Legenda:

Itálico - pensamentos

Negrito - sonhos/lembranças

By Kinomoto Sakura


"Cheguei."

Syaoran mandou mensagem avisando.

Três semanas se passaram desde que conversamos e esclarecemos as coisas. Foi bom, pois conseguimos ver o que nos espera, e isso fez com que a frieza que estava entre nós se dissipasse, mas a saudade continuava.

"Por que você cisma em chegar antes de todos? Aposto que não liberaram os apartamentos ainda."

Respondi. Se ele confirmar aonde está, vou conseguir vê-lo hoje ainda! Pensei feliz por finalmente ter a possibilidade de tê-lo perto.

"Sim, não liberaram os apartamentos ainda. Vim para a casa do Centro."

Sorri de pura implicância depois de ler a mensagem dele.

"Imaginei! 😊 Aposto que Wei já está dando uma geral por aí."

Senti algo fofo acertando meu ombro e olhei para o meu lado esquerdo.

- O quê? – Perguntei à Touya. Ele resolveu tomar café da manhã comigo e com papai, depois de ter deixado Pamy na escola e Kaho na hidroginástica.

- Você sorrindo feito uma monstrenga. Aposto que está falando com aquele moleque. – Ele murmurou a segunda frase.

- Sim, estou falando com Syaoran. – Me levantei do sofá, joguei a almofada de volta na direção dele e comecei a andar para fora do cômodo. Contudo, Touya me chamou antes que eu saísse por completo.

- Tome cuidado, ok?! – Olhei para ele e sorri. Touya fingia indiferença, mexendo no celular. – Não quero ter que despencar em Kyoto, ou Hong Kong, para quebrar a cara dele.

- Ele é mestre em Kung Fu. – O alertei, ainda sorrindo.

- E eu em Karatê. – Ele virou, apoiou o braço no recosto do sofá e olhou para mim com um sorriso convencido estampado no rosto. – Vamos ver quem é o melhor.

Balancei a cabeça de um lado para o outro, ainda sorrindo. Homens são tão territorialistas e protetores. Podia até ficar com raiva e achar graça às vezes, mas eu amava Touya do jeito que ele era.

"Wei ainda não veio. Deve chegar só segunda. Minha mãe precisava dele lá."

Hoje é quarta. Pensei. Se não conseguir ir hoje, e ir amanhã cedo, teremos quatro dias juntos. Continuei sorrindo.

- Pai? – Bati na porta do pequeno escritório e o chamei.

- Sim. – Ele respondeu. Abri a porta e olhei o interior do cômodo, com as paredes cercadas de estantes, cheias de livros, e uma escrivaninha que ficava na parede oposta da porta, de frente para uma janela. – Pode entrar. – Entrei e me sentei no pequeno sofá que tinha lá.

- Pai, Syaoran já chegou em Kyoto. Estava pensando em voltar amanhã cedo ou hoje à noite. – Desde que havia contato sobre o que havia acontecido, deixava-o à par de tudo o que ocorria. Ele sabia sobre Tanaka, Kamiya, os anciãos e sobre a família Li.

- Seria interessante vocês conversarem pessoalmente antes que a correria do semestre comece. Porém devo te lembrar que o recital da Pamy será sexta à noite e você prometeu a ela que iria. – Ele sorriu, um pouco sem jeito. Dei um tapa em minha testa.

- É verdade! Havia me esquecido.

- Deixe suas coisas arrumadas e vá no último trem de sexta ou no primeiro de sábado. – Ele sugeriu.

- Vai depender da hora que sairmos. – Respondi pensativa.

- Não acho que deva demorar. – Meu pai olhou para o teto, pensando alto. Será que eu faço essa mesma expressão quando me perco em pensamentos? Ri de mim mesma. – Kaho me disse que as apresentações são curtas e serão apenas duas turmas por noite.

- Bem provável. Afinal, eles só têm 5 anos. – Meu pai concordou comigo. – Vou fazer isso! Obrigada, papai. – Dei-lhe um beijo no rosto e saí cantarolando corredor à fora.

...

- Você volta logo, titia? – Ouvi Pamy me perguntar enquanto a abraçava. Ela estava no meu colo.

