Olá, amores.
Eis aqui o penúltimo capítulo de AIT. Depois dele, só resta o epílogo.
Mas ok, aposto que vocês nem vão me xingar pela história estar acabando, porque esse capítulo vai simplesmente seduzir vocês. Fato.
OEAHOAEHOEHOHEOH
A música da parte final do capítulo é I don't wanna miss a thing, do Aerosmith. (linda demais)
Se possível, escutem ela na parte certa.
E depois deixem seus reviews. *-*
Agora, enjoy.
;*
25 – Nossas Decisões
"Eu poderia passar minha vida nessa doce rendição."
Sasuke's POV
Quando abri os olhos, era como se ainda estivesse sonhando.
Ela estava bem ali, pálida e quente, adormecida em meus braços. A mulher de toda a minha vida, tão inocente de tudo, tão minha. Não havia mais um mundo sujo e detestável do lado de fora daquela janela, porque o meu mundo inteiro estava dentro daquele quarto, e ele não existia na ausência da Sakura.
Não, nada podia ser bom longe dela.
Os primeiros raios de sol penetravam no escuro através do vidro da janela, iluminando minha mão sobre a de Sakura. Nossos dedos entrelaçados, e entre eles, reluzia a pequena e graciosa pedra do anel que nos tornara oficialmente um do outro. Apesar de tudo, ela não o havia tirado.
Seus cabelos esparramavam-se sobre meu braço que lhe servia de travesseiro, enquanto o outro a cobria num abraço que não queria deixá-la. Ali, encolhida e rente ao meu peito, ela parecia sorrir enquanto dormia. Silenciosamente, apoiei-me sobre um dos cotovelos e fiquei a contemplá-la em seu sono. Ela era uma mulher tão linda. Por baixo do cobertor, deslizei suavemente, bem devagar — com medo de acordá-la —, os dedos pelo contorno do corpo nu de Sakura, do alto da perna até quase o ombro. Sua pele macia me fascinava. Aproximei o rosto de seus cabelos cor de rosa, tocando-os com a ponta do nariz. Aquele perfume delicado me envolveu por completo.
Eu quis não precisar sair dali. Nunca.
Toquei meus lábios no alto de sua orelha e sussurrei tão baixo que mesmo se ela estivesse acordada, mal poderia me ouvir. Meu coração egoísta apertou dentro do peito. Eu a queria só para mim, para sempre.
"Me perdoe."
Fechei os olhos, engolindo à seco a angústia de perdê-la, mais uma vez.
"Me perdoe por não saber te amar, meu bem."
Só então percebi que estava chorando.
Sakura's POV
Sentir frio era algo completamente impossível quando Sasuke estava por perto, mas embora eu lembrasse de ter adormecido nos braços dele, quando despertei, estava sozinha na cama. O tênue sol da manhã entrava pela janela acima da cabeceira e esparramava-se sobre a cama como um lençol dourado. Encolhida debaixo dos cobertores, espiei o travesseiro vazio de Sasuke e senti que algo não estava bem.
Ao sentar-me, no entanto, não pude evitar abrir um sorriso derrotado. Aos pés da cama, havia uma elegante bandeja com café da manhã. Meu coração palpitou na inocência, amolecendo diante daquilo. Estiquei-me até a bandeja e observei, encantada, o modo que Sasuke encontrara para me dar bom dia. Ao lado dos pães doces, havia um pequeno e alongado vasinho de cristal ostentando um solitário botão de Rosa. Debaixo dela, um bilhete dobrado ao meio.
O sorriso se foi de meu rosto à medida em que eu ia lendo o que ele dizia.
"Sakura, me perdoe por não poder ficar.
Precisei voltar urgentemente à Konoha, e acredito que você estará bem sem mim daqui por diante. Eu, sinceramente, não quero te fazer sofrer mais.
Eu te amo.
U.S."
