Capítulo 25 – Não é justo

xXx

There's just one thing that's getting in the way
(Tem só uma coisa que está atrapalhando)
When we go up to bed you're just no good
(Quando vamos para a cama você simplesmente não é bom)
Its such a shame
(É uma vergonha)
I look into your eyes, I want to get to know you
(Eu olho nos seus olhos, eu quero te conhecer melhor)
And then you make this noise and its apparent it's all over
(E aí você faz esse barulho e aparentemente tudo acabou)
It's not fair
(Não é justo)

x Lily Allen – Not Fair x

xXx

A festa acabou pra mim depois da minha crise de choro. Assim que me recuperei, Jasper me levou pra casa. Fiquei sentada na minha cama olhando para o nada por vários minutos até me levantar e trocar de roupa para dormir. Sonhei com Edward, ele sorria para mim enquanto eu ria das ondas quebrando em minhas pernas na praia. Acordei com gosto de choro na boca e uma Rosalie risonha a me balançar.

— Você parece um panda. – brincou.

Gemi, esfregando os olhos e observando minhas mãos ficarem pretas da maquiagem que eu não tinha tirado antes de dormir.

— Quem te deixou entrar?

— Seu pai. Olha, está sol lá fora e nós vamos para a clareira.

Contra a minha vontade, um sorriso pequeno se instalou na minha boca. A clareira era o lugar secreto dos formandos, passado de geração em geração. Sendo no meio da floresta, nenhum pai sabia onde era. Na verdade, poucas pessoas sabiam que ela exista, pra começar. Alguns formandos iam lá para namorar ou usar drogas, mas nos raros fins de semana de sol havia uma regra não falada que um picnic fosse organizado.

— Rose, você acha que eu fiz certo? – murmurei.

— Só você sabe disso, Bells. Não posso te dizer qual era o certo a se fazer. – dei de ombros.

— Onde está a Rosalie bocuda e intrometida? – brinquei, e ela gargalhou.

— Ela foi fodida por duas horas seguidas ontem e está de ótimo humor hoje! – respondeu e eu ri também. – Agora sai da cama e vai tomar um banho que você está me assustando.

Eu ri mais uma vez e me levantei para pegar uma toalha e ir para o banheiro. Ri sozinha ao me olhar no espelho, porque Rosie estava certa. Eu de fato parecia um panda: Haviam círculos enormes em volta dos meus olhos, toda uma circunferência preta de maquiagem escorrida, e em comparação, meu rosto parecia branco demais. Decidi tomar banho logo antes que meu visual piorasse – se é aqui aquilo era possível.

xXx

— Uau, Bella.

Eu ri de Emmett e o ignorei. Tudo bem, eu estava um pouco arrumada hoje. Mas só um pouco.

— Hey, obrigado por me ligar. – Jake agradeceu. Eu sorri e ele abaixou o tom de voz. – Você está melhor?

— Eu pareço melhor? – brinquei. Ele olhou meu short, a meia-calça roxa por baixo, meu all star e minha camiseta de alças com uma jaqueta que eu tinha roubado de Emm há muito tempo.

— O visual de Branca de Neve é meio difícil de superar, mas pra mim você parece ótima hoje. – brincou de volta. Eu corei e ri.

— Eu me sinto ótima, obrigada. – admiti. Ele sorriu, embora algo de preocupação estivesse em seus olhos escuros.

— Então, como funcionam esses picnic? – fez ele, estendendo o braço para eu acompanhá-lo.

Enrosquei o meu braço no dele e seguimos para onde a maior parte das pessoas estava sentada no chão. Tirei minha toalha da bolsa e estendi no chão para nos sentarmos. Alguns casais antigos estavam juntos e eu pude observar casais novos se formando também, além de pessoas observando ao redor.

— Bom... Você trouxe algo?

— A segunda opção que você me deu. – respondeu. O encarei, minhas sobrancelhas levantadas em descrédito.

— Você acha que eu lembro a ordem das coisas que eu sugeri que você comprasse? Você tá brincando, né?

Ele gargalhou e eu ri junto.

— Eu trouxe um engradado de cerveja. – explicou. Assenti.

