Catelyn

Eu acordei com uma terrível dor de cabeça. Tentei adiar o momento de finalmente levantar, mas Lysa veio me perturbar, nervosa com o fato de que o casamento seria em poucas horas. A última coisa que eu podia me lembrar da noite anterior, era que Eddard havia recebido um cavaleiro de Porto Real, trazendo uma carta sem selo. Depois disso, toda a atitude leve que ele assumira havia se dissipado, e ele plantara uma máscara fria e preocupada no rosto.

Confesso que nunca imaginei que estaria me sentindo tão mal no dia do meu casamento. Parecia que eu havia caído de cabeça no chão. E eu não podia pensar em vinho, já que isso parecia implicar em algumas sessões de vômito que eram bem indignas. Lysa estava pronta e eu sequer havia saído da banheira. As aias aprontaram meu cabelo e arrumaram meu vestido sobre a cama.

Quando meu pai entrou no quarto, alguém calçava meus sapatos. Eu não conseguia abaixar a cabeça. Ele trazia os mantos com o símbolo na nossa Casa, com os quais nos cobriu. Eu não sei dizer se ele estava emocionado, mas ele parecia muito culpado pelo fato de ter me dado tanto vinho na noite anterior.

-Você está bem?

-Sim. –respondi fracamente- Eu apenas não acho que conseguirei comer hoje. Ou pensar direito.

-Considerando que seu noivo está com a cabeça tão distante quanto a sua, acho que vocês ficarão bem.

Então eu me recordo claramente apenas do fato de que Eddard não conseguia atar o laço do manto Stark com o que cobria meus ombros. Eu precisei fazer isso, mesmo com as mãos inseguras. Logo o baile foi aberto e nós precisamos dançar.

-Minha Senhora, você está bem?

-O vinho. –eu disse apenas.

-Tentarei não girá-la.

-Por favor.

-Eu também acabei abusando noite passada.

-Vamos reassumir a postura de "noivos de luto". –eu pedi, sabendo que isso afastaria as atenções de nós dois e as focaria em Lysa e Jon Arryn, que pareciam bem felizes- Mas e você? Ontem aquele cavaleiro parecia ter algo muito urgente e complicado para tratar.

-Ele tinha, de fato. Mas eu não quero falar sobre isso. Seria um assunto que eu odiaria precisar tratar com você hoje.

Apenas acenei com a cabeça, anuindo. Era um mistério, mas deveria ser sobre algum pormenor da guerra.

-Eu devo estar horrível, mas o senhor está pior. –eu disse num arroubo de sinceridade.

-Me perdoe, eu não queria estar tão preocupado no dia mais importante das nossas vidas.

-Eu também não queria estar nesse estado.

-Seu pai estava muito empenhado em nos deixar sociáveis ontem.

-Ninguém pode condená-lo. –eu tentei um sorriso.

-Não, minha querida, ninguém pode.

Então nós passamos o resto do banquete sentados lado a lado e em silêncio. Apenas recebíamos cumprimentos, apreciávamos alguns presentes, que consistiam em joias e tecidos vindos de muto longe, e fingíamos comer. Eu não tinha condições de desfrutar de nada. Ele parecia apenas não ter nenhuma fome. Senti um pouco de inveja de Lysa e seu marido. Ambos satisfeitos e animados. O manto azul da Casa Arryn, cobria Lysa de forma elegante e realmente parecia bastante protetor. Eu não tinha a menor ideia de como eu estava, mas o cinza triste da Casa Stark parecia combinar bem com minha face derrotada.

Foi então que Eddard pareceu notar que eu observava muito a interação de minha irmã com seu marido, e num gesto que parecia ser de outra pessoa, ele segurou uma mecha do meu cabelo, examinando-a contra a luz do sol, que se filtrava por uma janela.

-As mulheres no Norte não têm os cabelos vermelhos. –ele comentou- Não tão vermelhos assim. Muita gente está sentindo curiosidade a respeito disso.

-Acredito que elas devem ter curiosidade a respeito de muitas coisas sobre mim. –respondi- Sobre o fato de eu ter sido machucada no ventre e coisas assim.

-Agora que eu sou seu marido eu posso lhe dar ordens? –ele perguntou, meio incerto.

