Capitulo 23
Com grande cerimônia, Edward ergueu Bella nos braços e carregou-a através da soleira do grande chalé. Fechou a porta com um chute atrás de si e, pela primeira vez desde o casamento pagão, Bella se descobriu sem fala.
Então era isso que a fortuna poderia comprar. Enormes círios brancos de cera, acesos havia tão pouco tempo que ainda não se formavam gotas para escorrer pelos lados. Flo res frescas arrumadas em vasos de porcelana, enchendo o ambiente com o perfume da primavera. Um fogo a queimar na lareira. Um magnífico tapete oriental creme, dourado e azul no chão. Um suntuoso lanche frio disposto sobre uma toalha de mesa de linho branco, e duas reluzentes cadeiras de madeira de lei colocadas próximas para possibilitar uma conversa íntima. Cortinas franzidas nas janelas. E, no can to, as cobertas puxadas numa enorme cama onde mais cor tinados franzidos podiam ser puxados para formar um ninho de amor para dois. Tudo isso num chalé de jardineiro.
Se Bella tivesse um grama de romantismo na alma, iria cantar de satisfação. Em vez disso, declarou, num tom azedo:
— Tudo que falta é um poema de amor.
Edward depositou-a numa cadeira ao lado da mesa.
— Mandarei pedir uma pena e tinta para você.
Erguendo os punhos, ela o encarou, os olhos fuzilando:
— Solte-me!
— Ainda não, meu amor. Preciso falar com Biggers.
Edward iria deixá-la sozinha? Bella sufocou o sobressalto de ansiedade.
— E receio não poder confiar em você. — Estendendo a mão sob a mesa, ele pegou um pedaço de corda.
Enregelada de espanto, Bella o encarou. Aquilo não podia ser boa coisa.
Edward se postou atrás dela. Passou a corda em torno da cintura de Bella e da cadeira, prendendo-lhe os braços no lugar e as costas contra a madeira.
Tarde demais, ela entrou em ação, distribuindo chutes e se debatendo.
Edward deu um nó na corda, passou-a por um tornozelo de Bella, enrolou-a em torno da perna dela e da perna da cadeira. E prendeu o outro tornozelo. Com algumas torções do pulso, ele a subjugara.
Os nós, é claro, eram de marinheiro.
— Acha que me amarrou o suficiente? — Bella indagou, com sarcasmo.
— Tenho certeza. — A voz de Edward soava com uma falsa empatia. — Para uma mulher comum, eu chamaria isso de excessivo, mas você, minha princesa, não é uma mu lher comum. — Ele lhe deu um beijo na face. — Biggers está esperando. Prometo que voltarei logo.
Edward saiu para a noite.
Bella olhou de um modo malevolente para a porta fechada.
Deveria ter esperado por aquilo.
Deveria ter percebido que, depois que ela pusera um gri lhão no tornozelo de Edward, ele se divertiria amarrando-a.
Deveria ter visto antes aquela pistola sobre a mesa-de-cabeceira...
Com um olhar rápido, Bella inspecionou as imediações e escolheu sua rota. Pelo assoalho de madeira, pelo tapete, até a cama. Conseguiria. Tinha de conseguir.
Com o olhar fixo na coronha de marfim, ela apoiou os pés no chão e empurrou. A cadeira se moveu. Só um pouquinho, mas se moveu. Encorajada, Bella empurrou outra vez. E mais outra. As pernas da cadeira rangiam conforme desli zavam pelo assoalho encerado. Bella se movimentava para trás, mas ao apoiar um dos pés mais que o outro, ela mirava a cabeceira da cama. A meio caminho parou para recuperar o fôlego e julgou ouvir um ruído do lado de fora.
Com renovada aflição, apressou-se a alcançar o objetivo. As pernas da cadeira atingiram o tapete, afundando no te cido macio e fazendo-a prisioneira.
Não havia nenhum caminho para dar a volta.
Assim, Bella pulou. Pequenos pulos que erguiam a cadeira e a faziam cair. As canelas doíam, os ombros latejavam, o peso da cadeira se tornava maior a cada movimento. Ela avançou por penosos centímetros pelo chão e, finalmente, viu-se ao lado da cama.
