Levantei-me da cama e fui até o banheiro, escovar meus dentes e tomar banho. Quando saí de lá, já vestida com uma calça social e uma blusa de seda vermelha e com uma maquiagem leve, encontrei Jake se levantando.

- Bom dia, Abelhinha. – Sorri, e fui até ele.

- Bom dia, Jake. – Ele me beijou castamente e foi até o banheiro, para tomar o seu banho. Eu faria o café da manhã e logo iríamos trabalhar, como sempre fazíamos.

A minha vida tomaria seu rumo normal – sem dúvidas, sem questionamentos – eu tomei minha decisão ontem à noite, ao não contar a verdade a Jake. E ela foi só confirmada por Edward, ao me negar seu perdão. Edward.

Ele ainda estava dormindo, passavam das oito da manhã. Ele não tinha que trabalhar hoje? Pensei que seu emprego no hospital fosse às dez, se não se apressar, não chegará lá a tempo. Se bem que... Do jeito que ele estava ontem, duvido que tenha se lembrado do dia de trabalho hoje. Respirei fundo e, sem pensar muito, entrei no seu quarto.

Ele dormia pesadamente, seu corpo jogado. Sua respiração era pesada e seus cabelos estavam mais bagunçados do que o costume. Seu peito nu e apenas um lençol branco cobrindo a parte inferior de seu corpo. O fitei por um instante e cheguei mais perto para acordá-lo. Não sabia porque o fazia, afinal, ele voltaria a ser o cachorro de sempre comigo quando Jake não estivesse perto. Mas eu não queria que as coisas dessem errado para ele...

- Edward. – Sussurrei, relutante. Ele não se mexeu. – Edward... – Repeti, o cutucando levemente.

- Sai, Emmet... – Ele resmungou, mexendo a mão esquerda impacientemente. Eu ri baixinho, e voltei a cutucá-lo.

- Não é o Emmet... Sou eu, Bell. – Seus olhos se abriram e ele se sentou rapidamente na cama, o lençol escorregando um pouco.

- Bell? – Sua voz estava rouca de sono, e ele logo tossiu, s corrigindo: – O que faz aqui, Isabella? – Retesei-me. Ajeitei meu corpo e o olhei friamente.

- Só achei que você não gostaria de se atrasar para o primeiro dia de trabalho... – Ele coçou a garganta, sarcasticamente.

- Então agora você se importa com o que eu gostaria ou não?

- Um "obrigado" seria ótimo. – Sibilei.

- Obrigado. – Ele disse, levantando da cama e me empurrando bruscamente parar ir até o banheiro. Bateu a porta e eu ouvi o som do chuveiro ligado.

Fiquei mais uns instantes fitando a madeira e, com um suspiro e meu coração doendo, saí do quarto e fui até a cozinha, fazer o nosso café da manhã.

Edward's POV

Ela ainda se importava comigo. Não pude evitar meu coração se encher de esperança. Falsa esperança. Eu não podia mais apostar todas as minhas fichas em um amor não correspondido. E foi isso que me motivou a tratá-la mal...

Eu a amava, claro – mas ela fez sua escolha. Ela ama a Jake, está feliz com ele, os dois ficam ótimos juntos. Eu não tinha o direito de atrapalhar o romance deles, não mesmo. Na verdade, eu nem deveria mais morar ali. Mas, quanto a isso, eu faria a coisa errada – eu permaneceria. Eu precisava dela, precisava vê-la ao amanhecer, seus olhos chocolate brilhando. Eu a faria sofrer com essa decisão, mas... Bem, ela já me fazia sofrer só de aparecer no meu quarto, me causando uma súbita sensação de felicidade, e logo a retirando, ao que eu percebo que ela não é minha. Não mais.

Bati a porta do banheiro, fazendo o alto som aumentar minha dor de cabeça, e liguei a ducha. Despi-me e entrei debaixo da água gelada – eu tinha que curar a ressaca. Fiquei por um tempo com as costas apoiadas nos ladrilhos da parede, observando a água cair, e escutei o som dos saltos de Bella saindo do meu quarto. Logo, saí do banho e me vesti no quarto. Quando desci as escadas de vidro temperado, encontrei Bella e Jake tomando o café da manhã, rindo. Eles eram o casal perfeito – o que me dava uma facada no peito.

Bella's POV

Edward acabara de se juntar a nós, já vestido de branco. Ironicamente, eu estava sentada entre os dois – de novo. Tentando ser cordial com Edward para Jake não desconfiar de nada, servi a ele um pouco de panquecas e comemos em silêncio, quando o telefone começou a tocar. Fiz menção de me levantar, mas Jake me impediu.