Então aquele estúpido conto de fadas voltou a ser apenas um triste pesadelo sem fim. Não, contos de fadas não existiam fora dos sonhos. Nunca existiriam. Aquela era a realidade, com todas as suas verdades que magoam e machucam. As verdades que eu não queria encarar, mas que de um modo ou de outro, estiveram sempre ali. Sasuke havia partido novamente para longe de mim, e eu sentia que daquela vez seria por muito tempo.
Para sempre.
Eu sabia que ele não voltaria, que nosso doce inverno teria seu fim naquele manhã, que todas as lembranças jamais passariam de lembranças. Então eu nunca mais poderia fechar os olhos e sonhar como antes, porque estava tudo acabado e destruído.
As lágrimas ameaçavam rolar por meu rosto enquanto minhas mãos tremiam junto ao bilhete, mas eu não cairia como uma tola outra vez e ficaria ali vendo o mundo desabar sobre mim. Não mais.
Eu havia prometido que jamais permitiria que ele se fosse outra vez.
Todo o meu corpo tremia e pedia para desmoronar enquanto eu abraçava grandes quantidades de roupas dentro do armário e as jogava de qualquer jeito dentro da grande mala aberta sobre a cama do quarto de Ino. Os cabides vazios eram jogados apressadamente para qualquer lado, e minhas mãos empurravam e amarrotavam as roupas para dentro da mala até que não houvesse mais espaço algum ali. Debrucei-me sobre a mala vermelha e apertei-a contra a cama, forçando-a enquanto deslizava o zíper com algum esforço.
Minha heroína corria de um lado para o outro do quarto, atônita, lançando mil e uma perguntas ao ar. Eu me esforçava para responder algumas delas e respirar enquanto vasculhava o quarto em busca de meus pertences mais importantes.
— Que idéia é essa?! Você ficou louca, Sakura!
— Não, eu estou completamente ciente do que estou fazendo.
— Mas... Abandonar tudo tão de repente! — reclamou ela, preocupada.
— Tudo o quê? — perguntei enquanto enchia minha bolsa com artigos de higiene pessoal. — Tudo o que eu tenho de mais importante agora são meu filho e Sasuke, e eu não vou deixar que ele vá embora assim!
— E quanto ao seu trabalho? E quanto à sua vida?!
Ino me encarava com aqueles dois grandes olhos azuis arregalados.
— Eu vou ficar bem, não se preocupe.
— E se você não gostar de lá? — choramingou ela, seguindo-me pela casa.
— Eu sobreviverei, não importa como. — afirmei, arrastando a mala atrás de mim.
— Tem certeza? Mas e se...
— Ino. — parei diante da porta e segurei-a pelos ombros. — Eu preciso fazer isso, por mim mesma. Se eu deixar que Sasuke vá embora agora, talvez eu jamais o veja outra vez, e eu não quero viver assim. Por favor, não se preocupe comigo, eu vou ficar bem. Se tudo der certo, assim que chegarmos em Konoha, eu te ligarei e contarei tudo. Eu prometo.
— Eu sentirei saudades de você e de minha afilhada. — ela resmungou.
— Você não sabe se vai ser uma menina. — sorri, cheia de lágrimas nos olhos.
— É claro que será! Então... Não seja má, e dê notícias todos os dias.
— E você, não deixe o Gaara pisotear muito o seu sofá.
Rimos um riso que se pareceu muito com um choro.
— Meu sofá estará sempre branco e impecável para quando você resolver me visitar. — e apertou-me num daqueles abraços de mãe.
— Obrigada por tudo, Ino.
— Vá logo, antes que... — ela enxugou os olhos com as costas da mão.
— Antes que o inverno termine.
Ela desprendeu-me de seus braços de mãe, de amiga, de irmã, de heroína, e empurrou-me porta à fora. E eu soube, com o coração apertado, que Ino estava me empurrando para aquela nova vida. Fitei uma última vez seu rosto corado e seu nariz vermelho, seus olhos reluzentes, seu sorriso que, na verdade, queria chorar. Sorri, tendo a certeza de que nos veríamos ainda muitas e muitas vezes, tomaríamos chá durante as tardes quando uma de nós visitasse a casa da outra, e falaríamos sobre nossos filhos, maridos, e roupas novas.
