N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 25

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10 de novembro de 2007


Sakura, Adachi, às 09h00min

Tomar seu chá em pleno domingo com um sorriso idiota na cara. Sou eu agora, embrulhada em meu casaco de lã e com uma xícara fumegante em mãos. Era muito cedo, principalmente para um domingo, mas estava de tão bom humor, sentindo tantas sensações coloridas e babacas no estômago que não consegui voltar a dormir.

E estou com tanto bom humor que mesmo me sentindo uma pré-adolescente ridícula eu não consigo esconder um ligeiro curvar de lábios enquanto levo minha xícara até a boca. Lá fora está um frio de 7 graus, provavelmente nevará no final do dia e mesmo sentindo as pontas dos meus dedos congelados não consigo deixar de apreciar esse momento.

- Que sorriso idiota é esse?

Tenten surgiu na entrada da cozinha. Tinha uma expressão sonolenta em sua cara amassada e um pequeno sorriso denunciava humor em sua pergunta. Pensei em lhe falar do que havia acontecido ontem, mas me senti repentinamente muito constrangida.

Imagine, falar tudo aquilo em voz alta? Nem consigo pensar direito no que aconteceu...

Ela sentou-se ao meu lado logo depois de pegar chá. Os cabelos castanhos estavam soltos, o rosto, mesmo sonolento, indicava uma expressão marota. Droga. Tenten me conhecia tão bem assim?

- E ai. O que aconteceu?

- Só aconteceu. Podemos conversar sobre isso depois?

Ela não disse nada, apenas bebeu seu chá. Era estranho que ela não tivesse dado continuidade a conversa, mas então me lembrei do frio, do domingo e principalmente da hora.

- O que aconteceu ontem? - decidi perguntar, já que depois seria complicado fazê-lo quando a Hyuuga acordasse.

- Basicamente foi o que eu lhe disse. Hinata apareceu na casa do Naruto, ele me ligou pedindo ajuda e agora estamos aqui... - ela tomou mais um pouco do seu chá e se manteve um segundo em silêncio. Estava pensativa, os olhos fixos em um ponto qualquer da mesa. Havia algo ali. Ajeitei-me na cadeira e nem consegui disfarçar minha expressão de descrente.

- Fale logo, Tenten, o que mais?

Ela nem se deu o trabalho de mudar a expressão pensativa. Acho que tínhamos uma comunicação tão boa que nunca nos surpreendíamos de fato uma com a outra.

- A Ino, ela estava lá quando cheguei. Hinata não percebeu, mas quando estava me aproximando do apartamento a vi pela janela.

Yamanaka? O que ela tinha a ver com a Hyuuga ou Naruto?

- Como assim?

- Hinata estava na parte debaixo do prédio, sentada em um banco na companhia do Naruto só de pijama. Depois eu perguntei se ela tinha subido e ela me respondeu que Naruto simplesmente desceu para recebê-la. Ou seja, ela não viu Ino no apartamento do Uzumaki.

- E se Naruto a deixou no lado de fora, mesmo naquele frio, ele não queria que ela o visse na companhia da Yamanaka. - acompanhei seu raciocínio em voz alta e Tenten, em resposta, deixou escapar um suspiro.

- Não sei o que tem dado no Uzumaki, mas quando cheguei ele parecia realmente preocupado. Não parecia aliviado, sabe, como se tivesse se livrando de um problema.

- Você acha que a Yamanaka...

- O que tem a Ino-san?

Tenten e eu nos viramos imediatamente e nos deparamos com Hinata na entrada da cozinha. Ela nos olhava interrogativamente, embrulhada ainda no casaco alaranjado de Naruto. Senti uma bola na garganta, mas minha expressão continuava tranquila, apenas levemente surpresa pela sua chegada repentina. Agradeci mentalmente pelos anos de prática.

- Estava só falando do Sai. Que acho que ela e Sai tem alguma coisa. - disse com um pequeno sorriso. Ela se aproximou com uma nova expressão no rosto e me senti aliviada ao ver que ela havia acreditado.

- Vocês eram parceiras de Ikebana, certo? - Tenten perguntou.

- Sim... - Hinata respondeu fitando o chão. Percebi então um leve receio com aquela resposta e, sem me conter, dei continuidade ao assunto.

