N/A: Pessoal, desculpem a demora, sei que devem estar fartos de justificativas, mas é que eu tive que fazer uma operação de retirada de vesícula, e fiquei algum tempo de molho. Quando voltei ao trabalho, tinha tanta coisa acumulada, que não sobrava tempo nem disposição para escrever.
Ah, quem conhece "As Crônicas de Gelo e Fogo" deve ter percebido que o título do capítulo foi uma homenagem a essa série fantástica. Quem não conhece, não sabe o que está perdendo.
Mais uma vez o capítulo terminou bem antes do que eu pretendia, mas eu fico ansiosa para mostrar pra vocês, por isso acabo dividindo eles. Apesar de estar curtinho, e não ter muita ação, espero que vocês gostem.
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Capítulo XXI
A verdade está chegando
- Harry, você... tá legal?
A pergunta hesitante de Rony tirou Harry de seus pensamentos. Encarando o amigo, viu que parecia constrangido. Então se deu conta do quadro que apresentava, e da conclusão óbvia a que ele devia ter chegado.
- Estou ótimo, Rony. – respondeu com voz animada, ao que o amigo reagiu com olhar cético – Não, é sério... Acho que nunca estive melhor.
- Eu vou buscar a Mione. – Rony declarou, perturbado – Ela sabe lidar com esses lances melhor do que eu.
- Deixa de ser bobo, Rony. Eu não estou em negação, nem nada do tipo. Mas é bom você chamar a Mione, sim. Eu tenho uma coisa pra mostrar pra vocês.
Apesar do olhar desconfiado, Rony deu de ombros e saiu para buscar a amiga. Pouco depois os dois entraram no quarto. Harry já tinha lavado o rosto e estava sentado na cama, fazendo um sinal para os amigos sentarem ao seu lado.
- O que foi, Harry? – perguntou Hermione, um pouco agitada – O Rony disse que você estava estranho.
- Calma, Hermione, está tudo bem.
- Mas, Harry, você estava muito... hã... perturbado, e... – ela começou hesitante, parecendo não saber bem o que dizer, e Harry logo a interrompeu.
- Eu sei, mas vamos deixar isso pra lá, ok? Aliás, eu queria pedir a vocês para não falarem mais sobre esse assunto.
- Tem certeza?
- Hermione, se ele disse que não quer mais falar sobre isso, vamos respeitar, né? – disse Rony, claramente aliviado, ao que Hermione revirou os olhos.
- É lógico que vamos respeitar sua vontade, Harry. Mas... – ela continuou, ignorando os suspiros dos dois - ...antes precisamos saber como você realmente está.
- Eu já disse que estou ótimo. – ante novo olhar cético, ele continuou – Tudo bem, admito que não estava assim antes, mas me ajudaram a enxergar os fatos de outra maneira. – dessa vez os amigos o encararam com confusão, então Harry rapidamente contou tudo o que tinha acontecido.
- Uau, Harry, isso é fantástico! – Rony exclamou, animado.
- Realmente, foi uma idéia maravilhosa. – Hermione parecia emocionada, fitando o livro nas mãos do amigo – Não sei como ninguém nunca tinha pensado nisso.
- Talvez porque os amigos estavam... bom, vocês sabem. – comentou Rony – Só o Remo estava acessível, não é?
- É verdade, Rony, a reunião dessa velha turma está trazendo bons frutos.
- Deixa a professora Donovan ouvir você chamar ela de velha, Mione. – brincou Harry, ao que a amiga corou.
- Bom, vamos deixar isso pra lá. – desconversou ela, provocando o riso dos amigos – É uma pena que Sirius não pôde contribuir para o presente, ele teria adorado.
- E seria uma grande contribuição. – concordou Rony – Falando nisso, como vão as buscas pelas tais relíquias, hein?
- Só está faltando a última. Parece que eles partem amanhã para o tal "Palácio da Lua". – respondeu Harry – Depois disso, vai ser só esperar até o Beltane para abrirem o portal para o Mag Dalben.
- É uma viagem muito arriscada, não é? – perguntou Hermione, pensativa – Quem serão os participantes da busca?
