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Disclaimer: Naruto não é meu, mesmo que eu queira muito.
E o enredo de também não, Liberte Meu Coração pertence a maravilhosa Meg Cabot e eu somente juntei duas coisas que amo muito e vamos ver no que vai dar.


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Liberte Meu Coração

Capitulo 25

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Capitulo Vinte e Cinco

Durante os três dias em que esteve como prisioneira na casa de Naruto, Sakura recebeu instruções praticamente ininterruptas sobre as artes próprias de uma dona de casa. Tinha sido forçada por madame Uzumaki a realizar tarefas que as irmãs sempre faziam com prazer, deixando Sakura livre para caçar. O horror de Kushina com o fato de Sakura ser despreparada para realizar até mesmo as mais simples tarefas de casa. Kushina Uzumaki se inflava eloquentemente para falar do assunto em toda oportunidade que tinha, como Sakura não podia sair de sua vista. Sakura tinha sido forçada, ao menos para calar a boca da mulher, a cumprir com o plano que a madame tinha de tornar a Sra. de Stephensgate uma perfeita castelã.

Ao fim do terceiro dia de encarceramento, Sakura tinha aprendido a fazer queijo e manteiga, a sovar um pão razoavelmente, a remendar qualquer rasgo numa peça de roupa, a usar uma roca e a trabalhar num tear. Também recebeu orientações sobre como instruir os servos de uma casa e passou horas laboriosas aprendendo a memorizar uma única passagem do livro de oração de Kushina , uma passagem que discorria profundamente sobre a falta de juízo de Eva no Jardim do Éden e como as mulheres eram as únicas responsáveis pela ruína da humanidade.

Sakura aguentou essas privações só porque sabia que teria de escolher entre a chatice de madame Uzumaki ou a prisão. Embora não temesse nem ratos, nem piolhos, mas não gostava de espaços pequenos e fechados. Mesmo pretendendo nunca mais tocar numa roca quando ficasse livre da casa de Naruto, achava que a passagem do livro de oração poderia provar-se uma arma valiosa na próxima vez que decidisse implicar com uma das irmãs, que eram visitas frequentes ao chalé do xerife.

Nenhuma delas jamais tinha visto a irmã mais nova aguentar um tratamento tão duro de forma tão doce, Saya até mesmo sussurrou que Sakura era uma boba de não tentar escapar e ofereceu os próprios serviços numa tentativa de que Sakura aceitasse, mas ela declinou.


No entanto, apesar da docilidade, Sakura não conseguia admitir sentir outra coisa que não tristeza durante o encarceramento. Tentava dizer a si mesma que era porque já tinha sido acusada injustamente de um crime que não cometeu. Até mesmo disse a Lara, que a questionou preocupadamente sobre sua palidez, que era o efeito de estar tanto tempo dentro de casa. Ela não disse a ninguém que sua infelicidade devia-se à preocupação com o marido. Embora chorasse toda noite antes de dormir, chorar baixinho para que o xerife e sua mãe não a escutassem. Ela não dizia a ninguém, e achava que ninguém desconfiava, o quanto sentia falta do marido e o quanto se preocupava e rezava por ele.

Mas Naruto não podia deixar de perceber o fato de que, toda noite quando voltava para casa depois de vigiar lorde Sasuke, Sakura esperava por ele perto da porta do chalé, suportando, exausta, a crítica de sua mãe em relação a sua impaciência por notícias sobre a recuperação do marido. Via como ela tinha ficado pálida em apenas alguns dias, e, embora fingisse não notar isso para poupar-lhe o constrangimento, estava perfeitamente ciente de que soluçava no travesseiro todas as noites.

Esse fato, mais do que todas as queixas e ameaças de lorde Sasuke, era o que mais afligia a consciência de Naruto. As lágrimas secretas de Sakura eram a razão por trás de ele manter os homens totalmente ocupados na busca frenética pelos Hyuuga, do pedido ao rei por reforços, das frequentes crises de mau humor e, até mesmo, de ter golpeado o rosto do prefeito com sua luva.

A tristeza e a preocupação da garota eram como uma camisa de crina de cavalo que ficava pinicando, e foi por essa razão que ele voltou para casa, na quarta noite da prisão de Sakura, com o coração ainda mais apertado que o normal. Sakura percebeu o desapontamento dele imediatamente e recuou, com medo de escutar mais notícias ruins. Madame Kushina, no entanto, não percebeu nem um pouco a reticência do filho e voou até ele como uma gralha-vermelha rabugenta.

