Uma Canção para a Eternidade
Música – Far away (Nickelback)
Fanfic – Naru L
N.A. – Estou atrasada novamente... Eu sei.
Espero que gostem do presente: Feliz dia das crianças!
Respostas aos reviews e nota no livejournal Writing Emotions (link no profile)
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Kagome ignorou os olhares insistentes em sua direção como havia feito nos últimos dias. Sabia que o sorriso tolo, fixado em seu rosto estava atraindo a atenção, e curiosidade, do avô e Kaede, mas não queria dar explicações aos dois, tinha decorado o que os dois velhos diriam se soubessem o que tinha feito, e não estava disposta a ouvir conselhos tolos e recriminações.
Suspirou aliviada quando o avô entrou na própria sala, fechando a porta atrás de si, e praticamente afundou o rosto nos papéis que fingia estudar com atenção. Kaede não podia ficar simplesmente esperando uma brecha para saber o que acontecia em sua vida, certo? Ela tinha trabalho a fazer...
- Kagome...
- Alguém mais ligou, Kaede? – Kagome perguntou rapidamente, cortando a secretária.
- Não, eu só queria—
- Estarei em minha sala se alguém—
- Olá, priminha.
Kagome congelou ao reconhecer a voz de Bankotsu. Contou até dez antes de virar-se para o primo.
- Bom dia, Bankotsu. – Falou entre dentes, caminhando para a própria sala.
- Espere, Kagome. – Bankotsu segurou o braço da prima. – Acho que lhe devo desculpas.
- Está perdoado. Pode me soltar.
- Não vai perguntar por que estou me desculpando?
- Sua missão é tornar a minha vida um inferno... – Kagome suspirou, tentando livrar-se da mão do primo. – Aceito qualquer coisa para me livrar de você.
- Estou me desculpando pelo incidente com Naraku. – O rapaz falou lentamente, atraindo a atenção da garota. – Tentei consertar as coisas o despedindo... Não pensei que fosse atrás de você.
- Não e irônico ele pensar que nos damos tão bem a ponto de você fazer algo que me beneficiasse?
- Você está bem? – Bankotsu perguntou soltando o braço da prima. – Vovô me disse que ficou bastante machucada.
- Exagero. – Kagome deu de ombros, inconfortável com a preocupação do primo. – Estou ótima.
- E... Quanto ao seu cantorzinho?
- InuYasha está ótimo também.
- Não foi isso que perguntei. – O rapaz franziu o cenho. – Quero saber se vocês dois...
- Não é da sua conta.
- Estou perguntando, é claro que é da minha conta.
Kagome suspirou. Era tão mais fácil quando Bankotsu a tratava como inimiga. Por que tinha que mudar e demonstrar preocupação quando tudo o que queria era se livrar dos curiosos com sua vida?
- Tenho muito para fazer, Bankotsu. – A garota falou, se afastando. – Não sou desocupada com você.
- Se aceitasse melhor quando as pessoas são gentis com você, talvez eu não me sentisse tão tentado a sempre—
- Tentar me derrubar? – Kagome o cortou, virando-se para encará-lo. – Fazer o possível para me manter miserável? Qual o seu problema afinal? – Balançou a cabeça exasperada. – Preocupe-se com Kikyou, e esqueça da minha vida.
- Sabe que falei a mesma coisa hoje pela manhã?
Kagome girou, virando-se para a garota se aproximando pelo corredor.
- O que está fazendo aqui?
- Não se preocupe, Kagome. – Kikyou sorriu, parando a frente da garota. – Não vou tentar roubar InuYasha de você.
- Como se você pudesse fazer isso.
Kikyou arqueou a sobrancelha direita ao ouvir o comentário da garota. Sorriu depois de alguns minutos.
- Você tem razão, Kagome. – A garota falou calmamente, um sorriso sereno nos lábios. – Nunca tive uma chance com você por perto.
Bankotsu deu um passo na direção das duas garotas, quando sentiu a mão de Kaede em seu braço. Lançou um olhar irritado para a velha secretária, que foi completamente ignorado.
- Seu avô vai recebê-lo agora.
- Está tudo bem, Bakotsu. – Kikyou virou-se para o namorado sorrindo. – Esperarei por você. – Esperou que o rapaz entrasse na sala antes de virar-se para a Kagome novamente. – Podemos conversar? Em particular? – Esperou que a garota concordasse e a seguiu para dentro da sala. – Prometo que será rápido.
This
time, This place
Misused, Mistakes
Too long, Too late
Who
was I to make you wait
Just one chance
Just one breath
Just
in case there's just one left
'Cause you know, you know, you know'
(Neste momento. Neste lugar.
Abusos. Enganos.
Por muito tempo. Tarde demais.
Quem sou eu para fazer você esperar?
Apenas uma chance
Uma só respiração.
No caso de ter apenas mais uma
'Porque você sabe, você sabe, você sabe' )
Kagome fitava a garota sentada à sua frente em silêncio nos últimos cinco minutos. Kikyou parecia estar muito satisfeita apenas em ficar calada e deixá-la desconfortável por lembrar da pequena troca de palavras no corredor poucos minutos atrás.