- Deixe a secretária atender, Bella. Tome café, logo teremos que ir embora. – Assenti calmamente, quando a voz de fada de Alice começou a sair, fazendo a mim e a Edward pularmos no lugar.

"ISABELLA SWAN! Eu não aceito mais suas desculpas, você vai sim ser madrinha do meu casamento, ou eu não me chamo Alice Cullen!"

Jake me encarou confuso. Droga, por que Alice tinha que ter o mesmo sobrenome que Edward? E por que eu resolvi não contar a ele que Alice – a minha melhor amiga de quem ele nunca ouviu falar – me ligou semana passada, quando ele ainda não estava em casa, para me chamar para ser madrinha de seu casamento? Antes que eu pudesse cavar um buraco e me esconder nele, a voz dela continuou:

"Eu e Rose estamos extremamente bravas com você. Como ousas esquecer da gente? Ah, não, é a gota d'água... Ou você vai atender esse maldito telefone – eu sei que você está aí – ou eu apareço no seu apartamento e a obrigo a fazer compras! Isso mesmo, compras!"

Estremeci. Mas... Como que ela tem o meu endereço?

"Antes que você comece a imaginar que eu coloquei espiões na sua cola – o que eu teria feito, acredite – eu sei onde você mora por causa de seus pais. Sabe, ao contrário de você, Renée e Charlie manteram o contato comigo. Por isso, - Sua voz ficou mais doce – eu e Jasper convidamos a Jake para comparecer, junto com você. Mas, infelizmente, ele não será padrinho com você. Este será Edward – quando eu encontrá-lo. Aparentemente ele está em Nova York."

Não. Não. NÃO! Caramba, eu tô ferrada. E agora? Eu não conseguia me mexer, meu queixo estava caído, meu garfo parado na metade do caminho. Jake me fitava confuso, uma pontada de acusação em seu olhar. Edward nem piscava, encarava a secretária eletrônica como se fosse uma aberração. Então, eu ouvi a voz de Jasper no fundo:

" – Está falando com Edward, Allie?

- Não, Jazz... Ainda não tenho o telefone dele. – Uma breve pausa, e logo a voz de Jasper voltou a aparecer:

- Esquisito. O número que eu consegui com os pais dele é o mesmo que aparece na bina. – Escutei Alice ofegar, então sua voz reapareceu, acusadora:

- Oho. Você está aí, Edward? Morando com a Bella? E com Jake? Ô suruba! Custava me contar? Seus dois traidores de uma figa... Eu sou a sua amiga, Bella! E Edward! Eu esperava mais de você! Primo desnaturado..." – Ela sibilava nervosa, e eu tremia, suando. Então, Edward fez algo que deveríamos ter feito assim que escutamos a voz de Alice: atendeu ao telefone.

Edward's POV

- Alice. – Falei, trêmulo, e ela logo parou de me lançar impropérios. Vi, pelo canto do olho, Bell pálida e mordendo o lábio inferior, enquanto Jake nos observava com completo interesse. Ele não chegava a piscar.

- Ah. Então, finalmente, depois de anos, você resolveu falar com a família, não é? Estou surpresa que titio e titia tenham seu telefone.

- Alice, por favor, pare de me criticar... – Supliquei. As coisas já estavam ruins o suficiente sem ter que ouvir ela reclamando.

- É, você tem razão. Bella foi outra... Rompeu completamente o contato. Alguns e-mails nos feriados e só. – Eu podia perceber a sua mágoa.

- Alice...

- Tudo bem, Edward. Não vou reclamar mais. – Suspirei, não podendo deixar de notar seu tom triste e choroso. – O recado foi dado. Sabe, nós não esquecemos de vocês... E você sempre foi o melhor amigo de Jazz. Nada mais justo do que ser seu padrinho, não? E Bella sempre foi minha melhor amiga, então... – Mas eu não prestei mais atenção no que ela dizia. Fui surpreendido por Bell, em pé ao meu lado, pedindo o telefone.

Sem pensar muito, a entreguei o aparelho. Olhei, chocado, para o relógio e percebi que se não achasse um táxi logo, chegaria atrasado para o meu primeiro dia de trabalho no hospital. Mas eu não podia deixar Bella sozinha – não com Jacob, que agora estava mais desconfiado do que nunca. Sim, eu teria que tornar as coisas difíceis para ela, ser um cachorro – mas só de fachada, uma proteção para eu não me machucar. Uma proteção para não deixá-la ainda mais confusa. Afinal, ela era feliz com Jacob. E, pela felicidade dela, eu teria que tirá-lo dali.

