Olá pessoalzinho! Estava maluca pra postar esse capítulo, quero a opinião sincera de vocês, ok? Meu comentário está no fim. Obrigada pelas reviews! Boa leitura!

Capítulo 25

A traição da vaquinha deu bode

Kamus estava sentado num dos bancos que ficavam na praça em frente ao colégio, seu olhar estava distante. Parecia observar as pessoas que subiam os poucos degraus que davam acesso à escola. Uma pequena garota bem morena e de cabelos cor de âmbar se postou em frente ao rapaz, com expressão preocupada.

-Bom dia, Kamus. Você está bem?

-Bom dia, Anisah. Estou pensativo, sabe.

"Minha nossa, porque será que eu falo as coisas que estou pensando para essa garota? Não, Kamus. Pode ir parando."

-Pensando no que?

-Na minha vida. Em tudo.

-Tem alguma coisa que te aflige?

-Anisah, me responde uma coisa com sinceridade?

-Claro, Kamus.

-Você me acha uma pessoa fria, sem coração e sem sentimentos?

"Eu não acredito que eu perguntei isso para uma garota... Estou ficando besta..."

Anisah arregalou os olhos. Nunca esperava que aquele assunto fosse abordado, ainda com o próprio rapaz.

-Você deve achar, não é mesmo? Mas eu te digo que eu não sou frio, eu penso muito nas pessoas, eu não sou egoísta, só gosto de ser discreto, pois eu detesto que fiquem falando da minha vida.

-Kamus... – Anisah arriscou colocar a sua mão sobre a dele. Se sentiu aliviada quando o rapaz retribuiu, segurando a sua mão – Você... É diferente das outras pessoas. Não acho que deveria se espelhar nelas...

-Eu estou cansado de ouvir isso das pessoas, que sou frio e insensível.

-Eu... Eu... Gosto de... Você como você é...

Kamus sentiu suas bochechas queimarem. O mesmo acontecia com Anisah. Levantou-se bruscamente. Não podia deixar aquilo ir para frente, de jeito nenhum.

-Obri... Obrigado por me ouvir.

Ele já estava quase atravessando a rua quando Anisah gritou.

-Espere!

O francês olhou para trás e contemplou a garota que estava chamando por ele. Pela primeira vez ele prestou atenção em seus detalhes.

-Se você quiser, eu não toco mais no assunto, Kamus. Quando você precisar de alguém pra desabafar, apenas me procure.

Ele não respondeu nada. Apenas a olhou pensativo. Porém, permitiu que ela caminhasse ao seu lado enquanto entrava no colégio.

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Miro estava impecavelmente vestido naquela manhã. Passou na classe, deixou o material e desceu com um saquinho na mão, que continha a jaqueta roubada de Mu. Bateu na porta da orientação. Calíope abriu a porta e sorriu ao ver o garoto. Miro foi ao delírio. Os cabelos presos em um coque alto e uns fios de cabelos soltos causavam-lhe arrepios em sua espinha.

-Bom dia, Calíope.

-Bom dia, Miro. Tudo bem?

-Sim, e você?

-Bem... Um pouco cansada, mas bem. Aquela sua recomendação sobre relaxar me fez bem.

"Dá próxima vez, você vai relaxar comigo..."

-Que bom. Eu vim aqui, pois consegui algo muito importante.

-Diga logo, estou curiosa!

-Consegui a jaqueta do Mu. Está aqui.

-Mas já? Nossa, achei que fosse demorar mais! Obrigada! – Calíope deu um beijo estalado no rosto do grego.

Miro que já conhecia aquela sensação, se deixou levar às alturas, mas foi interrompido por alguém que batia na porta.

-Com licença... Bom dia, Calíope, bom dia... Miro.

-Olá, Aristóteles, entre!

-Bom, eu já vou indo, o sinal está para bater. Dê uma olhada depois, senhorita Calíope. Até mais professor.

Miro saiu sorrindo e fechando a porta.

