N/A: People! Agora eu demorei bem menos pra postar. E, enfim. É. Penúltimo capítulo da PI. Até que passou rápido né? Enfim. Esse capítulo é fofo, apesar de eu ter achado umas cenas extremamente fracas, espero que vocês gostem.

Obrigada pelas reviews lindas nos dois últimos capítulos: Kaarol, Gabi Doimo, Aninhah8, MahRathbone, Caroline Marques, Tatianne Beward e Isabella.

E obrigada Carol Marques por ter betado pra mim!

Enjoy!

Capítulo 25 – Quebra de Confiança

Os dias se passaram com uma velocidade absurda, surpreendendo a cada um. E o grande dia chegou. Ela sentiu as dores iniciais e depois, elas vieram com mais intensidade, deixando-a completamente desnorteada. Fora ao hospital. A dor continuava insuportável. Todas as vezes que ela abria os olhos, lá estavam aqueles lindos olhos azuis, encarando-a com paixão, ajudando-a a realizar a mais árdua tarefa de sua vida. E ela já não estava aguentando mais. Ele também sabia que ela não iria aguentar. Já estava na hora, para quê adiar mais? Ela fechou os olhos de medo e quando os abriu, estava na sala de parto. O suor escorria de sua testa enquanto ela usava de toda a sua força; até mesmo a força que ela não imaginava que existisse, para fazer o que tinha que ser feito. Ele a incentivava. Pedia para que ela procurasse respirar mais. Mais força. Só mais um pouco. Vai valer à pena. Mais força. Você consegue. E quando o choro que ela esperou por nove meses ecoou pelo local, os seus olhos de menina encheram-se de lágrimas salgadas. Lágrimas acumuladas durante meses. Lágrimas de alegria, de alívio, de um sofrimento que tornou-se amor. Lágrimas verdadeiras, emocionadas e maravilhadas. Quando ela pegou a criança em seus braços pela primeira vez, o mundo inteiro deixou de existir. Ela e sua menina eram as únicas coisas existentes no mundo. Sentira vontade de tornar-se um ser gigante e imortal para proteger a sua pequena de quaisquer armadilhas do mundo cruel em que viviam. Enquanto estava ali, cansada, e suada, e com uma criança ensanguentada que berrava a todos os pulmões que agora estava viva, Rosalie Hale viu o seu mundo transformar-se totalmente. Agora, finalmente, a sua vida estava tendo algum sentido.

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— Rose!

A voz de Emmett a chamou atenção. Ele andava em sua direção; o jaleco branco se mexia facilmente por causa do vento fresco do local. Rosalie olhou para os seus pais. Seu pai estava sorrindo de orelha a orelha com a neta pequena como uma boneca em seus braços. Sua mãe sorriu e disse algo para o marido, porque ambos seguiram até o carro com a pequena Charlotte nos braços. Rose sorriu.

— Eles estão extremamente felizes, não é? – Emmett lhe despertou a atenção e ela virou-se para ele, ainda sorrindo, enquanto o vento balançava os cabelos loiros e bem cuidados.

— Sim. Quem vê o meu pai hoje, de fato não imagina o que eu passei com ele todos estes meses.

— Procure entendê-lo – Emmett pediu.

— Estou tentando.

— Ele estava com medo, assustado, não sei dizer. Além do mais, é impossível não se encantar por Charlotte...

— Eu sei – a jovem respondeu sorrindo e encarou o jovem rapaz que a encarava admirado. – Pensei que nós dois já tivéssemos nos despedido dentro do hospital, doutor.

— É verdade... De hoje em diante, você não é mais a minha paciente. E nem Charlotte. Ela agora é responsabilidade de Jasper – o médico respondeu sorrindo.

— Pois é. Fico surpreendida pelo fato de ele ainda querer cuidar dela.

— Acha? Jasper adora você e está encantado por Charlotte desde sempre. Ele só não pode estar presente no seu parto, e conhecendo aquela cabeça cheia de molas loiras, tenho certeza que ele sente muito por isso. O que aconteceu entre Alice e ele em nada abalou a amizade de vocês. Mas não é sobre o cabeçudo do meu melhor amigo de que eu vim falar.

— Sobre o que então?

— Nós dois, Rose.

A jovem abaixou a cabeça e suspirou pesadamente.

— Eu...

— Você não é mais a minha paciente. Agora nada pode me impedir de ficar com você, Rose.

— E quem disse que eu quero ficar com você? – ela indagou enquanto arqueava uma sobrancelha. Emmett piscou diversas vezes e isso a fez rir um pouco. – Eu... Você sabe Emmett, não estou p...

— Pronta para um relacionamento, você já me disse isso.