— Os garotos estão organizando tudo agora, contanto o que trouxeram. Acho que eu e Rose fomos as últimas a chegar... Alice e Jasper estão montando a churrasqueira, e se eles acharem que vai faltar comida ou bebida, um boné é passado para arrecadar doações para repor os suprimentos. – expliquei.

— Você acha que o professor Edward vai vir? – perguntou. O nome dele estava tão fora de contexto que eu me assustei. O olhar magoado do meu mestre me assombrou e eu abaixei a cabeça, olhando para a grama que estava pinicando meu tornozelo através da minha meia.

— Não faço ideia. – admiti baixo.

— O que aconteceu ontem, Bella? – perguntou Jake. Eu franzi o cenho.

— Nada. – dei de ombros.

— Você não estava chorando por nada. – discordou. Balancei a cabeça.

— Era uma bobagem, nem vale a pena falar sobre isso. – insisti.

Um minuto de silêncio tenso se passou, e então ele respirou fundo.

— Bella, eu vi você saindo do carro dele ontem.

Gelada por dentro, olhei ao redor rapidamente para ver se alguém estava perto o suficiente para ouvir por acaso o que meu amigo tinha dito. Não havia ninguém, para meu alívio.

— Você estava me seguindo ou o quê? – tentei brincar, mas minha voz saiu toda errada e soei na defensiva.

— Você saiu quase correndo do salão, eu achei que tivesse acontecido algo. Vi ele te arrastar pro carro dele e depois você saiu chorando. O que aconteceu, Bella? – inquiriu ele, num tom baixo.

— Não aconteceu nada, Jake.

— Ele tentou te forçar? – sussurrou, e o encarei, chocada.

— Não! – quase gritei, sem acreditar. – Meu Deus, não. Não foi nada disso. Nada aconteceu.

Fechei os olhos e esfreguei o rosto, nervosa. Do jeito que Jake tinha relatado os fatos – Edward me convencendo a entrar no carro dele, eu saindo chorando – realmente soava como se ele tivesse feito algo horrível.

— Você não vai comentar isso com ninguém, não é? – perguntei, desesperada. Eu tinha acabado as coisas com Edward para ele não ser prejudicado pela nossa relação estranha e proibida em vários aspectos, por que Jake tinha que ter visto nossa troca de palavras?

— Ele está te ameaçando se você contar. – concluiu Jake. Bufei.

— Jake, ele não fez nada de mais. Nada de mau. Nada de errado. – clarifiquei.

— Por que está inventando desculpas para ele? – murmurou. – Eu vejo o jeito que ele te olha na aula e nos corredores, Bella. Nós podíamos denunciá-lo.

Me levantei num salto, alarmada.

— Vamos dar uma volta? – sugeri, mais exigindo do que perguntando. Ele me acompanhou até a borda da clareira e então eu resmunguei um que se foda e entrei na floresta, com Jacob me seguindo de perto.

— Você sabe o que a gente parece, não é? – tentou brincar para aliviar o clima. Não funcionou. Dei um sorriso falso. Respirando fundo, ele estendeu os braços para mim. Balancei a cabeça e me sentei num tronco de árvore. Sentando ao meu lado, ele sinalizou para eu falar.

— Olha, eu não estou inventando desculpas para ele, okay? Estou dizendo a verdade: nada aconteceu ontem. Ele não está me ameaçando, não tentou me forçar e não foi ele que me fez chorar. – expliquei. – Eu não vou denunciá-lo e você menos ainda.

— Então o que aconteceu no carro dele?

Passei a mão pelo cabelo, nervosa.

— Com todo respeito, Jake, isso não é da sua conta. – resmunguei.

— Tente ver as coisas da minha perspectiva, Bella. Nós tínhamos marcado um encontro, e dois minutos depois eu te vejo entrando no carro de outro cara. – explicou calmamente. Eu mordi o lábio, me sentindo mal. Assenti para ele.

— Eu não pensei desse jeito. Desculpe, Jake. Mas posso te garantir que nada desse tipo aconteceu. – falei, pegando a mão dele. Sua expressão neutra me incentivou a falar. – Não aconteceu nada. Ele queria conversar comigo, nós conversamos e acabei falando o que não devia. Então-

— Ele ficou bravo? Tentou alguma coisa contra você? – deduziu, e eu bufei.

