Ai está o tão aguardado – ou não – capítulo! Boa leitura!

Para ler esse capítulo, se puderem, escutem a música "Big Girls Don't Cry" da Fergie. Tem tudo a ver! Principalmente a letra.

– Em algum momento você vai olhar pra mim, não vai? – ele perguntou esperando aqueles trites olhos se erguerem ao encontro dos seus.

Ela deu um suspiro profundo enquanto levantava a vista. Pôde ver seus traços perfeitos, seus olhos âmbar, sua pele morena... Ele levou sua mão até rosto dela. Esperou alguma possível reação de Amy, mas esta não reagiu. Encostou seus dedos longos no rosto delicado da menina, deslizando-os pela sua pele alva.

O contraste era gritante. Não só fisicamente, mas em tudo. Na cor da pele, na cor dos olhos, nos modos, nas qualidades e defeitos... E, naquele momento, aquele contraste marcante, aquelas divergências, aqueles opostos extremos, se encaixavam perfeitamente, como se fossem feitos um para o outro. Um tinha o que o outro precisava. O defeito de um era compensado pela qualidade do outro.

Era um momento de poesia. Não falaram nada. Amy fechou os olhos. Ian continuava a olhar para ela. Queria que aquele momento não acabasse. Não queria perdê-la. Não queria deixar que fosse. Amy voltou a abrir os olhos.

Eram olhos vagos, perdidos, olhos trites, olhos quase sem vida. Mas era para aqueles olhos que ele queria olhar todos os dias de sua vida. Sim, era ela. Meu Deus, era ela! Onde ele havia a encontrado? Não se lembrava. Como ele havia se apaixonado por ela? Não sabia. Mas era ela, e ele sabia que era ela porque seu coração ardia no peito com ela por perto; e o dia não era mais cinza; e ter o seu sorriso era o motivo de se viver; e ele mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e morreria feliz para salvar sua vida.

– Queria que pudesse sentir o que estou sentindo por você agora, e o que senti desde o primeiro dia em que te vi e o que continuarei sentindo pelo resto da minha vida. – ele disse baixinho, porém audível. Amy suspirou e levou sua mão até o braço dele. Também não queria por fim àquele instante, mas precisava... Segurou-o, mas não o tirou do seu rosto.

– Mas eu não posso. – e dizendo isso, tirou a mão dele do seu rosto. A mão de Ian balançou leve no ar.

– Poderia tentar. – ele falou com uma ponta de esperança na voz.

– Eu já tentei demais, Ian. Já sofri demais, já me torturei demais e não eu quero isso pra mim. Amar não é sofrer e eu estou sofrendo. – ela respondeu, embora triste, sua voz estava firme.

– Poderíamos ser só amigos. – ele respondeu enquanto dava um sorrisinho triste.

– Poderíamos, mas não dá. Isso não seria um solução. Eu preciso deixar de gostar de você. Seria bom se me deixasse tentar. – ela respondeu com a voz um pouco rouca, a garganta apertada, os olhos cheios de lágrimas. – Você também poderia deixar de fingir que sente alguma coisa por mim.

– Não posso, porque não finjo. Eu gosto de você de verdade. – ele respondeu com a testa franzida, seu olhar implorando que lhe compreendesse. Pegou as mãos dela e juntou-as com as suas – E também porque eu nunca vou deixar de tentar te conquistar. Isso é uma promessa, Amy.

– Devia parar de fazer promessas, então. – ela disse, desentrelaçando suas mãos – Será que você não entende? Mesmo que isso que você está dizendo fosse verdade, nunca daria certo. Nós somos muito diferentes um do outro e...e... você sabe o que mais.

– Ser diferente é só uma questão de ponto de vista. Poderíamos ser felizes se colaborássemos. E se você esta falando das nossas famílias, poderíamos dar um jeito. – disse cheio de expectativa.

– Que jeito, Ian? – ela indagou de forma melancólica.

– Eu não sei, Amy. – ele respondeu indeciso. – Mas poderíamos pensar em algo, poderíamos... tentar alguma coisa, ou talvez … eu não sei.

– Eu não sou a garota certa para você. – ela garantiu.

– E como seria a garota certa?

– Ora, você sabe. Bonita, quem sabe uma loira bronzeada com olhos azuis, cheia de curvas. Rica, bem rica, que só usa as roupas da moda e sapatos altos. – descreveu-a fazendo gestos eufóricos com as mãos, até porque não sabia bem como seria uma garota "do tipo de Ian" e terminou dizendo triste – Uma garota que faça parte do seu mundo, Ian. – ele deu uma risadinha.