- Você disse... Que queria falar comigo...
- Eu gostaria de me desculpar... Pela última vez que nos encontramos. – Kikyou começou lentamente. – Mas isso parece tão tolo.
- Não é necessário. – Kagome falou em voz baixa. – Eu entendo.
- Não, você não entende. – Kikyou suspirou. - Houve uma época, logo depois que InuYasha e eu nos separamos, que pensei que éramos muito melhores separados do que juntos. – Kikyou sorriu. – Eu o amava, talvez ainda ame, mas não conseguíamos ser felizes por mais que algumas horas sem alguma discussão.
Kagome remexeu-se na cadeira, brincando com a caneta que não se lembrava de ter pego. Era estranho estar na mesma sala que aquela mulher, tão parecida e diferente de si mesma.
- Antes de me separar de Naraku, eu cheguei a pensar que amor não era o suficiente. – Kikyou lançou um olhar para a outra garota. – Apenas uma tolice de adolescentes – Passou as mãos lentamente pela saia, alisando o tecido. -, mas parte de mim não queria abandonar esse sonho, principalmente quando descobri o quanto tinha sido tola em acreditar em alguém que não se preocupa com nada, ou ninguém, além de si mesmo.
- Kikyou...
- Você tem que entender, Kagome, quando descobri a verdade, o quanto tinha sido enganada e tola... Eu precisei ir atrás dele. Precisava saber se amor era mesmo apenas um sonho. – Kikyou levantou-se, o mesmo sorriso calmo em seu rosto. – Acabei descobrindo que é mais real do que se pode imaginar... Quando você se permite sentir.
- Existe algum motivo para estar me contando isso?
- Soube que fui a causa para que vocês se separassem. – Kikyou caminhou até a janela, ignorando a garota que acompanhava seus movimentos em silêncio. – Eu precisava tentar consertar as coisas, não desejo causar mais sofrimento a InuYasha.
- Deveria ter pensado nisso antes. – Kagome levantou da cadeira rapidamente. – Deveria ter pensado nisso antes de acusá-lo e—
- Eu sei, mas você não entende, não é mesmo? – A garota virou-se lentamente para encarar Kagome. – Ele nunca me olhou da forma que olha para você.
- Tolice.
- Não é tolice. – Kikyo se aproximou de Kagome. – Eu tinha tanto ciúmes por você aceitá-lo completamente... Eu sei que você gosta de InuYasha desde que o conheceu. – Kikyou sorriu, observando a outra garota corar. – E agora sei, que se não fosse por meus erros, você nunca seria uma ameaça.
- Estou ocupada, então se não se importa... – Kagome fez um sinal para a porta e Kikyou a ignorou.
- Você o ama de uma maneira que eu nunca fui capaz. Aceita todo aquele mau humor e incapacidade de dizer a coisa certa como se fosse algo normal. – Kikyou franziu o cenho levemente. – Acho que isso me incomodou mais do que o pensamento de todas as fãs que com o tempo ficariam atrás dele.
Kagome virou o rosto, desejando poder desaparecer. Aquela conversa que parecia tão sem sentido a estava incomodando mais do que a culpa que sempre sentira por ficar com InuYasha.
- Isso quer dizer que vai lutar por ele?
- Não. – Kikyou sorriu – Isso quer dizer que você não deve deixar pequenas coisas incomodá-la.
- Acha que você é uma 'pequena coisa' para InuYasha? - Kagome piscou, fitando a garota, confusa. – Sabe quanto tempo ele passou deprimido e perdido depois que o deixou?
- Ele me expulsou.
- Você escolheu acreditar em Naraku!
- E você não fez o mesmo?
- Eu... – Kagome balançou a cabeça, desconcertada com a verdade daquelas palavras. – Eu só queria protegê-lo.
- Eu sei. – Kikyou sorriu – Eu tinha tanto medo de você porque sabia que isso aconteceria. Você se deixou enganar por Naraku porque queria proteger InuYasha, eu fizisso para proteger a mim mesma. – Passou as mãos pelos cabelos, arrumando uma mecha no rabo de cavalo. – Odiei a mim mesmo por ser tão incapaz de deixá-lo, mesmo sabendo que só o estava fazendo sofrer.
- Kikyou...
- Eu fui tão idiota e egoísta.
- Você o amava.
Kikyou piscou antes de sorrir para a garota.
- InuYasha foi a única pessoa que olhou para mim e viu algo além da mascara de indiferença... – Os olhos castanhos brilharam com um misto de carinho e saudosismo. – E o amei por ser diferente dos outros, mas no final acabei querendo mudá-lo... – Kikyou suspirou. – As pessoas são estranhas não acha?
- Mais do que aparentam.
- Está pensando em mim, não está? - Kikyou riu, continuando sem esperar resposta. – Não se preocupe comigo, estou bem agora... E você deveria se permitir o mesmo. – Afastou-se da garota, caminhando na direção da saída. – Não deixe que a desconfiança nuble seus sentimentos.