Menos do que a dois palmos de distância, a pistola bri lhava à luz da vela, o cano oleado e enfeitado de espirais, a coronha de marfim imaculada.
Bella, porém, não conseguia alcançá-la.
Olhou para baixo, para as mãos. Estavam amarradas com uma corda curtida coberta por um lenço branco. Livrar-se seria uma luta, mas, se conseguisse, teria uma chance.
Ela testou as mãos. A esquerda estava bem mais frouxa. Bella tentou encolher a mão, afunilá-la. Então, sem se im portar com a pele, puxou. O lenço escorregou junto com a mão, até que a corda entalou no ponto mais largo, na base do polegar.
Ali, todo o movimento cessou. Bella se esforçou por um instante e depois parou. Dobrou o polegar. Respirou fundo e tentou de novo. Os ossos, os ligamentos e os músculos gritaram de agonia.
Mas a mão deslizou uns dois centímetros. Em seguida, outros dois.
Então, os dedos estavam livres.
Bella pegou a arma.
…
Edward havia passado a maior parte de sua vida adulta em Londres e se esquecera de como o campo podia ser es curo. A luz tinha se escondido atrás do horizonte, e nos jar dins onde estava, as árvores florescentes e arbustos altivos ocultavam até o brilho das estrelas. No entanto a suave luz das janelas encortinadas do chalé lhe acenava, e ele não a perdeu de vista.
Não precisava enxergar as feições de Biggers para saber do que precisava.
— Tem certeza de que Alec não suspeita de nada? — indagou.
— Milorde, desde o seu seqüestro, ele tem se mostrado preguiçoso com os seus deveres de mordomo. Além disso, bebe e, ultimamente, tem se afogado no conhaque que seu pai deixou. E evidente que Alec acredita que o senhor se foi e não vai voltar. — O tom de Biggers deixava claro o que pensava de tal comportamento. — Felizmente, eu creio que ele é o único que seu tio corrompeu. Confio na governanta, uma mulher notável que me ajudou a arranjar o seu recanto privado.
— Então ficaremos seguros, escondidos no chalé. — Era essa a preocupação de Edward: poder dedicar-se a Bella sem riscos para nenhum dos dois, pois percebera que o perigo que o espreitava poderia agora também rondá-la.
E Bella enfrentava o perigo sem medo. Seu dever era cuidar dela.
— Sim, mas não ficará desprotegido — Biggers assegu rou.
— Tem o punhal que lhe dei?
— Sim.
— E a pistola?
— Ao meu lado.
— E eu coloquei outra pistola ao lado da cama.
O coração de Edward sobressaltou-se de pavor.
— Carregada?
— Sim, milorde, é claro.
Numa fração de segundo, Edward virou-se e saiu em disparada. Tropeçou pela trilha de cascalhos, numa desenfreada corrida rumo ao chalé onde Bella se encontrava sozinha... Com uma pistola carregada.
Claro, ela estava amarrada. Ele próprio fizera os nós. Sabia que eram firmes.
Mas... Edward não verificara os nós nas mãos. E aquele lenço poderia ser usado para ajudá-la a se libertar. Ele irrompeu pela porta.
Bella e a cadeira encontravam-se ao lado da mesa-de-cabeceira. A mão esquerda estava solta e empunhava a pistola.
— Bella! — Edward ergueu as mãos. — Não faça isso!
— Se não me desamarrar, atirarei em você. — Os olhos verdes estavam frios. A voz era calma. A mão, firme.
O olho negro do cano da pistola apontava direto para o coração de Northcliff.
— Milorde, o que... — Biggers parou na soleira da porta. Deus do céu!
A satisfação crepitou por todo o corpo de Bella.
— Ah, que bom. — Ela manteve a arma apontada para Edward. — Biggers, se não me desamarrar, eu matarei seu patrão.
— Biggers, deixe-nos. — Edward deu um passo medido na direção de Bella. — E feche a porta.
— Por favor, milorde... milady. — Biggers torceu as mãos. — Não faça isso.