– Mas eu não gosto de nenhuma patricinha, loira, bronzeada e de olhos azuis. Gosto de uma garota branquela, ruiva, com olhos verdes que é teimosa, tímida e envergonhada e não vê a pessoa maravilhosa que é. Ela também é inteligente e sensível e quando sorri tudo se ilumina. – soltou um sorriso enviesado para ela. Ela também sorriu, só que de um modo bem diferente, algo como uma felicidade clandestina, algo que ela podia estar perto de alcançar, mas fingia que não via. De todo, era uma sorriso triste.

– Queria poder conhecer seu mundo. – ele continuou lhe olhando nos olhos, suplicando ajuda.

– Ele está aí. – ela retrucou, fazendo um gesto amplo com as mãos e um meio sorriso no rosto – É muito maior do que o seu. Qualquer um pode conhecê-lo. Basta querer.

– Queria que você me apresentasse a ele. – ele insistiu.

– Não precisa de mim. Você é bem crescido, não precisa de ajuda. Já fez coisas bem piores sozinho, por que não conseguiria?

– Porque preciso de você. Preciso da sua sensibilidade, da sua simplicidade, do seu carinho, preciso do seu amor. "Me ajude fada Amy, me tire da escuridão, me salve do mal, do sangue nocivo que corre em minhas veias, me afaste da minha face sombria e me acolha, aquecendo meu sangue frio no calor dos teus braços alvos. Eu sei que não a mereço, mas eu preciso de você e eu não preciso de nada" – enquanto Ian recitava o poema, Amy ficou paralisada, escutando aquelas palavras mágicas, longe da realidade massacrante e árida.

– É-é... lindo. – ela respondeu hipnotizada, depois, claro, envergonhou-se.

– Gostou? Fiz para você – falou com ternura.

– S-s-sério? – ela perguntou, respondendo a si mesma quase de imediato "É claro que não, sua imbecil!".

– Fiz outros também. Quer ouvir? – perguntou animado.

– J-já está muito tarde. T-tenho que ir d-dormir. – ela respondeu gaguejando e desviado os seus olhos dos dele. Ela virou-se, indo embora apressadamente. Ian foi atrás dela.

– Espere, Amy! – ele falou, mas ela continuou andando. Não respondeu, nem virou-se, apenas aumentou a velocidade do seu passo.

– Amy! – Ian chamou-a enquanto pegava no seu braço – Espere! – e virou-a.

– Me deixe em paz, Ian. – ela respondeu chorosa, o rosto molhado de lágrimas.

– O que foi, Amy? – ele perguntou preocupado.

– Será que você poderia deixar eu ir dormir? – ela retrucou, olhando para os seus olhos, depois desviou-os e virou-se, tentando prosseguir a caminhada. – Estou cansada... me deixe ir. Por favor... – ela implorou com a voz derrotada.

– Foi algo que eu disse? – Ian perguntou com o cenho franzido.

– Eu não sei. – Amy respondeu, balançando a cabeça hesitante, os olhos baixos e frustrados. – Só me deixe ir...

– Se tiver sido culpa minha, desculpa. Eu não queria te magoar. – ele falou desolado.

– Não é só você, Ian. É tudo! Sou eu, você, nós! – ela parou por um momento com a mão nos lábios. – Só não sei porque você insiste em continuar com isso. Queria realmente entender. É pra você ter uma sensação de posse ou de qualquer outra coisa?

– Não, Amy! Não é por nada disso! – ele disse indignado, mas logo acalmou-se – Também queria que você pudesse entender o que eu sinto por você...

Amy fechou os olhos enquanto uma lágrima descia.

Aquilo não tinha a ver com Ian. Mas ela precisava seguir em frente. Sozinha. Ela sentiria a sua falta, porque ele havia virado parte dela, porque eles haviam virado um só. Mas ela podia ver a escuridão se formando na sua frente se ela ficasse. Nem sempre as coisas terminam em "felizes para sempre". Talvez em outro momento eles poderiam ter sido felizes, mas neste não dava.

– Deixe eu ir... – ela implorou. Ian soltou seu braço. Talvez ele tivesse a entendido. Ela virou-se e seguiu cabisbaixa para seu quarto, porém antes olhou para trás...

Ian continuava parado, olhando para ela, seus olhos tristes, pedindo ajuda, pedindo para que ela não fosse embora, pedindo para ela não deixá-lo...

Ambos estão machucados...

Mas eu achei que ficou bem fofinho, sabe? E nem me preguntem de onde saiu essa inspiração do Ian fazendo um poesia! Mas depois que eu fiz, ficou tão linda que eu simplesmente tinha que colocar!

Espero que vocês tenham gostado e entendido os motivos da Amy! Afinal, ela ainda está machucada, né? Eu entendo ela.

Mas é sempre bom saber o que vocês acharam, por isso deixem reviews!