Capítulo 25 – A Catarse de Erin.
"(...) não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração."
(Não Te Amo – Garrett)
No dia seguinte, domingo, Tom começou a preparar seu plano que havia tramado por tanto tempo e que realizara diversas vezes em sua mente.
Passou o dia recordando cada passo, para que nada desse errado.
Às seis horas, foi até Abraxas, que conversava com Leah e outros sonserinos, no jardim do colégio.
- Malfoy, quero falar com você. – os outros alunos, que também pertenciam ao Clube, o cumprimentaram respeitosamente.
- Claro, Milord. – Abraxas levantou de forma instantânea. – É sobre a aula de hoje? – perguntou em voz baixa.
- Não. É outra coisa. Venha.
- Sim.
Eles seguiram para dentro do Castelo, até chegarem no dormitório masculino que àquela hora estava vazio.
- Malfoy, tenho um serviço especial para você.
O rosto do garoto se iluminou por poder ter aquela oportunidade de fazer um serviço para o chefe, que ninguém mais faria. Isso significava confiança e que era o braço direito do Lord.
- Claro. Diga o que é e farei.
- Quero que me encontre no Salão Comunal mais tarde, às sete e meia. Vai fazer o que eu mandar, sem questionamentos.
- Claro, Milord!
- Ótimo.
- Mas por que me chamou aqui para isso?
- Quero que entregue um bilhete que vou escrever agora para Erin. E depois vai entregar um outro para o Allen.
- Você quer mandar um bilhete para o Allen? – perguntou, assustado. – Mas ele te odeia!
- Eu disse sem questionamentos.
- Desculpe.
Tom apanhou dois pergaminhos, uma pena e o tinteiro e começou a escrever rapidamente. A letra para cada papel mudou.
- Você está imitando a letra do Allen e da Erin? Você é bom... – Abraxas sorriu, mas quando viu a expressão de reprovação de Tom, se ajeitou e novamente disse: - Desculpe.
Tom dobrou os papéis e os entregou a Abraxas.
- Esse – mostrou o da direita. – é para Erin. E este outro para Allen. Não erre. Entregue agora. Eles provavelmente vão estar distantes um do outro, já que brigaram ontem. Caso estejam juntos, me procure para que eu possa mudar a tática.
- Ok.
Abraxas saiu do quarto e Tom ficou pensativo. Caso eles estivessem de bem novamente, ele já tinha outra opção.
Abaixou-se e puxou de baixo da cama seu malão. Abriu-o e procurou, entre vários frascos da aula de poções com os Comensais, o que queria. "Poção do Atordoamento" estava escrito em uma etiqueta.
Sorriu e guardou em seu bolso. Levantou-se e saiu do quarto. Dessa vez foi à procura de Debra. Achou-a conversando com um menino corvinal. Foi até ela.
- Preciso falar com você.
- Milord? Anh...ok. Com licença. – ela disse para o menino que fez cara de "por que vai falar com um sonserino e ainda o chama de Milord?".
Afastaram-se e ele sussurrou.
- Hora de mostrar para que você serve.
- Como assim? – ela perguntou ofendida.
- Se eu convidei pessoas de outras Casas é porque teria vantagens nisso. Preciso de algo que tem na Corvinal. Mais especificamente, de uma corvinal.
- O que seria?
- Tem uma menina da sua Casa que é diabética, não é?
- Sim, a Megan Lewis.
- Ela usa injeção de insulina?
- Uhum.
- Ótimo. Quero que entre lá e pegue duas seringas vazias. Se não estiverem vazias, jogue fora o conteúdo.
- Para que?
- Não interessa. Faça.
A garota se segurou, pois tinha um gênio difícil e odiava seguir ordens, mas fez o que Tom mandava.
- Não deixe que ninguém lhe veja. Dispense seu amiguinho.
Debra foi até o garoto, falou algo com ele que pareceu contrariado. Olhou feio para Tom e saiu. A menina entrou no Salão Comunal e sumiu porta adentro.
Tom a aguardou pacientemente. Olhou no relógio e viu que eram seis e meia. Ainda tinha tempo de sobra.
Após poucos minutos ela voltou e entregou duas seringas.
- Aqui está. Não vai me contar o que vai fazer?
- Não. Você vai descobrir às oito horas no Clube.