— Biggers, faça o que eu lhe digo. — Bella lançou um olhar ameaçador para Biggers, porém manteve a atenção em Edward. — Desamarre-me.
— Biggers! — exclamou Edward. — Volte para casa. Ou ela vai me matar e estará amarrada ali quando você voltar com o desjejum, ou não vai me matar, e estaremos na cama. Em qualquer caso, você não tem nenhuma responsabilidade.
— Biggers, você será responsável se ele morrer. — Bella parecia controlada e decidida.
Biggers endireitou os ombros.
— Milady, embora em qualquer outro momento eu esteja pronto a lhe obedecer, no quarto de dormir sirvo aos desejos do meu senhor. — Biggers fez uma mesura para os dois e se afastou.
O olhar furioso de Bella encontrou o de Edward.
— Lembra-se do que eu lhe disse na adega, antes de atirar em você? Eu disse que realmente gostaria de matá-lo. O que pensa agora, depois que me humilhou na frente da vila in teira, forçou-me a me casar com você e me amarrou como um animal?
— Direi que o jogo está empatado — Edward caminhou na direção dela, sabendo que, se atirasse Bella o acertaria direto no coração —, quando eu ganhar.
— Você... — O dedo de Bella apertou-se no gatilho. Edward preparou-se para jogar-se de lado.
Então, ele viu. Dentro da negrura do cano da arma, havia um insignificante bocado de branco.
Alguém entupira o cano. Quando Bella atirasse, a arma reverteria o disparo... e ela seria morta.
Edward lançou-se sobre Bella, berrando:
— Não!
Como uma esposa submissa, ela jogou a arma de lado, sem puxar o gatilho. O cano chocou-se contra a parede e depois a pistola caiu com um baque no chão.
Edward tomou Bella nos braços com cadeira e tudo.
— Sua bobinha! — Suas mãos tremiam quando ele lhe afagou a face, e depois a segurou pelos ombros e a sacudiu de leve. — Poderia ter sido morta!
— Eu poderia ter sido morta? — A voz de Bella soou rís pida. Seus olhos pareciam vagos. — Eu ia matar você.
— Sim, e quando disparasse, a arma explodiria na sua mão. Meu Deus! — Edward comprimiu os lábios na testa de Bella. Seu coração batia como louco.
— Meu Deus! — As palavras eram uma prece de agradecimento. — Meu Deus!
Ele a amava. Ele amava Bella, a desdenhosa Bella, a vin gativa Bella, a princesa. Ele a amava com todos os seus de feitos, e ela quase matara a ambos.
— E hora de você aprender a amar a vida. — Tirando o punhal afiado da bainha na manga, Edward usou-o para cortar as roupas de Bella. — E eu sou o homem que vai lhe ensinar. — Sinto muito por fazer isto a você... — O punhal desceu pelo decote do vestido —, mas eu detestei esta roupa desde o primeiro dia em que a vi com ela, e isto me dá uma enorme satisfação.
Edward cortou as mangas e, depois, tomando o tecido na mão, puxou-o com força. O pano velho e fino rasgou-se como papel.
Bella poderia ter dado um tiro em Edward. Em vez disso, ela jogara a arma de lado. Por que não conseguiria... Não poderia viver neste mundo sem ele.
O vestido se fora, cortado e rasgado até tornar-se uma simples lembrança. Edward sorriu de um modo selvagem ao olhar para os farrapos.
— Nunca gostei tanto de fazer uma coisa como de destruir este horrível vestido.
Então, ele a fitou, amarrada à cadeira. E seu olhar perambulou por Bella, trajando apenas uma velha combinação, meias e sapatos fortes, mas, em vez do lampejo de paixão que ela esperava, os quais, para sua vergonha, queria, Bella viu uma labareda da fúria.
— Eu a deixei sozinha. Tive de amarrar suas pernas e braços, e, mesmo assim, você tentou me matar. — Edward começou a andar de um lado para outro. Enterrou os dedos nos cabelos. — Terei de amarrá-la do meu lado? Terei de recear, a cada momento, a cada dia, que você vá me deixar?
