Músicas do capítulo (retirar os espaços):
* Schubert: Erlkönig: http:/ www. youtube. com/ watch?v =5XP5RP6OEJI
* Durufle: Requiem – Libera me: http:/ www. youtube. com/ watch?v =03u4XS9aqE4
* The Rolling Stones, Sympathy for the Devil: http:/ www. youtube. com/ watch?v =Je8MXiwmNIk
Capítulo 21 – Barganha de Fausto*
Tradução: Ju Martinhão
*Barganha de Fausto: Fausto é o protagonista de uma popular lenda alemã de um pacto com o demônio, baseada no médico, mágico e alquimista alemão Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540). Considerado símbolo cultural da modernidade, Fausto é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que o enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso.
~oЖo~
"Ele está mentindo." Eu insisto. "O que quer que tenha nessa carta não é para o meu pai, é para um de nós. Ele só não quer que você leia agora".
"O quê?" Carlisle pergunta, olhando-me nos olhos. "O que a faz dizer isso?"
"Eu sempre sei quando ele está mentindo." Eu digo. "Apenas leia, por favor".
Ele desacelera um pouco enquanto abre o papel e lê.
"Edward." Ele rosna. "Como pode meu filho ser tão brilhante e tão estúpido ao mesmo tempo?"
Carlisle gira o carro numa repentina meia-volta, e eu juro que só metade das rodas toca o asfalto. Se eu achava antes que Edward dirigia perigosamente, aquilo não era nada. Isto aqui é alguma coisa. Isto aqui é a Fórmula 1.
"Jesus!" Eu sussurro, encolhendo-me no meu lugar.
"Não use o nome do Senhor em vão." Carlisle diz, mas posso ver que ele não está irritado comigo. "A não ser que você esteja rezando agora, o que eu altamente aconselho".
Aos poucos o gelo em minhas veias começa a derreter e tenho a coragem de pegar a carta do console central, onde Carlisle a deixou cair. Claramente, isto foi feito para Carlisle.
"Eu não sei ler latim." Eu digo, frustrada. "O que ele está fazendo?"
Seu rosto parece estar calmo e sério, como se ele estivesse lendo um histórico médico, mas seu pé de chumbo diz preocupe-se, corra, e o carro está indo - huh, eu nunca vi um velocímetro no topo antes. Eu não tenho nenhuma ideia de quão rápido o carro está indo.
"Fazendo suposições desastrosas." Ele diz, sem um traço de pânico aparecendo em sua voz. "Ele parece pensar que Demetri estaria sozinho enquanto o rastreava. Fiquei com a nítida impressão de que ele fugiria, mas ele está indo enfrentá-lo".
"Você quer dizer lutar com ele?" Eu pergunto, confusa. "E no que vai dar isso, se ambos são imortais?"
"Nós somos potencialmente imortais, Bella." Ele diz, seus olhos piscando para mim por alguns instantes. "Nós podemos ser destruídos. Mas ele está confiante demais com o que ele está enfrentando. Duvido que Demetri esteja sozinho, e alguns da guarda podem esconder seus pensamentos".
"Jane." Eu sussurro, horrorizada, pensando no que Rose me disse. "Edward não sentiu a presença de outros vampiros na ópera, mas Aro e Jane estavam lá. Renata reclamou que ela não teve permissão para ir, mas Aro lhe disse que era porque Jane conseguia controlar seus pensamentos".
"Ele realmente disse isso?" Ele pergunta, parecendo realmente chocado e magoado. "Aro deliberadamente faria isso com o meu filho?"
Meu coração quebra um pouquinho, vendo a traição registrar em seus olhos sinceros, como uma nuvem escura bloqueando o sol. Eu só o conheço por dois minutos, mas eu já sinto que posso confiar nele, e acho que eu me sentiria assim se eu não tivesse conhecido Edward, ou lido seus diários. Como alguém pode trair este homem? Parece totalmente inconcebível, como chutar um lindo cachorrinho, ou dar um tapa em um bebê. Eu sinto uma intensa indignação afugentar os meus medos. Eu nunca senti raiva assim antes, e é estranho - insuportável e reconfortante ao mesmo tempo. Reconfortante porque isso me faz sentir forte, e insuportável porque eu não posso fazer absolutamente nada sobre isso no momento.
"Sinto muito, mas sim. Ele disse isso." Digo-lhe com relutância.
Seus olhos brilham para os meus, como se ele não acreditasse em mim no início, mas acho que o olhar nos meus olhos o convence. Ele recebe esse olhar no seu rosto que deve vir em punhados quando as ambulâncias rolam ao redor porque eu sinto que ele sabe o que ele está fazendo, e isso faz com que o punho de gelo no meu estômago se abra um pouco.
"Bella, eu sei que você não me conhece muito bem, mas eu sei como os Volturi operam." Ele diz. "Eu preciso que você me diga tudo o que aconteceu com Aro. Não deixe nada de fora".
~oЖo~
Eu digo a ele tudo, pelo menos o relacionado com Aro e o resto dos Volturi. Quando se trata do que aconteceu depois, eu hesito. A indecisão pesa muito, mas ele questiona-me como um advogado e me faz repetir a minha história tantas vezes que não temos tempo para muito mais. Eu só espero que eu tenha feito a coisa certa.
"Então, o convite, você está certa que dizia Venha como vocês são, especialmente a Senhorita Swan?" Ele pergunta enquanto puxa para o estacionamento com manobrista do hotel. Ele parece tão perturbado quanto Edward tinha ficado quando leu pela primeira vez o convite.