- Deveriam ser colegas então. Apesar de Ino ser tão fechada e...

- Ino-san é uma pessoa forte. - ela me interrompeu e aquilo me surpreendeu. Em seguida percebi que Hinata estava levemente sem jeito e decidi ficar em silêncio. Tenten ao meu lado trocou olhares comigo. - Digo... Ela sabe criar prioridades.

- Desculpa Hinata, eu não queria... - fingi um leve tom de constrangimento.

Ela suspirou e em seguida sentou-se em sua cadeira.

- Desculpa. É que realmente não entendo por que julgam tanto a Ino-san. Ela é uma pessoa forte... Mais forte que eu pelo menos... E, além disso, é muito madura. - ela abaixou a cabeça, enquanto tinha suas mãos no colo, e os dedos se entrelaçavam nervosos. - Somos diferentes...

- Desculpa de verdade, Hinata. - Tenten começou. - Realmente não estávamos julgando Ino, nem a conhecemos direito. E como nunca as vimos juntas... Pensei que eram apenas colegas.

- Sim... Ino está sempre com aquelas companheiras de Ikebana. - completei.

- Às vezes está acompanhada não quer dizer nada. - ela levantou o rosto, revelando os olhos perolados fixos na gente. - É importante a companhia, mas às vezes não significa nada... Às vezes você vê a pessoas só uma vez e ela pode fazer muito mais do que amigos que estão sempre com você... - ela pareceu se dá conta que estava falando mais do que o normal e repentinamente calou-se por um segundo. - Desculpa por isso, estou dizendo bobagens. É só que... Ino-san realmente se esforça. Ela tentou me ajudar antes, quando meu pai... - ela deu uma pausa como se pensasse duas vezes antes de dizer - enfim... Faleceu.

Perguntei-me como exatamente a Yamanaka havia a ajudado. Pelo que dizia, elas não eram amigas - não na maneira tradicional de se falar - no entanto, em algum momento, ela tinha feito algo que significou muito para a Hyuuga. A questão era saber por que ela tinha feito isso. Pelo que Tenten estava me dizendo, Ino e Naruto tinham algum vínculo pelo qual Hinata não podia tomar conhecimento...

Talvez elas realmente fossem apenas amigas... E como Ino estava ajudando a polícia, não podia manter um relacionamento visível com a Hyuuga... Apesar de que ela mantinha com as outras companheiras de Ikebana...

Droga. Por mais que eu pense, não consigo chegar a nenhuma conclusão.

- Entendo. - a voz de Tenten me chamou para a realidade. - Yamanaka é uma garota discreta, por isso é difícil chegar a conclusões verdadeiras.

- Ino-san nem sempre foi assim, sabe? Antes, no ginasial ela era uma garota bem alegre, não nos conhecíamos, mas sempre a via nos corredores.

- Você não sabe dizer por que ela mudou? - perguntei. Ela me fitou logo em seguida, vi sua íris tremer levemente. Hinata sabia de algo, mas não podia dizer e agora estava realmente preocupada por ter falado demais.

Será que a Yamanaka tem pedido algo para a Hyuuga? Talvez feito algo... Talvez pedido para não dizer nada.

Pela a expressão em seu rosto, ela não me daria uma resposta. Mas eu tinha que pelo menos conseguir mais alguma coisa... Já estava formulando uma nova pergunta mentalmente quando escutei meu celular tocar.

- Desculpa, já volto. - pedi, me levantando.

Em seguida fui em direção ao meu quarto onde o havia deixado. Era um ótimo momento para ser interrompida... Estava já mal humorada com essa conclusão, quando olhei o visor e vi o nome de Gaara. Os pontinhos idiotas no estômago voltaram imediatamente.

- Sim?

- Haruno. - não era uma pergunta e me senti levemente ansiosa.

- Diga... Aconteceu alguma coisa?

O escutei respirar contra o telefone e aquilo me preocupou. Algo realmente havia acontecido.

- Hidan foi solto. Provavelmente não é o assassino.


Gaara, Delegacia, às 09h35min

Estava olhando pela terceira vez as horas em meu celular quando finalmente vi meu pai saindo da delegacia na companhia de outro detetive. Estava no meu quarto cigarro quando o vi, por fim, sair com seu carro, sem se dá conta de minha presença sentada em um banco.