Nossa amizade seria sempre assim, eterna.
Então enganchei minha bolsa no ombro, peguei a grande mala de rodinhas pela alça e fui correr atrás daquilo que era insubstituível para mim.
(Music On)
O aeroporto estava abarrotado de gente por todos os lados, como de costume. Enquanto eu corria em direção ao portão de embarque arrastando aquele chumbo de mala e desviando nervosamente das pessoas, eu imaginei de que modo poderia encontrar Sasuke no meio daquela multidão que se movia como formigas num formigueiro. Rostos apagados passavam por mim a todo momento, olhares desconhecidos, figuras descartáveis, todos tão distintos daquele a quem eu procurava. O meu único.
Mesmo que Sasuke acreditasse que eu um dia pudesse ser feliz em um mundo no qual ele não existisse, mesmo que ele tentasse fugir de nós e de si mesmo, eu ainda lutaria para tê-lo ao meu lado. Enquanto eu tivesse certeza de que ele me amasse, eu não deixaria que nosso amor fosse relegado ao passado. E, depois de tudo, eu sabia que ele estava realmente dizendo a verdade quando dizia "eu te amo".
Na medida em que eu me aproximava do portão de embarque, eu podia escutar a voz elegante e impessoal de uma mulher pedindo para que os passageiros do vôo para Konoha se encaminhassem para a fila de embarque. Milhares de vozes sussurravam ao meu redor, todas ao mesmo tempo, e ainda assim, as batidas de meu coração soavam muito mais alto. Eu só precisava de um pouco mais de tempo.
Apenas um pouco mais.
E então, lançando-me com desespero entre as pessoas e esbarrando em todo mundo, eu sai tropeçando diante do portão de embarque. Ali, no final da fila que andava em direção ao maldito portão, estava ele. Não mais um príncipe, mas o homem de verdade que eu sempre amaria.
— SASUKE!
Todos ao redor pararam para me olhar.
Então ele me viu.
Arrastei-me como pude até Sasuke, atônito e congelado como se eu fosse um fantasma e ele uma criança de sete anos perdida no escuro. Porém, além de surpresa e confusão, seus olhos também mostravam alívio e amor.
A voz feminina nas caixas de som do aeroporto anunciou novamente os poucos minutos que restavam para a partida do avião, mas desta vez, Sasuke não deu um passo à frente como as outras pessoas. Ao invés disso, ele avançou a passos cegos na minha direção.
— Eu não vou deixar que você vá embora outra vez!
Ele, que usava no pescoço o cachecol vermelho que eu havia lhe dado de Natal, deixou escapar um longo suspiro trêmulo ao franzir o cenho com se sentisse dor. Sasuke estava suplicando para que eu não lhe desse o golpe final? Aquilo era como se eu o estivesse torturando? Talvez ter de me dizer não fosse duro demais para ele, mas eu não iria embora após ter chegado tão longe.
E como se tivéssemos ficado longe por dez anos ou mais, atirei-me em seus braços num abraço que ele não teve forças para negar.
— Sakura, você não...
— Eu cansei de ser deixada para trás, Sasuke. Eu não quero viver onde você não esteja, então, por favor, não me mande ir embora, porque eu não irei.
Ele me encarou como se pudesse ler minha alma no fundo dos olhos. Um de seus braços estava ao redor de minha cintura, enquanto sua mão deslizava lentamente por meus cabelos. Sasuke parecia ter seu coração dilacerado.
— Eu não tenho o direito de arruinar sua vida. — disse ele.
— Mas tem o dever de me fazer feliz, já que eu te amo.
— Você não entende o quanto eu tenho suportado...
