Capitulo 25

Virgínia tentou se controlar, mas era impossível. As lágrimas caiam sem controle, o corpo tremia enquanto tentava abafar os gemidos que sua garganta insistia em fazer. Mal lembrava a última vez em que foi tomada pelo descontrole, tudo que sabia era que o fim estava começando. E aquilo doía.

As poções finalmente ficaram prontas, ambas ocupando pequenos frascos encima do balcão. As três semanas maravilhosas que tivera ao lado de Draco chegaram ao fim. Não havia mais como fugir da realidade. Tinha adorado ficar com ele, ser a Gin que sempre quisera ser, uma garota sem problemas que apenas se divertia com seu amor... Mas estava na hora de continuar, voltar a ser a garota fria, sem coração que ia até o fim de uma missão.

Com violência ela secou as lágrimas que molhavam seu rosto. Seus olhos percorrendo a cicatriz em sua mão. Um lembrete da promessa que havia feito ao sonserino. Motivando-a a continuar. Ela não agüentava mais se lamentar então se levantou. Respirando fundo antes de deixar a sala e ir até o quarto que passara a dividir com o sonserino.

Draco dormia profundamente, o corpo de lado, a mão depositada onde Virgínia dormia algumas horas atrás. Suavemente ela se sentou na cama, passando a mão no rosto dele. Mordendo a própria boca para não chorar. Draco havia mudado tanto! Ela já não conseguia ver o sonserino que conheceu nos seus primeiros anos em Hogwarts, ela já não via um menino, mas um homem, que a fazia rir, amar, sonhar... Ela já não via deboche ou maldade nas falas do sonserino, o sorriso que ele lhe dava era sempre verdadeiro e repleto de amor. Sabia que havia mais, mais a crescer, mais a aprender, não sabia se estaria lá, mas daria tudo para que ele tivesse esse futuro.

Como se soubesse que sua pequena sofria Draco abriu os olhos, encarando o rosto a sua frente. O rosto banhado pelas lágrimas o alarmou, sem uma palavra ele a trouxe para si, envolvendo-a em um abraço apertado. Draco sentia o corpo dela tremer, as lágrimas pingarem em seu peito. Enquanto afagava os cabelos ruivos ele fechou os olhos, impedindo que as próprias lagrimas se manifestassem, doía demais vê-la assim.

- Não chore meu amor... – Draco falou após vários minutos a abraçando em silêncio, seu coração apertado ao vê-la tão triste. – Por favor....

Gina afastou o rosto do peito molhado, Draco então acariciou sua face com o polegar e passou a beijar cada lágrima que ainda estava ali, terminando ao beijar cada pálpebra, os olhos preocupados encarando em seguida os olhos chocolate, ainda mareados pelo choro.

- O que aconteceu?

- Hoje é véspera de natal... – Virgínia gemeu.

- Deveria ser um dia feliz não? – Perguntou tomando o rosto dela nas mãos. Fazendo-a fechar os olhos como se estivesse memorizando seu toque.

- Não hoje... – Gemeu. – Pode me beijar?

- E precisa pedir? – Respondeu exasperado.

Virgínia então se aproximou e o sonserino a envolveu pela cintura, beijando com suavidade a boca rosada. O toque suave avançou para leves mordiscadas, tirando suspiros de ambos à medida que o beijo se intensificava. Vendo que ambos estavam a beira de perder os fôlegos Draco retirou a língua que adorava explorar a boca macia e afastou o rosto, ambos ofegantes. Por um segundo os olhos castanhos brilharam de alegria mas rapidamente ficaram opacos novamente, alarmando ainda mais o sonserino.

- Porque não me conta o que aconteceu? – Insistiu.

- Você precisa voltar pra Hogwarts... – Virgínia falou fechando os olhos para não ver o espanto na face dele.

- Como assim? – o espanto deu lugar ao pânico. – Eu voltar pra Hogwarts? E você?