"Disso eu tenho certeza." Eu confirmo, saindo para caminhar rapidamente atrás dele. "Porque Edward ficou realmente irritado com essa parte. Por que isso é tão horrível?"
"Isso implica má-fé, Bella." Ele diz gravemente. "Má-fé de Edward e, mais sutilmente, de Aro. Não é a forma como estas coisas são tratadas".
Paramos na recepção, onde Carlisle pergunta a um homem leve e arrumado – procurando por Aro.
"Há uma lista de convidados, e apenas um nome inexplicável." O secretário afirma maliciosamente, erguendo as sobrancelhas ao meu estado semi-desgrenhado. "Você tem identificação?"
Eu puxo a minha identidade e mostro a ele, e ele a verifica um pouco demorado demais. Carlisle pega o cartão de volta das mãos dele com um olhar que faz o rosto do pequeno homem ficar pálido.
"É na cobertura." Ele diz, entregando-me uma chave com uma mão trêmula. "Use isto no elevador, ele vai levá-los para cima".
"Em quantos problemas ele se meteu?" Eu pergunto, o medo serpenteando pela minha espinha enquanto eu atolo a chave na fechadura sob o botão redondo marcado CO.
"Isso depende." Ele diz quando o elevador começa a subir. "Você tem certeza disso? Você não tem que vir comigo".
"Eu vou." Eu digo, meu maxilar travando no lugar, apesar do horripilante sentimento rastejando. "Eu fui convidada. Estou na lista, lembra?"
"Edward vai querer me matar." Ele diz, hesitando. "É melhor para ele se você estiver lá. É perigoso para você, mas muito valente. Última instância, a decisão é sua, Bella".
"Eu estou dentro." Eu digo com firmeza.
Carlisle olha para mim com preocupação, então acena com a cabeça. Assim que ele o faz, eu começo a entrar em pânico. As luzes indicam que estamos chegando ao topo, e meu estômago aperta novamente. Eu sinto o sangue pulsando em meus ouvidos, e sinto que estou prestes a fazer algo realmente estúpido, como correr para um edifício em chamas.
São metáforas realmente necessárias agora, Bella? Você está prestes a correr para uma sala cheia de vampiros, isso não é ruim o suficiente? A parte mais idiota do meu cérebro entra na conversa.
Eu acho que poderia desmaiar até que sinto o braço de Carlisle em volta dos meus ombros, calmo e firme.
"Coragem." Ele sussurra suavemente para mim, dando-me um aperto suave.
Isso ajuda, pelo menos por um momento.
Nós ouvimos um homem gritando de dor antes da porta do elevador se abrir, e é toda a coragem que eu preciso. Todo o medo se funde com a raiva de novo quando eu corro para ele, mal percebendo alguém mais na sala. Edward está arqueado, no chão, o rosto contorcido muito parecido como o de Jasper tinha estado, gritando em grande parte da mesma maneira. Eu caio de joelhos ao seu lado e faço o meu melhor para protegê-lo, por qualquer que seja o bem que isso fará. Encontro-me estupidamente repetindo muito do que Alice disse ao encontrar Jasper na mesma condição.
"Eu estou aqui, Edward." Eu choro, beijando o rosto, sentindo o cheiro dele.
Preciso saber que ele está aqui também, e parece como se o corpo em meus braços mal fosse prova disso porque ele não está realmente aqui. Ele não consegue me ver, mas responde ao meu toque. Ele para de gritar logo que meus lábios encontram sua pele fria, mas seus olhos permanecem fora de foco, seu corpo em convulsão como se ele estivesse recebendo violentos espancamentos por uma força invisível. Ele inala profundamente e grita meu nome.
Eu me sinto tão indefesa, e irritada, tão ineficaz. Eu gostaria de já ser uma vampira para que eu pudesse protegê-lo, porém, isso funciona. Eu olho para cima e percebo a cena ao meu redor, e fico gelada.
Sete vampiros, e não cinco.
Incluindo Carlisle e Edward, estou cercada por nove vampiros, metade deles olhando para mim com surpreso fascínio. Renata olha para mim logo atrás de Aro, a mão pousada sobre o ombro dele.
Dois estranhos vampiros do sexo masculino estão em cada lado de Aro. Eles parecem mais velhos, como Aro - não como seres humanos, mas como vampiros. A pele e os olhos parecem mais como um pergaminho e mármore do que carne e vísceras. Um à direita parece desdenhoso em surpresa, com uma cara de mordomo esnobe que não pode acreditar no que o mestre permitiu a ele. O outro, um vampiro transformado mais próximo da meia-idade, eu acho, parece estar olhando para Edward e para mim com uma intensidade estranha, sutil. Sua surpresa parece ser genuína, ao invés de julgadora. Eu não tenho nenhuma ideia de quem eles poderiam ser, mas o terceiro homem desconhecido dá alguns passos para ficar ao lado de Carlisle, o que me faz pensar que ele poderia ser o que chamam de Eleazar. Três contra seis agora, se não incluir-me, e eu estou certa que ninguém inclui.
Se Rose e Emmett pudessem estar aqui, eu penso desesperadamente.
Jane está longe do resto, seu olhar extasiado fixo em Edward enquanto ele convulsiona sobre o piso de mármore.
Demetri é outra história. Minha pele formiga quando eu encontro o olhar de Demetri. Há algo lá que eu realmente não posso descrever, exceto que ele está meio irritado e faminto, e isso me lembra de Jake olhando para os carros que ele sabe que não pode pagar.
"Você acha que pode encontrá-la agora que ela está bem na sua frente?" Aro ri, olhando-nos olhar um para o outro.