Kagome piscou, observando a outra garota abrir a porta. Deu a volta na mesa, aproximando-se rapidamente.
- Kikyou? – Esperou que a garota se virasse antes de continuar – Por que fez isso?
- Estou cansada de ser infeliz e causar infelicidade. – Kikyou sorriu. – Vocês dois merecem ficarem juntos e serem felizes.
Kagome piscou, observando o rosto de Kikyou demoradamente. Sorriu, suspirando quase inconscientemente.
- Meu primo continua se fantasiando de fantasma?
- Às vezes. – Kikyou riu. – Ele mudou, Kagome.
- Eu sei. Todos nós mudamos.
Kikyou sorriu, confirmando com um aceno antes de se virar para sair.
- Você também merece ser feliz, Kikyou.
A garota parou na porta e sorriu.
- Obrigada.
- Eu... Conversei com InuYasha ontem, mas ele quer esperar até terminar uma música...
- Ele realmente não mudou. – Kikyou falou lentamente, rindo.
- Nem um pouco. – Kagome sorriu de volta. – E isso me deixa feliz.
- Imagino que sim. – Kikyou piscou quando Bankotsu a abraçou por trás. – Espero que a espera valha a pena.
- Sempre vale.
- Ainda falando daquele cantorzinho? – Bankotsu girou os olhos, desencostando-se da parede.
- Fora daqui, idiota. – Kagome ralhou levemente.
- Tão sensível... – O rapaz fez uma careta quando a namorada apertou seu braço em sinal de aviso.
- Nós temos que ir. – Kikyou falou - Desejo que sua música faça muito sucesso.
- Não é minha música.
- InuYasha está escrevendo para você... – Kikyou sorriu, empurrando Bankotsu levemente. – Claro que é sua.
- Imagino
que sim. – Kagome sorriu.
That I love you
I
have loved you all along
And I miss you
far away for far too
long
I keep dreaming you'll be with me
and you'll never
go
Stop breathing if
I don't see you anymore
(Eu te amo
Sempre amei.
Sinto sua falta.
À distância, por tanto tempo
Continuo sonhando que você será minha.
E nunca irá partir
Pararei de respirar
Se não puder vê-la novamente)
InuYasha soltou a caneta em cima da mesa quando sentiu o irmão tirar o violão de seus braços e substituí-lo por Kiseki. Franziu o cenho para o garotinho que riu e puxou seus cabelos.
- Ei, não posso tocar isto.
- Obrigado pela informação, Einstein. – Sesshoumaru respondeu irônico. – Tome conta dele.
- Estou ocupado, por que não deixa Miroku... – InuYasha suspirou quando viu o rapaz moreno fitando Sangô fixamente. – O que esse pirralho está fazendo aqui?
- Rin tem uma sessão de fotos hoje. – Sesshoumaru puxou a folha que o irmão estivera escrevendo. – Não tenho nada para fazer, por que não passar um tempo com meu filho?
- E por que o empurrou pra mim?
- Estou cansado e com fome. – Sesshoumaru terminou de ler a folha e a devolveu para o irmão. – Parece bom.
- Obrigado... – InuYasha suspirou quando o garotinho puxou seus cabelos novamente. – Quando vai ser útil e aprender a xingar seu pai?
- Ouviu o que Rin disse, não ouviu? – Sesshoumaru sorriu, pegando a jaqueta de cima da cadeira – Se a primeira palavra de Kiseki for algo que ela não aprove...
- Eu sei... – InuYasha respondeu entre dentes o que fez o irmão sorrir daquela detestável maneira de quem tinha ganho uma batalha. – Onde pensa que vai?
- Comprar comida. – Sesshoumaru pegou a chave do carro, e completou, fazendo um gesto para o casal - Não agüento mais presenciar criaturas patéticas.
- Não está esquecendo nada? – InuYasha pulou da cadeita, quase correndo atrás do irmão.
- Não, volto logo. – Sesshoumaru sorriu – Considere esse tempo com Kiseki um treino... – Abriu a porta, lançando um rápido olhar para o irmão – No caso de Kagome ser estúpida o suficiente para aceitá-lo de volta.
- Maldito idiota... – InuYasha resmungou, voltando para a sala. – Por que esse cretino não—
- Ma...i...to.
InuYasha parou, voltando sua atenção para a criança que sorriu em sua direção.
- Por favor... Não...
- Mal...di...to. – Kiseki repetiu, mais claramente naquela voz infantil. Sorriu para o tio, puxando a mecha de cabelos prateados. – Maldito,
- Não fale isso.
- Maldito!
- Não! – InuYasha quase rosnou para o menino que o fitou assustado em resposta. – Droga, não podia repetir outra palavra? Garoto idiota...
- Idi..di ...ta.
- SANGÔ!
O garoto piscou, antes de rir.
- Idiota!
- Não, pare com isso! – InuYasha pediu em desespero. – Sangô! Ajude!
- Derrubou o garoto? – A garota perguntou assustada, tirando o garotinho dos braços de InuYasha, e procurando por algum machucado. – Eu já avisei...
- Idiota!