- Perguntei ao Dumbledore. – respondeu Harry – Como o nome já diz, a tal "Pedra dos Sete Deuses" concede os dons de sete deuses celtas, e as Dannanherth são as armas desses deuses, logo eles escolheram sete integrantes da Ordem para isso.
- E ele disse quem são?
- Bom, os óbvios, Remo, os Longbottom e a professora Donovan. E também Tonks, Shacklebolt... e Snape.
- Snape? – reagiram em uníssono.
- Eu também estranhei, na época, mas agora já dá pra entender, né? Lembrem-se, a sacerdotisa disse que para abrir o portal, o ritual devia ser feito por alguém que tivesse um laço de sangue com o Sirius.
- E a Tonks?
- Sei lá, Mione, vai ver que quanto mais próximo o laço, melhor. Afinal, ela só é prima em segundo grau, e ele em primeiro.
- Bom, vamos deixar isso de lado, né? – disse Rony, percebendo que o amigo começava a ficar incomodado com o assunto – Mas, e quanto a Ana? Ela não vai? – estranhou Rony.
- Esqueceu, Rony? – retrucou Hermione – Na época do Beltane, ela não vai estar em condições de participar de uma missão tão perigosa.
- Ah, é verdade. Quem diria, hein? O velho Remo não brinca em serviço, não. – Harry riu, enquanto Hermione dava um tapa na cabeça do amigo – Ai, que isso, Mione?
- Olha o respeito, seu descarado!
Os dois continuaram a discutir, enquanto Harry os observava, rindo. Numa coisa ele tinha que concordar com o amigo: o velho maroto realmente não estava brincando em serviço.
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Na manhã seguinte, o grupo seguiu novamente até o coração da floresta proibida, mas dessa vez Kristyn os acompanhava, pois Alena explicou que precisariam de quatro mulheres para o ritual que deveriam realizar para conseguir a Ithil Celeb. Ela havia passado as últimas semanas treinando Alice para isso, e agora todas usavam as vestes prateadas de sacerdotisas de Avalon.
Ao atravessarem o portal, entenderam porque aquele lugar era chamado de "Palácio da Lua". Estavam sobre uma passarela de mármore que conduzia até as escadarias de um palácio todo feito de mármore e cristal. Enormes colunas brancas circundavam a ala central em frente as escadarias, e eram encimadas por uma cúpula de cristal lapidado. Das laterais e do fundo da ala, partiam corredores em arco que levavam a outras alas, estas sim cercadas por paredes brancas que ocultavam seus segredos de quem olhava de fora.
Tudo isso flutuando em meio a escuridão do espaço e cercado por milhões de estrelas.
- Uau. – murmurou Frank, fascinado.
- Que visão. – concordou Remo, no mesmo tom.
- Devemos prosseguir sozinhas agora. – declarou Alena para os dois – O Palácio da Lua é a morada de Arianrhod, a deusa virgem, e a entrada de homens é proibida. Remo, por favor, entregue a sarnseacht a Kristyn.
- Tem certeza de que vão estar seguras, Alena? – ele perguntou, enquanto entregava a relíquia a Kristyn. Seu olhar preocupado desviou-se para Ana, que o ignorou.
- Absoluta, Remo. O ritual é simples, não oferece nenhum perigo, e Arianrhod é uma deusa pacífica, desde que não a ofendam. O pior que pode acontecer é ela não nos conceder a Ithil Celeb.
- E se isso acontecer? – perguntou Kristyn, com o cenho franzido – Não poderemos atravessar o Mag Dalben?
- Poderão, sim, mas suas chances de sucesso serão muito menores. – ante essa declaração de Alena, os outros trocaram olhares apreensivos. – Vamos, devemos começar o ritual.
As quatro avançaram para as escadarias, enquanto Remo e Frank as observavam com preocupação.
- Isso não é bom, Remo. – comentou Frank – Se nossas chances já são pequenas, imagine reduzi-las ainda mais.
- Só nos resta rezar para que isso não aconteça, Frank. – Remo respondeu, e ficou secretamente aliviado por Ana não poder participar do resgate de Sirius.
