Capítulo 25 – O bebê.

Snape se virou e franziu a testa para o menino

- Eu sei onde ela está – Disse mais alto

- Eu não estou para brincadeiras Potter

Snape já havia aberto a cortina, mas a fechou quase no mesmo instante.

- Não é somente o senhor que a ama a ponto de arriscar a vida para achá-la – Os olhos negros o olharam – Ou arriscar entrar na mente do monstro mais maléfico do mundo bruxo sabendo que poderia morrer, poderia ficar inconsciente pára sempre. Não é só você.

Novamente os olhos se encararam e Snape compreendeu o significado de cada palavra.

Doeu

Talvez tenha doido mais ainda por saber qual era a escolha mais certa para uma vampira que tinha a idade de dezoito anos de idade, uma vampira que não irá envelhecer e que sempre corre perigo ao lado de um servo de seu pai.

Mas não, ele não podia ceder, não para ele.

- Eu não vou perder novamente para um Potter.

- A questão aqui não é ganhar ou perder e sim salvá-la.

- E acha que cabe a você essa tarefa?

- Não – Abriu a boca uma vez e fechou, respirou fundo e finalmente falou – Mas cabe a nós.

- Nós é muita gente senhor Potter.

- Eu sei onde ela está.

- Então se pensa que pode servir para alguma coisa, diga onde é.

- Ela está com ele. Voldemort.

Snape sentiu o ardor em seu braço, sentiu a marca queimar, mas não se moveu, não ligou, nem sequer incomodou.

- Não precisa esconder a dor que está sentindo, eu já sei de tudo. Sei que é um espião para ordem e esta entre os comensais disfarçados. Sei que tenta esconder de todos a sua marca. Não sei tudo isso somente por que o diretor contou e sim por que eu vi na mente dele. Eu vi tudo.

Harry deitou-se na cama e fitou o teto, estava cansado demais para continuar.

- Sei que não quer ouvir, sei que quer me matar ou sair de perto de mim. Mas ela precisa de ajuda, e você precisa de mim para encontrá-la.

- Eu sei exatamente onde procurar, não preciso da ajuda de ninguém muito menos de um adolescente acéfalo igual você Potter.

Snape saiu da enfermaria e foi em direção ao escritório daquele que sempre o atendia o ouvia, mas se lembrou somente quando estava perto da gárgula que o velho não estava.

O que estava esperando finalmente aconteceu. Aquela dor apareceu. A marca ardeu.

O que deveria pensar? Que seria recebido com aplausos e comemorações?

Snape não se iludia tanto assim.

Sabia que ao colocar o pé naquele lugar, naquela mansão, naquela sala suntuosa receberia o que deveria receber.

Seu castigo por ter falhado.

- Severus.

- Milorde – Reverenciou.

Silêncio.

Todos os comensais em circulo olhando para o homem curvado com a cabeça praticamente no chão e para o ser , que não se deve chamar de homem, que caminhava lentamente em sua direção sem nada falar.

Sua respiração não era ouvida, seus olhos ardiam como as marcas nos braços de seus súditos.

- Severus. Estive me perguntando o que aconteceu.

- Se me permite...

- Para que minha filha aparecesse naquela floresta sozinha sem seu companheiro, desprotegida e fugindo.

- Milorde.

- Fugindo Severus. Minha filha estava indo embora quando deveria estar vindo ate mim.

- Senhor.

- Você falhou Severus.

O feitiço atravessou seu corpo lançando-o para o outro lado da sala.

Doeu, mas Snape não gemeu, não reclamou, estava acostumado com aqueles castigos quando não conseguia dar-lhe a informação que precisava ou quando não conseguia cumprir uma missão por objeção de Dumbledore.

- Claro que eu coloquei mais de meus servos vigiando aquele castelo. Estavam na floresta, no lugar mais escuro quando de repente aquela linda mulher vampira apareceu. Eles a assustaram e ela correu, mas ela estava fraca demais, o desgaste, a fraqueza a detiveram junto com os feitiços que eles lançaram.

Os olhos de Snape estavam presos nos vermelhos quando viu uma luz de satisfação passar por eles.

- E é claro, o bebe.