- Vamos, cara. Você vai chegar atrasado no trabalho. – Disse, uma mão em seu ombro. Ele se desvencilhou e respondeu-me friamente:

- Não.

- Vamos, Jake...

- Eu quero explicações. – Engoli em seco.

- Tudo bem... Hoje, no jantar. – Pelo menos eu tinha algumas horas para pensar em uma desculpa. – Mas agora não. Todos temos que trabalhar, e Bella tem que falar com a amiga. Elas não conversam há um tempo...

- Tudo bem. – Ele disse, em um suspiro, e se levantando. Pegou as chaves da oficina, sua carteira, e chamou o elevador.

Entrei lá com ele, e ficamos em silêncio até aproximadamente o primeiro andar. Foi quando ele me perguntou:

- Por que Bella nunca me contou que tinha uma amiga chamada Alice? – Ele parecia decepcionado.

- Não sei, Jake... Não sei. – Ele suspirou e chutou levemente a porta do elevador, frustrado.

- É como se eu conhecesse uma Bella totalmente diferente. Na verdade, eu nem sei do passado dela... Para mim, ela só passou a existir quando nos conhecemos. – Então soltou um risinho forçado: - Bem, pelo menos hoje isso vai mudar.

Bella's POV

Não sei o que me motivou a pedir o telefone para Edward. Talvez saudades da baixinha, ou medo do olhar acusador que Jacob me lançava... Eu só o fiz. Levantei-me e pedi o telefone. Estupefato, Edward me deu.

- ... Então era óbvio que ela ia ser minha madrinha, junto com Rose. – Escutei Alice falar, em tom conclusivo.

- Sou eu, Alice. – Escutei um leve 'oh' do outro lado, e logo ela se recompôs:

- Hum. Pelo visto virou moda me deixar falando sozinha.

- Desculpe, Allie. Eu sei que você deve estar magoada comigo, mas...

- Magoada? Magoada? Eu estou ultrajada! Minha melhor amiga, e tudo o que faz é me dar um mero "feliz natal" por e-mails! Surpreendo-me de ter seu telefone! E Rose... Ah, se você pensa que ela e Emmet a perdoaram por não ir ao casamento deles...

- Desculpe. – Murmurei, e vi Edward e Jacob indo embora. Era a primeira vez que Jake não se despedia de mim para ir ao trabalho.

- Ai, Bella... – Sua voz estava cansada. – A gente te ama, sempre a desculparemos. Mas você deve concordar que foi muita falsa de consideração não ir ao casamento deles...

- Eu sei...

- Sabe mesmo? Porque está querendo fazer a exata mesma coisa agora, comigo. A sua melhor amiga desde o berçário! Diga-me... Já me substituiu? – Senti o medo em sua voz, e ri comigo mesma.

- Nunca, Allie. Você é insubstituível, sabe disso. – A ouvi suspirar, aliviada, e logo retomou seu tom objetivo:

- Muito bem. O casamento será no mês que vem, como sabe. Em julho, dia 16, no Plaza.

- No Plaza? Alice, você está em Nova York?

- Mas é claro! Meu sonho foi se casar lá, estou na lista de espera há meses... Claro que os meus contatos ajudaram... – Ri. Era um pouco impossível imaginar Alice sem conseguir o que queria. – De qualquer maneira, todos estamos na Big Apple. Jasper conseguiu uma proposta irrecusável em um escritório de advocacia aqui, sabe? Ele é um prodígio, apesar de ser tão novo. Já é reconhecido. – Seu orgulho do noivo era palpável. – E, bem, eu... Depois de Paris, que lugar melhor para ter uma grife do que em Nova York? Em Washington era perfeito, mas aqui... É inexplicável. – Eu ri.

- E Rose e Emmet, onde estão?

- Aqui também. Não sei como não ficou sabendo, agora ele é um jogador dos Yankees! – Wow. Emmet era um jogador de baseball profissional, no melhor time da cidade. Como que eu não fiquei sabendo disso antes? – E, bem... Rose trabalha na grife comigo. Mas, na verdade, ela é modelo e de vez em quando trabalha em alguns teatros... Você não a viu naquela peça nova... "My first time"?

- A comédia? – Perguntei, confusa. Rose está trabalhando na Broadway? Uau.

