Prostituto

Draco acendeu o cigarro, sentindo o gosto amargo entre os lábios, e puxou o casaco mais para perto do corpo.

Aquilo estava acabando com ele. Como se não bastasse tudo o que perdeu na guerra, seus pais presos, metade de suas propriedades confiscadas, agora adquirira aquele hábito. O pouco dinheiro que sobrava do que lutava para conseguir sobreviver acabava nas esquinas das travessas escuras atrás do Beco Diagonal.

Sem qualquer condições de arrumar um casamento digno com seu nome na lama e a alma quebrada demais para um relacionamento, seus pensamentos voavam até olhos verdes proibidos do herói do mundo mágico, e ele pagava para que mãos calejadas o tocassem e ele pudesse chamar por seu nome no meio daquela ilusão barata da vida que nunca teria.

Depois de observar atentamente os rapazes que se enfileiravam junto às paredes sujas de um beco, escolheu um. O corpo pequeno, quase como o dele, a pele branca da mão que levava o cigarro aos lábios finos e rosados, como os dele, o cabelo negro despontando por baixo do capuz da capa que cobria o rosto.

Ele fez um gesto com a cabeça e o estranho o seguiu para dentro de um dos prédios que alugavam quartos por hora na vizinhança. Ao menos havia um pouco mais de calor no ambiente e tanto Draco quanto o estranho começaram a despir as capas.

- Eu acerto o preço antes. - o estranho disse, e sua voz era a dele.

E Draco descobriu que não estava nem perto de imaginar o quanto uma alma podia ser quebrada quando encarou os olhos de Harry Potter naquele quarto vazio.