Capítulo 24
Conjecturando
Kate virou de costas para Jack e abaixou um parte de seu moletom e da calcinha revelando o músculo de suas nádegas. O médico tinha preparado a seringa com o analgésico cuidadosamente esperando que a medicação intravenosa ajudasse a aliviar mais a dor em seu corpo da qual ela vinha se queixando desde que ele a encontrara debaixo do toldo de uma loja na noite anterior no meio de um temporal.
Ela mordeu os lábios instintivamente suprimindo o incômodo causado pela agulha seguida da dor motivada pelo líquido transparente que Jack agora injetava nela.
- O remédio vai fazer efeito bem rápido. Você pode se sentir um pouco sonolenta, mas é normal.
Kate assentiu. Jack terminou de injetar o medicamento, retirou a agulha e limpou o local da picada que sangrou levemente com um pedaço de algodão embebido em álcool. Ela colocou a roupa no lugar e se virou para ele. Jack puxou as cobertas da cama e Kate deitou-se entre elas enquanto ele a cobria.
- Tem certeza de que quer que eu fique no seu quarto?- ela indagou.
Jack assentiu.
- Melhor você ficar aqui do que eu correr o risco de você fugir de novo.
- Eu sou uma fugitiva, Jack.- disse ela.
- Uma fugitiva que levou um tiro e ainda não está totalmente recuperada.
Ele sentou-se ao lado dela na cama.
- Vai pro hospital hoje?- Kate perguntou.
- Vou.- ele respondeu, mas só depois que você dormir.
- Jack, eu não posso me esconder aqui no seu apartamento para sempre...
Jack acariciou o rosto dela sem perceber e disse:
- Shiii...procure dormir.
Kate colocou sua mão que lhe tocava o rosto sobre a dele e sussurrou com voz sonolenta:
- Obrigada por tudo.
Quando Jack ouviu a respiração tranquila dela, denunciando que ela dormia profundamente, saiu do quarto deixando a porta ligeiramente aberta. Foi até a cozinha e ligou seu laptop que estava sobre o balcão.
Respirou fundo, abriu o google e digitou o nome de sua hóspede: "Katherine Ann Austen."
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James tinha passado uma tarefa para seus alunos que os manteria ocupados boa parte da manhã. As crianças estavam desenhando em grupos o mapa-mundi fazendo suas próprias adições de àreas verdes e oceanos com o intuito de demonstrar o que seria necessário para reconstruir o que o ser humano tinha destruído na natureza. Os alunos deveriam apresentar seus mapas no final do aula.
Ele estava aliviado que as crianças estivessem se divertindo com o projeto porque não estava com a menor vontade de dar aula. Ainda estava pensando em sua discussão com Ana-Lucia mais cedo. James ainda não entendia porque ela ficara tão zangada de repente. Ele não fazia ideia de que o aborto que ela sofrera a tinha deixado estéril. Se ele soubesse disso certamente teria sido mais sensível sobre a situação e não teria mencionado as coisas do jeito que fez.
Olhou para as crianças novamente para ter certeza de que estavam muito ocupadas antes de tirar o telefone celular do bolso da camisa e checar suas mensagens. Viu que tinha uma mensagem de Juliet de hoje de manhã que não tinha lido, mas também logo percebeu que telefone indicava que a mensagem já tinha sido lida. De repente, ele entendeu o motivo pelo qual Ana estava tão zangada.
"Mas que merda!"- ele gritou em sua mente.
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- Certo, então nós iremos começar esta noite... – dizia o agente Pierce para Ana-Lucia, mas ela não estava prestando atenção. Percebendo que ela estava distraída, ele deixou que suas anotações que estavam sobre a mesa caíssem no chão de propósito.
O barulho suave dos papeis caindo contra o carpete cinza da sala dos agentes trouxe Ana-Lucia de volta à realidade.
- Onde você estava?- Pierce perguntou com um sorriso sugestivo enquanto ela se abaixava para pegar os papeis.
- Eu um lugar muito longe daqui.- Ana respondeu com sinceridade. - Sinto muito.- disse ela juntando os papeis dele e colocando de volta sobre a mesa.
- Tudo bem, eu só estava dizendo que poderíamos começar as investigações sobre os últimos lugares freqüentados pelo Sr. Rosseau esta noite.
- Certo!- Ana concordou checando os papeis. – Começaremos pelo pub?
- Boa ideia!- disse Pierce.
Ana-Lucia checou o relógio de pulso e disse ao colega:
- Pierce, eu tenho um compromisso às dez mas estarei de volta logo para analisarmos o relatório preliminar das provas com a Geller.