- Essa mesmo, ela... – Distraindo-me, olhei para o relógio no meu pulso. Merda, já eram quase nove e meia...

- Alice, desculpe, eu tenho que ir trabalhar. Que tal a gente almoçar hoje?

- Tudo bem. Só eu, você, e Rose. O que acha?

- Ótimo.

- Hm, tem um restaurante... O Javu, o que acha de ir lá?

- Seria perfeito. – Pensei, ao lembrar que era o restaurante onde Monica era chef.

- Ok, uma da tarde lá. Vou ver o que posso fazer para conseguir uma reserva.

- Sem problemas, eu consigo para a gente. Beijos...

- Beijo.

Desliguei e corri para pegar a minha pasta em cima de uma mesa de centro, pus minha bolsa no ombro e chamei o elevador. Em poucos segundos, ele se abriu e eu entrei, apressada. Já no saguão, acenei rapidamente para Ronald, o porteiro, e tentei achar um táxi. Para a minha sorte, um chegou logo – e não iria de metrô hoje, o New Yorker não era tão longe de casa, para eu conseguir arranjar um engarrafamento.

Cheguei lá, sem olhar muito para os lados e ignorando todos à minha volta, e sentei em minha mesa. Impressionante – eu era a única estagiária a ter uma. Então peguei dentro da minha pasta o Pen Drive e passei a coluna que eu tinha escrito sobre arte e cultura para o computador. Se eu tivesse sorte, meu chefe iria gostar e me promover a colunista fixa – e não a carregadora de cafés.

- Bella? – Ouvi uma voz atrás de mim e me virei, dando de cara com meu chefe, o Sr. Hepburn.

- Sim, senhor?

- Venha até a minha sala, por favor. – Esquisito. Geralmente era a secretária dele quem fazia os "convites" para comparecer à sala dele, e não o próprio.

Sem muitos questionamentos, o segui. Passei pelas demais mesas, alguns dos repórteres e colunistas me encarando curiosos. Sra. Anderson, a secretária, estava em sua mesa, os óculos de aro vermelho caindo em sua ponte e seus cabelos, já com alguns fios brancos, se desprendiam de um coque. Seu rosto era severo mas, ao me ver, ela lançou um sorriso encorajador. Sr. Hepburn abriu a porta para mim e esperou que eu entrasse. Então, com um sorriso, pediu para que eu me sentasse.

- Devo pedir a Camille – a Sra. Anderson – que lhe traga um café? Um chá ou uma água, talvez?

- Não, obrigada senhor.

- Chame-me de Walter.

- Walter. – Assenti, corando. Bem, pelo menos eu acho que não serei despedida. Ele se ajeitou melhor em sua poltrona de chintz e me encarou, seus olhos azuis claros faiscando através de seus óculos redondos.

- Bella... Você trabalha aqui há um... Um ano e meio?

- Sim, senhor Hepburn. – Ele me encarou e eu me corrigi: - Walter.

- E foi uma estagiária exemplar, devo dizer. Nem uma vez errou o jeito que eu queria o meu café! – Ri, desconfortável, e ele passou a mão pela sua juba grisalha. – Bem, receio que terei que achar uma outra estagiária com a mesma genialidade que você tem.

- C-como? – Gaguejei. Não podia ser verdade...

- Bem, a última coluna que você me entregou, querida... Eu adorei. E, por eu ser o editor chefe, isso é grande coisa. – Sorriu presunçoso e eu corei mais ainda. – Então, aceita?

- Claro!

- Muito bem. Você já tem uma mesa, mas o seu salário será dobrado e eu espero uma coluna de uma página para a próxima edição.

- Obrigada, senhor Hepburn, Walter... Eu não posso... Nossa, eu nem acredito! – Exaltei, e ele sorriu.

- Só não me decepcione, Bella. Agora, acerte os últimos detalhes com Camille, por favor. – Assenti com a cabeça e saí da sala pisando nas nuvens. Depois de árduos meses de trabalho, eu, finalmente, consegui minha promoção!

(...)

Eu estava exultante. Promovida! Essa palavra não saía da minha cabeça. Mas logo chegou o meu horário de almoço e outras coisas ocuparam a minha mente. Como, por exemplo, Alice.

Ela me deixou em apuros, a baixinha. E agora, o que eu diria a Jacob? Era óbvio que eu já conhecia Edward antes, e que escondemos isso dele. E, o pior: dava para imaginar que já tivemos algo mais juntos.