Rosalie assentiu e caminhou até mais perto dele.

— Mas... Eu sinto uma vontade... Enorme de ficar com você... – ela fechou as mãos em punho enquanto aproximava-se ainda mais dele. – Entretanto... Eu não quero ser um mau exemplo para a minha filha.

— Mau exemplo?

— Sim, Emmett. Não quero... ficar com você, tendo uma filha de outro. Se bem, que considerando o pai que ela tem... Charlotte não tem pai algum.

— E você quer um pai para ela? – Emmett perguntou ainda mais próximo de Rose.

— Não mude de assunto, por...

— Você quer que Charlotte tenha um pai? Sim ou não?

Rosalie desviou os olhos.

— Muito. Quando Ben me rejeitou, eu bati no peito dizendo que eu criaria a minha filha sozinha, e vou fazê-lo. Mas eu quero muito que ela tenha um pai. Um homem de bem, de bom coração, que a acompanhe nas festinhas da escola, que a ensine a fazer os deveres de casa... Eu quero sim que a minha filha tenha um pai, afinal, qual mãe no meu lugar não iria querer?

Emmett sorriu. Um sorriso tão bonito e verdadeiro, que o coração de Rose encheu-se de um sentimento que estava lá o tempo todo, apenas ela não havia dado chance para que ele aparecesse.

— Charlotte McCarty Hale. O que acha?

Os olhos de Rosalie encheram-se de lágrimas. Lágrimas tímidas, cheias de amor e encanto. O sorriso em seus lábios era verdadeiro e o seu coração que só sabia pular em seu peito, estava transbordando com os mais belos sentimentos existentes no mundo. Suas mãos suavam e ela não conseguia parar de encarar aqueles dois olhos azuis que mais pareciam um mar de sentimentos bondosos e felizes.

— Eu te amo, Rosalie – Emmett sussurrou enquanto tocava o rosto pequeno com uma de suas mãos. Ela fechou os olhos e sorriu, deixando-se ser abraçada por Emmett. Levantou a cabeça e deixou com que ele tocasse os seus lábios de leve, apenas para sentirem as texturas dos lábios um do outro.

— Eu também te amo – ela declarou-se após afastar os lábios dos dele. – Eu também te amo.

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Um mês depois...

Sentando-se em seu sofá, ele folheou os papeis da adoção com cuidado e apreço. Observou cada linha dali. Estava disposto, mais do que disposto, a ficar com Nahuel. Sentia-se preparado para isso e até largaria mão de suas árduas horas de trabalho para ficar com o menino. Ele queria ser o pai de Nahuel. Era este o seu maior desejo agora.

Além do mais, pensar em Nahuel e na adoção fazia com que ele evitasse pensar em Alice. Alice, a pequena garota dos cabelos espetados, que passara por sua vida como um furacão furioso. Foi algo rápido, mas que o marcou, ele sabia, até o final de sua vida. Alice, a sua doce Alice, que tinha o sorriso mais lindo que ele já vira. Que ele amava ver os olhos brilhando. Que ele amava ter em seus braços, amando-a até que os dois estivessem cansados demais para continuar. Sua doce Alice, que em um momento de desespero, colocara tudo a perder entre os dois. E ele, claro, agira pior do que ela.

Como será que ela estaria agora?

Pensar em Alice não lhe traria nada, ele sabia bem. O passado não voltaria e ela não estaria em seu futuro se ele continuasse pensando nela. Alice foi alguém que passou por sua vida. Alguém que ele queria muito ter ao seu lado, mas que, infelizmente, o destino não quis assim.

A campainha tocou e ele levantou-se do sofá. Devia ser o entregador de pizza. Coçou a nuca ao olhar a bagunça (havia os papeis da adoção e alguns papeis do hospital) em seu sofá. Deu de ombros, planejando arrumar a bagunça no dia seguinte, e abriu a porta.

Seus olhos estavam chocados e ele engoliu em seco.

— Você é... Definitivamente a última pessoa que eu imaginei que pudesse vir aqui – ele não conseguiu deixar de falar, ainda sentindo o choque em seu rosto e o seu coração batendo forte em seu peito.

— Eu preciso conversar com você, Jasper. Eu preciso muito entender o que aconteceu entre você e a minha filha.

— Entre – ele deu passagem para Lucy que adentrou o apartamento.

Jasper notou-a diferente. Os olhos não brilhavam. Ela não estava usando maquiagem, o que aumentava um pouco a sua idade para um, no máximo dois anos. A sua roupa também não era o tipo de vestuário que Lucy costumava vestir. Jasper indicou o sofá, mas logo se lembrou da bagunça que estava ali.