Antes de me levantar verifiquei novamente se a Haruno havia me mandado alguma mensagem. Logo depois de lhe dizer que Hidan havia sido solto, ela até tentou disfarçar sua empolgação, mas no fim disse que seria uma ótima ideia descobrir mais informações ao seu respeito.

E quem mais saberia sobre ele do que meu próprio pai?

"O que você acha?" ela me perguntou no outro lado da linha, sua voz mais baixa que o normal. Estava meio diferente no telefone, pausando mais do que o normal e até enrolando um pouco enquanto me pedia para invadir o escritório.

Eu até julgaria estranho se eu também não estivesse agindo de maneira semelhante. Apesar de ter me dado conta disso apenas recentemente, percebo que nunca soube agir perto da Haruno senão de maneira prática. Não que eu não fosse assim com outras pessoas...

Com aquela garota do ginasial...

Pensando bem, é difícil me recordar perfeitamente bem de como ela era. Tinha os cabelos compridos e sempre estava sorrindo.

A garota do primeiro ano também. O mesmo jeito de falar, de me chamar, de me pedir.

"Você também fazia isso com ela?"

A pergunta da Haruno soou em minha cabeça. Não me lembro de ter comprado cappuccino para mais ninguém alem dela.

Na realidade não em lembro de ninguém que fosse como a Haruno.

Talvez isso explicasse por que desde sempre eu nunca soube o que esperar ou como agir diante da Haruno. Ou talvez eu simplesmente não me importasse antes e agora eu quisesse...

Realmente não sei. Realmente não entendo nada. Só sei que eu gosto e que quero muito vê-la, tocá-la, abraçá-la...

Baguncei os cabelos e acendi outro cigarro. Seria o tempo necessário para ter certeza de que meu pai não voltaria, e consequentemente não me pegaria no flagra. Apaguei o cigarro no banquinho e joguei a butuca na lixeira.

Segui em direção a delegacia com minhas mãos nos bolsos do casaco. Passei pelo guarda na entrada sem fitá-lo e só troquei um rápido olhar com o policial na portaria, para ele perceber que era o filho do Detetive Sabaku e era desnecessário me abordar novamente. Era domingo, sempre achei peculiar como as pessoas se tornam preguiçosas no domingo. Aquele policial não era exceção.

- Hei você. - um cara engravatado me parou no meio do corredor. Encarava-me com uma sobrancelha levantada e um sorriso estranho no rosto. - Você é filho do Sabaku?

Me soou uma pergunta retórica e por isso me mantive sério sem responder.

- Claro que é, até o jeito é parecido... - o outro engravatado comentou. Sua voz rouca e com uma ponta de humor barato. - Fazendo o que aqui?

- Irei esperar meu pai no escritório dele. - levantei o celular - Esqueceu em casa.

A resposta simples em um tom de voz neutro pareceu ser suficiente para eles não perguntarem mais a respeito. Eles se despediram educadamente, algo meio vazio e sem sentido, e logo depois eu segui em direção ao escritório de meu pai. Era uma sala pequena, com uma mesa, um sofá marrom e três armários arquivos. Meu pai sempre teve pouca coisa e nunca recebeu ninguém que realmente importasse em seu escritório. No máximo alguma mãe no luto especulando sobre a vida do filho morto por algum insano. E por isso os únicos elementos decorativos eram uma jarra de chá e uma flor de plástico no canto da sala.

E um porta-retrato em sua mesa. Nela estava eu e meus irmãos enquanto ainda éramos crianças. No hábito abri sua gaveta na lateral e lá estava uma foto de minha mãe. Quando mais novo achava que era apenas uma maneira de manter as aparências. Hoje em dia, fico pensando por que ele ainda tem uma foto dela em sua gaveta. Em todas suas gavetas há uma foto dela.

Não tinha tempo para isso. Direcionei meus olhos até o armário arquivo. Antes de abri-la dei uma espionada em direção a porta só para garantir que não havia ninguém por perto. Já verificando os arquivos procurei por alguma pasta relacionada ao caso, mas por fim, analisando algumas, percebi que só havia fichas criminais. Nenhuma especulação sobre caso algum, fotografias ou qualquer dado concreto que pudesse está relacionado a algo envolvendo a Nuvem Vermelha, ou qualquer outra investigação em que o Departamento estivesse envolvido. Aquele gênero de arquivo deveria ficar guardado em um lugar menos acessível do que no óbvio escritório de meu pai.

