CAPÍTULO 25
GINA
Decididamente é estranha essa escola da Espanha. Um mês de férias no meio do ano, onde eu deveria estar treinando quadribol. Eu nunca terei uma formação mágica tão boa quanto os meus amigos que ficaram em Hogwarts. Não que eu precise. Sou uma bruxa razoavelmente habilidosa. No período em que estive naquele país, aprendi muito mais sobre quadribol do que sobre feitiços. É praticamente certo que eu tenha um contrato profissional bastante vantajoso após a escola.
Nessas férias, contudo, pouco treinarei quadribol. Ser a melhor artilheira da escola tem as suas vantagens. Através de uma chave de portal rumo para a Inglaterra. A Toca ainda está vazia, pois meus pais continuam escondidos pelo Ministério da Magia. Foi um sacrifício conseguir convencer os burocratas ministeriais a permitir a minha volta para o país. Temem que ainda existam Comensais da Morte soltos por aí, o que sinceramente eu duvido. Eles acham que sendo uma Weasley e amiga de Harry Potter, corro ainda algum perigo. Como se os partidários de Voldemort tivessem a coragem de agir sem a presença do mestre. Disse a eles que voltaria com ou sem consentimento. Sou uma Weasley e não sou mais aquela garotinha indefesa que Harry Potter salvou da Câmara Secreta. E o fato de não ter participado da guerra ainda me enche de culpa.
Todos queriam salvar a "pobre garota Weasley". Não tenho raiva de Harry, Rony ou Hermione por isso. Tenho raiva de mim mesma por ter cedido aos apelos de todos para que ficasse distante. Quando falo com Rony, sinto que ele amadureceu muitos anos em alguns meses. Todos possuem aquela sombra nos olhos, como se sobreviver ao horror os tivesse marcado para sempre. Mesmo Draco Malfoy. Só eu fui poupada. Estranho conversar civilizadamente com alguém que sempre ofendia a minha família e se julgava melhor do que todo mundo pela riqueza que possuía. E Hermione disse que esse Draco Malfoy está apaixonado por Harry Potter. Não sei se acredito muito. Ou se tenho ciúme de ter alguém que se preocupe tanto com "garoto que sobreviveu" quanto eu, Rony e Hermione.
Caminho um tanto perdida pela Londres trouxa. Fred e Jorge alugaram um pequeno apartamento para minha estadia na Inglaterra. Não suportaria a Toca vazia e desconfio que a minha presença espante as aventuras amorosas que os gêmeos cultivam no pequeno apartamento que possuem no Beco Diagonal. Preciso me acostumar a ter irmãos ricos. Os dois queriam me entupir de galeões, talvez com medo que a sua irmãzinha passe fome ou fique perdida e desamparada no mundo trouxa. À noite encontrarei Draco Malfoy e, espero, partiremos em breve para a Finlândia.
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DRACO
As provas acabaram se tornando mais chatas do que propriamente difíceis. Estudei tanto que terminei de fazer as questões teóricas de DCAT primeiro do que todo mundo. Ouvi mais tarde alguns idiotas, aos cochichos, insinuando que eu sabia tudo sobre feitiços e maldições imperdoáveis por ser oriundo de uma família de Comensais da Morte. Como se Lucio e Narcisa Malfoy ministrassem cursos teóricos. Estudar era uma forma saudável de esquecer por algum tempo (pouco tempo na verdade) DELE.
Felizmente nem todos me são hostis. Vários grifinórios me cumprimentam e perguntam se eu tenho notícias DELE. Como posso parar de pensar em VOCÊ, querido?
Sento sob uma velha árvore e curto por alguns momentos a infinita liberdade de não fazer nada nem possuir momentaneamente qualquer compromisso. De maneira insuportável meu pensamento cai sobre ELE. Hoje à noite irei à Londres trouxa onde Gina Weasley está provisoriamente instalada. Será muito estranho conversar civilizadamente com a ruiva, que eu imagino, também seja apaixonada por ELE. Ela não sabe, mas a chave de portal que nos levará ao "Refúgio" , como Hermione chama a minha propriedade na Finlândia, só será ativada dentro de dois dias. Burocracias idiotas do Ministério. Os cretinos ficam inventando coisas fingindo eficiência. Quando eu me lembro da "eficiência" deles para se livrar de..., bem vocês sabem, meu sangue ferve e eu tenho vontade de me transformar num desses terroristas trouxas e mandar todos aqueles idiotas pelos ares com algum feitiço explosivo.