Deu as costas e voltou para seu próprio Salão Comunal. Abraxas apareceu depois de um tempo, arfando.
- Deu tudo certo. Eles não estavam juntos, mas disseram que vão comparecer ao encontro que estava escrito.
- Ótimo. – Tom sorriu.
- Vou saber o que está acontecendo?
- Claro que vai. Pode ir, mas... – olhou no relógio. – volte em quarenta e cinco minutos.
Ele fez que sim e saiu. Tom apanhou um livro que alguém havia largado na mesa próxima à lareira e começou a ler tranquilamente. Faltava pouco tempo...
Abraxas chegou correndo. Tom já havia largado o livro e o esperava de pé.
- Vi Erin no caminho. Ela está vindo para cá.
- Ela te viu? – Tom perguntou.
- Não.
- Ótimo. Vamos nos esconder.
- Onde? – foram para de baixo da escada e ficaram em silêncio. Tom pegou as seringas e colocou o líquido da poção nelas.
- O que é isso? Por que você está com seringas nas mãos?
- Eu disse "sem questionamento". Tome. – entregou uma delas para ele. O menino olhou assustado para o objeto, mas não ousou perguntar mais.
Havia se passado dez minutos quando Erin surgiu. Olhou em volta e suspirou.
- Cadê ele?
Sentou-se na poltrona e pegou o mesmo livro que Tom estava lendo.
Mais um tempo se passou. Por fim, a menina fechou a capa, irritada, e cruzou os braços.
- Mas que falta de consideração! Marca e não aparece! Se for uma brincadeira do Malfoy...
- Será que ele vem? – Abraxas perguntou em voz baixa. Tom mandou calar-se. Quando Erin se levantou para ir embora, a porta se abriu novamente. Kian apareceu. Não estava com o semblante muito agradável.
- Desculpe pela demora. – falou, em sua voz grave. Não parecia nem um pouco arrependido.
- É né! Além de ser um idiota, ainda me faz esperar!
- Cale a boca...o que você quer?
- O que eu quero? O que VOCÊ quer? Você que me mandou esse bilhete.
Tom acenou para Abraxas, mandando-o ir, silenciosamente, para um canto. Com o local pouco iluminado, era fácil se esgueirar pela parede e chegar ao outro extremo da sala sem ser notado, contanto que não fizessem barulho algum.
- Eu não, sua louca! Eu que recebi esse seu!
- Eu não escrevi nada.
- Qual é dessa sua brincadeira, heim? – Kian amassou o papel e o jogou no chão. – Já não se cansou de me fazer de palhaço?
- Quando que fiz isso? – Abraxas estava quase na metade do cômodo.
- Quando me traiu com aquele pirralho!
- Nós tínhamos um plano! Não se faça de desentendido! Você sabia muito bem o que eu estava fazendo e por quem!
- Sei. Você estava gostando dele. Se ele não tivesse te chutado...
- Ele não me chutou. – falou, com o orgulho ferido.
Abraxas já estava posicionado atrás de Kian. Tom o mandou aguardar. Começou a contar com os dedos e com os lábios, sem emitir som.
- Você é mesmo paté...
- Shhhh... – Erin fez sinal para que ele se calasse e estreitou os olhos para as costas dele.
"Um" Tom sinalizou.
- Não me mande ficar quieto, sua...
- Calado!
"Dois".
- Mas o que é isso...? – ela começou a se aproximar. Havia visto o vulto de Abraxas. – Abraxas? – Kian fez menção de virar a cabeça e Tom gritou:
- AGORA!
Os dois correram cada um para cima de um. Tom acertou a seringa no pescoço de Erin, que o olhou assustada.
- Tom?
Abraxas não teve tanta sorte. Não conseguiu injetar a agulha e Kian o empurrou bruscamente. Como era muito mais forte do que Abraxas, conseguiu ir para cima dele. A seringa rolou para longe e Kian começou a enforcar o menino.
- O que pensa que está fazendo com essa merda?
Erin começou a ficar mole e Tom a segurou para que não caísse pesadamente no chão e se machucasse. A colocou no chão e correu para apanhar a outra injeção.
- Está achando que vai me pegar, é? – ele apertava suas mãos em volta do pescoço do loiro que estava ficando vermelho e parecia prestes a desmaiar.
