Ligações Perigosas
Capítulo 25
Duas semanas se passaram e Jared estava tendo bastante trabalho com o seu novo emprego. No que se tratava de negócios, o senhor Thompson era quase um Jeffrey, apenas alguns - ou muitos - anos mais velho.
Depois que os seus filhos colocaram a empresa no buraco, ele tentara assumir o controle de tudo novamente, mas infelizmente, chegara tarde demais para reparar os danos. Ainda assim, ele insistia em manter a empresa funcionando, na esperança de conseguir um investidor. Pelo menos os funcionários ainda estavam sendo pagos, e o salário de Jared era muito melhor do que o que ganhava na oficina, então não poderia reclamar.
Como de costume, após o trabalho, na sexta-feira, pegou Thomas na escola e foram para casa. Tomaram banho, jantaram, e Jared se sentou com seu filho no chão da sala, para brincarem.
- O tio Jensen não vem? - Thomas perguntou, chateado.
- Não, meu anjo. O tio Jensen deve estar ocupado. Você já está com saudades? - O menino fez bico e balançou a cabeça, sinalizando que sim. - Okay… talvez nós podemos ir vê-lo amanhã, então.
Jared desenhava algo que Thomas havia pedido em um caderno, enquanto o menino coloria um livro de desenhos, deitado no tapete da sala, quando ouviram um carro estacionar no pátio da casa.
- Tio Jensen! - Thomas gritou quando viu Jared abrir a porta e o loiro entrar por ela, seguido de Joshua Hartnett.
- Hey meu garoto! - Jensen o abraçou e o rodopiou no ar. - O que vocês estão aprontando?
- Desenhando - Thomas pulou do seu colo e correu para pegar o caderno do seu pai.
- Quer que eu desenhe pra você? - Jensen sorriu e se sentou no sofá, enquanto Joshua seguiu Jared até a cozinha para pegarem cervejas.
- Desculpe a gente ter vindo sem avisar - Jensen falou assim que ambos retornaram, e enquanto desenhava, com Thomas olhando para o caderno, curioso. - Eu estava com saudades do Tom, e eu e o Josh pensamos que talvez você quisesse sair, ou…
- Sair? - Jared olhou de Jensen para Joshua, que ergueu os ombros, fazendo uma careta.
- É… só acho que faz algum tempo que você não… você sabe - Jensen corou.
- Oh, então agora vocês dois deram pra se preocupar com a minha vida… sexual? - Jared falou a última palavra baixinho, para que Thomas não entendesse.
- Não é isso - Joshua respondeu rapidamente. Nós só pensamos que você poderia aproveitar a noite, sair pra se divertir um pouco.
- Sim, e nós podemos levar levar o Tom lá pra casa e amanhã cedinho nós vamos levá-lo ao zoológico e depois o trazemos de volta. O que acha? - Jensen complementou.
- Ficar de babá, e… Zoológico? Sério? - Jared zoou. - Vocês não tem programas melhores pra fazer?
Joshua gargalhou. - Eu tenho todo o final de semana de folga, e adoro zoológicos… Vai ser divertido.
- Certo - Jared concordou. - Vocês pediram por isso.
O moreno foi até o quarto de Thomas e colocou algumas roupas em sua mochila, enquanto Jensen convenceu o menino a ir com eles. Tom parecia um pouco enciumado com a presença de Joshua, mas assim que Jensen mencionou o passeio no zoológico, ele logo concordou.
Jared se despediu dos amigos e do filho, que entrou no carro de Jensen, todo animado. Ao ver o automóvel partir, sentiu seu coração apertar. Sabia que Jensen amava Thomas e que ele estava em boas mãos, mas estava tão acostumado com sua presença, que de repente a casa lhe pareceu vazia demais.
No fundo, não tinha a menor vontade de sair, mas estar sozinho não era nada bom. A solidão trazia apenas lembranças ruins do seu passado, que Jared queria por força afastar de sua mente. Pegou seu celular, e sorriu sem perceber, ao olhar para o número de Jeffrey. Não, não cairia em tentação. Ligou para Chad e Ian e ficaram de se encontrar em um bar, no centro da cidade.