Eu tremo, e me aproximo ainda mais de Edward. Fecho meus olhos e concentro no mundo em meus braços, tremendo como ele está.
"Caius e Marcus agora também?" Carlisle pergunta, parecendo totalmente o pai indignado. "Aro, qual é o significado disto?"
"Eu poderia fazer-lhe a mesma pergunta, Carlisle. Você não ensinou a Edward a única regra a respeitar? É seu dever como seu criador." Ele responde, perdendo todos os vestígios de diversão. "Não confunda a nossa amizade como uma desculpa para desrespeitar a lei".
"A lei, não é? Isto realmente parece um julgamento, e não estou nem mesmo na lista de convidados, muito menos informado do assunto?" Carlisle diz, mostrando a mágoa em seu rosto. "E todo o tempo enquanto eu estou fazendo um favor para você por amizade? Você pode, pelo menos, parar de torturar o meu filho para que possamos discutir isso como homens civilizados?"
"Desde que você apresentou a testemunha em questão, eu posso conceder o seu desejo, Carlisle. Jane, você pode parar." Aro diz, parecendo cada parte de um juiz equilibrado. "Afinal, ela está finalmente aqui, como solicitado".
O sorriso de Jane desaparece, e Edward relaxa em meus braços, antes de sacudir-se em pé. Ele se levanta, puxando-me em seus braços, como se para me proteger agora.
"Bella, não!" Edward diz com a voz grossa, olhando para mim com medo e desespero. "Por que você está aqui? Eu queria que você estivesse segura. Carlisle?" Ele pergunta, olhando para o seu pai.
Carlisle olha para ele pedindo desculpas e, por um tempo demasiado longo. Sinto, ao invés de ver, Edward virar a cabeça levemente para a esquerda, talvez como um sutil não para alguma pergunta não dita.
"Ele conhece as regras. O que faz você pensar que ele as quebrou?" Carlisle exige, voltando-se para Aro.
"Seu filho se recusa a cooperar com o meu simples pedido de esclarecimento em relação a uma regra que nós instituímos." Aro diz, sua expressão vigiada e suspeita. "Ele não vai apertar minha mão, nem estava disposto a trazê-la aqui. O que eu devo pensar?"
"O que é que Edward deveria pensar?" Carlisle responde, perplexo. "Ele está apenas tentando proteger Bella. Se você me tivesse deixado apresentar a você corretamente, em vez de surpreendê-lo com uma visita e uma intimação, você teria se encontrado com uma reação completamente diferente, tenho certeza".
Seis vampiros olham para Carlisle de uma só vez, mas ele parece totalmente não afetado por isso, seu rosto calmo e severamente repreendendo. Ele me lembra Atticus Finch em O Sol É Para Todos, bravamente defendendo um inocente de uma multidão enfurecida. Eu sinto meu coração quase pular para fora do meu peito com gratidão e amor por ele.
"Eu não acredito que ela não sabe sobre nós." Aro afirma categoricamente. "Ela sabe, e ele claramente não tem intenção de obedecer as regras. Qualquer um pode ver que eles estão ligados um ao outro. Se ele quisesse transformá-la, isso seria uma coisa. Mas, em vez disso, ele deliberadamente tentou escondê-la de nós. Isso é um problema".
"Isso não é verdade." Carlisle diz. "Bella pode ter suas suspeitas, mas Edward tem sido responsável. Estivemos discutindo a transformação dela, ela deve escolher Edward sobre uma vida normal. É uma questão delicada, e você tem estado antes de tudo em nossas mentes enquanto lidamos com isso".
Abro minha boca para falar, mas Carlisle avisa-me com um olhar severo.
"Foi a sua abordagem, Aro." Carlisle continua. "Ele claramente sentiu-se ameaçado e, pelo que parece, ele tinha razão. Se você não acredita em mim, toque a minha mão".
"Minha abordagem é indiferente, meu bom amigo." Aro diz, seu tom uma advertência clara sobre as palavras amigáveis. "E eu não estou preocupado com a sua palavra, mas com a dele".
"Aro." Interrompe o vampiro de aparência mais velha à sua esquerda, estendendo a mão um pouco. "Você deveria ver isso".
Aro levanta sua mão, e suspira em choque um momento após o contato.
"Notável. Obrigado, Marcus." Ele diz. "Uma complicação, de fato. Seu Edward e a humana estão bem e verdadeiramente emparelhados, Carlisle, você sabia disso?"
Um coro de muitos suspiros enche a sala, ecoando o choque em minha própria mente. Sinto-me completamente nua.
"Legal." Demetri diz, um sorriso malicioso em seus lábios.
Fúria e mortificação brigam na minha barriga, acelerando minha pulsação como numa corrida. Ocorre-me que uma pulsação acelerada em uma sala cheia de vampiros não vai ajudar nada.
"Edward!" Carlisle sussurra duramente. "Vocês não são casados ainda! Como você pôde fazer isso com Bella?"
"Nós estamos noivos." Edward sussurra, carrancudo. "Efetivamente compromissados, Carlisle".
Aro ri e balança a cabeça, e eu olho para o chão, sentindo meu rosto queimar. Eu acho que Carlisle está mais chateado do que meu próprio pai estaria.
Eu acho.
"Por que alguém quereria fazer isso com um ser humano?" Renata zomba. "Quando ele poderia ter qualquer vampiro que ele quisesse?"
"Eu faço isso o tempo todo." Demetri diz entrando na conversa. "O calor pode ser extremamente prazeroso. Mas não há nenhuma maneira que ela seja la sua cantante*. É preciso também muito controle para não matá-los em circunstâncias normais".
