas eu não queria ter trabalho de tirar toras e toras de madeira velha de cima de mim, não senhor. Saí do quarto e briguei com o gerente. Ele me obrigou a pagar pelo menos a diária, já que eu já tinha dado entrada no hotel. Paguei a diária mixuruca e saí. Descobri que isso era uma espécie de estratégia. Eles não tinham nenhum hóspede provavelmente por causa das condições do lugar. E obrigavam os que ameaçavam sair a pagar pelo menos a diária. Pelo preço imaginei que não pagava nem a conta de energia. Saí pra procurar outro lugar.

No meio do caminho, encontrei aqueles quatro humanos de novo.

- Hey! Por que nos ignorou no restaurante, hein? - a loira veio toda engraçada pra cima de mim enquanto o namorado dela pensava em me bater. Ha, que hilário.

- Estava procurando alguém. E estava com pressa. - respondi, sem olhar direito a loira.

- Bella? - a morena falou.

Quem diabos era Bella?

- Não, outra pessoa. - falei.

- Ah. Bom, podemos te ajudar a procurar, se quiser. - a loira falou, meio provocante demais, e eu reparei que a camisa de gola alta dela não era tão alta assim. O pescoço dela estava encharcado de perfume e isso me deu náuseas.

- Não precisa. - falei e comecei a dar meia volta mas o cara loiro e que se achava o maioral cometeu o erro de me segurar.

- Ei ei! Calma aí, cara. É uma ajudinha sem interesses. - ele falou com um sorriso idiota que eu me vi doido pra quebrar.

Ele tá muito estranho. Ele não é assim normalmente. - a morena pensava.

Ok, então eles realmente me conheciam. Não cometi a gafe de perguntar de onde, já que todas as evidências apontavam que eu estivesse com amnésia. Seria embaraçoso. De qualquer forma, não quebrei o sorriso do cara porque tinha muita gente olhando. E a garota morena parecia estar preocupada comigo.
- Bom, se ele não precisa da nossa ajuda, vamos embora. Mike, Jessica... - o garoto baixinho falou.

Mike e Jessica. Algo me disse que eu realmente os conhecia. Ignorei isso.

- De qualquer forma, nós estamos indo ver Bella à noite. Vamos em Port Angeles pro cinema e depois vamos passar na casa dela. Acho que nos vemos lá, não é? - a morena perguntou.

Diabos. Quem era essa tal de Bella? Ela praticamente só perguntou por ela e pensou nela desde que nos vimos.

- Claro. - me limitei a responder.

- Então até mais. - a tal Jessica falou.

- Até. - falei.

Eles foram embora e eu me senti meio irritado. E outra, eles nunca me chamaram pelo nome. Se tivessem chamado, pelo menos uma coisa nessa minha mente confusa teria se esclarecido. Entrei no carro enquanto os via saindo e recomecei a dirigir.

Depois de uns dez minutos dirigindo, comecei a entrar numa área mais de moradia. Parecia um tempo e um ar bom pra respirar um pouco - não que eu precisasse - e eu abri a janela. Eu dirigia sem saber aonde estava indo exatamente, mas assim que abri a janela, senti um cheiro incrivelmente forte de sangue humano alguns minutos depois. Um cheiro doce, muito forte. E praticamente irresistível.

Na mesma hora, eu apertei o volante. Era um cheiro incrivelmente doce, um cheiro conhecido - por incrível que pareça - e eu me vi louco pra chegar à fonte desse sangue tão delicioso. É, porque se cheirava bem assim, imagine só o gosto... A onda de veneno que veio à minha boca se intensificou, e agora meus instintos estavam me deixando apenas seguir o cheiro até onde ele estava. Não demorou muito, e eu parei em uma casa meio familiar. Pequena, mas familiar. Estranho. Mas o cheiro doce de sangue estava saindo dali. Eu não tinha a menor dúvida disso.

Vi um Mercedes preto, um Porsche amarelo, um Rabbit vermelho e uma picape, uma Chevy laranja bem velha e uma viatura policial, todos estacionados em frente à casa, que não tinha vizinhos perto. Tantos moradores assim? Ou estariam dando alguma festa? Fechei a janela e saí do carro e o cheiro de sangue humano se misturou a outros dois cheiros que até agora eu não tinha sentido.

