Snape invadiu a mente do rapaz com tanta fúria que quase se desconcentrou com a legilimência, as imagens passavam muito rápidas e ele não conseguia se concentrar. Parou, respirou fundo e pôs todo seu foco naquela ação que ele sempre fez tão naturalmente. O motivo de tal descontrole era o receio do que iria encontrar nas memórias de Jonathan.
Legilimência é uma magia fascinante, ela permite passeios pela mente das pessoas, vendo as cenas com todos os detalhes, porém, naquele momento, Snape não queria passear pela mente do garoto para atormentá-lo com suas próprias memórias, como muitos comensais da morte faziam. Ele procurou cegamente as memórias com Melvina até chegar onde queria. Snape via a cena e seu coração acelerava devido a ansiedade.
Na memória ele viu que Melvina deixara Jonathan sozinho preparando a poção, ele notou que o garoto estava agindo normalmente, até alguém aparecer despercebido. Snape nem terminou de ver a lembrança quando reconheceu quem pôs o feitiço Impérius no estudante.
Belatriz Lestrange. Pouco se pode prever do comportamento da bruxa insana, mas Snape não acreditava que ela chegaria a esse ponto. Ao sair da mente de Jonathan, mal olhou para os rostos atordoados dele e de seus pais, e abandonou o quarto do hospital, batendo a porta atrás de si. Ele ia descendo as escadas rapidamente, com sua capa esvoaçando às suas costas, quando Peter o alcançou.
- Snape, mas o que... – Snape parou ao ouvi-lo ao seu lado.
- Não diga a Melvina que eu estou saindo, eu volto logo. – Snape falou demonstrando calma dessa vez. A pesar de ele saber que Peter era um amigo de confiança de Melvina, ele ainda pertencia ao grupo dos comensais e precisava manter sua farsa. Ele demorou um pouco para responder, tempo suficiente para Peter bombardeá-lo com perguntas. – Você viu algo nas memórias dele, não foi? Ele foi mandado por alguém? Onde o senhor está indo?
- Peter, - Snape falou pausadamente. - fique com ela, por favor. E não diga que eu saí. Preciso cuidar de algumas coisas. – Dizendo isso ele se virou e continuou seu caminho, escada abaixo, deixando o outro sem saída a não ser voltar para onde Melvina estava, esperar e inventar alguma história para o sumiço de Snape, se fosse preciso.
Saindo de St. Mungus, Snape aparatou diretamente na mansão da família Malfoy, que conhecia como se fosse a sua própria casa. Caminhou a passos largos até a porta da residência e lá parou por alguns instantes, tomando fôlego e recuperando sua calma antes de adentrar e subir as escadas até a sala. Chegando ao cômodo, encontrou exatamente a pessoa que procurava, ela caminhava, com certa graciosidade incomum a sua pessoa, de um lado para o outro, com um espelho em uma mão, observando-se enquanto com a outra mão enrolava sua varinha nos cachos dos seus cabelos e logo em seguida os soltava... Ao perceber Snape atrás de si, por meio do espelho, virou-se com um sorriso maléfico no rosto.
- Severus, o que o traz aqui?
Snape sem pensar duas vezes foi até ela e bruscamente empurrou-a contra a parede. Fazendo com que o espelho caísse e se quebrasse em vários pedaços, provocando um estrondo amplificado pelo silêncio que reinava na enorme sala.
Snape mantinha uma mão apertando o pescoço da bruxa, mantendo-a colada à parede.
- Porque você atacou a Melvina, Belatriz? – Snape questionou entredentes.
Ela respondeu com uma risada contida pelo aperto em seu pescoço.
- Ataquei? – ela provocou, sorrindo, mesmo com a dificuldade de respirar.
- Não se faça de desentendida. – Snape estava cansado das atitudes dela. Empurrou-a contra a parede, soltando-a, mas manteve sua varinha apontada para aquela figura maltratada pelo tempo passado em Azkaban. Belatriz não saiu do lugar, continuava encarando Snape com um sorriso triunfante.
- Como a sua garotinha está? – ela gargalhou, e nem teve tempo de se defender da maldição Crucio que a atingia, jogando sua varinha para longe e deixando-a de joelhos no piso de pedra.
- Por que?
- Por que? – ela riu. – Você ainda me pergunta o porquê Snape? - Belatriz fez menção de se levantar, mas Snape forçou sua varinha na direção dela novamente, fazendo com ela desistisse do ato.- Isso é óbvio Snape. EU. NÃO. GOSTO. E. NÃO. CONFIO. EM. VOCÊ. – ela gritou as palavras uma a uma. – A minha família sempre esteve ao lado do Lorde. E você passa todos esses anos protegido sob os cuidados de Dumbledore e agora quer tomar o nosso lugar. Lucius não conseguiu a profecia ontem, e eu soube, na hora em que ela se quebrou, o que isso acarretaria a nós que estávamos no Ministério. Então eu simplesmente resolvi acabar um pouco com essa sua felicidade de ser o favorito do momento do Lorde.
- Você é louca! – Snape falou incrédulo. – Eu mataria você agora mesmo se eu pudesse. Você não vale o chão em que pisa, Belatriz. Eu nunca quis nenhuma posição privilegiada que tanto importa a você... – Snape foi interrompido por ela.
- Você sempre foi uma sombra do Lucius, Snape, desde a época de Hogwarts. Mas você nunca será como nós. Eu não confio em você, você não é digno de pertencer ao nosso meio. Nem você, nem aquela idiota que parece ter conseguido pôr poção do amor no seu firewhisky.
- Você devia apodrecer em Azkaban...
- Mas como você pode perceber, eu sou útil aqui fora. Eu realmente faço o que tem de ser feito. – ela respondeu provocativa. – Ao contrário de você que já teve inúmeras chances de matar Harry Potter.
- Eu estou avisando pela última vez, Belatriz, fique longe da Melvina. Se você tentar mais alguma coisa contra ela, você vai pagar muito caro por isso. – Snape falava baixo, mas com firmeza.
- E se eu quiser descobrir quão caro isso vai ser, Snape? – Ela se jogou de supetão na direção da sua varinha e lançou uma azaração contra ele, que se defendeu com habilidade. O ódio por aquela mulher o fez revidar o feitiço com muito mais raiva do que antes:
- Avada Keda...
- Expelliarmus! – Ouviu-se uma voz sibilante vinda de uma porta adjacente do cômodo. A varinha de Snape foi lançada a metros de distância enquanto ele permanecia estático e acompanhava com os olhos Belatriz correr em direção ao dono da voz.
- Severus? – Voldemort perguntou com raiva. - O que você estava prestes a fazer?
N/A: Estou de volta, queridos leitores! Peço desculpas pelo tempo sem postar capítulos novos, mas a faculdade estava exigindo muito de mim nesse segundo semestre. Por favor, perdoem-me! E me perdoem pelo capítulo pequeno, ainda não tive muito tempo pra começar a escrever como antes. Mas agora pretendo voltar a atualizar com frequência! Ficarei feliz se receber algum review. Bjbj!