-Acredito que seus pedidos deverão ser sempre muito considerados.

-Mas neste caso eu lhe darei uma ordem.

-Diga. –estimulei, imaginando a natureza do pedido.

-Jamais se refira ao seu ventre de novo. Não como algo incapaz de gerar um herdeiro.

-Eu acho que devo ser maçante e repetitiva nesse ponto. Me desculpe por isso. Mas se trata de algo que sempre irá perseguir meus piores pesadelos.

-Amanhã, quando eu tiver partido, você terá outros pesadelos com o que se preocupar.

-Eddard, eu sei que não devíamos falar sobre isso... mas eu tentei conversar com Brandon sobre o resgate de Lyanna e... Eu não acredito que Lyanna queria ser resgatada.

-Eu sei que ela fugiu. –ele murmurou muito baixo- Eu sei que o Príncipe não vivia bem com a mulher dornesa, eu sei que... Eu soube que Lya encontrou Robert na cama com uma prostituta. Ela fugiu, ambos fugiram, do horror que estavam vivendo. Robert está arquitetando uma guerra por uma noiva que jamais se casará com ele.

-Brandon não me ouviu. Eu tentei...

-Não. Este é outro assunto proibido. Brandon também é algo que nos fere profundamente. Não vamos falar sobre ele. Ou sobre meu pai, ou sobre Lyanna. Não hoje.

-Tudo bem.

-Nós teremos muito tempo para discutir sobre como tudo aconteceu.

-Quando você voltar da guerra?

-Quando. E se.

-Não fale assim.

-É apenas... Uma forma de deixa-la preparada. Eu posso jamais voltar. Mas eu darei o meu melhor para enviar Lyanna para você. Winterfell sempre deve ter um Stark, e você deve assumir o castelo, independente de Lyanna retornar ou não. Caso algo mais grave me aconteça, vá a Winterfell. As pessoas a respeitarão, você já é Lady Stark.

-Eddard, isso me assusta! Parece que você parte sem nenhuma esperança de que irá retornar!

-Eu tenho esperança, mas nós devemos observar o panorama completo. E não fique assustada. Não devemos falar mais sobre isso. –ele tocou meu rosto- Não quero que você fique preocupada.

Então mantivemos silencio por alguns minutos.

-Eu lhe enviarei corvos, ou mensagens por cavaleiros. Será o único meio que eu terei para não deixar de manter algum contato com você.

-Cada mensagem que chegue a mim, será prontamente respondida. –ele prometeu- E eu adoraria que você escrevesse sempre. Utilize corvos, eles sempre irão me encontrar. Já cavaleiros podem ser pegos e nem sempre saberão onde eu estarei.

-Tudo bem. Caso você se aproxime das terras fluviais em algum momento, me deixe saber.

-Você iria até o acampamento?

-Sem pensar duas vezes.

-Não. Você não deve sair daqui. Você deve permanecer segura. Nunca se afaste muito do castelo, nunca saia sem guarda. Por nenhum motivo. Os Targeryan são loucos com requintes de crueldade, eu não quero imaginar o que eles fariam se pusessem as mãos em você. Eu talvez fosse capaz de dobrar o joelho numa ocasião assim.

-Você pensaria antes em Lya.

-Em Lya e no fato de que ela fugiu com o homem que roubou seu coração. Se eu pudesse fazer as coisas de outra forma, sem a necessidade de uma guerra, eu faria. Em todo caso, você não deve sair de Riverrun.

-Sim, meu Senhor.

O restante da festa passou num sopro. Ele reassumiu sua expressão pesarosa e fria. Embora estivéssemos de mãos dadas, ele não olhava em minha direção. Pude perceber algo de culpa em seu modo de agir, mas eu não sabia definir exatamente porque ele se sentiria culpado. Talvez pelo mesmo motivo que eu me sentia desconfortável. O tempo passava rápido demais durante aquela festa, e quando algumas pessoas anunciaram que era a hora de enfiar os noivos em suas camas, eu imediatamente me agarrei a ele com toda a força que pussuia, temendo ser arrancada do meu lugar, como foi feito com Lysa. Mas certamente o aviso dado na noite anterior ainda estava bem vivo na mente de todos, e quando o salão ficou meio vazio, ainda permanecemos sentados e abraçados. Ele calmamente tomava seu vinho, enquanto meu pai perguntava o que ele planejava fazer para cumprir os ritos nupciais, já que ninguém teria permissão de me tocar.