Primeiro, cheiro de vampiros. Mais de um. Uns seis. Depois, um cheiro de insuportável de cachorro molhado. Ugh. Lobisomens? Muito provável. Uns dez, eu acho. Mas o que diabos fazia uma casa daquele tamanho com dez lobisomens, seis vampiros e... cinco humanos? Nada disso fazia o menor sentido. Ouvi vários pensamentos afoitos e muitos raivosos saindo de lá. Aparentemente, eles sabiam que chegava uma ameaça à casa. Não durou um segundo depois que saí do carro e a porta se abriu. Todos saíram. Eu disse todos.

Ótimo, assim eu não me daria o trabalho de bater na porta.

Foi aí que eu vi.

Três dos vampiros que estavam lá eram os que tinham me perseguido em Chicago. Tomei um susto que passou na hora que vi dez garotos que provavelmente eram lobisomens - pelo cheiro - se posicionando nada amigáveis atrás dos três vampiros homens. Que estranho. Vampiros e lobisomens juntos?

Logo depois, saiu um cara numa cadeira de rodas, seguido de outros dois homens. Uma mulher vinha atrás de um deles. Depois de todos eles, saíram três vampiras: uma loira, uma baixinha de cabelos escuros que parecia meio assustada e uma de cabelos castanhos por quem tive uma estranha simpatia. A simpatia foi embora na hora que vi que elas estavam protegendo meu alvo. Tirei meus óculos escuros pra ver melhor e olhei diretamente pra ela.

Uma garota magra, muito pálida, de pele quase translúcida, de cabelos e olhos profundamente castanhos. Parecia muito frágil e dava pra ouvir o pulsar de suas artérias com muita facilidade. Minha boca encheu de veneno e o cheiro dela me deixou completamente inebriado. Que cheiro! Com o impulso que tomou conta de mim, esqueci dos óculos na minha mão e os amassei. Só fechei a mão na verdade, mas você sabe. Um produto frágil e tal, não resistiu a pressão. Se espatifou todinho. E isso fez os humanos que estavam ali quase morrerem de medo.

Não avancei em cima dela imediatamente porque vi que teria dificuldade de chegar até ela. Com toda aquela proteção sobrenatural, pelo menos. Eu era apenas um, vamos admitir. E tinham três vampiros homens, três vampiras mulheres e dez garotos prestes a se transformarem em lobos e prontos pra me atacar. Um deles tinha tanta raiva de mim que eu quase ri. Era uma raiva insana.

Comecei a pensar num plano pra chegar nela, quando o vampiro loiro que tinha me perseguido em Chicago falou.

- Nem pense em chegar perto dela. - ele falou, num tom que não aceitava desobediência.

- E quem você pensa que é pra falar comigo assim? - falei irritado. Eu não estava com sede, mas o sangue daquela humana era precioso demais pra eu deixá-lo lá. Mesmo ela sendo uma humana inocente e tudo o mais. AH! Que se dane! Eu sou um vampiro e ela tinha o sangue gostoso demais pra simplesmente ignorar. Me processem.

- A gente conhece você muito mais do que você pensa. - o outro loiro falou.

Diabos. De novo com o papo de que me conhecem. Isso era quase uma chantagem.

- E daí? Eu quero o sangue dela. - eu olhei pra garota, que tinha os olhos castanhos fixos em mim. Estranhamente, não ouvi nenhum pensamento vindo dela. Caramba. Eu estava ouvindo o de todos, menos o dela. Não sabia se ela estava com medo, por que ela me olhava de uma forma muito estranha. Como se... como se gostasse de mim.

- Mas você não vai beber o sangue dela. - o vampiro alto e musculoso falou. Ui que medo. Brincadeirinha.

- Por quê? - perguntei, zombando dele.

- Porque nós não vamos deixar. - o primeiro loiro falou de novo.

Eu dei uma gargalhada.

- Essa é boa. Primeiro, garotos-lobos que aparentemente estão dispostos a lutar com vampiros - falei apontando os dito-cujos -, convenhamos: isso é repugnante. - o que alimentava a raiva insana por mim rosnou. - Cala a boca. - eu falei e ele calou. Que lindo, ele tinha medo da minha voz nada amigável e irritada.

- Depois, - continuei - vampiros que estão dispostos a proteger uma humana. - falei e a baixinha abraçou mais forte a humana-com-cheiro-doce. - Isso é ridículo. Saiam daí pra eu beber o sangue dela.

- De jeito nenhum. Vai ter que matar todos nós antes. - o grandalhão falou.

Ah era assim?

- Que seja. - falei e ia avançar nele, quando a garota falou.

- Não!

A voz dela era tão estranhamente conhecida que surpreendentemente me fez parar.