Sangô piscou, fitando o garoto surpresa.
- Maldito idiota!
- Pare com isso, garoto!
- Você o ensinou a falar isso? – Sangô perguntou, tentando não rir enquanto o garoto repetia alegremente as duas palavras recém-aprendidas. – Devemos ligar para Rin, ela vai adorar—
- Enlouqueceu? – InuYasha pegou o garoto nos braços novamente, - Se você se aproximar do maldito telefone...
- Maldito!
- Pare, Kiseki... – InuYasha sentou na cadeira, segurando o garoto desanimado. – Diga Papai.
- Idiota.
- Não está totalmente errado... – InuYasha balançou a cabeça, apagando o sorriso – Tio Inu. Vamos repita comigo: Tio...
- Maldito idiota!
Sangô caiu no sofá, rindo. Miroku observava a cena sem dizer nada, mas parecia fascinado com o garotinho.
- Odeio crianças... – InuYasha suspirou.
- Maldito idiota!
- Eu realmente odeio crianças...
- Deixa eu tentar. – Miroku falou, estendendo as mãos para Kiseki. – Acho que posso fazê-lo esquecer isso.
- Vai ensiná-lo a paquerar garotas?
InuYasha piscou, fitando Sangô que pela primeira vez naqueles dois dias dirigia a palavra para Miroku. Viu o rapaz moreno dar um pequeno sorriso, antes de negar com um aceno.
- Não preciso mais fazer isso. – Miroku sorriu, ajeitando o garotinho nos braços. – Mas posso ensiná-lo a propor casamento.
- Vai pular a parte de elogios e promessas vazias?
- Não, mas quem sabe a garota que escolhi aceite, se o pedido partir de uma criança.
Sangô piscou surpresa, enquanto o rapaz deixava a sala. Baixou a cabeça, o rosto corando ao pensar nas palavras que Miroku acabara de dizer.
- Vá logo atrás dele.
- O que?
- Ora, Sangô, você sempre foi uma garota esperta. – InuYasha sorriu, alcançando a folha de papel com a letra que estivera escrevendo. – E depois, preciso de toda ajuda possível para fazer aquele pirralho parar de repetir o que eu disse.
- E eu pensando que ao menos dessa vez estava pensando em outra pessoa além de si mesmo. – Sangô bufou, levantando-se do sofá.
- Tenho problemas demais para me preocupar com os outros.
- Bem feito. – Sangô sorriu quando o rapaz lhe lançou um olhar irritado. – Acho que vou ensinar mais algumas frases suas para Kiseki! – Completou antes de correr para a cozinha.
- Estou cercado por idiotas... – InuYasha suspirou, voltando sua atenção para a folha. – Por que você não está ao meu lado, Kagome? – Fechou os olhos, baixando a cabeça sobre a mesa. – Ah sim, fui estúpido o suficiente para dizer para ficar afastada até que eu terminasse a música...
- Idiota! – Kiseki gritou na cozinha.
- Sim, sou um idiota... – InuYasha murmurou desanimado.
oOoOoOo
Kagome saiu de sua sala, caminhando rapidamente na direção do elevador. Talvez usar a escada, assim correria menos risco de encontrar um dos dois 'cães de guarda', prontos para lhe fazer perguntas.
- Kagome?
- Estou de saída, Kaede. – A garota respondeu com um sorriso forçado no rosto. – Conversamos amanhã.
- Certo. – A velha secretária aproximou o telefone dos lábios. – Ela está ocupada, InuYasha.
Kagome girou tão rápido que quase perdeu o equilíbrio. Correu na direção da secretária e arrancou o telefone de suas mãos, esforçando-se para ignorar a expressão irônica no rosto da mulher.
- Velha, pare de me testar! – InuYasha continuou mal humorado. – Tive um péssimo dia, não preciso de suas piadas cretinas.
- Cre...
- Não ouse repetir isso, pirralho!
- InuYasha? - Kagome perguntou, surpresa. – O que está acontecendo?
- Odeio crianças... Prometa que não teremos filhos...
- O quê? – Kagome piscou. – Você andou bebendo?
- Esse pirralho idiota... Sesshoumaru fez de propósito... Acho que vou matá-lo.
- Idiota!
- Kiseki, pare com isso... – Miroku falou, estendendo um pirulito para o garoto – Lembra de nosso acordo?
- Maldito idiota!
- Você ensinou Kiseki a falar 'maldito' e 'idiota'? – Kagome perguntou, tentando não rir.
- Não ensinei – InuYasha choramingou. – Criatura inútil... Só fica repetindo isso o dia todo. – As vozes diminuíram no fundo. – Sesshoumaru sumiu, ele devia tomar conta desse pirralho.
- Você me ligou para reclamar de Kiseki?
- Não, eu...
- E pedir para que não tenhamos filhos?
- Sim. Não... Desculpe por isso. – InuYasha respirou fundo, acalmando-se ao ouvir o riso baixo do outro lado da linha. – Sinto sua falta.
-... – Kagome parou de rir, apertando o aparelho com mais força. Sorriu, depois de alguns segundo, relaxando. – Senti sua falta também.
