VISITA NO MINISTÉRIO

Rony andava de um lado para o outro. Mais uma vez se encontrava naquele corredor.

Recebera um chamado urgente do assistente de Adela, e ali estava a sua espera. Mas porque ela demorava tanto? O que havia acontecido dessa vez?

De repente, Rony parou ao ouvir o som da porta se abrir e voltou-se para a amiga.

-O que aconteceu? –perguntou observando a face cansada da amiga.

Adela respirou fundo e falou sem delongas:

-O coração de Rose parou por uns segundos. Por pouco não a perdemos.

Rony engoliu seco, sentindo seu coração bater acelerado dentro do peito. Foi tomado pelo medo. Um medo que ainda não presenciara. Por um momento perdera sua filha. Era difícil acreditar em tal situação.

-Nós conseguimos trazê-la de volta, mas... –Adela, continuou relutante.

-Mas? –perguntou num fio de voz.

-Não sei até quando Rose vai aguentar. Está fraca...

-Ela vai aguentar! Nós vamos descobrir o maldito que fez isso! Rose vai sobreviver, Adela. –falou com a voz dura. Parou e refletiu. –Ela vai sobreviver. –repetiu querendo realmente acreditar no que era dito. –Não vou deixá-la morrer assim. –falou com a voz embargada tentando conter as lágrimas.

Rony ficou o dia inteiro ao lado da filha. Queria sentir sua respiração fraca, ver seu peito subir e descer numa confirmação de que seu corpo ainda tinha vida.

Refletiu durante todo o tempo em sua companhia muda. Tinha que descobrir quem queria sua destruição, quem queria acabar com a vida de sua filha. Tinha que achar uma maneira de salvá-la. Não deixaria Rose morrer assim. Mesmo que fosse a última coisa a realizar em sua vida.

Logo à noitinha, despediu-se de Rose e caminhou a esmo pela rua. Precisava pensar, organizar as ideias. Caminhava sem rumo quando se lembrou de um lugar. Parou num beco escuro e desaparatou.

Rony chegou a entrada observando aquela estrutura que, a tempos atrás, lhe era tão familiar. Abriu a porta e viu tudo escuro. Ascendeu a varinha e olhou aos redores.

A casa parecia totalmente desabitada. O cheiro de lugar fechado, a poeira acumulada. Caminhou pelo aposento ouvindo o eco dos próprios passos.

Lembrava de cenas que quase não podiam mais ser visualizadas em sua mente. No final, Rony preferia assim. Não queria lembrar-se de cenas que ele sabia, não poderiam mais ser vivenciadas.

Subiu as escadas em direção ao patamar superior. Entrou primeiramente no quarto de Rose . Tudo parecia ter perdido o brilho a vivacidade.

Arrastou os pés em direção ao quarto que dividira com Hermione. Suas mãos tremiam ao abrir a porta. Entrou naquele ambiente que refletia toda sua saudade de Hermione, e de olhos fechados, pode jurar sentir seu perfume no ar. Abriu os olhos sentindo o vento que entrava pela janela levar o odor e também a lembrança. Aproximou-se e admirou o céu escuro. Uma movimentação chamou sua atenção, e Rony pode ver alguém correndo. Voltou a olhar para o quarto e um aperto no peito o deixou sem respiração.

Tempos que não voltariam mais. Momentos que não viveria mais. Estar ali fora um erro. Definitivamente um erro. Quase três anos sem ao menos avistar aquele ambiente e agora estava ali revivendo em flashs uma vida que um dia fora sua.

Sentou-se na cama e alisou o cobertor amarrotado. Deitou-se. Ela continuava confortável. Olhou para o teto. Será que poderia ficar ali, olhando para aquela imagem branca até o fim de seus tempos?

Sua vida desandara para uma estrada com buracos. Agora, queria ficar ali, deitado naquela cama confortável, sem saber de nada, sem ouvir nada, sem fazer nada. Queria tranquilidade. Queria esquecer que aquela era sua vida, esquecer que um dia fora feliz. Esquecer de tudo. Apagar sua existência.