- Volto assim que puder. – Dei um beijo estalado na bochecha dela e a devolvi para Touya. Já havia abraçado ele, que novamente me pediu para ter cuidado. Fui até minha cunhada, que me entregou um embrulho antes de me abraçar. Ou pelo menos tentar, já que a barriga dela não permitia que fosse um abraço de verdade.

- Abra quando estiver sozinha. Por favor. – Ela sussurrou em meu ouvido. Balancei a cabeça concordando. Me afastei, alisei e beijei a barriga dela, me despedindo do meu futuro(a) sobrinho(a).

- Tchau, papai. – Abracei meu pai o mais forte que pude.

- Até logo, minha filha. – Ele deu um beijo no topo da minha cabeça e me soltou. – Dê notícias quando chegar lá.

- Pode deixar. – Confirmei com a cabeça. Segui para o embarque, passando pelas catracas e parei para acenar para eles uma última vez.

Embarquei no último trem para Kyoto às 22:30. A viagem duraria três horas e meia, então a previsão de chegada era às 2 horas da manhã. Será que Syaoran vai ficar bravo comigo? Pensei comigo mesma e não, ele não sabia que eu estava indo.

Meu plano era mantê-lo acordado, conversando com ele, e quando chegasse na estação iria decidir se ligava pedindo para ele me buscar ou daria um jeito de chegar sozinha até a casa do Centro.

Consegui achar cadeiras vazias no meio do vagão e aproveitei que já havia me acomodado, para abrir o embrulho que Kaho havia me entregado.

- O QUÊ?! – Falei alto demais, sem querer, chamando a atenção dos demais passageiros. – Perdão. – Me desculpei. Sentia meu rosto pegar fogo, tanto pelo constrangimento que havia passado tanto pelo que havia dentro do pacote. Voltei a olhar o conteúdo.

"VOCÊ É LOUCA?"

Mandei mensagem para Kaho. Como ela conseguiu comprar isso tudo? Continuei abismada com a situação.

"Admita. Você quer me agradecer. Além do mais, quero que a minha cunhada seja feliz. Então, proteja-se, ok?!"

Li, ainda vermelha de vergonha. Como ela mesmo havia descrito no recado que estava dentro, aquele era: um ótimo jeito de matar a saudade e resolver os desentendimentos. Tinha Gillete, óleo hidratante, lingerie, camisinha e pílula do dia seguinte. Não pude evitar de imaginar como seria quando acontecesse, mas me forcei a não criar expectativas.

Baseado no que havia passado com Yukito, durante o nosso relacionamento, sabia que até nos acostumarmos um com o outro, e haver cumplicidade, no caso do sexo, levaria tempo.

"Está dormindo?"

Me surpreendi ao receber uma mensagem de Syaoran.

"Não. E você?"

Respondi, depois de guardar o presente de Kaho.

"Nada. Rolando de um lado para o outro."

"Pensando em muita coisa?"

Continuei conversando com ele, conforme já havia pensando, e quando estava chegando na estação resolvi que pediria um carro para chegar até a casa. E foi o que fiz.

Mesmo sendo de madrugada, a viagem foi tranquila e rápida. Quando estacionamos em frente à residência, mandei a seguinte mensagem para Syaoran:

"Você poderia abrir a porta para mim? Está frio aqui fora."

Os momentos seguintes foram até engraçados. Enquanto eu pagava ao motorista e pegava minhas coisas, pude ouvir claramente a agitação dentro da casa e em menos de um minuto, Syaoran escancarou a porta.

- Você é maluca? – Ele perguntou. Usava a tradicional calça de moletom branca e estava sem camisa, com o cabelo bem mais bagunçado do que o normal. Respirei fundo. Uma sensação quente se instalou em meu ventre. Kami-sama! Como eu senti falta dele.

- Também estava com saudades, idiota. – Cruzei os braços e levantei uma das sobrancelhas.

Syaoran cruzou os poucos metros que nos separavam em longas passadas e me alcançou. Passou os braços ao redor da minha cintura e me beijou. Correspondi na mesma intensidade. Abracei-o pelo pescoço e passei a mão por seus cabelos.

