Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.

Summary: Nigel narra a busca de Sidney por uma relíquia que pode mudar o destino, a pedido de um amigo de longa data. O novo rumo dos acontecimentos trazido pela relíquia trará um futuro melhor ou pior para todos?


Caminhos errados

25. O dia da discussão

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"Não se mova. Vai ficar tudo bem..."

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Dia n. 1: Na manhã deste dia, lembrei de ter adormecido no colo dela, mas não encontrei Sydney ao meu lado quando acordei. A porta do quarto estava aberta, e o barulho na cozinha denunciou que ela continuava no apartamento. Fiquei satisfeito por não cambalear ao levantar do leito e até estar disposto a tomar café-da-manhã, o descanso da noite anterior ajudara-me muito.

Saí do cômodo e surpreendi-me ao enxergar uma cabeleira loira à mesa de jantar, onde eu esperava encontrar Sydney. Karen estava sentada ao lado da professora, e as duas estavam de costas para mim manuseando uma quantidade absurda de papéis sobre a mesa.

"Robert conseguiu muita informação!" Comentou Sydney ao folhear alguns arquivos.

"Mas é como você disse: sobre Dallas não há muita coisa. É como se tivesse desaparecido da face da terra. A última informação que temos é sobre a compra de uma passagem aérea há dois meses, como Derek dissera."

"Para a Tessália", a morena disse.

"Exato."

"O chapéu era mesmo dele..." A morena considerou, pensativa. Franzi o cenho.

"Isso não é tudo." Sydney encarou a loira – e eu também. Karen continuou: "Quem comprou a passagem usou o cartão do fundo especial de pesquisa arqueológica de Cambridge, no nome de Zack Williams. Zack morreu quinze dias após fazer esta compra." Karen deu uma pausa. "Ele era assistente de Josh Greyard."

Era como eu imaginava, estavam revirando informações sobre o vaso de Atena. "O que estão fazendo?" Perguntei em tom de repreensão. As duas viraram a cabeça, alarmadas, como crianças que foram pegas cometendo travessuras.

"Eu não consegui extrair informações de Josh ontem à noite, Nigel. Pedi para Karen tentar encontrar pistas sobre outras pessoas que tiveram contato com a relíquia. Quero ter certeza total de que sua doença não está relacionada ao alabastro."

Esfreguei o rosto e tomei um lugar ao lado delas. Olhei para a quantia de documentos sobre a mesa e encarei Sydney sobrecenho. "Não pode estar considerando usar a relíquia. Já conversamos sobre isso."

"Estes são dados novos que Robert conseguiu. Acho que de alguma forma estão relacionados ao que está acontecendo." Espiei Karen e considerei a expressão séria das duas por alguns segundos. Respirei profundamente.

"Tudo bem. Prossigam."

Sydney pareceu satisfeita, e Karen continuou. "Levantamos todas as despesas realizadas com o cartão de Zack. Dez meses antes da desativação pela morte do rapaz, houve a compra de uma outra passagem aérea para a Tessália, para um consultor chamado Harper S."

"Stewie?" Exclamamos eu e Sydney ao mesmo tempo.

"Sim. Robert fez uma busca e foi fácil encontrar dados sobre o Professor Harper. Ele teve morte cerebral depois de um longo período de tratamento de carcinoma da nasofaringe. Essa não é a mesma doença que Nigel tem?" Perguntou a loira.

"Sim." Sydney respondeu. Fiquei quieto.

"Robert também levantou os dados de Zack e..." Eu e a morena estreitamos os olhos. "... o rapaz morreu com a mesma doença de Stewie."

"Como assim? Josh disse que sua morte fora inexplicável." Indaguei.

"O médico que assinou o atestado de óbito discorda." Karen falou, olhando para a caçadora. "O que isso tudo quer dizer, Sydney? Como você sabia que deveríamos investigar Dallas?"

"Não consegui mais contatá-lo desde que encontramos aquele chapéu. Nem Derek sabia de seu paradeiro, e quando Nigel mencionou algo sobre o destino, pensei que poderia mesmo haver alguma relação em tudo isso. É exatamente como eu imaginei: está tudo relacionado à relíquia."

Tentei encaixar as informações. A loira segurou delicadamente o braço de Syd. "Acha que pode ajudar Nigel?" A caçadora tinha em seu olhar a confiança e determinação eu há muito não via na amiga.

"Não tenho certeza. Mas Josh não quis falar sobre isso, e se a relíquia é a causa da doença, pode haver uma chance."

"Espere. Não pode estar certa. Como a doença está relacionada à relíquia se você, Josh e Dallas não ficaram doentes?"

"É como na lenda, Nigel. Todos que se aproximaram da relíquia terminaram mal, de uma forma ou de outra. Não encontramos Dallas para descartar a possibilidade de ter lhe acontecido o mesmo."

"Mas você a fez funcionar, Josh se livrou da maldição. E você está bem."