-Calíope, esse garoto vive aqui. O que queria agora?

-Ele veio me trazer uma das provas do crime do roubo.

-Ele te ajuda porque gosta de você. Por que você não aceita isso?

-Arís... Está ficando com ciúmes de um garoto de 17 anos? Por favor!

-Calíope, primeiro ele fica aqui o tempo todo, em segundo lugar te trás o almoço que ELE mesmo fez, te convida pra sair, te dá uma caixa de bombons e agora aparece com provas do crime? É claro que está apaixonado por você!

-Aristóteles, como eu adoro que você sinta ciúmes de mim!

-Estou falando sério, dê um basta nisso.

-O ano está acabando, ele nem se declarou e você comeu os bombons e adorou.

-Pelo menos, ele tem muito bom gosto.

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-Como estão as coisas, Mu?

-Ela ainda não terminou com ele, Aldebaran. A cada dia que passa, fico mais preocupado.

-Cara... Acelere as coisas...

O professor Pitágoras entrou na sala carregado de pastas. Shaka que estava na porta, ajudou o professor com o que carregava e colocou em cima da mesa o material. A aula começou.

-Como já sabemos, a Geometria está apoiada sobre alguns postulados, axiomas, definições e teoremas, sendo que essas definições e postulados são usados para demonstrar a validade de cada teorema. Alguns desses objetos são aceitos sem demonstração, isto é, você deve aceitar tais conceitos porque os mesmos parecem funcionar na prática...

-Eu não posso acelerar sozinho, Aldebaran.

-Mas tem que fazer pressão, Mu! Senão, vai ficar nessa até quando?

-Aldebaran e Mu, sobre o que eu estava falando agora? – Pitágoras os olhava muito bravo.

-Sobre a Geometria... – Respondeu Aldebaran.

-O que é um Polígono Convexo, Mu?

-É um polígono construído de modo que os prolongamentos dos lados nunca ficarão no interior da figura original.

Pitágoras os olhou novamente, mas com desdém.

-Está correto. Mas parem de conversar. Vão atrapalhar os outros.

A aula se seguiu normalmente. Todos em silêncio, anotando tudo.

No intervalo, Shaka saiu junto de Aioria da sala.

-Já falou com a sua russa?

-Na saída. Olha – Shaka tirou um pacotinho do bolso – Eu comprei pra ela um par de brincos. Assim ela vai ter certeza de que eu gosto dela.

-Eu não acredito que você tomou essa atitude sozinho, cara!

-Na verdade, eu liguei para a minha tutora na Índia e expliquei a situação, foi ela que me aconselhou.

-Sabia que você não faria isso sozinho... Bom, então, dê o presente e a convide para sair.

-O presente eu darei no domingo, após ela comer o doce que ela quiser. Pois eu vou pagar tudo.

-Minha nossa, Shaka...

-Eu pensei muito no que você me disse, Aioria, e eu decidi que não preciso ter nenhum complexo de inferioridade, afinal, sou bonito, inteligente. Apenas não tenho dinheiro. Mas a minha tutora disse que sou tudo isso e eu acredito nela.

-É, Shaka, é muito bom ouvir isso de você.

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O intervalo terminou e todos voltaram para a sala de aula. Quando Mu chegou em sua mesa, encontrou um pequeno papel dobrado próximo do estojo.

"Mu, preciso falar com você, preciso te ver, te sentir... Me encontre no jardim central do colégio logo após a aula. Beijos da Kia"

-Olhe Aldebaran, acho que vai surgir a oportunidade de conversar com ela sobre tudo.

-Aproveite isso.

Kia também tinha recebido um bilhete. Mas ao contrário de Mu, não mostrou a ninguém.

"Kia, precisamos nos acertar. Precisamos colocar nossos sentimentos em primeiro lugar e esquecer dos outros. Me encontre após a aula no jardim central, para podermos por em prática tudo o que sentimos um pelo outro. Beijos apaixonados, Mu".