- Acho melhor entrarmos. – Syaoran sussurrou depois de se separar um pouco de mim. Concordei. Ele pegou minha mala e nós entramos na casa.

...

- Bom dia. – Cumprimentei Syaoran assim que entrei na cozinha. Ele estava de frente para o fogão e um cheiro maravilhoso de panqueca pairava no ar.

- Bom dia, Bela Adormecida. – Ele continuava com a calça de moletom e sem camisa, mas usava um avental azul claro. Respirei fundo, porém o mais silenciosamente possível, para não chamar a atenção dele. Mas não aguentei e o abracei por trás. – Dormiu bem?

- Muito bem! Dormi feito uma pedra. – Dei-lhe um beijo na bochecha e me afastei dele. – Agora eu entendo porque Fuutie não parava de elogiar os 'lençóis de hotel' que ela tinha. – Enfatizei fazendo aspas com os dedos. Coisa que eu estava fazendo com muita frequência ultimamente. – E você?

- Demorei um pouco para dormir, mas o sono me venceu. – Ele colocou outra panqueca junto da pilha das que já estavam prontas e colocou mais massa na frigideira. Franzi a testa pelo que ele havia dito.

- Por quê?

- Minha namorada estava no quarto ao lado, então tive que manter o controle para não bater na porta do quarto dela durante a madrugada. – Ele piscou para mim quando terminou. Senti meu rosto quente. Com certeza estava bem vermelha.

- Idiota. – Lhe dei um leve soco no ombro e peguei um dos pratos com panqueca. – Perdeu horas de sono à toa. – Tentei levar na brincadeira, mas ele acabou entendendo errado.

- Me aguarde hoje à noite, então. – Ele se sentou à minha frente, depois de terminar as panquecas. – Vamos usar o presente que Kaho te deu. – Engasguei com a comida, enquanto ele sustentava o tradicional meio sorriso de forma sugestiva.

- Como você sabe? – Perguntei depois de conseguir respirar normalmente.

- Você deixou a sacola em cima do sofá. Abri porquê não me lembrava que era sua. – Ele comeu mais um pouco e depois acrescentou: – Por mais que eu tenho certeza que você ficaria bem com qualquer cor, lingerie preta não faz muito o seu estilo. Kaho fez bem em comprar aquela verde esmeralda.

- Não acredito que você abriu o pacote!. – Chutei-o por baixo da mesa. Estava completamente vermelha. Em resposta ele apenas riu pelo quão sem graça eu estava.

O dia passou de forma tranquila. Evitamos falar sobre o Clã ou qualquer um dos assuntos delicados que nos cercavam. Passamos o dia no Toei Kyoto Studio Park, curtindo as atrações. Almoçamos por lá e a noite fomos ao cinema.

Quando voltamos à casa do Centro, decidimos assistir um dorama qualquer que passava na televisão. Eu adormeci rapidamente, encostada em seu peito. As batidas ritmadas do coração dele foram ótimas para me ninar.

- Hã? – Abri os olhos, ainda sonolenta. – O que houve? – Me sentei. Percebi que não estava mais no sofá.

- Você dormiu. – Syaoran respondeu. – Te trouxe para o quarto. Assim você dormiria melhor. – Ele deu um beijo na minha testa. – Boa noite, Flor.

Segurei seu braço para que ele não se afastasse. Ainda coçava o olho direito quando disse:

- Fica. – Abaixei a mão e olhei para ele. Seu sorriso era sugestivo, mas a minha sonolência não me permitia perceber a malícia em minhas palavras. – Estava tão bom dormir no teu peito.

Ele sorriu.

- Gostou do travesseiro, é?! – Pela segunda vez naquele dia, senti nostalgia ao lembrar da primeira vez que ouvi aquelas palavras saindo da boca dele.

Balancei a cabeça concordando.

- Vou só conferir se tudo está trancado lá embaixo e ativar o alarme. Volto em 5 minutos, ok?! – Concordei.

Eu não sei exatamente quanto tempo se passou, mas logo senti os braços de Syaoran me puxando para si. Me aconcheguei em seu peito e voltei a dormir.