Tom enfiou a agulha em Kian que por reflexo deu um tapa fazendo Tom cair para trás.
- Riddle! Tinha que ser coisa sua. Agora você vai ver... – tentou se levantar, mas suas pernas cederam. – O...o que está acontecendo...? – ele pôs a mão no pescoço. – O que você fez? – caiu no chão.
Abraxas levantou massageando o pescoço que havia ficado com a marca das mãos gigantescas de Kian.
- Ok. E agora?
- Pegue sua varinha e vamos levá-los à sala do Slughorn. – olhou no relógio. – Está bem na hora.
- Por que não usamos feitiços neles?
- Porque poderiam verificar nossas varinhas depois e saberiam o que fizemos.
- E o que fizemos? – Abraxas perguntou, assustado.
- Ainda nada. Vamos. Use um feitiço de locomover e leve o Allen. Vou levar a Erin.
Tom se aproximou do rosto da menina que o olhava zonza.
- Tom...o que está fazendo...? – ela falava enrolado. – Por que estou me sentindo dopada?
- Porque você está. Chegou o momento do acerto de contas. – Tom sorriu.
Os jovens Comensais da Morte começaram a chegar. A sala estava escurecida e era iluminada apenas por algumas velas que flutuavam a alguns metros do chão. Todos que entravam eram informados para que fechassem a porta.
Eles olhavam para uma massa estranha que estava no centro da sala, coberta por um pano preto.
- O que é isso, Ri...digo, Milord? – um dos Comensais perguntou. – Isso é algum tipo de brincadeira ou efeito especial para dar mais clima à aula?
- Calado. Vai saber assim que todos tiverem chegado.
Um a um foi entrando. Por fim, quando todos já estavam presentes, Tom se aproximou da massa no centro.
- Hoje vamos mudar um pouco nossa aula. Deixaremos a poção para semana que vem e veremos uma aula mais...ativa.
- Do que está falando? – Leah perguntou. Scott estava ao seu lado e parecia temeroso.
Tom puxou o pano e todos prenderam a respiração quando viram Kian e Erin amarrados.
- Eu disse que me vingaria. Ninguém me usa, Erin Knight, ou me bate, Kian Allen, e sai impune. Eu sou Lord Voldemort, o futuro líder do mundo bruxo.
- Tom...não sei o que está acontecendo, mas acho que você ficou louco... – Erin ainda estava grogue por causa da poção.
- Solte-me daqui, já, Riddle! Vou acertar seu rosto mais um pouco. – apesar da confiança, ele também estava tonto.
- Com todo o prazer. Tom apontou sua varinha para Kian e as amarras se desfizeram.
- Milord! Depois de tanto trabalho! – Abraxas exclamou, mas um gesto de Tom fez com que ele se calasse.
- Levante-se e lute.
Kian tentou se erguer cambaleante e só conseguiu ficar de pé pois se segurara na parede. Estendeu a varinha.
- Vamos. Tente me atingir. – Tom dizia divertido. Sua expressão era de contentamento.
- Es...estupefaça. – Kian tentou, mas obviamente Tom foi mais rápido.
- Expelliarmus! – a varinha de Kian voou de sua mão direto para a de Tom que a apanhou no ar. – Olha que interessante. Ganhei sua varinha em uma batalha, agora ela me obedecerá.
Todos se entreolhavam sem saber o que fazer. Kian cansou de tentar se manter de pé e voltou ao chão. Tom guardou sua própria varinha no bolso e passou a empunhar a de Kian. Fez novas amarras aparecerem.
- Prontinho. Agora vamos começar com a diversão. – soltou Erin.
- O que vai fazer, "Lorde"? – perguntou debochada. O efeito da poção estava passando. – Vai usar o petrificus totallus ou algo do tipo? Estou morrendo de medo...
- Erin, Erin, Erin. – ele se aproximou e a olhou bem de perto. – Eu realmente me sinto atraído por essa sua soberba. Nossa, como sua audácia me excita! – ele falou alto, rindo. – Mas sabe...cansei de você.
- Você vai fazer o que? Me matar? – ela riu. – Você me ama, não vai me matar.