- Por que estamos separados mesmo?
- Você não quer que eu ouça sua música estúpida.
- Minha música não é estúpida!
- Acho que sei onde isso nos levou na outra noite... – Kagome parou de sorri ao ver a expressão curiosa de Kaede. – InuYasha, será que podemos—
- Sesshoumaru chegou.
-... – Kagome virou de costas para a secretária que continuava a fitá-la, sem esconder o interesse na conversa.
- Onde está Kiseki?
- Sangô o levou para a cozinha. – InuYasha baixou o telefone, encarando o irmão irritado. – O que diabo fez a tarde toda?
- Não é da sua conta. – Sesshoumaru ignorou o irmão, caminhando para a cozinha.
- Kagome? – InuYasha voltou a falar no telefone. – Você acha que podemos—
- Maldito!
InuYasha gelou ao ouvir a voz do sobrinho, alta e clara, seguida por um riso divertido, provavelmente pela reação que causara no pai.
- INUYASHA!
- Inferno. – InuYasha pulou da cadeira, pegando as chaves do carro. – Falo com você depois, Kagome.
A garota piscou, fitando o aparelho antes de colocá-lo no gancho. Ignorou o olhar da secretária quando começou a rir, pensando no que provavelmente estava acontecendo com InuYasha.
- Aconteceu alguma coisa?
- Nada… - Kagome mordeu o lábio inferior, tentando controlar o riso. - Boa noite, Kaede.
On
my knees, I'll ask
Last chance for one last dance
Cause with
you, I'd withstand
All of hell to hold your hand
I'd give it
all
I'd give for us
Give anything but I won't give up
Cause
you know, you know, you know
(De joelhos, pedirei
Uma ultima chance para uma ultima dança
Por você suportarei
O inferno para segurar sua mão
Darei qualquer coisa
Farei por nós.
Farei qualquer coisa, mas não desistirei.
Porque
você sabe, você sabe, você sabe)
InuYasha parou o carro na frente do prédio de Kagome, desligou o motor, inclinou-se para frente e ergueu a cabeça, procurando pela janela do apartamento da garota. Sorriu quando a luz acendeu e balançou a cabeça, pensando que só podia ter enlouquecido para ficar feliz com tão pouco.
Recostou-se no banco, colocando a mão sobre o bolso da jaqueta e apertando a fita que se encontrava ali. Fechou os olhos por alguns minutos, pensando como os dois últimos dias haviam sido difíceis.
Com certeza, não fora fácil terminar a música quando tinha que prestar atenção sempre que o irmão se aproximava.
'Idiota vingativo...' Suspirou, pensando que talvez nunca mais tivesse a chance de se aproximar do sobrinho. 'Pirralho idiota.' Sorriu, abrindo a porta, e saindo do carro. Quem imaginaria que sentiria falta do garotinho puxando seus cabelos, e fazendo ruídos idiotas o tempo todo?
Subiu os dois degraus que levavam ao saguão, decidido a entregar a fita a Kagome, estava cansado de ficar sozinho. Parou no meio do caminho quando reconheceu a voz do porteiro.
- Senhor Akuma?
InuYasha piscou, fitando o rapaz.
- Algum problema, senhor?
- Nada. – Sorriu para o rapaz que pareceu meio assustado com sua reação. – Só faz muito tempo que alguém me chamou assim.
- Sinto muito. – O rapaz suspirou aliviado. – Está procurando pela senhorita Higurashi?
InuYasha forçou-se a manter o sorriso no rosto. 'Por que as pessoas fazem perguntas estúpidas o tempo todo?' Aproximou-se do rapaz, lentamente.
- Conheço mais alguém que more aqui?
- Tem razão, senhor. - O rapaz sorriu embaraçado. – Mas não vai encontrá-la.
- A luz está acesa.
- Eu a vi sair a poucos minutos. – O rapaz afastou-se o máximo possível de InuYasha quando o viu franzir o cenho, e apontou para o monitor em sua mesa. – Desceu diretamente para o estacionamento, senhor. Não estou mentindo!
'Típico de Kagome... Consegue me torturar mesmo quando não sabe de minhas intenções.' Suspirou, virando-se para a saída.
- Quer que eu a avise que o senhor esteve aqui?
InuYasha parou, sua mão instintivamente apertando a fita no bolso da jaqueta. 'Eu queria entregar pessoalmente...' Fechou os olhos, respirando fundo antes de voltar-se para o rapaz. 'Acho que vou ter que perder sua reação.'
- Entregue isto para ela. – InuYasha retirou a fita do bolso e estendeu para o rapaz. – Diga que estarei esperando por sua aprovação.
- Certo. – O rapaz sorriu, pegando a fita. – Entregarei assim que a vir.
InuYasha murmurou um agradecimento antes de deixar o prédio. 'Está me fazendo pagar por pedir que se afastasse, Kagome?' Sorriu, ao abrir a porta do carro. 'Talvez eu mereça isso por fazê-la sofrer.'
