Cap 24- O Início do fim
Samara começou a despertar lentamente sem saber onde se encontrava. Sentia um lugar macio e aconchegante e pensou em voltar a dormir mas um sentimento estranho de urgência tomou conta dela como se tivesse algo que ela precisasse resolver mas não conseguia se lembrar.
Então ela se lembrou e como se despertasse de um pesadelo, abriu os olhos de repente e se deparou com Dumbledore olhando calmamente para ela. Definitivamente estava feliz em ver o professor ali mas, não era ele que esperava ver.
- Acalme-se criança, sei o que está pensando. Fique tranqüila.- Falou o homem.
- Professor, eu tenho certeza de que aparatei em território dos comensais, como vim parar aqui? – Falou a menina ignorando toda a calma do diretor.
- Sim, você aparatou em território deles, no entanto, foram eles mesmos que te mandaram de volta.
A menina ficou em silencio simplesmente por não compreender o que Dumbledore estava lhe dizendo.
- Entenda, Voldemort sabe que você é uma espiã dupla, ele devia saber que você estava na festa, no entanto, quando você apareceu lá, trajada como comensal e imagino, com testemunhas afirmando que você lutou ao lado de seus servos, ele mesmo lhe mandou de volta para não gerar problemas pra ninguém e pra não perder uma valiosa informante e, acredite, o fato dele a ter mandado de volta é uma prova de confiança.
- Mas professor, não fui eu quem disse sobre a festa, isso depõe contra mim. Esse era o tipo de informação que ele esperava receber de mim, principalmente sabendo que eu fui convidada. O que direi a ele?
- Fique tranqüila, pensaremos em uma desculpa convincente e lhe darei mais alguma informação para você levar à ele, assim pode acalmar um possível ataque de fúria e sanar as desconfianças.
Mais tranqüila, Sam se sentou na cama e começou a apalpar seu rosto, se lembrava de ter levado um feitiço que havia lhe acertado em cheio. Parecia ter sido bem sério, no entanto, seu rosto não apresentava mais marcas.
-Professor,durante a festa fui atingida,estava de máscara,alguém por acaso..?
- Não não,ninguém viu seu rosto, e a máscara lhe protegeu de um estrago maior, no entanto, seu nariz foi bem danificado, aparentemente a madrinha de Lilian lhe jogou um feitiço errado e foi bem difícil concertar o estrago.
Era só o que faltava,pensou Sam, já tinha um nariz maior que o normal,agora ainda torto? Sirius não perderia a oportunidade da piada.
- Quero lhe garantir que sua identidade de espiã foi bem encoberta,você foi achada sem máscara nem capa nos jardins do casamento por um dos meus aurores de confiança depois de desesperar brevemente seus amigos que repararam seu sumiço, e ele lhe entregou a mim, que tratei de trazê-la para um atendimento privado de enfermagem, deixando seus amigos muito preocupados com sua saúde, tanto que eles estão ai fora esperando você acordar.
De repente Sam se lembrou de ,devia ter ficado muito preocupado. Ela se sentiu culpada mais uma vez por não dizer toda a verdade a ele. Se ele tivesse lhe visto daquela forma, com aqueles trajes, com a marca negra nítida no braço... não queria nem pensar.
- Bom querida, vou lhe deixar agora na melhor companhia que poderia existir, que são seus amigos. Eles devem estar ansiosos para falar com a Srta. Passe bem. Conversaremos em breve, quando estiver um pouco mais descansada.
- Obrigada por tudo professor Dumbledore. De verdade.
- Não há de que.- Respondeu o homem já saindo pela porta e lhe dando um último olhar carinhoso.
Dumbledore mal teve tempo de fechar a porta e Remo já entrou olhando preocupado a namorada, seguido logo atrás de Sirius.
- Amor, como você está? Não sabe como fiquei preocupado. Ninguém te achava em lugar algum, estava achando que algum comensal havia te levado ou pior – Disse o lobisomem já sentando na cama da namorada com uma expressão desolada.
- Agradeço a preocupação meu amor,mas estou bem, fui atingida durante o confronto e fiquei desacordada, alguém deve ter me tirado do caminho para que nada de pior me acontecesse. Mas meu nariz nem dói mais.
Sam teve certeza de ter ouvido uma discreta risada de Sirius quando disse aquilo,mas ignorou. Será que seu nariz estava muito feio? Não havia visto ainda.
- É,- falou Remo olhando bem pro rosto da namorada com uma expressão estranha- parece muito bem mesmo.