- Há! – ele gargalhou alto. – É verdade que sinto...algo. Mas eu não amo você e sabe por que, minha querida? Por que eu não amo. Eu não sinto amor por nada e nem por ninguém.
- Então vai em frente e me mata, seu pirralinho com mania de grandeza.
- Não se preocupe. Não precisa ficar ansiosa, porque esse momento vai chegar, mas ainda não. Sabe qual o problema da Maldição da Morte? Ela é muito rápida e isso não tem graça. – olhou para seus "alunos". Seus olhos mostravam puro sadismo. – Observem e aprendam, meus "pequenos gafanhotos". CRUCIO!
A menina se contorceu e soltou gritos terríveis de dor que foram acompanhados por xingamentos de Kian. Depois de cinco minutos, ele parou. Fechou os olhos e respirou fundo.
- Isso é delicioso, sabia? Mas caramba! Seus gritos doem os ouvidos...ainda bem que lembrei de isolar essa sala acusticamente.
- Você é ridículo. Vai ser expulso de Hogwarts! – Erin conseguiu falar após respirar fundo.
- Não vou não. Sou muito inteligente para isso. Crucio!
Novamente os gritos e depois o silêncio.
- Você...você quer me ver chorando e implorando, não é? Isso não vai acontecer... – ela arfava.
- Ah vai sim, porque até os mais terríveis dos seres têm instinto de sobrevivência. Sabe o que isso quer dizer? Que quando perceber que vai morrer, todo esse seu orgulho vai pro inferno. Crucio!
- Riddle! Pare! EU imploro! Pode me matar, mas deixe Erin em paz! – Kian chorava assustado.
- Oh, como o amor é lindo, não é? O namoradinho se humilhando pela vida da amada. Não é bonito? Crucio!
- Não! Pare com isso! Você não tem consciência? Como consegue ser tão perverso?
Tom se aproximou de Kian e o olhou bem nos olhos.
- Uma coisa mais interessante sobre mim: além de não sentir amor, eu também não sinto remorso, pena ou compaixão. Às vezes desconfio de que não tenho consciência. – ele riu, pensativo. – Interessante, né?
- Isso quer dizer que você não é humano! É um monstro!
- Não. Eu sou o próximo passo da evolução.
Kian cuspiu em seu rosto e Tom ficou sério.
- Não deveria ter feito isso, meu caro. Crucio! – gritou, apontando para Erin que berrou ainda mais alto.
Tom olhou para todos os presentes, que estavam petrificados. Scott parecia mais do que apavorado. Tom sentiu vontade de gargalhar.
Meia hora se passou e Erin parecia cansada e desgastada fisicamente. Havia desmaiado e Tom se aproximou dela.
- Não estrague a diversão. Enevarte. – ela abriu os olhos de forma fraca. – Vamos voltar?
- Não... – ela sussurrou. – Tudo bem. Eu imploro...pare. Não aguento mais. – ela começou a chorar. – Desculpa. Por tudo.
Novamente ele fechou os olhos se deliciando com aquelas palavras.
- Ah...eu não disse? Agora você parece um vermezinho. Percebeu que não é nada nesse mundo e que eu, que tenho o poder, sou quem decide se você vive ou não.
- Riddle, solte-a. Mate-me, mas a deixe fora disso. – Kian também parecia exausto e chorava muito.
- Não! Não posso lhe matar, meu caro Allen! Tenho planos melhores para você.
- Tom...eu te amo...por favor. Me deixe... – ela recomeçou.
- Crucio! – mais berros. – Já disse para não me chamar de Tom! Sabe por que me atraí por você? Porque você é exatamente como eu. Temos ambição e fazemos de tudo para conseguirmos o que queremos. Poder! E somos fortes, inteligentes. Perfeitos. Você daria uma ótima Rainha das Trevas! Mas sabe qual é o problema? – ele se aproximou de seu rosto ficando apenas a alguns centímetros de distância. – Pólos iguais se repelem. Sendo tão iguais não aguentaríamos por muito tempo a presença um do outro. Iríamos acabar nos matando...então, antes que você o fizesse, eu me adiantei.
- Tom... – ela tentou se segurar em sua capa, mas estava tão fraca que seu braço mal saiu do lugar.
- Vou sentir falta desses seus lábios maravilhosos. – ele a beijou longamente. – Bem, está tudo muito interessante, mas tudo que é bom, dura pouco, não é? Hora de cair o pano.