No entanto, aquelas fichas seriam de grande utilidade. Estavam estranhamente em ordem alfabética do primeiro nome e por isso, ainda bem, foi fácil verificar que Hidan estaria no segundo armário, na parte inferior, na letra H. Me agachei, dando uma rápida olhada na porta. Quase travei quando vi um homem engravatado no lado de fora, preste a entrar, mas que cessou o movimento quando o seu celular tocou.

Droga. Tinha que ser rápido.

Havia em torno umas 20 fichas na letra H. Achei rapidamente a dele e a puxei. Eu sei que eu deveria terminar logo com aquilo, mas logo atrás da dele, pude ler, em uma letra grifada, o nome de Hiromi Uehara. Não pensei muito, simplesmente a puxei, fechei o armário, deixei as duas pastas sobre a mesa, sentei na cadeira de meu pai e liguei meu I-Pod. Pus na cara a melhor expressão de tédio do mundo.

Logo depois o cara engravatado entrou. Ele tinha uma expressão sonolenta.

- Quem é você?

Aquele pelo jeito não acreditava que eu poderia ser filho do Chefe do Departamento. Eu pelo contrário não comentaria aquilo, e simplesmente o fitei enquanto retirava os fones do ouvido.

- Desculpa. O que disse?

- Quem é você?

Quando ele perguntou pela segunda fez eu notei que se tratava do mesmo detetive que acompanhava meu pai no Templo. Era um homem alto, de cabelos brancos amassados, usando terno preto confortável. No rosto, uma expressão sonolenta que não se alterou por nenhum momento.

- Gaara Sabaku. Filho do seu Chefe. - respondi seco. Ele inclinou levemente a cabeça e repentinamente sorriu.

- Sério? Mas é claro, vocês são muito parecidos.

Estava surpreso com sua mudança repentina de postura, mas como sempre, fisicamente eu não demonstrava nada.

- E também o jeito calado e antissocial. Impressionante. - comentou como se estivesse diante de um fato biológico que salvaria a humanidade. - Bom, seu pai não é meu chefe, somos de departamentos diferentes.

Outro departamento estava vinculado aquele caso?

- De que departamento você é? Sempre o vejo com meu pai... Achei que era seu subordinado.

- Garoto curioso. - ele comentou divertido. - Sou do Departamento Contra Crime Organizado, Hatake Kakashi.

Isso mesmo. Hatake Kakashi. Me pergunto de que maneira alguém do Crime Organizado está envolvido com meu pai...

- Bom, fale com ele que eu estive por aqui, sim? - ele deu uma pausa ficando pensativo. - deixa, eu ligo. - confirmou, de maneira que soava dizer mais para ele mesmo do que para mim. Logo depois despediu com um sorriso e foi embora.

Olhei pra baixo vendo as pastas sobre a mesa. Espero que ele não tenha percebido nada. Em seguida peguei meu celular e comecei a tirar as fotos.


Sakura, Centro deTóquio as 14h33min

Então Naruto era rico. Não tanto quanto Gaara ou Hinata, mas com certeza tinha mais capital do que eu. Não sei por que isso me surpreende, talvez por que o Uzumaki não fosse nada parecido com os demais alunos de Kitagawa, era escandaloso e sensível demais em comparação a todos eles...

Mas no fim, ele mora em um prédio pequeno, mas luxuoso, algo que apenas algum trabalhador assalariado de uma grande empresa seria capaz de pagar. E bem... Naruto mora sozinho, não trabalha e só é um estudante de ensino médio. Enfim, ele é rico. O interfone necessário para falar com o porteiro também me comprova isso.

- Uzumaki Naruto, me chamo Sakura Haruno.

- Irei direcioná-la Haruno-san.

- Sakura-chan? - escutei a voz de Naruto pelo o interfone, no entanto ele não esperou uma resposta. - Sobe ai.

