"Acerto de contas..."
Temperance acordou pouco tempo depois se sentindo desorientada. Logo percebeu um peso sobre sua perna e um braço forte em volta de sua cintura. Sorriu. Booth ainda dormia, literalmente agarrado a ela. Ela se virou devagar de frente para ele, com cuidado para não acordá-lo. Ela acariciou seu rosto com os dedos. O rosto bonito estava relaxado, sem aquela expressão zangada ou com aquele sorriso irresistível. Temperance sentiu um aperto no coração, como o amava ! Só agora ela se dava conta do quanto sua vida estava ligada a dele. Não suportaria perdê-lo.
Na hora queria ter ficado brava com ele pelo que fez, mas nem isso tinha conseguido. O amava demais para isso. Começou a imaginar ter um filho dele e sorriu. Nunca cogitara a hipótese, mas agora estava com 32 anos, com um homem maravilhoso que a amava, ganhava mais dinheiro do que conseguiria gastar em todo o resto de sua vida e começava a se questionar sobre essa sua decisão.
E se estivesse errada ? E se eles não tivessem realmente que se separar ? E se ela não estivesse destinada a envelhecer sozinha ? Afinal seus pais haviam se amado muito, e se não fossem bandidos, provavelmente estariam juntos até hoje. Ela suspirou, nunca se sentira tão indecisa em toda sua vida.
Ela olhou o relógio de cabeceira. Dormiram por apenas meia-hora, mas ela resolveu acordá-lo. Afinal a pizza devia estar gelada a esta altura. Ela o beijou e acariciou seus cabelos. Ele abriu os olhos devagar e a olhou apreensivo.
_ A pizza nos espera. – ela falou sorrindo.
Ele a beijou de leve e sorriu também. Estava aliviado por ela não parecer zangada.
_ Eu nem me lembrava mais dela... – ele fechou os olhos novamente e a puxou para si. – Vamos deixá-la para amanhã...
Ele a beijou de novo, acariciando seus seios. Temperance percebeu que ele estava ficando excitado novamente e o empurrou pelos ombros.
_ Nem pense nisso ! Eu estou com fome !
Ele sorriu malicioso e rolou com ela na cama, ficando por cima.
_ Mais tarde, mais tarde... – ele respondeu beijando-a no pescoço e correndo a língua mais para baixo em direção aos seios.
Temperance fechou os olhos e deixou escapar um suspiro. Não conseguia resistir a ele. Parecia simplesmente impossível. Booth alcançou sua boca novamente e penetrou-a com a língua ao mesmo tempo em que penetrava em seu corpo. Novamente sem camisinha, mas dessa vez eles estavam muito envolvidos para sequer se lembrar disso. Ela o enlaçou com as pernas e se moveu com ele. Foi um amor breve e alucinante que os deixou sem fôlego.
Booth a abraçou com força e sussurrou em seu ouvido, ainda dentro dela.
_ Mais uma como essa e você vai ter que me levar de volta ao hospital.
Ela o encarou séria. Só agora se dava conta de que ele ainda estava se recuperando do tiro. Ela passou os dedos de leve pela cicatriz no peito dele.
_ Nós não devíamos ter feito isso, Booth ! Você ainda está se recuperando ! – ela disse se sentindo culpada.
_ Hei, eu estava só brincando ! Eu estou ótimo ! – ele sorriu e passou os dedos pelos cabelos dela. – E agora estou morrendo de fome !
Ela também sorriu. Eles se levantaram e ela vestiu apenas sua calcinha e a camiseta dele. Booth vestiu somente a calça. Ele estava feliz, se ela tinha vestido sua camiseta significava que não ia mandá-lo embora.
Eles seguiram até a sala para buscar a pizza. Temperance a esquentou no forno e eles comeram sentados no tapete em frente a TV. Temperance suspirou. Suas dúvidas ficariam para o dia seguinte, agora só o que ela queria era ficar com ele.
_ Quer sobremesa ? – ela perguntou certo tempo depois enquanto recolhiam os restos da pizza. – Eu tenho sorvete de chocolate.
Booth se aproximou e a agarrou pela cintura.
_ Você, coberta de chantily, que tal ? – ele perguntou beijando seu pescoço.
Ela afastou suas mãos e fugiu dele.
_ Você hoje está impossível ! Não consegue pensar em outra coisa ? – ela o repreendeu batendo em seu braço. – E nem pense em chegar perto de mim sem camisinha de novo ! – ela ameaçou e bateu nele novamente. – Sorte sua que eu não estou no meu período fértil !
_ Hei ! Não precisa partir pra violência ! – ele lhe deu aquele sorriso irresistível e a agarrou pela cintura. – Já pensou...um bebê com sua inteligência e o meu charme ? Seria um prodígio ! – ele a beijou.
Ela virou o rosto e o empurrou, encarando-o séria cruzando os braços.
_ Mas o que você fez não foi certo, Booth ! Não tem o direito de escolher por mim !
Ele a encarou arrependido.
_ Eu sei, você está certa, sinto muito... – ele passou a mão pelo cabelo. – Eu não sei o que me deu, perdi a cabeça... Me perdoe...
Temperance o encarou. Ambos não estavam no seu normal ultimamente. Não tinha como colocar a culpa só nele. Ele tinha motivos para andar nervoso, afinal ela fugira dele a semana toda. Ela segurou a mão dele.
_ Vamos esquecer isso, ok ?
Ele sorriu.
_ Esquecer ? De jeito nenhum ! Afinal foi uma experiência e tanto, você tem que admitir !
_ Booth ! – Ela o repreendeu e ficou vermelha. – Você entendeu o que eu quis dizer !
_ Hei, por que você ficou vermelha ? Achei que o puritano fosse eu !