...

Acordei quando senti que Syaoran não estava mais ali. Virei de barriga para cima, olhando para o teto, imaginando que horas seriam.

- Te acordei? – Syaoran perguntou. Ele estava parado no batente da porta do banheiro, escovando os dentes. Balancei a cabeça negativamente.

- Que horas são? – Perguntei, enquanto me sentava.

- Cinco e alguma coisa, não tenho certeza. – Syaoran respondeu. Ele terminou de escovar os dentes e logo voltou para perto de mim, se sentando na cama, ao meu lado. – Normalmente é o horário que acordo para treinar. – Ele passou a mão direita pelo meu rosto, tirando a franja dos meus olhos. – Mas não vou fazer isso hoje.

- Não? – Perguntei.

- Não. – Ele se aproximou de mim e me deu um selinho.

- Que bom. – Sussurrei. – Vou ao banheiro e nós voltamos a dormir, ok?!

- Sim, senhorita. – Ele respondeu de forma brincalhona.

Segui para o cômodo. Fiz xixi e aproveitei para escovar os dentes também. Foi quando percebi que a primeira gaveta do móvel não estava completamente fechada. A gaveta que guardei as coisas que Kaho me deu. Lembrei.

Automaticamente lembrei do bilhete e olhei para a porta, como se pudesse ver Syaoran através dela. Voltei a olhar para o pacote e decidi que não mais nos privaria do que já era nosso. Por mais que não fosse algo eterno, como meu pai havia me dito, ele era meu e eu era dele. Até quando? Só Kami-sama sabia.

Vesti a lingerie o mais rápido que pude. Agradecendo mentalmente a mim mesma por ter me depilado na própria quarta-feira, quando decidi que viria. Coloquei um roupão por cima e voltei para o quarto.

Syaoran franziu a testa.

- Você estava de roupão quando foi para lá? – Balancei a cabeça negativamente. Sentia minhas bochechas vermelhas e meu estômago estava gelado, devido a ansiedade. Mas eu tinha certeza do que queria e queria ele.

Aproveitei que ele ainda estava sentado na beira da cama e me aproximei dele. Em nenhum momento quebrei o contato visual. Seus olhos estavam mais ambares do que o normal. Parecia que ele conseguia ver até a minha alma.

Segurei seu rosto entre minhas mãos e o beijei. Apenas um encostar de lábios. Simples, delicado, cheio de sentido. Ele apoiou suas mãos em minha cintura, me puxando para mais perto, fazendo com que eu ficasse entre suas pernas, mas ainda de pé e me beijou de verdade. Senti o gosto de hortelã em sua língua.

Uma de suas mãos se apoiou em minhas costas e eu me inclinei mais, para que pudesse continuar beijando-o. Por mais que ele fosse bons 10 centímetros mais alto que eu, naquele momento, eu estava mais alta que ele. Instintivamente passei minhas pernas ao redor do corpo dele, me sentando de frente para ele.

Contornei sua clavícula com beijos, quando apoiei a mão direita no coração dele, percebi o quão acelerado estava. Suas mãos, assim como as minhas, tremiam levemente enquanto ele tocava minhas costas, por baixo do roupão.

- Você está tremendo. – Sussurrei em seu ouvido, voltando a beija-lo na boca.

- Seria estranho se eu não estivesse. – Ele comentou. Sua voz era uma mistura de nervosismo, surpresa e felicidade.

- Eu me surpreendi. – Falei enquanto levantava o pescoço para que ele tivesse mais acesso ao local. – Não pensei que você fosse ficar assim. Sempre pareceu tão confiante. – Ele levantou a cabeça, olhou cada detalhe do meu rosto e me beijou gentilmente.

- Não me culpe. Você é o motivo de eu estar assim. – Ele respondeu. Sorri e voltei a beija-lo.

...

Acordei horas mais tarde. Syaoran ainda dormia, tranquilo. Seu rosto ficava mais sério do que o normal quando dormia, mesmo assim ele não deixava de ser hipnotizante. Nossos corpos ainda estavam emaranhados. O suor já havia secado, mas o cansaço pelo esforço, e que esforço, meu Kami-sama, era evidente.