A noite acabou sendo mais divertida do que Jared esperava. Talvez estivesse apenas enferrujado, depois de estar em liberdade condicional por tanto tempo.
Além de Ian e Chad, e outros amigos deles, acabou se deparando também com Jason Momoa e seu ex, que agora era novamente o seu namorado.
Conversaram como amigos e Jared ficou aliviado por não ter ficado nenhum ressentimento entre eles, afinal, Jason era realmente um cara especial. Jared sabia que provavelmente algum dia iria se arrepender por não ter lhe dado uma chance, mas algumas coisas simplesmente não funcionavam da maneira que gostaria.
Por fim, Jared finalizou a noite no apartamento de Stephen Amell. Era madrugada, quando voltou a se vestir, enquanto o outro ainda dormia, e voltou para a própria casa.
Depois de um banho e de se deitar na própria cama, a solidão o abraçou mais uma vez. Estava tudo errado. Deveria se sentir feliz… Tinha o seu filho de volta, e ainda que tivessem muito o que aprender um com o outro, sentia que Thomas o amava. Jensen finalmente estava feliz, e tinha um namorado incrível, do jeito que ele merecia. Jared tinha um emprego, embora provavelmente fosse temporário; tinha novos amigos… Tudo estava perfeito. Então por que a sensação de que algo lhe faltava?
- x -
Jensen acordou no domingo, com o braço de Joshua sobre a sua cintura, e o calor do corpo nu dele, colado ao seu. Era uma sensação maravilhosa.
Sabia que aquilo era patético, mas com cuidado para não acordá-lo, virou-se de frente, para poder olhá-lo. Ele ressonava baixinho e seu rosto era tão sereno.
Era perfeito. Perfeito demais.
Além de lindo, gentil e romântico, Joshua era uma explosão na cama; Jensen ainda podia sentí-lo e com certeza a sua pele branca deveria estar cheia de marcas. Sorriu com a lembrança da noite anterior, e depois de muito tempo, podia se sentir em paz. A maneira como se entendiam, como se completavam, era quase mágica. Chegava a ser assustador, se parasse para pensar.
E ainda tinha o jeito que Joshua havia tratado Thomas, no dia anterior, todo cheio de atenção, cuidados e carinho, a maneira com que ele se conectara rapidamente com o menino, só deixara Jensen ainda mais encantado. Não podia deixar de pensar no pai maravilhoso que ele poderia ser um dia, e isso só fazia o seu coração se encher ainda mais de amor.
No fundo, sempre havia aquela sensação de estar vivendo um sonho, de que a sua felicidade era algo frágil, que poderia quebrar de uma hora pra outra. Mas ao mesmo tempo, Joshua o fazia se sentir seguro, amado, e o aceitava do jeito que era, sem imposições, sem ciúmes excessivos… Jensen podia ser ele mesmo, e sabia que não havia mais volta. Estava completamente apaixonado e já tinha se entregado de corpo e alma, sem ressalvas, como sempre houvera com Matt.
- Oh, god… Não me diga que você estava me observando dormir - Joshua reclamou, mas tinha um lindo sorriso no rosto e beijou os lábios de Jensen, com carinho.
- Desculpe, eu não resisti - Jensen sorriu também, sentindo o seu coração bater mais forte.
- Vai ter vingança, você pode contar com isso - brincou. - Eu queria não ter que sair dessa cama nunca mais - Falou, apertando Jensen em seus braços.
- Eu também - Jensen suspirou. - Mas confesso que um banho cairia bem. E café. Muito café.
- Eu acho que nós podemos tomar banho juntos - Joshua sorriu, com os lábios encostados na pele do ombro do loiro - e depois preparar o café e sairmos pra uma caminhada, o que acha?
- Eu gostei da parte do banho juntos e do café… mas da caminhada? - fez uma careta e sorriu. - Bom, o que eu não faço por você?