Era no terceiro andar, subi pelo elevador e logo na primeira porta me deparei com Naruto. Vestia uma roupa casual laranja, tinha uma expressão suave no rosto e um sorriso largo, algo bem típico dele. De alguma maneira me senti mais aliviada em perceber que ele estava, pelo menos aparentemente, bem.

- Estava comendo rámem, você quer?

Ele sabia que eu negaria, mas de qualquer forma ofereceria e sustentaria o sorriso até o momento em que se tornaria óbvio demais. Óbvio demais que havia algo errado. Aquela conclusão me fez andar em sua direção e, sem pensar muito, o abracei pelo tronco. Parecia íntimo demais, mas não me importava.

- Está tudo bem? - ele perguntou, sua voz baixa e levemente triste.

Soltei-me dele e o fitei.

- Eu que deveria pergunta isso, não? - perguntei.

- Você é muito gentil Sakura-chan. - e novamente aquele sorriso.

Entramos. Me surpreendi com o conteúdo do apartamento, que se revelou grande, no entanto com poucos móveis. Na sala, não havia nada mais que o necessário, um sofá, uma televisão e um notebook sobre uma pequena mesa de centro. Sobre ela também havia vários copos de rámem. Tudo aquilo se destacava pela a imensidão do aposento.

Parecia um local solitário.

- Antes tinha mais coisa. - ele disse repentinamente. - Mas não tinha muito utilidade para mim então eu dei para alguém. - se explicou como se lesse meus pensamentos. - Você quer algo? Talvez coca... Ou água. Não bebo suco ou chá. - ele sorriu amarelo como se estivesse constrangido com os péssimos hábitos alimentares.

- Hinata parece ser o tipo de pessoa que te perturbaria por causa disso... - comentei usando meu melhor tom de voz casual, apesar de saber que ele entenderia perfeitamente bem de minha pretensão em tocar no assunto. Tanto foi que sua face mudou lentamente, revelando uma expressão mista a seriedade e melancolia.

- Ela não te pediria para vir aqui. Veio por que quis?

- Sim. - dei uma pausa e decidi me sentar no sofá. - Não estava entendendo a situação, se eu entendê-la eu poderia ajudar a Hyuuga não acha?

- Por que você ajudaria a Hinata? Vocês não são amigas.

Pisquei algumas vezes com aquela afirmação. Me senti por um segundo nua diante dele, mas me recompus rapidamente e falei.

- Talvez por que você seja meu amigo. Ou pelo menos eu considero.

Ele deixou escapar um sorriso triste. E de alguma maneira eu sabia que ele havia acreditado em minha sinceridade. Ele sentou-se também no sofá, as mãos estavam juntas diante do corpo.

- Eu queria lhe pedir um favor. - ele deu uma pausa e sem me fitar continuou. - Eu não posso cuidar da Hinata. Não consigo conviver bem agora com outras coisas. Hinata-chan é muito frágil, ainda é. Sei que com o tempo isso poderia mudar, mas por agora...

Estreitei os olhos deixando óbvia minha incompreensão. Ele virou o rosto e não foi necessário dizer nada.

- Eu temo que ela não aguente e acabe se machucando. Emotivamente, e principalmente fisicamente.

Fisicamente? Ele estava cogitando autoflagelação, ou quem sabe, suicídio? Até onde o nível de relacionamento daqueles dois chegou para ela ter coragem suficiente para fazer isso?

- Não precisa entender Sakura-chan. Às vezes acho que é impossível entender de verdade qualquer outra pessoa. O importante é fazer. - enfatizou a última palavra - Eu não posso fazer nada, e... Caramba, que droga. - resmungou frustrado. - Eu sei que eu não deveria pedir isso para ninguém, mas não a deixe sozinha. Não quero que ela se machuque.

Seus olhos tinham uma profundidade impressionante. Seu corpo todo denunciava sua tensão, um misto de frustração e sensação de perda. Como se ele não pudesse fazer nada, ou controlar suas próprias emoções racionalmente. Não podia agir, pois o sentir estava lá o impedindo.

- Naruto... Eu realmente não entendo porque, mas não procurarei perguntar. - suspirei. Ele me encarava profundamente. - Irei conversar com a Tenten-chan e lhe explicar a situação... E...

Queria perguntar a respeito da Yamanaka, perguntar o que ela estava fazendo ali e por que a Hyuuga não podia vê-la, mas minha voz travou na garganta como se fosse algo inadequado.

