Soaring Black Bird - Chapter 25
Goldenwing Trio [O Trio Goldenwing]
Rayvenne estava sentada em uma das cadeiras da mesa da cozinha daquela enorme casa. De acordo com Lupin, aquela era a casa dos Black. Poderia estar aos pedaços mas ainda era habitável. Seu malão havia sido colocado e um dos quartos escada acima por um elfo doméstico de nariz vinculado chamado Mosntro. Ele não parecia tão obediente e cordial quanto a maioria dos elfos domésticos.
Sirius e Remus sentaram-se em frente à loira. Ela os encarava com o cenho franzido. Haviam dito sobre o verdadeiro motivo de ela estar na Sonserina. Mas não era por quê era audaciosa ou por quê seu avô tinha enfeitiçado o Chapéu Seletor em seu primeiro ano em Hogwarts? Lupin suspirou e encarou Rayvenne com sua expressão cansada de sempre, mas ele sorriu.
-Certo, Ray... Qual pergunta você quer que seja respondida primeiro?
-Por quê eu não posso ir passar as férias de verão com os meus avós? – ela perguntou praticamente perfurando Lupin com o olhar.
-Ray... Já te disseram por quê você foi colocada na Sonserina, dentre as todas casas de Hogwarts? – Lupin perguntou seriamente.
-Porque meu avô enfeitiçou o Chapéu Seletor para poder escolher a própria casa?
-E você não achou estranho que um aluno do primeiro ano já sabia um feitiço tão complicado? Ou que tivera a coragem de enfeitiçar um artefato mágico tão precioso para a escola em seu primeiro dia? Hum? – Sirius perguntou no mesmo tom sério de Lupin. Rayvenne concordara, nunca havia pensado nisso.
-Seu avô fez uma amizade em seu primeiro dia de Hogwarts que digamos... Não lhe serviu muito bem.
-Como assim? – Rayvenne disse lentamente. Sirius suspirou.
-Seu avô fez amizade com Lord Voldemort. Coincidentemente, também era seu primeiro dia de Hogwarts! E um garoto como seu avô era, não demorou muito para se tornar íntimo dele.
-Meu avô? Mas meu avô nunca foi adepto à magia das trevas! – Rayvenne disse indignada.
-Mas era adepto a quebrar regras e fazer coisas excepcionais... Qualquer dono de loja de logros é assim, Rayvenne. – Lupin disse calmamente. – E aquela não foi a única de suas travessuras em Hogwarts com Voldemort.
-Seu avô e Voldemort eram como eu, Remus, Peter e James. Inseparáveis! – Sirius disse. – E foram assim até o fim de seus anos letivos...
-É mentira! – Rayvenne exclamou. – Meu avô nunca maltrataria pessoas inocentes como fez Voldemort! Ainda mais trouxas e nascidos trouxas! Ele se casou com uma trouxa!
-Sabemos! Mas seu avô nunca foi um Comensal da Morte... – Lupin disse. – Ele não tem a marca negra no braço.
-Quando saíram de Hogwarts, Voldemort respeitou o desejo de abrir uma loja de Logros de seu avô. Afinal, ele era o único verdadeiro amigo do lorde das trevas. – Sirius disse. – Tanto que, apesar de ter ido para Grifinória, eles continuaram a amizade. Sabe que muito do que Voldemort conquistou foi graças ao seu avô, não? Os feitiços que aprenderam juntos, as idas furtivas à área restrita da biblioteca de Hogwarts. Seu avô era bem talentoso para magia negra também... E ótimo em poções.
-Quando o Lorde das Trevas ganhou poder, por vezes tentou recrutar seu avô. Mas ele recusou todas elas. Voldemort não o matou, apesar disso – Lupin disse. – Mas quando Voldemort se foi, seu avô não moveu um único músculo para ajudá-lo... Voldemort considera isso como traição... E agora que ele está de volta, vai querer tirar satisfações com seu avô...