Depois de um banho demorado e extremamente prazeroso, Jensen preparava o café, enquanto Joshua fazia ovos com bacon, quando a campainha tocou.
- Você está esperando alguém? - Joshua perguntou.
- Num domingo de manhã? Só pode ser o Jared, ou… Mãe? - Jensen franziu o cenho ao abrir a porta e se deperar com sua mãe, pai e irmã, parados diante dela.
Donna o abraçou e logo foi entrando na casa, e os demais fizeram o mesmo. Jensen realmente não esperava por aquela visita e não sabia se Joshua estava preparado para conhecer seus pais. Tudo estava acontecendo rápido demais, e Jensen se apavorava ao perceber que não tinha nenhum controle sobre isso.
- Er… - Parou diante do todos, um tanto sem graça. - Esse é o Josh… Joshua Hartnett, e estes são meu pai, Roger, minha mãe, Donna e minha irmãzinha, Mackenzi.
- Irmãzinha? - Mack fez uma cara feia. - Uau! Você é um gato - Falou ao cumprimentar Joshua com um abraço.
- Obrigado, eu… uh… é um prazer - O homem respondeu, corando e cumprimentou os pais de Jensen com um aperto de mão.
- Então, vocês…
- Oh, se nós ligássemos convidando vocês para um almoço lá em casa, você inventaria uma desculpa. Então resolvemos nos convidar e vir até aqui - Donna falou, sorrindo.
- Ela não via a hora de conhecer o novo genro - Mackenzie encolheu os ombros. - Desculpe.
- Não podia ao menos ter ligado? - Jensen seguiu sua mãe quando ela foi até a cozinha, carregando um saco de mantimentos, enquanto seu pai, sua irmã e Joshua ficaram na sala conversando.
- Por quê? Eu trouxe tudo o que preciso e vou cozinhar, não há nada com o que você precise se preocupar, querido - A mulher largou o saco sobre a mesa e deu um beijo na bochecha do filho. - Nós não vamos te envergonhar, fique tranquilo.
- Não foi o que eu quis dizer, é só… Vocês nunca foram exatamente receptivos com meus outros namorados. Por que isso agora?
- Querido, eu sei que você estava enrolando e arranjando desculpas para não nos apresentar, e eu entendo perfeitamente. Nós nunca aceitamos o Jared, custamos a aceitar o Matt, e eu posso imaginar o que isso significou pra você. Só pensei que talvez seja hora de nós realmente mudarmos isso, e… Você me pareceu tão feliz, depois de muito tempo, então eu acho que o doutor merece uma chance. Se ele te faz feliz, ele já ganhou todos os pontos comigo.
- Okay… - Jensen suspirou. Não tinha como argumentar contra aquilo. - Só da próxima vez… ligue antes, por favor? - Sorriu e abraçou sua mãe.
Donna deu risadas e piscou. - Combinado.
Apesar da sua preocupação inicial, o almoço foi bastante tranquilo. Sua família não encheu Joshua de perguntas, como costumavam fazer e todos ficaram muito à vontade. Josh falou sobre sua família, sua profissão, sobre a sua mudança recente, e os seus pais pareciam ter gostado bastante dele, o que era um alívio para Jensen. Parecia que a sua vida finalmente estava entrando nos eixos, e a sensação era realmente muito boa.
- x -
Tracy geralmente não se importava com os pitis e atitudes infantis do seu irmão, mas já não aguentava ver Jeffrey enfiado dentro de casa 24 horas por dia, e embora ele nunca fosse um homem muito sociável, suas atitudes estavam começando a lhe preocupar.
- O que você está fazendo, Jeff? - Perguntou, ao vê-lo sentado no sofá da sala, olhando para o nada.
- Eu estou bebendo - Morgan ergueu o copo, como se fosse óbvio.
- As dez da manhã? Sério? – Tracy se sentou ao seu lado. – O que eu quero dizer, é… O que você está fazendo da sua vida?