O coração de Snape parou quando ouviu aquelas palavras. Bebe, filho, criança.

Voldemort viu a surpresa que Snape não conseguia esconder e divertiu-se com isso.

- Sim, você fez um bom trabalho Severus, mas sabe que não iria permitir que minha filha, a vampira mais poderosa do mundo, tivesse um filho bastardo com um mestiço.

- O que?

Ele não poderia ter entendido aquilo, não deveria ser aquilo que ele estava falando, não poderia.

- Sim Severus, eu tirarei o filho dela. Eu tirarei o seu filho do útero dela, jamais poderá nascer um filho de um mestiço na minha filha. Mas fico pensando se precisarei fazer isso. O corpo de Ana esta se encarregando disso. Vou explicar direito. É o pai, tem que saber. Ana esta morta, seu coração não bate, não tem sangue correndo em suas veias. No caso ela não pode criar uma criança em seu útero. Essa criança se formou ate agora alimentando-se do que sobrou de vida de sua mãe, mas tudo se esgotou. A criança deve morrer para que Ana viva, ou matara os dois, pois Ana necessita de sangue e o bebe tem sangue.

- Dê...

- Não, não darei sangue à ela, preciso que ela concorde em ficar ao meu lado antes disso. Depois poderei lhe dar todos os pescoços que ela desejar.

Mais uma vez Snape foi jogado para o outro lado. Dessa vez suas costas bateram na parede com tanta força que foi possível escutar os ossos se quebrando. Seu corpo foi erguido acima da cabeça de todos e virado de ponta cabeça. Ele não gritava pela dor, gritava por ela.

- Onde ela esta?

- Acha mesmo que lhe direi? – Riu – Ana está escondida em um lugar que jamais conseguirá achar Severus. Não, não vou contar ate que ela resolva ficar ao meu lado, o que esta sendo bem difícil. A pedra está nela e eu preciso daquele poder.

- Não

- Sim.

Seus olhos fecharam depois que a luz azul lhe atingiu. A única coisa que lembra foi de Draco dando tapas em seu rosto para que ele acordasse e mais nada.

- Ana!

Snape acordou assustado e se arrependeu de tentar levantar. A dor em suas costas era insuportável, pareciam serras cortando seus ossos.

O urro de dor saiu rouco de sua garganta e seu corpo tremeu.

- Severus, droga, por que fez isso?

Snape ainda urrava de dor e arregalava os olhos para o loiro que tentava colocá-lo novamente na cama.

- Pare de se mexer homem.

Finalmente a dor passou quando bebeu a poção dada a força. Ela agiu rápido fazendo-o dormir novamente.

Quando seus olhos se abriram percebeu que a dor havia passado, não toda, mas pelo menos conseguia levantar.

Apesar de seus olhos ainda doerem pela luz forte reconheceu imediatamente seu quarto nas masmorras do castelo.

Não havia mais ninguém ali. Draco já deveria ter ido para suas aulas. Em cima da mesa estavam suas poções e um bilhete básico.

" Tomar todas as poções ao acordar."

Snape não era tolo e tomou as poções indo tomar banho e demorando bastante enquanto a dor não passava.

Ao voltar para o quarto viu o loiro sentado em sua cama.

- O que está fazendo aqui?

- Vendo como está.

- Obrigado pela preocupação, mas estou bem.

- Vendo pelo seu humor, esta mesmo.

- O que houve?

- O que acha que houve?

Snape não precisava perguntar, sabia exatamente o que houve já que acordara diversas vezes da mesma forma.

Mas desta vez era diferente. Desta vez não estava desejando que o monstro a matasse, desta vez queria estar vivo, queria viver e respirar.

- Preciso falar com Potter.

- Com Potter? Por que?

- Desde quando devo dar satisfação à você senhor Malfoy?

Draco calou-se imediatamente, o humor de Snape não estava os melhores e ele não se atreveria a arriscar uma resposta. Sabia muito bem ate onde poderia ir.

- Desculpe senhor.

Snape não respondeu e deixou Draco sozinho em seus aposentos. Não queria saber do sonserino. Nesse momento queria saber apenas de um único aluno. Um grifinório.

- Potter.