-E espere só até ele ouvir que a neta do melhor amigo é bruxa, está na Sonserina e é extremamente audaciosa e quebra-regras, como seu avô foi. – Sirius disse. – Ele vai vir atrás de você, Goldenwing. Ah vai.
-Esperem um pouco... Ele vai matar o meu avô? – Rayvenne disse abismada. – Eu preciso estar lá para protegê-lo! E a minha avó também! Ainda mais por quê ela é trouxa!
-O que você acha que uma garota do quinto ano que acabou de prestar os Níveis Ordinários em Magia vai poder fazer contra o Lorde das Trevas, Rayvenne? – Lupin disse num tom sério.
-Assim mesmo... Ficar aqui sem fazer nada é errado, raios!
-Há aurores na casa de seu avô neste exato momento. – Lupin disse tentando tranqüilizá-la. – A melhor coisa a se fazer agora é ficar bem longe dele...
Rayvenne ouviu um grande estrondo vindo de algum lugar acima. Algo caindo com um baque surdo no assoalho de madeira. E logo depois dois pares de risadas. Risadas que fizeram a loira ter um repentino surto de nostalgia. Sirius bufou.
-Eles provavelmente estão atormentando o Bicuço de novo... É melhor eu ir parar os dois antes que eles acabem machucando-o de verdade...
Rayvenne arqueou uma sobrancelha. Lupin pareceu perceber a confusão da pequena.
-Você não era a única Goldenwing que precisávamos proteger...
-Quer dizer... Meus pais? – Rayvenne perguntou. Lupin riu.
-Seus pais não são bruxos, Ray... E além disso, aurores foram mandados para apagar a memória deles sobre o mundo bruxo... Além de mudarem os nomes deles. Por precaução, sabe? Eles pensam que são os Nightgale.
-Quer dizer que eles não se lembram de mim...? – Rayvenne perguntou num tom um tanto melancólico.
-Mas não se preocupe... Quando tudo isso terminar, eles terão a memória de volta!
De repente dois pares de pés desceram correndo até a cozinha. Dois garotos circularam a mesa sorrindo. Um era um palmo mais alto que Rayvenne e possuía cabelos curtos e desarrumados castanho escuros e olho igualmente castanho escuros. O outro, tinha mais ou menos a mesma altura de Rayvenne e possuía cabelos que iam até os ombros loiros escuro e olhos verdes. Ambos carregavam consigo uma pena cinzenta cada. Eles se jogaram para baixo da mesa rindo. Logo depois, um Sirius um tanto alterado entrou na cozinha ofegando.
-Vocês dois estão mortos...
-Calma, Sirius. Resolvamos isso depois... – Lupin disse. – É melhor que deixemos primeiro que se cumprimentem. Afinal, faz anos que não se vêem...
-Oi, Ray! – o de olhos verdes disse.
-Nossa! Você diminuiu? – o outro falou.
-Esses são Brendan e Johnathan Goldenwing, seus irmãos mais novos.
-Heim...?
Na manhã seguinte, Rayvenne estava sentada em cima da cama do novo quarto. Ela descarregava as coisas do malão e as colocava num criado-mudo de aparência um tanto decadente. Ainda estava chocada com essa história de irmãos mais novos Brendan, o de olhos verdes e Johnathan, o de olhos castanhos. Irmãos mais novos que, por sinal, ela não se lembrava. Ela apenas se lembrava de ter vivido com os pais até os 10 anos e depois passar a morar com os avós. Não havia nenhum irmão mais novo no meu do caminho. Quanto mais dois. Apesar de que, a explicação que Lupin dera fazia sentido.
-Vocês três eram muito unidos quando viviam com os pais... Mas seu avô começou a pressentir a volta de Voldemort... E o perigo que sua família corria com isso. Quando seus pais tiveram que viajar a negócios, eles levaram os dois com eles... E um feitiço de memória foi aplicado em cada um de vocês para que você não se lembrasse deles e vice e versa. Por precaução, sabe? Quero dizer... Se nem mesmo vocês se conhecessem, o Lorde das Trevas nunca conseguiria contatar um por meio do outro. Mas o feitiço que foi lançado em vocês é fraco e vai ir se desfazendo quanto mais tempo vocês passarem juntos agora.