Alena guiou as outras até o centro do aposento, as quatro se posicionando em cruz ao redor da pequena piscina redonda que brilhava de forma sobrenatural. Logo elas começaram os cânticos do ritual, elevando os braços em sincronia enquanto suas vozes pareciam refletir no cristal da cúpula e se incorporar aos raios de luz que atingiam a piscina.
O cântico terminou com as quatro caindo ajoelhadas, enquanto a água se erguia e tomava a forma translúcida de uma bela mulher, de cabelos longos e traços suaves.
- Filhas de Avalon, - disse ela, e sua voz era ainda mais suave do que podiam imaginar – vocês vem reivindicar um tesouro inestimável, que nunca antes foi concedido a um mortal. Digam-me, por que deveriam receber tal graça?
- Senhora, viemos humildemente pedir o seu favor, pois nossa causa é nobre. - respondeu Alena, ainda ajoelhada e de cabeça baixa – São o amor, a amizade e a lealdade que guiam nossos passos, e nos levam a tal arriscada missão.
- Diz a verdade, sacerdotisa. – continuou a deusa, rodando em torno de si mesma e observando atentamente cada uma delas – Seus corações são puros, não percebo nenhum motivo escuso, e vejo que já passaram por várias provas antes de chegar aqui. – completou, sinalizando a sarnseacht – Porém, devo adverti-las: mesmo que eu lhes entregue a roda de prata, o destino de vocês não é resgatar seu amigo. - aquilo fez com que as quatro elevassem o olhar chocado para a deusa, que sorriu fracamente, e se voltou para Kristyn – Percebo que você se revolta contra minhas palavras, filha, mas eu a perdôo, pois sei que é o amor que lhe turva o pensamento.
Constrangida, Kristyn abaixou a cabeça novamente, enquanto a deusa se voltava para as outras.
- Senhora, destinos já foram mudados antes. – argumentou Alena, em tom humilde.
- É verdade, filha. Porém sempre houve um preço a ser pago. – o olhar da deusa, fixo em Alena, pareceu brilhar mais forte. Depois de alguns instantes, ela continuou – Vocês estão dispostos a arriscar?
- Sim, minha Senhora. – Alena respondeu, sendo imitada pelas outras.
- Então, que assim seja. – ante as palavras da deusa, um disco de prata gravado com intrincados desenhos celtas apareceu flutuando diante de Kristyn – Leve, filha, mas lembre-se: você tem mais a perder do que seu amado, e pode vir a se arrepender de sua decisão.
Após essa declaração sombria, a imagem da deusa se dissolveu, e a água caiu novamente na piscina. As quatro se ergueram, e trocaram olhares apreensivos enquanto Kristyn recolhia o disco de prata.
- Espero que não estejamos cometendo um erro. – disse Alice, preocupada.
- Não estamos. – respondeu Kristyn, decidida – Se há um preço para resgatar Sirius, eu pagarei feliz.
Enquanto saíam do palácio, Alena pensava sobre a visão que a deusa lhe mostrara durante aquele breve encontro. Não podia revelar aos outros qual era o preço que seria cobrado, mas sabia que nenhum deles ficaria feliz.
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Finalmente! Depois de três dias, finalmente Draco podia ver sua pequena, e tinha a chance de falar com ela novamente. Ela havia se trancado na torre da Grifinória durante todo aquele tempo, sem descer sequer para as refeições, e isso quase o deixara fora de si. Por pouco não tinha voltado a invadir seu quarto, a única coisa que o deteve foi saber que provavelmente ela havia tomado precauções para impedir sua entrada.
Mas agora a espera tinha acabado, ele pensou, enquanto a observava do outro lado do salão principal, sentada a mesa da Grifinória. Apesar de parecer mais pálida que de costume, estava mais linda que nunca, e ele mal continha a vontade de arrastá-la do salão para continuarem de onde haviam parado da última vez.
Uma névoa vermelha toldou sua visão, e a fúria o dominou, quando Martin, que estava sentado ao lado dela, se inclinou para falar algo ao seu ouvido, e ela enrubesceu, rindo, e beijou-o no rosto.