- Riddle, pelo amor de Deus. Não faça isso...
- Não há nenhum deus aqui. – Tom olhou friamente para Kian e depois sorriu. – A não ser que me considere um.
- Você é tudo o que quiser ser, só não a mate.
- Ahhh agora você reconhece minha grandeza? É bom ouvir elogios vindo de você, para variar. Mas não se preocupe. Não vou matá-la.
- Não? – ele parou de chorar. – Obrigado! Obrigado!
- Viu? Não sou assim tão mal... Malfoy, dê-me sua varinha.
Abraxas saiu de seu estado de estupefação e o olhou surpreso.
- O que?
- Sua varinha. Ande.
Rapidamente ele estendeu sua varinha, mas Tom fez que não com a cabeça.
- Jogue um feitiço em mim.
- O-o que?
- Jogue!
- Mas Milord...
- AGORA! – Abraxas, tremendo, sussurrou:
- Estupefaça. – mas como antes, Tom foi mais rápido e tirou a varinha de seu dono.
- Tsc tsc tsc. Estou decepcionado, Malfoy. Usou o mesmo feitiço que nosso amigo aqui. Achei que depois de tanta aula você me surpreenderia. Fazer o que? – Tom soltou novamente Kian e entregou-lhe a varinha que havia tirado dele.
- Obrigado! Você não vai se arrepender...eu nunca mais vou te importunar. – ele se arrastou a seus pés, beijando seus sapatos.
- Eu sei que não. – Tom apontou a varinha de Malfoy para ele e disse: - Imperio. – o garoto congelou onde estava. Olhou-o assustado, mas não conseguia reagir. Fez com que ele levantasse e andasse até Erin.
Erin abriu, cansada, os olhos e novamente os fechou.
- Kian...? – falou fraca. – Você veio me salvar?
- Abaixe-se e dê um beijo de despedida na sua namorada. – Tom falou e o garoto fez exatamente como ele ordenou. Deu um beijo na testa suada da menina. – Aponte sua varinha para ela.
Ele assim fez. Erin abriu os olhos.
- O que está fazendo, Kian?
Lágrimas começaram a verter dos olhos de Kian.
- Agora mate-a. Avada Kedavra.
As mesmas palavras saíram da boca do outro. Uma luz verde clareou a sala e Erin deu um último suspiro.
Novamente Tom estava de olhos fechados. Também uma lágrima caía de seu rosto, mas sua boca mostrava uma expressão diferente. Sorria.
Sentia um prazer que nunca havia sentido. Ao mesmo tempo que sofria com a morte de Erin, estava se deliciando com todo aquela dor que pairava no cômodo.
Era o puro êxtase.
Abriu os olhos e retirou o controle de Kian. Ele caiu no chão, abraçou o corpo sem vida da namorada e começou a chorar copiosamente.
Ninguém ousava dizer palavra alguma.
Tom se aproximou e apontou a varinha para a cabeça dele.
- Não se preocupe. A dor vai passar. Vou modificar sua memória.
Uma luz prateada saiu e Kian caiu desacordado no chão, ainda abraçado a Erin. Tom se ajoelhou ao lado da menina e beijou novamente seus lábios, dessa vez frios e pálidos.
- Adeus.
Levantou-se e quebrou a varinha de Abraxas. Olhou para o espantado menino e entregou-lhe os restos.
- Depois te compro outra. Yaxley. Rookwood. Levem os dois para o corredor principal. Não deixem que vejam vocês. O jantar já deve estar no fim e quero que todos vejam como esse desgraçado matou a própria namorada. Não esqueçam da varinha dele. Andem!
Os dois obedeceram prontamente.
Tom olhou em volta para os outros que ali ficaram e ainda estavam em estado de choque. Scott parecia prestes a entrar em colapso. Saiu correndo para vomitar e não voltou mais.
Leah parecia ser a única com o olhar duro. Ela se aproximou.
- Vai chorar e me bater por ter matado sua irmã?
- Não. Vim lhe agradecer. – sua aparência começou a se modificar e ela voltou ao seu estado normal que tinha que manter escondida por causa de Erin. Estava idêntica a ela. – Saboreei cada segundo, Milord. – então, sorriu. Era o sorriso de Erin e Tom sentiu o coração disparar.