— E o que você acha que essa desmiolada fez o dia inteiro? — perguntou ela, apontando um dedo roliço de forma acusadora para Sakura, que, usando um vestido simples que as irmãs lhe tinham trazido, estava sentada em silêncio na frente da lareira, separando fios. — Nada. Nada exceto fofocar com aquelas irmãs que não são nem um pouco adequadas. Parece que a mais bonita, aquela que ficou grávida do trovador, não conseguiu segurá-lo, mesmo tendo casado com ele havia apenas uma semana. Ele desapareceu uma noite dessas, levando todo o dinheiro que lorde Sasuke lhe deu, a rabeca e a mula. Ele foi embora sem dizer uma palavra. E a Sra. Ino derramou muitas lágrimas, mesmo estando melhor sem ele...

O xerife, que tirava as botas, exausto, levantou os olhos para Sakura, embora não pudesse dizer que estivesse particularmente surpreso.

— É mesmo? — perguntou ele.

Sakura tirou os olhos dos fios brilhosos que segurava e assentiu com a cabeça, a expressão séria.

— É verdade, sinto dizer. Acho que não veremos Sai Mallor novamente. Ou, se o virmos, será na ponta da espada do meu irmão, pois ele provavelmente o matará...

— Disso não tenho dúvida. — Naruto voltou a atenção para suas botas. — Há outra pessoa desaparecida — ele resmungou.

Sakura o escutou e levantou a cabeça de forma abrupta.

— Outra pessoa? Quem mais desapareceu? Sei que vocês procurando os Hyuuga e o garoto Konohamaru, mas quem mais?

Para Madame Kushina Sakura sempre seria a mera filha de um moleiro, mesmo casando-se com o próprio rei. Ela nunca seria do mesmo nível do filho.

— Como ousa falar com o xerife com esse tom atrevido, desavergonhado, jovem senhora? — perguntou. — Baixe os olhos e não abra a boca, a não ser que lhe dirijam a palavra primeiro. Não reconhece que está entre seus superiores?

Naruto lançou um olhar aflito para a mãe e perguntou se havia cerveja na casa. Quando Kushina respondeu afirmativamente, ele perguntou se ela não podia ir pegar um copo, e, quando madame Uzumaki indagou acidamente por que Sakura não podia pegar, em vez da mãe de idade avançada, Naruto arremessou uma das botas que segurava com muita força na parede, fazendo a velha mulher sair gritando da sala.

O efeito que essa ação causou, além de fazer com que o xerife se livrasse da mãe ranzinza, foi tirar um sorriso do rosto de Sakura, que fazia dias que tinha vontade de atirar alguma coisa na direção de madame Uzumaki.

— Você errou. — salientou ela.

— Eu sei — resmungou o xerife. — Nem todos têm seu talento.

Sakura estremeceu com a lembrança do motivo pelo qual era hóspede na casa dele, e Naruto imediatamente quis bater em si mesmo por essa mancada.

— O que eu quis dizer foi... — disse ele, mas Sakura levantou uma das mãos, cansada.

— Eu sei o que você quis dizer. Agora me diga o que você não podia dizer na frente de sua mãe. Sasuke está... — Ela engoliu em seco, depois continuou: — Sasuke está pior?

— Não, não. — Aborrecido consigo mesmo, Naruto atravessou a sala e sentou-se num banco na frente da lareira. — Ouça, Sakura.

—Não é por lorde Sasuke que temo, mas por Jamie.

— Jamie? — ela repetiu. — O que tem Jamie?

— Ninguém o viu ou ouviu falar dele desde a noite... desde a noite em que seu marido foi atingido. Lorde Sasuke teme que talvez algum mal lhe tenha acontecido...

— Algum mal? — Sakura levantou-se tão rapidamente que as bolas de linha que estavam em seu colo saíram rolando, quicando pela sala. — Sasuke não teme o mal, mas o assassinato! Assassinaram Jamie, xerife? Você acha que alguém o machucou?

Naruto deu um suspiro pesado.

— Temo que tenha acontecido isso. Em toda a sua vida, o garoto nunca ficou tanto tempo longe de casa. Meu medo, e também o de lorde Sasuke, é que talvez o escudeiro Konohamaru o tenha levado quando partiu...

— Mas Jamie não sairia do solar com ele — disse Sakura firmemente —, exceto à força.

— Eu sei. E é por isso que redobrei meus esforços para descobrir onde os Hyuuga estão se escondendo, mas até agora foi tudo em vão. Não há sinal, nem mesmo uma indicação de seu paradeiro...