- Me perdoe... – Gemeu, a voz suplicante. Gina sabia que não agüentaria conversar com ele, seu peito se apertava cada vez mais. – Petrificus Totalus... - O choque estava estampado no rosto dele quando Virgínia o encarou. A descrença era evidente. Com cuidado ela fez o corpo preso se deitar antes de colocar um pequeno anel na mão do sonserino. – É uma chave de portal... Vai te levar para a Floresta Negra, volte para Hogwarts ok? Lembra-se do Voto Perpetuo que eu fiz? Eu tenho que te proteger ou irei morrer... se você sair de Hogwarts vai estar declarando minha morte, lembre-se disso... – Virgínia mordeu o nó do seu indicador antes de se inclinar e beijar os lábios estáticos. – Não me odeie... eu te amo demais... -Suspirando ela se afastou, em suas mãos a varinha do sonserino. Ela observou-o ate a chave ser ativada e ele desaparecer. Levando seu coração com ele.

- OK, Virgínia. Agora é hora de agir... Não se atreva a ficar se lamentando... – Com a mão espalmada ela limpou o rosto, o coração ficando anestesiado enquanto se focava em seu objetivo maior.

Decidida, ela voltou para o quarto. Encarando a poção prata por vários segundos antes de se mexer. Com cuidado ela pegou a poção e a levou até o banheiro, colocando-a na pia antes de encarar o próprio reflexo. Irritada pela imagem fraca que se refletia ela jogou água fria no rosto, adorando a sensação fria que retirava aos poucos os vestígios do choro.

Sabia que ao beber a poção seu tempo estaria correndo então ao invés de bebê-la ela voltou para o quarto que dividira com o sonserino. Não sabia se teria uma nova oportunidade de falar então escreveu tudo o que queria. Demorara, mas estava satisfeita com suas palavras. A coruja de Nicholas, uma ave de tom caramelo, estava empoleirada na janela, o olhar entediado demonstrando que já estava cansada de esperar. Tentando subornar a ave Virgínia lhe deu uma porção de sementes de girassol, recebendo piados altos de alegria.

- Boa menina, Pack... – Acariciou o bico da ave enquanto amarrava o pergaminho em sua pata. – Pode levar isso a Dumbledore? Só a ele, tudo bem?

Virginia observou melancólica a ave sumir entre as árvores.

Não havendo mais nada a fazer ela voltou ao banheiro, retirando suas roupas para pegar a poção ao mesmo tempo em que criava coragem para bebê-la. O líquido pastoso tinha gosto de cera e ela quase o vomitou ao terminar de beber. O gosto ruim foi rapidamente esquecido, com um estrondo vindo do próprio corpo Virgínia, ela foi derrubada ao chão, a boca apertou-se enquanto tentava se controlar mas foi em vão. Durante vários minutos ela apenas gritou, a dor excruciante parecia que ia matá-la, levando-a a picos de delírios.

Sem fôlego, quando suas forças já se esgotavam a dor foi diminuindo. A visão antes focada no teto se turvou enquanto sua mente era bombardeada com memórias.

Viu Draco se olhando no espelho, não mais que cinco anos de idade, parecia estar imitando o pai em suas poses aristocráticas. A mãe chegando, colocando-o pra dormir, amorosa. Inúmeras vezes Draco fora acordado no meio da madrugada, acompanhando o pai até o porão e observando-o torturar pessoas inocentes, ou atrás de informações.

Lucius Malfoy era um mostro, até obrigara o filho uma vez a torturar alguém em uma máquina com água. Tudo para corromper aquele que ele chamava de filho com tanta frieza. O começo de Hogwarts, os conselhos para não se meter com impuros, a ordem de atormentar qualquer Weasley presente em Hogwarts. O deboche ao se referir a Harry Potter...

Ninguém parecia perceber, mas era óbvio o desdém e a descrença dos professores em relação a Draco Malfoy, o futuro Comensal como o próprio escutara Minerva McGonagall dizer. A forma como Harry Potter sempre parecia ser bem sucedido, mesmo sem fazer nada enquanto do outro lado só havia sobras e comentários sobre a influência de Lucius Malfoy em tudo.