— Eu sinto muito. Eu estava estudando alguns papeis e não imaginava que eu fosse receber uma visita... Aliás, que horas são? – ele perguntou enquanto começava a arrumar os papeis de qualquer jeito. Lucy sorriu ao vê-lo à vontade em uma calça de moletom e uma camiseta velha de uma banda qualquer.

— Sem problema. São nove da noite. Desculpe ter vindo tão tarde, Jasper. Mas eu realmente precisava falar com você. Por favor. Diga-me, o que houve entre você e Alice. Não me poupe de nada. Não tema me machucar. Não há como eu me machucar ainda mais com esta história.

Jasper paralisou com os papeis em suas mãos. Guardo-os em uma pasta e pediu para que Lucy sentasse em algum lugar. Ela o fez e ele a imitou, sem pensar em cordialidades, como oferecer café ou algo assim. Havia percebido que Lucy queria ir direto ao ponto e era isso o que ele iria fazer.

— Eu e Alice ficamos juntos. Por um tempo. Alguns meses. Não mais do que três – ele respondeu e Lucy abaixou os olhos.

— E quando vocês ficaram juntos? Você ainda estava comigo, Jasper?

— Por que você está me perguntando tudo isso? Por que não perguntou para Alice? Por que a julgou sem defesa? Sem deixar que ela se explicasse, que ela lhe falasse tudo o que estou prestes a lhe falar agora?

— Não fuja da pergunta, Jasper – Lucy pediu com os olhos marejados. – Sem medo de me machucar. Lembra-se?

Jasper assentiu e respirou fundo.

— Nunca houve traição. Ficamos juntos depois que eu terminei com você. No mesmo dia, mas depois. Por isso que ela escondeu tudo de você. Medo de que você achasse que estávamos te traindo. Mas isso, Lucy, isso nunca aconteceu. Eu jamais seria capaz de te trair e me admira que você tenha conseguido imaginar que a sua própria filha tenha lhe traído.

— Não me julgue, Jasper.

— Você julgou a sua própria filha, Lucy.

— Eu estava desnorteada – Lucy desabafou. – Toda essa história... Eu simplesmente não sabia, eu fiquei sem ação, eu... Fiz a maior burrada da minha vida. Alice saiu de casa, Jasper. Ela saiu de casa. Ela está morando sozinha, sabe-se lá onde. Sustentando-se sozinha. E eu sei que ela não está preparada para isso. Eu sinto falta da minha menina nos meus braços, mas eu precisava... Precisava da certeza de que eu errei.

— Alice saiu de casa? – Jasper perguntou surpreso e Lucy assentiu.

— Tem um bom tempo. Rosalie ainda estava grávida quando ela se mudou.

— Ninguém me disse nada... – Jasper sussurrou.

— Talvez ela tenha pedido para que não lhe dissessem. De qualquer forma... Vocês ficaram juntos... Depois que eu e ela brigamos?

Jasper negou, já sentindo o costumeiro nó em sua garganta. Ele nunca chorava, mas o aperto em seu peito, o nó em sua garganta, pareciam lhe sufocar.

— Nós dois brigamos. Ela jogou tudo nas minhas costas. Eu... Chamei-a de criança. Discutimos feio, e eu disse que se ela saísse daqui, ela não precisaria voltar mais. Foi... Definitivamente um dia péssimo para todos nós – ele abaixou a cabeça. – Eu nunca mais a vi. Como você soube disso tudo? Como você soube que estávamos juntos?

Lucy estava preparada para aquela pergunta. Pegou a sua bolsa e tirou de lá aquele envelope pardo que ela guardara desde aquele dia, por mais que a sua vontade tenha sido a de rasgá-lo em mil pedaços. O entregou para Jasper, sentindo as suas mãos tremendo. A sua boca estava seca. Ele notou o seu nervosismo.

Jasper abriu o envelope e ficou horrorizado com o conteúdo dele. As fotos impressas eram nada mais nada menos que as fotos tiradas do seu próprio celular! Tudo ali fora pensado com cuidado para que Lucy não desconfiasse de nada. Seu coração voltou a bater forte, mas desta vez foi raiva, pura raiva, por que somente duas pessoas poderiam ter tido acesso àquele celular, além de Alice...

...Emmett. E Victoria.

— Eu não acredito nisso! – ele levantou-se em um salto e Lucy olhou assustada. – Ela não pode ter feito isso comigo!

— Jasper? O que houve?

— Lucy – ele segurou o rosto da mulher a sua frente. – Acredite em mim. Eu e Alice nunca te traímos! Jamais! Tudo o que nós dois vivemos foi amor, amor verdadeiro, e ela nunca teria coragem de fazer algo assim com você. Acredite no que eu estou dizendo. Eu e a Alice somos tão inocentes quanto você nesta história toda.