Era uma história muito difícil de acreditar. Mas Rayvenne havia tido uma sensação de nostalgia ao ouvir a risada dos dois. Como se fosse uma melodia esquecida. E depois da história de seu avô e Voldemort terem sido amigos de infância, Rayvenne não duvidava de mais nada. Johnathan era 11 apenas meses mais velho que Brendan, o que fazia dos dois inseparáveis. Rayvenne era dois anos mais velha que Johnathan, mas nem por isso eles se intimidavam.
A loira fechou o malão. Sua cabeça girava com todas as novas informações e revelações que recebera. Um estampido atrás dela a tirou de seus devaneios. Ela olhou para trás rapidamente.
-Oi, Ray! – os gêmeos disseram em uníssono.
-Vocês...? Mas o que vocês...? Não era para vocês estarem n'A Toca?
-Papai faz parte da Ordem... Aí resolvemos ficar todos aqui na sede, por segurança, sabe? – George disse.
-E você faz o quê aqui, Ray? – Fred perguntou. Rayvenne suspirou.
-É uma história complicada…
Rayvenne contou tudo o que Lupin havia dito para ela no dia anterior. Se sentia um pouco culpada ao falar para os gêmeos que seu ídolo tinha vínculos com Voldemort, mas deixar de falar isso também parecia traição. Ela também lhes contou sobre os recém-descobertos irmãos.
-Ray, se você não estivesse aqui conosco e nós não tivéssemos visto os dois lá embaixo, eu diria que essa história é mentira... – Fred disse zombeteiro.
-Eu ainda não consegui engolir isso tudo direito! – Rayvenne rebateu.
-Bom... Então por enquanto você precisa passar mais tempo com seus irmãos pra poder recobrar as memórias com eles, certo? – George perguntou sentando-se na cama de Rayvenne. – Por quê não os convidamos pra uma partida de quadribol?
-Não dá... O Brendan morre de medo de altura...– Rayvenne disse suspirando. Os gêmeos se entreolharam.
-Ele te disse isso? – Fred perguntou.
-Na verdade... Não... – Rayvenne respondeu lentamente.
-Um dia com eles e você já se lembrou de seus medos... É, acho que em dois meses de convivência, vocês se lembram de tudo... – George disse.
-Talvez... Mas quanto tempo vocês dois vão ficar aqui? – Rayvenne perguntou.
-As férias todas! E passamos ontem no Beco Diagonal e fizemos umas compras pras Geminialidades.
-A família toda está lá embaixo! – Fred disse. – Vamos descer pra dar um "oi", ok?
E com um estampido, os dois garotos desapareceram. Rayvenne bufou.
-Só porque eles agora podem usar magia fora da escola, não quer dizer que eles precisam usá-la to tempo todo... – ela murmurou saindo do quarto. Seus irmãos riam por algum motivo no andar de baixo. Eles lançavam um para o outro um tipo de esfera de cor verde-musgo. Rayvenne arqueou uma sobrancelha.
-Rayvenne, pega! – Johnathan lançou-lhe a esfera e Rayvenne rapidamente pegou-a por instinto. Aquilo não era exatamente uma esfera. Era uma das cabeças encolhidas de elfo doméstico que serviam como enfeite na casa dos Black.
-Joga aqui pra mim! Pra mim! – Brendan disse chacoalhando os braços no ar. Rayvenne o fez, o garoto rebateu a cabeça com a mão e a lançou para Johnathan que, por sua vez, a desvio com uma cabeçada para Rayvenne. Rayvenne entendeu a brincadeira e desvio a cabeça novamente para Brendan com as costas da mão. Eles começaram a jogar a cabeça cada vez mais forte um para o outro, Rayvenne ria.
-O grande Johnathan cabeceia!
-A impetuosa Rayvenne espalma!
-E o destemido Brendan chuta!