— Já falei que ele não fez nada assim. Eu... eu o decepcionei. Deixei ele chateado. Acabei sendo mais seca do que pretendia, e me senti mal por isso. Foi por isso que chorei. Estava chateada que as coisas tivessem acabado daquele jeito. – falei, tentando não mentir, mas o mesmo tempo não revelar nada sobre Edward.

— O que vocês estavam conversando? – perguntou.

Eu quis dar uma resposta mal educada, mas ele estava certo. Eu tinha concordado em sair com ele, e eu devia isso a ele.

— Você não estava aqui na época, foi no início do semestre. Edward me odiava, ele me marcou porque eu cheguei atrasada na primeira aula dele. Eu me cansei de ser taxada como aluna-problema e fui até o escritório dele justificar meu atraso. Acho que ele ficou surpreso que eu tivesse a coragem, e então ele decidiu rever o conceito sobre mim que ele tinha. Bom, eu estava com um livro esse dia, e ele me perguntou se eu estava gostando e então... bem. Nós viramos amigos. Trocávamos indicações de livros, conversávamos... Mas aí...

— Aí o quê? – incentivou, quando eu parei de falar.

— Ontem, ele... ele me disse que tinha... que tem... sentimentos por mim. – murmurei, corando forte.

Ah.

Uma pequena interjeição, com tantos significados ocultos. Ele estava bravo e chateado, eu podia ver.

— E você? – perguntou.

— Eu o quê?

— Você... tem sentimentos por ele? – sussurrou. Dei um sorriso triste.

— Não.

— Não? – ecoou, desacreditando.

— Eu disse que não, e ele ficou triste. Eu disse que nunca namoraria como um cara como ele. Foi cruel e desnecessário. No momento que dei adeus a ele, senti a culpa pesar. Ele não foi nada além de gentil e divertido comigo, bem, desde que nos conhecemos melhor, pelo menos. E eu retribuí daquele jeito... – murmurei.

A maior parte nem era mentira, o que tornou a história mais simples de contar. Jacob me encarou, pensativo.

— Ele ama você, você sabe disso, não sabe? – fez ele. Eu fechei os olhos e assenti, corando. – Ele te beijou?

— Não. Ele é educado demais para roubar um beijo. – garanti. Jake bufou.

— Só não é esperto o suficiente para evitar um processo judicial. – brincou. Eu revirei os olhos.

— Eu já tenho dezoito e me formo em seis meses. – pontuei.

Ele me encarou.

— Não que isso tenha alguma relação. Jamais daria certo. – consertei rapidamente. Jake riu e balançou a cabeça.

— Então, vocês não tem nenhuma espécie de romance secreto proibido, não é? – perguntou, só pra garantir. Eu revirei os olhos.

— Não. – prometi. Bom, não a partir daquele momento, de qualquer forma.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, e então eu suspirei, sentindo o cheiro bom de folhas verdes.

— Você quer voltar pra lá? – perguntou, passando o braço por minha cintura e me trazendo mais pra perto. Dei de ombros.

— Acho que aqui é mais tranquilo. – sugeri, sorrindo para ele. Ele nem precisou que eu dissesse mais alguma coisa e seus lábios já estavam nos meus.

Eu correspondi prontamente, passando os braços pelo pescoço dele para trazê-lo pra mais perto a fim de aprofundar nosso beijo. Agora que eu não tinha sido pega de surpresa, ou me sentindo mal por ter acabado de transar com Edward, pude apreciar o toque firme, mas carinhoso dos lábios dele sobre os meus. Assim como sua mão sorrateiramente descansando em minha coxa.

Meus dedos correram pelos cabelos não tão curtos dele, arranhando de leve seu couro cabeludo, e ele gemeu baixo, me apertando daquele jeito bom. Nossas respirações começaram a ficar aceleradas, se misturando. Os lábios dele se afastaram dos meus e desceram por meu queixo para meu pescoço, me fazendo suspirar. Seus dedos escorregaram para mais perto da minha cintura, e eu me arrepiei com seu toque e seus beijos. Ele riu, voltando a me beijar.

Fomos interrompidos pelo toque alto do meu celular, "Arms" da Christina Perri nos separando. Apanhei o infeliz aparelho, e o nome da minha loira preferida piscava na tela.