*La sua cantante: essa expressão é utilizada pela realeza vampírica, os Volturi, para descrever um humano cujo sangue é extremamente apetecível para um vampiro; tão delicioso que é quase impossível para um vampiro resistir. Tal como o sangue da Bella faz com Edward. O sangue dela "canta" para Edward, como um feitiço ao qual ele tenta resistir a cada segundo que passa com ela. Bella é a "cantante" de Edward.
La sua cantante? O inferno? Desespero e confusão tomam conta de mim, e é uma briga de vai-e-vem no meu estômago. Eu só posso ter uma coisa de cada vez, então eu vou com a confusão no momento. Sua cantora? O que há com ele e meu canto? Talvez não seja à altura dos padrões de Demetri, não que ele realmente tenha me ouvido cantar... Edward rosna, dobrando-se para que Demetri não possa mais me ver.
Demetri ri. Eu me arrepio.
"O ato físico, talvez como um aperitivo, mas verdadeiramente companheiros?" Renata se opõe. "Eles não são iguais, como ele pode?"
"Sinto muito." Ele sussurra baixinho no meu ouvido e eu inclino a minha cabeça em seu ombro.
"A coisa toda está além de surpreendente, Renata." Aro concorda. "Mas é mais estranho que isso. Ela é, na verdade, sua cantante também".
"Do que eles estão falando?" Pergunto a Edward em um sussurro. "Isso é sobre música?"
Um coro fresco de murmúrios irrompe na sala.
"Edward nunca disse a você que você é a cantante dele?" Aro pergunta, andando na minha direção.
Ele para quando Edward fica tenso e puxa-me incrivelmente perto, como se quisesse prender-me. Eu mal posso ver sobre seus braços.
"Como eu poderia dizer a ela isso sem quebrar a regra?" Edward exige, incrédulo.
"Do que ele está falando?" Eu pergunto, afastando-me dele o suficiente para olhar em seus olhos.
"Edward tem um excelente controle." Carlisle diz com certo orgulho, em seguida, faz uma pausa, olhando para mim. "Normalmente".
"Carlisle, você é o vampiro mais estranho que eu já conheci - a indignação existe, mas sempre pelo motivo errado!" Aro ri. "Veja, lá. Bella deveria estar surpresa quando eu uso a palavra vampiro, quando eu falo sobre muitas dessas coisas, de fato, mas ela não está. Isto é um problema".
Minha cabeça levanta, tarde demais. Os olhos de Aro brilham com o triunfo, e Jane começa a ficar animada novamente. Carlisle não pode me impedir de falar dessa vez.
"Como Carlisle disse, eu tinha minhas suspeitas, mas Edward não me disse nada." Eu digo, furiosa. "Se não fosse por Demetri, eu não teria suspeitado de nada perto da verdade. Por que não culpá-lo, em vez disso?"
"Demetri, ao contrário do seu parceiro, estava agindo de acordo com a sua natureza." Ele responde calmamente, como se estivesse explicando algo para uma criança muito estúpida. "Quanto Edward tentou mesmo esconder de você?"
"Tudo." Eu digo suavemente, estremecendo com a memória. "Ele mentiu para mim. Nós nunca conversamos sobre vampiros".
Até Renata transformar Jasper, eu penso. Mas eu não acho que devo isso a eles.
Edward enrijece, e eu olho para ele. Eu gostaria que pudéssemos falar sem que todos nos ouvissem. Eu gostaria que ele pudesse ler minha mente, assim como ele lê a de todo mundo. Bem, a menos que se conte a de Aro e de Jane, cujas mentes não são tão silenciosas como são sorrateiras, talvez. Consigo sorrir um pouco, tentando dizer a ele com meus olhos e expressão que eu o amo e confio nele.
"Vocês dois parecem ter superado isso." Aro observa, seus olhos brilhando de malícia. "Eu me pergunto como isso aconteceu. Demetri, por favor, conte a Bella exatamente o que significa para um vampiro encontrar o seu cantante".
Eu só posso sentir o ódio rolando de Edward em ondas, e isso faz com que me sinta mal. Bem, é difícil dizer o que está me fazendo mal neste momento, mas eu tenho certeza que os joguinhos de Aro estão no topo da mistura.
"Il cantante, é uma dádiva da natureza, um ser humano de muitos bilhões - e, geralmente, um vampiro só encontra um cantante ao longo de muitas vidas humanas, se alguma vez encontrar." Demetri explica suavemente.
Recuso-me a olhar para ele, mantendo os olhos em Edward. Ele parece... envergonhado. Apologético.
"É o sangue que canta, veja você, Bella." Ele continua, o que poderia, em outras circunstâncias, soar como um tom sedutor. "Cheira tão bem, tão tentador, que ninguém pode resistir a ele, como o canto da sereia da mitologia. Quando um vampiro encontra seu cantante, ele deve consumir o seu sangue, ou a obsessão o consome. Ele não vai parar até que seja feito. Vai enlouquecê-lo se ele não o fizer, e quando ele finalmente o tiver e consumi-lo, é o sangue mais gratificante que ele algum dia provará".
Eu me lembro agora, ele se referindo a mim como sua cantante ao falar com Carlisle em francês. Como ele tinha que caçar mais, mas que ele podia se controlar. Lembro-me de algo que ele me disse uma vez exatamente antes de ele me fazer pensar que era louca, de como eu era a exceção a tudo para ele: silenciosa, sua cantante, e algo sobre o meu cheiro. Tudo faz um pouco mais de sentido agora, se for verdade. E ninguém está contradizendo Demetri, então deve ser.