Algumas garotas povoavam a história, alguns beijos, sussurros entediados do sonserino. Era um choque constatar que todas as histórias terminavam ali, em beijos. O sonserino nunca chegara ao final com uma garota, nunca se interessou por nenhuma aquele ponto.

Então veio a solidão, inveja, amargura, impotência por não pode fazer nada. Sentimentos que persistiram por tanto tempo pareciam evaporar quando Virgínia viu a própria imagem, Draco a observando sem ela notar. O olhar intrigado, perguntando-se o que acontecia com a garota. A curiosidade virou preocupação enquanto o sonserino cuidava dela após ter salvado Krum e se ferido. O primeiro beijo. O coração dele batera tão forte que o assustara. Então veio o Voto Perpétuo. O coração antes aflito parecia que ia explodir de alegria. Foi quando o sonserino quis fazer amor com ela, demonstrar com gestos e toques o quando ela era importante.

Então veio a última lembrança colhida. Draco entrando sorrateiramente em seu quarto, deitando-se ao seu lado. Observando-a dormir tranquilamente. As imagens que vieram já não eram mais lembranças, mas o sonserino sonhando acordado enquanto a olhava dormir. Ele via o futuro, via-a em um jardim, o sorriso iluminado enquanto fazia sinal para ele se aproximar. Em sua mão um anel brilhava, em seus braços um bebê ria enquanto o casal se beijava...

Virgínia resfolegou ao voltar a encarar o teto do banheiro onde estava deitada. Com dificuldade se sentou, ainda sentindo o coração acelerado. Sentia-se culpada depois que terminou, não sentia-se no direito de saber tanto sobre ele. Ainda fraca ela se levantou, enroscando sem querer os dedos nos longos cabelos que a atrapalhavam. Desajeitada os tirou do rosto, tomando uma pequena porção entre os dedos e encarando os fios platinados, seu coração parecia que ia se romper novamente.

- Se eu soubesse que doeria tanto teria tomado a poção na cama... – A voz grave e rouca não era sua.

Já sabendo o que encontraria ela encarou seu reflexo no espelho. Os olhos acinzentados a encaravam sérios. Virginia pensou em Lucius e um sorriso torto e maldoso automaticamente despontou na boca séria do sonserino. Com pressa ela juntou as roupas no chão e caminhou de volta para o quarto, pegando apressada a primeira roupa da gaveta e a vestindo. Nada era agradável o frio que sentia entre as pernas.

- Homens são estranhos... – Tossiu, tentando achar a entonação certa.

Havia uma roupa sua ao lado da cama e Virgínia olhou criticamente para a peça velha que tanto gostara. Riu divertida. A personalidade do sonserino estava enraizada em seu ser agora.

Seu tempo era curto então com uma última olhada no espelho ela aparatou pela primeira vez na Mansão Malfoy. Nunca estivera lá, mas graças às memórias de Draco ela sentia como se houvesse morado ali toda sua vida.

- Mestre Malfoy!!!! – Um elfo doméstico veio correndo e tropeçando. Os olhos bem abertos como se estivesse visto um fantasma.

- Shipsy! – A voz cortante fez o animal parar sua corrida, os olhos brilhando de medo enquanto encaravam os olhos frios do outro. – Me leve até meu pai, agora.

oOoOo

- Meus amores... – Molly abraçou com carinho Hermione e Alicia. – Muito obrigada por ficarem no castelo fazendo companhia para a gente... Não imaginava que fosse capaz de viver um natal tão triste...

- Vai ver que vai dar tudo certo... – Hermione consolava a senhora. – Vamos fazer desse natal um bom natal, vai ver...

Todos se encontravam no salão principal almoçando enquanto aguardavam notícias que não vinham. Alguns alunos de outras casas não viajaram de volta pra suas casas e observam sempre curiosos tantos Weasley's e cochichos pelos cantos.

Depois que a senhora Weasley voltou para seu prato Hermione e Alicia sentaram-se em um canto mais afastado, podendo conversar em voz baixa.

- Acho que já reviramos toda a área restrita da biblioteca... – Alicia gemeu. – Nada... nada ao quadrado!