A garota sorriu e beijou o pequeno papel.

Kanon e Máscara da Morte observavam os dois das últimas carteiras. O olhar de fascínio pela idéia de Miro ter dado certo era fantástico.

O sinal bateu dando por encerrado os estudos naquele dia. Saga se aproximou da namorada e quis acompanhá-la até sua casa.

-Eu preciso ficar aqui por causa da minha irmã, ela sai um pouco mais tarde hoje. Combinou de conversar com o Kamus, querido. Pode ir sem mim.

-Então mais tarde eu te ligo, minha adorada.

Ele deu um beijo de despedida e tomou o caminho inverso da namorada.

Mu se despediu de Aldebaran e seguiu para o jardim central, atrás de Kia.

Saga já estava quase descendo as escadas da saída do colégio quando a dupla dinâmica o abordou.

-Ué, B1, onde está sua namorada? Ainda está com cólica?

-Não, Kanon. Ela vai esperar a Anisah, disse que ela ia esperar o Kamus para conversar.

-Que gozado... Olha a Anisah ali na saída... – Apontou Máscara da Morte.

-Você não acha isso tudo muito estranho, irmãozinho?

-O que vocês ganham com tudo isso? – Saga começou a se irritar.

-Olha só, Kanon, o Aldebaran está sem o Mu. Onde será que a vaquinha está?

-Ixi... Será que tem alguma coisa a ver, Mask?

-Como vocês dois são invejosos! Se vocês não conseguem manter um relacionamento estável, não deveriam encher o saco de quem consegue!

-Aioros! – Gritou Kanon, ignorando o comentário do irmão – Por acaso você viu a Kia?

-Ae, Kanon! Então, acabei de vê-la, acho que estava indo para o jardim central, estava seguindo o caminho, pelo menos!

-Valeu cara.

-De nada. Saga, precisamos reunir de novo toda a turma pra estudar grego, né?

Saga não respondeu. Começou a realmente achar aquela história muito estranha. Não gostaria nem um pouco de ter que dar o braço a torcer para o irmão.

-Se quiser, eu vou com você, irmão, atrás da sua namorada...

-Eu vou embora. – Disse Máscara da Morte – Boa sorte pra vocês.

-Então, vamos, Kanon. Quero ver mesmo se você tem razão por desconfiar tanto assim desses dois.

-Será uma honra, maninho.

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-Não acredito que você resolveu dar atenção aos seus sentimentos, Mu! – Kia correu e deu um abraço muito forte no rapaz.

-Se acalme, não é bem assim, acho que nós precisamos conversar antes de tudo.

-Eu não quero conversar! Quero que você assuma que gosta de mim! Você não precisava...

-Kia, eu acho que você deve terminar com Saga. Quando você terminar a gente fica junto. Mas tem de ser escondido.

-Por que escondido?

-Porque é uma situação muito chata para nós dois. Não quero perder a amizade de ninguém e vai ficar muito chato pra você, imagine, namorava um amigo meu, vão pensar coisas ruins de você...

-É, Mu. Nesse caso você tem toda a razão...

-Então, termina com ele e nós ficamos juntos. Eu te juro isso, mas termina com ele...

-Não sei como vou terminar com ele...

-Você vai saber dar um jeito nisso. Eu sei que você é ótima atriz.

Enquanto os dois conversavam, os gêmeos chegaram bem próximos do local onde o casal traidor conversava.

-Ora! Você tinha razão! – Saga começou a se enervar.

-Espere! – Kanon segurou o irmão – Vamos ficar aqui observando, antes de atacar.

Os dois permaneciam atrás de uma das árvores. Quando Saga parou de observar e olhou para o chão pensativo, Kanon viu com seus próprios olhos o beijo que a árabe deu no tibetano, sem se importar se tinha alguém os vendo. A reação de Kanon foi tão espantosa, que Saga teve que ver também. Diferentemente do que o seu irmão gêmeo pensava, Saga permaneceu imóvel, sem qualquer tipo de reação.