— Fala, vadia. – atendi, brincando.

— Onde você se enfiou, sua louca? – gritou Alice, e eu respirei fundo.

— Estou por aqui. – respondi, me desviando da pergunta.

— Você está com Jacob, não é? – deduziu.

— Aham. – murmurei simplesmente, tendo dificuldade de me concentrar na ligação enquanto Jake espalhava beijos por meu ombro e pescoço.

— Tá... tá tudo bem? Responda que sim se estiver algo errado aí.

— Hum, seguindo a sua lógica, tá tudo péssimo aqui, então. – falei, franzindo o cenho.

— Ah... Tudo bem. Vocês estão... Tipo namorando? – perguntou, curiosa. Eu olhei para Jake, mas ele não parecia ter ouvido a pergunta.

— Não sei, Allie. Depois conversamos, okay?

Não esperei a resposta e desliguei, guardando o celular de volta em meu bolso.

— Está tudo péssimo aqui? – ecoou Jake, levantando uma sobrancelha. Eu ri.

— Ela estranhou minha resposta monossilábica e disse que, se tivesse algo errado, eu deveria dizer que tá tudo bem. – expliquei, e ele assentiu com um sorriso.

Uma rajada de vento gelado passou por nós e eu tremi, me aproximando mais dele.

— Você não trouxe blusa? – desacreditou, começando a tirar o casaco para me oferecer.

— Eu deixei em cima da toalha. Que aliás, está lá na clareira enquanto estamos aqui. – lembrei, impedindo-o de tirar a blusa. – Você está quentinho, foi só um vento frio.

Ele riu e me abraçou, me trazendo impossivelmente para mais perto. Descaradamente, levantei minhas pernas e as deixei no colo dele. Jake esfregou minha coxa, tentando me esquentar. Não preciso nem dizer que ele conseguiu.

— Não quero voltar pra clareira ainda. – murmurei, e ele murmurou uma concordância.

Logo estávamos nos beijando mais uma vez, e ainda mais intensamente. Rapidamente fui parar sentada em seu colo, sentindo sua animação cutucando meu quadril. O que começou com um beijinho se tornou um amasso rapidamente. Meu corpo queria muito mais do que aquilo, e era difícil me segurar. As mãos dele em minhas pernas foram subindo até a barra do meu short. Eu me arrependi por não ter colocado uma saia, mas então o pensamento me fez acordar. O que eu estava fazendo?

Devagar, diminuí o ritmo dos nossos beijos, até que estávamos dando selinhos leves.

— Acho que nos empolgamos. – fez ele, ligeiramente ofegante. Assenti, corando de leve. – Você quer parar?

Meu Deus, óbvio que não.

— Não. Só tentar ir mais devagar, talvez? – sugeri. Ele assentiu e beijou meu rosto, indo para minha boca lentamente.

Porém, dez minutos depois já estávamos enroscados de novo. Continuamos nos amassos até que minha barriga roncou. Jake riu e eu abaixei o rosto, constrangida.

— Vamos comer, sim? Eles já devem ter começado. – falou, rindo.

Saímos de mãos dadas e voltamos para a clareira. Meus lábios deviam estar super vermelhos, mas eu nem liguei pro fato de que poderiam falar de nós.

— Então, se alguém perguntar... Eu posso dizer que você é a minha namorada? – fez ele, quando pisamos na clareira começamos a receber olhares. Eu o encarei com a sobrancelha levantada, de certa forma surpresa que ele tivesse me perguntado isso tão rápido.

— Okay. – respondi, sorrindo, e ele me deu um selinho rápido.

Andamos em direção à comida, e um rosto me chamou a atenção. Edward. O que diabos ele estava fazendo aqui? Merda. Eu tinha dito pra ele ontem que eu não estava apaixonada por Jake. Respirei fundo e acenei um oi para ele, e sem mais demoras, peguei um prato descartável e comecei a comer.

Alice grudou em mim e Jasper ficou me dando olhares, como se soubesse de alguma coisa que eu não tinha sido avisada.

— Então tudo aquilo foi só uma desculpa? Não querer se envolver com alguém por quem não está apaixonada... Ou você mentiu sobre isso também? – Edward falou baixo, distraidamente se servindo de refrigerante. Eu gelei.