- Por que você só não me deixa em paz? - Reclamou, rabugento. - Ninguém mais se importa, você deveria fazer o mesmo.
- Eu não acredito - Balançou a cabeça. - Quando você finalmente resolveu mandar tudo pro alto, eu jurava que você ia atrás dele. O que aconteceu?
Jeffrey gargalhou, já um pouco alterado pelo efeito do álcool.
- Eu fui vê-lo. Sei que é patético, mas eu estacionei o carro perto do parque e fiquei observando-o de longe. Ele brincava com o filho e com algumas crianças que estavam no parque. E ele parecia tão… feliz. Tão leve e sereno, e eu não me lembro de tê-lo visto assim alguma vez, enquanto estivemos juntos.
- Não é bem assim, você sabe - Tracy tentou amenizar. Sabia que Jeffrey havia pisado na bola, mas era difícil vê-lo daquela maneira. - Ele passou por momentos difíceis, esteve tentando recuperar a guarda do filho, mas agora ele finalmente conseguiu se estabilizar. Não quer dizer que você seja sinônimo de infelicidade, Jeff.
- Eu não tenho tanta certeza. Talvez eu tenha feito mais mal do que bem a ele. Eu sempre fui egoísta, sempre achei que pudesse ter tudo o que quisesse, e eu negligenciei tudo o que mais importava - Suspirou.
- Você estar assumindo isso, já é um começo. Eu sempre soube que você o amava.
- Eu não sei o que é o amor, Tracy. Só mais uma palavra bonita, eu acho.
- Sim, você sabe. Pode até ter se esquecido, ou não querer admitir, mas você sabe. Agora… ao invés de ficar enfiado o dia inteiro nesta casa, bebendo sozinho, por que você não fala com ele?
- Porque ele está melhor sem mim, e… Jared é um filho da puta teimoso. Ele não vai me perdoar tão cedo, disso eu tenho certeza.
- Você nunca vai saber se não tentar, não é?
- x -
Ao sentir seu celular vibrar e ver que era a irmã de Jeffrey, Jared sentiu um aperto no coração, e a primeira coisa que lhe veio à mente, foram as lembranças do dia em que Jeffrey sofrera um início de infarto.
Tracy? - Atendeu, aflito. - Aconteceu alguma coisa com o Jeff?
- Não. E sim. Quero dizer, ele não está morrendo, nem nada, não se preocupe.
- Oh… - Jared suspirou, aliviado.
- Mas é que…
- O que foi que ele aprontou desta vez?
- Nada. Este é o problema. Ele não está fazendo nada.
- Tracy… eu não estou entendendo nada. Dá pra ser mais clara?
- Jared, eu sei que você não tem nada a ver com isso, eu só pensei… Jeffrey não sai de casa há semanas. Antes ele pelo menos descontava suas frustrações no trabalho, mas agora… Ele só fica em casa, bebe demais, fuma demais, e… parece que perdeu a vontade de viver.
- E por que ele não está trabalhando?
- Ele não te falou? Quando ele descobriu sobre a trama dos meus irmãos, do que eles fizeram pra você, ele… jogou tudo pro alto. O casamento, a herança, tudo.
- Eu não sabia disso - Jared estava realmente surpreso. Morgan tinha enfrentado a família e desistido da herança por sua causa?
- A briga foi feia, meu pai o deserdou, ele teve que deixar a empresa e desde lá ele está vivendo assim…
- Jeffrey é um garoto mimado, mas ele vai sobreviver - Sorriu, embora estivesse realmente preocupado.
- Eu sei. Só pensei que talvez você pudesse ir vê-lo, ou... sei lá. Não sei exatamente o que eu estava esperando. Um milagre? - Tracy riu de si mesma.
- Tracy…
- Eu sei, Jared. Sei que você não quer nada com Jeffrey, mas… Será que não restou nada que possa ser salvo? Nem mesmo amizade?