Com ansiedade, Sakura virou-se e atravessou a sala rapidamente; a saia longa chicoteava o ar, produzindo um ruído perto das pernas. Naruto podia ver que a expressão dela era de extrema concentração, a mesma que fazia quando tinha uma presa em vista.

— Que medidas os homens tomaram para procurar por Jamie? — indagou depois de uma pausa.

Naruto hesitou, depois respondeu com uma honestidade brutal:

— Eles varreram o rio. Roçaram todas as macegas da floresta, procuraram em cada monte de feno...

— Então você acha que ele provavelmente está morto. — A voz dela era fria.

— ...Sim.

— E você usou os cães de caça?

— Sim. — Levantando-se abruptamente, o xerife enfiou a mão no bolso e tirou da jaqueta o que pareceu a Sakura ser um pedaço de tecido. Depois reconheceu que era a túnica que Jamie usava. O tecido estava imundo, provavelmente nunca tinha sido lavado. E, nesse caso em particular, isso era uma bênção.

— Eles farejaram isso — disse o xerife, segurando a pequena camisa entre as mãos grandes e peludas. — Mas nunca foram além da floresta, antes de desistirem confusos...

Sakura aproximou-se e puxou a roupa dos dedos dele, inspecionando-a de perto.

— Gros Louis poderia rastreá-lo mais longe que isso — disse ela categoricamente.

— Com certeza poderia. Mas você sabe que o cachorro não farejaria ninguém além de você, Sakura.

Sakura mordeu o lábio inferior, sem coragem de olhar para o xerife.

— E você não... e você não permitiria que eu...

—Nem pense nisso. — Abruptamente, o xerife pegou a pequena túnica das mãos de Sakura e a enfiou de volta no bolso. — O que você me pede é impossível. Até que eu tenha uma confissão de Hiashi Hyuuga e de seu escudeiro, não posso permitir que você coloque os pés do lado de fora dessa porta. — Ao ver a expressão cabisbaixa de Sakura, Naruto suspirou.

— Não olhe para mim desse jeito. Você sabe que o prefeito não quer outra coisa a não ser ver você enforcada.

Sakura fez uma careta.

— Não consigo entender por que ele me odeia tanto. Comia com prazer a carne de veado que eu levei para ele durante todo o inverno.

— O prefeito Danzou só odeia parecer um tolo, e o fato de ninguém ter sido preso pelo assassinato de lorde Fugaku fez com que realmente parecesse um. Ele pretende garantir que dessa vez alguém pague pelo crime. Quer seja você ou outra pessoa, não importa, mas tem que ser alguém. Isso não é um rancor pessoal contra você, Sakura, embora pareça ser conveniente o fato de a filha não ser mais a noiva de um homem de posição inferior, como seu irmão Gaara.

— Sim — Sakura concordou tranquilamente. Passando a mão pensativamente pelo consolo de pedra da lareira, ela suspirou.

Escutando o leve ruído, o xerife desviou os olhos da inspeção que fazia nas próprias unhas e limpou a garganta.

— O que foi, Saky? — perguntou, não sem alguma apreensão. Sakura tinha uma expressão que ele não reconhecia, e achava que já tinha visto todos os tipos de humor da garota.

— Hiashi Hyuuga só quer uma coisa — disse Sakura em um tom casual. — E o que ele quer é ver lorde Sasuke morto e ser empossado como conde de Stephensgate.

— Sim, é isso — Naruto admitiu dando de ombros. —, o que tem?

— Então, para ele conseguir o que quer — Sakura disse —, lorde Sasuke tem de morrer. E, quando ele morrer, o Sr. Hyuuga vai se apresentar.

— Sim. Mas Sasuke não está morto, Sakura, e se depender de mim e de meus homens, ninguém vai conseguir se aproximar dele o bastante para machucá-lo.

— Mas vamos supor — Sakura disse — que lorde Sasuke não tenha se recuperado. Vamos supor, só supor, que lorde Sasuke fosse morrer hoje à noite...

O xerife olhou para a garota, horrorizado.

— Você sabe o que está dizendo? Você está sugerindo...

— Que anunciemos publicamente que lorde Sasuke morreu e que vou ser enforcada pelo assassinato. — concluiu Sakura em poucas palavras.

—Mas...

— Essas notícias vão fazer Hyuuga sair do esconderijo muito antes de qualquer esforço de nossa parte para encontrá-lo.

— Mas isso seria uma mentira!

Sakura estava impaciente.

— É claro que seria uma mentira! Você acha que estou dizendo que deveríamos matar de verdade meu marido? Você não pensa?