— Jaz...

— E obrigado por ter trazido as provas... Posso ficar com elas?

— Claro.

— Ótimo. Eu tenho que conversar com alguém – fechou as mãos em punho, tentando manter-se calmo. – Porque eu sim fui apunhalado por alguém em quem eu confiava muito.

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— Aconteceu alguma coisa? – Victoria perguntou preocupada ao ver um Jasper extremamente nervoso aparecer em seu apartamento. Ele havia deixado Lucy em sua casa e seguiu até o lugar onde Victoria morava. Ele não conseguiria dormir sem falar com ela. Estava explodindo de raiva.

— O que você acha? – Jasper indagou ríspido.

— Nossa! Não precisa ser tão grosso assim, senhor Whitlock! Foi só uma pergunta, afinal, você está na minha casa agora e já passaram das dez da noite!

— Eu sei. Não sou cego – ele respondeu ainda ríspido.

— Jasper...? O que está acontecendo? – Victoria perguntou curiosa e assustada. Nunca vira Jasper falando daquele jeito com ela.

— E você ainda pergunta? – ele indagou com a voz mais alta que o normal. – Se você ainda se pergunta Victoria, olhe isso aqui – Jasper jogou o envelope pardo em cima da mesa de centro. – Olhe este envelope. Veja o que tem aí dentro! Fotos minhas com Alice, Victoria! E bilhetes apaixonantes para Lucy, quase melando de tanto amor!

— Deixe de graça! – ela mandou com o mesmo tom de voz.

— Então olhe estas fotos, Victoria. E depois olhe dentro dos meus olhos e me diga que não foi você quem mandou estas fotos para a mãe de Alice!

Victoria observou o envelope fechado em cima da mesa de centro e engoliu em seco. Ele havia descoberto tudo.

— E por que eu? Pode ter sido o Emmett, ou a pró...

— Deixe de ser cínica! – ele berrou interrompendo-a e assustando-a completamente. – Pelo amor de Deus, fale a verdade pelo menos uma vez na sua vida!

— Você está me assustando desse jeito! – ela berrou com o corpo tremendo de raiva. – Você diminua o seu tom de voz, Whitlock, porque você está na minha casa e não tem o maldito direito de levantar a voz para mim!

— É você quem está me assustando, simplesmente porque eu não consigo acreditar que por todos estes anos eu confiei em uma cobra como você.

— Não fale comigo desse jeito – ela ordenou com os olhos cheios de lágrimas. O seu coração estava sangrando com as palavras de Jasper. Cínica. Cobra. Não eram estas palavras que ela queria ouvir de sua boca, não eram.

— Você quer que eu fale como? – ele perguntou quase aos sussurros. – Você quebrou a minha confiança, acabou com o meu namoro, destruiu um relacionamento entre uma mãe e uma filha que se amavam muito. Você quer que eu fale como com você? Que eu te chame de adorável? De querida? Baby? Hum? Quer que eu te chame como, Victoria? Quer que eu diga que você é a pessoa mais doce do mundo?

— Eu fiz tudo porque eu te amo – ela declarou-se e ele assentiu incrédulo. – Eu amo você, Jazz, não podia suportar ver aquela ninfeta se aproveitando de você para enganar a própria mãe! Eu sempre quis te ver feliz! Feliz comigo! Ao meu lado! Porque é esse o melhor lugar para você! Ao meu lado!

Jasper meneou a cabeça diversas vezes. Ainda não acreditava no que estava ouvindo.

— Você é doente – ele sussurrou diversas vezes.

— Não fale isso de mim...

— Você é...

— Jasper...

Ele se manteve em silêncio por um tempo. Depois pegou o envelope.

— Eu não tenho poder nenhum sobre a sua vida profissional, Victoria. Infelizmente, eu não tenho. Eu não vou prejudicar a sua carreira por problemas pessoais. Sei muito bem separar as duas coisas. Mas quanto a nossa amizade, ela termina aqui. O que você fez não tem perdão e muito menos um argumento, não para mim. Tudo o que eu posso te dar agora é apenas o meu desprezo.

Victoria olhou para ele descrente. Tudo... Menos o seu desprezo. Ela merecia tudo menos ser desprezada por Jasper.

— Eu amo você – ela repetiu enquanto o rapaz andava até a porta do apartamento pequeno.

— Sinto pena das outras pessoas que você ama Victoria. Mas eu sinto muito mais pena de você.

Victoria queria dizer mais alguma coisa, mas as lágrimas em seu rosto a impediam. E então Jasper se foi. Jasper deixou a sua vida para sempre.

Fim do Capítulo 25.