— Eu quero que você divida isso comigo. Eu quero suportar esses problemas com você. Eu quero fazer parte da sua vida, Sasuke.
— Mesmo que isso sacrifique a sua felicidade?
— Como você pode ser tão cego? — sorri. — Você é a minha felicidade.
Ele segurou meu rosto bem junto do seu e fechou os olhos, sua testa colada na minha.
— Por quê? Por que você escolheu esse caminho pra você?
— Simplesmente porque eu não tive escolha. Porque algo em mim decidiu que eu te amaria incondicionalmente e eu não posso fazer nada a respeito. Porque você é o único que eu desejo. Porque...
— Por quê...?
— Porque nós não estamos sozinhos. — suspirei, conduzindo sua mão até minha barriga. — Porque nós vamos ter um filho, e isso nos torna uma família.
Subitamente, o olhar de Sasuke congelou em minha barriga.
Eu fitava seu rosto cabisbaixo enquanto tudo o que eu queria era que ele me beijasse, mas então percebi que seus olhos negros estavam molhados e me dei conta de que agora aquele amor era maior. Infinitamente maior. E soube que nosso inverno nunca acabaria.
Lentamente, ele ajoelhou-se diante de mim e, abraçando-me pela cintura, encostou a orelha em minha barriga. Meu sorriso permanecia aquela coisa maior que o mundo enquanto as pessoas nos olhavam com sobrancelhas erguidas.
— O que você está ouvindo? — perguntei, acariciando seus cabelos.
— Ele está dizendo que me perdoa.
— Ele? — sorri, achando graça.
— É. Nosso garoto.
Então ergueu o rosto para me fitar.
— Oh. E ele te perdoou pelo quê, exatamente?
— Por ter a estúpida idéia de deixar vocês sozinhos.
— Isso quer dizer que... — mordi o lábio inferior, impaciente.
— Senhor, vai embarcar ou não? — perguntou o segurança no portão.
Sasuke levantou-se muito pomposo, com ares de orgulho, arrastou minha mala vermelha para perto da sua e pegou-me pela mão. O homem engravatado que conferia as passagens no portão de embarque ainda nos olhava com curiosidade, ansioso por uma resposta, já que todos os passageiros já haviam embarcado.
— Espere um momento. Vou pegar a passagem da minha noiva. — disse ele.
Noiva?
Sasuke havia dito que eu era sua noiva?
Ele então conduziu-me à um dos caixas do aeroporto e, com toda a calma do mundo, providenciou minha passagem só de ida para Konoha. Eu ainda não sabia se havia conseguido digerir aquilo tudo, e quando percebi, já estava confortavelmente acomodada em uma das poltronas da cabine do avião ao lado de Sasuke.
Sobre o apoio de braço entre nossas poltronas, ele segurava minha mão como se jamais fosse soltá-la outra vez, como se a partir daquele momento nosso "para sempre" fosse começar, de uma vez por todas.
E eu gostei de como aquilo soava.
"Não quero perder um sorriso"
"Não quero perder um beijo"
"Eu só quero ficar com você"
"Bem aqui com você, apenas assim"
"Eu só quero te abraçar forte"
"Sentir seu coração tão perto do meu"
"E só ficar aqui neste momento"
"Por todo o resto dos tempos."
"Então eu beijo seus olhos e agradeço à Deus por estarmos juntos."
;
Então, o que acharam?
FINALMENTE esses dois ficaram juntos, né.
OEHOAHEOHEOHEOH
;
Agora, um AVISO IMPORTANTE:
Estou com uma coleção de oneshots Universo Naruto pronta!
Oneshots aleatórias sobre vários casais do anime,
(ItaSaku, KakaSaku, NaruHina, NejiTen, ShikaTema, e por aí vai)
que, aposto, vocês vão gostar.
A coleção se chamará TELLING LIES e terá 13 oneshots.
Hoje à noite ainda vou postar a primeira oneshot, então fiquem de olho.
Beijos, sweeties.
;*