- Não podemos desistir... – Hermione gemeu também. – Eu estou com um mau pressentimento...

- Eu também...

Ambas começaram a comer em silêncio, cada uma perdida nos próprios pensamentos. O silêncio do ambiente foi quebrado por uma coruja branca entrando com tudo pela janela. Richard reconheceu sua coruja e assobiou para ela se aproximar. Todos ali passaram a observam com mais atenção à cena no momento em que a coruja o ignorou, indo pousar em frente a Alicia e Hermione, piando para que a carta fosse retirada de sua pata.

Com um sorriso amarelo Alicia retirou a carta do animal, que saiu em disparada por onde havia entrado.

-Vira-casaca... – Richard resmungou, Nicholas não resistiu e abafou o riso.

- É do meu namorado... – Alicia respondeu para os curiosos. – Saiu quando as férias começaram, Bart Simpson, conhecem?

- Vamos ler lá fora... Coisas de garota... – Hermione tentou emendar arrastando alicia para fora do salão. – Bart Simpson??

- Foi o primeiro nome que apareceu!

- Harry viveu como trouxa até os onze! Ele não vai cair nessa... – Hermione gemeu. – E então, a coruja obviamente é do professor, você viu o choque dele quando ela o ignorou? A carta é da Gin?

- Eu vou ler... – Com os dedos trêmulos Alicia rasgou e passou rapidamente os olhos pelo envelope, o rosto moreno rapidamente ficando pálido.

- E então? – Hermione tomou o envelope e leu o que estava escrito.

"Ola... Hermione ou Alicia, imagino que estão juntas né?

Gostaria de pedir um favor... agora não tenho tempo para explicar, apenas imploro que confiem em mim... Eu mandei Draco de volta para Hogwarts, ele deve estar na Floresta Negra agora... fiquem com ele... mesmo que ele resmungue e xingue... e por favor, não o deixem sair de Hogwarts...

Com carinho, Gi."

- E agora? – Alicia perguntou incerta.

- VAMOS ACABAR COM A RAÇA DAQUELA FUINHA! – Fred e Jorge abriram a porta, puxando de volta as Orelhas Extensíveis. Hermione e Alicia olharam em pânico as cabeças ruivas se aproximarem. – Malfoy esta na Floresta Negra!! Vamos!!

Tudo que Alicia e Hermione puderam fazer foi sair do caminho enquanto todos os Weasley corriam para fora do castelo, Harry Potter na frente com os gêmeos.

- Avisem Dumbledore! – Nicholas ordenou ao passar por elas, Richard logo atrás. Ambos com a varinha em punho.

oOoOo

- Eu já disse que pode me colocar no chão! – Draco não agüentou mais ser carregado e sacudido pelo centauro. Irritado ele se mexeu até a criatura colocá-lo no chão. Muita força de vontade o impediu de gemer de dor pelo tornozelo quebrado.

- Gostaria de mais gratidão... – Firenze o repreendeu. O centauro fechou os olhos e farejou o ar, um suspiro longo escapando de seus lábios antes de se virar. – Vocês humanos que se entendam... vou voltar para minha comemoração....

O animal saiu em disparada e o sonserino suspirou aliviado. Um pedaço de maneira se tornou seu apoio enquanto voltava para o castelo aos tropeços devido ao pé machucado. Não agüentando mais a dor ele se sentou, afundando o pé machucado na neve, agradecendo pela dormência que retirava um pouco da dor.

Estava para começar seus lamentos por tudo estar desabando a sua volta quando escutou movimento de pessoas correndo, o número era grande e seu coração palpitou ao sentir o perigo.

- Eu já pedi calma! – A voz conhecida do professor de Defesa Contra as Artes das Trevas se fez ouvir e Draco respirou aliviado.

- Professor! – Gritou na direção, atraindo os passos que achou serem sua salvação.

- Não façam isso!!! – Richard gritou incapaz de deter os sete feitiços estuporantes que atingiram o sonserino.

oOoOo

- Silêncio! – A voz potente do diretor soou, calando todos os presentes que resmungavam e discutiam o que iriam fazer, tornando a Ala Hospitalar de Hogwarts uma verdadeira bagunça. – E então Poppy, como esta o jovem Malfoy?