- Sakura?

- Não é nada Naruto. - tentei um sorriso. - Eu... Tentarei ajudar a Hinata-chan. Ela vai ficar bem... Não se preocupe.

Eu não sei de onde eu estava tirando aquelas palavras. Não havia nenhuma maneira de realmente ter certeza daquilo, no entanto, diante daquele pedido, escondendo frustração e desespero, eu realmente desejei que ficasse tudo bem.


Sakura, Kitagawa, 09h30min do dia seguinte.

Nunca fui de ficar muito atenta as minhas unhas, aquela mania de ficar roendo ou se auto-mutilando. Mas por um momento, quando me aproximei da escadaria, elas me pareciam incrivelmente interessantes, com sua palidez, manchinhas brancas e cutículas recém machucadas...

Droga. Estou realmente divagando sobre as minhas unhas? Enfiei rapidamente as mãos no meu casaco enquanto atravessava o corredor.

"Me encontre na escadaria, está frio demais para o terraço." Foi a mensagem do Gaara que chegou há alguns minutos. Confesso que cogitei demorar um pouco mais para respondê-la... Mas quando me dei conta tinha enviado uma resposta imediatamente.

Agora estou aqui, e o sociopata funcional ainda não apareceu.

Droga. Será que foi bobagem ter demonstrado tanta ansiedade?

Apesar de que essa ansiedade não se trata apenas do sociopata funcional. Ontem a noite, logo que cheguei da casa de Naruto, vi que Gaara havia me mandando um arquivo de imagem, e logo me deparei com a ficha criminal de Hidan e… Hiromi Uehara.

Hidan não tinha passagem pela polícia, e estranhamente era um respeitado sociólogo de uma universidade particular. Sim, sociólogo, especialização: Sociologia da Religião. Aquilo era chocante para mim, ele agia como um gangster da máfia italiana com aquele corte de cabelo e repentinamente era um respeitável mestrando dando aula para as dondocas de Tóquio. Mais surpreendente do que isso é só o Gaara agindo como Rock Lee... Isso seria engraçado. Tinha algumas informações supérfluas como o endereço, idade e estado civil, mas nada que realmente nos indicasse o que ele estava fazendo, a não ser que estava sendo investigado, também, pelo Departamento de Crime Organizado.

A ficha de Hiromi era ainda mais superficial. Falava que tinha ensino superior incompleto em química, que já tinha sido presa por porte de drogas e uma pequena observação "Suspeita - 2002" na última linha do relatório. Havia uma análise psiquiátrica onde revelava comportamentos suicidas e instáveis não prejudiciais à sociedade. Não havia nada sobre Yusuke, mas uma nota sobre uma ex-companheira de quarto que estava sujeita a ajudar. Ajudar "no que" já não sabíamos, e ai que está a grande questão.

Olhei o relógio no celular, mas não mentalizei as horas, pois logo depois disso vi Gaara surgindo da escada inferior em passos apressados.

Nos fitamos por dois segundo e foi suficiente para meu coração quase parar na garganta. Me pergunto quando eu irei parar de ter essas reações de pré-adolescente na frente dele.

- Desculpa o atraso, estava na aula de educação física e não imaginei que você responderia tão rápido. - ele se justificou parecendo levemente culpado, mesmo que, alem dos olhos discretamente ansiosos, seu rosto de concreto não demonstrasse muita coisa.

Acho que não era somente eu que estava ansiosa. Tive vontade de sorrir, mas me contive.

- Tudo bem.

E então ficamos nos fitando. Sabia que se eu baixasse o olhar não faríamos nada além de fugir do assunto e seguir a conversa sobre Nuvem Vermelha. Ficamos mais um momento em silêncio, e nesse meio tempo o vi piscar algumas vezes e olhar rapidamente para o chão como se tentasse formular algo em sua cabeça. Quis sorrir novamente, era tão divertido me dar contar desses rastros de emoções do sociopata funcional.

Melhor deixar pra lá. Talvez realmente nem seja necessário conversar sobre isso.

Dei iniciativa e me sentei em um dos degraus iniciais da escadaria. Ele, no entanto manteve-se em pé, com as mãos nos bolsos da calça de corrida, bem diante de mim.