- Você já viu o Jeffrey sendo amigo de alguém? - Jared tentou brincar, mas era a mais pura verdade. Morgan tinha conhecidos com interesses em comum, mas não tinha amigos de verdade.
- Talvez você possa ensiná-lo - Tracy falou, esperançosa. - Juro que eu não estaria te pedindo isso, se realmente não estivesse preocupada com ele.
- x -
Por mais que tivesse algumas boas lembranças, Jared não saberia explicar como se sentia ao entrar novamente naquela mansão. A sensação não era nada agradável.
- Por que você está aqui? - Jeffrey perguntou, assim que o viu. Achou que fosse algum tipo de brincadeira, quando a empregada anunciara que Jared estava ali.
- A Tracy me ligou.
- Claro… a Tracy - Jeffrey riu, sem humor. - Ela teve que implorar muito?
- Só algumas vezes.
- Eu gosto da sua sinceridade.
- Jeffrey... eu já tenho um filho de três anos pra cuidar. Você não acha que está sendo um pouco… dramático? Que merda você está fazendo da sua vida?
- Eu só estou... - ergueu o copo de uísque. - Curtindo a minha aposentadoria.
- Enfiado dentro desta casa e bebendo o tempo todo? Deve ser divertido - Ironizou.
- O que você sugere que eu faça? Eu trabalhei a minha vida inteira naquela maldita empresa. Aquilo era a minha vida. O que você acha que eu devo fazer agora? Colocar uma mochila nas costas e viajar pelo mundo? - Riu. - Eu estou velho pra isso.
- Não seria má ideia. Você tem dinheiro, pode usufruir um pouco.
- Você iria comigo?
Jared deu risadas. - Não. Mas com certeza não seria difícil você arranjar companhia.
- Eu não quero outra companhia. Só quero que me deixem em paz - Bufou.
- É engraçado… - Jared se sentou no sofá, na sua frente. - Sabe o que a maioria dos caras fazem quando finalmente saem do armário? Saem passando o rodo por aí. Eu esperava mais de você - Debochou.
- Acho que eu já fiz isso há muito tempo, antes de sair do armário, então já não faz mais sentido pra mim - Falou, melancólico. - O que eu preciso fazer pra consertar as coisas? Eu joguei tudo pro alto, eu terminei com a Lauren, o que mais você quer que eu faça?
- Eu não pedi por nada disso. Talvez até tivesse feito diferença antes, mas não agora. Você só enfrentou seus irmãos porque se sentiu pressionado. Quero dizer, é bom saber que a minha surra serviu pra alguma coisa, mas não muda nada.
- Eu fui até o bar onde nos conhecemos - Falou, nostálgico.
- O que você foi fazer naquele lugar? - Jared estranhou.
- Eu não sei. Talvez procurar por algo que eu sabia que não ia encontrar. Isso não acontece duas vezes, sabe? Essa química, essa conexão imediata.
- Você está precisando transar - Brincou, embora não pudesse tirar sua razão.
- Eu tentei - Jeffrey olhava bem dentro dos olhos de Jared. - Mas nenhum deles era você. Eu fui um idiota, eu sei. As coisas podiam ter sido diferentes, mas eu sempre fui arrogante demais pra admitir o que eu sentia. E eu pensei que pudesse ter você sem me envolver, eu pensei… Droga! Outro dia eu vi você no parque, brincando com o seu filho, e tudo o que eu consegui pensar era que eu nunca consegui fazer você sorrir daquele jeito. Então eu pensei que talvez fosse melhor eu ficar longe, mas… Foda-se! Eu quero você. Eu preciso de você.
- Sabe do que você precisa, Jeff? - Jared mudou de assunto, tentando não demonstrar que ficara abalado com aquelas palavras. Ainda mais que, pelo que conhecia, Jeffrey sempre falava as verdades quando estava bêbado. - Você precisa de um trabalho, de uma ocupação. Passar o dia sozinho dentro desta casa, sem fazer nada, além de beber e pensar bobagens, não pode estar te fazendo bem. Nem anoiteceu ainda e você está cheirando a uísque e cigarros.