- Tudo bem.- respondeu ele.
Ela devolveu os papeis a ele e pegou sua bolsa preta de cima da mesa, porém, antes que ela deixasse a sala, Pierce disse a ela:
- Cortez, só queria que soubesse que sinto muito pelo comportamento do diretor na festa. Ele bebeu um pouco demais e depois que você saiu, ele disse umas coisas...
- Então você já deve saber de tudo. – Ana comentou. – Está tudo bem. Ele costuma ser assim quando bebe, já estou acostumada.- ela deu um sorriso educado para Pierce dando a conversa por encerrada antes que o colega fizesse perguntas sobre o antigo relacionamento dela com o diretor. – Vejo você mais tarde.
Ana deixou a sala, ansiosa por sua consulta no Centro de Fertilidade com a Dra. Burke mas acabou cruzando no corredor principal com Danny e Giulia Callas, uma das patologistas mais famosas da Califórnia. Os dois estavam conversando. Fazia muito tempo que Ana não se encontrava com Giulia. Desde que saíra da vida de Danny. Ela parecia linda e elegante como sempre em seu vestido de grife.
- Ana-lucia!- ela chamou ao vê-la. Tarde demais, Ana esperava que pudesse passar despercebida pelos dois e correr para o estacionamento. – Há quanto tempo! Você está ótima!
- Olá, Giulia.- Ana a cumprimentou. – Você também parece ótima!
- E de fato estou!- Giulia acrescentou com um sorriso arrogante. Ela era conhecida pela sua falta de modéstia . – Eu soube que você tinha vindo para o CSI, mas ainda não tinha tido a oportunidade de cumprimentá-la. Meus parabéns.
- Ana está aqui em estágio probatório. – Danny contou com despeito. – O Chefe de Polícia não sabia o que fazer com ela então a mandou para cá.
Giulia ergueu uma sobrancelha e falou antes que Ana pudesse dar à Danny a resposta que ele merecia.
- Como se o Maccalister mandasse pessoas incompetentes para cá. Ele conhece o potencial de Ana e sabe que ela é uma excelente profissional. Diferente de você que bebeu tanto na festa em sua própria homenagem que deu vexame. Pelo menos foi o que as más línguas me disseram.
Ana-Lucia conteve o riso.
- O que seria de nós sem os fofoqueiros, não é mesmo?- disse ela. – Com licença, preciso ir. Tenho um compromisso importante agora.
- Ana, eu gostaria de falar com você em outra oportunidade. Podíamos almoçar juntas. O que acha?- indagou Giulia.
Ana estranhou um pouco o convite. Mesmo quando ela e Danny estavam juntos, ela nunca havia sido amiga de Giulia. Mas para não parecer mal-educada, aceitou o convite.
- Sim, é claro. É só me dizer quando.
- Passarei na sala dos agentes em breve para avisar você. Foi um prazer.
- Igualmente.- respondeu Ana, sem se dar ao trabalho de se despedir de Danny quando foi embora.
- O que está fazendo Giu?- Danny indagou à Giulia, chamando-a por seu apelido.
- O quê?- ela retrucou. – Estou embaraçando-o na frente da sua ex? Pois foi você quem embaraçou a si mesmo ao fazer papel de tolo na festa. Lola Jenkins do setor de tecnologia de informação, foi ela quem me contou tudo.
- Ah, aquela fofoqueira!- ele disse irritado.
- Nem pense em descontar sua raiva nela, Danny. Foi você mesmo quem procurou isso.
- Por que a convidou para almoçar? Vocês nunca foram amigas.- ele perguntou, curioso.
- Por que fez com que o Maccalister a transferisse para cá?- Giulia perguntou de volta. – Você ainda está interessado nela, Danny? Eu posso entender isso, o tempo passou e a maturidade que ela ganhou a deixou ainda mais bonita e confiante. Sempre gostei dela.
- Isso é mentira!- Danny retrucou. – Você estava sempre desafiando-a.
- Somente porque ela gostava de desafios, e pelo jeito continua gostando ou ela não teria aceitado vir trabalhar aqui sob sua supervisão. Mas eu estou de olho em você Daniel Lively e seja lá o que for que esteja aprontando pra cima dessa moça, eu vou descobrir!
Danny deu as costas a ela, irritado. Giulia não se incomodou com isso. Sabia que Danny tinha alguma coisa em mente em relação à Ana-Lucia Cortez. Daniel poderia ser um homem inteligente, mas Giulia era muito mais esperta do que ele.