Senti minha barriga roncar. Decidi tomar um banho e fazer algo para comermos. Me levantei, com todo cuidado que pude, e tomei um rápido banho.

Ele não vai se importar se eu vestir a camisa dele, não é?! Pensei, mordendo os lábios inferiores ao sentir o cheiro dele na peça de roupa. Vesti e desci as escadas cantarolando baixo, para evitar que ele acordasse antes que eu conseguisse terminar de cozinhar.

- Quer ajuda? – Syaoran me deu um susto ao me abraçar por trás, enquanto eu lavava as folhas que usaria. Não havia passado nem 10 minutos que estava ali na cozinha.

- Que susto! – Reclamei. Ele apenas riu e beijou meu pescoço. – Já de pé?! Poxa, queria ter terminado aqui antes.

- Eu já estava acordado quando você levantou. – Ele se afastou de mim para que pudesse virar o meu corpo, fazendo com que ficasse de frente para ele. – E você não é a pessoa mais silenciosa que conheço. – Ele levantou uma das sobrancelhas e sorriu de forma sugestiva. Entendi o duplo sentido da frase e corei.

- Não faça isso! – Escondi meu rosto na curva do pescoço dele, envergonhada demais para encara-lo. Senti o cheiro do sabonete na pele dele. Ele tomou banho também, por isso não desceu logo depois de mim.

- Não disse como uma reclamação ou coisa do tipo. – Ele puxou meu rosto, para que pudesse olhar diretamente em meus olhos. – Os seus gemidos são música para os meus ouvidos. – Corei mais ainda. – Além de ser um ótimo incentivo. – Ele me deu um selinho e voltou a me encarar. – Gostei da sua liberdade, da forma como você se expressa, principalmente quando algo realmente te agrada. – Ele enfatizou o 'realmente' e algumas cenas passaram em minha mente.

Ele aproveitou meu momento de distração, segurou minha cintura e me levantou, sentando-me na ilha que ficava no meio da cozinha.

- E preciso confessar, você é extremamente viciante. – Ele disse. Voltou a me beijar, enquanto acariciava minhas coxas, fazendo com que minhas pernas se prendessem em volta de sua cintura.

Não demorou muito para estarmos novamente um se deliciando e dando prazer ao outro.

...

- Boa noite, Matsumoto-san. – Cumprimentei-a assim que voltei para o alojamento sozinha.

Fazia duas semanas que o semestre letivo havia começado, e com ele, a rotina voltou. Naquela tarde, todos estavam fazendo alguma atividade extra e como eu já havia ido a academia, tive que voltar da última aula sozinha. Sozinha é modo de dizer, pois os sombras continuam com a gente o tempo todo. Lembrei a mim mesma. Não havíamos conseguido estudar juntos na biblioteca naquela noite.

- Boa noite, Kinomoto. – Matsumoto-san me cumprimentou, mas pediu que eu esperasse um instante. Se abaixou por detrás do balcão e quando levantou, havia uma caixa em suas mãos. – Deixaram isso para você. – Gelei. Era o mesmo estilo de caixa que Tomoyo havia recebido de Josh.

Me forcei a agradecer e subi para o apartamento.

Confesso que fiquei receosa em abrir de imediato e esperei que alguém chegasse, fosse os meninos ou Tomoyo. Havíamos criado o hábito de avisar nossas rotinas e horários, desde que Tomoyo viu Josh no restaurante, quando estava comigo e com Meiling. Tomoyo foi a primeira.

- Boa noite, Sakura-chan! – Tomoyo estava feliz da vida. Durante as férias, depois de muita negociação e provas, ela havia conseguido fazer com a Tenente Davis, a responsável pelo caso nos EUA, viesse para o Japão. Talvez agora dê certo.

- Boa noite, Tomoyo-chan. – Disse menos empolgada. Ela reparou na caixa no centro da sala. – Essa não é para você. É minha. – Expliquei. Ela olhou para a caixa, depois voltou a olhar para mim.

- Não acredito! – Ela ficou aflita. – O que tem dentro?