— Eu não estava mentindo. – murmurei, corando.

— Sabe, desde o começo, sempre foi assim. Acho que é o que dizem mesmo. As pessoas não mudam. – fez ele. Eu arfei, chocada. O encarei, mas ele parecia calmo. Suas palavras, porém, eram cortantes como gelo. – Eu confiei em você. Eu me abri pra você. E por um tempo, eu achei que você era diferente. Estava errado.

— Não fala assim. São situações diferentes. – tentei argumentar, mas ele soltou um riso sarcástico.

— Está tudo bem, pequena. Eu já entendi. Não vou mais te perturbar, pode ter certeza. – garantiu, piscando para mim e se afastando.

xXx

A semana passou num borrão. Jake me levou para sair, como prometido, e eu acabei me divertindo mais do que esperava. Duas semanas se passaram até que eu fosse encurralada.

— Então... – começou meu pai, observando-me lavar a louça no domingo. – Você anda saindo bastante mas eu não perguntei nada, porque estava esperando você me contar, mas... Parece que você precisa de algum incentivo.

Eu corei, agradecendo por estar de costas para ele. Enxaguei o último prato e fui me sentar na frente dele em uma das cadeiras que não combinavam com o resto do cômodo. Pelo menos, ele também estava corado, para meu alívio. Isso acabaria rápido.

— Billy disse que você tem andando bastante na casa dele. – tentou mais uma vez, quando eu fiquei apenas o olhando.

Desconfortável, mordisquei minha unha.

— Nós estamos namorando. – murmurei, e Charlie levantou as sobrancelhas para mim.

— Como é?

— Jake e eu estamos namorando. – expliquei, tímida.

Ah.

O silêncio tomou conta do lugar mais uma vez.

— Você pode trazê-lo aqui, se quiser. Billy me contou as regras da casa, e como você passa a maior parte do tempo sozinha aqui, de qualquer forma, considere as mesmas regras. Eu sei que você não é mais criança, mas só gostaria que vocês fossem seguros. Não quero ter que ser avô mais cedo do que o necessário. – falou rapidamente.

— Ah meu Deus. – gemi, tapando o rosto.

— Só usem camisinha, okay? – pediu, e eu quis morrer.

— Tia Mags já teve essa conversa comigo há uns quatro anos. – resmunguei, e ele se levantou.

— Que bom. Estou confiando em você.

Ah, Deus. Só meu pai podia me fazer ficar tão envergonhada assim com tão poucas palavras. Mal sabia ele que eu já tinha – como é que eles chamam? – uma vida sexualmente ativa há muito tempo.

— Estou indo com Billy até Seattle para levá-lo na casa da irmã dele. Nos vemos à noite? Juízo. – disse meu pai, saindo.

Eu respirei fundo e esperei um minuto ou dois antes de atravessar a rua e bater na porta da frente da casa do meu namorado. Ele abriu calmamente e me deu um beijo.

— Meu pai acabou de tentar ter a conversa comigo. – contei, revirando os olhos.

Ao longo das últimas três semanas, eu tinha me familiarizado muito com a casa dele, por isso nem pedi para ir até a cozinha pegar um copo d'água. Também não hesitei ao carregar o copo comigo e começar a subir as escadas em direção ao quarto dele.

— Você sobreviveu? – brincou ele. E então ficou sério. – Mais importante: como eu ainda estou vivo?

Eu ri e bati nele de brincadeira.

— Larga de ser bobo, meu pai te adora. E ele disse que você é bem vindo em casa. Mesmas regras, ou pelo menos é o que ele alega. – avisei. Jake gargalhou.

— Tá brincando! Seu pai concordou em deixar um adolescente hormonal perto da filhinha dele? À portas encostadas? – desacreditou.

— Como eu disse, ele te adora. – reforcei. Rindo, ele me abraçou e me beijou com mais calma.

— Oi. – cumprimentou-me. Eu sorri.

— Olá. – respondi, voltando a beija-lo.