"Isso deve ter sido difícil para você." Eu sussurro. "Sinto muito".
"Nunca se desculpe, eu não sinto." Ele admite suavemente para mim. "Você é muito mais do que isso agora. Resistir ao seu sangue foi difícil no início, é verdade. Se eu não estivesse me abstendo por tanto tempo, poderia muito bem ter sido impossível".
"Chega! A lei foi quebrada." Caius interrompe. "Deve haver um julgamento. Deve haver uma punição".
"Estou disposta – simplesmente me transforme!" Eu digo alto, frustrada. "Vocês não precisam fazer isso".
Aro olha para mim como se eu tivesse acabado de fazer algo horrivelmente, terrivelmente errado. Assim como a maioria dos vampiros. Carlisle põe sua mão no meu ombro reconfortantemente, e eu faço uma careta para o chão, corando. É ridículo, mas sinto-me envergonhada, como se eu tivesse acabado de xingar em uma igreja, ou algo assim.
"Não!" Edward sussurra. "Ainda não. Você precisa de mais tempo para saber o que você está fazendo".
"O que é isso?" Aro diz indignadamente. "Você age como se isso fosse uma maldição, em vez de um grande dom, ser imortal, ser forte como nós. Ser divino. Você preferiria ser um deles? Como gado?"
Edward não diz nada, mas seus olhos falam por si. A tensão na sala adquire definição, com Carlisle e Eleazar agora parecendo tão silenciosamente desafiantes como Edward.
"Talvez algum tempo com os vampiros reais, vivendo em verdadeira civilização como deveríamos, e não correndo depois sobre os restos dos seres humanos como Carlisle lhe ensinou." Aro entoa. "Talvez algum tempo servindo sob a guarda dos Volturi vão fazer você entender as regras".
"O que você quer dizer?" Carlisle pergunta, perigosamente calmo.
Ele me lembra muito Edward, eu quase acho que eles eram biologicamente relacionados.
"Você sabe o que isso significa, Carlisle." Edward diz. "Você simplesmente nunca realmente pensou que seu amigo era capaz disso antes".
"Um ou dois vampiros seguindo seu próprio caminho não me incomoda, Carlisle." Aro diz, seu rosto de pedra e sem emoção. "Mas ver um vampiro talentoso como Edward, tão claramente apaixonado com uma talentosa humana e não querer transformá-la – por que, isso é desolador. Ele está confuso. Eu busco apenas ajudá-lo".
"Não." Edward diz calmamente. "Nada de guarda. Não vamos viver como você vive".
A expressão de Aro me lembra de César e todos os outros imperadores romanos: muito séria e cheia de autoridade. Eu meio que quero o Aro brincalhão de volta. Este assusta-me muito, ainda mais que o brincalhão.
"Você me entendeu mal, rapaz." Aro diz, um brilho duro em seus olhos negros estreitados. "Esta não é uma escolha. Esta é a reabilitação".
"O que aconteceu com a liberdade de escolha dos vampiros?" Eleazar ousa perguntar. "Esta não é a forma como fazemos as coisas, Aro".
"Muitas escolhas já foram feitas." Aro responde calmamente. "Estou muito generosamente oferecendo uma alternativa à punição. É assim que fazemos as coisas, quando assim o desejamos".
"Então, é tentativa e destruição, ou se tornar um membro da guarda?" Carlisle pergunta, os olhos apertados. "Isso não soa como justiça para mim. Parece como servidão forçada".
"Você é um médico para seres humanos, Carlisle." Caius ri, um som duro e quebradiço. "Você dificilmente está qualificado para opor-se ao julgamento de Volterra. Mas se você preferir ir a julgamento, eu sou mais do que favorável".
Os Volturi começam a murmurar furiosamente entre si até Aro silenciá-los com um único gesto. Carlisle e Eleazar se aproximam de nós, seus corpos junto com o de Edward tremendo sutilmente em direção a uma posição defensiva.
Perturbadoramente e apropriadamente, as letras do réquiem florescem à mente: Libera eas de ore leonis. Liberta-nos das garras do leão. Mais uma vez, seguindo o conselho de Carlisle, eu simplesmente vou com isso, e fico repetindo isso na minha mente. Eu deixo todo o refrão tocar, com a ideia absurda de que eu não posso morrer se a música não for concluída. Pensar nisso me faz pensar em música, e tudo de bom que está escorregando.
"Eu acho que isso significa nada de bolsa de estudos em Volterra." Murmuro sob a minha respiração, lutando contra o desejo louco de rir porque isso é uma coisa tão estúpida para pensar em um momento como este. Mais alto, para Carlisle e Eleazar, eu sussurro, em pânico agora. "Não se sacrifiquem por mim, por favor. Não há nenhum ponto em todos nós irmos se eu vou morrer de qualquer jeito. Vocês são tão bonitos, tão bons, por favor, não se arrisquem por minha conta".
"Tão linda, tão boa... tão talentosa." Aro murmura. "Eu concordo plenamente, Bella. Alguém odiaria desperdiçá-la".
Eu fecho meus olhos contra a desgraça iminente, querendo fechar tudo, exceto Edward em meus últimos momentos, se chegamos a isso. Eu sinto o corpo de Edward relaxar infinitamente, sua postura alongada um pouco. Quando abro meus olhos, ele está olhando fixamente para Aro, que olha fixamente de volta, e todo mundo olha para os dois em confusão e curiosidade.