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A última vez que Ana-Lucia procurou um médico com o propósito de ficar grávida, o resultado tinha sido desastroso. Ela fizera uma imensa bateria de exames, tudo para ouvir do médico no final que não havia a mínima possibilidade de que ela ficaria grávida.
Juliet Burke reacendera suas esperanças, mas mesmo assim Ana-Lucia tinha medo de passar por tudo aquilo de novo e ter o mesmo resultado no final. Ela estava muito nervosa quando adentrou a clínica mas procurou não demonstrar. Sorriu para a secretária de Juliet, Cassidy quando adentrou a sala de espera.
- Bom dia.
- Bom dia, Srta. Cortez.- falou Cassidy. – A Dra. Burke já irá atendê-la. Aguarde só alguns minutos.
Ana sentou no sofá e tentou se distrair com uma revista sobre gravidez, mas não conseguiu. Prestou atenção a uma fotografia no porta-retrato sobre a mesa de Cassidy. Era a foto de uma menina, loira de olhos azuis, deveria ter dois ou três anos. Ela sorria na foto e fazia pose, soprando bolinhas de sabão de um canudo cor-de-rosa.
- É sua filha?- indagou Ana.
- Sim.- respondeu Cassidy, orgulhosa.
- Ela se parece com você.- Ana comentou.
- Se parece mais com o pai dela.- Cassidy retrucou.
- Ela é linda!- derreteu-se Ana.
- Obrigada.- concordou Cassidy e em seguida acrescentou, notando o nervosismo de Ana: - É normal ficar nervosa na primeira consulta mas tente pensar que vai dar tudo certo e que dentro de algum tempo terá seu próprio bebê nos braços.
Isso era tudo o que Ana-Lucia mais queria, mas ela se perguntava se ser mãe era mesmo seu destino. Juliet abriu a porta de seu consultório e sorriu para Ana.
- Olá, Ana. Venha comigo, por favor.
Dentro do consultório, Juliet ofereceu uma confortável poltrona para que Ana se sentasse e tomou seu lugar de frente para ela, atrás de sua mesa com um caderninho de anotações.
- Bem, Ana-Lucia, essa primeira consulta serve para nós fazermos uma avaliação preliminar do seu caso. Vou te fazer algumas perguntas e traçar um perfil antes de falarmos sobre os exames.
- Tudo bem.- Ana concordou.
- Vamos a algumas perguntas de rotina para que eu possa começar a traçar seu perfil. Idade?
- 27 anos.- respondeu Ana. – Completarei 28 no final do ano.
- Você fuma ou ingere bebidas alcoólicas com freqüência?
- Eu fumo às vezes quando estou muito nervosa e consumo bebidas alcoólicas socialmente.
Juliet fez algumas anotações e disse:
- É importante que você saiba que a partir de agora, já que vamos entrar juntas nessa jornada para que você conceba uma criança saudável, você deve deixar o cigarro de lado. Penso que não será tão difícil porque você só fuma ocasionalmente.
Ana concordou com um gesto de cabeça.
- Quanto à bebida alcoólica, recomendo o mesmo.
Ana-Lucia assentiu novamente.
- Você costuma fazer exercícios físicos com freqüência?
- Sou policial então desde a academia de polícia tenho o costume de me exercitar pelo menos duas horas por dia. Corrida, musculação...
- Isso é bom!- disse Juliet. – Mas quando você começar a tentar engravidar, eu farei um plano de exercícios mais adequado para o nosso propósito aqui.
Ana concordou mais uma vez.
- E quanto à sua alimentação? Café e donuts?- Juliet brincou com o fato de ela ser policial.
- Eu gosto de café, mas detesto donuts!- Ana contou fazendo Juliet sorrir.
- Nossa! Uma policial que não gosta de donuts? Isso é novidade pra mim.
- Eu costumo tomar sempre um bom café da manhã, com frutas, cereal, iogurte e nas outras refeições consumo vegetais, fibras, gosto muito de peixe...
- Isso é ótimo!- disse Juliet. – Já vi que não teremos problemas com a sua alimentação.
Juliet anotou mais algumas coisas.
- Agora mais perguntas de rotina. Quando foi sua primeira menstruação?
- Eu tinha 13 anos.- Ana respondeu.
- Primeira relação sexual?
- 17 anos.
- Ok.- disse Juliet, anotando. – Quando foi a primeira vez que engravidou?
- Faz 1 ano e seis meses.- Ana contou. – Não foi nada planejado. A gravidez estava indo bem. Eu estava com três meses e pretendia tirar uma licença para que tudo saísse bem, você sabe, a natureza do meu trabalho...