-Não há nenhuma necessidade de que alguém a toque. Além de mim. –ele arrumou o manto sobre minhas costas, ficou de pé e me ofereceu sua mão.

Então, calmamente, atravessamos o salão, passando por entre as mesas que ainda estavam lotadas de nortenhos. Eles apenas bateram palmas ritmicamente quando passamos, mas ninguém, em nenhum momento, tocou sequer a barra do meu manto. Uma mão de Eddard segurava a minha e a outra repousava no cabo de sua espada. Subimos as escadas, onde ainda havia algo de movimento e ainda soavam palavras lascivas. O quarto de Lysa ficava no outro oposto da Torre, e logo pudemos entrar num corredor onde não havia ninguém. Havia uma escada íngreme a subir, e o manto Stark era verdadeiramente muito pesado. Foi então que para prevenir algum tipo de acidente, ele retirou meu manto, arrumando-o sobre o ombro. Eu o olhei por um instante, finalmente tomada pelo medo do que viria a seguir. Eu respirava muito rápido, sentindo-me tonta e trêmula. Mas ele me tomou em seus braços, beijou minha testa e me prometeu que tudo ficaria bem.

-Não se preocupe, não tenha medo. –ele disse- Não há nenhuma pressa.

Então eu me senti relaxar, e quando ele me colocou na minha cama, coberta por uma manta vermelha que eu não conhecia, eu senti que estava cansada e que aquela cama era tão adaptada às minhas formas, que eu logo dormiria. Ele sentou-se ao meu lado, agora observando a parede. Entrelaçou nossos dedos quando eu busquei sua mão.

-Está tudo bem. –eu murmurei- Eu não estou com medo.

-Claro que não! Você é uma guerreira! –ele me olhou e sorriu, ainda distante.

Ele me recebeu em seus braços, quando eu decidi que precisava diminuir a frieza instalada no ambiente. Encaixei meu rosto na curva do seu pescoço, e deixei que as mãos dele acariciassem minhas costas por sobre o vestido.

-Parece ser errado, não é?

-Muito. –ele concordou- Mais errado do que qualquer outra coisa.

Suspirei aliviada, imaginando que se pensar daquela forma era algo que compartilhávamos, certamente nos entenderíamos também em outros aspectos.

-Em todo caso, meu Senhor... –eu murmurei, ainda encaixada em seu abraço- Você precisa de um herdeiro.

Eddard me olhou, com seus olhos de tempestade. Pareceu existir ali um consentimento mutuo e silencioso. Ele me beijou suavemente, para depois me acomodar na cama, pressionando seu corpo, ainda inteiramente vestido, contra o meu.

-Se eu soubesse por onde começar, eu adoraria despi-la, Minha Senhora.

Eu ri, abertamente agora. Era verdade que meu vestido não era para nada simples de se colocar e seria ainda mais difícil de ser retirado por mãos masculinas, inábeis na arte das fitas e fivelas. Então, ele se ergueu e foi até o quarto de banhos, me dando espaço e privacidade para me despir. Fiquei nervosa, não posso negar. Imaginei se eu não podia tomar um pouco de vinho... mas a simples ideia me deu náuseas. Então, após o que pareceu ser uma pequena eternidade, ele veio trajando um roupão negro. Também parecia desconfortável, o que entre nós estava se tornando algo comum. Sentei-me na cama, segurando o lençol que me cobria de modo a manter meu busto oculto. Ele se serviu de vinho e bebeu toda a taça de uma só vez. Então, cuidadosamente, retirou o roupão e enfiou-se na cama, ao meu lado, ocultando tudo de seu corpo que eu pudesse achar... demasiado.

Mas seu tronco estava à mostra, e aquilo era muito mais do que eu já vira de um homem em toda a vida. Ele estendeu uma mão e tocou meu rosto, acomodando-se nos travesseiros. Cuidadosamente, ele me puxou para seu peito, deixando que nossa pele se tocasse por debaixo das cobertas, numa imensa extensão de nudez. Eu senti o corpo inteiro dele estremecer, e seu rosto denunciou algo de ansiedade com aquilo. Minha mão, pousada displicentemente sobre seu peito, era testemunha de que a respiração dele estava mais acelerada. Eddard beijou minha testa, sua mão agora deslizando por minhas costas e me plantando alguns arrepios. Ele inverteu um pouco das nossas posições, e me olhou de cima.