De repente Sam tomou um susto e se sentiu envergonhada por só ter pensado aquilo naquele momento. Realmente, nunca ia se livrar totalmente daquele egoísmo sonserino.
- Lily e Tiago, e os convidados? Estão todos bem? – Perguntou a menina assustada.
- O casal Potter está muito bem. Lilian jogou pessoalmente um feitiço dos bons bem nas fuças de Voldemort. Tiago não ficou atrás, derrubou um comensal e não o matou por pouco- Falou Sirius orgulhoso. Agora depois do susto já devem estar na lua de mel. Tiago não perderia a oportunidade por nada. – E riu.
-É,- Interrompeu Remo em tom de reprovação- mas infelizmente, não haviam só os dois na festa, alguns convidados ficaram bem feridos, um auror morreu e Albert Grant, membro da Ordem também. Obra de sua prima, Sirius.
Se limitando a apenas um resmungo contrariado Sirius sentou na cadeira ao lado da cama de Samara e parecia estar se segurando para não falar algo.
- Algo mais que eu deva saber? Algum comensal foi morto ou pego?- Perguntou a menina para os dois.
- Um capturado e um morto, aparentemente por um feitiço errado do próprio companheiro, segundo a testemunha do ministério, o comensal atirador parecia uma mulher, veja só, esse é o tipo de equipe que Voldemort tem - Respondeu Sirius sorrindo com um brilho de aprovação nos olhos diretamente para Sam e a menina entendeu que ele sabia ter sido ela.
Se sentindo constrangida, se voltou para Remo que a observava atentamente.
- O que foi querido?
- Tem algo diferente em você. – Respondeu seu namorado e os dois então se viraram para Sirius que havia soltado outra discreta risada.
- Quero um espelho- Pediu Sam olhando para Sirius com apenas uma mão esticada para Remo que levantou e pegou o espelho de mesa para a namorada.
De início Sam não percebeu nada, imaginava seu nariz enorme, roxo e torto mas,no entanto, estava bem. Muito bem por sinal! Estava...
- Menor! – Exclamou a menina repentinamente- Meu nariz está menor. Mas como?
Sirius não se agüentou mais e começou a rir a vontade.
- Bom,quando você foi trazida para cá seu nariz estava sangrando e horrível, depois foi tratado mas continuava inchado, provavelmente por causa do feitiço errado e estava bem maior que o normal. Seu namorado não estava..han..conseguindo te ver daquele jeito, e ele também estava machucado, achei que ele fosse desmaiar na verdade, e Dumbledore achou melhor tirá-lo da sala mas os enfermeiros queriam alguém que te conhecesse para poder dizer o tamanho real do seu nariz para poder fazê-lo voltar ao normal, então, eu fui. – E dizendo isso sorriu novamente.
Sam já havia entendido tudo, no entanto, não sabia se ficava brava ou não. Nunca havia gostado do nariz, fato, mas já estava acostumada com ele e de qualquer maneira era uma característica da menina e aquilo ia meio contra seus princípios e orgulho, mas, se olhando no espelho, apesar de ainda ter um nariz talvez um pouco maior do que o padrão feminino exigia, definitivamente agora estava harmonizado com seu rosto. Tudo parecia se encaixar bem ali. Estava bonita, de verdade.
- Vamos, pode me agradecer. – Falou Black, com uma piscadela.
A menina não agradeceu,e fez questão de fechar a cara mas, não teve coragem de brigar com o amigo.Não queria admitir, mas havia gostado da mudança.
Samara Snape saiu do hospital no mesmo dia. Logo encontrou Lilian e Tiago que apesar da tristeza(muito mais da ruiva) de ter tido parte da festa arruinada pela invasão surpresa dos comensais (Tiago pareceu empolgado nessa parte),estavam bem e prontos para voltar para sua lua-de-mel.
Ninguém imaginava que apesar de todas as precauções o casal geraria um filho daquela comemoração e nenhum deles também imaginava que Voldemort procuraria vingança pessoalmente contra os dois mais duas vezes, e, imaginavam menos ainda, que aquele ato marcaria a vida de seu filho para sempre, por conta de uma profecia e um relato.
A pequena Snape não imaginava que seria grande parte de tudo isso, e também, não lembrava de já ter visto alguém tão atormentado e torturado pelos próprios atos daquela forma, chorando e sem saber o que , sendo essa pessoa seu irmão.
- Irmã, preciso de você, preciso de sua ajuda, fiz uma coisa terrível hoje sem saber. Eu não queria. Não imaginei! Me ajude!
- Severo pare! Me conte, o que aconteceu?
Samara não sabia que aquilo seria o início do fim.