Bella não sabia o que dizer. Se tivesse a chance, desapa receria?
— Sei que não quer deixar a Srta. Angela. Vou tornar as coisas melhores para ela. Melhores para toda aquela mal dita vila, mas, enquanto isso... — Ele fez um gesto largo —... Estou casado com uma mulher que anseia por trilhar uma estrada aberta. — Edward pegou a ponta da corda, soltou o nó e livrou um pé, depois o outro. Soltou os braços de Bella. Jogou a corda de lado.
Ela levantou-se e estendeu os braços.
Edward desamarrou as cordas em torno de seus punhos.
— Saia por aquela porta. Num ano, estará livre de qual quer relacionamento comigo. Ou fique e seja minha esposa. Minha esposa de verdade. Faça a sua escolha.
Bella baixou os olhos para as cordas soltas ainda enrola das ao seu redor, e, depois, ergueu-os para Edward. Northcliff ostentava uma expressão de feroz indiferença, mas Bella não se deixou impressionar. Aquele homem orgu lhoso enfiara na cabeça que queria desposá-la sem saber quem ela era ou o que fizera.
Bella adivinhava que a decisão havia sido o primeiro gesto impetuoso de Edward desde o dia em que a mãe desaparecera.
Bella não iria se enganar. Para Edward agir de modo tão contrário à própria natureza, tinha de sentir uma emoção avassaladora por ela. Quem sabe fosse apenas paixão, mas Bella não cometeria o erro de menosprezar esse desejo, ou o seu próprio, considerando-o insignificante. Esse mesmo de sejo também a dominava, consumindo seus pensamentos, seus sentimentos e, possivelmente... Sua alma.
Seria ele o homem de quem seu pai falara? Ela e Edward compartilhavam muitas outras coisas: a perda dos pais, uma desconfiança do mundo, uma feroz lealdade aos amigos e um profundo ódio pela injustiça. Será que também compar tilhavam uma alma?
Em sua vida, Bella tivera pouco tempo para pensar em se apaixonar. Mas, quando ela pensava, imaginava que sa beria discernir o momento em que sua alma gêmea apare cesse.
Em vez disso, estava casada com um homem que a enga nara, a forçara, e ela não sabia se deveria seguir seus ins tintos e fugir, ou seguir seus sentimentos e ficar.
Estava diante de um precipício, e um passo errado signi ficaria o desastre.
Sem saber o que fazer, Bella se livrou das cordas. Esten deu a mão e tocou o braço de Edward. Impelida por uma impetuosidade que mal reconhecia, murmurou:
— Ficarei.
O fogo reluziu em labaredas douradas nos olhos de Edward, o tipo de fogo que poderia consumi-la.
Ele abraçou-a com força contra o peito, fundindo a ambos no calor e na paixão. Inclinando-se, beijou-a. Um beijo dife rente. Diferente dos beijos que havia lhe dado à força quando a tinha agarrado e empurrado sobre o colchão. Diferente daqueles que ela lhe dera quando havia ido procurá-lo para fazer amor. Estavam de pé, e Bella tinha plena consciência de como Edward era alto, de quanto suas mãos eram gran des, de como ela se sentia frágil diante de tanta força, de tanta ascendência.
Enterrando a mãos nos cabelos de Bella, Edward inclinou-a para trás. Desequilibrada e totalmente em seu poder, ela agarrou-se a seus ombros. O gosto de Edward, o cheiro de Edward, a intensidade que dele emanava inundaram-na até que nada mais restava a não ser dar-lhe o que ele queria por tanto tempo quanto ele quisesse.
Edward pegou-a no colo e deitou-a sobre os lençóis. Então, parou ao lado da cama, as mãos nos quadris. Seus olhos castanhos não tinham nenhum traço de ouro, e sua expres são não era sorridente. Esperava. Esperava... o quê?
Bella espalhou os próprios cabelos pelo travesseiro branco. Com um sorriso, desamarrou a fita do decote da combinação e, de um modo lento, empurrou o tecido fino para fora de um ombro.