- Entendo.- falou Juliet.
- Foi então que eu levei um tiro em serviço. Quatro para ser mais exata. Meu útero foi perfurado, perdi um trompa e houve uma queda na minha produção de óvulos. Perdi meu filho... – as últimas palavras foram ditas numa voz tão baixa que Juliet sentiu por ela mas manteve a postura profissional.
- E você tentou engravidar depois disso?
- Procurei um médico semanas depois para avaliar os danos. Ele afirmou que era irreversível.
Juliet baixou a ficha de Ana-Lucia sobre a mesa e disse:
- Não acredito em irreversibilidade. Meu método consiste na regeneração do corpo através de injeções constantes de hormônios. É como se você estivesse na puberdade outra vez. Seu corpo fica sensível, mas seu útero se regenera, a produção de óvulos é estimulada. É um método muito novo, mas venho obtendo sucesso na maioria dos casos. Portanto, não se deixe abater, estamos só começando. – ela sorriu antes de continuar com as perguntas.
- Como funciona o seu ciclo menstrual atualmente? Após o incidente?
- Regular. – Ana respondeu. – É como se não tivesse sido afetado.
- Isso é um bom sinal.- comentou Juliet. – Data da sua última menstruação?
- 23 de outubro.- disse Ana.
- Quando foi a última vez que teve uma relação sexual?
- Esta manhã.- Ana respondeu, um pouco embaraçada pela pergunta.
Juliet fingiu não notar o embaraço dela e continuou com as perguntas.
- Está em um relacionamento sério agora ou...?
- Ele é apenas um amigo. – Ana explicou.
- Estou perguntando porque faz parte do processo, Ana.- Juliet explicou para que Ana não pensasse que ela estava perguntando demais. – É importante que o companheiro participe de todo o processo, dando apoio.
- Eu sei o que quer dizer, mas como eu disse ele é apenas um amigo. Ele não sabe nada dos meus planos. Pretendo criar esse filho sozinha.
- Bem, isso responde à próxima pergunta que seria sobre doadores caso tentemos uma inseminação artificial.
- Caso tentemos?- Ana indagou sem entender.
- Sim.- confirmou Juliet. – Eu só aconselho inseminação artificial para casos extremos ou mães independentes. De acordo com os exames da paciente há casos em que podemos tentar a concepção natural induzida pelos hormônios dos quais falei há pouco.
- Que tipo de exames terei que fazer de imediato para que você realmente possa avaliar o meu caso?- Ana indagou com certa impaciência. Se tivesse que ouvir mais uma negativa para acabar com suas esperanças, que fosse logo.
- Muitos tipos de exames e é importante que você faça todos e procure não ficar nervosa ou ansiosa. – Juliet aconselhou. – Sei que é difícil, mas isso também é parte importante do processo. A doutora continuou com as perguntas: - Existe algum caso de doença na família.
- Meu pai teve um câncer na garganta e faleceu.
- Sinto muito.- Juliet disse, anotando a informação.
- Já faz algum tempo... – Ana comentou apenas para mudar de assunto. Ela não gostava muito de falar sobre a doença do pai.
- Última pergunta por enquanto.- disse Juliet. – Você costuma usar preservativo durante as relações sexuais?
- Com freqüência. – Ana respondeu. Aquela manhã com James tinha sido a primeira vez em muito tempo que ela não usava preservativo ou qualquer outro tipo de método contraceptivo em uma relação sexual.
- Muito bem.- falou Juliet. – Começaremos com exames de sangue, exames hormonais, ultrasons e eu mesma farei um exame preliminar agora. Será bem simples, similar ao preventivo comum. É apenas para saber se está tudo bem, se não há nenhum tipo de infecção. Se houver deveremos tratar isso antes de iniciar o processo.
Ana concordou. Juliet chamou uma enfermeira pelo interfone que trouxe uma camisola branca de hospital e alguns recipientes para exame que entregou a Juliet. Ana-Lucia trocou de roupa e se deitou em uma cama que ficava em uma sala adjunta ao consultório de Juliet.
- Está confortável?- a médica indagou antes de começar o exame.
- Dentro do possível.- respondeu Ana com um pequeno sorriso. Juliet sorriu de volta.
Quando a médica começou o exame, Ana fechou os olhos e relembrou como tinha descobrido que estava grávida da primeira vez.
