Capítulo XXV

Primeira lição: É conveniente limpar o trabalho sujo

Quando ele partiu para cima de mim não vi outra escolha, ele tinha uma varinha em mãos e apesar da minha inteligência, ele estava três anos na minha frente em questão de conteúdo. Não era eu que ia esperar um raio cair do céu na cabeça dele ou o colar que Vince me dera me salvar, eu já havia ficado na mão outra vez, e algo me dizia que se eu ficasse desta eu não sobreviveria para contar. A pedra no chão me parecia a única opção quando abaixar para me desviar de um dos feitiços de ataque que ele me lançara.

- Ora sua fedelha!...- Ele resmungou vindo em minha direção novamente. E quando realmente voltei a minha consciência, eu estava em cima dele, golpeando-o inúmeras vezes com a pedra em sua testa, até que o sangue vermelho escarlate banhasse minhas mãos. Meus olhos, apesar de assustados com a cena, mantinham-se firmemente frios e encantados com aquilo que eu tinha diante os olhos. O cheiro que invadia minhas narinas, os urros de dor, tudo parecia perfeitamente combinar, não só com a cena, mas comigo. Eu continuei golpeando-o até vê-lo tombar a cabeça e parar de relutar. Desacordado, desarmado, ele parecia tão inofensivo e com o sangue recoberto por seu rosto tão atrativo ao mesmo tempo. Não resisti, levei a ponta de meu dedo indicador até o líquido vermelho escarlate jorrado por todo seu rosto que se misturou a minha mão já suja de sangue. Levei minha mão a altura de meu nariz, deixando o cheiro adentrar em meu corpo, aquilo me fez tão bem, suspirei algumas vezes como se minha mente saísse daquele mundo por alguns instantes. Tive vontade de passar aquele sangue, ainda quente por meus braços, minhas pernas e o resto do meu corpo, mais que isso, tive vontade de bebê-lo, por mais que todas idéias se tornassem confusas em minha mente. Pulei, com o coração acelerado quando ouvi vozes alguns metros dali. De certo seria o guarda caças. Que merda! O que eu faria? Anthoni provavelmente estaria morto...eu era uma assassina... isso me caracterizava como uma, não? Mesmo que tenha sido legítima defesa e...

Não havia tempo para pensar. Vasculhei minha capa em busca das luvas que eu usava nas aulas de Herbologia, vestindo-as às pressas. Arranquei-lhe as vestes do aluno, deixando-o apenas nas roupas de baixo, eu bem sabia que minhas provas estariam ali se o deixasse com aquela roupa. Tirei parte de minhas roupas que também haviam sido manchadas de sangue, cobrindo-me com a capa por cima da camiseta e shorts que usava por baixo das vestes oficiais de Hogwarts que estavam sujas. Larguei tudo ao lado dele amontoado e peguei minha varinha que havia caído quando o ataquei. Apontei em direção a pilha de roupas sem hesitar: "Incendium". Foram as palavras que usei para não só as roupas entrassem em combustão, mas também parte da mata ao redor e inclusive o corpo do rapaz. Guardei a varinha e sai correndo floresta adentro, logo adultos chegariam ao local e começariam a vasculhar a região, eu precisava dar um jeito de chegar até o Castelo antes que tudo isso acontecesse.

