A Guerra Contra o Céu

Capítulo 25: Lembranças de Zefir: Os Generais Marinas - Parte I


5 anos atrás, Universo de Zefir, atual Planeta de Gelo.

Enfim a noite caíra naquele planeta. Escondido dentro de uma caverna, Kanon, General de Dragão Marinho, fitava o céu atentamente. Já fazia cinco anos que ele e o resto dos Guerreiros Sagrados aceitaram se tornar semideuses e começaram este treinamento. Até agora nenhum deles havia alcançado o Dunamis e ainda não sabiam como fazê-lo. Desde que chegaram Atena permanecia em transe aumentando seu poder assimilando a grande quantidade de informação que adquirira com este poder. Ele queria ter tempo para fazer o mesmo.

Toda a informação do universo se encontrava dentro de sua mente, mas isto não garantia que a tivesse sempre à mão, ou que poderia dispor dela quando quisesse ou precisasse. Era como um livro fechado onde precisava buscar página por página cada conceito novo, cada palavra, cada ideia que permitiria compreender aquela informação. Porém para isso precisava de tempo e isso era algo que não tinha.

-Já amanheceu? - perguntou Kasa ainda sonolento esfregando os olhos.

-Não, acabou de anoitecer. - respondeu Kanon se virando para seu companheiro – Já disse que é melhor nos movermos à noite.

-Não, estou cansado, melhor ficarmos aqui, não acha? - disse Kasa voltando a se aconchegar em sua cama improvisada enquanto o General de Dragão Marinho se perguntava como ele podia dormir tão tranquilamente sobre aquelas pedras.

-Deveria dar ouvidos a seu líder, sua imitação de General Marina. - disse uma voz na entrada da caverna de alguém que vestia uma armadura escura que contrastava com sua pele clara e seus cabelos loiros.

-Não sabe como esperei por este momento, Radamanthys. Explosão Galáctica!

-Não mais do que eu, Dragão Marinho. Destruição Máxima!

Quando os dois ataques se chocaram uma luz ofuscante iluminou o refúgio dos Generais Marinas. Ao se dissipar vemos que apenas um dos combatentes permanecia de pé, este era Kanon. No chão, Radamanthys o encarava furioso. Cinco anos e ainda não conseguia vencê-lo, nem mesmo igualá-lo no campo de batalha.

-Não importa o quanto tente igualar meu poder, Radamanthys, nunca estará no meu nível e te mostrarei isso agora. - o General do Atlântico Norte preparou outra Explosão Galáctica não para matá-lo, mas sim para ensinar-lhe que ainda não era um rival digno para ele. Nesse momento descobriu que não podia se mover livremente e reconheceu a outra presença que acompanhava o Juiz de Wyvern - Minos, se continuar protegendo Radamanthys ele nunca conseguirá superar seu nível atual.

-Se o matar agora com certeza Radmanthys nunca chegará a elevar suas habilidades ao máximo. - Minos defendia a vida de seu companheiro embora este nunca tivesse realmente corrido risco de morrer – Deixe-o e iremos embora, meu estilo de luta não é adequado para esgotar todo meu cosmo numa luta com você.

-Já sabe minha resposta Minos, a menos que me deixe disciplinar adequadamente Radamanthys estou disposto a lutar com você. - Kanon sorriu desafiante, as velhas desavenças e as lembranças das batalhas travadas não haviam desaparecido por completo e Kanon queria uma revanche. Ele gostaria que Aiacos também estivesse ali para poder ajustar contas com os três, mas antes que começasse a batalha surgiu um personagem inesperado.

-Detenham-se, por favor. - Kanon não precisava usar sua percepção para reconhecer o dono dessa voz – Como Minos já disse não precisamos começar uma luta inútil que só desperdiçaria nosso tempo. – virou-se para o Juiz de Grifo – Minos, leve Radamanthys e que ele não volte a enfrentar Kanon até que tenha aumentado seu poder um pouco mais.

-Está bem. - disse Minos para logo tomar em seus braços o corpo ferido de seu camarada, tal ato teria sido considerado vergonhoso há cinco anos, mas agora o Rei do Submundo precisava desesperadamente de seus Juízes com vida e não tinham tempo para continuar respeitando seus cruéis costumes.

-Não devia ter me interrompido, Sorento. - disse Kanon rompendo o silêncio que se seguiu à partida dos Espectros – Ou será que está querendo me fazer pagar pela traição que cometi anos atrás?

-Não se trata de vinganças ou revanches pessoais. - respondeu Sorento – Trata-se de lógica, Kanon. Se estamos agora nessa situação é para esgotar nossos Cosmos, não para ajustar contas pendentes.

-Essa é a única forma de exaurir nosso poder! - exclamou o General de Dragão Marinho - Cada vez que vemos um rosto conhecido, um aliado ou um novo amigo não somos capazes de utilizar todo nosso poder. Guardamos isso para nossos inimigos, novos ou antigos, contra os quais não teremos piedade.

-E o que me diz sobre a morte de Shaka de Virgem na batalha contra Hades? Três dos Cavaleiros de Ouro assassinaram um de seus companheiros em prol de um bem maior.

-Isso é diferente, Shaka buscou sua própria morte, além disso... - Kanon se calou por alguns instantes antes de continuar - Saga, Shura e Camus ainda não se perdoaram por esse ato. Até hoje nenhum deles se atreve a encarar Shaka. Eles continuam carregando a culpa por sua morte.

-Kanon... - sussurrou Sorento antes de voltar sua atenção para aquela chuva de estrelas cadentes que caía sobre uma montanha. Esgotar seu cosmos, essa foi a única ordem que Atena lhes dera antes de entrar em seu transe. Cinco anos haviam passado e nenhum deles conseguiu despertar seu Dunamis, apesar de terem sido deixados a sua própria sorte em diferentes partes daquele planeta há aproximadamente dois anos quando a ideia de um torneio entre todos os Guerreiros Sagrados fracassou. A chuva de estrelas cessou e foi substituída por um resplendor branco. Era a batalha entre o Grande Mestre Shion e Seiya de Pégaso. Começou exatamente no dia em que terminou o fracassado torneio e até então não havia cessado, apenas diminuído de intensidade muitas vezes, até este momento não tinham superado seus limites por medo de ferir um ao outro mortalmente. Parecia que essa e outras lutas seriam intermináveis. Se bem que bastava apenas a ajuda de um dos ocupadíssimos deuses ou que um deles fosse capaz de alcançar o Dunamis.

-"Talvez os deuses esperem acabar com as velhas desavenças com isso." - foi sua penúltima reflexão antes de deixar seus camaradas em busca de um oponente adequado para suas técnicas - "Pelo menos eu resolvi as minhas." - pensou enquanto fitava pela última vez naquela noite o homem que agora considerava novamente como seu líder, mas desta vez realmente confiava nele.


Antes que alguém pergunte como os mais recentes Guerreiros Sagrados puderam esgotar seus Cosmos tão rápido é por que eles lutaram com todas as suas forças contra seus mestres sabendo que seus ataques não seriam capazes de matá-los. Além disso, como Sorento disse esta etapa foi mais para que os Guerreiros Sagrados de ordens diferentes pudessem resolver as rixas pessoais adquiridas nas Guerras Santas anteriores.