Entrou no automóvel, colocando o cinto antes de girar a chave. Lançou um último olhar para a porta do prédio, desejando que ela saísse naquele momento, mas nada aconteceu. Balançou a cabeça, rindo de sua própria tolice e lançou um rápido olhar para o retrovisor.
- Sua confiança sempre me irritou.
InuYasha piscou, fitando o homem conhecido pelo retrovisor.
- Pensei que estivesse preso.
- Quer saber um segredo? – Naraku sorriu, inclinando-se para frente, sem desviar os olhos do retrovisor. – Você consegue se livrar de quase tudo se alegar insanidade temporária.
- Admitir a verdade, no seu caso. – InuYasha franziu o cenho. – Ok, 'temporária' é a parte que não é verdade.
- Principalmente se tiver a ficha limpa e for razoavelmente conhecido. – Naraku deu de ombros. – Então, pensei em vir agradecer sua namorada por me colocar nas manchetes.
- Fique longe de Kagome.
- Você me diverte. – Naraku riu baixo.
- O que o faz pensar que não vou jogá-lo para fora do carro nos próximos segundos?
- Talvez isto? – Naraku sorriu, encostando o cano da arma, que estivera escondia até agora, na nuca de InuYasha. – Não fique frustrado, eu sei que pode se livrar de mim facilmente... Sempre foi estúpido o suficiente para se arriscar por pessoas que estão destinadas a abandoná-lo. – Pressionou a arma com mais força – Mas quem pode garantir que não vou me livrar novamente? E ir atrás de sua preciosa mulher da próxima vez?
- Não era o que pretendia fazer desta vez?
- Quem disse que não vou fazer isso depois? – Naraku sorriu - Dirija.
InuYasha respirou fundo antes de ligar o carro novamente. Ajeitou-se no banco, apertando o volante com força, tentando pensar em uma maneira de se livrar de Naraku.
- Ninguém vai salvar você.
- Cale a boca. – InuYasha lançou um ultimo olhar para a porta do prédio antes de sair com o carro. 'Desculpe, Kagome... Isso é tudo que posso fazer.'
- Bom garoto.
oOoOoOo
Kagome pulou no sofá quando ouviu a campainha tocar. Esfregou os olhos, suspirando ao perceber que derrubara os documentos que estivera lendo no chão. 'Talvez eu devesse deixar isso para amanhã.' Olhou para a sala vazia por alguns minutos antes de levantar-se e correr para a porta.
- Boa noite. – O rapaz sorriu – Deixaram isso para a senhorita na portaria.
A garota piscou confusa, fitando a fita que o rapaz lhe estendia.
- Um mensageiro? – Perguntou, estudando a fita. – A essa hora?
- O senhor Akuma.
- Onde ele está?
- Foi embora.
- Como assim ' foi embora'? – Kagome apertou a fita, tentada a atirá-la na cabeça do porteiro.
- A senhorita disse que não queria ser incomodada, eu—
- Isso não incluía InuYasha! – Kagome empurrou o rapaz, correndo para o elevador.
- Não disse que havia exceções.
'Estúpida. Idiota...' Kagome pensou, enquanto apertava o botão compulsivamente, esperando que isso fizesse o elevador chegar mais rápido ao andar.
- Quanto tempo?
- Poucos minutos, pensei que podia ser importante e—
- Eu realmente gostaria de poder despedi-lo! – Kagome gritou, desistindo do elevador e correndo para a escada.
O rapaz parou assustado antes de seguir a garota. Só seguira as instruções que ela lhe passara, e era ameaçado? 'Mulheres...'
Kagome terminou de descer os degraus e continuou correndo até a saída. Parou na calçada, ofegando pela corrida, e tudo que pode ver foi o carro de InuYasha se afastando.
Fechou os olhos, tentando recuperar o fôlego. Apoiou-se na parede fria, apertando a fita contra o peito.
- Obrigada, InuYasha.
- Senhorita Kagome? – O rapaz deu um passo para trás quando ela se virou, fuzilando-o com o olhar. – O Senhor Akuma disse que esperaria pela sua aprovação. – Disse rapidamente, apontando para a fita que a garota segurava.
Kagome sorriu, balançando a cabeça. 'Você ainda precisa da minha aprovação?' Suspirou, acenando para o rapaz antes de entrar no prédio. 'Como pode achar que eu não amaria qualquer coisa que viesse de você?' Apertou o botão do elevador. 'Você quer ouvir também, InuYasha?'
That
I love you
I have loved you all along
And I miss you
Far
away for far too long
I keep dreaming you'll be with me
and
you'll never go
Stop breathing if
I don't see you anymore
(Eu te amo
Sempre amei você
Sinto sua falta.
À distância, por tanto tempo
Continuo sonhando que você será minha.
E nunca irá partir
Pararei de respirar
Se
não puder vê-la novamente)
Kagome desligou o telefone assim que ouviu a mensagem da caixa postal. Passara o dois últimos dias em casa, pulando a cada vez que ouvia o telefone ou a campainha tocar. Infelizmente nenhuma vez encontrara quem desejara.