"Talvez possamos chegar a um acordo." Aro diz, "Apesar de tudo, eu sinto que o jovem Edward aqui não sabe do que ele desiste quando se recusa à honra de se juntar a guarda. E Isabella se mostra promissora em várias áreas. Talvez haja uma melhor maneira de fazer esse jovem casal encantador entender a diferença entre uma oportunidade de ouro e uma maldição".
"O que você quer dizer, Aro?" Caius pergunta curiosamente. "Isso é mais uma das suas barganhas?"
"Eu não vejo por que eles não viriam a Volterra, como originalmente planejado." Ele responde, "Desde que concordem com algumas condições."
"Nós poderíamos concordar com isso." Edward diz depois de um silêncio significativo. "Dependendo das suas condições".
"Aro, uma palavra?" Caius exige mais do que pede. "Em particular".
"Você não tem privacidade de Edward, eu acho que não." Aro diz, um pequeno sorriso perigoso jogando em seu rosto. "Esse é meu ponto. Use sua imaginação, Caius. Como os Volturi poderiam se beneficiar dos talentos de Edward. O que se pode ser capaz de fazer com o seu alcance. As possibilidades são enormes. Você não concorda, Marcus?"
"Agora que você mencionou, sim." Marcus responde, parecendo como alguém nada interessado por nada, até que todo mundo se vira para olhar para Edward e para mim. Então seus olhos piscam com raiva, só por um segundo. Eu acho que eu poderia ter imaginado isso.
"Você pode também falar livremente." Aro ri. "Não é, Edward?"
"Alguns de vocês têm mais controle sobre seus pensamentos do que outros." Edward responde amargamente, olhando entre Aro e Jane.
Seu olhar pousa brevemente sobre Marcus, mas logo ele olha para Aro.
"Este é o meu ponto." Caius ferve. "Não tenho certeza que os Volturi precisam de outro leitor de mentes. Eu preferiria ter um julgamento e terminar com isto".
"Muito bem, vamos deixar que Marcus decida." Aro diz, para a aparente frustração de Caius. "Marcus, o que me diz da continuação do plano original, com uma estipulação, como convém à transgressão de Edward?"
"Seus arranjos artísticos são nulos agora!" Caius reclama, potencialmente interrompendo um apático Marcus.
"Eu alguma vez neguei a você um pintor? Um escultor?" Aro pergunta, virando-se para Caius. "Esta é possivelmente uma oportunidade única para o mundo da Ópera".
Eu olho para Edward de novo, seu rosto cuidadosamente composto e sua atenção concentrada sobre Marcus.
"Sempre com a música, e com a ópera mais do que tudo." Caius critica. "Não vai dar certo. Você é muito mimado - Callas era gorda demais, então a voz dela perdeu alguma coisa quando ela perdeu peso. George era ambicioso demais como um ser humano e não quisemos correr o risco".
"Basta!" Aro silva, e minhas poucas semanas de aulas de italiano me dizem que isso significa que ele não está feliz. "Chiudi quella cazzo di bocca! Ipocrita! Niente è mai abbastanza buono per voi e per voi semper votazione per la distruzione!"*
*Tradução: "Cale a boca! Hipócrita! Nada ébom o suficienteparavocêevocêsemprevota pela destruição!"
Ok, eu não tenho ideia do que isso significa, mas todos os outros na sala têm e, apesar dos movimentos de mão e gritos em italiano e – e em latim também? - todos eles parecem meio entediados, ou irritados, como se isso ocorresse o tempo todo.
Eu mal ouço a briga continuando entre Aro e Caius quando algo silencioso e largamente despercebido passa entre Marcus e Edward.
"Edward." Carlisle sussurra em advertência. Aparentemente eu não sou a única a prestar atenção a isso.
"Sim, Carlisle, eu estou ouvindo você." Ele responde, sem tirar os olhos de Marcus até que Aro de repente se afasta de Caius.
"Chega desse velho argumento." Ele diz, os olhos ainda brilhando de fúria. "Estamos aqui para discutir um assunto completamente diferente. Marcus, qual é o seu voto?"
"Eu voto pelo seu plano mais artístico." Marcus diz, parecendo entediado. "Contanto que você deixe-me ter aquele romancista".
"Você deveria ter transformado Umberto Eco décadas atrás, se você o queria." Aro suspira. "Mas se ele concorda com isso, tudo bem. Ele provavelmente vai continuar a escrever não-ficção só para contrariar você. Talvez ele pegue o ritmo como um vampiro. Eu esperei muito tempo entre O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault".
Eu não posso acreditar em meus ouvidos. Um momento atrás, estávamos prestes a morrer e agora vamos apenas ir para Volterra como planejado? De alguma forma, isso não está certo. A história de Fausto e a barganha com Mefistófeles vem à mente. Também o ditado favorito da Vovó Swan, o diabo está nos detalhes.
"Qual é o problema?" Eu sussurro para Edward.
"O truque, jovem Isabella," Aro responde, como se eu tivesse feito a pergunta dele, "é que você vai proceder conforme planejado, para o meu prazer. Como cantora, é claro, Edward, sem necessidade de ficar todo irritado. Eu não vou interferir no seu romance, exceto, é claro, no que se refere ao momento da transformação da Senhorita Swan. Como você não está em nenhuma correria para transformá-la, você não vai se importar se ela esperar alguns anos? Você não vai se importar, uma vez que você tem um controle tão surpreendente, não é, Edward?"
Anos! Eu não sei se estou aliviada, ou frustrada. Por um lado, depois do que eu vi nas últimas 24 horas, Edward pode ter um ponto sobre a dor. Por outro lado, estar em uma sala com vampiros irritados seria muito menos assustador se eu mesma fosse uma. Então, novamente, Charlie e Renée... eu posso concordar em esperar alguns anos.