- Você costumava gostar de sentir o sabor do vinho na minha boca, lembra?
Jared riu. - Sabor de vinho é uma coisa, bafo de uísque é bem outra. Vem… eu vou levar você pro quarto.
- Você vai? - Jeffrey sorriu, maliciando.
- Não se anime. Você vai é dormir. Amanhã, quando você acordar e curar a ressaca, deixe de bancar a criança mimada, porque isso é patético, e procure algo pra fazer, okay?
- Eu odeio você.
Jared gargalhou, ajudando Jeffrey a se levantar do sofá. - Vamos, eu preciso voltar pra casa - Tirou o copo da mão dele e praticamente o carregou até o seu quarto.
Chegando lá, ajudou-o a se despir, tentando não olhar para o seu corpo, e o colocou debaixo do chuveiro.
- Merda! Está frio! - Jeffrey reclamou e regulou a temperatura do chuveiro. - Pensei que você estivesse tirando a minha roupa com outras intenções - Sorriu, tentando falhamente parecer sexy.
- É… vai sonhando - Jared riu, embora fosse tentador.
- Eu aposto que você ainda me quer. Só não quer dar o braço a torcer - Jeffrey sorriu e puxou Jared para dentro do box, o agarrando e imprensando seu corpo contra a parede, beijando a sua boca.
Por um instante, Jared fechou os olhos e se rendeu ao beijo, mas logo percebeu o que estava acontecendo e o interrompeu, saindo praticamente correndo daquela casa e deixando Jeffrey por conta própria.
- x -
Três semanas depois, Jared fora convocado para uma reunião com a diretoria da empresa, e um possível investidor. Estava bastante animado, pois caso as negociações dessem certo, o futuro da empresa estaria garantido. Mas toda a sua animação caiu por terra, quando entrou na sala de reuniões e viu quem estava lá.
- Senhor Thompson, será que eu posso falar a sós com o senhor por um minuto? - Jared pediu, depois de lançar um olhar assassino para Morgan.
- Claro - O homem mais velho concordou prontamente, e foram até o corredor. - Eu devia ter conversado com você antes, mas foi tudo tão de repente, eu…
- Eu sei que não é problema meu. Apenas gostaria de entender o que está acontecendo. Pensei que o senhor não quisesse desfazer a empresa, e agora resolveu vender pro Jeffrey? Quero dizer…
- E eu não quero. Eu realmente não quero. Mas a proposta que ele me fez foi outra, e eu confesso que fui pego de surpresa, assim como você - O homem justificou.
- Que tipo de proposta?
- Ele quer investir na empresa, se tornar sócio.
- O Jeffrey? - Jared ergueu as sobrancelhas.
- Jared, eu não estou nem um pouco feliz com isso. Não queria ter que negociar com este homem novamente, mas eu estou de mãos atadas aqui. Eu sei que você fez o que pode, mas nenhum outro investidor apareceu, não é como se eu tivesse alguma escolha.
- Eu entendo - Jared suspirou, passando as mãos pelos cabelos. Sabia que Thompson tinha razão, e estava feliz por ele finalmente conseguir o que queria. Ao mesmo tempo, sabia que não seria capaz de trabalhar novamente com Jeffrey, e aquilo significava o final do seu emprego, muito antes do que o esperado.
Voltaram para a sala de reuniões, e Jared tentou agir profissionalmente. Apresentou para Jeffrey toda a situação, os últimos balanços patrimoniais, o montante de dívidas, análise do potencial e as projeções para o futuro da empresa.
- Os números não são muito inspiradores - Jeffrey concluiu, passando os dedos pela própria barba. - Eu preciso de tempo para analisar, e… Eu gostaria de conversar a sós com você por um minuto, Jared.
- Bom, eu vou deixar vocês discutirem, e… Aguardarei uma resposta - Thompson apertou a mão de Jeffrey, olhou para Jared e saiu da sala, deixando-os a sós.