-Saga? Você está bem?

Saga não respondia.

-Você está me ouvindo?

O casal se separou. Kia tomou a direção para a saída e Mu tomou a direção para o banheiro.

-Kanon, vamos atrás do Mu.

Eles esperaram a garota passar por eles e depois seguiram o tibetano.

-Quando eu entrar no banheiro, você diz a todos que está interditado. – Saga dizia isso em tom enérgico.

-Sim, pode deixar. – O sorriso de Kanon era triunfante.

Chegaram na porta. Saga respirou fundo e entrou no local.

Mu estava lavando as mãos, cantarolando. Quando se virou para pegar o papel para se enxugar, deu de cara com Saga. Seu olhar era de poucos amigos e queimava de ódio.

Kanon não pensou duas vezes. Trancou a porta por dentro. Precisava ver aquela cena. E de camarote.

Mu encarava Saga em silêncio. O grego foi se aproximando do rapaz, lentamente, com os punhos cerrados.

-Então, Mu, há quanto tempo você se diverte nas minhas costas?

-Saga... Er... Não sei... Nã-não... Não sei do... Que vo-você está fa-falando...

-Olha só, que engraçado, se não sabe, por que está gaguejando tanto?

-Vo-você... Co-com... Esse o-olhar...

-É o meu olhar de sempre. De lunático, de... Mentiroso, não é?

O tibetano dava passos para trás encarando o amigo. Depois olhou pra Kanon. Estava com seu sorriso sarcástico de sempre. Acenou para ele de forma carinhosa.

Saga não pensou duas vezes. Partiu para cima de Mu sem dó. Começou a socá-lo sem piedade. Entre um soco e outro, Mu tentava dizer:

-Foi a Kia que veio pra cima de mim!

Mas ele parecia não escutar nada. A raiva era tanta que Kanon podia jurar que a cor dos cabelos de Saga tinham mudado do azul para o cinza rapidamente. Socava Mu sem se importar com o sangue que escorria da boca do colega. Quando o tibetano não tinha mais força alguma para se levantar, Saga começou a chutá-lo.

Mu desmaiou.

Mesmo desmaiado, Saga continuava chutando o seu colega de classe.

"Zeus, o Saga vai matar o Mu, preciso fazer alguma coisa!"

-Saga, pára! Pára! – Kanon agarrou o irmão com tudo – Você vai matar o cara! Chega!

Aos poucos a respiração de Saga voltou ao normal e ele pareceu acordar daquele estado de transe. Quando viu a poça de sangue ao lado de Mu e olhou para a sua camiseta, também ensopada, entrou em desespero.

-Kanon! E agora? Caramba!

-Calma! A gente não pode ser visto! Vou ver se a barra tá limpa. – Kanon destrancou a porta do banheiro e viu que não havia ninguém vindo – Toma, veste a minha blusa de frio pra ninguém ver o sangue na sua camiseta e vamos embora daqui logo!

Saga vestiu a blusa de frio e os dois saíram do banheiro sem serem vistos.

Mu ficou no chão. Completamente desacordado.

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-Já são quase duas da tarde e o Mu ainda não voltou...

-Voltou da onde, Aldebaran?

-Ai Dohko, eu estou preocupado com o nosso colega do Tibet...

-Afinal, você sabe o que está acontecendo? Estão todos muito estranhos desde aquela festa...

-Você não viria comigo procurá-lo, sem fazer perguntas?

-Mas é claro.

Aldebaran caminhava preocupado. Tinha visto Kia sair. Não era para Mu estar demorando daquela maneira. Dohko apenas o acompanhava, cumprindo sua promessa de manter-se calado.

Foram até o jardim e nada do garoto.

-Onde será que ele está?

-Quem sabe na quadra, Aldebaran...

Foram até lá e nada de novo.

-Na classe ele não estaria, né?

-Não, veja, Dohko, está tudo apagado.

-Então, não sei onde ele poderia estar, amigo.