- Eu não sei, não tive coragem de abrir ainda. – Solei o ar que não havia percebido que prendia. – Quer abrir comigo? – Ela confirmou com a cabeça.

A caixa continha itens bem parecidos com a última que Tomoyo havia recebido. A diferença era que, ao invés de ter cartões postais, haviam fotos, do meu cotidiano e das pessoas que eu convivia. Todas elas!

- Kami-sama! – Disse, sentindo meu coração batendo à mil por hora. – Tem até do dia da comemoração do Festival Esportivo! – Mostrei à Tomoyo.

- Tem também flores de cerejeira, pessegueiro, cravos e um cogumelo. – Tomoyo me mostrou e fiquei mais em pânico do que já estava.

- Ele sabe sobre a minha família.

- Josh foi longe demais dessa vez. – Tomoyo se levantou e seguiu para a cozinha. Tomoyo estava furiosa. Deduzi, quando a ouvi no telefone, falando de forma rápida, em francês.

"Já chegou?"

Syaoran mandou mensagem.

"Sim. Você pode vir aqui?"

Respondi. Minhas mãos tremiam e eu não sabia o que fazer. Voltei a mexer na caixa. Achei um caderno vermelho de capa de couro dura. E por fim, um bilhete.

- Obrigada por tomar conta dela. Espero que goste do caderno. Sei que gosta de colocar suas ideias no papel. – Gelei ao ler a última frase. Quase ninguém sabe disso! Não é uma coisa que eu saio espalhando.

O bilhete foi impresso, numa folha branca, como qualquer outra. Não tem como rastrear.

- Sakura. – Dei um pulo do sofá e soltei um grito. Encarei, bastante assustada, o semblante confuso de Syaoran. Ele franziu mais ainda a testa. – O que está acontecendo?

- Aconteceu alguma coisa? – Tomoyo apareceu rapidamente na sala. Me joguei de forma pesada no sofá.

- Tomei um susto com Syaoran, só isso, Tomoyo. – Ela balançou a cabeça de forma positiva.

- Mas foi você quem me chamou! – Syaoran entrou na defensiva. – Já deveria saber que eu estava vindo. – Tomoyo e eu apontamos para a caixa ao mesmo tempo.

- Estamos no meio de uma situação delicada, ok?! – Tomoyo encarou Syaoran. – Pegue leve, senhor esquentadinho. – Ela voltou para a cozinha.

- Nunca vi Tomoyo assim, tão irritada e brava. – Comentei assim que ficamos sozinhos. – Nem durante a TPM ela é assim.

- Eu já. Uma vez. – Syaoran respondeu, antes de sentar no chão, de frente para a caixa. – E foi assustador.

Me sentei ao lado dele. Mostrei o conteúdo da caixa e pelo vinco que surgiu na testa dele, Syaoran percebeu a gravidade da situação. Por fim mostrei o bilhete e o caderno.

- Como ele sabe das suas anotações? – Ele me perguntou.

- Não faço ideia. – Encolhi minhas pernas e as abracei. – Será que ele já entrou aqui? Não temos o costume de manter a janela trancada. – Syaoran passou o braço direito sobre os meus ombros e me puxou para mais perto dele.

- Acho bem difícil. Ele deixaria alguma coisa mostrando que esteve aqui. Um stalker gosta de cercar a vítima, intimida-la. E que maneira melhor do que mostrar que ele invadiu a sua zona de conforto e segurança?

- Alguém anda assistindo muitos filmes e séries sobre stalkers. – Tentei deixar o clima mais leve.

- Talvez. – Ele falou, mas sua voz denunciava que sua mente estava longe. – Se continuar assim, duvido muito que Sonomi deixe vocês ficarem aqui.

- Como assim?

- Com certeza ela vai querer que vocês fiquem em um local seguro. Pelo menos seria isso que minha mãe faria.

- E você, provavelmente, não obedeceria. Diria que ela estava exagerando.

- Exatamente. – Ele deu um beijo no topo da minha cabeça. – Mas Tomoyo não pensa e nem age igual a mim.

...

Deitei no chão da sala, cansada pela noite anterior e pela faxina que havíamos dado no apartamento.