- Ele vai ficar bem diretor Dumbledore... – A enfermeira assegurou. – Apenas um tornozelo quebrado e um ombro deslocado. Já coloquei tudo no lugar, agora ele esta apenas descansando.

- Precisamos acordá-lo! – Molly se manifestou aflita. – Ele precisa dizer o que fez com minha filhinha!

- Molly... – O tom de Dumbledore era reprovador. – Vamos acordá-lo sim... mas para conversar, não para acusá-lo de ter feito algo...

- Espero que todos aqui comecem a agir como adultos racionais... – Nicholas barrou a entrada de todos os Weasleys e falou sério. – A última coisa que quero fazer é intervir...

- Meus meninos vão se comportar... – Arthur Weasley garantiu, o semblante culpado.

Draco dormia em uma maca no fim da ala. Dumbledore não queria que ele acordasse rodeado por cabeças ruivas por isso mandou que todos se afastassem enquanto se aproximava, sentando-se na beirada da cama antes de dar leves batidas no ombro do garoto, fazendo-o abrir os olhos após alguns segundos.

- Como vai? – Dumbledore o cumprimentou assim que ele abriu os olhos e focou o diretor.

- O que aconteceu? – Falou ainda desorientado.

- Você não se lembra? – O diretor instigou o jovem a pensar.

- Eu estava no paraíso... – Respondeu enquanto pensava. A memória voltando como uma bala. O rosto perdido dando lugar a uma máscara inexpressiva, o olhar seguindo para as pessoas distantes. – Então fui arrastado de volta para Hogwarts, sendo estuporado covardemente por esse bando de coelhos.

- Fuinha dos infernos! – Rony foi o primeiro a estourar, sendo segurado por seu irmão Carlinhos.

- Estou mentindo? – o sonserino provocou. – Os exemplos das virtudes atacam alguém que mau varinha tinha! No lugar de vocês eu estaria no mínimo envergonhado.

- Miserável! Como a Virgínia se envolveu com um cretino como você? - Fred esbravejou. Carlinhos então deu um safanão no irmão Gui, obrigando-o a conter os gêmeos.

- Se você acha que eu trato assim a irmã de vocês então vocês são mais doentes que meu pai. – Havia desprezo na voz fria. Os olhos seguiram para a senhora Weasley, o rosto vermelho pelas lágrimas o fez pensar em sua pequena e o sonserino resolveu ficar em silêncio ao invés de continuar comprando mais brigas.

- Chega de discussão. – A senhora Weasley pediu aos filhos, todos se calaram com a expressão doída da matriarca e ficaram em silêncio, apenas os olhos refletindo a raiva que sentiam. A senhora então caminhou até o lado do sonserino e tocou seu braço. Rony e Harry apenas esperaram o louro dar um safanão e se soltar da senhora que sempre repudiara, mas para a surpresa de ambos ele apenas a encarou, o rosto impassível. – Quero apenas saber da minha menina... onde ela está? Só preciso ter certeza que ela esta bem...

- Eu não sei onde ela está... – Respondeu friamente, porém a voz soando sincera. – Fomos usando uma chave-de-portal, eu voltei da mesma forma...

- E porque ela não veio com você? – Dumbledore perguntou.

- Eu não sei. – A voz fria soou falhada. O loiro por alguns segundos fechou os olhos enquanto tentava voltar a sua face passiva. – Ela apenas disse que eu precisava voltar pra Hogwarts. Depois de tudo... me petrificou para que eu não lutasse e colocou na minha mão uma chave-de-portal. Cai no meio de uma comemoração daqueles centauros imprestáveis e machuquei o pé, o resto foi obra desses Weasleys imp... – Voltou a se calar. – Ela estava bem. Triste mas bem...

- E por que? Por que Fugiram de Hogwarts? – Os olhos achocolatados da matriarca o encaravam.

- Porque... – O loiro torceu a boca ao ver que teria que falar na frente de todos ali. Seu dia não poderia ficar pior. - Ela disse que me ajudaria... ajudaria a não receber a Marca Negra como meu pai queria...