-Talvez no banheiro?

-É, não custa tentar...

Os dois, novamente, se puseram a andar nos corredores, em silêncio. Aldebaran dava graças por Dohko ser tão discreto. Abriram a porta. O brasileiro quase teve um surto ao ver Mu no chão, com o rosto todo inchado e coberto de sangue. Dohko ficou imóvel.

-Mu! – Aldebaran chacoalhava o corpo do garoto desacordado – Você está me ouvindo?

-Aldebaran, é melhor chamar uma ambulância! Eu vou correndo na enfermaria.

-Vai logo, Dohko!

-Não mexa nele! Ele pode ter quebrado alguma coisa!

-Tudo bem, vai logo, por favor!

Dohko correu para a enfermaria e em menos de 5 minutos estava junto da enfermeira, vendo o estado de Mu.

-Vou chamar a ambulância.

Enquanto ela corria e telefonava para o hospital mais próximo, Mu finalmente abriu os olhos. Tentou falar alguma coisa, mas Aldebaran pediu para que ficasse em silêncio.

-Descanse, não precisa explicar. Depois você conta.

Mu fechou os olhos novamente.

Dohko só os observava sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo. O resgate chegou e os dois garotos resolveram acompanhar o amigo até o hospital. Enquanto ficaram esperando, o brasileiro sentiu necessidade de se explicar para Dohko.

-É melhor eu te contar o que está havendo...

-Aldebaran, não se preocupe. Se não quiser falar, eu entendo. Não sou tão ligado ao Mu como você. Eu realmente entendo.

-Vai ser bom desabafar. E sei que você é de confiança.

Aldebaran relatou todos os acontecimentos, da mesma forma que Mu contou. No final, Dohko estava de boca aberta.

-Então, a Lígea tinha razão...

-A Lígea sabe dessa história?

-Não, mas ela desconfiava da Kia. Nossa, e eu ainda fiquei falando que era coisa da cabeça dela!

-Não fique se torturando por isso. Ninguém sabia... Até agora...

-Aldebaran, e quem você acha que bateu no Mu desse jeito? Acidente não foi...

-Eu acho que foram aqueles dois. Como tenho raiva daqueles dois!

-Mas o que o Máscara da Morte e o Kanon teriam a ver com isso?

-Dohko, os dois aproveitam qualquer situação pra fazer baderna.

-Eu já acho que é coisa do Saga mesmo...

-O Saga jamais faria uma coisa dessas! Ele sabe conversar, ele é civilizado!

-Se você pegasse sua namorada te traindo com um dos seus melhores amigos, qual seria sua reação?

-Não importa! – Aldebaran disse em tom ríspido – Eu disse para o Mu que ele ia se danar com essa história!

-Boa tarde – Um médico se aproximou dos dois rapazes – Vocês é que estão acompanhando o rapaz de cabelos cor lilás, chamado Mu?

-Sim, somos nós. – Respondeu Aldebaran aflito.

-Ele está bem?

-Ele fraturou duas costelas, teve uma luxação no braço esquerdo e por pouco não perdeu todos os dentes de sua boca.

Os dois amigos trocaram olhares horrorizados.

-Mas vocês podem vê-lo agora. Quarto 112.

-Obrigado. – Os dois responderam e foram até o quarto.

Mu estava deitado na cama, ligado ao soro, com um ar de cansaço nos olhos. Sorriu ao ver os dois amigos ali.

-Você está bem? – Perguntou Dohko com a voz preocupada.

-Na medida do possível...

-Ai, Mu, agradeça por estar respirando!

-Aldebaran, você pode poupar qualquer esporro por hora, eu já estou bem quebrado...

-Mas é verdade! Eu te avisei!

Mu revirou os olhos. Que amigo teimoso ele tinha.

-Quem fez isso com você, Mu?

-Foi o Saga, Dohko... Você já sabe o por quê?

-O Aldebaran me contou agora pouco.

-O SAGA! Mas, ele descobriu?

