Comentários da Autora: Finalmente, depois de tantos anos, chegamos a um final. Não foi uma história fácil de escrever, não foi uma história bonita, se passa em um reino imaginário, com situações imaginárias, mas que poderiam acontecer em qualquer lugar.
Gostaria de deixar um agradecimento enorme a minha beta Shyriuforever94 por sofrer junto comigo, por seus comentários pertinentes e por acreditar que um dia essa história teria finalmente um "the end". Espero que, se alguém ainda ler, goste. Se possível, comentem, gostaria de saber se não perdi a mão. Sem mais delongas... que se siga o "the end.
Hyoga dormira por mais de 12 horas seguidas, sequer se lembrava se alguma vez dormira tão bem em sua vida. Fora informado que o quarto em que dormira era o quarto de Milo na adolescência. No início reclamara, se prontificara a dormir com os outros no acampamento improvisado, mas fora convencido pelo pai e por Milo que precisava descansar e que não deveria estar presente quando fossem se enfrentar na praça. Espreguiçou-se languidamente sem ter a menor ideia do horário, de onde estavam todos e se algo de fato acontecera.
Tomara um longo banho, sentira os músculos doloridos relaxarem. Apreciara, quase com êxtase, coisas simples, como uma ducha forte de água quente, um sabonete cheiroso, uma toalha macia e roupas limpas. Sorrira com satisfação ao perceber que as roupas antigas de Milo cabiam perfeitamente em si. Descera as escadas com o estômago roncando. Entrara na cozinha e encontrara Saga, Aioros, Afrodite, Mask e Alissa. Olhara em volta e não vira os demais Golden, nem seu pai e o Escorpião.
- Bom dia, bela adormecida, ou seria boa tarde? – Saga brincou – Alissa, prepare alguma coisa substanciosa para esse menino comer que estou ouvindo o estômago dele roncar daqui. Sente-se Hyoga, creio que deve estar curioso acerca dos acontecimentos da manhã.
- Onde estão meu pai e Milo?
- Nesse momento, creio que perdidos em algum lugar nessas matas, fazendo algo proibido para menores, pelo menos assim espero, porque se esses dois não chegarem aqui com sorrisos bobos e olhos brilhando, eu me encarrego de esfolar aquela dupla!
Uma risada tomou conta da sala no mesmo instante em que um prato de panquecas com mel e um enorme copo de leite foram colocados na frente de Hyoga. O menino sorriu genuinamente, não se lembrava se algum dia já fora servido com tamanho banquete. Começou a comer apressadamente como se a qualquer momento a comida fosse evaporar como por encanto.
- Calma, Hyoga, vai se engasgar desse jeito. Tem mais de onde vieram essas. Não se preocupe, nunca mais deixaremos que falte nada no seu prato. – Alissa falou delicadamente, como uma avó. No fundo, se sentia de fato avó daquele menino, afinal era filho do amado de seu filho, e como seu neto seria tratado. Chegava de sofrimento pra ele, não passava de uma criança.
Hyoga corou e começou a saborear a comida, estava deliciosa. Enquanto se alimentava, Saga ia contando a ele tudo que acontecera. Era tratado pelo grande comandante dos Golden como um igual e isso enchia seu jovem coração de orgulho. Ficou sabendo das revelações de Alissa e sobre como os Goldens pensavam em colocar Alissa e Dohko no poder.
- Eu ainda não conheço bem todos vocês, mas posso afirmar que, qualquer poder que seja endossado pelos Golden será bem recebido pelas tropas e, se junto com ele vier o fim dessa guerra, mais ainda. Hoje as tropas não passam de crianças como eu, mas isso todos aqui já sabem, não creio que seja muito diferente do outro lado. Se, de fato, Alberich fugiu e nos abandonou à própria sorte, creio que alguém com mais idade gerindo o poder seja muito bem visto por todos, sejam militares ou civis.
Mal Hyoga acabara de falar, Camus e Milo entraram no recinto. Sorrisos bobos e olhos brilhando.
- Por acaso estão falando de mim pelas minhas costas?
- Imagina rabudinho, a gente nunca faria isso. – Afrodite fez uma cara teatral. – Aconselho vocês a sentarem.
Camus olhou para o prato a frente do filho, percebeu que ele estava de banho tomado e usando as roupas antigas de Milo. Sentiu uma ternura encher seu peito que pensou que fosse explodir em milhares de pedaços de purpurina colorida. Riu sozinho e, quando deu por si, todos haviam se calado e estavam olhando pra ele como se estivessem vendo um fantasma.
- Estou com uma melancia pendurada no pescoço, por acaso?
- Não, mas está rindo do nada. É quase a mesma coisa.
- Estou feliz, isso é algum pecado?
Milo abraçou o antes sisudo reitor e respondeu que aquele era o momento mais feliz de sua existência e que ele não só podia, como deveria continuar a rir. Hyoga se levantou sem saber exatamente o que fazer ou como agir, mas queria compartilhar aquela felicidade com o pai. O soldado teve sensibilidade suficiente para perceber a indecisão do garoto e facilitou as coisas, puxando-o para um grande abraço de urso.