"Eu ainda quero moldar a carreira dela, você vê." Explica Aro. "Agora mais do que nunca. Eu sempre quis ver como seria transformar um cantor talentoso em um vampiro, o que aconteceria, como eu poderia compartilhar esse som com o mundo. Eu nunca tive essa oportunidade antes".
"Não, houve aquele tenor, Alfo-" Caius começa, apenas para ser imediatamente interrompido por Aro.
"Eu disse a você para não falar o nome dele de novo!" Ele grita, os tendões em seu pescoço saltando para fora.
Um vaso de vidro racha sobre a mesa, ao som incrivelmente alto da explosão de Aro, e eu fico loucamente com inveja. Tenho cantado para copos de vinho por horas, tentando fazê-los quebrar, mas eles nunca fazem isso. Esse cara "Alfo" deve ter feito realmente algo de ruim para deixá-lo irritado, e quem sabe há quanto tempo foi isso?
Vários dos vampiros mais velhos parecem um pouco desconfortáveis, Carlisle inclusive. Edward olha para ele curiosamente, e eu recebo o seu rosto de eu vou te dizer mais tarde, mas eu acho que tenho a mensagem alta e clara: não ser um Alfo, o que quer que ele tenha feito.
"Agora, continuando." Aro diz calmamente, como se ele não tivesse acabado de ficar instável sobre nós. "Você vai tomar instruções de mim, assim como o seu professor de voz normal. Quero acompanhar seu progresso a cada semana. Você vai melhorar de acordo com os meus padrões, ou nós vamos rever esse assunto, você entende?"
"Sim, senhor." Eu digo, alto o suficiente para o cumprimento.
"Ótimo. Dr. George descreveu a sua capacidade de absorver instruções muito rapidamente, por isso não demore, ou eu saberei sobre isso." Ele adverte. "Escudo ou não. Quando eu estiver satisfeito com o seu progresso, vamos lançar sua carreira, primeiro como um ser humano. Quando eu estiver satisfeito com o seu início, vamos arquitetar o primeiro acidente. Os jornais vão informar que você estará se recuperando de um acidente horrível, mas você vai, de fato, ser uma recém-nascida. Quando você tiver aprendido algum controle sobre si mesma em sua nova encarnação, vamos lançar a sua verdadeira carreira de ópera. Quando isso acabar, vai acontecer também para o meu prazer. Em seguida, vem o segundo, o acidente final. Então você terá que esconder sua identidade dos humanos indefinidamente. Você entendeu?"
Eu olho entre Edward e Carlisle com alarme. Eles parecem um pouco desconfiados.
"Eu não tenho certeza se entendi." Eu digo, estagnada. "Você disse que eu posso ficar com Edward, certo?"
"Sim, criança." Aro suspira: "Você pode ficar com seu amado Edward. Contanto que você aja de boa fé com o nosso acordo".
"Eu não tenho que-" Eu hesito, não querendo ofender esses monstros, "O que eu quero dizer é, eu não teria que matar pessoas, não é?"
Os Volturi trocam olhares.
"Você não teria." Aro diz, novamente como para uma criança idiota. "Mas você pode descobrir que prefere."
"Eu sei que você não gosta de lidar com recém-nascidos em Volterra." Carlisle diz, dando um passo a frente. "Eu ficaria feliz em assumir a responsabilidade por Bella nesse ano".
"Tenho certeza que você ficaria, Carlisle." Aro responde secamente. "E enquanto eu estou inclinado a tirar proveito das suas tendências masoquistas, eu também não estou feliz com o seu evangelismo".
Não é um sim, mas não é um não, tampouco.
"Eu concordaria," Edward diz, "e acho que Bella poderia também, contanto que nós possamos ficar com Carlisle durante o primeiro ano de Bella, em algum lugar remoto, longe dos seres humanos, e que não seja esperado que cacemos humanos".
"Não é um problema para mim." Aro disse uniformemente, um sorriso brincando nos cantos da sua boca. "Não é nada para mim se vocês querem se privar, desde que você e Isabella concordem em passar uma noite por semana como convidados dos Volturi, tanto para monitorar o progresso dela em primeira mão, e mostrar-lhes o que significa ser um de nós".
"Dado isso." Carlisle exclama, ignorando os muitos olhares destinados em sua direção. "Você estará de acordo com o precedente, e deixará que Edward e Bella escolham aderir à guarda... ou não, após o acordo ser cumprido?"
Aro, Marcus e Caius novamente trocam olhares. Marcus acena lentamente, e Caius encolhe-se um pouco irritado, mais em rendição do que em acordo.
"Acho que temos um acordo." Aro diz, estreitando os olhos para Carlisle, e voltando-se para Edward e eu. "Nós não vamos forçá-los a estar em conformidade com a nossa forma de vida. Mas quando vocês virem os benefícios da civilização verdadeira entre iguais, eu duvido que vocês continuarão a imitar o seu... pai, a criatura boa e paciente que ele é. Isabella Swan, você concorda?"
Parece fácil demais, e estranhamente formal.
Parece como um acordo com Mefistófeles. Com o diabo. Mas a minha escolha não é apenas para aceitá-la, ou deixá-la. Minha outra opção é a morte.
Eu olho para Edward e Carlisle, ambos acenam para mim com expressões graves. Eu sei que se houvesse alguma escolha no assunto, eles não me pediriam para aceitá-la. Eu só desejaria saber a qual custo será.
Então eu penso em Alice, e como ela me disse que nós seríamos melhores amigas para sempre. Eu olho para Edward de novo, e eu sei que nenhum preço é demasiado elevado se eu puder estar com ele.