A chama dourada flamejou instantaneamente nos olhos de Edward. Num gesto brusco, ele arrancou a camisa. Desabotoou as calças e deixou-as cair, revelando os músculos rijos do ventre, o robusto feixe das coxas e uma ereção apon tada para cima em agressiva necessidade.
Uma sensação de alarme disparou pelo corpo de Bella, e ela levantou-se parcialmente sobre um cotovelo.
Edward, porém, apoiou um joelho no colchão, e o peso a fez rolar na direção dele. Pegando-a com firmeza por baixo das coxas, ele a puxou. A combinação subiu, e a luz das velas mostrou-lhe... Tudo.
Bella sentiu-se constrangida e envergonhada quando ele a encarou, a perscrutá-la, o olhar intenso e perigoso.
— Você é linda. Linda por inteiro.
A ansiedade que a invadira fez o coração de Bella disparar. Cada respiração doía quando a puxava, como se os pulmões não mais tivessem a capacidade de funcionar. O espaço en tre suas pernas latejava, se umedecia, e ela queria apertar-se contra Edward, arrojar-se sobre ele.
E, no entanto, Edward mal a tocara.
Ele inclinou-se e apoiou as mãos de cada lado da cabeça de Bella.
— Preciso de você agora — murmurou rouco, os olhos fulgurantes.
E Bella não reconheceu a própria voz quando respondeu:
— Sim, sim, por favor, agora.
Edward deslizou um braço sob os quadris de Bella e er gueu-a. Debruçou-se, encaixando-se entre as pernas. E um alarme disparou dentro dela ao perceber o tamanho e o calor da masculinidade.
Da última vez fora tão diferente... Bella estava no contro le, ou pensava que estava, e Edward permitira essa ilusão. Agora ele a dominava. De propósito, para impressioná-la com seu poder? Ou por que não tinha outra escolha? Bella não sabia. Nem se importava. Pois, conforme Edward se comprimiu dentro dela, Bella cedia e o abraçava. Ele preci sava daquela garantia, e ela a deu de bom grado porque não tinha opção. Tudo que era feminino em Bella concorda va com tudo que era masculino em Edward. E ambos se fundiram.
E ele parecia... Parecia tão feroz como uma águia que a mantivesse nas garras enquanto pairava nos céus. Seus quadris se moviam em avanços lentos, para frente e para trás, aprofundando a invasão a cada investida. Bella tentou trazê-lo para mais perto e mais depressa, mas Edward se gurou-lhe as nádegas e controlou o ritmo.
O impacto cada vez mais intensificado da carne rija den tro dela arrancou gritos incoerentes de seus lábios. Edward se apossava de seu corpo, fazendo seus mamilos se intumescerem, seus pensamentos se dispersarem. No mundo inteiro, havia apenas ela e ele, e a paixão que os possuía.
— Edward... Por favor!
Bella queria que ele fosse mais depressa, que a levasse logo ao clímax que se aproximava.
— Por favor, o quê? Por favor... Isto?
Edward deslizou para fora, fazendo-a choramingar de desejo.
— Ou assim?
De novo ele se enterrou, os quadris a investirem com for ça, mais depressa. E Bella gritou de prazer.
— Assim, assim... — Ela se debateu. — Oh, Edward...
Dançaram a dança dos deuses, num frenesi em busca da plenitude.
Bella gemeu. E envolveu as pernas com força em torno dos quadris de Edward. Agarrou-se às suas costas, segurando-o e prendendo-o para que ficasse mais perto, mesmo sa bendo que não seria perto o bastante.
Tudo que Bella sentia era Edward dentro de seu ventre a compeli-la a atingir uma altura que jamais imaginara. Aquele era o homem para quem fora feita. Aquele era o momento para o qual nascera um momento que crescia em intensidade, até que Bella julgou que morreria de prazer, um prazer por demais vibrante para que a ele sobrevivesse.
E quando Edward se juntou a ela, quando suas investidas se tornaram mais rápidas, e ele gemia como se destroçado por uma violenta agonia, o clímax atingiu um patamar ainda mais feroz. E o ventre de Bella recebeu sua semente, absor veu sua ferocidade, tomou e deu com força igual.