- Findo o momento amenidades, porque nada pode durar pra sempre, será que vocês poderiam nos por a par do que perdemos?
Mais uma vez, todos os acontecimento pós saída dos dois da praça foram narrados.
- PUTA QUE PARIU! CARALHO! EU SOU UM FODIDO MESMO! Quer dizer que não bastando ter sido criado como filho do General, descubro que sou um fodido herdeiro de uma merda de país destruído por uma guerra estúpida e, pra piorar, aqueles que deveriam ser meus amigos querem que eu assuma essa bagaçada toda? Com vocês como amigos, quem precisa de inimigos? E cadê o meu pai? O velho tem que segurar isso, porque eu estou fora! Entenderam todos? Estou fora. Vou pegar o meu ruivo e o loirinho aqui e vou sumir nesse mundão de Deus.
- Calma Milo, eu sei que é muita informação...
- Calma é o caralho, Saga! Você, mais do que ninguém, sabe quão fodida foi a minha vida. Será que eu não mereço ao menos férias? Daqui a pouco vão querer que eu case com uma herdeira qualquer e produza uma penca de filhos. Aviso a todos... diferentemente do ruivo ali – aponta para Camus – meu pau não sobe com mulheres, então nem adianta tentar.
Política era algo com que Milo nunca sonhara em se meter. Ele não era homem de meias palavras, de negociar, de ceder. Não sabia dar sorrisos falsos e tapinhas nas costas. Não sabia usar todos os talheres em ordem, comer comedidamente. Era um homem de ação, de gestos largos, de sorriso fácil quando estava feliz e palavrões enormes quando estava puto. De repente, olhou para Camus, que estava em um canto, ainda com os braços ao redor dos ombros de Hyoga e teve uma ideia.
- Talvez isso possa dar certo...
Todos no recinto olharam para ele boquiabertos.
- Podem, por gentileza, segurar seus maxilares? Não quero recolher o queixo de ninguém no chão. Realmente tenho que reconhecer que a minha pessoa traria a estabilidade tão sonhada. O "Anjo Assassinado", o "Escorpião", o filho da sobrevivente do massacre do golpe de Zeus. Mas todos me conhecem e, realmente, para a diplomacia não sou o mais adequado, mas tem uma pessoa aqui nesta sala que passou a vida inteira negociando, gerindo pessoas, se impondo com sutileza apesar da pouca idade.
Todos os rostos se viraram para Camus, cuja face ficou tão rubra quanto seus cabelos.
- Se eu for o "garoto propaganda", aquele que cria a unidade e ele for o negociador, a cabeça pensante por trás de tudo, acho que realmente pode dar certo. Cada um fazendo aquilo que sabe fazer de melhor. Meu pai sempre foi o homem das comunicações, ele é um gênio nisso e minha mãe sempre viveu nos corredores da nobreza. É... pode de fato dar certo.
Shaka, Mu e Dohko entraram esbaforidos na residência, interrompendo o discurso de Milo.
- A família real, a corte, o alto comando do exército... – Mu começou a falar atabalhoadamente sendo interrompido por Afrodite.
- Todos eles fugiram. Essa notícia é velha, carneirinho. Mas por outro lado, temos notícias que vocês não têm e um casamento pra organizar.
- Casamento? De quem?
- Do velhote aí e da rainha Aimée.
- Rainha Aimée? Como assim? O que eu não estou sabendo ainda, Alissa? – Dohko perguntou diretamente para a senhora que ainda tentava se esconder por trás das panelas.
Alissa então tomou as rédeas da situação.
- Se querem mesmo que eu assuma o lugar que me é de direito por nascimento e sangue, vamos colocar ordem na baderna. Ah, e eu decido as coisas aqui! – falou com voz firme, batendo com a palma da mão sobre a mesa – Ainda tem gente faltando, então é melhor aguardar todos chegarem e repetirei tudo apenas uma vez.
Retirou do enorme forno uma bandeja lotada de biscoitos caseiros e colocou sobre a mesa.
- Comam para manter essas bocas ocupadas e fechadas até que estejamos todos reunidos. Sem mais discussões.
Milo encheu as mãos de biscoitos, segurou Camus e Hyoga e os ia puxando para a porta sorrateiramente quando sentiu uma colher de pau passar a milímetros da sua cabeça.
- Milo Fayre, onde o senhor pensa que vai? A próxima eu acerto na sua cabeça. Pode ir sentando o seu rabo em qualquer canto e se prepare para esperar calmamente.
- Mas...
- Sem mas! Não vou falar de novo.
- Cacete... já virou mãe e rainha em menos de cinco minutos. – Milo emburrou, mas atendeu a ordem de Alissa e sentou-se em um canto da cozinha. Camus sentou-se ao seu lado tentando a todo custo conter o ataque de risos e Hyoga aproveitou para deitar, descansando a cabeça nas pernas do pai.
Era uma cena familiar e normal, se não fosse a seriedade das decisões que deveriam ser tomadas naquela cozinha. Não tardou muito para o restante dos Golden adentrar. Estavam todos ali, reunidos e ansiosos.
