- Parte 25 -

Anne não demorou a se recuperar, visto que Madame Pomfrey sabia como curar ferimentos, e mesmo a garota era super resistente.

Você daria uma ótima quileute — comentou Jacob, que permanecera o tempo inteiro sentado ao lado da cama de Anne.

Então você acha que eu dou pra lobisomem?

Isso eu tenho certeza — disse Jake com um sorriso maroto.

Christine andava de um lado para o outro em frente à Ala Hospitalar, preocupada com a amiga.

Filha da puta, essa Madame Pomfrey — resmungava Christine — meu Ronaldo pra ela! Se fosse a porra de algum amigo dela que estivesse dentro desse caralho dessa Ala Hospitalar... Ou mesmo aquele cuzão do amante dela...

Madame Pomfrey tem um amante? — indagou Amy erguendo uma sobrancelha.

Você acha que o Dumbledore é o que dela? A menos que ele recuse, é claro, porque ele gosta daquilo que balança.

Vou sonhar com esta porra.

Mas antes que Christine proferisse mais palavras de baixo calão, a porta da Ala Hospitalar se abriu, e dela saiu uma Madame Pomfrey aparentemente cansada.

Podem ir — ela disse quase ofegante — mas não façam-na se esforçar muito.

Ah, vai se foder — murmurou Christine, e felizmente não foi ouvida.

Anne estava aninhada nos braços de Jake, com o braço enfaixado. Ele beijava periodicamente os seus cabelos, numa tentativa desesperada de mostrar-lhe o quanto a amava.

Anne, como é que você está? — indagou Christine desesperada — Eu devo pegar esse cachorro?

Não, Chris, já disse que foram uns caçadores de espíritos e coisas paranormais.

Quê?

É, acharam que Jake era uma ameaça. Bem, na verdade ele é...

Sei que tipo de ameaça...

Chris, dei o seu recado ao Carlisle — disse Jake de repente — e logo ele virá para as consultas.

Ah, que ótimo! Quero exames profundos e minuciosos!

Anne, eu trouxe um presente — falou Amy pela primeira vez, desde que entrara na Ala Hospitalar.

Mas o que é isso, Amy? — indagou Anne ao ver a garrafa nas mãos da amiga.

Conhaque — respondeu — para fins medicinais.

Ah, não, obrigada. Mas eu agradeço de qualquer forma.

Se é assim, eu fico com ele, então — disse Amy abrindo a garrafa e sorvendo um grande gole.

Uma semana após o incidente, os irmãos Winchester, responsáveis pelo ferimento de Anne, resolveram ir pessoalmente ao castelo pedir desculpas à garota. Ela estava, então, com Jake, Amy, Jasper e Christine à mesa da Sonserina. Era um sábado.

Srta. Anne Hale — disse o rapaz de cabelos curtos — sou Dean Winchester, e este é meu irmão Sam.

Dispenso as apresentações — disse Anne mal humorada.

Viemos pedir desculpa — disse Sam.

Já pediram, agora que tal se retirarem? — disse Jake com uma voz dura.

Mas isso não é jeito de tratar os nossos convidados — disse Christine erguendo-se do banco e posicionando-se ao lado de Dean — olá, eu sou Christine Lestrange, e é um grande prazer conhecê-los.

Oi, menininha — disse Dean, muito próximo da garota — tem programa pra hoje à noite?

Pra falar a verdade, não.

Chris, e o Snape? — indagou Amy indignada.

Quem é Snape? — perguntou Dean.

Ah, é meu morcego de estimação. É que ele não gosta muito de ficar sozinho. Mas tudo bem, ele pode suportar uma noite. Por uma boa causa, presumo?

Uma ótima causa — disse Dean maliciosamente.

Mas Dean, você nem bem chegou e já está conquistando uma garota? — disse Sam meio sorridente.

Não é muito difícil conquistar Chris — disse Anne.

Também queria que fosse fácil conquistar você — falou Sam, ignorando a presença de Jake.

O lupino rosnou e se adiantou, mas Anne o segurou pelo braço.

Vai ver como é fácil conquistar o capeta, seu cara de nabo — disse Jake imerso em seu ódio.

Vai me pegar, Jacó? — disse Sam desdenhosamente.

O Jacó eu não sei — falou Christine — mas eu vou pegar o Dean. Bora pra Sala Precisa, gato! Acabou o dinheiro, acabou o amor...

E se retiraram.

Bom, meu irmão agora está ocupado — disse Sam — e eu não vou ficar aqui para ver uma garota tão linda fazer uma escolha tão absurda. Vou dar uma volta no castelo, fique aí caçando pulgas.

Ah, vai pentear macaco!

Christine e Dean não conseguiram chegar à Sala Precisa, e resolveram se enroscar em um vão no corredor da biblioteca. Eles apenas não contavam com o fato de que Snape apareceria no momento EXATO.

CHRISTINE LESTRANGE!

Totalmente sem reação, a garota jogou Dean para o lado, e seu rosto ficou mais lívido que o de Jasper e Eduardinho juntos.

Snape — a garota balbuciou, praticamente sem voz.

Então é esse o seu morcego de estimação? — indagou Dean — Poxa vida, que morcegão! Bem, eu estou indo. Valeu pela diversão, gatinha.

Christine não podia acreditar que via lágrimas nos olhos de Snape, mas elas estavam lá. A garota tentou, sem sucesso, tocar-lhe o rosto.

Saia de perto de mim — ele disse com a voz embargada, como a de Amy após um porre — você não ouviu o rapaz dizer? Diversão... Você não passa disso para todo o mundo. Eu quis lhe dar sentimentos verdadeiros, e o que é que você fez? Saiu se enroscando com o primeiro cara que julgou bonitinho.

Eu não fiz por mal — as lágrimas de Christine começavam a cair.

Ah, claro que não! Você estava sob Imperius, como não pensei nisso antes? Você não presta, Chris, nunca vai prestar. Não sei por que eu pensei o contrário. Por favor, me esqueça.

Não — implorou a garota, segurando-o pelo braço — não, Severus. Eu te amo.

Jogue seu amor ao Lago Negro, e não torne a me procurar.

Dito isso, retirou-se, deixando para trás uma Christine merecidamente arrasada.