Aquele loiro metido a conquistador era um cara morto, pensou sombriamente, enquanto Gina acariciava a face que tinha acabado de beijar. Foi então que algo mais chamou sua atenção, fazendo seu sangue gelar. Não, aquilo era impossível.
Ficou encarando fixamente o pulso vazio, onde devia estar seu bracelete, que não era uma jóia comum. Tinha que descobrir como ela conseguiu tirar o bracelete, antes que o nó doloroso que sentia crescer no peito aumentasse demais.
Não demorou muito antes que ela saísse do salão, escoltada por Martin e Santos, o que não o intimidou. Seguiu-os rapidamente, e logo os alcançou num corredor deserto.
- Gina! – chamou, sem dar atenção aos outros dois – Precisamos conversar.
- Escute aqui, Malfoy...
- Não estou falando com você, Santos, não se meta!
Antes que Nicky pudesse retrucar, Gina se adiantou.
- Pode deixar, Nicky, eu tenho mesmo algumas coisas a dizer ao Malfoy. – percebendo que os amigos hesitavam em deixá-los sozinhos, continuou – Podem ir, eu vou ficar bem.
- Espero, para o seu bem, Malfoy, que assim seja. – Nicky disse ameaçadoramente antes de se afastar com o amigo, que se limitou a lançar um olhar de advertência para o sonserino.
Draco não perdeu tempo, e puxou Gina para uma sala deserta perto dali. Assim que entraram, Gina se desvencilhou dele, afastando-se para o outro lado da sala.
- O que foi aquela ceninha com o Martin, Gina? E onde está o bracelete?
- Já disse que é Weasley pra você, Malfoy. E o que eu faço ou com quem não é da sua conta!
- E eu já disse que você é minha, e eu não divido o que é meu! – ele retrucou, agarrando seu braço e puxando-a para junto dele.
Mais uma vez ele se viu com a varinha de Gina enfiada sob seu queixo.
- Solte, Malfoy. – ela disse entre dentes – Agora!
- Me obrigue. – ele retrucou, antes de colar os lábios aos dela.
Ah, que falta sentira da doçura daquela boca. Estava a ponto de jogá-la contra a parede e fazer tudo o que vinha sonhando desde a manhã do natal, quando sentiu-se de repente cair paralisado.
- Que droga, Gina!
- Você pediu, Malfoy. – ela debochou, enfiando a mão no bolso da capa e retirando o bracelete – Isso é seu. Não imagina como fico feliz em poder devolver. Agora, pela última vez: me deixe em paz.
Jogou o bracelete sobre ele e se encaminhou para a saída da sala.
- Como você conseguiu tirá-lo? – a pergunta a fez parar. Havia uma espécie de angústia em sua voz, algo que nunca antes tinha notado nele. - Só havia um jeito, e sei que não foi assim.
- Sabe mesmo? Então me diga, como eu consegui?
Com apenas essa resposta, Gina saiu da sala. Não tinha como ele saber que havia sido Adhara quem a tinha ajudado, e sentia que o feria imaginar que ela tivesse conseguido do tal jeito que mencionara, então, que ele pensasse que tinha sido assim.
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- Eu não gosto disso, Ana.
Kristyn andava de um lado para o outro em sua sala, enquanto a prima a observava calmamente do sofá.
- Você sabe que é a missão deles agora, Kristyn. Não podemos interferir.
- O que não me obriga a gostar. – retrucou, fazendo Ana rir. Com um suspiro, jogou-se numa poltrona – Alguma coisa está acontecendo, eu sei disso.
- Sempre tem alguma coisa acontecendo.
- Dessa vez é pior. Por que Alena quis falar a sós com Wezen assim que voltamos de Caer Arianrhod?
- Ela tinha que partir para Avalon, e devia ter assuntos da Ilha a discutir com o vidente da Tríade. – ela frisou o título – Lembre-se: eles não são apenas nossos filhos.
- Mas também não deixam de ser. Não adianta, Ana, tem alguma coisa errada, eu sinto isso. – ela se levantou e voltou a andar pela sala.