Esquecendo-se de toda a conturbação de sua vida, Rony dormiu.

Acordou no dia seguinte com o vento frio vindo da janela, e novamente pode sentir aquele odor peculiar que lhe lembrava Hermione. Balançou a cabeça tentando afastar aquilo da mente e se levantou. Chegou a conclusão que não poderia ficar ali para sempre. Precisava agir.

Quando chegou à Toca, todos estavam preocupados, fazendo com que Rony se desculpasse.

-Peguei no sono. Foi sem querer. –explicou-se.

Rony se mostrava tranquilo por fora, mas por dentro estava num desespero constante. Não queria que todos ficassem preocupados, mas sabia que isso era impossível.

Passou o domingo inteiro ao lado da filha na esperança de que ela abrisse os olhos, mexesse o corpo, alguma coisa que provasse que ela voltaria. E mais uma noite Rony saiu sem essa dádiva.

A semana corria sem que percebesse. A cada dia que passava, agradecia por Rose estar viva e esperava o dia seguinte, aflito.

Rony estava em reunião com seus colegas, porém, sua cabeça estava longe. Não absorvia uma só palavra que era dita e também não se manifestava, fazendo com que ninguém sentisse falta de sua presença.

Harry simplesmente não interrompia Rony em seus pensamentos. Ele não era mais o mesmo e temia que nunca mais o fosse.

-Harry, pediram para te entregar. –falou Luka entrando.

-Obrigada, Luka. Como vão as coisas?

-Indo. –falou desanimado. –Tem dias que não falo com Lilá.

-As coisas vão se ajeitar. –Harry confortou o amigo.

-Sinceramente, Harry, não sei se sinto falta dela. Acho que estava acostumado com sua presença. Sabe, você acostuma a gostar da pessoa e não ama de verdade.

-Talvez foi melhor assim.

-Talvez. Estou um pouco confuso.

Harry sentou-se com o olhar fixo, estava pensativo. Rodava o envelope, que Luka lhe entregara, sem dar muita atenção. Depois de um tempo, resolveu abri-lo e leu:

Harry e Rony,

preciso conversar com vocês.

Podemos marcar um encontro ai no Ministério? De preferência à noite, quando não tiver ninguém?

Atenciosamente,

Lucy .

Harry enrugou a testa, achando estranho aquele pedido inesperado de Lucy.

-Rony. –chamou. -Leia isso. –falou baixo para que ninguém escutasse.

Rony também ficou intrigado com a carta e olhou para o amigo.

-O que será que ela quer nos dizer? E porque esse mistério todo? –questionou Rony.

-Não sei. –voltou a recostar-se na cadeira, pensativo.

Dois dias depois, estavam Rony, Harry e Gina no escritório vazio dos Aurores. Os três estavam em silêncio absoluto, ansiosos e intrigados pela visita de Lucy.

-Não aguento mais essa espera! –Gina falou nervosa jogando-se na cadeira. Mas logo teve que se levantar ao ouvir uma voz.

-Quem mais está ai?

Os três sacaram a varinha, assustados. Olharam-se apreensivos diante da pergunta e foi Harry quem respondeu:

-Eu, Rony e Gina. Lucy, o que está acontecendo? –perguntou dando dois passos à frente.

Logo, uma mulher de cabelos negros e longos entrou na sala.

-Voce não é a Lucy! Quem é você? –Harry perguntou com ferocidade.

A mulher ergueu a face, revelando um rosto coberto por uma franja. Respirava pesadamente e parecia não conseguir falar.

Rony a olhou, intrigado. Parecia alguém que conhecia, mas quem?

Tentou se aproximar mais, mas Harry agarrou seu braço ao ver a mulher erguer a varinha.

-Abaixe a varinha! –Harry gritou ao mesmo tempo em que empurrava Gina para trás de si.

A mulher não deu ouvidos. Continuou com o movimento e todos os três se assustaram.

"Chegou a hora..."

E.P.

N/A: Pessoal, mais um capítulo!

Logo, logo virá o próximo! ;)

Beijoss a todos e obrigadaaa, sempre!