Desnecessário ressaltar que nas últimas semanas nós tínhamos nos tornados muito próximos fisicamente. Passávamos todas as tardes juntos, às vezes assistindo um filme ou estudando, mas na maior parte das ocasiões, namorando no quarto dele. Embora ainda não tivéssemos chegado "aos finalmentes", as carícias recíprocas vinham acontecendo com bastante frequência.

Eu tinha perguntado no dia anterior a Alice como eu saberia quando era a hora certa de dar o próximo passo, porque eu não tinha parâmetro nenhum com Edward. Minha amiga tinha dito que seria quando eu tivesse vontade, o que não significava muita coisa pra mim.

— Não é pior o fato de que seu pai teve a conversa com você e nós não? – murmurou Jake, colocando meu cabelo atrás da orelha com carinho. Ele me pegou pela mão e sentamos em sua cama. Suspirei.

— Hum. Acho que nada faria aquele momento menos pior. – argumentei, mas assenti. – Você quer falar sobre isso?

— Nós nunca conversamos sobre essas coisas. Eu acho que seria bom. – sugeriu, dando de ombros. – Se você não se importar, claro.

— Sem problemas. – garanti. Tentei pensar no que dizer primeiro, mas Jake cortou minha linha de raciocínio.

— Você é virgem?

Huum, perguntinha perigosa. Eu não queria mentir, mas e se ele perguntasse com quem foi? A história que inventei para Rose veio à cabeça rapidamente, então balancei a cabeça negando. Ele pareceu surpreso.

— Você é? – devolvi. Ele fez uma careta e balançou a cabeça entre um negar e um assentir. – Sim ou não? – falei, rindo.

— Foi uma vez só e... não foi até o final. – explicou. Eu assenti. – Foi com alguém que eu conheço?

— Não... O nome dele é Matt e eu o conheci em Seattle. – respondi, sorrindo ao pensar na minha primeira vez.

— Okay. Bella? – chamou. Eu o encarei, esperando. – Você é curiosa?

— O que você quer dizer? – pedi, sem entender direito.

— Tipo... você gosta de experimentar? – elaborou. Eu mordi o lábio, pensando.

— Acho que até certo ponto, sim.

— Até certo ponto? Ah, que pena. Nada de ménage as trois então? – fez ele, com um bico. Ele estava obviamente brincando, e eu engasguei uma risada pelo fato de que eu já tinha feito isso.

— Pois é. – concordei, ainda com um sorriso. – Você se importa de usar camisinha?

— Hã... Não? – fez ele, franzindo o cenho.

— Só pra não correr riscos. – garanti, e ele deu de ombros. – Mais alguma pergunta?

— Você sabe que nossos pais só vão voltar daqui a muitas horas, não é? – murmurou, levantando uma sobrancelha dubiamente. Eu ri.

— Muitas e muitas horas. – reforcei, me aproximando mais dele.

Nos aproximamos mais e mais, até que ele me beijou, primeiramente devagar, e então com mais ânimo. Suas mãos subiram pelo meu corpo, me acariciando. Num momento maldoso, eu percebi que devia saber que ele era virgem. Embora seus beijos fossem ótimos, ele não era tão jeitoso com as mãos como Edward, por exemplo. Balancei a cabeça mentalmente, afastando o pensamento do último cara com quem eu tinha estado.

Nos deitamos no meio da cama grande dele, e eu puxei sua camiseta pela cabeça, jogando-a ao lado da cama dele. Normalmente, eu me segurava um pouco com ele, com medo de parecer "experiente demais", mas agora que eu tinha admitido que não era virgem, me senti mais livre para beijar o peito dele e virá-lo na cama, ficando por cima.

— Você tem camisinha, né? Não vim com bolsa. – murmurei, beijando o pescoço dele com a boca aberta.

— Humm... Sim. Está na terceira gaveta. – instruiu, gemendo baixo.

Eu me inclinei para o criado-mudo e puxei a terceira gaveta. Desajeitada do jeito que eu era, ela caiu no chão, fazendo nós dois rirmos. Consegui, por fim, alcançar um pacotinho quadrado, que deixei ao lado do travesseiro.

Ele tirou minha blusa, e começou a beijar meu decote. Suspirei, fechando os olhos e me deixando levar. Porém, quando ele abriu meu sutiã e substitui sua boca por sua mão, eu quase pedi para ele parar. Se por cima do sutiã ele não sabia muito o que fazer com suas mãos, agora que eu estava sem ele era um caso perdido.