- Ei, a sensitiva aqui sou eu, esqueceu? – Ana reclamou, em tom brincalhão.
- Então me diga: não sente que tem algo errado?
Com um suspiro, ela estendeu a mão para a prima, que sentou-se a seu lado no sofá.
- Kristyn, não vou mentir para você: desde que eles assumiram como a nova Tríade, a sensação de perigo em volta deles é constante. Conversei com papai, e ele disse que foi assim com ele também, quando chegou nossa vez. Nos últimos meses, a sensação aumentou, é verdade, mas com tudo o que está acontecendo, é compreensível, não acha?
- Eu não posso perdê-los, Ana. – Kristyn sussurrou, com os olhos úmidos, numa rara demonstração de fragilidade, que só se permitia diante da prima – Eles não. Depois de tudo, de todos que nós já perdemos, eu não resistiria.
Ana abraçou a prima, oferecendo o conforto que ela precisava, ao mesmo tempo em que tentava acalmar seus próprios temores. Apesar do que havia dito, sentia realmente que algo estava errado.
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O aborrecimento de Draco era visível quando entrou no salão comunal da Sonserina, por isso ninguém, nem mesmo Pansy, se atreveu a importuná-lo. Foi direto para seu quarto, onde se atirou na cama, e ficou encarando o bracelete que tirara do bolso.
Tinha que descobrir como Gina havia conseguido tirá-lo. Herança da família Malfoy, criado séculos atrás para a esposa de um antepassado extremamente ciumento, a jóia só poderia ser retirada por quem a tinha colocado, ou se a mulher que a usasse não sentisse nada por ele. Draco ser recusava a acreditar naquela última hipótese.
- Draco?
A voz da mãe o tirou de seus pensamentos, e ele se voltou para o espelho onde o belo rosto de Narcisa Malfoy aparecia.
- Sim, mãe? – respondeu enquanto guardava o bracelete de volta no bolso. A mãe não conhecia a história da jóia, mas não queria arriscar que ela desconfiasse de nada.
- Bellatrix quer saber quais os seus progressos.
- Diga a titia que a sacerdotisa partiu. Pelo que pude averiguar, ela só retornará no Beltane, para o resgate do Black.
- Isso não é bom, filho. – a voz de Narcisa revelava sua preocupação – Se falharmos na missão que o lord ordenou...
- A missão é de Bellatrix. - Draco retrucou, aborrecido – Minha função é apenas informá-la sobre os passos dos discípulos de Dumbledore. Não tenho culpa se a incompetente não conseguiu fazer a parte dela.
- Sabe muito bem que não será assim que a história vai chegar aos ouvidos do lord. – respondeu sua mãe, impaciente – Por mais aborrecido que esteja, ele ainda a tem em alta conta. Será sua palavra contra a dela. Se achar que você não tem utilidade...
- Sim, mãe, eu sei bem o que Voldemort faz quando não precisa mais de alguém. – a voz de Draco estava fria como um bloco de gelo, assim como seu olhar ardia de ódio – Não se preocupe, nós não teremos o mesmo destino de meu pai.
- Draco... – o apelo na voz de Narcisa estava impregnado com sua preocupação.
- Já disse para não se preocupar. – ele repetiu, dessa vez com um carinho que só reservava a ela – Eu vou dar um jeito nisso. Ainda vai demorar muito para o lord retornar, e eu tenho meus trunfos. Fique tranqüila, mãe.
Hesitante, Narcisa se despediu do filho, que prometeu manter contato. Suspirando, Draco se levantou e guardou o bracelete em sua gaveta, trancando-a magicamente. Tinha assuntos urgentes a resolver, e não podia permitir que sua fixação por Gina Weasley o atrapalhasse. Havia muito em jogo para deixar isso acontecer. Saiu do quarto, sabendo o que devia fazer para evitar o pior.
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- Você está anormalmente calado.
Wezen sorriu ante o comentário desconfiado da parceira. Os dois estavam patrulhando a floresta proibida, mas ainda não havia sinal de que os comensais continuavam por ali.