Olhando para o teto, me lembrei dos acontecimentos das últimas semanas. Por finalmente Syaoran e eu termos elevado o nível do nosso relacionamento, mas também sobre a caixa que Josh havia me mandado. Syaoran estava certo, Sonomi queria muito que nós saíssemos do alojamento o quanto antes, mas Tomoyo estava tentando contornar a situação, sem sucesso. Se as coisas continuassem do jeito que estavam, iríamos nos mudar no final do mês.

Também me lembrei das novidades que Syaoran havia me falado sobre o Clã. O acordo com o Clã Kamiya ainda existia e o noivado seria oficializado no final do ano, em uma festa que a família Li iria oferecer. Respirei fundo. O que passamos foi apenas o início.

Como se soubesse que indiretamente pensava nela, Kamiya Kari me mandou uma mensagem:

"Boa tarde, Kinomoto. Eu preciso ir à Osaka e pensei de nos encontrarmos novamente. Pode ser segunda, no Giro Giro Hitoshima? 😊 Já fiz até a reserva."

Mal terminei de ler, ela mandou outra:

"Ah! Leve Li também. Vou apresentar Takaishi a vocês."

Deve ser o namorado dela. Pensei comigo mesma.

"Boa tarde, Kamiya. 😊 Claro que pode! Nos encontramos que horas?"

Respondi a ela. Voltei a encarar o teto.

Naquele final de semana, além das tarefas rotineiras, como limpar o apartamento, tivemos dois aniversários para ir. O de Naoko foi ontem à noite, na World Kyoto, e foi bem divertido. Fomos em um grupo de quase 30 pessoas, e por mais que algumas pessoas tivessem extrapolado na bebida, meus amigos mais próximos se preocuparam em curtir a noite e não em beber. O outro seria e o de Sonomi que aconteceria amanhã, durante o almoço de domingo.

Desde de que ficou ciente da caixa que Josh me enviou, a mãe de Tomoyo havia redobrado a segurança e agora eles estavam mais visíveis, nos acompanhando mais de perto. Sonomi havia alugado uma Mansão dentro dos limites da cidade, se mudado para lá e era figura constante dos nossos dias.

Respirei fundo.

Senti que o celular vibrou novamente e peguei. Sentei de imediato quando vi a foto que me foi enviada, por um número de celular restrito.

Era uma foto de Tomoyo e Eriol, olhando pantufas em alguma loja, e Josh, ou pelo menos eu deduzia ser devido aos intensos olhos azuis conforme Tomoyo sempre o descreveu, aparecendo no canto da selfie. Rapidamente liguei para Tomoyo.


N/A: Olá, pessoas!

Não me matem, não me matem, não me matem #Please Sei que, para alguns, deixei a desejar em alguns detalhes ~.~' Mas garanto que fiz o melhor que pude levando em consideração a faixa-etária da fanfic e o que ela propunha desde o início: ser simples, ser leve. (Sim, também gosto de ler uns detalhes picantes, porém minha habilidade para escrever sobre isso é zero kkkkk) Contudo, prevejo momentos hot #ILoveIt
Momento especial para Josh, que mal deu o ar da graça, e já deixou o povo de cabelo em pé. Vamos ver o que ele vai aprontar nesse novo semestre.

Agradecimentos especiais para:

Srta. Zabini - Sim, ela não faz ideia do que a espera, caso ela realmente faça parte... Vamos continuar torcendo pra que tudo se resolva logo #ChegaLogoFinal

Vicky Blaack - Seria uma boa, mas será que Sonomi deixaria a rixa dela com Fujitaka de lado para ajudar Sakura? #EmojiPensando Fica aí o questionamento...

VMC - Amo suas teorias, pode continuar! kkkkk E sim, dá essa impressão de tempestade feat bomba relógio :) Sugestões do que Josh pode fazer ou no que pode afetar na relação do nosso querido quarteto fantástico...?

P.s.: Aquele SUPER obrigada para a minha BeaGold ValentinaV s2 #GoGirl #YouAreTheBest #ThankYouSoMuch

#BeijosBeijos