- O que você acha da gente ir até a casa do Hidan? - perguntei repentinamente. Ele manteve o longo olhar sobre mim e piscou duas vezes como se estivesse surpreso com a proposta.

- Não sei, acho que Hidan não é a resposta.

O olhei interrogativamente.

- Hidan é claramente um dos suspeitos da polícia. Mas me intriga que ele esteja vinculado com o departamento de crime organizado. - ele deu uma pausa enquanto se sentava ao meu lado. Inclinei-me em sua direção de maneira de nossos joelhos se tocaram. - O que... - ele piscou algumas vezes como se tivesse perdido a linha de raciocínio. - O que eu acredito é que o grupo suicida seja o motivo pelo qual ele foi ligado à polícia.

- Faz sentido...

E de fato fazia. Inclinei-me para frente apoiando meu rosto na palma da mão de maneira que pudesse ver melhor a expressão de Gaara. Ele rapidamente passou os olhos sobre mim, e mais uma vez piscou duas vezes e retornou a olhar o chão.

Nenhuma expressão no rosto. Como sempre. No entanto, obviamente havia algo de estranho naquele comportamento.

- Mas então... Por que não ir à casa do Hidan em busca de pistas?

- Primeiro por que se tivesse realmente algo ali, a polícia já teria achado, e segundo, por que o que temos de informação dele é que ele é ligado a Nuvem Vermelha, supostamente um grupo suicida.

- Talvez ele seja de uma organização que... Não sei... Promove crimes, estimula suicídios em massa... Existem grupos assim, certo?

- Sim, com maior frequência do que você imagina.

- Ele pode ter sido procurado pela policia devido às marcas do corpo, a Nuvem Vermelha, pelo qual ele está vinculado... E por isso os dois departamentos estão analisando o caso... – dei uma pausa enquanto ele mantinha o olhar sobre mim. – Deveríamos saber a respeito mais da Nuvem Vermelha... Ainda acho que deveríamos pesquisar sobre Hidan...

- É muito perigoso. Ele não é qualquer um...

- O que você sugere?

- Hiromi Uehara. - ele deu uma pausa tensa, virando-se em minha direção de maneira que ficamos muito próximos, ele, no entanto, estava tão extasiado com suas teorias, que provavelmente nem o tinha notado. - O que ela tem a ver com todos esses assassinatos? Ela participou do mesmo grupo suicida, e seu símbolo está em todos os corpos...

- Entendi. Temos que entender o que Hiromi tem a ver com tudo isso, pois ela pode nos dar informação sobre esse grupo suicida.

A amiga dela. Exatamente. Era isso que ele queria dizer. Podíamos conversar com a amiga dela para saber mais a respeito.

- A amiga dela. - sorri abertamente para ele, e no impulso levei minhas mãos até o seu braço. - Podíamos marcar de nos encontrar com ela, o que acha?

Ele piscou algumas vezes, novamente, como se não tivesse escutado minha pergunta. Foi então que me dei conta da maneira como estávamos. Praticamente colados um no outro. Minhas mãos em seu braço denunciando uma óbvia intimidade.

Meu sorriso morreu gradualmente...

Há uma semana eu teria me levantado imediatamente, mas simplesmente não consegui. Permaneci calada, sem mover qualquer músculo do meu corpo apenas o fitando. Eu não queria demonstrar timidez ou qualquer sentimento do gênero. Queria que ele entendesse que eu gostava da maneira como estávamos ali, que gostava de tocá-los, de senti-lo intimo... De beijá-lo...

Calma... A respiração dele está muito tensa...

Lentamente ele levantou o braço dele. Com uma das mãos livre segurou uma das minhas mãos e a outra foi levada até meu rosto de maneira que pude sentir seus dedos colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.

Era extasiante o seu toque, sentia uma agradável sensação interna, algo que deixava minha pele mais sensível e provocava uma mudança repentina em todo o meu corpo. E os olhos. Como eu adoro a maneira como ele me olha... Vezes fitando meus lábios, vezes meu pescoço, vezes a pele... Parecia entretido e ausente, como se sua presença estivesse apenas atenta aos traços do meu rosto.

- Não tem problema? - Gaara perguntou, a voz levemente rouca por soar muito baixa.