Não foi preciso muito esforço, mas do contrário tive que correr muito para contornar a Floresta Proibida e conseguir chegar ao Castelo pelos portões dos fundos, desviando pelo Jardim. Tentei não dar bandeira, enquanto ouvia os alunos ao redor cochichando os boatos de que um novo assassinato havia sido cometido na Escola, e que de fato nada mais era seguro. Ouvi coisas do tipo "vou mandar uma coruja imediatamente para meus pais, eles irão processar Hogwarts, entrar em contato com o Ministério da Magia..." e coisas do tipo. Mas a verdade é que a única coisa que pairava em minha mente eram os últimos minutos que passei na Floresta. A forma como matar Martinelli me cativou, vê-lo ali, desacordado, recoberto por sangue fez um desejo nascer dentro de mim, um desejo diferente, não como o que eu tinha por Connor ou pelas drogas e o álcool, um desejo em forma de fome, uma fome insaciável, vezes mais forte do que uma janta em que você não comeu o dia inteiro. Mas não exatamente porque eu estava com fome...e sim pela maneira atrativa como tudo aquilo fora me apresentado a medida que cada golpe na cabeça do italiano fazia jorrar o sangue no ritmo acelerado de seu coração em desespero por revanche, em desespero por me derrotar. Eu havia vencido, havia vencido Anthoni Martinelli, mas de repente me peguei perguntando se por causa disso estava me tornando alguém como ele...porque era isso que psicopatas faziam, não era? Elestêmsedepormorte,assimcomoeuastenhoagora.SeráqueeraumcastigodeMerlinporeutê-lomatado?Seráqueeuhaviarecebidotodoocarmadomoleque? Todas estas perguntas continuavam pairando em minha mente, vagando em meio as últimas lembranças que eu trazia do sétimo-anista. Ele havia confessado, ele havia matado Nottison, e meu irmão seria o próximo, mas por quê?

Não que Hogwrats tivesse aceitado bem a morte de um outro aluno, mas a rebelião de pais contra a escola era tremenda que eles se quer conseguiam investigar a morte com tamanha dedicação uma vez que a cada dia Minerva McGonagall recebia mais e mais pais revoltados com o descaso da escola com os alunos. Não que meu pai tenha vindo para Hogwarts, ele não era nem tão importante para conseguir entrar na escola, muito menos era interessado em o que quer que estivesse acontecendo com os filhos dele, mas em um dos dias, vi de longe Vince, meu meio irmão mais velho já formado, e por mais que eu tentasse chegar a ele, fui impedida pelo zelador que me garantiu que não havia nos sido concedido visitas. Eu sentia falta de Vince, e gostaria de tê-lo por perto para que eu pudesse esclarecer algumas dúvidas, eu não sabia o que e o porque algumas coisas vinham acontecendo comigo, só sabia que eu desejava mais daquilo da outra noite.

Passei as noites dos meses que se seguiram insegura, incerta, e me afastando de todos, conversando o menos possível, a não ser com Callie, que parecia não estar preocupada exatamente com o que eu sentia, e assim eu podia desabafar o que fosse que ela não memorizava da maneira como os outros iriam.

- Senhorita Johanson...- Na saída da aula de História da Magia o professor Jack Carter me parou quando todos os alunos já haviam saído. Não tinha pressa nenhuma para chegar a aula de Herbologia.

- Sim? – Levantei meus olhos, desejando que o assunto fosse breve, do jeito que eu andava com a cabeça avoada.

Ele encostou a porta.

É, aparentemente não seria breve.

- Tenho notado-a diferente...- Sua mão desceu por um dos meus braços até que nossos dedos se encontraram, não os entrelaçamos, mas ele me puxou pela mão até sua mesa, encostou-se nela, mas me deixou a sua frente e sacando a varinha para a porta, fez com que as cortinas descessem. Estranhei, mas não me movi. Minhas orbes esmeraldas cruzaram com as dele, mas não permaneceram fixas por muito tempo.

- Eu ando..só...- Busquei qualquer explicação em minha mente, mas nada me veio, suspirei, não terminando a frase.

As pontas dos dedos dele tocaram minha face, e respirei fundo ao mesmo tempo que fechei meus olhos.

- Heather...- Ele voltou a dizer, mas de uma maneira tão baixa e abafada que eu poderia jurar que ele sussurrava aquilo em meu pescoço.

Suas mãos foram até meus ombros, tensionados. E em uma massagem ele foi dissociando cada nó muscular, me fazendo soltar aos poucos os ombros. Por alguma razão eu não queria me afastar dali, tudo pareceu sumir da minha mente, e por um segundo pareceu que havia paz em meus pensamentos.