Seus dedos acariciavam o vale entre meus seios, e eu quase falei para ele que ali era osso, e eu não sentia nada, mas achei que seria rude. Ao invés, peguei o pulso dele e guiei sua mão para meus mamilos eriçados. Jake não pegou a dica. Ele começou a apertar-me e pressionar seus dedos em todos os lugares errados.

Devagar, me virei na cama para ele ficar por cima de mim, e comecei a abrir a calça dele. Ele chutou os sapatos para longe, assim como as meias, e tirou a calça. Ponto positivo para a boxer chumbo que ele estava usando, graças a Deus. Constrangida, puxei seu rosto para meu pescoço, torcendo que ele descesse a boca e me tirasse daquele momento estranho. Para minha felicidade, foi o que ele fez. Com calma, abri minha calça e a chutei para baixo. Ele me ajudou a tirar a peça e beijou minha coxa, subindo com beijos até minha virilha. Suspirei e fechei os olhos, aproveitando a sensação dos lábios dele na minha pequena peça rendada.

— Você gosta disso? – murmurou, puxando minha calcinha com os dentes e rindo. Eu dei um risinho.

— Parece uma propaganda de sex shop. – brinquei, e ele riu, deixando de arte e puxando minha calcinha com suas mãos até tirá-la de mim. Percebi que ele já queria pegar a camisinha, então o parei. – Hey, vamos com calma.

Mais uma vez fiquei por cima dele, e desci sua boxer até onde eu alcançava, deixando-o chutá-la para longe.

— Você já recebeu sexo oral? – perguntei, curiosa. Minhas mãos foram para o membro dele e eu comecei a acariciá-lo, como já tinha feito algumas vezes por cima da roupa e uma vez ao ar livre.

— N-não. – ele gaguejou, e eu sorri. Algo de dominatrix estava acordando em mim, talvez o fato de ele não ser tão experiente quanto eu, ou só minha vontade de mandá-lo fazer o que eu queria, para que ele não fizesse nada errado e fosse prazeroso pra mim também.

Desci meus lábios até ele, que fez um barulho de engasgo e corou forte sob a pele morena. Eu observei meus movimentos, de certa forma curiosa. O único homem nu que eu já tinha visto era Edward, então era inevitável comparar. Me consolei com o fato de que Jake era um menino em crescimento. Ainda havia esperança para ele.

Deus, como eu sou maldosa.

Tinham se passados poucos segundos que eu estava o chupando, e de repente ele gozou na minha boca. Engasguei e me afastei, tossindo.

— Merda! – ele xingou, se inclinando até mim. – Desculpa, Bells.

Continuei tossindo, meio enojada e enjoada, mas me recuperei. Meu copo d'água não terminado foi passado pra minha mão de volta e eu tomei um gole grande.

— Meu Deus, Jake. – resmunguei, e ele me olhou, completamente constrangido.

— Desculpa.

— Tá tudo bem. Mas você podia ter me avisado, Jesus. – falei, e ele passou a mão pelo cabelo, envergonhado.

— Desculpa. – repetiu, e eu balancei a cabeça. – Como eu posso te compensar?

Levantei as sobrancelhas para ele, esperando que ele constatasse o óbvio. Levou alguns segundos, mas ele percebeu e sorriu para mim, me deitando na cama e começando a beijar minha barriga. Ele desceu os beijos e, quando eu achei que ele ia me fazer delirar, algo estranho aconteceu.

Quando estávamos vestidos, embora algumas vezes só com as roupas de baixo, eu não estranhava tanto que ele errasse meu clitóris ao me acariciar. Tudo bem que ele poderia simplesmente prestar atenção na minha reação enquanto procurar o ponto certo. Mas, bem, era um botãozinho sacana que se escondia até de mim quando eu estava vestida. Era quase perdoável. Mas agora, meu Deus. Ele estava com a cara enterrada na minha virilha e estava errando completamente onde se concentrar. Encarei o teto com o cenho franzido. Me lembrei de quando eu estava com aquela moça, Marley. Ela tinha o formato da parte de menina bem diferente do meu. Mas mesmo assim, eu investiguei e prestei atenção nos suspiros dela para mirar onde ela tinha mais sensibilidade. Era tão difícil assim?