Juntos, eram apenas um.
Quando o último empuxo o convulsionou, Edward desa bou sobre Bella, suado, pesado... Belo. Ela afastou-lhe os ca belos da testa com mãos trêmulas e tentou compreender como aquilo era possível. Como duas pessoas que nunca ti nham visto uma à outra, duas semanas antes poderiam en veredar para uma loucura tão divina?
— Não faça isso — Edward disse rouco.
— Não faça o quê?
— Não tente imaginar. Até que compreenda com a sua alma que é inútil tentar.
Sua alma? O que Edward sabia sobre sua alma? Como ousava falar sobre sua alma como algum poeta cheio de ve neração, como algum amante inquieto?
Ele não era nenhuma dessas coisas. Era o marquês de Northcliff, e Bella tinha de ser inteligente para se lembrar disso... E esquecer de que em algum lugar neste mundo sua alma gêmea existia.
Em algum lugar deste mundo... Talvez mais perto do que ela imaginava.
Edward tirou o peso de cima de Bella e apoiou-se nos co tovelos. Encarou-a.
— Você me deixa louco. Nunca tive tanta pressa. Nem tirei as botas.
— É mesmo? — Bella estava encantada.
— É melhor eu tirá-las agora... e não sair daqui por um longo tempo. — Olhou-a atentamente. — Você prometeu que ficaria comigo.
Bella ajeitou-se sob ele, invadida por uma sensação de cautela.
— Por um ano. Prometi que ficaria por um ano, o tempo prescrito pelo nosso casamento pagão. — Ela julgou ver um lampejo naqueles olhos castanhos. Seria desapontamento? — Depois... Veremos se ficarei para sempre.
Por um longo instante, Edward permaneceu em silêncio. Então...
— Tudo bem. — Ele se sentou, tirou as botas e jogou-as contra a parede.
Bella encolheu-se diante da violência do gesto. Juntou as pernas num repentino ataque de timidez, e cobriu-se com o lençol.
A voz de Edward soou calma:
— Eu a conheço, princesa Desdém. Sei que manterá sua promessa. Pelo menos por um ano.
…
Aro Masen olhou para a carta, frustrado.
11 de maio de 1810
Meu caro tio,
O senhor precisa me ajudar nesta hora de necessi dade. Meus sequestradores são homens cruéis que à noite falam em me matar, fazendo meu sangue se enregelar! Falam de tortura, de decepar minha cabeça...
— Não seria uma grande perda — Aro resmungou.
...de colocar-me num saco com um peso e me jogar no mar para morrer da forma mais horrível! Se não os pagar logo, perderá seu único e amado sobrinho, o úni co outro Masen além do senhor mesmo! Só por intermédio da bondade de uma pobre criada eu pude passar esta súplica ao senhor! Eu lhe imploro: entregue depressa o dinheiro! Sei que deve ser difícil levantar o ouro exigido, mas, por favor, tio, pela minha integri dade, isso deve ser feito!
Seu muito amoroso e leal sobrinho,
Edward Masen
O muito honrado e nobre marquês de Northcliff
— Que imbecil melodramático!
Aro jogou a carta de lado. Agora, além de ser impor tunado por sequestradores ineptos e um assassino desapa recido, Edward, seu todo-poderoso marquês de nariz empinado o aborrecida também. O porco insignificante imaginava que seu querido e velho tio Aro, o único que cuidava de suas propriedades e de sua fortuna sem nenhum agradeci mento por parte de Edward, iria correr em seu auxílio.
— De jeito nenhum — Aro murmurou. Pegou a carta e a examinou outra vez.
Sim, era a letra de Edward, cheia de arabescos e traços agudos. Aro a reconhecia das comunicações pouco frequentes que o sobrinho lhe enviava.
Aquelas em que exigia que os relatórios da contabilidade fossem enviados a uma de suas imponentes propriedades. E se algo não fosse feito até o mês seguinte, todas as suas negociatas dos últimos dez anos seriam reveladas, e ele duvidava que Edward ficasse agradecido.
Duvidava muito.