- Oh... – a senhora se contorceu desesperada. Um soluço escapando de sua garganta.

- Ela disse que o melhor seria sairmos de Hogwarts... eu confiei nela. – Finalizou.

- E aquela cena toda no salão principal? – Alicia manifestou o que todos os presentes naquele dia se perguntavam.

- Eu já fui acusado de muita coisa. – A resposta veio desdenhosa. – Não queria ser acusado de seqüestro. Queria que todos soubessem que se ela estava comigo era porque queria...

- Impossível. – Rony resmungou. – A...

- Chega Ronald! - Hermione o cortou. – Aceite de uma vez por todas que sua irmã está com Malfoy! Nada de feitiços ou encantos, ela simplesmente gosta dele!! É tão difícil entender?

- Não pedi que se metesse. – O loiro cortou seco.

- Mas a Gin pediu. – A morena respondeu, calando-o.

- Diretor? – Draco resolveu ignorar todos e voltar-se para o que era mais importante. – O senhor precisa fazer alguma coisa. Acho que ela vai fazer uma besteira...

- Que besteira? – O diretor falou.

- Acho que ela vai tentar destruir Voldemort. – Draco não conseguiu esconder o medo na própria voz.

Todos pareciam chocados. Richard e Nicholas apenas fecharam os olhos, ambos sentindo um aperto no peito, impotentes sem saber como agir. Arthur teve que amparar a esposa que ameaçava desfalecer.

- Mas é impossível... – Gemia. – Minha menina é só uma garota! Uma criança! Harry estaá dando tanto de si para destruir esse monstro! O que minha filha teria haver com isso??

- Não vêem que ele esta mentindo? – Harry se manifestou. – Tudo que ele fala não faz sentido! É ridículo um Malfoy estar com uma Weasley! Virgínia jamais se envolveria com essa cobra! Ele fez algo com ela, é só fazê-lo confessar!

- Já chega! – Richard impediu Harry de avançar sobre o sonserino, jogando-o contra a parede para tentar acalmá-lo. – Nada que Malfoy diz é mentira! Entenda!

- Não faz sentido! É ridículo ele dizer que a Ginny ira derrotar Voldemort! Ela não tem essa força! – O garoto falava em plena ira, mal notando as feições do professor se fecharem perigosamente. – Eu...

- Você o que, Potter?! – O professor gritou, calando-o. O garoto poderia não saber o que acontecia, mas depreciar os esforços de sua melhor aluna e amiga era o que o professor precisava para explodir. –Você vai derrotá-lo? Foi o que a profecia dizia? Acorde!! Você não é um herói! Você foi transformado em um herói! Não foi você que derrotou Voldemort a mais de quinze anos atrás! Foi a estupidez dele! Você era apenas um bebê. Você acha mesmo que seria capaz de derrotá-lo agora? Olhe-se no espelho! Você é apenas um garoto! Voldemort sabe inúmeros feitiços! Feitiços ruins, maldições! Ele é um bruxo adulto e vil, repleto de conhecimentos! Você nunca teve chances com ele! Apenas o orgulho dele que o fez ser obcecado por você! É ai que nossa Gin entra! Ele esta tão preocupado em te matar que mal percebe o verdadeiro perigo. Ela sim, ela sim é forte o bastante para encará-lo! Você verá! Ela sim será uma heroína! E VAI viver pra ver isso...

- Richard... – Dumbledore depositou a mão no ombro do Auror, fazendo-o voltar seus olhos mareados para o diretor. – Não cabe a nós falar...

- O que ele disse? – Harry perguntou chocado e confuso, o olhar cansado e abatido do diretor parecia confirmar cada palavra gritada.

- Dumbledore? – Molly chamou.

O diretor caminhou ate a janela, abrindo-a e deixando a brisa entrar.

- Acho que está na hora de lhes contar a verdade... – Uma coruja então pousou na janela. O piado dirigido ao seu dono que atirou uma semente para a ave agradecida. – Sempre soube que esse dia chegaria, e sempre disse a ela que não seria eu a contar. Vocês são as pessoas que ela mais ama, deveria ser ela a falar...

