Soneto
da Andrômeda
(Anna
Le Neige)
O caminho que escolheras trilhar
a passos lentos
Leva a uma dor forte e latejante
– contínua.
Se tivesses escolhido outra
curva em meio a lágrimas
Levaria ela, em serenidade, a
uma dor mais amena?
Ilusão. Todos os caminhos
turvos alineares trilham
As inconstantes curvas desta
mesma dor – contínua.
Só o lento passar do
tempo será capaz de acostumar
Tuas mãos com os espinhos
da rosa que carregas. Realidade.
Tanto abraças os sonhos
que acumulaste em desalinho
Dentro de teu peito, bem
profundo, ainda mora a esperança
Sufocando as estrelas de teus
olhos em silenciosos suspiros.
A maior dor é a da tua
espera flamejante de ilusão
Cuja realidade é escrava
temporal do futuro incerto
Moldado em mosaico pela
andrômeda do destino.