Flashback
Ana precisava desesperadamente de um cigarro. Mas fumar seria uma completa estupidez depois da notícia que tinha recebido. Ela acabara de voltar do laboratório com um exame positivo de gravidez. Danny estava quase chegando em casa e ela prometera preparar o jantar para ele naquela noite.
No entanto, não conseguia preparar nada. Só conseguia pensar em qual seria a reação de Danny ao saber que seria pai. Ele ficaria feliz, a rejeitaria? Ana acabou pedindo uma pizza para o jantar e sentou-se no sofá da sala, esperando por ele.
Quando Danny chegou, ela não conseguiu mais conter sua aflição, principalmente porque ele sentou-se no sofá ao lado dela, beijou-a com carinho e perguntou como tinha sido seu dia.
- Fui buscar um exame que eu tinha feito no laboratório.- ela contou.
- Está tudo bem, amor?- ele indagou, preocupado, acarinhando os cabelos dela.
- Danny, eu estou grávida.- ela relevou com a voz trêmula.
Os olhos dele se arregalaram em surpresa.
- O que você disse? Eu não entendi!
- Danny, eu estou grávida!- Ana repetiu sem esconder a irritação que a reação dele lhe causou.
- Como você está grávida? Isso é impossível!- ele esbravejou. – Por exigência sua sempre usamos preservativos porque você teve a ideia estúpida de parar de tomar a pílula!
- Não foi uma ideia estúpida e nem foi minha! Foram ordens da minha médica. As pílulas não estavam me fazendo bem. Eu precisava de um tempo.
Danny balançou a cabeça negativamente.
- E por isso você engravidou de propósito?
- Como pode dizer isso, Daniel?- Ana gritou.
- Você está atrás de um casamento, Ana! É isso o que você quer?
- Eu jamais me casaria com um homem que tem coragem de dizer esse tipo de coisa pra mim!- Ana retrucou. – Eu estou grávida, sim! Mas foi você quem teve a feliz ideia de transar na mesa da sua sala!
- E você bem que gostou!- disse ele e Ana se controlou para não esbofeteá-lo.
- Então é isso...você diz que a culpa é minha...
- Não tô preparado pra ser pai, Ana! Eu nunca quis ser pai na minha vida!
- Agora é um pouco tarde demais!- Ana completou e Danny deu as costas a ela, colocando seu casaco e deixando o apartamento.
Ana-Lucia sentou-se no sofá, sentindo uma inquietação no estômago e uma vertigem. Depressa, ela se levantou com esforço e correu para o banheiro. Tossiu e vomitou. A vertigem tornou-se pior, tudo escurecia ao seu redor, mas ela conseguiu telefonar para a mãe.
- Madre!
- O que houve, mi hija? Por que está com a voz estranha?
- Não me sinto bem...por favor vem até aqui!
- Estou indo imediatamente!- Teresa respondeu.
Fim do flashback
Juliet terminou o exame e deixou Ana a sós para que ela tirasse a camisola do hospital e colocasse suas roupas de volta. Ana então retornou ao consultório e retomou sua cadeira.
A médica sorriu para ela e disse.
- Muito bem, seu exame preliminar está ótimo. Sem infecções ou qualquer outro problema do tipo. Mas eu vou mandar amostras para o laboratório para fazerem uma análise mais detalhada.
Juliet pegou seu bloco de receitas e começou a escrever enquanto falava.
- Quero que leve essas requisições de exames para Cassidy e marque tudo com ela. Você fará esses exames aqui na clínica mesmo. Além dos básicos como os de sangue, eu quero um raio x e um ultrasom. Isso só pra começar! E então você retorna comigo em duas semanas e trabalharemos a partir dos resultados dos seus exames.
Ela virou a folha no bloco de receitas e escreveu mais uma coisa antes de carimbar tudo e entregar ambas as folhas de papel para Ana-Lucia.
- Eu também quero que a partir de hoje você comece a ingerir ácido fólico. A cada dois dias. Evite bebidas alcoólicas e principalmente: não fume!
- Obrigada, doutora!- Ana agradeceu. – Vejo você em duas semanas.
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Depois de marcar os exames com Cassidy, Ana deixou o consultório da Dra. Burke sentindo-se muito bem. Estava otimista depois da consulta. Gostara do jeito confiante da médica.
Ela precisava voltar ao trabalho, mas resolveu passar em uma farmácia para comprar ácido fólico. Quando estava voltando para o carro, ela viu que tinha parado diante de uma igreja. Sua família no México era muito religiosa mas já fazia algum tempo que ela estava afastada da igreja. Sentiu vontade de entrar lá, poderia se atrasar para o trabalho mais alguns minutos.
Continua...