-Por todos os deuses... –ele murmurou com a voz rouca.

-Meu senhor...? –eu perguntei insegura- Está tudo bem?

-Infinitamente mais do que bem. –ele grunhiu em resposta, olhando pro meu rosto enquanto uma mão deslizava do meu ombro, passando pelo interior dos seios e escorregando pelo meu ventre até me tocar onde apenas eu havia tocado.

Senti um pequeno grito se formar na garganta, mas pude contê-lo. Eu não estava assustada ou machucada, mas não nego que me surpreendi com o gesto súbito. Eu sabia que minha boca estava aberta lutando por ar e que eu respirava tão dificultosamente quanto ele. Eddard colou nossos rostos.

-Você é linda, minha senhora... –ele murmurou ao meu ouvido- Linda e pura...

-Eddard... Eu sei que pareço assustada, mas eu confio em você. –assegurei, tentando me convencer de que algo referente ao que aconteceria naquela cama tinha algo a ver com confiança.

-Eu tentarei ser o mais delicado possível... o máximo que meus instintos permitam. Eu me sinto como um animal selvagem agora. Ou o mais afortunado de todos os homens.

-Meu querido...

Ele me beijou e o fez longamente, fazendo-me sentir o sabor de sua boca e inalar sua respiração. Agora não havia muito controle sobre mãos ou sobre qualquer outra coisa. Ele tocava meu corpo do jeito que queria, mas era sempre suave, quase como se me pedisse permissão... enfim, depois de já termos explorado nossas bocas com sofreguidão, e termos sentidos com as mãos o máximo de pele que estava ao nosso alcance, eu senti algo estranho pedindo passagem entre minhas pernas. Me assustei, mas permaneci firme.

-Se doer... –ele disse e meu ouvido,quase sem voz de tão trêmulo e nervoso- Me deixe saber,eu me deterei imediatamente.

Oh, então já era a hora em que nos uniriamos na mesma carne. Parecia cedo demais, mas já fazia horas em que estavamos ali, entre beijos e carinhos,apenas pele na pele, poucas palavras sussurradas e sentimentos e sensações completamente diferentes do que eu havia experenciado antes. Eu estava relaxada, e quando ele se posicionou entre minhas pernas, deslizando uma mão por baixo da minha nádega para ajudá-lo a controlar nosso contato, eu senti a pressão... algo lentamente me invadindo. Foi doloroso, mas me mantive firme. Seus olhos não deixaram os meus em nenhum momento, sempre atentos para qualquer mudança nas minhas expressões. Ele se moveu, dentro de mim, bem devagar, acostumando-me ao volume que agora ocupava um lugar que eu sequer imaginava poder abrigar algo tão grande.

Aquilo durou muito tempo. Ele alternava o movimento entre o rápido afoito, e o lento profundo. E eu estava, admito aqui sem culpas, desfrutando de ambos. Minhas mãos o agarravam com força, eu o beijava onde podia, e quando não estavamos mais pueris e envergonhados debaixo das cobertas, eu pude observar o corpo do meu marido, e longe de sentir-me horrorizada ou envergonhada... eu estava achando muito bonito o modo como que sua pele branca e pálida se recobria de suor. Ele girou comigo, deixando-me sobre ele. Havia detido o movimento, e apenas apreciava meu rosto, corado e suado. Do modo em que estávamos, eu podia me mover, com ele ainda dentro de mim, mas eu não quis fazê-lo. Estava envergonhada e sem saber como agir. Tinha certeza de que ele sabia que a maioria das Ladys aprendiam de suas aias mais velhas como proceder para dar prazer a seus maridos,mas eu ainda estava com vergonha. Havia em nós, manchando nossa pele e o lençol, estrategicamente vermelho, o meu sangue de donzela .

-Catelyn... –ele arfou, segurando-me pela cintura- Desde o dia de hoje, e por todos os outros dias que venham... Eu jamais terei uma mulher em meus braços que não seja você. Eu deposito aqui toda a minha honra.