Chacoalhei a minha cabeça e levantei-me da minha mesa, desligando a tela do meu computador. Quase tropecei na perna da mesa, mas me recompus antes que alguém me visse. Entrei no elevador apinhado de funcionários saindo para o seu horário de almoço, ou seguindo alguma história.

Ignorei Matthew, do setor financeiro, que tentava a minha atenção – provavelmente querendo que eu saísse com ele, mesmo sabendo que eu tinha namorado (e agora um ex) na minha casa – e peguei um táxi para o Javu. Lá mesmo do Yorker eu tinha ligado para Monica (que trabalhava lá na hora do almoço, durante as segundas) e pedindo para que reservasse uma mesa para três.

Cheguei lá e encontrei Alice e Rose me esperando, ambas conversavam calmamente e bebiam um drinque. Não perceberam a minha aproximação, então eu fiz um barulho com a garganta, as sobressaltando. Alice pulou e, levantando-se depressa, me abraçou com força. Logo depois que ela me soltou, Rose me cumprimentou de forma parecida, e eu tomei meu lugar na mesa, defronte a elas.

- Nunca! Nunca mais faça algo parecido com isso com a gente, Bella! – Rose começou, enquanto Alice fungava, seus olhos vermelhos.

- Você tem noção do quanto a gente sentiu sua falta? – Ela perguntou, sua voz trêmula. Então, eu me enchi de culpa.

- Desculpe, gente... Eu prometo. – Rose sorriu fracamente, e Alice bufou.

- Tá, tudo bem. Depois a gente vê se acredita. – Eu revirei os olhos. – Agora me conta. Por que Edward está morando com você?

Mordi meu lábio inferior. Era agora – eu contaria tudo a elas. Puxei ar e comecei a explicar tudo, desde que conheci Jacob em Yale, até essa manhã.

(...)

- Ah, Bella... Desculpe! Eu te meti em encrenca, não foi? – Alice perguntou, deixando sua comida de lado.

- Tudo bem, Allie. Alguma hora Jake teria que descobrir que eu conheço Edward há mais tempo. Eu só não esperava que fosse tão cedo, mas...

- Você sabe o que a gente vai te dizer, não sabe? – Rose perguntou, arqueando uma sobrancelha e mordendo a cereja de sua bebida. Um garçom próximo a nós suspirou.

- Que eu devo parar de enganar os dois. – Suspirei, baixando os olhos para a toalha branca de linho.

- Sim.

- Mas eu já me decidi, vocês não perceberam? – Ergui meu olhar para encontrá-las se encarando, descrentes, um sorriso bobo nos lábios.

- Ah, você quer dizer aquela coisa sobre "ter escolhido o Jake era melhor, já que o Edward só foi um canalha" e mais um blá, blá, blá que eu não me dei ao trabalho de prestar atenção? – Alice perguntou, e Rose segurou o riso. Trinquei meus dentes.

- Isso mesmo.

- Ah, mas essa não é a escolha certa... – Rose disse, balançando a cabeça.

- Vocês não escutaram nada do que eu disse? Edward só me fez sofrer! – E, mais baixinho, só para mim, acrescentei: - Ele sempre me fez sofrer. – Mas, infelizmente, Alice ouviu:

- Ah, lá vem você de novo com essa história. Bella, você o ama, quando vai perceber isso? – Ela quase espumava, mas eu não tive tempo de formular uma resposta.

- Eu já disse isso a ela. – Ouvi a voz de Monica atrás de mim, e Rosalie e Alice a encararam confusas.

- Rose, Alice, essa é Monica. Monica, essas são as amigas de quem já a contei. – Elas me olharam inquiridoras e acrescentei: - Ela sabe de tudo.

- Ah, prazer. – Elas disseram, sorrindo e se levantando para cumprimentar Mon.

- Ah, o prazer é meu... Gostaram da comida?

- Estava superbe. – Allie disse, no que Rosalie acenou com a cabeça, confirmando. Vi um sorriso se formando nos lábios de Monica: ela adorava ser elogiada.

- Que bom. Então, Bella... Voltou a mentir sobre si mesma sobre "não amar Edward Cullen"? – Perguntou, sentando-se ao meu lado. Ao ver o meu olhar, respondeu: - Não se preocupe. Tenho uma sub-chef, e eles podem se virar sem mim por alguns minutos. Você é mais importante.

- Ok... – Respondi.

- Sim, ela ainda nega que ama meu primo. – Alice disse, me lançando um olhar irritado.

- Eu não o amo! – Exclamei, nervosa.

- Ah, ama sim. – As três disseram juntas, e em seguida riram. Ótimo, agora são três contra mim.