- O que você pretende com isso, Jeffrey? - Jared perguntou, assim que a porta se fechou.
- Você mesmo disse que eu deveria procurar algo pra fazer, e que eu não posso simplesmente ficar parado. Bom, eu até tentei, mas não me deixaram, então… Estou procurando algo para investir.
- E justamente esta empresa? Por quê?
- Não tem nada a ver com você, se é o que está imaginando. Eu fiquei bastante surpreso ao saber que trabalha aqui, afinal. A propósito, você atropelou seu cachorro e o homem te ofereceu um emprego? - Franziu o cenho.
- Eu também… salvei o cachorro, então… Isso não vem ao caso.
- Certo. E se eu resolver me tornar sócio, você vai trabalhar comigo?
- Não.
- O quê?
- Jeffrey, eu vivi um longo ano na sua casa, e não sei se isso é bom ou ruim, mas eu ainda consigo ler você, e sei exatamente quando está mentindo.
- Eu estou mentindo?
- Você pode se tornar sócio da empresa, mas eu não irei trabalhar pra você. Você sabe que isso não daria certo.
- Por que não? Do que você tem medo?
- Eu só não quero…
- Trabalhar pra mim. Eu já entendi - Jeffrey bufou. - E o que você me diz desta empresa? Eu preciso de uma opinião sincera. Acha que é um bom negócio?
- Se você não estiver esperando retorno a curto prazo, pode ser um bom negócio.
- Você não me colocaria numa furada, não é? Quero dizer… Não seria algum tipo de vingança pessoal, ou…?
Jared gargalhou. - Foi você quem procurou por isso. E se eu quisesse me vingar de você, eu seria mais criativo, acredite. - A empresa tem um grande potencial, você viu. Nada do que está ali é mentira. Precisa de novos engenheiros e uma boa equipe de vendas e marketing. Assim como representantes, pra vender o produto no exterior. O senhor Thompson é bom nos negócios, mas ele não é ousado. Nunca investiu em exportações e prefere comprar parafusos do mercadinho da esquina, do que importar por um custo menor, mas isso tudo pode ser mudado. Ele está disposto a mudar, mas é claro que lhe falta o dinheiro.
- Eu me tornarei sócio, mas com uma condição...
- Jeffrey…
- Eu não sei o que você seria se não tivesse feito todas as burradas que fez na vida, e seguido a carreira como advogado, mas você é um administrador nato, Jared. E você sabe disso. Você olhou para essa empresa falida e enxergou oportunidades. Eu tenho o dinheiro para investir, mas eu preciso de você à frente disso tudo.
- Eu não sei…
- São negócios, Jared. Não é como se eu estivesse tentando te comprar. É… eu sei que você pensou nisso - Jeffrey tamborilou os dedos em cima da mesa. - Eu sei que você pensa que não vai funcionar, mas a verdade é que eu não quero estar por aqui todos os dias. Acho que está na hora de eu curtir um pouco a vida, mas pra isso eu preciso de alguém da minha inteira confiança, pra cuidar de tudo. E eu confiaria a minha vida em suas mãos, você sabe. Será que podemos pelo menos tentar? - Jeffrey insistiu, ao ver que Jared não estava sendo capaz de tomar uma decisão. - Se não funcionar, você sempre pode se demitir, não é? - Sorriu, esperançoso.
Continua…
N/A: Todos já devem ter percebido que esta fanfic está na reta final, não é? Ela terá apenas mais um capítulo e um epílogo. Obrigada a todos que estão acompanhando. Beijos!
Reviews sem login:
Anaas: Jeffrey sempre surpreende, só não sei se é de um jeito bom ou ruim, né? Rs. Obrigada por comentar. Bjos!
Guest: (Quem é você? rs) A relação dos dois é complicada, né? Mas Jeffrey está finalmente caindo em si e percebendo o que realmente importa. Realmente sinto muito pela sua mãe, e espero que você fique bem. Always Keep Fighting! Beijos e obrigada por comentar.