-Eu também lhe juro fidelidade até em meus pensamentos.

Então ele girou sobre mim novamente, e moveu-se enquanto me afogava num beijo. De repente eu pude escutar, surgindo do fundo do seu peito, algo semelhante a um rugido, que ele conteve na garganta. Estremeceu, arfando ruidosamente...

-Catelyn... –ele grunhiu por fim, separando nossos corpos e afundando nos meus travesseiros, buscando ar para respirar. Eu podia sentir um enorme vazio dentro de mim, algo que apenas queria que ele voltasse exatamente para onde estava antes, mas isso logo passou.

Ele me abraçou, me acomodou sobre seu peito e ainda me beijou inúmeras vezes antes de render-se ao sono, observando meu rosto. Eu não pude dormir. Apenas me concentrei em ouvir seu coração, batendo ritmicamente. Eu observava uma janela, cujas cortinas haviam ficado semiabertas. Não demorou muito e o céu começou a tingir-se de vermelho, denunciando a aurora.

Ele acordou quando um pouco mais de luz ingressou no quarto e o barulho da movimentação de cavalos iniciou do lado de fora.

-Minha Senhora não parece ter dormido nada.

-Eu apenas não consegui. –respondi sentindo seus lábios colarem em minha testa- Você já deve ir?

-Acredito que sim. -ele sentou-se na cama, recolhendo o roupão do chão e vestindo-o, deixando-me um pouco abandonada e despida na cama. Foi então que ele pode me olhar, completamente nua entre os lençóis, e reconsiderou a ideia de levantar-se.

Eu ri quando ele voltou para a cama, mergulhando-me num beijo. Estava completamente pronto para recomeçarmos tudo o que havíamos feito na noite anterior, quando batidas na porta nos interromperam.

-Ned, você deve despertar. Os homens já estão quase prontos para partir. –a voz de Jon Arryn invadiu o quarto.

Meu marido soltou um suspiro de frustração, mas ergueu-se. Rapidamente fiz o mesmo, preparei-lhe um banho enquanto ele organizava sua bagagem.

-Eu... –repentinamente fui atingida pelo fato de que ele partiria para uma guerra- Eddard!

-Shhh... –ele veio até mim, me abraçando com força, ainda descalço após o banho- Não chore.

-Por favor, Eddard, por favor...

-Oh, Catelyn, me machuca tanto ver você assim! –eu o beijei repetidamente

-Volte, por todos os deuses, volte.

-Eu voltarei, agora fique calma, respire fundo.

-Jure!

-Eu juro... Não é fácil deixá-la, jamais foi fácil deixa-la! Mesmo quando éramos apenas cunhados, irmãos... Agora está infinitamente mais difícil, mas você deve se manter firme.

-Eu não vou conseguir... –eu disse, sentindo o fôlego me fugir- Eu não vou conseguir perder você também!

-Você não vai. –ele me olhou profundamente- Eu juro por todos os deuses, por minha honra ou por tudo o que você considere sagrado... eu não jamais deixarei você sozinha.

-Jamais?

-Jamais. –e me beijou tão suavemente que eu quase não pude sentir.

Então aprontou-se e deixou o quarto, segurando-me pela mão. Não houve tempo para desjejum ou para mais nada. E de repente ele estava montado num cavalo, gritando ordens para seus vassalos. Meu pai logo a seu lado e Jon Arryn mais ao fundo, comandando seus homens.

Lysa e eu passamos os braços em torno uma da outra. E apenas observamos nossos homens partirem para a guerra. Uma guerra iniciada por conta de um amor impossível e irresponsável... Mas quem de nós seria capaz de condenar Lyanna por qualquer atitude tomada?

Alisei meu ventre, murmurando uma oração à Donzela, coisa que eu havia deixado de ser, e outra à Mãe, para que elas não me abandonassem e me ajudassem a gerar o herdeiro que faria com que o povo do Norte que agora admirava apenas a minha beleza, viesse a me amar, já que talvez um dia, eu precisaria governá-los. Sozinha e sem realmente ter conhecido um verdadeiro inverno. Eddard precisava voltar vivo dessa guerra. Não apenas para mim. Metade de Westeros precisava dele.