- Heather...- Ele voltou a sussurrar, e eu mantive meus olhos fechados, com medo de que se eu os abrisse todo aquele momento havia de acabar. E desta vez não só senti o sussurro em meu pescoço, mas também seus lábios em minha nuca, me fazendo estremecer em um arrepio único pelo corpo. As mãos dele, levemente ásperas, como se as tivesse gastado-as demais no surf desceram por meus braços, acariciando-os, até que passaram a minha cintura, onde senti um leve apertão. Meu corpo, instintivamente foi para mais perto do dele. E corajosamente, consegui abrir meus olhos. Os olhos amêndoas de Carter me encaravam não da mesma maneira que ele encarava uma aluna em sala de aula quando a mesma lhe fazia uma pergunta, eles estavam turvos, diferente de qualquer outro momento que eu já os havia visto, e me perguntei se aquilo era o que queriam dizer com a expressão "turvos de prazer". As mãos dele desceram ainda mãos, pousando em meu quadril, coberto pela saia colegial pregueada, apertando-o da mesma forma, mas com mais intensidade de como havia apertado minha cintura. Meu corpo roçou por seu tórax vestido pelo camisa cujo os primeiros botões haviam sido abertos, mostrando-o o quão definido era. Estremeci mais uma vez, mas não fechei os olhos, desta vez busquei seu olhar novamente. Mas não nos entreolhamos por muito tempo, Carter avançou em um beijo cheio de sede e me entreguei a aquele momento. A forma como sua barba roçava em meu rosto, diferente dos poucos meninos da minha idade com quem eu havia saído, me faziam aumentar ainda mais o desejo que eu tinha por ele, assim como jeito que ele sabia manejar sua mão pelo meu corpo, explorando-o. Não me senti exposta, como achei que me sentiria com amaços assim, me senti excitada com a maneira que tudo o que ele fazia parecia tão certo. Ele desviou o beijo para meu pescoço, e para minha nuca, explorando cada pedaço de pele que eu tinha, enquanto minhas mãos desciam em instinto arranhando as costas dele por cima da camisa que eu estava louca para que ele se livrasse.

Os sussurros ofegantes ao pé de minha orelha por meu nome soavam como música aos meus ouvidos. Mordi seu pescoço deixando meu instinto me levar, com força, com desejo, chupando-o logo em seguida quando...quando...aquele cheiro chegou ao meu nariz novamente. Parei, enquanto ele continuou com suas carícias, mas meus olhos se fixaram em algo mais..mais atrativo e que vinha se mantendo em minha cabeça há um bom tempo. Um pequeno aglomerado de sangue onde eu havia mordido havia se juntado, vermelho escuro, e com o cheiro de Carter misturado ao líquido que cheirava quase a ferrugem. Incontrolavelmente, meu desejo era de lambê-lo, chupar aquele pequeno fio que se formava em seu pescoço, e que ele parecia se quer ter se dado conta, pois suas mãos continuavam avançado para dentro de minha blusa. Eu precisava, precisava novamente sentir o que havia me acontecido na Floresta, mas não seria com Carter, não poderia ser. Juntei forças contra meu desejo para afastá-lo de mim com ambas minhas mãos. E sem entender ele pareceu me encarar, como se eu fosse algum tipo de louca. Mordi meu lábio inferior e ainda uma última vez o encarei, depois desviando meus olhos para seu pescoço. Ele pareceu então notar, pois levou a mão rapidamente ao pescoço onde havia a ferida. Com as mãos manchadas de sangue, as encarou, me olhando novamente. Aquilo pareceu aumentar ainda mais minha fome, que se tornava devastadora dentro de mim. Sai correndo daquela sala antes que fosse tarde.

Só depois, quando estava longe o suficiente, e abrigada nas masmorras percebi que eu praticamente havia entregado minha culpa na morte de Anthoni Martinelli. Carter não era burro, e percebeu a maneira como eu havia encarado o sangue em seu pescoço, como aquilo havia me atraído. Era hora de eu fazer o que tinha que ser certo, e eu não deixaria meu desejo falar mais alto desta vez.