- Acredite ou não, minha cara, até um "moleque" como eu tem suas preocupações. – respondeu com ironia.
Tonks se sentiu levemente constrangida. Sabia das responsabilidades que os três jovens tinham, e que eram maiores que muitos bruxos bem mais experientes que eles já haviam enfrentado.
- Eu sei disso. – ela respondeu, séria – Nunca menosprezei seus dons, ou suas responsabilidades.
- Não, é só a mim que você menospreza. – retrucou mal-humorado.
Ela parou de repente, segurando seu braço e fazendo com que ele a encarasse.
- De onde vem tudo isso agora, Wezen? – perguntou, preocupada – O que está acontecendo?
- Quer saber a verdade, Tonks? – ele explodiu - Eu estou cansado. Cansado de você me tratar como um garotinho que só pensa em quadribol e na próxima namoradinha. Você sabe quem e o que eu sou, e sabe o que isso representa. Eu posso ser mais novo que você, mas estou longe dessa imaturidade que você me atribui.
- Não é só isso. – ela retrucou, perscrutando seu rosto – Eu sempre te tratei assim, e isso o divertia, nunca o aborreceu. Alguma coisa está acontecendo.
- É mesmo? – ele debochou, afastando-se dela e continuando a caminhar – Então me diga o que é, porque eu não sei do que você está falando.
Tonks o seguiu em silêncio, sem deixar de observá-lo. Sabia que ele estava escondendo alguma coisa, e que não adiantaria forçar, pois ele não contaria nada. Fosse o que fosse, realmente o tinha perturbado. Num impulso, estendeu a mão e tocou seu ombro, fazendo-o se voltar para ela.
- Não precisa me contar. – ela disse, calmamente – Mas, por favor, tome cuidado, sim?
Ele sorriu de repente.
- O que? Você, preocupada comigo?
- Por incrível que pareça, estou. – ela admitiu – Você pode ser um moleque arrogante e pé no saco, mas acabei me acostumando a tê-lo por perto.
- E a gostar de mim?
Ela riu com o tom comicamente esperançoso dele.
- Isso também. Um pouco.
- Você realmente sabe como elevar o moral de um cara. – ele declarou, enquanto a abraçava pela cintura e a puxava para junto de si – Você disse uma vez que eu tenho muito que aprender. Que tal umas aulas, hein?
Antes que ela pudesse responder, ele já a estava beijando. Sem pensar em mais nada, resolveu aproveitar o momento, e se entregou a atração contra qual vinha lutando a tanto tempo. Que se danassem aqueles quatro anos! Pelo menos, por enquanto.
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O reinicio das aulas foi um momento tenso para Harry. A primeira aula do dia era poções, e apesar do esforço que fizera para esquecer a ligação com Snape, assim que olhou para o professor, as lembranças do que havia lido naquele diário inundaram sua mente.
- Você está bem, Harry? – Hermione murmurou, preocupada.
- Vou ficar. – ele respondeu, no mesmo tom.
Sentia o olhar de Snape sobre ele, e não sabia se era impressão sua, ou se realmente o professor o olhava com mais desconfiança e ódio que de costume. Durante toda a aula tentou evitar o olhar dele, que parecia vigiá-lo como um falcão, e seu nervosismo fez com que cometesse erros que normalmente não cometeria, o que resultou na explosão do seu caldeirão.
- Potter, você pode achar engraçado perturbar minha aula, mas eu não compartilho de sua opinião. – disse o professor com voz fria, olhando para a confusão que Harry causara – Menos cinco pontos para Grifinória. E saia da minha aula.
Ele não o mandou para enfermaria, apesar de Harry ter sido atingido pela explosão, e estar visivelmente precisando de cuidados médicos, mas Harry não se importou. Saiu apressadamente da sala, antes que o professor mudasse de idéia e o mandasse ficar até o final.
Quando já estava subindo as escadas para o salão principal, uma mão em seu ombro o fez se virar.
- Você tem que ir para enfermaria.
Ele se desvencilhou da mão dela e continuou subindo as escadas.
- Isso não é da sua conta.