- Problema?

Ele não respondeu. A palma de sua mão deslizou por minha face, em seguida por minha orelha, em um afago que me provocou um arrepio e uma sensação quente deslizando diretamente pelo peito. Fechei os olhos sem querer, e um sorriso surgiu em meus lábios.

- Não, nenhum... - sussurrei, por que independente do que fosse, aquela sensação era agradável demais para ser um.

Houve um segundo de silêncio, onde puder apenas sentir o ar ficar mais denso. E então logo após isso, senti seus lábios tocar-me bem próximo a orelha, em um beijo singelo e lento, para em seguida depositar outro, da mesma maneira em minha bochecha. Então uma palpitação falhou quando o senti depositar outro beijo bem próximo a minha boca...

E quando já estava me esquecendo de qualquer realidade concreta a minha volta...

- Cara, eu nem acredito que eles ganharam...

A voz estridente de um estudante soou no outro lado da escada. Quando menos percebi, eu já estava de pé, no meio do corredor, provavelmente com rosto parecendo um morando reluzente. O estudante que acabara de falar passou por mim nos segundos seguinte e andou lentamente, em direção contrária, na companhia de outro garoto. Sem se dá conta de nada... Ainda bem.

Gaara permaneceu sentado na escadaria, o rosto inclinado enquanto as mãos bagunçavam os cabelos. Ainda podia ver a expressão neutra em seu rosto, os olhos fixos em um ponto aleatório. Qualquer um diria que sua reação era indiferente, mas as mãos enfiadas nos fios avermelhados me indicavam exatamente o contrário.

E mesmo que perceber isso fosse digno de um sorriso sincero, meu constrangimento foi mais alto e o máximo que consegui fazer foi soltar um sorriso amarelo.

- Eu tentarei entrar em contato com a amiga da Hiromi, para ver se conseguimos algo.

Ele voltou-se para mim, e ainda sentado concordou com a cabeça.

- Qualquer coisa eu te ligo. - eu disse por fim. - Depois nos falamos então.

E sem esperar uma resposta eu acenei e segui em direção contrária.

Para onde aquele corredor me levava não tinha pensado ainda a respeito.


N/A: Eu imagino que pela demora do capítulo vocês acabam esquecendo a respeito do que tem acontecido. Bom, eu sugiro que vocês releiam então o capítulo 15, a primeira cena em que eles fazem uma recapitulada geral do que tem acontecido :D

Bom... Eu sempre tenho algo para comentar do capítulo, mas esse em especial não me veio nenhum comentário em mente. Ah!, Talvez o relacionamento de pai e filho que eu particularmente adoro entre o Sabaku e o quarto Kazekage (ainda não descobri o nome dele...). Bom, eu também tenho pensado na mãe do Gaara e o suicídio... D. F. Braine comentou algo a respeito disso no capítulo anterior e estava me perguntando se mais alguém tinha se questionado a respeito.

Mas sim, sim. Hidan! Podem dizer, ficaram tão surpresas quanto a Haruno. Sim, um sociólogo especializado em Sociologia da Religião... Eu pensei em ele ser Antropólogo, mas no fim, me pareceu que sociologia era mais adequado.

E fiquei feliz que a media dos comentários se manteve e espero que continuem acompanhando, mesmo com a Haruno e o Sabaku se resolvendo. Ou será que isso serve de maior estimulo?

Evangeline Uchiha: Muito obrigada, atualização demorou, mas chegou =D.

D. F. Braine: Pois eu também não hauha' depois de 24 capítulos, finalmente o beijo saiu! Acho que isso é um record em uma fanfics não? Haha' E fico feliz que o beijo tão esperado tenha sido umas das cenas me que você considerou mais legal... por que caramba depois desse mimimi todo tinha que pelo menos ser razoável haha' Quanto a sua pergunta eu realmente ainda não sei se eles chegarão a conversar a respeito da morte dela tão cedo, mas Gaara ainda comentará a respeito disso com a Haruno em cenas futuras. E isso será de alguma ajuda ao cuidar do grupo suicida ;D E sim, eu também concordo que o Sabaku como detetive é a cara dele... E ele deve ficar lindo engravatado hauha'

Beijos de Laranja

Oul K.Z