Suspirou, afundando no sofá, abraçada a uma almofada. 'O que há de errado com ele?' Seus olhos voltaram-se para o aparelho de som, onde a música continuava tocando desde o dia em que a recebera.
- Dois dias parecem uma eternidade... – Murmurou, levantando do sofá. – Por que não atende o maldito celular?
oOoOoOo
Naraku sorriu, observando o aparelho em suas mãos. Pousou-o sobre a mesa quando parou de tocar e fitou o outro rapaz.
- Sua namorada é bem insistente, não acha? – Agachou a alguns passos de InuYasha – Quanto tempo até que a bateria acabe, e ela comece a se preocupar com você?
- Mais tempo do que levarei para me soltar e acabar com você.
- Você nunca foi muito esperto, foi? – Naraku riu, erguendo-se. – Não duvido que conseguisse se livrar das cordas, mas as algemas não são tão fáceis...
- Idiota pretensioso.
- Você diz que vai se livrar de algemas, e eu sou o pretensioso? - Naraku girou, fitando o rapaz no chão irritado. Apontou a arma para InuYasha. – Eu sou o pretensioso? – Repetiu a pergunta, pousando o dedo no gatilho. – Você não é nada.
- E mesmo assim consegui o seu lugar sem me esforçar. – InuYasha sorriu. – O que isso faz de você? Menos que nada?
Naraku franziu o cenho, fitando o outro rapaz por alguns segundos. Fechou os olhos, baixando a mão, e acertando o rosto de InuYasha com o revolver. Sorriu ao ouvir o gemido abafado que deixou os lábios do outro, e abriu os olhos para fitar o filete de sangue que escorreu de seus lábios.
- Não vai funcionar. – Naraku deu de ombros, afastando-se. – Quero você vivo quando eu finalmente fizer sua mulher pagar. – Pegou o celular novamente, sentando-se na cama. – Eu tenho tempo.
InuYasha fechou os olhos, sentindo o rosto queimar no lugar que fora atingido. Encostou-se a parede, fechando as mãos e forçando as algemas novamente. Sentia a pele no local que as algemas roçavam arderem, suas mãos pegajosas com o sangue que escorria do ferimento por continuar friccionando o local contra o metal enquanto tentava passar as mãos por elas. 'Só mais um pouco, Kagome.'
oOoOoOo
- Pa-pa-i
- Idiota!
- Vou matar aquele imbecil. – Sesshoumaru girou os olhos, fitando o filho.
- Im—
- Nem pense em repetir isso!
O garotinho começou a chorar, pela rispidez com que o pai falara com ele.
- Não chore, Kiseki, não é você que vou matar.
- Ma-ta.
- Você está fazendo de propósito, não está? – Sesshoumaru suspirou, abraçando o filho. – Por que não aprende alguma palavra útil? – Ajeitou-se no sofá, acariciando o rosto do garotinho que riu em resposta. – Deve ter passado muito tempo com seu tio idiota... Burrice deve ser contagiosa...
- Maaa...
- Pare de dizer isso ou sua mãe vai matar nós dois.
- Maaaa... – Kiseki repetiu, estendendo os braços na direção do pai.
- Papai.
- Maaa! – O garoto repetiu, tentando pegar algo atrás do pai.
- Ele está tentando dizer 'Mãe'. – Rin entregou o telefone para Sesshoumaru e pegou o filho. – Muito bem, querido.
- Ma! – O garoto sorriu.
- Finalmente. – Sesshoumaru suspirou, erguendo o telefone – Fale.
- Onde está InuYasha?
- Kagome. Boa noite para você também. – Sesshoumaru respondeu irônico.
- Onde está seu irmão?
- Você é esperta e o chutou mesmo depois de ouvir a música? – Sesshoumaru desviou da almofada que Rin jogou em sua direção. – O mundo não está perdido.
- Não o encontrei ainda.
- Como assim?
- Nós nos desencontramos. – Kagome falou rapidamente. – Ele deixou a fita aqui, mas não consegui falar com ele.
- Quanto tempo?
- Dois dias.
- Tentou ligar no celular?
- Sim. – Kagome fechou os olhos, apertando o aparelho com força. – Estou ficando preocupada.
- Ele provavelmente está dormindo.
- Por dois dias?
- Dormiu pouco na ultima semana. – Sesshoumaru falou rapidamente, enquanto levantava do sofá e saia do apartamento. – Preocupado em terminar sua música, e torturando todos nós no processo.
- Sesshoumaru...
- Não se preocupe. – Abriu a gaveta onde guardava a chave extra do apartamento do irmão. – Ele vai aparecer.
- E se algo aconteceu?
- Tolice. – Pegou o chaveiro, completando antes de desligar. – Falo com você depois.
Rin seguiu o marido para o corredor, parando a seu lado quando ele entrou no apartamento do irmão, acendendo a luz e checando o local que parecia estar do mesmo jeito desde que estivera ali da ultima vez.
- O que aconteceu?
- Nada. – Virou-se para Rin, a expressão indecifrável no rosto. – Tenho que sair. – Tentou passar pela garota que segurou seu braço. – Está tudo bem.
- Aonde você vai?