- Ótimo. – voltou a olhar para os outros. – Algum de vocês ainda tem dúvidas de que eu sou o líder?
E aí, pessoal? Chegou o capítulo que eu mais esperava postar! Eu simplesmente adorei escrevê-lo. Descrevo a loucura latente do Tom, esse psicopata adorável. E é a primeira morte do nosso futuro Lord Voldemort!
Espero que tenham gostado... no fundo todos sabiam que a Erin não duraria muito rs. Não depois de ter enganado o Tom. Ele não deixaria tal ato barato.
To postando nessa madrugada de sábado para domingo porque amanhã não terei tempo e ontem fiquei com preguiça rs. Para vocês não ficarem mais uma semana sem capítulo, parei minha leitura de "O Crime do Padre Amaro" (muito bom por sinal. Pra mim, nota-se que o escritor é genial quando todos os seus personagens são insuportavelmente irritantes, medíocres e chatos, mas ainda assim a narrativa é maravilhosa e impossível de parar. Esse é o Eça de Queiroz. Eu tenho vontade de enforcar todos os personagens principais que ele cria rs) e vim atualizar a fic.
Vou primeiro falar dos reviews e ao fim da nota colocarei o poema inteiro. Aquele que citei um trecho no início desse capítulo.
Reviews:
LadyProngs24 - Você voltou! Uhuuu!
Não tem problema a demora... eu te entendo. Vida de estudante é uma desgraça. Na época do vestibular ficamos loucos de desespero e pensamos: quando eu entrar na faculdade, vou relaxar e fazer tudo o que eu queria fazer. Doce ilusão, minha cara. A vida social que antes era pouca torna-se nula rs.
Olha, a Leah não é muito melhor do que a irmã não, mas eu sinceramente gosto mais dela do que da Erin mesmo rs.
E sim... Tom é novinho e isso me incomodava um pouco... principalmente quando fui escrever essa parte. Mas percebi que eu não podia ficar de beatice com um personagem tão pouco criança como o Tom. O cara já torturou, matou e armou planos... mas na parte de sexo ia ficar de ingenuidade? Não combinava com o personagem. Mas ainda assim fiz com que ele entrasse nessa ainda meio ingênuo...quem o levou a perdição foi a Erin rs.
Ah! Você adivinhou a charada? Que legal. Todos para quem eu mostrei a charada não conseguiram responder. Sempre pensavam que era algo concreto e não um sentimento.
Também estou doida pra ele chegar na parte da Câmara. Já comecei a escrever a quinta fic, mas ainda tá longe disso acontecer...
Coline terá seu retorno...não se preocupe :)
Vitoria - Eis a vingança do Tom! Gostou?
Mais uma que gosta da Coly rsrs Como eu disse a LadyProngs24: ela voltará. Não se preocupem.
A quarta temporada de Dexter é uma das melhores! Eu fiquei muito deprimida quando a Rita morreu. Fiquei em estado de choque o dia inteiro.
Ela era bem sem graça, mas depois que partiu fez falta...
Ela me lembra um pouco a Coline rs.
Olha, sobre o intercâmbio eu sinceramente não sei. Nunca procurei saber sobre isso...normalmente existem empresas ou até projetos do governo que incentivam estudantes a irem pra fora. Não precisa ser da faculdade. Dá uma olhada no google.
Neuzimar - Caramba! Você por aqui! Que legal! Que bom que você me achou... eu realmente sumi do Floreios e Borrões. As pessoas de lá passam pra ler e não deixam recados... isso me desanima um pouco. Aqui já conquistei alguns leitores...já me sinto entre amigos e por isso gosto mais de postar nesse site.
Me sinto muito honrada por você ter feito um cadastro só pra ler minhas fics! Espero não decepcionar. Curto muito seus comentários.
Antes de me despedir de todos, vou postar o poema na íntegra:
NÃO TE AMO
Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
Almeida Garrett
PS: Achei que todo o poema combina com o sentimento do Tom, só que tem muitos "ai!" rsrs interjeições que mostram muita emoção e isso não é com o nosso pequeno assassino. Por isso só coloquei uma parte e suprimi o "ai" da terceira estrofe.
Beijos e até semana que vem!