Só que a cabeça não voou em direção a Johnathan. Ao invés disso, ela bateu com tudo numa das pernas de uma mesinha próxima, partindo-a no meio. A mesinha despencou no chão junto com todo o conteúdo de enfeites em cima dela. Logo toda a mansão ecoou com o barulho de vidro quebrando e um bando de cabeças encolhidas rolando. Os três se entreolharam e, quando parecia que Johnathan ia usar de sua tão famosa inteligência para proferir algum tipo de plano para arrumar toda a bagunça, ele gritou.
-CORRE, NEGADA!
Os três saíram em disparada escada acima ao mesmo tempo. Johnathan guiando o caminho. Eles entraram por uma porta no ultimo andar. Era o sótão. O lugar estava um breu graças às cortinas negras que cobriam a única janela do local. Johnathan sentou-se no chão de madeira, Rayvenne e Brendan o imitaram.
-Legal... E agora? – Rayvenne perguntou.
-Agora agente espera! – Johnathan respondeu levianamente.
-Não era melhor agente ter arrumado aquilo tudo...? – Brendan perguntou.
-Erm... Verdade... Mas ia dar muito trabalho, já que agente não pode usar magia fora da escola... – Johnathan disse.
-Espera um pouco... Vocês são bruxos também? – Rayvenne perguntou abismada.
-É, ué.
-Entramos pra escola de magia das Américas, sabe? – Brendan disse. – Papai ficou meio desconcertado quando descobriu, mas resolveu deixar que nos matriculássemos...
-Você estuda em Hogwarts, né, Rayvenne? – Johnathan disse.
-É...
De repente um rosnado os tirou da conversa. Um barulho de garras batendo vagarosamente no assoalho. Os garotos se levantaram rapidamente.
-Uh-oh... Quarto errado! – Johnathan disse correndo para a porta, Brendan o seguiu. Rayvenne não entendeu , mas o barulho de algo batendo com força ao seu lado a fez imitar os dois. Johnathan fechou a porta do sótão com força assim que Rayvenne saiu. Mas os problemas dos três não acabavam por aí. Sirius subia a passos firmes as escadas. Aparentemente, ele havia descoberto o estrago feito pelos irmãos Goldenwing. Rayvenne puxou os dois pelo pulso e entrou correndo no primeiro quarto que viu. Ela fechou a porta calmamente atrás de si e colocou o ouvido na porta. Sirius havia passado reto pelo quarto. Rayvenne suspirou aliviada.
-Nossa. Balas sortidas? Que tipo de bruxo guarda balas sortidas consigo? – Johnathan falou tomando um saquinho de bolinhas coloridas bem familiares para Rayvenne. Ela olhou em volta e percebeu de quem era o quarto que os três entraram.
-Não comam não... É caramelo incha-língua! – ela advertiu. – Um dos produtos que os gêmeos estão inventando.
-Wow! Eles inventam doces? – Brendan perguntou.
-Produtos de loja de logros para ser mais exata... – Rayvenne respondeu.
-Mas não fomos nós, mãe! Juramos de pé junto! – uma voz vinda de algum lugar lá embaixo disse. Rayvenne a reconheceu imediatamente.
-NÃO QUERO SABER DE DESCULPAS! VOCÊS FICAM INVENTANDO ESSE PRODUTOS PERIGOSOS QUE ACABAM DESTRUINDO TUDO! SABE QUANTO CUSTA ANTIQUIDADES COMO ESSAS? UMA FORTUNA! NUNCA IAMOS CONSEGUIR PAGAR PARA SIRIUS! – A Sra. Weasley ralhava com os gêmeos. Rayvenne engoliu em seco.
-Molly, calma. Não é como se essa casa valesse algum valor para mim... Minha única preocupação é a segurança dos dois... – Sirius disse tentando acalmar a Sra. Weasley.
-Okay, gente. Fred e George estão levando a culpa por nós... – Rayvenne disse. Johnathan bufou indo até a porta.
-Vamos nos entregar, vai. É errado deixar com que eles se ferrem por nossa causa... – Johnatan disse. Brendan o seguiu.
Rayvenne sorriu. Seus irmãos sempre foram honestos...