Discretamente, corri a mão pelos cabelos dele, tentando mover sua cabeça para onde eu queria. Não deu certo. Jesus. Que constrangedor. Afastei meu quadril, torcendo para que ele não se chateasse, e o puxei para cima. Ele me deu um sorriso que eu tentei retribuir e apanhou a camisinha ao lado da minha cabeça. Como um bom adolescente hormonal, como ele mesmo tinha se rotulado, seu membro já estava rígido outra vez. Ele se atrapalhou pra colocar a camisinha e eu decidi colocar pra ele. Com calma, ele entrou em mim. Seus lábios foram para meus seios e eu senti que finalmente iria aproveitar. Cruzei as pernas ao redor da cintura dele e fechei os olhos, gemendo baixo. Eu estava começando a ficar ofegante com as investidas dele e seus beijos, quando de repente ele parou e gemeu.

Abri os olhos, o encarando pensativamente. Alguns segundos depois, ele saiu de mim e tirou a camisinha, enrolando-a e indo até seu banheiro para jogá-la fora.

Tudo o que eu podia pensar se resumia em uma palavra:

Já?

xXx

xXx

PRIMEIRO: Nada de slut-shaming aqui, hein? E quem não souber o que o termo significa, jogue no Google pq vale muito a pena saber. Segundo: Não que eu tenha que justificar nada, mas considerem o fato de que a Bella é uma adolescente que perdeu a virgindade na primeira vez que saiu com um cara. E ela está há três semanas namorando o Jake. Então suck it.

Enfim... tô meio puta ultimamente por causa de uns comentários (não aqui, no meu face) sobre certos comportamentos que a sociedade não acha apropriado a uma mulher. Como, por exemplo, o hábito da bebida social. É feio uma mulher beber. Mulher direita não bebe. Moça de família não fica na rua até tarde tomando todas. Todas essas porra aí que tenho certeza que vocês já ouviram, e infelizmente algumas já até disseram. Fora os fiscais de foda alheia, e que ficam recriminando mulher que dorme com vários. Detalhe que se fosse um homem com exatamente o MESMO comportamento, não teria problema algum.

Só uma historinha:

Moça conversando com a Noiva, que está de casamento marcado com o Noivo. Noiva contando pra Moça que existem mulheres que não são pra casar, enquanto que outras são levadas a sério. Explicação da Noiva, com exemplo: "O Noivo, quando morava em tal cidade, ficava com duas meninas por semana. Ele sempre me disse que as meninas de tal cidade não eram pra casar". QUERIDA, se tem alguém que "não é pra casar" (seja lá que raios isso signifique) aqui, é oNoivo! Porque é ele que está ficando com duas meninas por semana. Às vezes, aquela menina fazia um ano que não beijava ninguém. Ou talvez ela tenha dormido com um cara no dia anterior. Quem é você pra julgá-la, Noiva?

Enfim, ando meio revoltada.

Então nada de falar que a Bella é vadia. Porque eu to revoltada.

Hahahhahahahaha chega, Jenny.

Ao capítulo: ah, gente, tadinha da Bella! Ninguém merece ficar frustrada. Fiquei com dózinha dela ao escrever, mas esse capítulo já estava nos planos há muito tempo, eu sempre quis usar essa música da Lily Allen numa fic HSUAHUHSUHAHSHUAHUSHU

Enfim... Edward ficou bravinho. Tá de coração partido, e pra variar, não sabe o que fazer e fala demais.

Como prometido, aqui estou eu! Bom fim de semana pra vocês, darlings.

Respondi as reviews de quem tem conta por PM e as outras estão aqui :)

Nathalia N Ah, pode deixar que eu to cuidando muito bem dele por vocês que estão com dó hahaha. Vai demorar um pouquinho pra Bella se tocar que o Edward é o certo pra ela. Mas ela vai perceber um dia, eu juro! Haha

DeiaK Hahaha não odeie a Bellinha! Tadinha! Como eu disse, eu já tô tomando conta dele hehehe

Vejo vocês na semana que vem, se tudo der certo!

Love yall!

Jenny