- É da Ginny? – Rony conseguiu achar voz para perguntar.

- Sim... – O diretor confirmou. – Peço que se sentem, irei lê-la.

Draco fechou os olhos, sabia as palavras que viriam. Seu medo estava naquelas que desconhecia.

"Então... não sei por onde começar... começo dizendo que os amo...

Os amo e por isso nunca lhes contei a verdade. Queria protegê-los... a verdade era ruim demais e não queria tirar o sorriso do rosto de ninguém já que esses sorrisos sempre foram minha motivação...

Mas o fim esta próximo, próximo demais e não seria justo eu mantê-los na escuridão. Por isso escrevo essa última carta, quero lhes contar a verdade.

E a verdade é que Virginia Mabelle Weasley nunca voltou da câmera secreta. Eu, aquilo que voltou, nunca chegou a ser aquela garota feliz e amiga de outrora. Eu carrego em mim uma parte de Riddle, uma parte que enraizou no meu espírito, se tornou parte de mim. Poderia dizer que se tornou uma dupla personalidade, mas não, seria mentira. A verdade é que essa parte que se juntou também se mesclou a minha personalidade, me transformou naquilo que sou hoje...

Não culpem o diretor Dumbledore por não ter contato antes. Não havia nada a ser dito. Com a ajuda dele conheci Richard e Nicholas, dois aurores que acima de mestres, se tornaram meus amigos. Ajudaram-me a focar minha força para uma meta, uma meta que muitos podiam julgar impossível, mas que sei que conseguirei.

Sempre tive a esperança de derrubar Voldemort e descobri que ele estava focado demais em Harry para saber o que eu fazia. Esse sempre foi meu trunfo. Perdoe-me Harry, sei que você sempre quis destruí-lo, lutar para vingar seus pais... mas não posso deixar. Você se tornou um irmão pra mim, também luto por você...

Não pensem que irei bater na porta daquele monstro e tentar destruí-lo, não, não é assim. Tenho um plano, demorou quatro anos para ficar pronto. Sei que vai dar certo... ganhei uma motivação maior ainda para fazer dar certo.

Sei o quando soa louco, mas amo Draco Malfoy. Resmunguem, podem bufar, mas é verdade. Comigo ele é verdadeiro, adorável... mesmo que eu tenha passado pouco tempo com ele, esse pouco tempo eu pude ser aquela Virginia despreocupada e feliz que fui antes de conhecer Tom Riddle... as semanas que passei ao lado de Draco me fizeram renascer...

Não quero perder minha família... não quero perder meus amigos, muito menos meu futuro... vou dar o máximo de mim pra isso... mas se mesmo assim for em vão... quero que saibam e que guardem em suas mentes o quanto eu amo vocês...

Virginia Weasley."

Todos pareciam ter perdido a voz depois que o diretor terminou de ler. O choque era tão grande que nenhuma frase era articulada.

- Malfoy? – Alicia chamou, fazendo o sonserino abrir os olhos e encara-la. Os olhos dele continuavam frios porém começavam a ficar vermelho, o filete de água se formando. – Ela estava fazendo alguma coisa não estava? Escondida?

- Estava. – Ele voltou a fechar os olhos, recusando-se a derramar as lágrimas que pareciam se formar. Seu orgulho lutando contra sua vontade de gritar. – Havia um quarto, ela passava as madrugadas trabalhando, eu não entrava lá.

- Professores... – Alicia então voltou-se para os professores de Arte das Trevas. – Era a poção Celantur que ela fazia certo?

- Nos bisbilhotamos. – Hermione falou antes deles. – Ouvimos bem quando disse que ela estava preparando essa poção...

- Eu disse que os jovens já não são lá de confiança... – Richard suspirou, jogando-se em uma das macas e fechando os olhos. – Nicholas, explique para eles sobre a poção, não há mais motivos para esconder nada...

- O que vai fazer? – O outro perguntou.