Ela sorriu mas não respondeu. Estava muito cansada. Booth percebeu e a abraçou.
_ Eu vou embora para você descansar, está bem ?
_ Não. Não vai. – ela o encarou. – Fica comigo ?
Ele sorriu. Era o que ele mais queria, mas a decisão tinha que partir dela e ele estava feliz.
_ Claro. Nem precisa pedir duas vezes...
Eles foram para o quarto abraçados. Estavam exaustos e dormiram assim que colocaram a cabeça no travesseiro.
No dia seguinte o celular de Booth os acordou logo cedo. Ele o atendeu ainda desorientado.
_ Booth falando.
_ Sou eu, a Cam.
Ele se sentou na cama observando Temperance que se sentava agora atenta à ligação.
_ Oi, Cam. O que houve ?
Ele olhou o relógio de cabeceira. Eram apenas 7:30 da manhã.
_ Sinto muito te ligar a essa hora num sábado, mas... O FBI pediu que eu te encontrasse.
_ Aconteceu alguma coisa ? Por que eles não me ligaram ?
_ Eles estão tentando falar com você desde ontem à noite. Parece que houve um problema com uma torre de transmissão e seu celular ficou sem funcionar a noite toda... e como eles não te encontraram em casa, ligaram pra mim. Estou te ligando sem parar desde as 5:30 h.
_ Nossa ! Desculpe, Cam, eu nem sabia ! Mas o que houve ?
_ Eu sei que estou interrompendo alguma coisa, já que você nem dormiu em casa, mas peça desculpas a sua namorada...seja ela quem for... pois o assunto é sério.
_ Cam, esqueça isso e vá direto ao assunto ! – Ele estava desconfortável.
_ Ok, é sobre o caso da menina desaparecida, eles a encontraram... ou melhor... o que sobrou dela...
Booth fechou os olhos.
_ Deus, não... – Ele ficou arrasado. – Droga ! – Ele deu um soco na cama assustando Temperance.
Ela o observava tentando descobrir sobre o que falavam, mas não podia abrir a boca pois tinha medo da Cam reconhecer sua voz.
_ Eu preciso que venha para cá imediatamente. O corpo já está aqui no Jeffersonian. Vou ligar para a Dra. Brennan agora mesmo e chamá-la para vir pra cá.
Booth pensou que não seria preciso, mas não podia falar.
_ Ok, faça isso. Eu estou indo. Tchau.
Ele desligou e encarou Temperance.
_ Precisamos ir ao Jeffersonian. Encontraram o corpo da menina.
_ Eu sinto muito, Booth ...
Nisso o telefone tocou na sala. Antes que ela fosse atender, Booth a segurou pela mão.
_ É a Cam. Ela disse que ia te ligar.- Ele sorriu de leve. – Afinal ela não sabe que eu estou aqui.
Ela concordou com a cabeça e foi atender.
*****
Temperance chegou ao Jeffersonian antes de Booth, que tinha ido até em casa tomar um banho e trocar de roupa. Cam já a esperava na plataforma.
_ Sinto muito importunar seu final de semana, Dra. Brennan. Mas o juiz pediu urgência, já que se trata de uma criança.
_ Imagine, Cam, sabe que eu não ligo pra isso ! O trabalho vem em primeiro lugar. – ela se aproximou já colocando as luvas para examinar o corpo.
_ Eu vou ajudá-la, já que faz poucos dias que ela morreu, por isso o corpo ainda está conservado.
Temperance concordou com a cabeça.
_ O primeiro passo é confirmar a identificação dos restos mortais para que o Booth possa informar aos pais. – Temperance disse. – Imagino que não vai ser nada fácil pra ele.
Cam concordou.
_ É, Booth odeia casos envolvendo crianças...
Ângela chegou com as radiografias que tinham conseguido com o dentista da menina. Ao se aproximar da mesa de autópsia ela cobriu a boca com a mão.
_ Meu Deus ... Ela é tão pequena ! – Ela tinha lágrimas nos olhos. – Eu às vezes odeio esse trabalho, odeio. – Ela entregou as radiografias a Brennan e saiu da plataforma rapidamente.
_ É, acho que teremos que dispensar a ajuda da Ângela. – Cam comentou. – Acho que nem devia tê-la chamado.
Temperance examinava o corpo com atenção e as palavras de Ângela martelaram em sua cabeça.
_ Cam, o Booth me disse que a menina desaparecida tinha 12 anos. Essa menina não me parece ter mais do que oito ou nove anos. Ela é realmente muito pequena, Ângela tem razão...
Cam abriu o relatório do desaparecimento enviado pela polícia e conferiu os dados.
_ Tem razão, a menina desaparecida tem 12 anos. E de acordo com os pais, que são tão pobres que não tinham uma foto descente da menina, ela é alta, extremamente magra devido a um Distúrbio Alimentar e tem cabelos castanhos bem longos.
Temperance observou a menina novamente. Ela era pequena, não tão magra e tinha cabelos avermelhados e na altura dos ombros. Quem seria ela ?
Booth chegou e subiu rapidamente até a plataforma.
_ E então, a identificação já foi feita ? – ele perguntou olhando para Temperance.
_ Não é ela, Booth. Esta é outra vítima.
_ Tem certeza ? Ela foi encontrada em uma estrada exclusiva de caminhões. Já verificou radiografias ?
_ Nem preciso disso, Booth. Esta vítima não tem mais do que 9 anos e a menina que vocês estão procurando é mais velha, mais alta, mais magra, tem cabelo mais longo... Nada combina !
Booth suspirou.
_ Ótimo, para melhorar meu dia agora temos 2 vítimas crianças !
Temperance o encarou.
_ Preciso identificar essa vítima o mais rapidamente possível... e você precisa continuar procurando pela outra. Afinal ela ainda pode estar viva.
continua...