Malcom Stevens e Stella Anderson passam por mim de mãos dadas e acenam felizes. Os dois são muito simpáticos e insuportavelmente bonitos. Lembro daquela vez em que ELE os salvou das garras dos sonserinos. Felizmente eles terão um restante de adolescência melhor do que os que entraram em Hogwarts no meu ano. Eles crescerão preocupados com quadribol, namoros, arrumar um emprego depois de Hogwarts, continuar os estudos no mundo mágico ou no mundo trouxa. Nada de Comensais da Morte, salvar o mundo, escolher um lado naquela maldita guerra. Droga, por que eu não nasci alguns anos mais tarde? Por que, com todas as maldições, VOCÊ não nasceu alguns anos mais tarde e deixou essa insanidade de salvar o mundo para outra pessoa? Por que VOCÊ tinha que ser um maldito herói?
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GINA
Finalmente encontrei o endereço. Usei um elevador, que segundo Hermione me explicou uma vez, funciona graças a um negócio chamado eletricidade. O apartamento é cheio de artefatos trouxas, alguns dos quais eu conheço graças a minha amiga e outros nem faço idéia para que servem. Pequeno, funcional, bonito. Meus irmãos abarrotaram a geladeira de porcarias trouxas e bruxas. Arranco minha camisa com o emblema da banda bruxa "As Esquisitonas", tiro meus jeans e descalço as sandálias, sentindo a liberdade de estar quase despida, tendo o apartamento inteiro ao meu dispor. Sento no sofá confortável no meio da sala e pronuncio um feitiço agitando a varinha, tornando o ambiente fresco e escuro.
Estou sonolenta e cansada, preciso de um banho, mas apenas recosto no sofá seminua e o desejo me invade como uma lâmina afiada. Afinal tenho dezessete anos e até a uma semana atrás possuía uma vida sexual ativa e uma namorada dedicada e bonita. Gostaria, por isso mesmo, de pensar em Isabelle, em seus beijos urgentes, em seu esguio corpo negro roçando o meu, em sua boca capturando o seu próprio gosto depois de ter seu clitóris sugado por mim. Penso nela também. Mas a imagem do moreno de olhos verdes se impõe entre nós de maneira devastadora. Sua inocência, sua delicadeza, que minhas amigas que não gostam de garotos, diziam que só meninas possuem. Seus olhos cheios de lágrimas de preocupação pelas pessoas que amava.
Deslizo minha mão para dentro da fina calcinha branca que separa a minha nudez do resto do mundo. Acaricio meus seios e penso em Isabelle beijando-os. Mas é Harry que eu sinto dentro de mim quando fricciono meu ponto mais sensível. Lembro daquela tarde de inverno que foi a mais quente da minha vida. Lembro de como eu e Harry perdemos a virgindade juntos. Estou molhada e meus mamilos doem de tão duros. Tenho dezessete anos e ardo de desejo e remorsos. Meus dedos trabalham ágeis. Ah, Isabelle, por que você não aceitou ser um dos meus dois amores? Você poderia estar aqui nesse momento, me tocando com você sempre fez, submetendo-se aos meus desejos. Você que dizia que eu era sua dona. Há tanto tempo não preciso fazer isso sozinha. Harry não será meu, eu sei, a não ser nos meus sonhos. Gozo pensando no carinho que ele sempre teve por mim e nas loucuras que minha amante fazia comigo na Espanha. Gozo mais de uma vez, arranco o que restava da minha roupa e durmo nua, abraçada, no meu sonho a Harry e Isabelle.
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DRACO
Gina abre a porta do apartamento trouxa vestindo um jeans claro e uma camiseta sem mangas. Seus pés estão nus e seus cabelos, agora curtos e um tanto desmanchados lhe dão um ar de garota ingênua e ao mesmo tempo sexy. Ela é linda, não é a toa que dizem que ELE gostava dela. Não é a toa que Pansy dizia que ela seria a primeira garota com quem dormiria se deixasse de gostar de rapazes.
Educada, me convida para entrar e diz que está preparando um jantar com as porcarias trouxas que seus irmãos deixaram na geladeira. Estou bastante sem jeito. Ela sorri:
- Sabe, Draco – brincou a menina – Nunca imaginei você tímido na frente de uma garota.
Jantamos um disco redondo com queijo e outras coisas por cima. Pizza, eu acho. Não é ruim. Durante o jantar, explico o contratempo criado pelo Ministério. Ela, junto comigo, xinga os burocratas de vários nomes obscenos e eu rio com a veemência com que ela diz os palavrões. Explico que Hermione e seu irmão terão que vir a Londres para prestar os exames. Não quiseram despachar funcionários do ministério para o "Refúgio", alegando uma lei qualquer que obriga os estudantes a prestar os exames na Inglaterra.
Durante três dias tomaremos conta DELE sozinhos. Na verdade eu tinha esperança de fazer isso, mas anteontem recebi a carta da garota se prontificando a me ajudar. Ela dizia que devia a vida a ELE e o mínimo que poderia fazer seria cuidar DELE por alguns dias. Conversamos até tarde da noite e falamos sobre várias coisas sem importância, mas estranhamente nos descobrimos simpáticos um com o outro e companhias agradáveis. Quando faço menção de ir embora, ela me impede e diz que há bastante espaço no apartamento.