"Só que você ficou doente. Alguém sempre paga o preço, Nige, e desta vez está sendo você."

Fiquei quieto por vários segundos. Então balancei a cabeça. "Não. Isso não pode ser, eu já estava doente."

"Tanto o Dr. Andrew quanto o Dr. Peterson ficaram assombrados ao verem que você não apresentava nenhum sintoma antes daquele desmaio, Nigel. E no dia que usei o telefone de Josh, vi o número do Dr. Andrew na memória. Por que ele guardaria o número de um oncologista? Ele já sabia até o nome da sua doença sem que nós o tivéssemos mencionado. Ontem, quando o confrontei, ele não quis falar sobre o assunto e foi embora de minha casa. Talvez a doença e a maldição sejam a mesma coisa. Eu estou certa de que o que está acontecendo com você foi causado pelo alabastro, e a culpa foi minha por tê-lo usado. Irei até a Grécia e encontrarei algum jeito de reverter a maldição."

Olhei para Karen, tentando encontrar nela a mesma inclinação para dissuadir a caçadora a não fazer o absurdo ao qual ela estava se propondo, mas a loira parecia ainda mais convencida daquilo. Levantei da cadeira. "Eu-eu não posso deixar que faça isso!"

"Nigel eu irei com ou sem a sua aprovação. Não posso ficar parada quando há uma chance de salvar a sua vida."

"Mas e o que será de você, Syd? Você mesma disse, alguém paga o preço, não deixarei que faça isso!" Ela fez sinal que não e começou a reunir os documentos. Senti os olhos começarem a arder ante o rosto tão decidido da mulher a minha frente. Tudo o que estava ao meu alcance eram palavras? Não havia como impedi-la? O que seria de mim se ela fosse até lá e não voltasse? "Não vá, por favor!" Eu implorei e agarrei as mãos dela.

Ela apertou de volta. "Eu sinto muito, Nige. Sabia que agiria assim, e mais uma vez eu não irei lhe escutar." E soltou-me. Ela me virou as costas e começou a andar em direção à porta do apartamento. Desespero tomou conta de mim, olhei ao redor raciocinando na busca de argumentos para impedi-la.

"Syd, não! Eu... EU IREI COM VOCÊ!"

A mulher parou. "Não. Não vai."

"Eu irei. Não está me dando ouvidos, tampouco a obedecerei!"

"Nigel, você não pode. Olhe para você, mal aguenta ficar de pé!" Karen exclamou ao meu lado.

"Isso não importa. A sessão foi ontem, eu já estou melhor." Encarei a morena: "Se pensa que vai se arriscar sozinha, está muito enganada. Eu irei com ou sem o seu apoio!"

Ficamos desafiando um ao outro com o olhar. "Nigel, você tem que ficar aqui e continuar o tratamento!"

Suavizei minha voz: "Você sabe que não está adiantando. Mesmo com o meu corpo morrendo mais e mais a cada dia, a doença não para de avançar." Vi um lampejo de dor passar pelo rosto dela e continuei serenamente: "Ontem, o Dr. Andrew sugeriu que eu fique no hospital a partir da próxima semana."

"Do que está falando?"

Senti a mão de Karen pousando levemente sobre o meu ombro enquanto eu encarava o olhar surpreso da professora. "Tudo o que eu fiz até agora não adiantou, Syd. Seguirei o conselho dele e tentarei como último recurso essa nova droga, mais forte... eu ficarei mais fraco ainda." As duas ficaram em silêncio. Passei a mão pela cabeça. "Os meus cabelos irão cair, e eu não conseguirei sair de lá... Eu não poderei mais viajar com você, Syd." Completei, e as duas continuaram sem palavras por alguns momentos.

A morena cerrou os punhos. "Nigel, eu irei reverter isso."

Sorri para ela. "Então eu quero ver. Quero aproveitar o pouco tempo que me resta com você. Eu quero estar lá ao seu lado para tentar com todas as minhas forças convencê-la a não tocar novamente naquela relíquia." Ela virou o rosto para o outro lado, evitando olhar para mim. Peguei a mão de Karen, que estava sobre o meu ombro, e a beijei delicadamente. "Vou preparar a minha mochila." A loira balançou a cabeça e secou os olhos.

•••

Os preparativos foram rápidos, e ainda naquele dia, eu e a caçadora embarcamos em um avião para a Grécia. Estávamos prontos para realizar mais uma caçada, lado a lado. E quando chegamos ao monte, ainda sob os protestos de Sydney, já era o próximo dia: o dia que seria o último...

•••

Continua


N.A.: Está chegando... está chegando a hora!

Obrigada desde já às minhas leitoras do coração: Cris e Neila, meus amoresss! Beijosss!

Onde anda a Lulu? Estou com saudades! E a Natilubby? Beijos a elas também, minhas flores!

Steamboat, I miss you! Steph, big kiss to you too!