- Procurar InuYasha.
- Acha que ele voltou para a casa?
-... – Sesshoumaru colocou a mão sobre a da esposa, apertando-a gentilmente antes de forçá-la a soltar seu braço. – Espero que sim.
Rin ficou parada, observando o marido entrar no próprio apartamento, pegar o celular e as chaves do carro, e sair novamente. Abraçou o filho com mais força quando ele tentou segurar o pai.
- Avise Miroku para me encontrar lá.
A garota concordou com um aceno, observando-o desaparecer no corredor. Forçou-se a sorrir para Kiseki quando ele começou a chorar.
- Está tudo bem, querido. – Fechou a porta, voltando para o próprio apartamento. – Papai vai voltar logo. Vai ficar tudo bem...
So
far away
(So far away)
far away for far too long
So far
away
far away for far too long
But you know, you know, you know
(Tão longe
(Tão longe)
À distância por tanto tempo
Tão longe
À distância por tempo demais
Mas
você sabe, você sabe, você sabe)
Kagome deixou o telefone cair no sofá a seu lado, ouvindo a voz de InuYasha soar a seu redor. Fechou os olhos deixando-se embalar pela canção, lembrando-se da ultima vez que haviam se encontrado.
"- Eu queria que fosse uma surpresa.
- O que?
- A música. Você não deveria ouvir antes que estivesse pronta."
Abriu os olhos, fixando-os no teto enquanto a música continuava a tocar no aparelho de som. Abraçou a si mesma, sentindo as lágrimas deslizarem por suas bochechas, a expressão de InuYasha gravada em sua mente enquanto tentava afastá-la porque não queria surpreendê-la.
- Seu idiota, não percebe que nada disso importa? – Murmurou, enxugando as lágrimas com as mãos trêmulas.
I love you
(I
love you)
I have loved you all along
And I forgive you
(and
I forgive you)
For being away for far too long
(Eu te amo
(Eu te amo)
Eu sempre amei você
E eu te perdôo
(E eu te perdôo)
Por ficar tão distante por tanto tempo)
Buyo pulou no sofá, e deitou sobre o colo de sua dona. Inclinou a cabeça quando ela o abraçou, sentindo as lágrimas molharem o pêlo de sua cabeça.
- Eu o perdoaria, Buyo... Como fiz todas as vezes que me magoou. – Kagome acariciou a cabeça do felino. – Amaria e suportaria tudo apenas para tê-lo ao meu lado. Não preciso de músicas perfeitas ou palavras bonitas.
O gato piscou confuso, aceitando os carinhos da garota.
- Alguma coisa aconteceu com ele... Eu sei.
Buyo ronronou em resposta, não conseguia entender o que sua dona dizia, mas podia apostar que a razão do choro era o homem que não via a algum tempo. Precisava lembrar de afiar as garras antes de pular sobre sua cabeça da próxima vez que o visse.
- Eu o amo tanto... – Kagome murmurou, tão baixo que o felino mal ouviu sua voz. – Passamos por tanta coisa juntos... Não merecemos ser felizes?
O gato fechou os olhos, deixando que a humana o abraçasse. Odiava vê-la desse modo, mas sabia que nada que fizesse a faria parar de chorar... Só podia esperar que seu outro dono voltasse logo.
So
keep breathing
Cause I'm not leaving you anymore
Believe
it
Hold on to me and never let me go
(Então continue respirando
Porque não deixarei mais você
Acredite
Segure-se em mim e nunca me deixe partir)
- Você mentiu para mim, InuYasha? – Kagome ajeitou-se no sofá, depositando o gato a seu lado. – Está tentando me castigar? – Fechou os olhos, deixando Buyo aninhar-se sobre suas pernas novamente. – Por favor... Volte para mim.
oOoOoOo
InuYasha abriu os olhos, ao ouvir a voz de Kagome soar em seus ouvidos. Piscou, observando cada pequeno lugar do cômodo com atenção.
'Acho que estou enlouquecendo...' Fechou as mãos com força, sentindo as pontadas de dor partirem dos ferimentos em seus pulsos e percorrem seus braços, quando o metal apertou os ferimentos, que ele mesmo produzira ao tentar se libertar das algemas. Pousou a cabeça no chão, sentindo-se cansado demais para continuar.
"Por favor... "
A voz de Kagome soou novamente, obrigando-o a entreabrir as pálpebras para encontrar apenas Naraku, sentado na cama do lado oposto, ocupado demais em observar o celular para lhe dar alguma atenção.
"Volte para mim, InuYasha."
InuYasha sorriu, pensando ter realmente enlouquecido pelo tempo estava preso. Respirou fundo, fechando os olhos novamente. Não adiantava continuar forçando as algemas, quando mal podia manter os olhos abertos.
'Eu vou voltar, Kagome... Só preciso descansar um pouco'
Keep
breathing
Cause I'm not leaving you anymore
Believe it
Hold
on to me and never let me go
(Continue respirando
Porque não deixarei mais você
Acredite
Segure-se em mim e nunca me deixe partir)
N.A. – Devo fugir agora?