- Bom... agora que estão todos aqui, acho que posso falar. Todos vocês já ouviram partes fragmentadas da história, então acredito ser melhor reunir tudo em uma sequência cronológica e rápida. Há cerca de 60 anos esse reino era governado pela família Fayre. Éramos muitos, sucessão garantida. O pai de Athena, Ástoles, também conhecido por Zeus, deu um golpe de estado, tomou o poder e matou toda a família Fayre, menos a caçula. Essa criança foi criada nos corredores do palácio e na adolescência seria ama de companhia da então rainha Athena. Essa criança sou eu. Aimée Fayre – antes que me perguntem, eu tenho documentos comprobatórios de tudo que estou falando.
Uma pequena pausa e ninguém pareceu discordar de nada.
- Continuando. Eu me apaixonei por um guarda real – Dohko – e tive um filho dele – Milo. Nós fomos separados e esse filho retirado de mim. Mantive o meu silêncio até hoje porque as ameaças que pesavam sobre meu amor e meu filho eram muito fortes e a minha covardia não me deixou fazer mais do que fiz até hoje: viver escondida na ala servil, primeiro no castelo e depois na casa do General. Saga acredita que a melhor opção para acabar com essa guerra e darmos alguma estabilidade para esse reino é que a família Fayre assuma o que é seu de direito – o trono. No entanto, para podermos legitimar Milo, porque um herdeiro ilegítimo, apesar do sangue nobre seria mais um problema diplomático, acredita que deveria fazer o meu casamento com Dohko e que esse casamento deveria ser retroagido a antes do nascimento de Milo. Assim, teríamos um rei, uma rainha e um príncipe herdeiro. Quanto ao fato de Milo não possuir herdeiros, creio que isso possa ser resolvido, já que Camus providenciou um filho.
- Mas Alissa, Camus é um homem, como eu poderia me casar com um homem e assumir o filho dele?
- Realmente essa guerra alienou todos vocês. Apesar de tudo que acontece aqui, eu tentei ao menos me manter informada do que acontecia no resto do mundo, apesar do mundo ter esquecido de nossa existência. Já existem chefes de Estado assumidamente homossexuais. Não creio que isso seria um problema. E mesmo que seja, já estou de saco cheio de tantas regras e tantos preconceitos. Vivemos até hoje, em meio a guerra, sozinhos. Nossa economia está destruída, nossas cidades estão destruídas e mesmo assim sobrevivemos, não precisamos de ninguém nos dizendo como devemos gerenciar a nossa pátria.
Uma salva de palmas pôde ser ouvida pelo recinto. Aquela pequena senhora, que sempre estivera à margem de tudo, era muito mais forte e mais sábia do que eles poderiam imaginar. Dohko abraçou Alissa, orgulhoso da mulher que ela se tornara. Ela sempre fora sua rainha, agora era a rainha de todos.
- Sejamos práticos então – Shaka finalmente se pronunciou. – a cidade já está segura. Todos que estão aqui já podem retornar para suas casas. Tão logo essa mansão esteja vazia, deveríamos ir para o castelo, preparar os documentos do casamento e amanhã fazer o pronunciamento, enviando um comunicado para nossos vizinhos solicitando a presença de um diplomata para negociar o cessar fogo. Alissa e Dohko, creio que esse é o momento ideal para vocês desaparecerem. Apesar de não existir mais segredos, e que iremos tentar mudar algumas coisas, está na hora do nosso casal real tirar as roupas de serviçal e soldado. As pessoas precisam de segurança, nobreza e realeza. Milo, por mais que você odeie, está na hora de voltar para sua cadeira de rodas. Você agora é um príncipe e como tal precisa ser cuidado. Não existe mais a necessidade de que você fique aleijado. Tem agora a sua guarda real para te proteger.
Todos concordaram silenciosamente com o raciocínio preciso de Shaka. Apesar de odiar a cadeira de rodas, Milo sabia que era necessário e seria um alívio para sua perna. Poderia tratar do seu ferimento e em breve voltar a andar como se nada tivesse acontecido.
Hyoga começou a assoviar uma música que ouvira muito tempo atrás, em um toca fitas velho que encontrara em uma casa abandonada. Sempre achara a letra linda, mas nunca fizera sentido pra ele. Naquele instante, porém, fazia sentido. Sentiu os ventos da mudança e acreditou que poderia sonhar com um futuro. Poderia sonhar com tardes despreocupadas acompanhado de amigos que ainda faria, sonhar com festas de adolescentes onde a maior preocupação seria se a garota mais bonita aceitaria dançar com ele. Tudo fazia sentido. Ele agora podia ouvir os ventos da mudança murmurando liberdade.
Wind Of Change
I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change
An August summer night
Soldiers passing by
Listening to the wind of change
The world is closing in
Did you ever think
That we could be so close, like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change
[Chorus:]
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change
Walking down the street
And distant memories
Are buried in the past forever
I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change
The wind of change blows straight
Into the face of time
Like a stormwind that will ring
The freedom bell for peace of mind
Let your balalaika sing
What my guitar wants to say
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change