Sammy o seguiu, tentando ignorar a dor que a rejeição dele causava.
- Harry, sei que está aborrecido comigo, mas...
- Aborrecido? – ele parou, voltando-se furioso para a garota – Acha que estou aborrecido? – ela recuou ante a repentina explosão do rapaz – Sammy, você guarda segredos de mim, e quando eu não aceitei mais isso, você se vingou revelando fatos que sabia que me destroçariam.
- Não foi assim...
- Não? – ele perguntou, e ela baixou os olhos diante do olhar penetrante dele.
- Foi um impulso, Harry, eu não queria ferir você...
- Mas feriu, Sammy. Você diz que não pode me contar seu segredo, que não é apenas seu. – ele se aproximou mais, sua voz um murmúrio frio – O segredo de Snape por acaso era seu, para revelá-lo?
- Cedo ou tarde você descobriria...
- Mas não cabia a você! – ele gritou – Não entende? Se eu descobrisse sozinho, ou por acaso, só poderia culpar a mim mesmo. E eu não sabia o que tinha naquele livro. Você não tem essa desculpa.
Com essa última declaração ele se afastou, deixando para trás uma Sammy arrasada.
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Nicky ficou algum tempo parada na porta da torre de astronomia, observando a figura triste sentada no parapeito.
- Por que não conta a verdade a ele?
Sammy suspirou ao ouvir a pergunta da amiga, que estava se sentando ao seu lado.
- Sabe que não posso fazer isso.
- O que eu sei é que em breve não haverá opção, então por que não agora?
- Primeiro, tudo tem seu tempo. – ela respondeu tranquilamente, sem deixar de fitar a paisagem a sua frente – Segundo, não acredito que fará diferença. Agora ou depois, ele não vai me perdoar.
Foi a vez de Nicky suspirar. Sabia que a amiga provavelmente estava certa.
- Talvez ele seja mais compreensivo do que imaginamos. – ante o olhar cético que Sammy lhe lançou, ela deu de ombros – Ou talvez não.
- O mais provável é que não queira me ver nunca mais, isso sim.
- Vou te falar uma coisa: sua "espécie" é realmente problemática na hora de escolher por quem se apaixonar.
- Ninguém escolhe por quem se apaixonar. E não me venha com essa, sua "espécie" não é muito melhor.
- Garanto que sim. Aposto que ele vai até gostar.
- Pode ser, mas conheço algumas pessoas que não vão ficar nada satisfeitas...
As duas riram e continuaram conversando sobre ciumentos, embora Sammy não conseguisse deixar de pensar que o momento da verdade estava se aproximando mais rápido do que tinham previsto.
- Sabia que Dumbledore está planejando um festival para o dia de São Valentin? – Nicky mudou de assunto, de repente.
- Que tipo de festival?
- Música trouxa. – ela respondeu, rindo – Com temática romântica. As inscrições para quem quiser participar já estão abertas. Eu estive pensando...
Enquanto ouvia a idéia da amiga, Sammy pensava na reação de Harry. Realmente era uma boa idéia, e se ela tinha que sofrer, não custava nada mostrar a ele o que estava perdendo.
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- Malfoy!
Draco praguejou, e voltou-se ao ouvir o chamado. Estava no corredor que levava ao escritório de Dumbledore, e já passava muito do horário em que os alunos podiam estar circulando pela escola. O que aquele cara podia estar querendo, para se arriscar a uma detenção?
- O que foi, Deveraux?
- Precisamos conversar.
- Que interesse eu poderia ter em falar com você?
- Um grande interesse, pode acreditar.
- Ah, é? – perguntou, entediado – E por quê?
- Porque eu vou ajudá-lo a seqüestrar a sacerdotisa.
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N/A: Sim, muito curtinho, mas, melhor que nada, né? Sabem que gosto muito de músicas, e o próximo capítulo terá um festival delas, mas tudo necessário para fazer fluir a história, ok? E se Deus quiser e ajudar, a verdade sobre a Sammy e outras coisas também chega no próximo capítulo. Por favor, não deixem de dizer o que acharam, ok?