"Sim, eu concordo." Eu digo, tentando manter a voz firme, e falhando.
"Muito bem, então." Aro diz, parecendo completamente satisfeito. "Espero vocês no solstício de verão, e eu saberei como encontrá-los se vocês não aparecerem. Vocês podem ir agora".
~oЖo~
No elevador eu espero por tudo me atingir, mas tudo parece simplesmente surreal.
Sem lágrimas, sem histeria, sem nada. Estou apenas flutuando para longe de mim mesma como um balão de hélio, e eu não sei se eu vou voltar.
Posso sentir o braço de Edward na minha cintura, a mão de Carlisle no meu ombro, o beijo de alguém no meu cabelo.
"Você deveria ter me dito antes, filho." Carlisle diz, seus braços apertados em volta dos ombros de Edward. "Eu poderia ter lhe dito o que esperar. Eu não tinha ideia de que eles fariam isso. Nunca mais me assuste assim novamente".
"O que fez você voltar?" Edward pergunta. Sua voz soa como se estivesse vindo de muito longe. "Eu tinha certeza que você não leria".
"Bella me convenceu de que você estava mentindo." Carlisle diz. Sua voz soa um pouco metálica para mim, como se ele estivesse em uma vitrola realmente velha. "Você está perdendo o seu jeito? Ou é apenas ela?"
Eu não presto mais atenção a eles do que eu poderia a um programa de televisão correndo em outra sala. Sinto lágrimas frias no meu rosto enquanto minha visão borra ligeiramente. É esta a minha vida agora? Cantar bem, ou morrer? Transformar, ou morrer? Apenas algumas horas atrás eu estava com tanta inveja de Alice, agora que a escolha foi tirada de mim, eu finalmente estou começando a me perguntar o que é que eu fiz.
Mefistófeles não pode vencer o tempo todo. Pode?
"Você está bem, Bella?" Edward diz, pegando meu queixo em sua mão e inclinando meu rosto para cima.
Seus olhos.
Negros, como tinta, como a escrita em caligrafia bonita de outro tempo, formando palavras que fazem perfeito sentido.
Olhos que dizem eu te amo. Eu preciso de você. Volte para mim.
Olhos como a gravidade, me puxando de volta, segurando-me em um pedaço.
Eu flutuo de volta para mim mesma, e enrosco meus dedos através dos dele.
"Sim, eu estou bem." Eu digo, respirando profundamente. "Enquanto você estiver comigo".
Ele olha para mim por um segundo como se eu tivesse perdido a cabeça, e então seus braços envolvem ao redor da minha cintura, apertando quase demais. Como uma promessa. Como ele nunca me deixando ir.
Eu enrosco meus braços em volta do pescoço dele, e seguro igualmente muito forte.
A porta do elevador se abre e saímos para o emocionante ar noturno. É o ar mais delicioso que eu já provei, e eu o trago como um peixe retornando à água. Sinto-me mole e mais viva do que eu já me senti. Cada estrela no céu – as poucos que posso ver na cidade, de qualquer maneira - todos elas parecem como prêmios e bônus, como se eu não devesse sequer ser capaz de vê-las, e elas são tão bonitas. Eu achava que já sabia quão lindas elas são, mas não. Eu giraria em círculos apreciando tudo isso se Edward não tivesse um aperto quase mortal em minha mão.
"Eu não posso acreditar que conseguimos sair de lá." Eu digo, ofegante e atordoada, lembrando-me de Alice. "Essa foi por pouco, não foi? Eles realmente nos deixaram ir? Assim? Não faz qualquer sentido, bravos como eles estavam. Eu quero saber? Eu não quero saber, quero? Eles não vão mudar de ideia, vão?"
"Eles nos deixaram ir." Carlisle diz, após ver Edward acenar em confirmação. "Mas eles podem nos encontrar sempre que quiserem, e eles vão mantê-la à sua palavra".
Eu olho para Edward, em seguida para Carlisle, e de volta para Edward novamente. Pelas suas expressões, eu posso dizer que os meus medos eram bem fundamentados. A sensação vertiginosa desmorona um pouco, mas ainda a sinto incrível. Eu quero escalar uma montanha, ou algo assim. Provavelmente não é o melhor momento para isso.
"Venham, vamos embora." Edward diz, pressionando seu nariz no meu cabelo e inalando profundamente. "Carlisle acha que temos muito que conversar".
Carlisle dá a ele algum olhar de pai, então eu tenho certeza que vamos ter um inferno de um sermão. Mal sabe ele que ele vai ganhar novos filhos. Por mais louco que possa parecer, eu não posso esperar para contar a ele sobre isso. Eu me aninho sob o braço de Edward e estendo a mão para Carlisle em gratidão. Seus olhos severos suavizam quando ele pega a minha mão estendida. Espero que ele possa permanecer o tempo suficiente para conhecer Charlie. Tenho a sensação de que eles vão se dar bem.
"Vamos para casa." Eu digo, sentindo o sangue correndo em minhas veias, como se isso pudesse nos levar para casa mais rápido.
Nota da Tradutora:
Nossa, fiquei tensa nesse capítulo com o "julgamento" deles... e agora eles estão "amarrados" aos Volturi, como será que vai ser isso?
Só lembrando que estamos chegando ao fim do Ato I, sendo que essa fic é composta por três Atos!
E não se esqueçam, o próximo cap. só será postado se houver pelo menos 10 reviews! Portanto, mexam esses dedos e apertem o botão ali embaixo!
Bjs,
Ju