- Não, não amo. – Teimei.

- Ah, Bella... Largue do Jacob! Você já o traiu mesmo, o que custa só tornar as coisas oficiais entre você e Edward? – Monica, que bebia um pouco de água, engasgou:

- Você traiu Jacob? – Ops.

- É, pode se dizer que sim...

- "Pode se dizer que sim"? O dia em que transar loucamente for uma "meia" traição, eu como o meu cartão de crédito! – Alice praticamente gritou, atraindo atenção para a nossa mesa. Corei violentamente, enquanto Rose abafava risinhos.

- Então eu concordo com elas, Bella. Largue Jacob...

- Não, Mon. Eu o amo.

- Ah, não ama não. Você gosta dele. Não é a mesma coisa.

- Como que você sabe? – Sibilei.

- Eu já a vi com Jacob, e nunca percebi nos seus olhos o brilho que você tem quando pensa em Edward.

- Está enganada. – Teimei, e ela revirou os olhos.

- Muito bem, faça o que quiser. Eu vou voltar para a cozinha, mas amanhã você vai lá em casa. Ah, e vocês também, meninas. – Elas sorriram para ela.

- Pode deixar, a gente vai.

- Eu não vou. – Disse, subitamente. Mon arqueou as sobrancelhas.

- Por que você não vai?

- Rachel. – Disse, dando de ombros, e ela suspirou.

- Vocês são amigas, tem que fazer as pazes. Ela sente a sua falta, Bella...

- Tem certeza?

- Tenho. Não vai ser um homem que vai separá-las. E, afinal, ela já esqueceu dele. Sabe que o amor da vida dela é o Ross... – Eu ri, e assenti. Ela se despediu da gente mais uma vez e foi embora.

- Então, você vai largar Jacob, não é? – Alice perguntou.

- Não!

- Tudo bem. Mas não venha chorar em nosso ombro quando Edward arranjar uma namorada. – Rose disse, enquanto pedia a conta.

- Não vou, fiquem tranqüilas. Agora, me deixem ir. Sabe, eu "só" fui promovida hoje, e tenho que chegar cedo no trabalho... – Disse, finalmente soltando o que estava preso na minha garganta desde que eu cheguei lá.

- ! – Elas gritaram, chacoalhando as mãos freneticamente e batendo os saltos no piso de madeira do restaurante.

Ri, e depois de dar alguns detalhes, consegui ir embora com a promessa de que amanhã começaríamos os planos para o casamento de Alice – como se ela já não soubesse exatamente o jeito que o seu casamento seria. Mas, mesmo assim, ela queria a nossa opinião e ainda teríamos que arranjar vestidos para a gente.

Peguei um táxi de volta para o New Yorker e passei o resto da tarde preocupada com o que diria a Jacob.

Edward's POV

Todos me tratavam bem no hospital. Consegui o telefone de algumas enfermeiras – não que eu quisesse algum deles – e não encontrei nenhuma dificuldade em tratar os pacientes. Teria um plantão amanhã à noite e outros na quinta e na sexta. Quarta e sábado eu trabalharia apenas à tarde e domingo teria folgas. O que diminuiu consideravelmente meu tempo com Bell.

Tempo com Bell? Que tempo? Ela me odeia, e tem namorado. Eu não tenho "tempo com ela". Estressado, acabei perfurando a receita que assinava com a ponta da caneta. Fui para a sala dos funcionários tomar um café e me preocupar. O que a gente diria a Jacob? Suspirei e me levantei da poltrona, seguindo para o pronto-atendimento. Eu tinha que trabalhar para livrar a minha mente dos pensamentos em que Jacob me seguia com uma chave-inglesa, para me matar a pancadas.

Ah, se tudo fosse como antes. Se eu pudesse ter Bella em meus braços e que, ao invés de Alice e Jasper, fosse eu e ela se casando. Eu sinto tanta falta do passado, da antiga Bella, do antigo Edward. E agora eu temo o futuro – o futuro em que eu não sou nada mais, nada menos, do que o amigo de seu namorado. O homem que ela mais odeia. O homem que não consegue viver sem ela.

- Você está bem, Edward? – Amy Higgins, uma enfermeira alta, de corpo esbelto e pele azeitonada perguntou. Seus cabelos negros presos em uma trança e seus olhos castanho-escuros me fitando com interesse. Ela era simpática: a única que não me abordou, tentando me passar seu telefone.

- Sim, Amy. Estou. – Disse, e voltei minha atenção para o próximo paciente.