- Vou me concentrar, tentar ver o futuro. Se eu puder ter certeza de alguma coisa, mínima que for... – Quando abriu os olhos estes estavam brancos, encarando o nada como se vissem algo.

- Uma hora ele volta... – Nicholas suspirou.

- E a poção? – Draco o apressou.

- Certo... – Nicholas começou após receber um aceno afirmativo do professor.

Continua...

Oi gente! Tá ai mais um capitulo pra vocês! Desculpem a demora!

No próximo cap. finalmente vocês vão descobrir o que é a poção Celantur ;D deixem bastante reviews que eu atualizado rapidinho rsrsrsrs (chantagem básica né? Não resisto srsrsrs)

Agradecimentos:

Juuh Malfoy: Oi fofa! Desculpa a demora pra atualizar o cap! Eu voltei a trabalhar e deu um bando de coisa errada rsrsrsrsrsrs mas vou tentar ser mais rápida ;D Que bom que gostou do outro cap ;D Pois é, eu também to triste por terminar a fic, mas ainda tem muitos caps pela frente ainda =D pode deixar! Eu realmente queria responder todas as suas perguntas mas acho que vou ficar devendo (rsrsrsrsrs) mas já dei uma grande dica nesse capitulo né? Nesse capitulo uma poção já foi usada, no próximo vc já vai saber o que é poção Celantur ;D E eu adoro os gêmeos, não tem jeito rsrsrs mas o que tem no malão... fica no mistério rsrsrs minha mente ainda ta trabalhando em coisas bem perversas rsrsrsrs Espero que tenha gostado também desse capitulo linda! Um beijão!

Valentyna Black: Oi linda! A gente meio que ta invertida rsrsrs eu só to conseguindo entrar na net durante a semana no fim do dia aqui no trabalho, a net de casa foi pro brejo... u.u Espero que tenha gostado desse capitulo também ;D beijão!

Natalia G.: Oi fofa! Você leu minha mente rsrsrsrsrs eu realmente tava pensando em fazer uma piadinha do Movimento Sem Terra por causa dos Weasley em Hogwarts mas não consegui já que o Malfoy não tava lá pra fazer a piadinha rsrsrsrs Espero que tenha gostado desse capitulo também ;D vou tentar não demorar ;D Beijão!

Bah Malfoy Black: Oi linda! Que bom que ta gostando ;D espero que tenha gostado desse cap também ;D Desculpa a demora! Beijão!

Princesa Chi: Oi fofa!! Já saiu os resultados da UFF e da UFRJ?? TO torcendo \o/ passou em Direito ein? Que chique! Parabens linda! Vc merece! A parte dramática realmente ta começando rsrsrsrsrs aiiiiiii quando você ver o que eu fiz com a Ginny no próximo cap... ate eu fiquei com dó rsrsrsrs Nesse eu já expliquei uma das poções, no próximo já da pra saber o plano real da Ginny ;D só espero não ter viajado muito nas idéias rsrsrsrsrs E eu to entrando no perfil da senhorita sempre e não to vendo atualizações i.i ainda to subindo pelas paredes pra saber o que vai acontecer em "Qualquer um Pode Amar" rsrsrsrs Bjuss fofa!

Ma'am Prongs: Oi linda! Que bom que ta gostando! Espero que tenha gostado do cap tbm! Desculpa a demora! Beijão!

Belle Weasley Malfoy: Menineeeee!! Oi! Eu respondi seu e-mail agora a pouco rsrsrsrsrs Nossa, você leu tudo isso já?? Fiquei emocionada agora! Amei seu review, muito fofa você! Muito obrigada pelo carinho *o* eu achei que ia atualizar a tempo de você pegar o próximo cap mas você foi mais rápida rsrsrs mas olha, nem te deixei esperando tanto rsrsrs espero que tenha gostado desse capitulo também! E pode deixar que não demoro pra atualizar de novo rsrsrs Beijão!!!

Obrigada Lydhyamsf pela betagem =D

Bom gente, por hj é só :D

Obrigada a todos que acompanham também a fic^^ espero que tenham gostado do capitulo!

Bjusss gente! Comentem!