Surpreso com a pergunta de Sakura, o xerife só conseguiu balbuciar silenciosamente, enquanto ela caminhava pela sala esquematizando o plano.

— Seria simples convencer o mundo de que lorde Sasuke morreu. Mantenha-o escondido e não deixe nem a dona Tsunade saber que ele ainda está vivo. Podemos encomendar o caixão e planejar um belo funeral. Espalhamos que lorde Sasuke morreu do ferimento e que eu serei enforcada. Os Hyuuga voltarão com Konohamaru. Você imediatamente os interroga, e, quando a verdade vier à tona, porque o garoto Konohamaru vai se rachar como um ovo, eu lhe garanto, você os prende por sequestro e tentativa de assassinato. É muito difícil de entender? — Ela lançou-lhe um olhar de desdém, lembrando-se de todas as vezes que ele ameaçara prendê-la por motivos muito menos relevantes do que assassinato.

O xerife balançou a cabeça.

— Mas seu marido irá concordar? Ele era um soldado, lembre-se, muito antes de ser um conde. Um homem de sua natureza se fingir de morto... Ele não vai gostar...

— Prefere que o filho morra? — Sakura não conseguiu disfarçar a aspereza. — Acho que não. Explique a ele como eu expliquei para você. E ele vai concordar com o plano imediatamente.

O xerife levou a mão à barba e esfregou-a, obviamente perdido em pensamentos. Para Sakura, a pausa foi pavorosa. Sabia que o plano tinha mérito; na verdade, era o único jeito em que podia pensar para conseguir capturar um homem com a inteligência de Hiashi Hyuuga. Ela gostava de Naruto, muito mesmo, apesar de ele tê-la prendido e a sujeitado a sua terrível mãe.

Mas não tinha certeza de que ele concordaria com o plano. Se não concordasse, Hiashi Hyuuga permaneceria para sempre um homem livre, e para sempre representaria uma ameaça a ela e a Sasuke e, se fosse da vontade de Deus, aos filhos que pudessem vir a ter.

De repente Naruto levantou a cabeça e, lançando um olhar penetrante para Sakura, a balançou.

— Sim. — disse ele.

Ela levantou as sobrancelhas.

— Sim?

—Sim. Vou fazer isso. Vou falar com lorde Sasuke na primeira hora de amanhã.

Sakura, que estava de chinelo, bateu com o pé no chão.

—Vai ser tarde demais! Você tem que falar com ele hoje à noite!

O xerife surpreendeu-se.

— Hoje à noite? Para quê?

— Quanto mais tempo demorarmos, maiores serão as chances de Jamie ser morto. É

possível que eles ainda o estejam mantendo vivo, Naruto!

— Não, Sakura — disse o xerife, a tristeza palpável na voz. — Acho muito difícil...

— Mas é possível, não é?

— É possível, eu acho, mas...

— Então ele tem que morrer hoje à noite! Diga a ele. Diga a Sasuke que esta noite ele tem que fingir que está morto e que notícias do falecimento têm que ser divulgadas na primeira hora da manhã...

Admirado com a veemência da garota, Naruto levantou as duas mãos abertas e disse:

— Muito bem. Muito bem, minha senhora. Será como está dizendo. Irei imediatamente. Só pegue as minhas botas, se puder fazer essa gentileza...

Sakura atendeu ao pedido com prazer e, quando o xerife estava abaixado calçando as botas, enfiou uma das mãos, rápida como um raio, no bolso dele e pegou a túnica esfarrapada de Jamie, enfiando-a rapidamente dentro da manga larga do vestido.

Quando Naruto levantou-se, gritou para a mãe que estava saindo e foi pisando forte até a porta do chalé, parando apenas para lançar um último e longo olhar para a senhora de Stephensgate.

— Acha que isso vai dar certo? — foi tudo o que ele perguntou, com um olhar tão animado que Sakura o teria beijado se não estivesse casada com outro e se o rosto dele não fosse coberto por uma barba cerrada.

— Acho que sim .— disse ela, sentindo um momentâneo sentimento de culpa.

— Que bom. — O xerife virou-se e foi embora em meio ao crepúsculo violeta. E Sakura, encostada ao batente da porta, respirou, contente por notar que não havia nuvens no céu nem sinal de chuva. Seria uma ótima noite para caça.

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Vocês estão gostando? Espero que sim!

Tenho um pouquinho de tempo esse fim de semana, hoje mesmo ou amanhã posto o outro! *-*

Até kissus