"Você não tinha o direito!" Ele ouviu Rachel exclamar. Estava confuso, não só por ter acabado de ser acordado sem Zoey junto dele, mas também por ter sido acordado pelo tom de voz irritado da morena.

"C-Cadê a Zoey? Por que você está gritando?" Perguntou, sentando-se no sofá, totalmente confuso e assustado.

Ela bufou. "Ela está no berço e eu estou gritando porque você fez algo que não tinha que fazer."

"Tá, eu sei que eu ainda não sei trocar fraudas direito, mas eu não percebi que ela ficou frouxa. E eu tomei todo cuidado pra não molhar o colchão." Defendeu-se Finn, como se fosse realmente daquilo que ela estivesse o acusando.

"Não estou falando disso." Afirmou ela, revirando os olhos. Suas feições numa mistura de irritação e frustração. "Estou falando de que eu cheguei em casa e vi meu musical jogado no sofá e o notebook fazendo barulho porque um tal de Artie te mandou um e-mail dizendo que adoraria produzir Funny Girl e, ainda, quer marcar um encontro comigo pra discutir a ideia."

"Rachel, você faz ideia do quanto isso que escreveu é maravilhoso? Eu te fiz um favor!" Exclamou o quarterback, tentado a explodir com a morena ao ouvi-la bufar mais um vez.

"Se isso estava muito bem guardado, é porque tem um motivo." Disse ela, passando a mão pelo rosto, tentando se acalmar. "Acho melhor você ir embora, Finn..."

Ele não falou mais nada, apenas se levantou do sofá pra pegar sua camisa no quarto. Despediu-se de Zoey, pegou a carteira e as chaves do carro e saiu pelo porta do apartamento sem encará-la.

Como se Rachel já estivesse se sentindo culpada o suficiente.

"Toma, você tem que comer." A voz de Quinn despertou a morena de seus pensamentos, entregando-a uma bandeja que continha suco e sanduíche naturais.

"Eu não estou com fome, Q..." Ela disse. Faziam dois dias que estava sem falar com Finn e ela estava naquele estado, jogada no sofá. Antes de ficarem realmente juntos, não era problema nenhum ela ficar sem falar com o quarterback durante mais de dois dias, mas agora, além de estarem brigados, a culpa de ter gritado com ele por um motivo, aparentemente, estúpido estava a corroendo.

"Rachel, você não tem quinze anos pra parar de comer toda vez que briga com o namoradinho, okay?" A loira relembrou-a, não dando outra opção para Rachel a não ser pegar a bandeja antes que Quinn a jogasse nela. Estava irritada, isso era óbvio, mas o que não era, era o motivo dela estar. "Eu terminei com o Sam e nem por isso estou cortando meus pulsos..." Completou, fazendo a mulher amiga quase engasgar com a surpresa.

"V-Você terminou com o Sam?" Perguntou.

"Yeah, noite passada... Ele disse que ele estava gostando mais de mim que eu dele, então terminou comigo antes que se machucasse." Respondeu, entristecendo a feição. "Mesmo sendo triste admitir, ele está certo. Terminaria com ele mais cedo ou mais tarde, mas continuamos amigos." Completou.

"Isso tem haver com o Puck, não tem?" Perguntou Rachel novamente. Lembrava-se de fazer aquela pergunta meses antes e recebera um "não sei" como resposta, mas esperava, que daquela vez, recebesse uma resposta diferente.

"Infelizmente, tem totalmente haver com ele." Disse, suspirando, ainda não entendendo si mesma por estar hesitando tanto em se entregar pra ele.

"Você me encheu tanto a paciência pra ficar com o Finn logo e agora esta aí desse jeito. Q, você e o Puck se amam e estão solteiros, nada os impede." Afirmou a morena, comendo o sanduíche.

"Ele disse que abandonaria a Santana no altar por causa de mim, Rachel, eu não aguento uma pressão desse tipo." Falou a loira, como se fosse um motivo muito bom para não ir atrás da própria felicidade.

"Primeiro, a Santana é lésbica, abandonaria ele de qualquer forma; e segundo, acho que isso seria linda prova de amor, não acha? Um homem te amar o suficiente para abandonar a noiva, que aparentemente parecia apaixonada por ele, pra ficar com você..." Afirmou Rachel, fazendo a loira refletir.

"Eu só estou confusa, não sei se ele realmente me quer." Disse.

"Ele disse que te ama, Q. Às vezes eu acho que você não é loira à toa, sabe?" Brincou a morena, fazendo-a rir.

E como senão fosse Rachel que precisa de conselhos amorosos, elas conversaram sobre Puck durante um bom tempo e a loira continuou dizendo que estava confusa, mas, na verdade, estava com medo de entrar de cara naquela relação. De qualquer forma, a morena também refletiu, mas não falando com a melhor amiga, e, sim, quando fora por a filha para dormir e a pequena estava um tanto irritada, porque estava sentindo falta do pai.

E a certeza de que tinha que fazer as pazes com Finn aumentou, além de, enquanto tomava banho pensava nas palavras dele dizendo o quanto Funny Girl era maravilhoso. Ela, honestamente, também achava que era a melhor coisa que já havia escrito, mas tinha medo de ser a única pessoa que achava aquilo. Tinha a impressão que o quarterback não teria mandado um e-mail para Artie senão fosse bom de verdade e, nem muito menos, recebesse uma resposta.

Então, para acabar com todas as dúvidas, ela marcou um encontro com Artie em um café no dia seguinte. Pegou-se extremamente orgulhosa de si mesma com os elogios recebidos, mas ainda temerosa pelo fato dele querer levar seu musical para a Broadway. Porque ela sempre sonhou em entrar no teatro musical como solista e não como escritora, mas se seu talento não fora o suficiente para fazê-la entrar de um jeito, ela entraria de outro.

Rachel Berry aceitou a proposta que mudaria sua vida naquele dia. Testes começariam em janeiro e, se tudo desse certo, a estreia apenas demoraria o suficiente para que todos os atores estivessem perfeitamente preparados.

Saiu do café feliz, sorridente e com a culpa totalmente fora da consciência. Deixou Zoey com Quinn, esperou dar o horário certo e saiu em direção ao apartamento de Finn, pronta parar fazer as pazes.