Combinamos de passar os dois dias juntos até a ida para o "Refúgio". Ela arruma uma cama para mim, fazendo um feitiço que aumenta o sofá da sala. É uma bruxa muito habilidosa. Quando eu me ajeito para dormir, ela me pergunta se preciso de alguma coisa. Estupidamente deixei em Hogwarts a poção que costumo tomar para dormir sem sonhar. Digo que está tudo bem, mas horas depois ainda não preguei os olhos, temendo meus próprios sonhos. Quando finalmente durmo, não sei se por minutos ou horas, padeço em sonhos torturantes, onde as maldições cruciatos me partem em pedaços. Onde revejo ELE recebendo os feitiços lançados pelo Lorde das Trevas. Tento gritar em agonia, mas sufoco sem ar e finalmente acordo suado, chorando, trêmulo, com Gina Weasley me abraçando e me confortando.
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GINA
Draco é realmente uma companhia agradável. Evito, durante o jantar trouxa com pizza e aqueles insuportáveis refrigerantes gasosos, perguntar-lhe sobre os seus sentimentos a respeito de Harry. Estranhamente, percebo, ele evita dizer o nome "Harry", sempre se referindo ao "garoto que sobreviveu" como ELE. Depois eu me recordo de uma antiga superstição bruxa. "Não pronuncie o nome de seu amor enquanto ele corre perigo". Oh, céus! Quem diria, Draco Malfoy, apaixonado e supersticioso! Ele queria ir embora, mas insisto para que fique. Perguntei de maneira irônica se ele precisava de mais alguma coisa para que sua noite fosse confortável e ele surpreendentemente responde que não, não entendendo ou não apreciando a segunda intenção da pergunta. Decididamente está apaixonado.
Como sempre, demoro a pegar no sono. Finalmente, quando me levanto para apanhar um copo de água, vejo Draco se agitando em desespero na cama que conjurei para ele na sala. É um pesadelo terrível, provavelmente muito parecido com os que Rony contava que Harry tinha com Voldemort. Tento acordá-lo gentilmente, sem sucesso. Quando finalmente o chacoalho, ele acorda em prantos e todo suado, a camiseta colada ao seu corpo (muito bonito, por sinal). Ele está ofegante e fica bastante constrangido ao se descobrir chorando, ao lado de uma garota. Rapazes são tão complicados!
A minha experiência com Harry me tornou uma expert em garotos sofredores. Eu o abraço e o conforto durante alguns minutos. A princípio está tenso e tenta se livrar dos meus braços, depois acaba aceitando-os e encosta a cabeça no meu peito. Acaricio seus cabelos loiros muito finos e pergunto se ele quer conversar a respeito.
- A luta contra Voldemort – Draco diz após alguns momentos tensos. Depois de tomar uma poção calmante que eu sempre carrego para situações de emergência ele me fala dos seus pesadelos constantes, onde a luta final contra os Comensais da Morte sempre retornava, assim como as maldições cruciatus. E a dor de Harry. Ele me conta sobre a coragem de Harry, ainda sem mencionar o seu nome. De como ele o havia livrado de morrer, sacrificando-se de maneira corajosa e doentia. Quando acaba, embora mais calmo, lágrimas escorrem pelo seu rosto pálido.
- Vamos, Draco – eu lhe digo, levantando da cama improvisada e lhe estendendo a mão – Você vai dormir comigo.
- Vou? – ele pergunta surpreso
- Vai – digo de maneira decidida – Há bastante espaço na cama.
Ainda surpreso, ele não rejeita o convite, mas tenta ficar longe de mim sob os lençóis que coloquei na cama confortável. Brinco com ele:
- Deixa de ser bobo. Chega mais pra cá. A sua fama em Hogwarts era de não temer dormir com garotas ou meninos.
- Isso foi antes... – ele se interrompe, provavelmente percebendo que falaria alguma coisa reveladora.
- Antes de se apaixonar por Harry Potter – completo. Para minha surpresa ele não nega a afirmação. Apenas sorri de maneira triste antes de dizer:
- Não me diga que você também é uma "empata", Srta. Weasley.
- Não é preciso ter o dom da Hermione para perceber – digo, puxando-o para um abraço que ele retribui – Seja bem-vindo ao clube.
Draco acariciou o meu rosto e me deu um beijo. Nada muito ousado, apenas um pequeno beijo perto dos meus lábios. Surpresa com a sua ternura retribuí, mas ele já estava dormindo, ainda me abraçando. Fiquei por vários momentos acariciando seu rosto e seus cabelos. Se não teria Harry (e eu não teria!), pelo menos cuidaria daqueles que poderiam fazê-lo feliz. O meu último pensamento antes de dormir é uma prece para alguma divindade remota suplicando pela vida DELE.