-É, não sei como, ele não explicou, ele só me bateu.

-Mas o Saga é tão bondoso e pacífico.

-É, eu vi mesmo, Dohko.

-Minha nossa! Isso vai dar um tremendo escândalo!

-Pois é... Mas também, a Kia não era nada discreta... Agora todos já devem estar sabendo... Como você disse, Aldebaran, eu vou me dar mal duplamente. Diria triplamente, pois eu já estou acabado...

-Nós vamos dar um jeito nisso, Mu.

-O melhor mesmo, Dohko, era eu voltar pro Tibet... Vou ligar pra casa quando eu sair do hospital.

-De jeito nenhum! Você vai encarar isso de frente, como homem, Mu! – Aldebaran disse com firmeza.

-Encare você então. O pior é que se eu ainda tivesse ido atrás dela, pra ficar com ela, até justificaria a surra, mas foi ela que provocou...

-Mu, você sabe que está errado, não sabe?

-Sei, Dohko. Sei sim...

-Já é um bom começo...

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Saga chegou em casa completamente desconsolado. Não abriu a boca durante o caminho. Kanon até estranhou. Foi correndo para o seu quarto e se trancou. De fora, o irmão gêmeo só ouvia os gemidos que ecoavam lá de dentro.

Pegou o telefone e na mesma hora ligou para Máscara da Morte. A ligação chamava e demorou para ser atendida. Quando Kanon já ia desligar, ouviu o "Alô" desesperado do amigo.

-Por que demorou tanto pra atender, Mask?

-Eu não achava o telefone! Minha casa está uma zona!

-Minha nossa! Então a coisa aí deve estar bem grave, hein!

-Pois é, mas e aí?

-E aí que meu irmão des-tru-iu a vaquinha!

-Ele bateu nele?

-Mask, ele quase o matou! Sem exagero. Agora ele deve estar no hospital. Eu disse que o Saga fazia estrago quando ficava nervoso.

-Putz! E eu perdi! E a cadela? Ele já falou com ela?

-Não. Está no quarto dele, chorando. Mas acho que amanhã ele vai saber o que fazer.

-Eu sinceramente não queria ser a Kia agora...

-Nem eu.

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Calíope chegou em sua casa, colocou o jantar no fogo, preparou a mesa e tomou um banho. Enquanto enxugava seus cabelos, pensava no que Aristóteles tinha lhe dito sobre Miro estar apaixonado por ela. Riu sozinha ao se lembrar dos momentos que passou ao lado do rapaz.

"Sabe, Calíope, se o Miro não tivesse a idade dele, talvez você pudesse de repente tirar uma casquinha dele. Apesar de que aquele belo par de olhos azuis são fascinantes..."

Jantou e sentou para ver um pouco de televisão. Ligou no jornal da noite. Só tragédias. Isso fez com que ela se lembrasse da sacola que Miro tinha entregado.

Correu para a sala em busca do conteúdo. Tirou do saquinho e deixou em cima da mesa. Correu de volta para buscar o pedaço do tecido para comparar com a jaqueta. Voltou para a sala animada. Poderia finalmente colocar alguém na parede com aquela prova.

-Humm... Vamos ver... – Calíope colocou o tecido em cima da blusa e ficou espantada. Não podia acreditar.

Até foi correndo buscar um abajour de seu escritório para ver melhor aquilo.

-O culpado... Não foi o Mu!

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E então... Por favor, não queiram me matar! Eu tive ajuda de um amigo meu, Davi, para escrever esse capítulo. Isso foi meio "inspirado" numa situação que aconteceu comigo, na época da escola... E só para deixar claro, eu adoro o Mu. Não fiquem com raiva... Certo? Mas pelo menos, o Saga não ficou parado. O nome do capítulo foi um trocadilho que meu outro amigo, Rada, fez quando leu sobre o envolvimento Kia e Mu. Aguardemos então, o que acontecerá com a Kia. Beijão pessoal!